Ameaça no Ar

Crítica – Ameaça no Ar

Sinopse (imdb): Um piloto é responsável por transportar uma profissional da Força Aérea que acompanha um fugitivo até seu julgamento. À medida que atravessam o Alasca, a tensão aumenta e a confiança é testada já que nem todos a bordo são quem mostram ser.

Às vezes alguns grandes nomes de Hollywood fazem escolhas que me deixam intrigado. Mel Gibson, como diretor, fez poucos filmes. Depois da sua estreia em 1993 com O Homem sem Face, todos seus filmes seguintes foram projetos grandiosos e ousados: Coração Valente (95), A Paixão de Cristo (2004), Apocalypto (2006) e Até o Último Homem (2016). Aí chega aos cinemas seu novo filme como diretor, este Ameaça no Ar.

Vejam bem, não estou entrando no mérito se Ameaça no Ar é bom ou ruim. Mas é um filme “pequeno” – quase todo o filme só conta com três atores e apenas uma locação. Poderia ter sido dirigido por um diretor qualquer, de segunda linha, e poderia ter ido direto para o streaming. E a gente vê que é o novo filme do mesmo diretor de Coração Valente, A Paixão de Cristo, Apocalypto e Até o Último Homem. Caramba, Mel, por que diabos você escolheu este projeto?

Vamos ao filme. Um contador que trabalhou para um mafioso é preso e precisa ser levado como testemunha. A agente responsável pela sua captura pega um voo em um aviãozinho onde estão só os dois e mais o piloto. Mas este piloto pode ser alguém diferente do esperado.

Como falei, Ameaça no Ar é uma produção “pequena” – poucos atores e apenas uma locação. Quase todo o filme é baseado em diálogos e tensões envolvendo os três personagens. Em alguns momentos, preciso reconhecer que a tensão realmente funciona. Ok, tudo cheio de clichês, mas são clichês bem usados, pelo menos duas vezes fiquei na beirada da poltrona do cinema.

Sobre o elenco: gostei da personagem da Michelle Dockery (Magnatas do Crime), durona no ponto certo. Mark Wahlberg está ok, mas preciso reconhecer que achei a careca dele estranha e isso me tirava do filme – parece que ele raspou mal raspado o cabelo, por que fazer isso? Já Topher Grace (That’s 70 Show) achei um pouco exagerado, sei que é um alívio cômico, mas em alguns momentos saía do tom. Também queria citar o personagem Hassan, que fala pelo rádio com a personagem da Michelle Dockery. Se Topher Grace saiu do tom, achei Hassan perfeito. Um personagem carismático e engraçado, que só aparece em pontos eventuais da trama. O curioso é que são dois atores interpretando, Maaz Ali faz a voz que ouvimos ao longo do filme, mas quando o personagem finalmente aparece é interpretado por Monib Abhat.

No fim, Ameaça no Ar nem é ruim. Mas é um filme bem genérico. Sugiro baixar as expectativas!

Aqui

Crítica – Aqui

Sinopse (imdb): Situado em um único quarto, ele acompanha as muitas pessoas que o habitam ao longo dos anos, do passado ao futuro.

Quando anunciaram o filme como “nova reunião de Tom Hanks com Robert Zemeckis”, admito que lembrei de Pinóquio, que foi um dos piores filmes de 2022. Ou seja não era exatamente um motivo para empolgação.

Mas aí vi que Aqui (Here, no original) reunia oito membros do elenco e da equipe de Forrest Gump: O Contador de Histórias (1994) – Tom Hanks, Robin Wright, Robert Zemeckis, o roteirista Eric Roth, o compositor Alan Silvestri, o diretor de fotografia Don Burgess, o designer de som Randy Thom e a figurinista Joana Johnston.

Ok, você tinha a minha curiosidade, agora você tem a minha atenção!

Aqui apresenta um conceito curioso: o filme inteiro mostra apenas um posicionamento de câmera, ao longo muito tempo (na verdade, desde a época dos dinossauros). Vemos índios nativos americanos, vemos Benjamin Franklin, depois vemos a casa sendo construída e várias famílias morando lá ao longo de algumas décadas. Tudo isso com a câmera parada. A história vai e volta no tempo, e a câmera sempre mostrando o mesmo ângulo.

Aqui é adaptação da HQ homônima de Richard McGuire. Não li a HQ, mas vi algumas imagens. A edição do filme copia os recortes espalhados pela tela nas idas e vindas da linha temporal. Talvez fique um pouco confuso à primeira vista, mas achei o resultado bem legal.

Não é a primeira vez que Robert Zemeckis inova, e sempre vou valorizar quando um cineasta segue caminhos diferentes. O já citado Forrest Gump foi um marco nos efeitos especiais quando usou o cgi pra não mostrar – até então, os efeitos eram sempre aparentes, em Forrest Gump os efeitos escondiam detalhes, como as pernas do personagem do Gary Sinise. Zemeckis também inovou com Uma Cilada Para Roger Rabbit, quando criou personagens em desenho animado, mas que tinham volume (até então, todas as misturas de atores com animações eram com a câmera parada, em 2D). Ou com a técnica de captura de movimento usada em O Expresso Polar. E isso porque não estou falando de sua obra mais famosa: a trilogia De Volta Para o Futuro.

Mas, se como “inovação” Aqui funciona, como “cinema”, deixa a desejar. A trama ir e voltar no tempo não é um problema, mas não ter uma história a ser contada é. Personagens entram e saem da tela, sem nenhum contexto. E ao fim a gente descobre que boa parte desses personagens era irrelevante na trama. Na minha humilde opinião, se o filme focasse na família principal (Tom Hanks, Robin Wright, Paul Bettany e Kelly Reilly), Aqui seria um filme bem melhor.

(A gente vê a história indo e vindo o tempo todo, mas acho que a única vez que reparei alguma conexão entre as diferentes linhas temporais foi quando vemos um enterro de uma nativa americana, e depois vemos que acharam seu colar numa escavação. Ou seja, temos várias linhas temporais que só serviram pra encher linguiça.)

Ainda preciso falar dos efeitos especiais. Pelo que li, Zemeckis usou uma nova tecnologia que rejuvenesce ou envelhece o ator na hora que está sendo filmado, através de IA, dispensando uma pós produção. Ok, mais uma vez, respeito a inovação, mas essa tecnologia me pareceu um pouco “crua”, em alguns momentos a cara dos personagens parece artificial demais.

No fim, só recomendo Aqui como uma nova experiência cinematográfica. Porque como filme, podia ter sido bem melhor.

Lobisomem

Crítica – Lobisomem

Sinopse (imdb): Um homem deve proteger a si mesmo e sua família quando eles são perseguidos, aterrorizados e assombrados por um lobisomem mortal à noite durante a lua cheia. Mas conforme a noite avança, o homem começa a se comportar de forma estranha.

Lobisomem (Wolf Man, no original) é o novo filme dirigido por Leigh Whannell, que fez o bom Homem Invisível em 2020 (lembro que foi um dos últimos filmes que vi antes da pandemia!), e que, nem todos lembram, mas é parceiro de longa data de James Wan – Whannell escreveu o roteiro do primeiro Sobrenatural era um dos roteiristas do primeiro Jogos Mortais, além de estar no elenco principal.

Ouvi rumores de que anos atrás este filme estaria atrelado àquele projeto que deu errado de criar um “monsterverse” usando monstros clássicos da Universal, que teve o filme A Múmia, com o Tom Cruise, e depois desistiram da ideia por causa do flop. Os rumores falavam que Ryan Gosling estaria interessado em protagonizar este filme, e que a direção seria de Derek Cianfrance, que dirigiu Gosling em Namorados Para Sempre (2010) e O Lugar Onde Tudo Termina (2012). Cianfrance se desligou do projeto, e Gosling acabou virando produtor, então Whannell teria assumido a direção. Mas, infelizmente não consegui fontes seguras pra confirmar estes rumores.

Vamos ao filme. Lobisomem não se propõe a ser um grande filme. Poucos personagens, poucas locações, quase toda a trama se passa ao longo de uma única noite. Entrando no cinema com este espírito, o espectador pode se divertir.

James Wan não está presente aqui (achei que ia ler seu nome entre os produtores). Mas vemos que Whannell aprendeu algumas coisas com o amigo. Em alguns momentos a câmera sai do eixo e passeia por caminhos fora do óbvio, como quando acontece o acidente e o caminhão fica de lado, e a câmera mostra isso num travelling “sem chão”. Digo mais: uma coisa bem legal aqui – talvez o melhor do filme – é quando o filme mostra, em alguns momentos, o ponto de vista do monstro. O jeito como o filme abordou isso foi bem legal, a câmera gira e muda toda o som, a iluminação, muda tudo no visual. Inclusive explica por que o monstro não consegue se comunicar. E também preciso dizer que gostei do efeito simples de mostrar a respiração da criatura quando não podemos vê-la.

A maquiagem não segue o tradicional de outros filmes de lobisomem que estamos acostumados. Talvez tenha gente reclamando, mas heu gostei porque não é cgi. Gosto de efeitos práticos! A trilha sonora de Benjamin Wallfisch também é muito boa. Por outro lado, achei o filme muito escuro. No cinema ainda vai, mas em breve este filme estará no streaming, vai ser difícil de acompanhar.

Existe outro problema, mas não é do filme em si. É que a gente lembra que Whannell fez O Homem Invisível, que trazia camadas com diferentes interpretações – era ao mesmo tempo um filme de terror e um filme que abordava relacionamentos abusivos. E a segunda leitura proposta por Lobisomem é de uma doença se espalhando (o filme foi pensado na época da pandemia). Ou seja, quem for procurar subtextos vai se decepcionar. Lobisomem é apenas um simples filme de terror.

No elenco, quase o filme todo se baseia na família composta por Christopher Abbott, Julia Garner e Matilda Firth. Nenhuma grande atuação, mas servem para o que filme pede.

Por fim, um mimimi. O nome brasileiro do filme é “Lobisomem”, mas acho que foi um nome mal traduzido. A criatura do filme é diferente dos lobisomens que conhecemos. Talvez esteja mais próxima do wendigo, figura folclórica que veio dos índios norte americanos. Afinal, lobisomens voltam à forma humana durante o dia! Acho que seria melhor chamar de “Homem Lobo”, tradução literal.

Maria Callas

Crítica – Maria Callas

Sinopse (imdb): Maria Callas, a maior cantora de ópera do mundo, vive os últimos dias de sua vida na Paris dos anos 1970, enquanto se confronta com a sua identidade e vida.

Terceiro filme da trilogia “Lady with Heels”, do diretor chileno Pablo Larraín. Em 2016 ele fez Jackie, com Natalie Portman interpretando Jacqueline Kennedy; em 2021 fez Spencer, com Kristen Stewart interpretando a Lady Di. Agora é a vez de vermos Angelina Jolie fazendo Maria Callas.

Maria Callas (Maria, no original – não sei por que o título nacional não seguiu o padrão dos outros dois filmes de deixar apenas um nome) é um filme bonito, uma produção bem cuidada, com uma reconstituição de época perfeita, figurinos exuberantes, além de ter uma grande atuação da Angelina Jolie. Mas…

Tive dois problemas com este filme. Em primeiro lugar, preciso falar que não gosto de ópera. Respeito, reconheço qualidades, mas acho feio. Sim, o som me incomoda. Prefiro ouvir theremin do que ouvir alguém cantando ópera.

Some a isso o fato da Maria Callas ser uma pessoa insuportável, e temos um filme que, pra mim, foi difícil chegar ao fim. Não conhecia nada da vida da Maria Callas, só sabia que tinha sido uma grande cantora, um dos maiores nomes da história da ópera. Mas não sabia que ela era tão “estrela” no mau sentido – chega a ter uma cena onde ela verbaliza que quer ir a um restaurante e ficar visível para ser bajulada por fãs. Passa a impressão de ser uma mulher rica, fútil e vazia, que se sente superior a todos em volta. Isso fica claro no modo como ela  trata seus dois funcionários. Já vi em outros filmes escravos sendo mais bem tratados.

O roteiro ainda tem um problema. Na verdade não é uma falha do filme, é uma opção escolhida pelo roteirista, mas acho que o filme ganharia pontos se não pegasse este caminho. Durante boa parte do filme, Maria Callas está sendo entrevistada. E o filme joga com a ideia de “será que este entrevistador é real, ou será que é imaginação da personagem?”. Mas, no início do filme, ela toma um remédio chamado Mandrax, e logo na cena seguinte o apresentador aparece e se apresenta como “Mandrax”. Ou seja, o filme já explicita logo de cara que aquele personagem não é real. Na minha humilde opinião, Maria Callas seria um filme melhor se guardasse essa revelação para o final.

Se o roteiro traz esse problema de “plot twist revelado”, pelo menos posso dizer que gostei da  estrutura dos flashbacks. Não só pela parte técnica, que altera texturas de imagem, alternando cor e pb e diferentes formatos de tela; como pela narrativa, que usa os flashbacks pra mostrar Maria Callas no seu auge.

No elenco, Angelina Jolie está realmente muito bem (mas ainda achei que Fernanda Torres está melhor). A personagem é insuportável, mas a atriz está bem – apesar de algumas cenas onde ela falha no “lip sinc” da dublagem. Também no elenco, Pierfrancesco Favino, Alba Rohrwacher, Kodi Smit-McPhee, Haluk Bilginer, e Valeria Golino (em apenas uma cena, interpretando a irmã da protagonista).

Sobre a voz, fiquei vendo os créditos. Aparentemente todas as músicas são cantadas pela Maria Callas, Angelina Jolie só dublou. Mas, li no imdb que Angelina queria cantar por conta própria, então teve sete meses de aulas de ópera para se preparar para seu papel, e que na parte final, a voz seria a da atriz. Só não sei se acredito nisso. Se Angelina cantou, por que não está creditada?

Maria Callas estreia esta semana nos cinemas.

Babygirl

Crítica – Babygirl

Sinopse (imdb): Uma executiva poderosa coloca a carreira e família em risco quando começa um caso tórrido com seu estagiário muito mais jovem.

Novo filme da diretora Halina Reijn (Morte Morte Morte), Babygirl (idem no original) está sendo vendido como um thriller erótico, mas neste aspecto o filme é fraco. Mesmo assim, o filme me deixou pensando, me deixou com reflexões sobre relacionamentos.

Primeiro vamos comentar o filme. Nicole Kidman faz Romy, uma mulher bem sucedida profissionalmente, com um bom casamento, filhos, tem um bom padrão social. Mas, sexualmente falando, é uma mulher infeliz. Até que ela conhece um estagiário na sua empresa e começa com ele um jogo sexual onde o importante não é o sexo em si, e sim o jogo de poder, de saber “quem é o dono da bola”. Romy é uma CEO que tem o controle sobre tudo em volta – e se ela fosse controlada em vez de controlar?

Claro que a divulgação do filme explorou o lado sexual, como se estivéssemos diante de um novo 9 1/2 Semanas de Amor ou Atração Fatal. Pipocaram matérias dizendo que Nicole Kidman estaria cansada de “filmar cenas de orgasmos”. Mas até que o filme é bem comportado neste aspecto. Aliás, quase não tem nudez. O início promete ir por este caminho, mas o resultado final deixa a desejar.

Um dos maiores destaques é o elenco. Gostei das atuações do trio principal. Nicole Kidman está excelente, em cenas difíceis, não à toa ela ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza e está sendo ventilada como uma provável indicada ao Oscar. Antonio Banderas e Harris Dickinson também estão bem.

Babygirl também tem suas “roteirices”, como o amante aparecer no local onde a protagonista estava reclusa – como ele descobriu que ela estava lá? Mesmo assim, o resultado final é bom. É um filme bonito e bem filmado, e reconheço que a cena usando Father Figure, do George Michael, é muito boa.

Agora, queria comentar o comportamento social. Babygirl, enquanto filme, achei apenas ok. Mas o conceito abordado me deixou pensando por vários dias. Logo na cena inicial, vemos Romy transando com seu marido. Aparentemente ela tem uma vida sexual saudável. Mas logo na cena seguinte vemos que ela, sozinha, vê vídeos eróticos para se masturbar.

Por um lado Romy tem uma vida feliz, ao lado do marido; mas por outro lado ela tem necessidades sexuais que não são saciadas pelo mesmo marido. E pra piorar: determinado momento ela confessa que nunca teve um orgasmo com ele, apesar de estarem juntos há 19 anos. E mesmo assim ele não consegue embarcar nas fantasias da sua esposa. Ou seja, ela está errada pela dificuldade em declarar seus fetiches ao marido, e ele está errado por não entrar nos jogos sexuais propostos por sua esposa.

Aí fiquei pensando neste formato de sociedade onde vivemos. Jovens se conhecem, ficam juntos e constituem famílias – antes de se conhecerem plenamente para saberem o que querem do(a) companheiro(a). Quando o casal dá sorte, ok, podem ser felizes pelo resto da vida. Mas, imagina quanta gente deve estar insatisfeita por aí, sexualmente falando.

Infelizmente somos vítimas do formato usado pela sociedade, dificilmente essas regras e convenções sociais vão mudar. Para você que me lê, torço para você encontrar alguém que lhe satisfaça do jeito que você merece. E recomendo: sempre conversem!

Jurado Nº2

Crítica – Jurado Nº 2

Sinopse (imdb): Enquanto atua como jurado em um julgamento por assassinato, um homem se vê em um dilema moral, podendo influenciar o veredito do júri.

Uma coisa que acho muito legal é quando vejo pessoas idosas trabalhando no que gostam, por prazer. Sim, sei que tem muita gente com condições financeiras precárias, que precisa continuar trabalhando, mas alguns trabalham porque gostam do que fazem. Lembro do show do Deep Purple, ano passado, no Rock in Rio. Quatro membros da banda com mais de 75 anos!

Aí a gente vê que chegou no streaming o novo filme dirigido por Clint Eastwood – que está com 94 anos! Quando crescer, quero ser que nem esses caras!

(Antes de entrar no filme, uma coisa que descobri pesquisando sobre o que ia falar aqui: Clint Eastwood tem fama de ser um diretor muito responsável com prazos e orçamentos. Seus filmes sempre custam menos do que o estimado e sempre são entregues antes do prazo. Legal!)

E vamos ao filme. Vi Jurado Nº 2 (Juror # 2, no original) no finzinho do ano passado, lembro que alguns amigos colocaram o filme em suas listas de melhores do ano, queria ver logo pra ver se ia mudar o meu top 10. Reconheço todos os méritos de Jurado Nº 2, é um filmão, mas não mudou minha lista.

A ideia é muito boa. Um cara é convocado pra fazer parte de um júri. Durante o julgamento, ele descobre que pode ter um envolvimento pessoal com o caso. Aí entra o dilema moral: será que ele deve assumir a sua responsabilidade, ou é melhor deixa outra pessoa pagar por um erro seu?

(Nunca entendi esse sistema que acontece nos EUA onde pessoas são convocadas pra participarem de um júri. O que acontece se a pessoa não pode? Se tem um trabalho que não a deixa sair? Se tem algum problema de saúde? Acho que isso não funcionaria no Brasil…)

Um dos destaques de Jurado Nº 2 é o roteiro, que consegue explorar bem vários tons de cinza no meio do julgamento, e consegue equilibrar um elenco com vários bons personagens. Ok, não tem como aprofundar todos os personagens em um filme de uma hora e cinquenta e quatro minutos, são uns vinte personagens participando da trama. Mas conseguimos ver nuances de vários deles.

Outro destaque é o elenco. Nicholas Hoult (segundo filme que comento este ano, segundo filme com o Nicholas Hoult) está excelente com seus dilemas – ele tem uma esposa em gravidez de risco, ele tem um histórico de alcoolismo, e está vendo um homem que pode ser inocente ser condenado. E Toni Collette, como a promotora, também tem seus dilemas, porque está vendo que talvez precise prejudicar terceiros por motivos pessoais. Duas grandes atuações! E ainda tem outros dois grandes atores em papéis bem menores, J.K. Simmons e Kiefer Sutherland. Papéis importantes, mas com pouco tempo de tela. Também no elenco, Zoey Deutch, Chris Messina e Leslie Bibb. Ah, a vítima do assassinato é Francesca Eastwood, filha do Clint.

Jurado Nº 2 foi muito mal lançado. Um filme desses merecia ir pros cinemas. Mas foi direto pro streaming, e sem nenhuma divulgação. Nosso diretor nonagenário merecia um tratamento melhor!

Nosferatu (2024)

Crítica – Nosferatu

Sinopse (imdb): Um conto gótico de obsessão entre uma jovem assombrada na Alemanha do século XIX e o antigo vampiro da Transilvânia que a persegue, trazendo consigo um horror incalculável.

Comecemos pelo original, de mais de 100 anos atrás. Em 1922, F.W. Murnau resolveu fazer uma adaptação do livro Drácula, de Bram Stoker. Alterou os nomes dos personagens, alterou o país onde se passa a história, alterou quais são os dentes do vampiro (incisivos em vez de caninos). O resto é exatamente igual. Exatamente a mesma história. A viúva de Bram Stoker descobriu o plágio, entrou com um processo, e pediu para que todas as cópias fossem destruídas. Por sorte, alguns colecionadores e cinematecas guardaram cópias, se não hoje não teríamos essa obra icônica.

Heu nunca tinha visto este Nosferatu de 1922. Vi agora, e entendo todos os méritos, mas preciso admitir que não gosto muito do estilo usado na época. Como era cinema mudo, todas as atuações parecem exageradas, isso me incomoda um pouco. Mas reconheço a importância do filme.

(Existe outra versão de Nosferatu, de 1979, dirigida por Werner Herzog e estrelada por Isabelle Adjani e Klaus Kinski. Vi muitos anos atrás, me lembro de pouca coisa desta versão.)

Finalmente chegamos em 2024 (apesar de já estarmos em 2025). Gosto do estilo do Robert Eggers, gostei de A Bruxa, e gostei mais ainda de O Homem do Norte – apesar de não ter gostado nem um pouco de O Farol, achei chato e pretensioso. Mas estava curioso em ver como Eggers ia apresentar sua versão de Nosferatu.

A história todo mundo conhece: o jovem corretor de imóveis Hutter vai até a Transilvânia para fechar um contrato de venda de um imóvel para o misterioso conde Orlok, que vai até a Alemanha atrás da esposa de Hutter.

Se a história é batida, o visual não é. Goste ou não do estilo de Robert Eggers, seus filmes são sempre belíssimos, com várias sequências com visual deslumbrante. E isso acontece aqui, Nosferatu enche os olhos. A trilha sonora também é muito boa. Além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos.

Um parágrafo à parte pra falar da maquiagem. Bill Skarsgård está irreconhecível. A divulgação do filme fez bem em não explorar o visual deste novo Nosferatu, porque quando ele aparece, está assustador, tanto na aparência quanto na voz – ele treinou a voz por semanas pra baixar uma oitava do seu registro natural para seu personagem ter a voz o mais grave possível.

O vampiro de Bill Skarsgård é assustador, e o clima do filme segue a mesma linha. Nosferatu ainda tem alguns jump scares bem bolados (daqueles que a gente não adivinha quando vão chegar). Mas o mais importante aqui não são os jump scares, e sim o clima tenso de terror. Sim, Robert Eggers sabe trabalhar o clima como poucos no cinema contemporâneo.

(Achei estranho o personagem ter bigode. Deve ser porque Vlad Tepes também tinha.)

Bill Skarsgård não é o único destaque do elenco. Lily-Rose Depp também está excelente (parece que o papel seria da Anya Taylor-Joy, mas ela teve que passar adiante por problemas de conflito de agenda quando foi fazer Furiosa). Também no elenco, Nicholas Hoult, Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson, Emma Corrin e Ralph Ineson.

Gostei muito deste novo Nosferatu, mas reconheço que não é um filme para qualquer um. Aliás, todo o cinema de Eggers tem essa característica, seus filmes são o oposto do pop. Provavelmente vai ter parte do público saindo insatisfeita do cinema. Mesmo assim, recomendo: filmão!

Por fim, um mimimi que não é um problema deste filme, porque na verdade estava na versão de 1922. Na história original do Bram Stoker, Drácula vai de navio até a Inglaterra. É longe, sair da Transilvânia e ir até a Inglaterra, mas tem lógica se a gente pensar que a Inglaterra é uma ilha, então teria alguma lógica ir pelo mar. Na versão “pirata”, a história se passa na Alemanha, e mesmo assim, Orlok vai de navio. Não entendo muito de geografia europeia, mas a Alemanha só tem acesso ao mar pelo norte. O navio nesta versão teve que dar uma volta enorme! Não vejo lógica em ele ir de navio da Romênia até a Alemanha. Fui o único que pensei nisso?

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa

Crítica – Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa

Sinopse (imdb): Chico Bento e sua turma precisam se unir para salvar a goiabeira de Nhô Lau quando ela é colocada em risco pelo arrogante coronel Dotô Agripino.

E vamos ao aguardado filme do Chico Bento!

Antes, um breve histórico do universo cinematográfico do Maurício de Souza (MSCU?). Em 2019 tivemos Turma da Mônica Laços, e dois anos depois, Turma da Mônica Lições, ambos dirigidos por Daniel Rezende, e ambos muito bons (gostei do primeiro, adorei o segundo!). Ainda rolou uma minissérie de 8 capítulos com o mesmo elenco em 2022. Três bons produtos, com bons roteiros, bom elenco e boa produção. (Tem uma segunda minissérie lançada este ano, mas ainda não vi). Aí outra produtora fez um filme da turma da Mônica Jovem, que falhou em tudo o que os outros filmes acertaram. Era mais ou menos como em 2018, enquanto a Marvel “certa” lançava Vingadores Guerra Infinita, a Marvel “errada” lançava Venom; ou em 2019, uma lançava Vingadores Ultimato e a outra lançava Novos Mutantes

A cena pós créditos de Lições mostrava o Chico Bento, e a expectativa, pelo menos pra mim, era enorme. Primeiro por ser mais um filme da “Turma da Mônica certa”, mas também porque o Chico Bento era um dos meus personagens favoritos. Heu li muitos gibis da Turma da Mônica na minha infância e adolescência, e chegou um ponto onde os quatro principais me cansaram, porque os temas se repetiam sempre: histórias da Mônica quase sempre giravam em torno da força dela; do Cascão, do fato dele não tomar banho; da Magali, da sua fome insaciável. Cebolinha repetia menos, mas eram muitas histórias sobre planos infalíveis. Já o Chico Bento não tinha um tema tão repetitivo. Por isso, a partir de um ponto, passei a preferir gibis dele.

E a notícia é boa! Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa é um ótimo filme!

Dirigido por Fernando Fraiha (Daniel Rezende está na produção), Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa é simpático, divertido e, acho que posso dizer, um filme delicioso! Tanto pra crianças quanto para adultos, é daquele tipo de filme que a gente sai da sessão leve e com um sorriso no rosto.

Talvez o maior trunfo de Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa seja seu protagonista, Isaac Amendoim. Nunca tinha ouvido falar dele, e preciso dizer que o moleque é sensacional! O carisma do garoto é tão grande que é impossível ver a sequência inicial e não se apaixonar pelo personagem (sequência onde ele está se arrumando, com ajuda da galinha Giselda, da vaca Malhada e de alguns outros bichos). Logo depois ele quebra a quarta parede, conversa com o público e apresenta o filme. Nesse ponto – logo no início do filme! – heu já estava fisgado.

E não é só o protagonista. Toda a ambientação da cidade, todos os personagens secundários, tudo está perfeitamente retratado (ou quase, já chego lá). Assim como nos gibis, é uma história atemporal. Um mundinho mágico mostrando o interior do Brasil. E ainda tem espaço pra entrar em assuntos ambientais.

Falei do Isaac Amendoim como Chico Bento, mas também preciso citar Pedro Dantas como Zé Lelé. Não consigo imaginar um Zé Lelé live action melhor que este! A trilha sonora também merece elogios.

Gostei muito de Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, mas preciso reconhecer que o filme tem dois problemas. Um deles é na sequência onde a goiabeira ganha vida (Tais Araújo) e conversa com o Chico Bento. É uma sequência que foge completamente do resto do filme, parece que estamos vendo outra coisa. Além disso é uma sequência longa demais. E pra piorar, parte da sequência é live action, mas parte é numa animação de qualidade duvidável (meu filho comparou com o Dollynho!).

O segundo problema é um assunto delicado. Quando Maurício de Souza criou a turma do Chico Bento, não tinha nenhum negro (Rosinha, Zé Lelé, Zé da Roça, Hiro). Hoje, 2024, tudo a ver incluir uma menina negra no rolê. O problema é que é uma menina urbana, com o cabelo roxo, seus pais têm perfil de cidade grande… Eles não parecem caipiras como TODO O RESTO DO FILME. O nome do filme fala da goiabeira “Maraviosa”! Depois da sessão, me disseram que é uma família que veio da cidade grande. Mas não me lembro dessa informação dentro do filme, no filme, Chico apenas fala que ela “se mudou há pouco”. Custava explicar que ela morava na capital? A personagem ficou muito diferente do resto da turma.

Mesmo com esses probleminhas, ainda gostei muito. Torço muito pra fazerem logo um segundo filme, antes do Isaac Amendoim crescer!

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa estreia agora no início de janeiro. Quero rever!

Mufasa: O Rei Leão

Mufasa: O Rei Leão

Sinopse (imdb): Mufasa, um filhote perdido e sozinho, conhece um simpático leãozinho chamado Taka, o herdeiro de uma linhagem real. O encontro casual dá início a uma jornada transformadora de um grupo de desajustados em busca de seus destinos.

E vamos pra mais um filme desnecessário…

Lançado em 1994, O Rei Leão é um desenho muito bom e muito marcante, que traz personagens carismáticos e uma trilha sonora inspiradíssima. Aí em 2019, aproveitando a onda caça níqueis de versões live action, resolveram lançar um “live action” do Rei Leão – que não tinha absolutamente nada de live action, era apenas uma animação em outro estilo. E este filme de 2019 falhou em quase tudo, mas principalmente em dois aspectos. Primeiro porque era uma história exatamente igual à do filme de 94, e, além disso, por ter traços realistas, os bichos não tinham expressões faciais. O resultado parecia um documentário ruim do National Geographic.

Dirigido por Barry Jenkins, este Mufasa pelo menos traz uma história original, e deram uma aliviada no problema das expressões. Menos mal. Mas mesmo assim, ainda falta bastante pra ser um filme bom.

Mas, antes de tudo, um elogio à qualidade das imagens. Mufasa é colorido, traz vários cenários diferentes, tem cenas debaixo d’água, e ainda tem animais simplesmente perfeitos. Quem estiver interessado na parte técnica vai curtir.

Vamos ao filme. Em Mufasa, Rafiki aparece pra contar para Kiara, filha de Simba, a história de seu avô. Timão e Pumba estão presentes, fazendo o alívio cômico e falando bobagens a cada momento de respiro da história – coisa que incomodou algumas pessoas, mas heu reconheço que gostei de algumas das piadas, principalmente quando eles fazem referências “off filme”, tipo quando mencionam a versão musical.

Mas a história é fraca. O “plot twist” do irmão do Mufasa é tão óbvio que transformaram numa piada, quando Kiara fala “já sei quem que ele vai virar!”. E o personagem me pareceu mal construído: por que um leão que teve toda a sua família assassinada por um vilão se uniria a este mesmo vilão? (Sem contar que este vilão também não é um bom personagem.)

É um filme pra crianças, então não tem sangue, nem bichos mortos. Ok, entendo a proposta. Mas fica estranho, porque nas lutas entre leões, heu nunca conseguia saber o que estava acontecendo. E o fato do Mufasa e do Taka serem muito parecidos atrapalhava, porque quando estamos vendo dois leões quase iguais correndo, como saber qual é qual? (Lembrando que, no desenho, Mufasa e Scar são bem diferentes!)

Tem outro problema: a trilha sonora composta por Lin-Manuel Miranda. Não que seja uma trilha ruim, mas é uma trilha insossa, principalmente se comparada à trilha do desenho de 94, composta por Elton John. Assim como aconteceu em Moana 2, a trilha é esquecível e perde pontos na comparação.

Por fim, um mimimi relativo à dublagem. A dublagem não é ruim, mas, na versão original de 1994, Mufasa é dublado por James Earl Jones (o Darth Vader!), que faleceu este ano. Ok, se ele não pode dublar, vamos usar outro ator com as mesmas características na voz, tem que ser uma voz encorpada e imponente. Mas a voz do Mufasa na dublagem brasileira é uma voz “normal”. Aí fui catar quem fez a voz na versão original, é Aaron Pierre, ator que não conheço. Fui procurar a voz dele no youtube, ok, é uma voz compatível. Por que diabos o Mufasa brasileiro tem voz fina?

Mufasa é ruim? Não, garotada vai ver e vai curtir. Mas, como falei no início, é desnecessário.

Kraven, O Caçador

Crítica – Kraven, O Caçador

Sinopse (imdb): A complexa relação de Kraven com o pai, Nikolai Kravinoff, o leva a uma jornada de vingança com consequências brutais, o motivando a se tornar um dos maiores e mais temidos caçadores do mundo.

Antes de tudo, uma informação importante: nunca li os quadrinhos desse Kraven. Todo o meu texto será baseado no filme.

Ninguém esperava que Kraven, O Caçador seria bom. Afinal, é o sexto filme de um universo todo errado: “vilões do Homem Aranha sem a presença do Homem Aranha”. Pra piorar, não teve sessão de imprensa, coisa que normalmente acontece quando a distribuidora não acredita no potencial do filme. Mesmo assim fui ver. É bom? Não. Mas não é o pior do ano.

(Só pra deixar registrado: os outros filmes são Morbius, Madame Teia e os três Venom. Todos ruins.)

Dirigido por J.C. Chandor, Kraven, O Caçador (Kraven the Hunter no original) sofre do mesmo problema dos outros: como o protagonista é um vilão sem oponente, o filme força uma barra pra ele virar uma espécie de anti herói. Ou seja, é um vilão mas não pode ser “do mal”. E, como nos outros filmes, essa construção de personagem não foi muito boa.

Tem outro problema que é a grande quantidade de personagens. Por exemplo, são três vilões, um deles ficou sobrando. Podia focar só no pai e no Rino, aquele que conta até 3 e congela tudo é meio desnecessário.

(Me falaram que nos quadrinhos a Calypso também é vilã, mas isso não acontece aqui neste filme. E no finzinho do filme, o irmão, Dmitri, dá a impressão de que vai virar outro vilão, mas isso ficaria pra uma suposta continuação.)

Some-se a isso efeitos especiais que parece que a gente está vendo um filme dos anos 90. Algumas cenas de ação o herói é um boneco de cgi que não respeita as leis da física. Mas… isso me incomoda pouco. Um roteiro mal escrito me incomoda mais. Um exemplo claro está na personagem Calypso, que entra e sai da trama quando o roteiro está precisando de uma ajuda. Ela está no passado do protagonista, e volta justamente quando ele precisa de ajuda. Um pouco mais tarde no filme a gente descobre que ela sabe atirar com arco e flecha, mas logo depois que o roteiro usa suas habilidades, ela some do filme.

Agora, uma coisa boa de Kraven é que tem mais sangue e violência que o padrão dos “filmes de super herói”. Nada muito gráfico, mas pelo menos vemos sangue, coisa que costuma faltar em filmes do gênero.

Sobre o elenco, Aaron Taylor-Johnson não está mal como o protagonista. Mas não podemos dizer o mesmo de Russell Crowe, caricato demais como o mafioso russo. Ariana DeBose como Calypso também não está bem. Também no elenco, Fred Hechinger, Alessandro Nivola e Christopher Abbott.

Agora queria terminar meu texto com uma listinha curta de coisas sem sentido em Kraven, O Caçador. Vamulá?

– Sua avó lhe entrega uma poção mágica, segredo da sua família, que vai dar super poderes a quem tomá-la. Que tal dar essa poção pro primeiro desconhecido que encontrar pela frente?

– Se Kraven teve contato com o sangue de um leão e tomou uma poção mágica que lhe deu os poderes de um leão, como é que ele escala paredes e tem a visão de um elfo?

– Kraven é “O Caçador”, mas ninguém sabe o nome dele, porque ele diz que mata todos os que ouvem isso. Ok. Aí o vilãozão pega uma filmagem de câmera de segurança e descobre, por reconhecimento facial, que aquele cara é Sergei Kravinoff e também é o Caçador. Como é que ele descobre que também é chamado de Kraven?

– Ainda nesse reconhecimento facial, da primeira vez que vemos, deu 97,3% de compatibilidade. Na segunda vez, mudou pra 99,99%. O que mudou?

– Você é um vilão malvadão e manda um capanga matar o herói. O capanga diz “vou matá-lo”, mas não volta. Por que diabos você vai acreditar que seu capanga conseguiu e vai embora achando que o herói está morto?

Parece que vão acabar com esse universo de “Homem Aranha sem Homem Aranha”. É, talvez seja a melhor opção.