A Substituta / Vikaren

A Substituta / Vikaren

Oba! Um filme dinamarquês de alienígenas! Isso a gente não vê todos os dias!

Uma turma do sexto ano na escola tem uma nova professora substituta. Eles descobrem que existe algo de errado com a professora, mas os pais não acreditam.

Normalmente, quando pego a programação do Festival, me foco mais nas mostras “Panorama”, “Expectativa” e “Midnight Movies”. Mas vale a pena passar os olhos pelas outras mostras – A Substituta está na mostra “Geração”. É porque, apesar da temática meio terror / sci-fi, A Substituta pode ser visto por toda a família!

E é isso mesmo. O filme, dirigido por Ole Bornedal (o mesmo que em 1997 fez O Principal Suspeito, com Ewan McGregor), agradará tanto os adultos quanto os jovens.

Parece uma versão nórdica de Prova Final, de Robert Rodriguez. Mas aqui os alunos são mais novos, e o clima do filme é mais família. Inclusive, temos um bom elenco infantil, não são os “alunos-clichê-de-sempre” que rolam em produções semelhantes americanas. Mas quem chama a atenção é a atriz Paprika Steen, com sua professora substituta alienígena. Ela está muito bem com suas caras e bocas e ar de completamente louca!

O filme tem poucos efeitos especiais, mas são eficientes. Em momento algum parece se tratar de uma produção de um país sem tradição no gênero.

Existem planos para uma versão hollywoodiana pra 2011. Tomara que não estraguem o filme.

Uma última coisa: por favor ignorem a capa do dvd americano, que está aí em cima. O filme não tem nada a ver com isso!

Sexykilller – Morirás por Ella

Sexykilller – Morirás por Ella

Divertido filme espanhol satirizando terror slasher. Bárbara é uma estudante universitária de medicina e ao mesmo tempo uma fria assassina serial!

Dirigido em 2008 por Paco Cabezas, Sexykiller é uma paródia, mas não uma paródia do mesmo estilo da franquia Scary Movie, que copiava alguns filmes específicos – coisa que foi feita no também espanhol Spanish Movie. Sexykiller até cita alguns filmes hollywoodianos, mas é uma história independente.

A exagerada e um pouco caricata Macarena Gómez é uma das melhores coisas do filme. Bonitinha, meio esquisitinha, sua Bárbara tem um gosto horroroso e kitsch para roupas e acessórios, lembra muito o Almodóvar antes do sucesso.

O roteiro traz boas sacadas, e ainda rolam zumbis no fim do filme! Boa opção para quem curte humor negro!

O Pequeno Nicolau


O Pequeno Nicolau

Anos 50. Nicolau é um menino feliz. Amado pelos pais, tem um monte de amigos na escola. Até que alguns acontecimentos o levam a acreditar que seus pais lhe darão um irmãozinho, e que isso atrapalhará a sua vida.

Simpático filme francês em cartaz nos cinemas cariocas, O Pequeno Nicolau é baseado numa obra de 1959, do ilustrador Jean-Jacques Sempé e do escritor René Goscinny – sim, ele mesmo, co-criador do Asterix (ao lado de Albert Uderzo).

Não conheço o original. Mas o roteiro baseado nele, escrito por Laurent Tirard (também diretor), Grégoire Vigneron e Alain Chabat, é muito bom. É uma comédia leve, cheia de personagens bem construídos e cenas bem escritas, com várias sacadas bem legais. As peripécias do menino Nicolau e seus colegas da escola são muito divertidas!

O elenco é um dos trunfos do filme. Principamente o elenco infantil. São vários garotos, cada um com sua personalidade distinta, e todos estão muito bem.

Outra coisa que muito legal são os créditos iniciais do filme, imitando um livro infantil. Simples e bem feitos, como, aliás, o filme em si.

O Pequeno Nicolau não é um filme essencial, não vai mudar a vida de ninguém. Mas a sua leveza e sua simplicidade o tornam uma opção melhor do que boa parte dos filmes em cartaz.

Starcrash

Starcrash

Stella Star e Akton, dois contrabandistas espaciais, são capturados e depois contratados pelo imperador numa missão de resgate contra o malvado Conde Zarth Arn e sua poderosa arma misteriosa.

Não conhecia este quase plágio de Guerra nas Estrelas, feito em 1978. Aí descobri que o filme é italiano, e tudo fez sentido! Na década de 70, a Itália copiou vários filmes americanos, principalmente westerns e filmes de terror, criando os famosos “western spaguetti”. Quase sempre eram filmes vagabundos, com orçamentos pequenos e resultados de qualidade duvidosa. Mesmo assim, o cinema ganhou nomes talentosos na época, como Sergio Leone, Dario Argento e Lucio Fulci.

Starcrash é uma “ficção científica spaguetti”!

Visto hoje em dia, Starcrash é um legítimo trash movie. Atuações caricatas, trama ridícula e “defeitos” especiais. Me questiono se na época era pra ser sério…

Na verdade, o que mais enfraquece Starcrash é a comparação com Guerra nas Estrelas. Por um lado, tem coisas em Starcrash que beiram o plágio – caramba, tem até um sabre de luz aqui! Por outro lado, os efeitos do filme de George Lucas são muito melhores (e olha que foi feito um ano antes!)

Falando do roteiro, não só parece um plágio barato, como ainda traz situações tão ridículas que o filme às vezes parece uma comédia. Tem cenas mais engraçadas que paródias como Spaceballs!

O elenco traz dois nomes curiosos. O imperador é ninguém menos que Christopher Plummer, que, nas poucas vezes que aparece, está com uma cara de “o que estou fazendo aqui?”. E seu filho é um dos primeiros papéis de David Hasselhoff, que anos mais tarde ficaria famoso por protagonizar os seriados A Super Máquina e Baywatch.

Parágrafo novo pra falar da única coisa que Starcrash tem melhor que Guerra nas Estrelas: a protagonista Stella Star interpretada pela atriz Caroline Munro e suas roupas pequenas e decotadas! Cinco anos antes do biquíni dourado de O Retorno do Jedi, Stella Star usa roupas tão sexy quanto!

Definitivamente, Starcrash não é pra qualquer um, nem pra qualquer hora. Mas, se visto no clima certo, é diversão garantida!

Srpski film – A Serbian Movie

Srpski film – A Serbian Movie

De vez em quando aparecem por aí uns filmes realmente chocantes. Srpski Film (ou A Serbian Movie) é um deles.

Srpski Film fala de uma lenda urbana da história do cinema: os snuff movies. Um snuff é um filme de sexo onde aconteceria uma morte real. Só que até agora ninguém provou a existência de um snuff

(Com a popularização da internet, já vi sites que mostram supostas mortes reais. Mas confesso que nunca parei pra prestar atenção se é de verdade ou fake…)

A trama de Srpski Film mostra Milos (Srdjan Todorovic), outrora um dos maiores atores pornôs, agora aposentado e em crise financeira. Ele recebe uma proposta para voltar e fazer apenas um filme e ganhar um bom dinheiro e não se preocupar com o futuro. O problema é que não dizem qual o estilo da sua nova produção.

O filme é casca grossa. Violência, tortura, necrofilia, pedofilia… O diretor Srdjan Spasojevic pega pesado nas cenas chocantes – inclusive, o sexo é quase explícito. E o melhor de tudo é que tudo isso está inserido no contexto do filme, nada é gratuito.

Gostei da narrativa da segunda parte do filme. Milos é drogado e acorda três dias depois, e começa a refazer os seus passos para tentar se lembrar do que aconteceu. E a cada passo, a história fica mais pesada, até chegarmos na parte final do filme, um soco na cara do espectador. Causa um desconforto daqueles que dura por dias. Senti algo parecido depois de ver Saló e Irreversível (ambos no cinema).

Por ser um filme extremamente desconfortável, não recomendo Srpski Film para ninguém. Mas reconheço que é um filme muito bom dentro do que se propõe.

Último comentário: baixei uma versão “screener”, com marca d’água durante todo o filme, e algumas vezes aparece escrito na tela “property of Contra Films”. Normalmente, sou contra ver filmes assim, perfiro esperar por versões melhores, mas, um filme desses, não sei quando aparecerá uma outra versão…

O Segredo da Rua Ormes

O Segredo da Rua Ormes / 5150 Rue des Ormes / 5150 Elm Street

Uêba! Mais um filme francês ultra-violento!

Yannick, um jovem estudante de cinema, se acidenta de bicicleta, e vai procurar ajuda. No lugar errado, na hora errada…

Depois de Haute Tension, A L’Interieur e Martyrs, um filme como 5150 Rue des Ormes não é surpresa para ninguém. O diretor Éric Tessier traz mais um eficiente e tenso filme francês.

Este não tem tanto gore quanto os outros que citei no parágrafo anterior. Mesmo assim, a violência é grande. Yannick presencia o que não deveria, e então é mantido prisioneiro por uma das melhores famílias de desequilibrados da história do cinema!

Jacques Beaulieu, o pai da família, é um ótimo personagem. Completamente pirado, usa um código de ética distorcido, inventado por ele mesmo. E usa o xadrez como catalisador da sua insanidade.

O elenco é desconhecido por aqui. Nenhum nome se destaca, mas todos estão bem.

Boa opção pra quem gosta do estilo! Infelizmente, acho que só através de download – este tipo de filme nunca chega aqui, né?

23/09 Atualização – este filme está na programação do Festival do Rio!

A Sétima Vítima

A Sétima Vítima

Quando vejo um filme bom, guardo o nome do diretor e procuro outras coisas que ele fez. Que tal um outro filme de Jaume Balagueró, diretor de REC, um dos melhores filmes de terror dos últimos anos?

(Na verdade, A Sétima Vítima Darkness no original – é de antes, foi lançado em 2002, e passou aqui no Brasil. Revi agora, mas lembro de ter visto a primeira vez no cinema, muitos anos antes de ouvir falar em REC…)

Uma família – pai, mãe, filha adolescente e filho criança – se muda dos EUA para a Espanha, para morar num velho casarão afastado da cidade, que pertence à família. Mas existe algo de terrível no passado da casa…

Ok, o tema é batido. E o filme também não é nada de inovador. A Sétima Vítima não é tão brilhante quanto REC, mas é um interessante “terror de casa mal assombrada”.

O elenco está ok, temos Anna Paquin já adulta (mesma época dos primeiros X-Men e de Quase Famosos) e Lena Olin, além de Iain Glen, Stephan Enquist e Giancarlo Giannini.

De coisas boas, podemos destacar que Balagueró já sabia usar bem movimentos de câmera. Os efeitos especiais são poucos, o que funciona bem aqui é a câmera procurando ângulos interessantes. E o final “não Hollywood” também é legal.

Mas não vá com muita expectativa…

The Oxford Murders / Los Crimenes de Oxford

The Oxford Murders / Los Crimenes de Oxford

Na Universidade de Oxford, um professor inglês (John Hurt) e um aluno americano (Elijah Wood) ajudam a polícia a tentar solucionar uma série de crimes aparentemente ligados a símbolos matemáticos.

O filme é daquele tipo “mistérios misteriosos”, onde a gente fica tentando adivinhar quem será o próximo a morrer, como e por que, e logo vem uma virada de roteiro que nos joga em outra direção. Neste ponto, o filme flui bem, apesar da trama ser um pouco confusa. O problema é que certas coisas na história parecem meio forçadas demais, e aí o que antes funcionava perde a credibilidade.

Sou fã do diretor espanhol Álex de la Iglesia. Gosto de quase todos os seus filmes: Ação Mutante, O Dia da Besta, Perdita Durango, A Comunidade, Crime Ferpeito… Todos trazem um delicioso ar de filme B, um irresistível humor meio trash. Bem, quase todos. Este The Oxford Murders não tem cara de Álex de la Iglesia… Não falo isso só porque o filme se passa na Inglaterra e os atores principais são hollywoodianos. Perdita Durango é em inglês e se passa na América! The Oxford Murders simplesmente parece ser feito por outra pessoa. Não é um filme ruim, apenas não tem a cara do diretor.

Elijah Wood e John Hurt estão bem em seus papéis, o aluno e o professor que desconfiam um do outro. Nos papéis femininos, temos Julie Cox e Leonor Watling (o único nome espanhol no elenco principal). O francês Dominique Pinon faz um pequeno e importante papel.

A trama usa muitas referências matemáticas e é um pouco difícil de acompanhar, mas pelo menos a solução do filme tem uma certa lógica, apesar de também soar meio forçação de barra – ainda não “enguli” o terceiro assassinato, e achei muita viagem o quarto.

Não vi nada sobre este filme aqui no Brasil, apesar dele ser de 2008. Nem título em português! Por enaquanto, só via download…

Verão Assassino

Verão Assassino

Mais uma vez, a internet me ajudou a rever um filme que quase ninguém se lembrava que existia!

Em 1976, Elle, uma linda jovem de 19 anos, se muda para uma pequena cidade e, com seu jeito provocante, chama a atenção de todos. Pin-Pon (Alain Souchon), um bombeiro local, se apaixona por ela e eles acabam juntos. Mal sabe ele que ela tem outros planos para depois do casamento…

ViVerão Assassino (L’Été Meurtrier no original, ou One Deadly Summer em inglês) no Estação Botafogo, na segunda metade dos anos 80 (o filme é de 1983). Na época, não existia internet nem dvd, e os títulos em vhs eram poucos. Então, o Estação exibia muitas reprises. Foi assim que vi vários filmes da Isabelle Adjani, como este, Possessão e Nosferatu.

Visto hoje, em 2010, Verão Assassino me pareceu um pouco longo demais. Acostumado que estou com narrativas hollywoodianas, achei que o ritmo do filme poderia ser diferente, para o filme tomar um rumo mais com cara de suspense. Mesmo assim, o resultado é muito interessante. Aliás, vale ressaltar que não me lembro de outro filme com vários personagens se alternando na narração em off, como acontece aqui.

No elenco, só um nome chama a atenção: Isabelle Adjani, novinha, e linda, linda, linda. E desinibida, também, ela tira a roupa diversas vezes! (Ok, vendo com os olhos de hoje em dia, Adjani continua linda, mas… que corte de cabelo feio, hein?)

Adjani alcançou algo que poucas mulheres em Hollywood conseguiram: não só é muito bonita como também é uma excelente atriz. E aqui ela arrebenta. Sua personagem é complexa, multi-facetada, e Adjani a interpreta com maestria.

Verão Assassino nunca foi lançado em dvd por aqui. Como disse no primeiro parágrafo, que bom que hoje existe o download de filmes!

Cargo

Cargo

Filme suíço de ficção científica misturado com suspense? Opa! Esse é um daqueles que a gente precisa ver!

No futuro, o planeta Terra está inabitável devido a problemas ecológicos. A mídia vende o distante planeta Rhea como a solução. A médica Laura Portmann (Anna-Katharina Schwabroh) acompanha uma missão de carga para conseguir dinheiro e ir também para Rhea. Mas existe algo de errado com esta missão…

O clima do filme dirigido por Ivan Engler e Ralph Etter é bem legal. A imensidão da nave e a sensação de “não sabemos o que estamos fazendo aqui” da primeira metade do filme lembram o clássico Alien, O Oitavo Passageiro e também o recente Pandorum.

A parte final do filme é um pouco confusa. Tive a impressão que algumas pontas ficaram mal explicadas, e, lendo comentários no imdb, vi que não fui o único. Mesmo assim, o filme vale a pena. Se você estiver no clima certo, vai curtir uma boa ficção científica.

Uma dúvida me atormenta. É uma nave espacial de carga, certo? Então, por que diabos o enorme compartimento de carga tem gravidade normal? Será que não era melhor deixar esta parte da nave sem a gravidade artificial? Mais: de onde pinga tanta água?

Infelizmente, é mais um sem previsão de lançamento por aqui. Deve aparecer em dvd, sem a divulgação correta, como aconteceu com Lunar