Gamer

Gamer

No futuro, um gênio da informática cria jogos de realidade virtual, usando pessoas de verdade com o cérebro modificado, para obedecerem como personagens de videogame. Prisioneiros condenados à morte são usados em um dos jogos, o popular e violento “Slayers”, um jogo onde quase todos morrem antes de chegar ao fim.

É o novo filme da dupla de diretores / roteiristas Mark Neveldine e Brian Taylor, os mesmos do primeiro Adrenalina. Sim, em alguns momentos, o filme segue a mesma velocidade absurda. Absurda, porém eficiente, como acontece em Adrenalina! Muitos tiros, muitas explosões e muitos cortes ágeis. Ah, sim, os cortes ágeis também estão no outro jogo, o que não tem tiros nem explosões, uma espécie de “second life” com gente real.

Um dos trunfos do filme é o seu ator principal, Gerard Butler. O cara está administrando bem a carreira, depois do sucesso conseguido ao fazer o Leônidas de 300. Ele alterna entre filmes mais “masculinos”, como esse Gamer ou RocknRolla; e filmes mais “femininos”, como A Verdade Nua e Crua e PS Eu Te Amo. Esse cara vai longe! Ainda no elenco, Amber Valletta, Michael C. Hall, Kyra Sedgwick, Logan Lerman e Alison Lohman.

Nem tudo funciona, algumas cenas ficaram meio sem sentido, como a dancinha à la Broadway do vilão. Mas, no fim, quem gosta do estilo não vai se decepcionar.

O Fim da Escuridão

O Fim da Escuridão

Ontem falei aqui de um filme trash bem trash mesmo, quase homônimo a esse: Edges of Darkness (o nome original deste O Fim da Escuridão é Edge of Darkness, no singular). Mas os dois só tem isso em comum, O Fim da Escuridão é filmão hollywoodiano!

Thomas Craven (Mel Gibson) é um policial que presencia o assassinato de sua filha de 24 anos, que o visitava. A princípio, todos achavam que o próprio Thomas era o alvo, mas, ao investigar, descobrimos que a filha estava metida em uma grande teoria conspiratória.

Um grande trunfo de  O Fim da Escuridão é o personagem protagonista Thomas Craven. Ao ver sua filha morta, Craven vê que não tem mais nada a perder. Violento, eficiente e vingativo, Craven é o “mocinho” que as plateias gostam de ver. Chega de mocinhos politicamente corretos!

Mel Gibson estava afastado dos sets. Seu último trabalho como ator foi The Singing Detective, em 2003. Depois diso, dirigiu (mas não atuou) A Paixão de Cristo em 2004 e Apocalypto em 2006. Não sei exatamente os motivos de seu afastamento, se foi por motivos pessoais ou profissionais. Mas podemos ver que a volta foi em alto estilo.

No elenco o único nome “forte” é o de Gibson. Ray Winstone (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Um Amor de Tesouro) e Danny Huston (X-Men Origins: Wolverine, 30 Dias de Noite) não são nomes tão famosos assim, mas estão bem, assim como o resto do elenco. Curiosidades sobre os nomes femininos: a sérvia Bojana Novakovic, que interpreta a filha de Craven, esteve em Arraste-me Para o Inferno; a canadense Caterina Scorsone, amiga da filha, era a protagonista Alice na minissérie do SyFy.

Na verdade, O Fim da Escuridão é a refilmagem de uma minissérie dos anos 80, dirigida pelo mesmo diretor Martin Campbell – que recentemente fez um dos últimos 007, o Cassino Royale. Não vi a série de seis capítulos, então não posso comparar. Mas posso dizer que, como um longa metragem, funciona bem.

Enfim, boa opção nas telas cariocas. O filme estreou sexta passada!

Terror na Antártida

Terror na Antártida

Às vésperas de começar o rigoroso inverno na Antártida (quando quase todos saem de lá), a policial Carrie Stetko (Kate Backinsale) procura desvendar uma série de assassinatos.

Acredito que o pior problema de Terror na Antártida é o modo como foi vendido. O trailer dava a entender que a trama trazia algo misterioso, talvez alienígena ou sobrenatural, como O Enigma de Outro Mundo (que também se passa no gelo). Até o título nacional evoca um filme neste estilo!

Nada disso. Terror na Antártida é um filme policial, um eficiente thriller, apenas isso. Se fosse vendido como tal, acredito que acertaria o público alvo certo.

Dito isso, agora vamos às coisas boas do filme dirigido por Dominic Sena (Swordfish, 60 Segundos). Terror na Antártida (Whiteout no original) sabe usar muito bem o ambiente gelado da Antártida. Por um lado, temos belíssimas paisagens geladas. Por outro lado, as nevascas ajudam a criar climas tensos interessantes.

Além de Kate Beckinsale (cada dia mais bonita), o elenco conta com Gabriel Macht (The Spirit), Tom Skerrit (Alien) e Columbus Short (Quarentena).

Enfim, como disse lá em cima, Terror na Antártida é um eficiente thriller, mas nada além disso. Pode agradar se você estiver no clima certo. Mas, por favor, esqueça o trailer!

Sherlock Holmes

Sherlock Holmes

O que esperar de uma nova versão de Sherlock Holmes, só que dirigida pelo Guy Ritchie, estrelada pelo Robert Downey Jr, e direcionada para as frenéticas platéias de filmes de ação de hoje em dia?

No filme, o famoso detetive inglês Sherlock Holmes (Robert Downey Jr), sempre acompanhado de seu fiel assistente e amigo Dr Watson (Jude Law), precisa descobrir o mistério por trás do Lorde Blackwood, que inexplicavelmente voltou dos mortos com planos para dominar o mundo.

O filme é muito bom, um blockbuster eficiente, bons atores, um diretor inspirado, bons efeitos especiais, edição ágil, excelente trilha sonora de Hans Zimmer, reconstituição de época primorosa… só não tem muito a cara de Sherlock Holmes, pelo menos o Sherlock criado na literatura por Arthur Conan Doyle.  Faz um bom tempo que não leio nenhum livro dele mas, pelo que me lembro, ele não usava tanto a força física. Holmes aqui chega a lutar boxe! Isso acontecia nos livros?

A carreira de Robert Downey Jr está num momento excelente. Ele é muito bom ator e funciona bem para este tipo de papel. Mas acho que o personagem pedia alguém menos atlético. E com certeza um ator mais inglês.

Aliás, a carreira de Downey Jr merece um parágrafo à parte. Na segunda metade dos anos 90, ele teve vários problemas com álcool e drogas. Chegou a freqüentar clínicas de reabilitação e foi preso algumas vezes. E hoje? Não só o cara é o nome principal em um dos blockbusters do verão (este Sherlock Holmes), como ainda este ano estreia o segundo filme do Homem de Ferro!

Além de Downey Jr e Law, o elenco conta com Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan e Kelly Reilly.

Guy Ritchie continua em forma. Algumas seqüências são alucinantes, como o navio naufragando, ou belíssimas, como as explosões em câmera lenta. E a parte final do filme é muito boa. E, felizmente, sua câmera aqui está menos frenética que o usual, como nos ótimos  Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch. O filme pede menos maneirismos com a câmera, e Ritchie encontrou o tom certo.

Enfim, disse antes e repito, o filme é muito bom. Só acho que poderia ser outro personagem, porque este protagonista não é o velho e conhecido Sherlock Holmes…

Bala na Cabeça

Bala na Cabeça

O que falar de um dos melhores filmes de John Woo em sua fase pré hollywoodiana? Aliás, um dos melhores filmes já feitos no oriente?

Hong Kong, 1967. Ben (Tony Leung), Frank (Jackie Cheung) e Tom (Waise Lee) são amigos inseparáveis. Até que, por causa de um problema com uma gangue, resolvem fugir para o vizinho Vietnã, e acabam envolvidos com a guerra.

As cenas de ação deste clássico de 1990 são fantásticas. Muitos tiros, muitas explosões, e, como era de se esperar em se tratando de Woo, muita câmera lenta.

Aliás, é bom ressaltar: o ritmo dos filmes asiáticos é diferente de Hollywood. Duvido que alguém termine de assistir este filme e não fique cantarolando a musiquinha tema páá pááá páá páááá… Páá páá páá páá páááá…

“Bala na Cabeça” tem uma coisa que Hollywood nunca imaginou: a guerra do Vietnã como algo que pode acontecer por acidente, afinal, a distância entre os EUA e o sudeste asiático é muito grande. Mas Woo sabe que Hong Kong é ali do lado, e usou isso para transformar um excelente filme de ação num épico de guerra. De repente, estamos diante de um novo “Franco Atirador”!

“Bala na Cabeça” era para ter três horas de duração. Depois de se estabelecer em Hollywood (em 93), a ideia de Woo era tentar recuperar os negativos não utilizados no corte final numa “versão do diretor”. Pena que estes negativos foram jogados fora…

Recentemente Woo voltou para a China, depois de 15 anos em Hollywood, e fez o épico “A Batalha dos 3 Reinos“, já comentado aqui no blog. Deve estrear em breve nos cinemas brasileiros.

“Bala na Cabeça” é obrigatório para quem quiser conhecer o cinema de ação asiático. E também obrigatório para os fãs de John Woo!

(fiquei com vontade de rever “The Killer”, outro John Woo da fase asiática…)

Falcões da Noite

Falcões da Noite

Eficiente filme de ação do início dos anos 80, Falcões da Noite (Nighhawks no original), de 1981, mostra dois policiais de Nova York lutando contra um perigoso terrorista europeu.

Os três principais nomes do elenco são conhecidos. O protagonista é Sylvester Stallonne, badalado na época, tinha acabado de fazer Rocky 2, e o primeiro Rambo viria no ano seguinte. Seu parceiro é Billy Dee Williams, recém saído da pele de Lando Calrissian, em O Império Contra-Ataca (80). E o terrorista é Rutger Hauer, recém chegado da Holanda natal, e que no ano seguinte faria o clássico Blade Runner.

Aliás, a carreira de Hauer é interessante. No início dos anos 80, ele era badaladíssimo, famoso por filmes como Blade Runner, Ladyhawk, O Casal Osterman, Conquista Sangrenta e A Morte Pede Carona. Mas, e depois? O que aconteceu com o cara? Nunca mais fez nada que preste…

E agora vou confessar uma coisa para vocês: sou fã deste filme, mas não é por causa do elenco, nem pela direção de Bruce Malmuth. É por causa da trilha sonora, composta pelo gênio Keith Emerson, o melhor tecladista do mundo, da banda ELP! Sou muito fã do cara, e só conheço dois filmes para os quais ele fez a trilha sonora, este e Inferno, do Dario Argento – nem preciso falar que tenho as duas trilhas, né?

Be Cool – O Outro Nome Do Jogo

Be Cool – O Outro Nome Do Jogo

Apesar de ter gostado de Get Shorty – O Nome do Jogo, de 95, heu ainda não tinha visto a sua continuação, Be Cool – O Outro Nome Do Jogo, de dez anos depois.

Baseado no mesmo Elmore Leonard que escreveu a primeira história, Be Cool traz de volta Chili Palmer (John Travolta), desta vez tentando entrar na indústria da música, em vez do cinema como no primeiro filme.

Be Cool tenta manter o mesmo estilo de Get Shorty: atores famosos fazendo personagens cool, tudo num visual moderno e embalado por uma trilha sonora “tarantinesca”.

Aliás, o elenco deste filme é impressionante: John Travolta, Uma Thurman, Danny DeVito, Harvey Keitel, James Woods, Vince Vaughn, The Rock, Christina Milian, Debi Mazar, Cedric The Entertainer, e ainda rolam participações especiais de Steven Tyler e Joe Perry (do Aerosmith), Black Eyed Peas e Sergio Mendes.

Mas no fim descobrimos que, por trás de tudo isso, o filme é fraquinho. Para ser sincero, achei o filme bobo… A trama é vazia, é tudo tão sem graça, que, quando acaba o filme, dá vontade de rever o original.

Vingança Entre Assassinos / The Tournament

Vingança Entre Assassinos / The Tournament

A cada sete anos, uma cidade aleatória é escolhida para sediar um torneio entre os melhores assassinos profissionais do mundo. Só um sobreviverá, e ganhará o premio de dez milhões de dólares.

A ideia é muito boa. Fiquei imaginando um seriado explorando melhor cada competidor. Ou mais filmes, mostrando outras edições do torneio – imaginem um torneio destes no sec XIX?

Pena que este filme não conseguiu explorar tão bem a ideia. Alguns personagens poderiam ser melhor construídos, como o enlouquecido Miles Slade, de Ian Sommerhalder (o Boone de Lost), que ficou parecendo uma imitação do Comediante de Watchmen.

O elenco tem alguns nomes famosos. Os principais são Robert Carlyle, Ving Rhames e Kelly Hu. De quebra, além de Sommerhalder, também temos Sebastien Foucan, um dos criadores do parkour (e que também esteve em 007 – Cassino Royale), com um visual parecido com o Blade de Wesley Snipes – mais ou menos como se o Blade fizesse parkour.

Mesmo assim, Vingança Entre Assassinos não decepcionará os fãs de filmes de ação. Boas brigas coreografadas, bons tiroteios, boas explosões, boas perseguições de carro, tudo está lá, com a dose de mentira e de exagero necessários para o estilo.

Bitch Slap

Bitch Slap

Quando surgiu a divulgação deste Bitch Slap, já virei fã logo de cara. Três mulheres gostosas, com cara de bad girls, de peitos grandes escondidos por enormes decotes, saindo de um carro, em câmera lenta. Digo mais: elas brigam entre si, rolam tiros e explosões, e até um lesbianismo leve. Precisa de mais?

A história mostra as três bad girls no deserto, e, através de divertidos flashbacks, conhecemos a história de cada uma delas e entendemos o que elas estão fazendo lá.

Sim, é tudo muito caricato. Mas será que alguém achava que esse seria um filme sério? Claro que não! Ou seja, aqui é tudo muito engraçado!

As três meninas estão caricatas, como o filme pede, cada uma no estilo que de sua personagem. Julia Voth como a frágil stripper Trixie; Erin Cummings como a líder Hel; e America Olivo (Sexta Feira 13 – 2009) como a exagerada Camero. Bem, talvez America Olivo pudesse estar um pouco menos exagerada, mas mesmo assim, é coerente com o resto do filme. Como crítica está o fato de que nenhuma das três tira a roupa durante o filme!

O elenco ainda traz algumas surpresas, como participações especiais de Kevin Sorbo e Lucy Lawless – o Hércules e a Xena dos seriados de tv; e ainda uma ponta de Zoe Bell, uma das atrizes principais de À Prova de Morte, do Tarantino.

Aliás, falando em caricato e exagerado, algumas das cenas são descaradamente em estúdio com um fundo em chroma-key por trás. E os efeitos especiais são tosquérrimos! Claro, aqui, tudo funciona!

E, falando em tosqueiras, os créditos iniciais e finais são com imagens vintage de mulheres rebolando. Genial!

Achei o fim um pouco forçado – aquilo nunca aconteceria num filme sério. Mas não estamos falando de um filme sério, não?

Xeque Mate

Xeque Mate

Normalmente, um filme com um elenco desses é para ser visto no cinema e na época do lançamento. Mas comi mosca, nem sabia que esse filme existia!

Slevin (Josh Hartnet) é o cara errado no lugar errado. Ele é confundido com um amigo que deve dinheiro a dois mafiosos rivais e por causa disso, se mete em vários problemas.

Xeque Mate (Lucky Number Slevin no original) é daquele tipo de filme que você tem que prestar atenção nos detalhes. Várias coisas só são revelados no fim do filme. Isso é muito legal, você pega pistas, e no fim, tudo é amarrado. O problema é que você tem que curtir o filme sem pensar muito, aí você não repara numa ponta solta aqui ou num furo no roteiro acolá…

Gostei muito da edição ágil do filme. Algumas das seqüências são muito boas, como a parte inicial, que mostra todo o quebra cabeça em volta da aposta nos cavalos. Me lembrou uma leva de filmes nos anos 90 que queriam seguir a onda aberta com Tarantino e seu Pulp Fiction. Quero mais filmes assim!

O elenco é muito bom. Além de Hartnet, temos Bruce Willis, Morgan Freeman, Ben Kingsley e Lucy Liu, e coadjuvantes de luxo como Stanley Tucci, Danny Aiello e Robert Forster. E o diretor Paul McGuigan foi o mesmo que fez Herois este ano.

Resumindo: não é um filme essencial, mas é um bom programa.