Eu e Meu Guarda-Chuva


Eu e Meu Guarda-Chuva

Nova produção infanto-juvenil brasileira. Vamos ver qualé!

A sinopse: em sua última noite de férias, Eugênio, um menino de 11 anos, e seu melhor amigo, Cebola, se metem em aventuras inimagináveis para resgatar Frida, sua paixão e colega de escola, que foi sequestrada pelo fantasma do temível Barão Von Staffen.

Eu e Meu Guarda-Chuva é baseado no livro escrito por Branco Mello, Hugo Possolo e Ciro Pessoa. Sim, é o Branco Mello dos Titãs, e o Ciro Pessoa, o “quase Titã”. Tony Bellotto, autor dos livros do detetive Bellini, não é o único da banda paulista que é autor de livro que vira filme!

O filme, dirigido pelo estreante Tony Vanzolini, é curto e criativo. A história não é nada demais, é até bem simples. Mas pelo menos não insulta o espectador, como alguns filmes infantis que estão por aí.

A parte técnica funciona bem. São poucos e eficientes efeitos especiais, e a fotografia manda bem ao apresentar alguns lugares sombrios.

Falando nisso, Eu e Meu Guarda-Chuva traz boas locações. A escola onde se passa boa parte do filme é o Colégio Sion, em São Paulo, que tem ótimos cenários; e o filme ainda tem cenas gravadas na Suécia e na República Tcheca – foram usadas belas paisagens de Praga.

Ninguém se destaca no elenco. Os três garotos (Lucas Cotrim, Rafaela Victor e Victor Froiman) não atrapalham, mas também não fazem nada além do feijão com arroz. E Daniel Dantas tem o problema comum que assola dez entre dez vilões de filmes nacionais: está caricato demais. Arnaldo Antunes faz uma divertida ponta; Leandro Hassum é desperdiçado em uma ponta sem graça.

Para os pais que quiserem mostrar algo nacional para os seus filhos…

A Lenda dos Guardiões

A Lenda dos Guardiões

Soren, uma jovem coruja fascinada por histórias épicas contadas por seu pai sobre os guerreiros Guardiões de Ga’Holle, acaba sequestrada por um grupo de corujas malvadas que querem dominar o Reino do Oeste e a Grande Árvore. Soren precisa fugir e encontrar os guerreiros para salvar o futuro das corujas.

Dirigido por Zack Snyder (300, Watchmen), A Lenda dos Guardiões tem um visual deslumbrante, mas tem uma falha grave: não se define muito sobre o seu público alvo. Uma animação com corujas remete a filmes infantis (ainda mais quando a divulgação fala em “do estúdio de animação de Happy Feet – O Pinguim“). Mas o filme não tem o humor característico das produções infantis recentes, além de ser demasiado violento – não mostra sangue, mas as batalhas são bem “duras”.

Tirando este “pequeno” detalhe de lado, o filme é bem legal. E a animação, absurdamente bem feita – principalmente se visto em 3D.

As animações hoje em dia alcançaram uma qualidade muito boa. E é sempre um prazer quando vemos um filme que ainda surpreende em termos técnicos. A Lenda dos Guardiões é assim: as corujas e os cenários são extremamente “reais”, vemos cada detalhe, cada pena, cada gota de chuva. Tudo muito bem feito, nos mínimos detalhes!

O filme foi baseado no livro da escritora Kathryn Lasky. Não conheço o livro, não sei se é violento. Mas, nas mãos de Snyder, não tinha como ficar com cara de Disney, né? Aliás, aqui tem outro detalhe interessante da animação: diferente do que acontece na maior parte das vezes, aqui os animais não são “humanizados”, as asas das corujas não são usadas como mãos, os animais não têm cara de gente. Isso inclusive deixou o filme com ainda mais cara de “real”.

A Lenda dos Guardiões está passando em cópias dubladas e legendadas. Quem optar pela legendada, vai ouvir as vozes de Helen Mirren, Sam Neil, Geoffrey Rush, Hugo Weaving e mais um monte de vozes com sotaque australiano, afinal, o filme foi feito lá. Outra curiosidade: Snyder não pisou nos sets de filmagem, ele estava no Canadá, envolvido na produção de Sucker Punch, e coordenou tudo à distância, através de vídeo conferência!

Snyder declarou que finalmente seus filhos poderiam ver um filme seu – é a primeira vez que ele faz um filme que não é “R”, mas acho que ele não está muito antenado com o que a criançada vê hoje em dia – talvez este tenha sido o problema que citei lá no segundo parágrafo. Mas, se por um lado limitou o público, por outro, algumas cenas são belíssimas! Ninguém faz cenas em câmera lenta tão belas quanto as de Snyder. Assim como em 300 e Watchmen, rolam várias cenas onde a ação é quase congelada e vemos todos os detalhes em câmera lenta. Só isso já vale o ingresso do filme.

Pena que nem todas as crianças vão curtir…

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

Tropa de Elite 2- O Inimigo Agora é Outro

Estreou a continuação do excelente Tropa de Elite – simplesmente um dos melhores filmes da história do cinema nacional. E a pergunta é: é bom como o primeiro? Felizmente, sim!

O Capitão Nascimento agora é o Tenente Coronel Nascimento, e está no comando de uma operação durante uma rebelião no presídio de segurança máxima Bangu 1. A rebelião acaba como o BOPE nos ensinou: bandido bom é bandido morto. Mas, em ano de eleição, os direitos humanos caem em cima do BOPE, e Nascimento é afastado, só que “para cima”: vai trabalhar na Secretaria de Segurança Pública. Trabalhando em escritório, Nascimento descobre que – como diz o título – “o inimigo agora é outro”.

O filme é muito bom. Tecnicamente perfeito, excelentes atuações, roteiro redondinho, tensão do início ao fim. Fiquei me questionando por que não são feitos outros filmes nacionais com essa qualidade…

Ainda a parte técnica: o diretor José Padilha, o mesmo do primeiro filme, voltou para Tropa de Elite 2. Gosto quando o mesmo diretor volta para a continuação, quase sempre isso é sinal de boa qualidade. Isso acontece aqui: assim como no primeiro filme, em Tropa de Elite 2 não existem os problemas técnicos tão comuns em filmes brasileiros.

Depois do primeiro filme, o Capitão Nascimento virou uma lenda urbana no Brasil, porque sua filosofia é radical: bandido tem que morrer. O povo brasileiro, cansado de ver a bandidagem se dar bem, aprovou os métodos do Cap. Nascimento. Rolaram várias listas na internet com fatos exagerados, na linha daqueles “Chuck Norris facts”. Agora, Nascimento ataca políticos corruptos ligados à milícias. Caramba, um cara desses tinha que ser real. O inimigo do segundo filme é ainda pior que o do primeiro!

(Curioso este filme ser lançado em época de eleição. Mas ainda acho que deveria ter sido lançado um pouco antes, afinal, os deputados e senadores já foram eleitos…)

Wagner Moura brilha novamente como o mais durão de todos os policiais. Seu Tenente Coronel Nascimento passa credibilidade no lado humano, o que faz o nosso heroi ser ainda mais importante. E alguns atores do filme original também estão de volta, como André Ramiro, com o agora Capitão Mathias, numa atuação mais dura do que no primeiro filme; e Milhem Cortaz, como o covarde Coronel Fabio. E o filme ainda traz novos personagens muito bons, como o ativista de direitos humanos Fraga (Iradhir Santos), um verdadeiro antagonista para Nascimento em vários sentidos; e o caricato apresentador de tv Fortunato (André Mattos).

Claro que o filme traz novos bordões que deverão cair na boca do povo, como aconteceu no primeiro filme (“tá com medinho, zero dois?”, “pede pra sair!”). Heu gostei da nova definição de CPMF: Comissão do Policial Militar Filhodap#$@ta…

O lançamento do primeiro filme foi envolto em uma grande polêmica, porque vazou uma cópia em dvd, e muita gente viu o filme antes de ser lançado nos cinemas. Desta vez, não só não vazou, como o filme está tendo sessões lotadas – ontem, sábado, segundo dia de exibição, comprei pela internet dois ingressos para uma sessão seis horas depois, e a sala estava quase esgotada…

(Aliás, um comentário: o filme começou 19 minutos e meio depois do início da sessão. 19 minutos e meio de muitas propagandas e alguns trailers! E olha que paguei pelo ingresso!)

Determinado momento do filme joga uma indireta que uma possível parte 3 (se é que vai ter parte 3) pode ser em Brasília… Será?

Filmaço, parceiro!

Scott Pilgrim Contra O Mundo

Scott Pilgrim Contra O Mundo

Encerrei bem minha maratona pessoal de 21 filmes em pouco mais de duas semanas (na verdade, vi 24 filmes da programação, mas três heu já tinha visto antes). Ontem vi o divertido Scott Pilgrim Contra O Mundo!

Scott Pilgrim (Michael Cera) tem 23 anos e é um cara comum. Tem cara de nerd e toca baixo numa banda de garagem, a Sex Bob-Omb. Até que um dia conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), e, apaixonado, tem que enfrentar os seus sete malignos ex-namorados, dispostos a lutar até a morte com qualquer um que quiser ficar com ela.

Baseado na história em quadrinhos “Scott Pilgrim”, de Bryan Lee O’Malley, este é o primeiro filme americano do diretor inglês Edgard Wright, o mesmo de Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso. Seu estilo ágil, de cortes rápidos, funcionou perfeitamente nesta excelente adaptação de quadrinhos misturados com videogames.

Hoje em dia está na moda se falar de boas adaptações de quadrinhos, né? Afinal, temos tido vários filmes muito bons com personagens oriundos de hqs, como os recentes filmes do Batman e do Homem de Ferro. Mas são filmes com cara de filme. Já Scott Pilgrim Contra O Mundo não tem cara de filme, tem cara de quadrinhos. Temos até onomatopeias escritas na tela! Poucas vezes um filme foi tão parecido com uma hq. Sin City e 300 também são assim, mas estas são duas graphic novels, enquanto Scott Pilgrim parece mais um gibi. Não conheço os quadrinhos originais, mas li que os trechos em animação foram tirados dos mesmos. Ou seja, literalmente, vemos os quadrinhos na tela do cinema.

E não só quadrinhos, como também videogame. As lutas entre Scott e os ex-namorados malignos são iguais a games de luta, inclusive com direito a golpes especiais, pontuação e vidas extras no fim da luta! O filme ainda traz inúmeras referências ao universo dos games, como, por exemplo, o nome da banda Sex Bob-Omb – no game Super Mario 2, de 1988, tem um personagem chamado Bob-Omb.

O elenco está perfeito. É difícil imaginar outro ator no lugar de Scott Pilgrim – se não fosse baseado em quadrinhos, dava pra dizer que o roteirista escreveu o papel pensando em Cera. Mary Elizabeth Winstead, depois de Duro de Matar 4 e À Prova de Morte, também está ok, assim como a oscarizável Anna Kendrick. E o resto do elenco principal, cheio de nomes pouco conhecidos, também funciona bem: Ellen Wong, Aubrey Plaza, Alison Pill, Mark Webber, Johnny Simmons e Kieran Culkin – o irmão do sumido Macauley Culkin está impagável como o colega de quarto gay.

Ainda tem mais gente legal no elenco. Alguns atores famosos fazem pequenos papeis como alguns dos ex-namorados. Temos Chris Evans (que foi o Tocha Humana em Quarteto Fantástico e será o novo Capitão América), Brandon Routh (o Superman do filme de 2006) e Jason Schwartzman. Isso sem contar numa ponta não creditada de Thomas Jane, como um policial vegan.

O roteiro é uma grande e divertidíssima bobagem. Claro que não dá pra levar a sério uma “liga de ex-namorados malignos”, né? Mas isso traz situações engraçadíssimas – cada luta é melhor que a anterior (pra ser sincero, só não gostei da luta dos gêmeos). E a luta final é muito, muito boa!

Enfim, diversão garantida. Foi divulgado que o filme teria cópias com legendas eletrônicas, mas a cópia já estava legendada – deve entrar em cartaz em breve!

Rush – Beyond The Lighted Stage

Rush – Beyond The Lighted Stage

Acho que o Festival do Rio resolveu “pegar carona” no show da banda canadense Rush que vai acontecer na Apoteose no próximo domingo, e programou este documentário Rush – Beyond The Lighted Stage, que já está à venda em dvd em lojas brasileiras…

O documentário mostra desde a infância dos integrantes em Toronto até os dias de hoje, passando pelo lançamento de seus álbuns mais marcantes, altos e baixos na carreira, mudanças na sonoridade da banda e até um problema pessoal de um dos membros que quase causou o fim da banda.

O fenômeno do duradouro sucesso da banda e sua carreira de 40 anos são explorados através de imagens de arquivo inéditas e entrevistas com artistas como Gene Simmons (Kiss), Sebastian Bach (Skid Row), Kirk Hammett (Metallica), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Mike Portnoy (Dream Theater), Billy Corgan (Smashing Pumpkins), Zakk Wylde (Black Label Society), Les Claypool (Primus) e Jack Black (ator, mas aqui representando a banda Tenacious D).

Como já falei aqui antes, o meu interesse em um documentário está diretamente ligado ao interesse no objeto do documentário. E desta vez gostei da escolha do tema. A história da banda Rush é um bom assunto.

O Rush é uma banda peculiar: apesar de nunca ter conseguido sucesso de crítica e nunca ter tocado nas rádios, tem uma enorme legião de fiéis fãs – por exemplo, quando toca por aqui, tem público para lotar estádios (em 2002, tocaram no Maracanã).

O Rush tem outra forte característica: seu som não tem um estilo facilmente identificável, não se encaixam em nenhum rótulo – eles ficam em algum lugar entre o hard rock setentista e o progressivo. Isso porque não estou falando das peculiaridades de dois dos membros: Geddy Lee não só é um excelente baixista como também canta e toca teclados – ao mesmo tempo! E Neil Peart figura em toda e qualquer lista de melhores bateristas da história (Alex Lifeson é “apenas” um excelente guitarrista).

Estas características e outras são bem retratadas pelos documentaristas Scot McFadyen e Sam Dunn, realizadores de Metal – Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal, e Iron Maiden: Flight 666.

Bom documentário. Boa opção para o “esquenta” antes do show de domingo!

O Retrato de Dorian Gray

O Retrato de Dorian Gray

Baseado no livro homônimo de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray mostra o jovem Dorian Gray, que acabou de se mudar para a efervescente Londres vitoriana. Obcecado por sua beleza e juventude, Dorian aceita que lhe pintem um restrato. Ao vê-lo pronto, afirma que daria sua própria alma para ter eternamente aquela aparência.

Neste filme dirigido por Oliver Parker, a reconstituição de época é muito bem feita, o elenco está ok, os poucos efeitos são eficientes, mas… Mas o filme não empolga…

Acho que o roteiro pecou em não se dicidir sobre o estilo do filme. Às vezes, parece um romance de época, às vezes, um terror clássico. E falha nos dois sentidos.

Pena, porque o elenco é legal. Ben Barnes, mais conhecido por filmes infanto-juvenis como As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian e Stardust – O Mistério da Estrela, funciona bem como o protagonista que se recusa a envelhecer e escolhe uma vida dedicada ao hedonismo. Colin Firth está ótimo como o bon vivant Henry Wotton, espécie de mentor de Dorian. Ben Chaplin, Rebecca Hall e Rachel Hurd-Wood também estão ok.

Mas o resultado final fica devendo. Pena.

Machete

Machete

Há muito espero para ver este Machete. Quase desisti de ver no cinema (já existe um R5 para baixar na internet), mas aguardei e consegui ver no Festival do Rio, na sala grande – e valeu a pena!

Machete (Danny Trejo) é um eficiente e durão policial federal mexicano, que acaba afastado do seu país pelo traficante que manda na polícia. Imigrante ilegal nos EUA, ele é contratado para matar um político, mas descobre que é uma armadilha, e passa a ser caçado pela polícia americana.

Nem todos sabem a origem deste filme. Ao idealizarem o projeto Grindhouse, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez pensaram em falsos trailers para acompanharem os seus dois filmes (À Prova de Morte e Planeta Terror). Eram trailers fakes, os filmes não existiam. Um destes trailers era Machete…

Só que o trailer fez sucesso, e então resolveram fazer o longa. E o filme ficou ótimo, desde já, um dos melhores filmes de 2010!

Machete é sensacional. O diretor Robert Rodriguez, mais uma vez, estava inspirado, e criou uma obra com uma cena antológica seguida de outra. São vários momentos memoráveis! Acho que o meu preferido é a “cena do intestino”. Genial, genial, genial!

Falando de Rodriguez, vou ser repetitivo e copiar o que escrevi sobre ele no post de Planeta Terror: “Robert Rodriguez é um gênio sem par em Hollywood. Ele dirige, escreve o roteiro, produz, edita, faz a fotografia e a trilha sonora e ainda trabalha nos efeitos especiais. E não é só isso: o cara tem duas carreiras paralelas. Além dos filmes para adultos (como Sin City e Era uma vez no Mexico), ele ainda faz filmes infantis, como Shark Boy & Lava Girl e a série Pequenos Espiões. Como ele consegue tempo pra isso tudo? Não sei, mas sei que Hollywood ia ser menos divertida se não existissem caras como ele…”

E Rodriguez continua em forma. Há pouco passou nos cinemas o infanto-juvenil A Pedra Mágica, e agora temos Machete

Vamos falar do elenco? Danny Trejo, eterno coadjuvante de filmes de ação, sempre presente em filmes de Rodriguez, ganhou (acho que pela primeira vez na carreira) um papel principal. Claro que ele é um ator limitado. Mas ele é o Machete perfeito: brutamontes, de poucas palavras, bom de briga e ótimo com uma faca na mão!

Quem estava no trailer original voltou, claro: Jeff Fahey e Cheech Marin, este último presente em vários filmes de Rodriguez, e que aqui lembra seus tempos de Cheech e Chong com seus charutos de maconha.

No time das meninas, temos Jessica Alba, Lindsay Lohan e Michelle Rodriguez. Jessica está o de sempre, bonitinha, mas nada demais – e sua cena de quase nudez é falsa, ela estava vestida e a roupa foi apagada por cgi. Lindsay tem algumas falas espirituosas, que lembram seu conturbado momento atual de vida (problemas ligados a drogas) – e sua nudez também deve ser fake. Michelle faz bem o papel da latina mal-humorada (que ela faz sempre), mas a partir de um momento do filme, seu papel ganha um bom “upgrade” na esquisitice. E vou prestar atenção em Alicia Rachel Marek, a ruiva que faz a mãe da Lilo…

O filme traz ainda alguns “nomes que não estariam numa produção assim”. Robert De Niro está ótimo como o político preconceituoso; Steven Seagal, gordo, também manda bem como o traficante mexicano; só não gostei muito de Don Johnson (sim, ele mesmo, da série Miami Vice), que está quase o filme inteiro debaixo de chapéu e óculos, quase não vemos o seu rosto – aquele papel poderia ter sido feito por qualquer um.

(Acho que o Tarantino aparece não creditado, numa breve ponta. Na cena final, logo antes do confronto, tem um cowboy alto e desengonçado que é a cara dele!)

Machete não tem as falhas propositais que acompanham os dois Grindhouse. Mas manteve o delicioso clima de filme B. É um filme bem feito, mas com cara de vagabundo. E, seguindo essa onda meio trash, os efeitos especiais são excelentes. Tudo exagerado. Exageradamente divertido.

E, pra completar, a trilha sonora é muito boa. O tema principal sozinho já vale a compra do cd!

Enfim, diversão garantida! Recomendo fortemente!

Ah, sim, quem quiser ver o trailer original, está aqui (o trailer “oficial” é este). Acho que Machete está fazendo bonito nas bilheterias, então, é capaz de vermos em breve outro filme baseado nos trailers fakes…

Rubber

Rubber

Uma das sinopses do Festival chamou a minha atenção, um filme sobre “um pneu telepático em missão demoníaca”. Caramba, este é daqueles filmes que a gente PRECISA ver! 😛

A história é essa aí. Num deserto, um grupo de pessoas ganha binóculos para ver um “filme” – de longe, eles acompanham a saga do pneu que, sem nenhuma razão aparente, ganha vida e sai por aí como um serial killer.

Este “sem razão” é uma das ideias geniais que o filme escrito e dirigido por Quentin Dupieux traz. No início, rola uma introdução onde um personagem nos explica que em todos os filmes acontecem uma série de coisas “sem razão”. Por que o ET é marrom? “No reason”, ele explica. Por que não aparece ninguém indo ao banheiro em O Massacre da Serra Elétrica? “No reason”. Por que JFK é assassinado em JFK? “No reason”…

Ao longo do filme acontecem várias coisas “no reason”…

A história não faz o menor sentido! Mas não é um filme cabeça sem sentido, o tom é puxado pro nonsense – algumas cenas lembram os clássicos Zucker-Abrahams-Zucker (Apertem os Cintos O Piloto Sumiu, Top Secret). Alguns momentos são geniais, mas outros são bobos. Pena, há tempos que não aparece um bom nonsense por aí…

Outra coisa que rola no filme inteiro é a metalinguagem. Existe uma audiência assistindo o que está acontecendo, o roteiro explora bem esta situação.

Ah, os efeitos especiais… Ok, fazer um pneu andar não pede lá muitos cgis complicados. Mas poderia ser bem mais tosco, lembro que em Ataque dos Tomates Assassinos a gente vê defeitos técnicos algumas vezes. Mas aqui não, os efeitos do pneu são simples e eficientes. E ainda tem o gore, porque o nosso querido personagem de borracha gosta de explodir cabeças de quem passar pela frente. A quantidade de sangue na tela é boa!

Claro, alguns vão achar o filme ruim porque não é sério. HELLO! O filme fala de um PNEU SERIAL KILLER!!! Claro que não é sério!

Dispa-se dos preconceitos e divirta-se, porque Rubber é engraçado!

The Killer Inside Me

The Killer Inside Me

Lou Ford (Casey Affleck) é o xerife de uma pequena cidade do Texas, e tem um enorme carisma e goza da simpatia de todos à sua volta. Porém, por trás dessa aparência tranquila e segura, reside uma personalidade perigosamente instável e violenta.

Além de ser um filme demasiado lento, The Killer Inside Me tem outro problema: o seu protagonista. Não li o livro homônimo de Jim Thompson onde o filme se baseou, não sei como era o Lou Ford original. Mas o de Casey Affleck não empolga.

E Affleck não é o único sub aproveitado no elenco. Kate Hudson está apagada, nem parece a mesma de filmes como Quase Famosos e A Chave Mestra. Jessica Alba está ok, mas, convenhamos, ela fez alguns filmes legais (Sin City, Machete), mas nunca foi mais do que um rosto bonito…

(O elenco traz outros bons nomes, como Elias Koteas, Bill Pullman Simon Baker e Ned Beatty. Mas todos também com atuações burocráticas.)

A violência presente no filme causou uma certa polêmica, mas acho que foi por mostrar com crueza cenas de mulheres apanhando. Afinal, o cinema hoje em dia mostra coisa bem pior.

O diretor é Michel Winterbottom, que já fez filmes convencionais como A Festa Nunca Termina, mas também polêmicos como o quase pornô 9 Songs. Este The Killer Inside Me, apesar da violência, está entre os convencionais.

Enfim, não é ruim, mas tem coisa melhor por aí.

Bom Apetite

Bom Apetite

Ver filmes no Festival pode ser uma grande loteria. Às vezes o filme é tão novo que temos pouca informação sobre o mesmo.

Quando saiu a lista de filmes, fui ao imdb procurar informações sobre vários títulos desconhecidos. Achei um filme espanhol escrito por Paco Cabezas, roteirista de Spanish Movie e Sexykiller – Morirás por Ella – duas comédias meio nonsense com toques de humor negro. Resolvi então ver este filme, Bom Apetite, achando que era uma comédia no mesmo estilo.

E quebrei a cara… Bom Apetite é um drama, caretão, convencional ao extremo… Pelo menos o filme não é ruim…

O cozinheiro espanhol Daniel vai trabalhar num chique restaurante em Zurique, na Suíça. Lá, ele fica amigo de Hugo, chef italiano, e Hannah, sommelier alemã, enquanto vira o protegido de Thomas, o dono do restaurante.

O filme do diretor David Pinillos usa belíssimas paisagens europeias para mostrar esta história de amor internacional. Ok, nada demais, mas uma história humana e bem escrita, com tudo no lugar certo.

Não conhecia nenhum dos atores. Unax Ugalde (Daniel), Nora Tschirner (Hannah) e Giulio Berruti (Hugo) fazem um bom trabalho.

Agora tenho um comentário que não tem nada a ver com cinema. O restaurante onde se passa boa parte do filme tem cara de ser caro. Mas os pratos apresentados são tão pequenos! Será que gente rica não gosta de comer?

Se Bom Apetite não traz nada de novidade, pelo menos é um romance emocionante e bem feito. Se passar nos cinemas, é uma boa opção para ver com a patroa.