Kingsman: Serviço Secreto

kingsmanCrítica – Kingsman: Serviço Secreto

Filme novo do Matthew Vaughn!

Uma organização secreta faz testes com novos recrutas para conseguir um novo espião. Durante o treinamento, uma ameaça global surge, vinda de um gênio da tecnologia.

Imagine um filme de 007, mas com mais humor e mais violência. Além disso, bom elenco, bom ritmo… o ano mal começou, e já temos um candidato à lista dos melhores filmes de 2015!

Mathew Vaughn tem uma extensa carreira como produtor (ele produziu os dois primeiros filmes do Guy Ritchie), mas dirigiu poucos filmes – este é seu quinto. Bem, até agora, tem uma carreira admirável: Nem Tudo é o que Parece, Stardust, Kick-Ass e X-Men Primeira Classe. Nada mal, não?

Mais uma vez Vaughn se baseia numa graphic novel, e desta vez traz uma trama absurda, uma espécie de versão jamesbondiana dos cavaleiros da távola redonda, com boas doses de humor e de violência. Várias coisas não têm sentido, mas se a gente usar um pouco de suspensão de descrença, o filme é divertidíssimo!

Diferente do “padrão Marvel sem sangue”, Kingsman tem bastante violência gráfica (como aconteceu em Kick-Ass). Uma cena, em particular, é um belíssimo balé violento, uma longa sequência de briga dentro de uma igreja, onde quase todos saem mortos. E, sobre o humor, Kingsman não é exatamente uma comédia, mas algumas cenas são engraçadíssimas. Gargalhei alto na sequência das cabeças explodindo!

O elenco é ótimo. Colin Firth mostra uma faceta ainda desconhecida na sua carreira: o herói de ação. Samuel L. Jackson também está ótimo, de língua presa, num personagem diferente do “badmotherf%$&cker” de sempre. O jovem desconhecido Taron Eggerton (será que é parente da Tamsin Eggerton?) é outro que também está perfeito. E o filme ainda tem o Mark Luke Skywalker Hammil! Ainda no elenco, Michael Caine, Mark Strong, Jack Davenport, Sophie Cookson e Sofia Boutella.

Não sei se existe uma franquia prevista. Mas não me espantarei se anunciarem em breve um Kingsman 2.

Renascida do Inferno

renascidadoinfernoCrítica – Renascida do Inferno

Um grupo de pesquisadores trabalha em um soro que pode trazer animais mortos de volta à vida. Quando um acidente mata uma das pessoas da equipe, eles resolvem tentar ressuscitá-la. Mas o processo pode trazer efeitos colaterais imprevistos.

Nem todos os filmes lançados têm a proposta de serem grandes filmes. Alguns filmes funcionam mesmo sendo filmes “médios”.

Renascida do Inferno (The Lazarus Effect, no original) é um filme previsível. Mas, como li no fórum do imdb, “em um filme de ação, o herói vai sobreviver; em um romance, o casal vai ficar junto – por que a implicância quando é terror?”

A trama parece uma mistura de Linha Mortal com Cemitério Maldito, com um toque de Lucy (o lance do percentual de uso do cérebro). Nem tudo tem lógica, mas dá pra segurar a atenção pelos 83 minutos de projeção.

O melhor de Renascida do Inferno é que o diretor estreante David Gelb soube construir bem o clima de tensão, e ainda trouxe alguns sustos bem colocados. Em momento algum o filme fica “engraçadinho” – mal que acontece de vez em quando em filmes de terror.

Se a história é pouco criativa, pelo menos o elenco é bem legal. Olivia Wilde está linda e assustadora, mesmo quando está sem a maquiagem “zumbi”. Evan Peters, protagonista do melhor momento de X-Men Dias de um Futuro Esquecido é outro que está bem. Também no elenco, Mark Duplass, Sarah Bolger e Donald Glover.

Ah, o título nacional… Gente, “Renascido do Inferno” é Hellraiser. Precisava mesmo usar o título de um filme que já existe?

Relatos Selvagens

0-Relatos SelvagensCrítica – Relatos Selvagens

Mais de uma pessoa me recomendou este filme argentino no fim do ano passado, mas só consegui ver agora. Filme visto, passo a engrossar a lista de recomendações!

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, no original) conta seis histórias curtas, independentes entre si: um grupo de pessoas num avião que descobre que têm algo em comum; uma mulher que vê oportunidade de se vingar de um homem que destruiu sua família; uma discussão entre dois motoristas numa estrada vazia; um homem revoltado com o “Detran argentino”; um homem rico que quer livrar o filho de um crime; e uma festa de casamento onde a noiva descobre que foi traída.

As histórias são independentes, não existe um fio condutor entre elas. A única semelhança é que são pessoas comuns, colocadas em situações limite, e que precisam quebrar regras sociais – e que extravasam seus problemas de forma violenta e catártica. Sabe Um Dia de Fúria, onde Michael Douglas se revolta e sai numa crise de fúria pela cidade? Pois imagine isso dividido em pílulas entre vários personagens…

Escrito e dirigido por Damián Szifron, Relatos Selvagens tem duas características que provavelmente ajudaram muito o seu sucesso. Uma é que é fácil se identificar, todos nós já vivemos situações parecidas com as mostradas no filme – quem nunca teve vontade de explodir o Detran? A outra é que o filme é bem humorado e usa humor (negro) para resolver seus conflitos. Algumas cenas são engraçadíssimas!

E não é só isso. Filmes em episódios tendem a ser irregulares – coisa que não acontece aqui, todas as seis historinhas são boas e coerentes entre si. E a fotografia é outro destaque. Szifron se preocupa em procurar ângulos diferentes para a sua câmera ao longo de todo o filme – gostei da câmera presa na porta da cozinha, na sequência do casamento.

No elenco, como é um filme argentino, claro que tem o Ricardo Darín – ótimo, como sempre. Também no elenco, Oscar Martínez, Leonardo Sbaraglia, Darío Grandinetti, Rita Cortese, Erica Rivas e Julieta Zylberberg

Relatos Selvagens concorreu ao Oscar de filme em língua estrangeira, mas perdeu para o polonês. Pena. Este é um daqueles raros casos que a gente torce por argentinos…

p.s.: Nunca estive numa festa de casamento tão legal quanto aquela!

Tango & Cash – Os Vingadores

Tango.and.CashCrítica – Tango & Cash – Os Vingadores

Não sei por que, mas nunca tinha visto Tango & Cash, apesar de ter visto quase todos os filmes de ação da década de 80. Depois do podcast de Rocky, resolvi catar o filme pra ver.

Tango e Cash são os dois melhores policiais da divisão de narcóticos, mas têm estilos completamente diferentes – e nutrem uma grande rivalidade por causa disso. Um chefão do crime consegue incriminar ambos, que acabam presos, e agora precisam trabalhar juntos para sobreviver e provar sua inocência.

Tango & Cash – Os Vingadores (Tango & Cash, no original) trazia uma parceria interessante entre Sylvester Stallone e Kurt Russell, ambos em boa fase na carreira (no ano anterior, Stallone tinha feito Rambo III e Russell, Conspiração Tequila). A dupla teve boa química e rendeu bons momentos na tela – curiosamente, a ideia inicial era ter Patrick Swayze, que largou o projeto para fazer Matador de Aluguel.

O filme é uma mistura de comédia e ação, cheia de frases de efeito, divertida e exagerada como boa parte dos filmes do estilo feitos nos anos 80 (lançado em 22 de dezembro de 1989, este é, segundo o imdb, oficialmente o “último filme lançado nos anos 80”). Mas o filme, como um todo, tem seus problemas. O diretor Andrei Konchalovsky foi demitido do projeto pelos produtores (porque queria um tom mais sério) e o filme foi terminado por Albert Magnoli (que não foi creditado). Ainda teve problemas na montagem, os produtores não gostaram do primeiro corte, e chamaram um outro editor para “salvar” o filme. O resultado final ficou divertido, mas irregular.

O elenco é bom. Além da dupla Stallone / Russell, Tango & Cash conta com Teri Hatcher, Jack Palance, Brion James e James Hong. Outro destaque é a trilha sonora de Harold Faltermeyer (Um Tira da Pesada, Top Gun, O Sobrevivente).

Por fim, um comentário sobre os anos 80 e a sua mania de subtítulos nacionais aleatórios: de onde eles tiraram “Os Vingadores”?

p.s.: Ver Stallone sacaneando o seu Rambo (“Rambo is a pussy”) é genial!

Idiocracia

IdiocraciaCrítica – Idiocracia

Imagine uma sociedade que “desdesenvolveu”?

Um soldado de inteligência mediana (Luke Wilson) é usado como cobaia em um projeto militar secreto, onde ele é congelado para ser acordado um ano depois. Mas acontece um acidente, e ele acaba acordando 500 anos depois, em uma sociedade onde todos são tão burros que ele é a pessoa mais inteligente do planeta.

Sei lá por que, nunca tinha visto Idiocracia (Idiocracy, no original), lançado em 2006. Deve ser porque nunca fui muito fã de Beavis e Butthead, a criação mais famosa do diretor Mike Judge.

Judge (que alguns anos antes tinha dirigido Como Enlouquecer Seu Chefe) teve uma ideia genial. Pessoas “burras” têm mais filhos do que pessoas “inteligentes” (usei as aspas porque este conceito é duvidoso). Ou seja, cada vez mais teremos mais gente burra no mundo.

A crítica social é muito boa. Pena que o filme em si não é grandes coisas – apesar de ser bem curto (84 min), Idiocracia tem problemas de ritmo. Judge é melhor como crítico social do que dirigindo longas (Beavis e Butthead era meio tosco, mas tinha algumas ideias geniais). Pelo menos a sua concepção de futuro é bem legal, com muito merchandising bancando tudo, desde a tela da tv cheia de propagandas até as roupas usadas pelos personagens.

Gostei do conceito proposto pelo filme, mas, na minha humilde opinião, rolam duas falhas. A primeira é que as pessoas inteligentes não seriam “extintas”. O que aconteceria é que teria uma minoria de inteligentes dominando a grande massa de pessoas burras. Tanto que tudo neste mundo do futuro é cheio de propaganda e merchandising – pra onde vai o dinheiro das propagandas? E a segunda é que um mundo sem pessoas inteligentes entraria em colapso – quem consertaria as máquinas quando estas quebrassem?

Enfim, vale ver (ou rever). Nem que seja pela crítica à glorificação da banalidade que vivemos na nossa sociedade atual.

Sniper Americano

sniperamericanoCrítica – Sniper Americano

Mais uma “cinebiografia de Oscar”…

Durante a guerra do Iraque, o fuzileiro americano Chris Kyle salva inúmeras vidas nos campos de batalha devido à sua pontaria apurada, e acaba virando uma lenda por causa disso. De volta para casa, para sua esposa e seus filhos, ele descobre que não consegue deixar a guerra para trás. Baseado no livro escrito pelo próprio Chris Kyle.

Dirigido por Clint Eastwood, Sniper Americano (American Sniper, no original) tem um problema sério: é muita propaganda militar norte-americana – mais uma vez aquele papo maniqueísta de “matar um soldado americano é um crime horroroso, mas matar um iraquiano é legal”. Como já falei antes, não tenho nada contra os EUA, pelo contrário, sou um admirador do cinema e da música norte-americana. Mas não gosto dessa propaganda militar maniqueísta.

(Pra falar a verdade, me lembrei de Bastardos Inglórios, onde fazem um filme para glorificar um sniper alemão. Sniper Americano me pareceu EXATAMENTE a mesma coisa, só mudou o país e a guerra.)

E aqui tem um agravante: usaram a guerra errada. O cara vira um herói no Iraque, onde os EUA invadiram atrás de “armas de destruição em massa”, mas que até agora não encontraram nada. Assim, fica difícil ter simpatia por Chris Kyle, afinal, a gente sabe que ele era uma marionete do governo norte-americano, numa guerra baseada numa mentira…

Por outro lado, quem for analisar só a parte técnica pode curtir. Sniper Americano é um filme muito bem feito, com boas cenas de batalha e tensão nas doses certas. Tá, algumas cenas são desnecessariamente piegas (tipo, precisa de um cara sem perna pra dizer pro moleque que o pai dele é um herói?), mas acho que esse era o objetivo.

Peço desculpas aos fãs do diretor Eastwood e do ator Bradley Cooper (que está bem, admito). Mas, pra mim, não desceu.

Força Maior

0-Força MaiorCrítica – Força Maior

Uma família passa as férias em uma estação de esqui nos Alpes Suíços. Depois de um incidente durante uma avalanche, as relações de confiança entre marido e mulher começam a ruir.

Vencedor do Prêmio do Júri na mostra paralela Un Certain Regard no último Festival de Cannes, indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, e representante da Suécia na indicação para o Oscar de filme estrangeiro, Força Maior (Force Majeure, no original) tem dois problemas básicos na sua divulgação. O primeiro é o uso de uma avalanche como ponto de partida do conflito, porque o espectador pode achar que se trata de um filme catástrofe. Nada disso, a avalanche não afeta em nada a integridade física do local ou dos personagens, apenas o lado psicológico – como será a sua reação em uma situação limite?

O segundo problema é que o filme está sendo vendido como uma comédia. E li vários pessoas no fórum do imdb defendendo que é uma comédia. Mas vou ser sincero, não vi nenhum momento engraçado em todo o filme. Força Maior é um drama, sério e lento. Muito lento.

E aí vem uma característica do filme que não é exatamente um problema, mas me incomodou bastante: o filme é lento demais! O diretor Ruben Östlund gosta de planos com a câmera parada, sem cortes, onde ficamos vendo longos diálogos entre os atores. De vez em quando é legal, mas quando é sempre, cansa. Algumas cenas ficam insuportavelmente chatas, como aquela onde as crianças brigam com os pais à beira da cama.

Os atores estão bem, não conhecia ninguém do elenco, gostei das atuações do casal principal Johannes Kuhnke e Lisa Loven Kongsli.

Força Maior vale pela discussão sobre os relacionamentos. Mas merecia uma edição mais ágil. Do jeito que ficou, precisa de muita paciência pra chegar ao fim do filme.

O Protetor

O ProtetorCrítica – O Protetor

Um homem acredita ter deixado o passado para trás ao começar uma pacata nova vida. Mas quando ele conhece uma jovem garota de programa que sofre nas mãos da máfia russa, ele decide ajudá-la.

Nova parceria entre Denzel Washington e o diretor Antoine Fuqua, que juntos fizeram Dia de Treinamento, o filme que deu a Denzel o seu segundo Oscar (ele ganhara 12 anos antes por Tempo de Glória).

Denzel é um grande ator, e Fuqua, um diretor talentoso. Cinematograficamente falando, O Protetor (The Equalizer, no original) é um bom filme – fotografia bem cuidada (vários takes e ângulos são excelentes), boa trilha sonora, etc. Mas o que “pega” é o roteiro.

O Protetor foi baseado na série de tv dos anos 80 The Equalizer (não me lembro, mas acho que não passou por aqui). Nunca vi a série, mas sei que algumas coisas que funcionavam nos anos 80 não funcionariam hoje. Talvez o protagonista da série fosse este quase super humano que vemos no filme. O problema é que, na época, a gente via Comando Para Matar e Rambo e levava aquilo a sério, lembram? Mas depois que o John McLane de Duro de Matar mostrou que os bad asses também sangram, a gente passou a acreditar menos.

Este é o problema de O Protetor. Denzel é bem mais velho que todos os seus oponentes, e quase sempre está desarmado enquanto os outros têm armas – e mesmo assim bate em todos sozinho. O cara é muito mega f$#@cking pica das galáxias, chega a parecer piada.

Pena, porque, como falei, plasticamente o filme é ótimo. Sabe quando um filme sabe usar bem os clichês visuais? Aqui tem chuva (de sprinklers) em câmera lenta, tem explosões onde o mocinho não olha pra trás… Heu queria gostar do filme!

No elenco, o único nome a ser citado é Denzel. Chloë Grace Moretz está bem (como sempre), mas aparece pouco. Melissa Leo aparece menos ainda, e se você piscar o olho perde o Bill Pullman. Marton Csokas aparece bastante, mas ele não está bem, a não ser que fosse propostal interpretar um vilão caricato (o que foi aquela cena da panorâmica pelas tatuagens?). Ainda no elenco, Haley Bennet e David Harbour.

Veja, mas sem pensar muito…

Podcrastinadores.S03E04 – Revisitando LOST

Man sitting in empty cinema

Chegou a hora de relembrar uma das séries de maior audiência da história da TV. Mais que isso, a série que mais gerou comentários, teorias, e especulações entre o público: LOST. Vamos sobrevoar todas as temporadas, lembrar uma a uma o que houve de bom, de ruim, e é claro, debater sobre o final mais polêmico de todos os tempos.

Mate conosco a saudade da época que você ficava acordado até a madrugada de domingo para saber o que tinha dentro da escotilha, qual seria o próximo apelido espirituoso que o Sawyer iria inventar, o que diabos era aquele monstro de fumaça, e quem sabe até se surpreenda repensando no valor do controverso season finale. Podcast imperdível com Gustavo Guimarães, Helvécio Parente, Rodrigo MontaleãoTibério VelasquezFernando Caruso e Ernesto Belote. O arquivo foi dividido em duas partes. Parte um:

Play

Podcast (podcrastinadores-plus): Play in new window | Download (92.1MB)

Podcast: Play in new window | Download (75.4MB)
Parte 2:

Play

Podcast (podcrastinadores-plus): Play in new window | Download (60.5MB)

Podcast: Play in new window | Download (50.2MB)

:

Links relacionados a este episódio:

Na verdade, em todos os episódios dos Podcrastinadores falamos alguma coisa de Lost. ;) Mas se você nunca viu o Sayid dançando, eis a oportunidade:

E para quem (cof cof Rod cof cof) ainda tem dúvida se era mesmo o Christian Shephard quem vivia na cabana, segue o print:

Cap08

 

Participe você também escrevendo pra gente: podcrastinadores@gmail.com
Queremos saber quem é você que nos ouve: vá em facebook.com/podcrastinadores e mande seu Like lá.
Lembrando que temos duas opções de feeds pra você nos assinar:
Feed normal: http://feeds.feedburner.com/podcrastinadores
Feed plus*: http://feeds.feedburner.com/podcrastinadoresplus
*Se seu player for compatível com formato m4a (plataforma Apple iOS), você vai preferir acompanhar por este formato. Ele divide o podcast em capítulos com imagens individuais, e você pode navegar entre esses capítulos pelo comando “próximo” ou “anterior” do seu player. Assim você pode pular spoilers, ou achar rapidamente um assunto determinado que tenha maior interesse.

As Fábulas Negras

As Fabulas Negras posterCrítica – As Fábulas Negras

E vamos ao filme de terror mais esperado dos últimos tempos?

Rodrigo Aragão hoje é talvez o maior nome do horror nacional. Depois de Mangue Negro, A Noite do Chupacabras e Mar Negro, hoje não há dúvidas sobre o talento deste capixaba – que além de diretor e roteirista, é um mestre na arte da maquiagem. E agora ele mostra outro talento: o agregador.

Aragão se juntou a outros nomes do terror nacional para uma realização conjunta, uma coleção de pequenas histórias (formato usado de vez em quando em filmes de terror), sempre usando o folclore nacional como base. E, uma coisa muito legal: um dos nomes é José Mojica Marins, o Zé do Caixão!

São cinco filminhos, mais um que une todos eles, onde quatro crianças brincam no meio do mato e contam histórias pra tentar assustar uns aos outros – aliás, diga-se de passagem, os meninos estão ótimos.

Aragão dirigiu o primeiro curta, “O Monstro do Esgoto”, onde mostra que é um dos melhores maquiadores do Brasil, numa historinha simples, divertida e com muito, muito gore. O segundo, “Pampa Feroz”, é de Petter Baiestorf, um dos maiores nomes do underground brasileiro (o currículo do cara é impressionante), e mostra uma boa história de lobisomem.

O Zé do Caixão aparece no terceiro filme, “O Saci”. Mojica consegue criar um bom clima, mas a criatura é tão tosca que o público gargalhava toda vez que aparecia o saci – e não sei se era este o objetivo. Já o quarto filme, “A Loira do Banheiro”, dirigido por Joel Caetano, é irretocável, o melhor de todos, na minha humilde opinião. Aragão volta para o último, “A Casa de Iara”, curtinho, sem diálogos, com um tom mais sério que o seu filme anterior – e, mais uma vez, com um excelente trabalho de maquiagem.

O resultado final deixa claro o baixo orçamento – boa parte do filme resvala no trash. Isso não me incomodou (nem a ninguém na plateia do Grotesc-O-Vision), mas sei que pode ser um empecilho para o grande público. Pena, eles estarão perdendo um bom filme…

Ainda não sei se As Fábulas Negras terá lançamento no circuitão. Espero que sim, afinal as estatísticas aqui no Brasil dizem que filmes de terror têm boa audiência.

Rodrigo Aragão falou que existe um projeto para As Fábulas Negras 2. Tomara que saia do papel!