Homem de Ferro

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Homem de Ferro

Antes de tudo, preciso explicar que não curto quadrinhos de super-heróis. Quadrinho pra mim tem que ser engraçado. Disney (de preferência Carl Barks), Calvin & Haroldo, Piratas do Tietê, Asterix, coisas assim são bem-vindas no universo helveciano.

Outra coisa: pra mim, homem de ferro era um desenho “desanimado”, uns desenhos que passavam muitos anos atrás, que tinham uma animação tosquíssima, que por isso mesmo não estavam na minha preferência – heu ficava com os Disney, Warner, Tom & Jerry, Hannah Barbera, etc.

Dito tudo isso, afirmo que a adaptação cinematográfica dos quadrinhos do Homem de Ferro é muito boa!

Tony Stark é um magnata da indústria bélica que um dia se toca que suas armas não trazem o bem para as pessoas, e então resolve fazer uma armadura e vira um super-herói que combate os fracos.

A história é simples, porque com certeza veremos mais vezes o Homem de Ferro nas telas…

E o que diferencia esse filme de outros filmes recentes baseados em quadrinhos? Um dos pontos altos é o elenco. Robert Downey Jr está ótimo como o quarentão beberrão Tony Stark, e um quase irreconhecível Jeff Bridges faz um vilão perfeito. Isso sem contar com Gwyneth Paltrow como a super-secretária de Stark!

O diretor John Favreau também manda bem, apesar de ser seu primeiro blockbuster (ele também fez Zathura, mas a repercussão era bem menor). Aliás, ele também aparece nas telas, como o motorista de Stark. Além dele, também vemos Hillary Swank num papel minúsculo (ao lado de Stark, na mesa de dados no cassimo) e o próprio Stan Lee (autor dos quadrinhos) na entrada de uma festa.

E, claro, não saia do cinema antes dos fins dos créditos: Samuel L Jackson aparece como Nick Fury, quase para fazer propaganda de uma nova franquia que contará com o Homem de Ferro!

Mandando Bala

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Mandando Bala

Podemos dizer do que se trata um filme apenas olhando o elenco? O que dizer de um filme estrelado pelos astros “sérios” Clive Owen, Paul Giamatti e Monica Belluci?

Bem, Mandando Bala (Shoot ‘Em Up) é um filme atípico na carreira dos três. Pra começar, é um dos filmes com mais mortes por tiro dos últimos anos!

Mas essa aparente incompatibilidade entre elenco e argumento não impede o filme de ser bom. Ao contrário: Paul Giamatti, exagerado na dose certa, imprime um ar genial ao vilão do filme.

Smith (Clive Owen) está num ponto de ônibus quando vê uma grávida sendo perseguida por um homem armado. Ele a salva, e descobre que são muitos tentando assassiná-la. Mas Smith é uma espécie de “ultimate bad ass” (como no filme Onde os fracos não têm vez, dos Coen), e mata TODOS. E esse é basicamente o argumento.

O que diferencia esse filme de um filme vagaba sobre tiroteios e assassinatos são os geniais e exagerados detalhes irônicos. Como por exemplo, no momento que os personagens de Owen e Bellucci estão transando e chegam vários assassinos – e o nosso amigo Smith mata todos eles – “sem tirar”!

Boa opção pra aqueles dias que estamos com vontade de deixar o cérebro de lado…

Rambo IV

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Rambo IV

Hoje em dia Hollywood passa por uma grave crise de criatividade. Talvez por falta de imaginação, talvez por insegurança de trilhar por caminhos novos, tivemos, nos últimos anos, uma enxurrada de continuações e refilmagens.

Depois de Duro de Matar 4 e Rocky 6 (foi o 6 ou o 7?), por que não voltarmos ao Rambo?

O problema é que John Rambo é uma caricatura datada. O primeiro filme, no distante ano de 82, mostra um veterano do Vietnã voltando pra casa e sendo maltratado por uma cidade pequena. É um filme muito bom, onde um homem simples e traumatizado pela guerra briga pela própria sobrevivência. E, usando a máxima “se você for cutucar um animal selvagem, cuidado porque ele pode te cutucar de volta”!

Aí vieram as continuações e Rambo virou farofa. Inventaram motivos pra ele voltar pro Vietnã e matar algumas dúzias de pessoas. E o grande barato dos filmes era isso: a boçalidade exagerada. Muitos tiros, muitas explosões, muitas mortes – e só isso.

E então se passaram uns 20 anos. Se antes o Rambo tinha uns trinta e poucos anos, agora ele tem uns 60. Se antes ainda tinha sentido se falar em Vietnã, agora isso virou passado distante. E agora, como fazer mais um filme e guardar mais uns trocados pra aposentadoria?

Aí entra o problema desse filme novo. Como contextualizar um cara velho num cenário de guerra ultrapassada?

Bem, o filme Rambo IV não se preocupa com isso. A solução é simples: muito mais tiros, muito mais explosões, muito mais mortes – e só isso de novo! A diferença é que agora, a tecnologia permite mostrar um sangue cenográfico muito mais “real”…

John Rambo, já um senhor de idade, está vivendo como barqueiro na Tailândia. Um grupo humanitário pede a sua ajuda, ele a princípio diz que não, mas, ninguém sabe por que, muda de idéia. Claro que esse grupo é capturado pelos bandidos, e claro que Rambo chefia o grupo de mercenários que vai resgatá-los.

Se a sua idéia de diversão for sangue, tiros e explosões, divirta-se, porque esse é um bom filme NESSE ASPECTO.

Mas se você se interessar por algo um pouco mais profundo do que um pires, alugue o primeiro filme, que é bem melhor…

Battle Royale

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Battle Royale

“Você seria capaz de matar o seu melhor amigo?”

Num futuro próximo, uma turma escolar indisciplinada é colocada numa ilha, onde cada um recebe uma arma aleatória, e todos têm 3 dias para se matarem, até sobrar apenas um vivo. Se sobreviver mais de um, todos morrem.

Essas são as regras básicas do jogo Battle Royale, um dos filmes japoneses mais criativos dos últimos anos.

A idéia é genial. Aliás, nem sei como Hollywood ainda não fez uma refilmagem… Uma turma de estudantes, não sei exatamente qual idade, mas como se fosse o nosso ensino médio, é colocada num abiente hostil onde a violência para com o próximo é necessária para a sobrevivência. E, ao serem apresentados a esse neo darwinismo onde quem não mata morre, as reações individuais podem ser imprevisíveis.

O clima do filme é meio trash, com dizeres na tela contando quem morreu e quantos faltam morrer pra terminar o jogo. As mortes são violentas, tem muito sangue, mas é tudo meio caricato. O fato de ser japonês ajuda, porque vemos aquelas interpretações afetadas e exageradas de sempre – e que funcionam muito bem num filme desses.

Acredito que esse filme nunca passou no Brasil pelos meios oficiais – essa imagem que peguei da internet deve ser da edição portuguesa. Mas esse vale o download no torrent mais próximo do seu provedor!

Cloverfield – Monstro

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Cloverfield – Monstro

Antes de falar do filme, vou falar um pouco do meu pé atrás com relação a ele.

Em primeiro lugar, acho o JJ Abrams um dos caras mais marqueteiros que já surgiu na história de Hollywood. Tudo o que o cara faz é hype, mas pra mim ele é supervalorizado. Pra mim ainda tem que comer muito arroz com feijão pra conseguir se equiparar aos “grandes”.

Conheço 3 coisas que ele fez:

Alias (série de tv): depois de estar familiarizado com Jack Bauer & cia, achei a série Alias muito, muito ruim. A agente secreta dessa série é muito fraquinha! Vi uns episódios e passei direto.

Missão Impossível 3: é até covardia, né? O primeiro filme é do Brian De Palma; a continuação é do John Woo. O terceiro é dirigido pelo (quem?) JJ (quem?)… Fraaaco…

Lost: tá, a série é boa, muito boa. Reconheço que é uma das melhores coisas na tv hoje em dia. Mas a quantidade pontas soltas e a quase certeza que tenho que nunca vão conseguir explicar tudo me deixa sempre com pé atrás com essa série…

Em segundo lugar, essa idéia Bruxa de Blair já era batida na época do próprio Bruxa de Blair. Em 92, vi um filme belga chamado Aconteceu perto de sua casa, um documentário sobre um assassino profissional – que REALMENTE parece de verdade! Quando, em 99, veio a idéia da Bruxa de Blair, pensei “já vi isso antes…”

Então, quando apareceu a idéia do “novo projeto do JJ Abrams que é uma mistura de Godzilla com Bruxa de Blair“, claro que fiquei com pé atrás…

Mas fui ver. E não é que é interessante?

A idéia todos sabem: um cara está filmando uma festa de despedida de um amigo, e Nova York começa a ser atacada e destruída por um monstro gigantesco. Então, começa a documentar o que está acontecendo.

O interessante aqui é colocar o espectador “dentro” do filme. Não aparece um cientista que explica o que está acontecendo, ou um herói que faz uma armadilha pro monstro, ou outros clichês típicos de filmes assim. Você está lá dentro, e precisa fugir – e nem ao menos sabe do que!

O início é um pouco longo, e a câmera tremida cansa um pouco. E ficamos curiosos com o que aconteceu, porque nada é explicado… Mas vale a experiência!

E tem uma cena que parece uma homenagem ao poster de Fuga de Nova York, de John Carpenter! É que nesse poster, aparece a cabeça da Estátua da Liberdade caída no meio de uma rua. Mas essa cena nunca acontece no filme…

Agora é esperar o marqueteiro fazer a continuação, onde vai explicar qualé a do monstrão…

Onde os fracos não têm vez

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Onde os fracos não têm vez

Onde os fracos não têm vez, o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen (de Fargo, O grande Lebowski, Na Roda da Fortuna, Arizona Nunca Mais, Gosto de Sangue, Ajuste Final, E aí meu irmão cadê você, etc.), foi o grande vencedor do Oscar de 2008: melhor filme, diretor, ator coadjuvante e roteiro adaptado. Merecido!

Num clima meio western (apesar de se passar nos anos 80), o caçador Llewelyn Moss (Josh Brolin, aquele, de Goonies, que antes esteve em Planeta Terror e agora em 2009 concorre a ator coadjuvante por Milk) encontra por acidente o cenário de um verdadeiro massacre: vários carros, vários corpos, várias armas e uma quantidade enorme de drogas. Mais: encontra, um pouco afastado, um outro cadáver, com uma maleta cheia de dólares. Enquanto isso, um homem misterioso e mau, muito mau, começa a perseguí-lo. Este é Anton Chigurh, magistralmente interpretado por Javier Bardem, que já ganhou Globo de Ouro e o Oscar de melhor ator coadjuvante.

O filme é lento, e, diferente do habitual dos Coen, não tem muito humor. Ainda temos outros ótimos personagens, como o velho xerife interpretado pelo Tomy Lee Jones, e algumas cenas geniais – isso sim, marca registrada dos Coen.

O fim do filme desagradou a maioria dos espectadores, mas não tira o brilho da obra. E agora os irmãos roteiristas e diretores leveram mais umas estatuetas pra casa, de filme, direção e roteiro, pra guardar ao lado da de roteiro por Fargo

Clube da Luta

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Clube da Luta

Coloque o dvd no player. Espere os avisos. Aparecerá esse texto:

Warning: If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don’t you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can’t think of a better way to spend these moments…

A ironia do filme começa antes do filme…

Clube da luta é um filme sobre testosterona. Sobre a necessidade masculina da volta à violência natural do ser humano, que foi suprimida nos tempos modernos. Pensando assim, dois amigos, interpretados por Edward Norton e Brad Pitt, fundam o Clube da Luta – onde podem exercer toda a violência reprimida.

A partir daqui, virão spoilers. Ou seja, se não viu o filme, pare de ler!!!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Quando penso em “filmes com finais surpreendentes”, lembro de 3: O Sexto Sentido, Jogos Mortais e esse Clube da Luta. E, ao rever o filme, você vê que tudo aquilo faz sentido! Pra começar, o personagem principal não tem nome. Ele é o “narrador” – só. E, revendo o início, você consegue ver flashes do alter ego inseridos no cenário: por 4 vezes, aparece um Brad Pitt como o Tyler Durden que acompanhará o Edward Norton. (ele aparece como mensagem subliminar, assim como o pênis que aparece na cena final)

Sem conseguir paz interior, o narrador começa uma guerra particular contra a sociedade de consumo. E, assim, Tyler Durden e seu alter ego constroem a sua sociedade secreta e subversiva, e nos conquistam com seus ideais fora dos padrões.

Ao lado de Se7en, Clube da Luta é um dos melhores filmes de David Fincher (que, depois, nos trouxe o fraco Zodíaco e agora concorre ao Oscar por O Curioso Caso de Benjamin Button). E os dois atores, Brad Pitt e Edward Norton, como sempre, arrebentam.

Filmão. Violento, mas nada gratuito. Dá uma boa sessão dupla com outro “filme testosterona”, o 300, de Zack Snyder.

O Vidente

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O Vidente

Antes de tudo, este é um filme baseado em Philip K. Dick. E quem foi esse cara?

O que Blade Runner, O Vingador do Futuro, O Pagamento (John Woo), O Homem Duplo e Minority Report têm em comum? São filmes baseados em livros de K. Dick, um escritor de ficção científica que nasceu em 1928.

Pelos filmes que foram feitos, a gente já tem vontade de ver o próximo (nem todos são brilhantes, mas só o Blade Runner e o Vingador do Futuro já valem).

Neste novo filme do neo zelandês Lee Tamahori (de Triplo X 2 e 007 Um Novo dia para Morrer), Nicolas Cage consegue ver dois minutos à frente. Assim, ele consegue adivinhar cada situação antes de acontecer, e mudar o futuro de acordo com a sua vontade. E por causa desta habilidade, o FBI quer que ele ajude a encontrar terroristas que pretendem colocar uma bomba atômica em solo norte-americano.

Estes dois minutos de previsão nos oferecem situações muito interessantes, como quando ele escapa de vários seguranças num cassino, numa interessante coreografia onde ele sabe exatamente onde estará o próximo segurança; ou ainda quando ele conhece a personagem de Jessica Biel, e vê várias abordagens que dão errado.

O elenco ainda conta com Julianne Moore, como a obcecada oficial do FBI que quer a ajuda do vidente.

O único problema do filme, na minha opinião, é que os terroristas não me convenceram… Se a idéia era a bomba, eles não deveriam ter desviado do objetivo.

Não é uma obra prima, mas vale o ingresso.

A Outra Face

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A Outra Face

John Travolta e Nicolas Cage trocando de rosto? A idéia parece absurda. Mas, além de absurda, é genial!

No fim dos anos 80, o diretor chinês John Woo começou a chamar a atenção de Hollywood com filmes como The Killer e Bala na Cabeça. O seu estilo era inconfundível: muitos tiroteios, muitas explosões, tudo muito estilizado, usando muita câmera lenta. E sua assinatura: em algum momento do filme, há pombas voando, também em câmera lenta.

John Woo foi “importado” para Hollywood em 93 por Jean Claude Van Damme, para dirigir O Alvo (que acabou sendo um dos melhores filmes deste). E, em Hollywood, Woo virou diretor de primeira linha.

E em 97, Woo lançou sua obra-prima: A Outra Face.

A trama é inverossímil. Um grande agente do FBI (Travolta) persegue um grande terrorista (Cage). Quando o terrorista é preso e entra em coma, o agente, para conseguir informações sobre uma bomba escondida, faz uma cirurgia para trocar de rosto com o bandido. Mas este acorda do coma e pega o rosto do mocinho. E assim, mocinho e bandido trocam de lugar – e só eles sabem disso.

Esqueça a lógica! Afinal, Travolta precisava de reduzir o peso pra ser Cage, mas este não precisava engordar pra ficar no lugar daquele! Isso dentre outras incoerências.

Mas a graça do filme é justamente a forma, e não o conteúdo. E que forma! São várias seqüências antológicas, como logo no início do filme, com Cage chegando ao seu jato particular e sendo perseguido por Travolta; ou o tiroteio ao som de Somewhere Over the Rainbow; ou ainda a fantástica cena final nas lanchas.

O elenco está ótimo. Travolta e Cage se revezam nos papéis de mocinho e vilão. A cena que ambos estão com as armas apontadas um para o outro, com um espelho entre os dois (ou seja, cada um vê o outro através do próprio reflexo) é genial. E ambos fizeram laboratório um com o outro, estudando os detalhes para a hora de trocar de lugar. Completam o elenco Joan Allen, Gina Gershon, Dominique Swain e Alessandro Nivola.

As pombas voando em câmera lenta? Estão lá, em mais uma seqüência antológica, desta vez na igreja!

Cães de Aluguel

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Cães de Aluguel

O ano era 92. Algumas pessoas começavam a comentar sobre um filme ultra-violento que estava passando em algumas salas da cidade, dirigido por um ex balconista de videolocadora. Falavam de um ritmo diferente, porque o filme usava o “tempo real” e muitos flashbacks.

Fui ver o filme. E posso dizer que a história do cinema começou uma nova era…

O filme trata de um assalto a uma joalheria. Começa com tudo dando errado, e vai mostrando com flashbacks quem são aqueles homens, todos de terno preto, e como eles chegaram lá.

Além dos ternos pretos, todos têm nomes de cores – Mr. Pink. Mr. White, Mr. Blonde, Mr. Orange, Mr. Blue e Mr. Brown. Aos poucos vemos como eles foram recrutados para o assalto, e quem é cada um. E, também aos poucos, as tensões vão crescendo entre os violentos assaltantes e suas convicções, até o apoteótico fim – do qual é melhor não falar nada, porque nem todo mundo viu o filme…

Todos os diálogos do filme são geniais. Logo no início, o próprio Quentin Tarantino, diretor, roteirista e ator, protagoniza o hoje famoso “Madonna Speech”, onde explica a sua interpretação sobre a música Like a Virgin, da Madonna…

O filme é muito violento, rola muito sangue, mas não de uma maneira “splatter”. Parece real, tanto que um paramédico foi contratado pra acompanhar o sangramento de um dos personagens ao longo do filme.

O elenco está muito bom. Harvey Keitel era o único grande nome na época, e está ótimo ao lado dos geniais Steve Buscemi e Tim Roth. O quase sempre canastrão Michael Madsen funciona muito bem, ao lado do Chris Penn, que antes disso só tivera um filme que merece registro, como o amigo (magro!) do Kevin Bacon em Footloose.

Se antes do filme o diretor Quentin Tarantino era apenas um atendente de videolocadora, depois ele virou hype. Vendeu dois roteiros: Amor À Queima Roupa, do Tony Scott; e Assassinos Por Natureza, do Oliver Stone (segundo o que se diz, Oliver Stone teria mudado muito o roteiro original, por isso Tarantino pediu para ter seu nome excluído dos créditos); e depois fez Pulp Fiction.

Pulp Fiction merece um parágrafo! Se Cães de Aluguel é a violência crua, Pulp Fiction é a violência estilizada. Ganhou Oscar de melhor roteiro e Palma de Ouro de melhor filme em Cannes. Ressucitou carreiras adormecidas e mais uma vez revolucionou a estrutura dos filmes, não colocando o roteiro numa ordem cronológica. Genial, genial, genial. Outro dia falo dele aqui.

Cães de Aluguel é um filme obrigatório. Quem não viu, corra e compre um nas prateleiras de R$ 9,90 das grandes lojas. Quem viu, tá na hora de rever!

Curiosidade final: afinal, o que são os “reservoir dogs”? Durante o filme, o bando nunca é citado com esse nome, que só aparece nos créditos iniciais. Na verdade, na sua época de videolocadora, Tarantino gostou do título do filme Au Revoir Les Enfants (Adeus Meninos), do Louis Malle. Gostou do som desse nome, mas não conseguia falar direito o francês, então se enrolava falando “Au Reservoir Les Enfants“. Gostou tanto que resolveu dar o nome pro seu bando…