As Ovelhas Detetives

Crítica – As Ovelhas Detetives

Sinopse (imdb): Todas as noites, um pastor lê em voz alta uma história de mistério e assassinato, fingindo que suas ovelhas conseguem entender. Quando ele é encontrado morto, as ovelhas percebem imediatamente que se trata de um assassinato e acreditam saber tudo sobre como resolvê-lo.

As Ovelhas Detetives estava na minha lista de expectativas para 2026. Na verdade, era mais pela curiosidade com o elenco de vozes escalado para as ovelhas. Mas quando o filme foi lançado aqui, em vez de sessão de imprensa, teve pré estreia no fim de semana, aberta pra crianças. Aí meio que desanimei, porque o tratamento que a assessoria deu ao filme dava a impressão de que o filme teria uma abordagem muito infantil – e ainda ia perder as vozes originais na sessão dublada em português.

Aí o filme apareceu na Prime e resolvi arriscar. Caramba, que surpresa agradável! As Ovelhas Detetives é bem melhor do que parecia!

Ok, não estamos falando de um “novo clássico”, de um filme “obrigatório” (como, por exemplo, Uma Aventura Lego ou Tico e Teco e os Defensores da Lei, filmes que são muito melhores do que o que parecem ser). Mas As Ovelhas Detetives é leve e divertido, e traz um bem sacado whodunit no roteiro.

(Pra quem não sabe, whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. Os recentes filmes da série Knives Out são bons exemplos.)

George Hardy é um pastor que trata suas ovelhas com carinho, quase como se fossem humanos. Inclusive, gosta de ler livros policiais para o rebanho. Quando ele aparece morto, as ovelhas – que conversam entre elas – resolvem descobrir quem é o assassino. O problema é que os humanos não entendem o que elas falam.

As Ovelhas Detetives é baseado no livro Three Bags Full, lançado em 2005, e é dirigido por Kyle Balda, que até agora só tinha dirigido longas de animação, como Minions e Meu Malvado Favorito 3. Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego, Devoradores de Estrelas) estão na produção, mas não sei o quanto eles interferiram no projeto.

O roteiro constrói bem o whodunit, mas algumas partes aqui e ali lembram que esse é um filme para crianças – a explicação da tinta verde na mão soou forçada demais. Nada grave, felizmente.

Não costumo reclamar de efeitos especiais, mas achei os efeitos aqui bem fracos. Algumas ovelhas parecem muito mal feitas. Não chega a atrapalhar, mas, com a tecnologia atual, podiam ser mais convincentes.

Por outro lado, o elenco é bem acima da média. Hugh Jackman seria o principal, mas seu personagem sai cedo da trama (segundo o imdb, ele filmou todas as suas cenas em dez dias). Emma Thompson faz a advogada, e o “He-Man” Nicholas Galitzine também tem um papel importante. E, entre as ovelhas, temos Julia Louis-Dreyfus, Patrick Stewart, Bryan Cranston, Regina Hall, Bella Ramsey, Chris O’Dowd e Brett Goldstein, entre outros.

As Ovelhas Detetives não vai mudar a vida de ninguém. Mas quem assistir não vai se arrepender.

Segredo Obscuro

Crítica – Segredo Obscuro

Sinopse (imdb): Desesperada para retomar a carreira, uma atriz outrora adorada é atraída para o mundo glamoroso de uma magnata do bem-estar, apenas para descobrir a verdade monstruosa por trás de sua fachada impecável.

O sucesso de A Substância, de 2024, abriu caminho pra outras produções com temas parecidos. Este Segredo Obscuro (Shell, no original) guarda semelhanças no tema e na abordagem do body horror. Pena que o resultado ficou bem inferior.

Dirigido por Max Minghella (filho de Anthony Minghella, diretor ganhador do Oscar por O Paciente Inglês), Segredo Obscuro é de 2025 e podia ter sido lançado antes. Mas depois da sessão, descobri por que adiaram a estreia. O filme é bagunçado demais.

Segredo Obscuro tem uma premissa bem parecida com A Substância. Samantha é uma atriz com dificuldade de conseguir papéis por causa da idade. Ela então começa um tratamento que promete retardar o envelhecimento. Claro que coisas vão dar errado no meio do caminho.

Gosto muito da Kate Hudson, mas sua personagem aqui, Zoe, é bem ruim. Uma milionária como ela não teria nenhum motivo pra se aproximar daquele jeito da Samantha. Se pelo menos a trama indicasse alguma tensão sexual entre as duas, talvez até ajudasse a convencer o espectador. Mas daquele jeito, só amizade, ficou artificial demais.

Além disso, uma empresa que traz efeitos colaterais tão graves pra todos seu usuários não conseguiria crescer daquele jeito. Digo mais: quando Samantha tem um efeito colateral grotesco diante da imprensa, seria bem difícil de esconder. E o roteiro simplesmente esquece disso.

Sabe o que ia melhorar o filme? Se a direção assumisse um clima trash. Temos uma vilã caricata e um monstro. Se o filme tivesse uma pegada trash, na linha de filmes B tipo os filmes do Stuart Gordon, como Re-Animator ou From Beyond, ia virar algo descompromissado e divertido. Ia ser bem melhor.

O elenco é bom. Elisabeth Moss convence no papel da atriz que passou um pouco da idade e luta pra voltar ao mercado. Já Kate Hudson tem carisma, mas o roteiro lhe entregou uma personagem caricata. Kaia Gerber, filha da Cindy Crawford, tem o terceiro maior papel. E Elizabeth Berkley, de Showgirls, aparece na sequência inicial.

(Uma curiosidade de bastidores sobre a protagonista Elisabeth Moss. Ela passa o filme usando roupas largas. Achei que sua personagem ia emagrecer com o tratamento e depois ela apareceria com roupas mais justas, mas isso não acontece. Sabe por que? A atriz estava grávida durante as filmagens…)

Segredo Obscuro não chega a ser “revoltantemente ruim”, mas o resultado ficou decepcionante…

Supergirl

Crítica – Supergirl

Sinopse (imdb): Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, une forças com um aliado improvável em uma jornada interestelar de vingança e justiça, quando um adversário inesperado ataca muito perto de casa.

Heu lembro quando tinham poucos filmes de super-herói por ano. Em 2000 tivemos o primeiro X-Men; em 2002 foi a vez do primeiro Homem Aranha – dois filmes em três anos. E aí começou a ter mais, a ponto de chegar a cinco ou seis filmes de super-herói no mesmo ano. Chequei agora no google, entre 2017 e 2019 foram 21 grandes lançamentos de filmes de super-heróis nos cinemas. É claro que se existe uma quantidade tão grande, a qualidade diminui.

Nesse cenário de muitos filmes de super-herói surge o filme da Supergirl, que é apenas mais um filme de super-herói. É ruim? Não. Mas é tão fuén vai ser esquecido logo logo.

Kara Zor-El, a Supergirl, personagem introduzida no filme do Superman, está comemorando seu aniversário de 23 anos, meio solitária (sua única companhia é o cachorro Krypto), ficando bêbada todas as noites. Seu destino acaba acaba cruzando com uma adolescente que perdeu a família e quer vingança.

O problema deste filme da Supergirl é que não tem nenhuma novidade, a gente já viu isso tudo antes várias vezes – e melhor contado. Vou além, o clima parece Guardiões da Galáxia, filmes dirigidos pelo James Gunn, que é produtor aqui: temos uma protagonista meio rebelde, um pouco anti-heroína, vagando por vários planetas esquisitos e com personagens esquisitos.

A direção é de Craig Gillespie, mas parece um “filme de produtor”. Digo isso porque Gillespie tem dois filmes no currículo que acho bem legais, Eu Tonya e Cruella, que são bem diferentes de Supergirl – que, como disse, se aproxima mais de Guardiões da Galáxia

(Aliás, curioso lembrar que tanto Guardiões da Galáxia quanto Cruella têm boas trilhas sonoras usando músicas pop, e aqui a trilha sonora é bem insossa. Acho que o único destaque nesse aspecto é a cena onde tocam Garota de Ipanema e What A Wonderful World.)

Se o filme é genérico, o roteiro fraco não ajuda. Se a gente parar pra pensar, vai encontrar um monte de inconsistências aqui e ali. Um exemplo: se o vilão Krem fazia parte de um grupo que sequestra jovens mulheres, por que diabos ele deixa a menina que vai pedir ajuda à Supergirl? Isso sem falar que o poder da kryptonita é mais forte ou mais fraco dependendo do que o roteiro pede…

Milly Alcock funciona como a Supergirl, ela precisa entender sua posição como super-heroína, afinal ela não é e nem quer ser boazinha como seu primo Superman. Eve Ridley, que faz Ruthye, a personagem adolescente, também está ok. Por outro lado, heu queria fazer duas críticas. Uma ao vilão Krem de Matthias Schoenaerts, que é um vilão bem besta. A outra é ao Lobo, personagem do Jason Momoa, caricato ao extremo, e se você tirar esse personagem, nada muda no filme.

Vou além, a cena onde a gente conhece o personagem Lobo é uma cena que não faz sentido. Kara, sozinha, bate em dezenas de pessoas que estão num bar, e depois que ela bateu em todo mundo, o Lobo acende um charuto e age como se nunca a tivesse visto, como se não estivesse presente. Ele não podia estar escondido num canto naquela cena.

O filme é ruim? Não, não é ruim, mas, repito, a gente já viu isso outras vezes, é um filme genérico e que vai ser esquecido daqui a pouquinho. Os fãs da DC mereciam um tratamento melhor, desse jeito a DC nunca vai alcançar o que a Marvel conseguiu com MCU.

Dia D

Crítica – Dia D

Sinopse (imdb): Se você descobrisse que não estamos sozinhos, se alguém abrisse seus olhos e mostrasse para você, você ficaria com medo?

Dia D (Disclosure Day, no original) estava na minha lista de expectativas para 2026, primeiro por ser o novo Spielberg, mas também por ser um Spielberg falando de alienígenas – claro que Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET O Extraterrestre vieram à memória.

Sou fã do Steven Spielberg por dois motivos. O primeiro é emocional: fui adolescente nos anos 80, e naquela época muitos filmes pipoca tinham Spielberg na direção ou produção (como Gremlins, Goonies, De Volta Para o Futuro, O Enigma da Pirâmide e Roger Rabbit, entre outros). Cresci vendo o nome do Spielberg se associando a cinema pipoca de boa qualidade.

Mas também sou fã do cara por um motivo que não sei se consigo descrever. Gosto muito do jeito como ele filma. Spielberg sabe, como poucos, como posicionar e como mover sua câmera. São detalhes discretos, que a maior parte do público nem repara, mas se você prestar atenção, vai se deliciar ainda mais com seus filmes. Faça isso na próxima vez que estiver assistindo um de seus filmes, preste atenção no ponto de vista da câmera. Sua experiência cinematográfica ficará ainda melhor!

Em Dia D, a trama se divide em dois núcleos, que vão se encontrar lá na frente. Em um deles, um homem, que era funcionário de uma empresa de tecnologia, foge com vários segredos, e pretende revelá-los. No outro, uma repórter meteorológica passa a agir de maneira estranha depois que recebe a visita de um passarinho. Sim, essa frase sozinha é meio esquisita, mas tem sentido dentro do filme.

O roteirista é David Koepp, que tem alguns grandes filmes no currículo, como Jurassic Park, O Quarto do Pânico, o primeiro Missão Impossível e o Homem Aranha de 2002. O roteiro tem alguns pontos positivos, mas heu diria que tem mais elementos para crítica do que para elogio. Mas antes de criticar, heu queria elogiar um detalhe: está rolando uma terceira guerra mundial durante o filme, e isso é deixado completamente em segundo plano. O espectador que não estiver prestando atenção nem vai reparar nesse detalhe.

O roteiro tem problemas. Tem problemas básicos e comuns como, por exemplo, uma empresa top que tem alguns seguranças que são completamente bestas, que qualquer um consegue enganar. Ficou meio bobo ter “os Três Patetas” como seguranças. E tem outros problemas que são mais específicos, como por exemplo citar religião mas não se profundar no tema. Existe um questionamento: algumas religiões se baseiam na ideia de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança – mas se existem alienígenas inteligentes, diferentes de nós, quem os criou? Será o mesmo Deus? Algumas religiões podem entrar em colapso o dia que confirmarem vida alienígena inteligente. Isso é citado, mas não é desenvolvido. Se não vai desenvolver, para que citar? Acho que era melhor nem ter tocado no assunto. A personagem Jane podia protagonizar esse ponto do questionamento religioso, mas o roteiro deixa isso de lado. Acaba que a principal função da personagem é estar na hora certa que o roteiro está precisando que ela entregue um determinado objeto.

Mas heu acho que o pior do roteiro é que eles resolvem criar um plano mirabolante para explicar o que está acontecendo, e é um plano confuso e ineficiente. Se você vai criar algum artifício pra explicar, ou faz direito, ou nem precisa explicar – pelo menos é assim que heu penso. Menos é mais.

O elenco é bom. Emily Blunt está ótima, não será surpresa vê-la na lista de indicadas ao Oscar ano que vem. Josh O’Connor também está bem. E achei curioso ver Colin Firth como vilão. Também no elenco, Colman Domingo, Eve Hewson e Wyatt Russell (dois nepo babies, filha do Bono do U2 e filho do Kurt Russell).

Ah, claro, a trilha sonora é ótima. John Williams tinha decidido se aposentar, Steven Spielberg o convenceu a sair da aposentadoria para este filme.

Quero comentar o final, mas antes queria fazer um mimimi sobre o título nacional. O filme se chama originalmente “Disclosure Day”, ou seja, o nome deveria ser “O Dia da Revelação”. Mas resolveram chamar de “Dia D”, o mesmo nome da maior operação militar anfíbia da história, em 6 de junho de 1944, quando os aliados finalmente começaram a virar o jogo contra o nazismo. Ou seja, o espectador brasileiro entra no cinema achando que vai ver uma história sobre o ponto onde humanos vão começar a reação contra uma possível invasão alienígena – e o filme fala de outra coisa. Péssima escolha de nome brasileiro!

A cena final desagradou parte do público. Conheço gente que não gostou do fim. Heu queria fazer um comentário sobre isso. Mas como estou falando do fim do filme, é claro que é um spoiler. Então vou colocar o aviso de spoilers e se você quiser ouvir comentários sobre o fim, siga até o fim.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Os protagonistas conseguem entrar num telejornal ao vivo e divulgam várias imagens de alienígenas no planeta Terra. Aos poucos outros canais de televisão começam a replicar essas notícias e o mundo inteiro pára para ver a revelação sobre alienígenas na Terra. Ao fim, eles trazem um alienígena que estava com eles para falar a mensagem final. A personagem da Emily Blunt entende a língua dos alienígenas, então ela ouve a mensagem. E ela vai para frente da câmera para falar a mensagem – e o filme acaba. Não ouvimos a tal mensagem, porque quando ela vai começar a falar, começam os créditos.

É claro que isso gera uma frustração no espectador. Afinal você passa duas horas e meia acompanhando uma história sobre um segredo envolvendo alienígenas. E quando vai finalmente ouvir qual é esse segredo, o filme acaba. Mas heu entendi que o propósito do Spielberg não era contar qual era o segredo, e sim contar a história das pessoas que estão querendo revelar esse segredo. Pensando sobre esse ponto de vista, eu até gostei do final.

Heu entendo o espectador que saiu do cinema frustrado. Me diz aqui, você achou o final satisfatório ou você queria saber qual era o segredo?

Mestres do Universo (2026)

Crítica – Mestres do Universo

Sinopse (imdb): Adam caiu na Terra quando era criança e perdeu a espada mágica que o ligava a Eternia. Quase 20 anos depois, ele a recupera e retorna ao seu planeta natal para protegê-lo do malvado Esqueleto, mas primeiro precisa desvendar seu passado.

Depois de anos de produções conturbadas, finalmente ficou pronta a nova adaptação de He-Man! Existem boatos sobre um novo filme desde 2007, quando rolaram rumores sobre uma versão a ser dirigida por John Woo. De lá pra cá, foram algumas tentativas, todas frustradas.

Neste novo Mestres do Universo, o príncipe Adam, ainda criança, é mandado para a Terra quando Eternia é atacada pelo Esqueleto. Quinze anos depois ele volta para Eternia e lidera a população contra as tropas do vilão.

Dirigido por Travis Knight (Kubo, Bumblebee), Mestres do Universo (Masters of the Universe, no original) é tudo aquilo que o nostálgico fã de He-Man estava querendo. Um filme leve e divertido, que respeita o material que já existe, e traz várias referências ao desenho. Mestres do Universo não quer reinventar a roda: apenas faz o básico para os fãs. (Aliás, rola uma participação do Dolph Lundgren – o He-Man do filme de 1987 – que é um exemplo perfeito de como respeitar uma franquia.)

Rolava um certo receio de trazer (de novo) a história para o planeta Terra – como aconteceu no injustiçado filme de 1987. Mas, se naquela ocasião, o filme se passa aqui por razões orçamentárias, aqui tem sentido dentro da história. E vou te falar que o Adam sendo criado na Terra gera algumas boas piadas quando ele confronta hábitos sociais de outro planeta.

Falando em Adam criança na Terra, uma sacada genial: usaram isso pra explicar alguns nomes de personagens – como o próprio “He-Man” / “Ele-Homem”. Vários nomes de personagens são bem ruins, e o roteiro conseguiu dar uma explicação para isso.

Mestres do Universo é bem engraçado e tem várias cenas de ação. Nada excepcional, mas é um feijão com arroz bem feito. E não sei se foi proposital ou coincidência, mas tem uma cena com o He-Man numa “moto voadora” que lembra muito o Flash Gordon de 1980.

Queria fazer dois comentários sobre a trilha sonora de Daniel Pemberton. O primeiro é um elogio. Algumas trilhas são boas, mas só dentro do filme. Aqui não só é uma boa trilha, como tem um tema forte, assobiável, daqueles que ficam na cabeça do espectador quando acaba a sessão – saí da sala de cinema com o tema na cabeça. O outro comentário é que, durante o filme, pensei “o cara que gravou a trilha sonora conseguiu um timbre de guitarra IGUAL ao do Brian May (guitarrista do Queen)”. Aí vieram os créditos, e vi que o próprio Brian May participou da trilha…

O papel principal é de Nicholas Galitzine, que é um cara conhecido, mas preciso admitir que heu não lembro dele em nenhum outro filme. Mas lembro que na época que o anunciaram como o protagonista, um monte de gente reclamou porque ele não teria o tipo físico pra ser um cara forte como o He-Man (diferente do filme de 87, que já escolheu logo de cara um ator muito forte). Não sei como era o Nicholas Galitzine antes, mas posso dizer que agora ele consegue ter o tipo físico que o personagem precisa. E vou além: ele funciona muito bem com todos os dilemas que o personagem tem com relação aos conflitos comportamentais entre os planetas Terra e Eternia. O papel principal feminino, a Teela, é Camila Mendes, que nasceu nos Estados Unidos, mas tem pai e mãe brasileiros, ou seja, temos uma protagonista quase brasileira – ela também está bem. E não é a única brasileira no elenco, também tem Morena Baccarin no papel de Feiticeira. Alison Brie está bem como a Maligna (um personagem que no inglês tem um nome muito mais legal, Evil-Lyn). Ainda no elenco, Idris Elba está bem, mas o Idris Elba está sempre bem, então isso não é novidade. E quem for nas sessões legendadas vai ouvir a voz da Kristen Wiig como Roboto.

Novo parágrafo para falar do vilão. Jared Leto foi escalado para interpretar o vilão Esqueleto, o que era uma grande incógnita, porque de um tempo para cá, Leto só tem escolhido papéis ruins em filmes ruins. Ou seja, ter Jared Leto no elenco não necessariamente seria uma boa notícia. Mas heu posso dizer que não dá para ver o Jared Leto lá. É o Esqueleto e só o Esqueleto – ou seja, não atrapalha.

Mestres do Universo é divertido, mas nem tudo funciona. Algumas atitudes dos personagens não fazem muito sentido, tipo o Esqueleto deixar o rei se despedir do jovem Adam logo no início do filme; ou todos os prisioneiros estarem juntos na mesma cela. Além disso o filme é muito longo, não tem história pra duas horas e vinte de projeção, chega a cansar um pouco.

A sessão de imprensa foi legendada, o que heu sempre acho positivo. Mas ouvi alguns amigos reclamando que preferiam o filme dublado. Entendo o lado saudosista, mas sempre vou preferir ver a obra original.

Ao fim, fiquem até o final dos créditos. Esquema Marvel: tem cena depois dos créditos principais, e mais uma lá no final de tudo.

Backrooms: Um Não-Lugar

Crítica – Backrooms: Um Não-Lugar

Sinopse (imdb): Após o paciente de uma terapeuta desaparecer em uma dimensão além da realidade, ela precisa adentrar o desconhecido para salvá-lo.

(Pra variar, sinopse do imdb não está exatamente correta…)

Quando acabou a sessão de Backrooms: Um Não-Lugar (Backrooms, no original), pensei: curti o filme, mas não entendi muito do que vi. Fui conversar com alguns amigos que estavam na mesma sessão. Alguns gostaram, outros não, mas uma coisa era unânime: ninguém tinha entendido.

Backrooms é daquele tipo de filme que abre espaço para várias interpretações e que não explica muita coisa. Heu queria fazer um comentário sobre o fim do filme, então, claro, vou colocar um aviso de spoilers. Mas não faz muita diferença você saber spoilers, porque afinal é o tipo do filme que você sai da sessão querendo conversar com alguém sobre o que você acabou de ver.

O conceito desses “backrooms” surgiu em 2019 em um post anônimo no 4Chan que falava sobre “uma dimensão paralela ou um labirinto infinito de escritórios vazios e corredores, caracterizados por paredes amareladas, carpete mofado e o zumbido contínuo de lâmpadas fluorescentes”. Em 2022 o jovem diretor Kane Parsons (então com 16 anos) fez uma série de curtas found footage usando esse conceito. Isso o credenciou para ser o mais jovem diretor contratado pela A24: Parsons fez Backrooms: Um Não-Lugar, seu primeiro longa, aos 19 anos de idade.

Antes de entrar na esquisitice, queria fazer um elogio que todos vão concordar: a cenografia do filme é fantástica! Segundo o imdb, a produção construiu cerca de 30.000 pés quadrados de labirintos de salas e corredores – o que fez com que alguns membros da equipe ocasionalmente se perdessem no set. Só aqueles cenários já valem o ingresso!

O conceito é explicado dentro do filme como “imagine se você descrever um cachorro para uma pessoa que nunca viu um cachorro, e depois pedir pra essa pessoa desenhar o cachorro. De longe, vai parecer um cachorro; mas de perto, algumas coisas não vão fazer sentido.” Isso é o que acontece nos cenários do filme.

Sobre o elenco, o filme se baseia, basicamente, nos dois atores principais, Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve (e provavelmente estou pronunciando os dois nomes errados). Ambos estão muito bem. Backrooms não tem perfil de filme que vai concorrer a prêmios, mas cada um dos dois tem uma cena que parece aquele “clipe de Oscar”. Não estou dizendo que são atuações que merecem uma indicação, mas precisamos reconhecer que já vimos outras atuações que não foram lá grandes coisas concorrendo à estatueta, ou seja, não seria algo 100% injusto – mas, repito, acho muito difícil, infelizmente.

Como falei, quero comentar o final. Sim, é spoiler, mas, Backrooms é o tipo de filme que não tem muita importância você saber spoiler porque não tem nenhum grande plot twist. Mas, respeito: se você não gosta de spoiler, só pular essa parte.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Somos apresentados a um universo maluco onde ninguém entende o que está acontecendo. Aí tem um epílogo – a parte onde aparece o ator Mark Duplass – onde começam algumas explicações. Só que não chega a conclusão nenhuma. Ou seja, era melhor nem ter começado a explicar. Na minha humilde opinião, se você se propõe a explicar o que é aquele mundo, vá até o fundo. Ou então não explique nada. Mas aqui entra uma pincelada de explicação e deixa tudo no ar. Heu particularmente acharia melhor se não explicasse nada, se cortasse aquele epílogo, se acabasse sem a gente ter nenhuma ideia do que estava acontecendo. Porque aí o espectador é apresentado a um mundo maluco, que não faz sentido, e beleza, acaba o filme e vai pra casa pensando nas maluquices vistas na tela – algo meio David Lynch.

FIM DOS SPOILERS!

Backrooms é um filme que vai dividir o público. Duvido que seja um sucesso comercial. Mas gostei de ver algo assim, principalmente depois de saber que o diretor tem menos de vinte anos de idade.

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Sinopse (imdb): Outrora um caçador de recompensas solitário, o Mandaloriano Din Djarin e seu aprendiz Grogu embarcam em uma nova e empolgante aventura de Guerra nas Estrelas.

Como heu comentei no vídeo sobre a série do Darth Maul, é uma boa época para ser fã de Guerra nas Estrelas. Acabamos de ver uma série bem legal e agora temos um longa metragem para o cinema, coisa que não acontecia desde 2019. Sim, há sete anos não tinha um filme novo de Star Wars em cartaz.

Antes de tudo, a resposta para a pergunta que todo mundo tem logo de cara: sim, é um filme baseado na série do Mandaloriano; mas não, você não precisa ver ou rever a série para entender o filme. A história contada no filme é uma história independente, não tem nenhuma conclusão de algo deixado em aberto na série. Mesmo assim, para quem não viu, heu recomendo, a série é muito boa.

No vídeo sobre o evento do 4 de maio, falei que O Mandaloriano e Grogu começa com uma breve aventura para apresentar ao público quem são Mando e Grogu, e depois eles pegam uma missão para encontrar um oficial imperial foragido que está envolvido com Hutts. O filme tem duas horas e pouco, com mais ou menos uma hora de filme, a missão meio que se encerra, e depois meio que continua – ou seja, sim, realmente parece um episódio duplo de série.

Como bem apontou o GG, meu companheiro de Podcrastinadores, o clima lembra O Retorno do Jedi, uma aventura espacial leve e divertida. E o Grogu é um personagem excelente, fofinho e engraçado, duvido que algum espectador não se apaixone por ele.

O visual do filme é lindo. Algumas cenas parecem inspiradas em imagens do ilustrador Ralph McQuarrie, que foi quem criou conceitos de várias das imagens clássicas de Star Wars. E ainda tem um presente para os fãs. Lembram daquela cena no primeiro filme, Guerra das Estrelas, onde o Chewbacca está jogando com o C3PO um joguinho que parece um jogo de xadrez com uns bichinhos em stop motion? Pois é, aqui temos uma arena onde colocam o Mando lutando contra aqueles bichos – essa cena ficou muito legal, (vou colocar um trechinho aqui)!. A trilha sonora de Ludwig Göransson também é muito boa.

O filme tem momentos eletrizantes, mas tem uma parte na segunda metade onde a gente acompanha o Grogu encontrando uma espécie de pescador que tem naquele planeta. É uma sequência que, na minha humilde opinião, se estendeu um pouco demais. Podia ser menor, ficou um pouco cansativa.

No elenco, claro que o protagonista é Pedro Pascal, mas, na verdade, quase não o vemos, ele passa o filme quase inteiro com o capacete, podia ser um dublê. Sigourney Weaver, depois de Alien e Avatar, consegue um papel em outra grande franquia do cinema fantástico. Jeremy Allen White faz a voz do Rotta the Hutt, filho do Jabba. E Martin Scorsese tem uma divertida participação especial como o pequeno alien de quatro braços que está numa espécie de food truck.

Depois da sessão de imprensa, ouvi alguns amigos reclamando. Mas acho que o problema deles era que criaram uma grande expectativa. Porque heu curti o filme. Que venham outros assim!

O Diabo Veste Prada 2

O Diabo Veste Prada 2

Texto curtinho hoje. Não é uma análise crítica. É só uma explicação por que heu achei muito ruim o final de O Diabo Veste Prada 2.

Claro, spoilers liberados, afinal, vou falar do fim do filme.

Vamulá. A Miranda, personagem da Meryl Streep, é uma mulher arrogante, que trata mal todos em volta. É claramente a vilã do filme. Nada contra a interpretação da Meryl Streep, sempre maravilhosa, mas sua personagem é odiável.

Emily, personagem da Emily Blunt, consegue um investidor disposto a comprar a revista. Seu plano é demitir a Miranda e dar uma repaginada na revista – que passa por uma séria crise, já que hoje em dia quase ninguém compra revistas. Me parece um bom plano. Ela vai afastar a vilã e salvar a revista. Emily é uma heroína!

A única falha dela é não abrir o jogo para Andy, personagem da Anne Hathaway, que está tentando ajudar a Miranda. Ok, de repente ela ainda não podia revelar seu plano, mas não precisava ter mentido para a Andy. Foi a única atitude errada dela durante todo o filme.

Mas no final, a trama inventa uma redenção para Miranda e coloca a Emily como vilã da história. Oi? Ela estava tentando salvar todo o resto! E pra confirmar isso, na última cena, Miranda continua sendo arrogante e tratando mal todos em volta.

Essa forçação de barra pra vilanizar a Emily me fez não gostar do filme (que já não estava sendo grandes coisas). Estou errado?

Lindas e Letais

Crítica – Lindas e Letais

Sinopse (imdb): Um grupo de dançarinas que tenta escapar de uma pousada remota depois que o ônibus quebra a caminho de um concurso de dança.

Surgiu na Amazon Prime um filme novo da 87North. Como heu sempre fico de olho em quem está por trás dos filmes, já fiquei interessado, apesar de desconfiar que o filme não ia lá ser grandes coisas. E a prova disso é que o próprio thumbnail da Prime Video tem o nome errado do filme. O nome do filme é Lindas e Letais e na thumbnail eles colocaram “Linda” e Letais.

(Para quem não sabe o que é 87North: é uma produtora feita por dublês, ou seja, os filmes podem até ser ruins em alguns aspectos, mas as cenas de ação são sempre bem coreografadas e bem filmadas. Um dos fundadores da 87North é David Leitch, ex dublê e diretor de filmes como Trem Bala e O Dublê. Sempre fico de olho nos filmes desses caras!)

Em Lindas e Letais, um grupo de cinco bailarinas, mais a professora, vai para a Hungria para fazer uma apresentação. Mas quando chegam lá, o ônibus quebra e elas acabam presas numa espécie de hotel isolado no meio do nada, onde a professora morre e elas são perseguidas.

Como heu tinha desconfiado, Lindas e Letais tem cenas de ação muito boas, mas o filme é bem fraco. O roteiro é cheio de facilitações. Se a gente fosse fazer uma lista de forçações de barra e de conveniências de roteiro, esse vídeo ia ficar enorme… Só pra citar um exemplo: é um grupo de bailarinas americanas indo viajar para a Europa, e o ônibus quebra, ao lado de uma estalagem. E olha só, a dona da estalagem era bailarina também! Que coincidência, não? Pior, elas pegam chuva quando vão até lá, então precisam trocar de roupa. Qual é a roupa que elas colocam? A roupa da apresentação. Vem cá, você vai viajar para outro continente e não vai levar uma muda de roupas? Como assim?

Pelo menos as cenas de ação são bem feitas. Como acontece nos filmes da 87North, são cenas bem coreografadas e bem filmadas. Se a ideia era colocar bailarinas lutando, então as cinco usam suas roupas de bailarinas, batendo nos adversários enquanto fazem as coreografias de dança. É bastante inverossímil e ficou um pouco caricato, mas pelo menos são lutas divertidas de se ver.

É importante avisar que as lutas são muito violentas, não sei se isso pode causar gatilho em alguém. As meninas apanham muito. Isso às vezes fica bastante desconfortável. A coisa boa é que as meninas apanham, mas elas batem mais ainda, então pelo menos temos um “pay off”.

No elenco, o único nome grande é Uma Thurman – achei que ia ser um daqueles casos onde ela entra para fazer duas ou três cenas e some, isso acontece de vez em quando, vendem o nome de um ator ou atriz como uma isca, mas na verdade ele/ela só aparece em poucas cenas. Mas não, Uma Thurman tem um papel grande aqui, ela é a dona do hotel. Também não elenco, Maddie Ziegler, Lana Condor, Lydia Leonard, Avantika, Millicent Simmonds e Iris Apatow.

Lindas e Letais não é bom, mas para quem curte cenas de ação girl power, com mulheres batendo, vale a pena.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Crítica – Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra

Sinopse (imdb): Um “Homem do Futuro” chega a uma lanchonete em Los Angeles, onde precisa recrutar a combinação perfeita de clientes para se juntarem a ele em uma missão para salvar o mundo da ameaça terminal de uma inteligência artificial rebelde.

Heu gosto de filmes malucos. Gosto de filmes que trilham caminhos fora do óbvio. E quando vi o trailer deste Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, me chamou a atenção que seria um filme bem fora do padrão.

Um homem com aparência de morador de rua entra num restaurante à noite e diz que veio do futuro e precisa da ajuda de algumas daquelas pessoas para salvar o mundo de um apocalipse tecnológico. Ele diz que já veio mais de cem vezes e todas deram errado. Claro que as pessoas a princípio não acreditam nele, mas ele consegue montar um grupo e eles saem para a missão.

A direção é de Gore Verbinski, mais conhecido por ter feito os três primeiros filmes da série Piratas do Caribe, e que depois ganhou o Oscar pela animação Rango, de 2011. Mas de lá pra cá, ele fez pouca coisa e não acertou: O Cavaleiro Solitário, de 2013, e A Cura, de 2016. Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é o seu primeiro filme em quase dez anos!

A estrutura do filme usa flashbacks pra mostrar como alguns daqueles personagens foram parar no restaurante naquela noite. Esses flashbacks parecem pequenos episódios de Black Mirror, são pessoas envoltas em problemas ligados à tecnologia – mas uma tecnologia que ainda não existe no nosso dia a dia.

Gostei do ritmo de Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, mas preciso reconhecer que o filme é um pouco longo demais. Um filme maluco funciona melhor se tem perto de uma hora e meia, aqui são duas horas e quatorze, o filme chega a cansar.

O elenco é bom. Sam Rockwell funciona muito bem no papel de “maluco conspiracionista da vez”. Também no elenco, Juno Temple, Haley Lu Richardson, Michael Peña e Zazie Beetz.

Segundo o FilmeB, Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra tem previsão de estreia dia 23 de abril. Recomendo pra quem gosta de filmes malucos.