Lost S06E17-18 – The End

Lost S06E17-18 – The End

E acabou Lost, talvez a série mais badalada de todos os tempos… Vou falar do fim, então, claro que falarei spoilers, ok?

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

O fim teve méritos e defeitos. Começarei pelo que rolou de bom.

Até a quinta temporada, a narrativa de Lost era entrecortada por flashbacks e flashforwards onde conhecíamos mais sobre os personagens. Na sexta, a estrutura mudou, em vez de alterações na linha temporal, passamos a ter uma realidade paralela, onde o avião não teria caído e todos estavam seguindo suas vidas normalmente.

O capítulo final de Lost explicou esta realidade paralela. Na verdade, este é um momento pós morte, atemporal, onde quem já morreu mas ainda não sabe se vê numa situação melhor do que estava antes. Ou seja, enquanto o tempo corria normalmente na ilha, a realidade paralela mostrava uma espécie de purgatório.

Olhando sob este ângulo, o fim foi coerente e muito legal. Foi emocionante ver os personagens se reencontrando na igreja, na cena final. Ok, ficou com cara de final de novela das 8, mas, admito, foi emocionante.

Mas…

Se por um lado foi emocionante vermos todos juntos no fim, por outro lado foi muito frustrante não vermos os mistérios explicados.

Caramba! Os criadores de Lost passaram seis anos nos apresentando a um mistério atrás do outro, e agora, no fim, resolvem não explicar nada??? Pra que as referências egípcias, os números, a iniciativa Dharma, os Outros, Jacob, o Monstro de Fumaça, pra que, se no fim tudo isso vai ser deixado de lado?

E tem outro detalhe: alguns dos personagens foram ignorados no grande final novelístico. Cadê o Michael e o Walt? Cadê o Richard, o Lapidus e o Miles? Cadê o nosso Rodrigo Santoro? E a Eloise, que parecia ter uma grande importância na história, levou uma banana do Desmond e ficou por isso mesmo? E o Widmore, morreu daquele jeito besta mesmo?

Bem, aqui teve uma explicação, meio forçada, mas teve. Quando o Hurley libertou a Kate e o Sayid, ele falou algo como “a Ana Lucia ainda não está pronta.” Logo que rolou esta cena, pensei “é, vão usar isso como desculpa pra deixar uma galera de fora…” E não deu outra…

Ainda tem mais um problema, mas aí não é culpa dos criadores de Lost. Por ser uma história envolvendo muitos mistérios, muitos espectadores criaram soluções possíveis para o desfecho. Centenas de teorias pululam na internet há anos! E, claro, o cara que imaginou um fim diferente não vai ficar satisfeito com a solução apresentada, seja ela qual for… A saga Star Wars teve um problema parecido quando rolou o ep. III. Cada fã imaginou um fim diferente, e quase todos se decepcionaram.

Voltando a Lost, foi uma série acima da média, com muito mais altos do que baixos. Entrará para a história da tv, sem dúvida. Mas deixou escapar a chance de ser uma das melhores séries de todos os tempos ao fazer um fim capenga assim…

p.s.: Sei que tem fãs de Lost que vão ler o meu texto e tentar me mostrar coisas que não foram explicadas na série. Agradeço, mas não precisa. Sei que teve gente que gostou mesmo sem explicar, ok, respeito essas pessoas. Mas, na minha humilde opinião, não é o suficiente…

Fúria de Titãs (1981)

Fúria de Titãs (1981)

Aproveitei que a refilmagem de Fúria de Titãs estava para estrear e fiz algo ir deveria fazer sempre: revi o original antes de ir ao cinema ver a nova versão.

Neste filme que é um dos grandes épicos do cinema de aventura da década de 80, Perseus, filho de Zeus com uma humana, luta contra monstros mitológicos como a Medusa e o Kraken para salvar a princesa Andromeda.

Único filme digno de nota do diretor Desmond Davis, Fúria de Titãs teve  Ray Harryhausen como um dos produtores. Provavelmente trata-se do maior nome da história da animação stop-motion no cinema. E aqui o filme é repleto dessas fantásticas animações.

Ah, os efeitos especiais! O filme é repleto de stop-motions e chroma-keys, e os efeitos são excelentes. Hoje estamos acostumados com cgis perfeitos, então, à primeira vista, tudo parece muito tosco. Mas, se a gente parar pra ver, é muito bem feito, principalmente se a gente se lembrar do ano que foi feito (o filme foi lançado em 1981). Claro que os efeitos não enganam ninguém, mas mesmo assim o resultado é impressionante.

Graças aos bons efeitos especiais, Perseus cavalga o cavalo alado Pegasus e tem a companhia da coruja robô Bubo (se o filme fosse hoje em dia, Bubo estaria em todas as lojas de brinquedos!), e duela contra escorpiões gigantes, um cachorro de duas cabeças e também contra Calibos, um vilão meio monstro. Isso sem contar os já citados Medusa e Kraken. Resumindo: diversão garantida!

É complicado falarmos do elenco, já que se trata de um filme de quase 30 anos atrás. Harry Hamlin, o Perseus, que heu saiba não fez mais nada de vulto em sua carreira. O mesmo podemos falar da bela Judi Bowker, a Andromeda. Por outro lado, temos grandes nomes como Laurence Olivier (Zeus), Burgess Meredith (Ammon) e e Maggie Smith (Thetis) como coadjuvantes. E Ursula Andress entra muda e sai calada com a sua Aphrodite…

Este Fúria de Titãs, apesar de ter cara de “sessão da tarde” por causa de sua idade, ainda é um dos melhores filmes de aventura do século passado. E ainda serve para a s gerações mais novas: revi ao lado da minha filha de 9 anos (que recentemente viu Percy Jackson e o Ladrão de Raios no cinema) e ela se divertiu tanto quanto heu!

Bem, agora falta ver a nova versão. Em breve, aqui no blog!

Robin Hood

Robin Hood

Um novo filme do Robin Hood, dirigido por Ridley Scott? Promete! Bem, prometia…

O filme começa com o rei Ricardo Coração de Leão voltando das Cruzadas, falido, saqueando castelos no caminho. Robin é um arqueiro de seu exército que acaba preso pelo próprio rei, mas uma série de fatos acabam levando-o para Nottingham e depois para a liderança do exército inglês.

Bem, este novo Robin Hood tem dois problemas. O primeiro é que se trata do início da lenda de Robin Hood. Ou seja, vai decepcionar quase todos os desavisados que esperam encontrar a floresta de Sherwood e todo aquele papo de “roubar dos ricos para dar aos pobres”. Tudo bem que a mania de reboots está na moda em Hollywood, mas já que é assim, este filme deveria se chamar Robin Hood Begins.

E aí vem o segundo problema, este um pouco mais grave. Todos sabemos que a expectativa de vida na Idade Média era baixa. Um homem de 40 anos já era um senhor! E aí vemos Russell Crowe, que acabou de completar 46 anos, como um Robin Hood “em início de carreira”. Olha, até que Crowe não está mal como Robin, mas deveria ter uns 15 anos a menos! Aparentemente Ridley Scott quis repetir a parceria que deu certo em Gladiador (2000) e em quatro outros filmes, mas se esqueceu que os anos se passaram…

Como falei, Crowe está bem, mas um pouco velho. Isso refletiu em seu par. Cate Blanchett está ótima (como sempre) como Marion. Mas, com 41 anos, acho que é a primeira Marion balzaquiana da história!

O resto do elenco é interessante e foi bem escolhido. Max Von Sydow também está ótimo, e o mesmo falo de um quase irreconhecível William Hurt, cabeludo e barbudo. Oscar Isaac surpreende como o explosivo príncipe John, e Mark Strong, pela terceira vez no ano, faz um vilão consistente (ele fez o mesmo em Sherlock Holmes e Kick-Ass). Ainda no elenco, Scott Grimes, Allan A’Dayle, Kevin Durand, Mark Addy e Danny Huston.

Mas o que sobra no elenco falta no roteiro. Não só não vemos Robin Hood como gostaríamos, como ainda temos vários momentos forçados. Ora, em toda a Inglaterra, Robin foi parar justo na casa da única pessoa que conhece a sua infância? Frei Tuck sabia lutar na frente de batalha? E isso faz certas coisas perderem a credibilidade, como aquele desembarque que parece o dia D na Normandia na Segunda Guerra Mundial!

Pelo menos o filme é tecnicamente bem feito, o que era de se esperar, já que estamos falando de uma superprodução hollywoodiana dirigida por Ridley Scott. É só a gente ignorar o que conhece sobre Robin Hood e não dar bola pra detalhes de roteiro…

Duplicidade

Duplicidade

Sabe aqueles filmes onde nada é exatamente o que parece ser?

Ray Koval (Clive Owen) e Claire Stenwick (Julia Roberts) são ex agentes secretos que hoje trabalham com espionagem industrial. Envolvidos em uma grande disputa entre duas gigantes da área de cosméticos, eles resolvem tentar um golpe.

O início de Duplicidade é um pouco confuso. E, conforme o filme avança, tudo fica ainda mais confuso. Mas a boa notícia é que as pontas soltas são resolvidas no fim do filme. Méritos para o inteligente roteiro escrito por Tony Gilroy, também diretor do filme.

O elenco conta com a boa química entre o casal principal, que repete aqui a parceria de Closer – Perto Demais. Owen e Roberts estão ótimos como o casal instável e sempre desconfiado entre si. Além dos dois, ainda temos Paul Giamatti e Tom Wilkinson, como os executivos rivais.

Bom roteiro, bons atores, belas locações e uma trilha sonora interessante fazem de Duplicidade uma boa opção.

Aventureiros do Bairro Proibido

Aventureiros do Bairro Proibido

Jack Burton (Kurt Russell) é um caminhoneiro tipicamente americano, que se vê envolvido com uma milenar batalha sobrenatural entre o bem e o mal no bairro chinês.

Dirigido por John Carpenter em 1986, Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China no original) é um filme vagabundo, com cara de filme vagabundo. E mesmo assim, divertidíssimo!

John Carpenter é um nome normalmente ligado a filmes de terror e suspense – afinal, o cara dirigiu clássicos como Halloween (o primeiro!), O Enigma de Outro Mundo e Eles Vivem. Mas ele tem outra característica, ainda mais presente em sua obra: seus filmes sempre têm clima de filme B. Por isso, ele era o cara certo pra este projeto.

O filme é muito trash. Se a gente levar a sério, o roteiro tem um monte de falhas e situações forçadas. E Kurt Russell é perfeito para protagonizar um anti herói como o protagonista de Aventureiros do Bairro Proibido. Russell tem um jeito marrento, meio canastrão, que é a cara de Jack Burton.

Aliás, falando em Kurt Russell… Você já ouviu a expressão “ator assinatura”? Alguns diretores revelam uma certa preferência por um determinado ator. Assim como Tim Burton e Johnny Depp já fizeram sete filmes juntos, John Carpenter e Kurt Russell têm uma parceria de cinco filmes até agora!

No resto do elenco, só um rosto conhecido: Kim Cattrall, hoje famosa como uma das mulheres de Sex And The City, mas que na época ainda fazia filmes de qualidade duvidosa como Porky’s e Loucademia de Polícia

Além das atuações exageradas e das forçações de barra no roteiro, Aventureiros do Bairro Proibido ainda traz cenários com cara de parque de diversões de beira de estrada (o templo na parte final do filme tem neon em volta do ídolo e uma escada rolante – sim, isso mesmo, uma escada rolante!). Somam-se a isso efeitos especiais que já nos anos 80 pareciam fracos e personagens coadjuvantes completamente caricatos.

E, apesar disso tudo, sou muito fã deste filme! Diversão garantida!

Kick-Ass

Kick-Ass

Kick-Ass é uma das melhores surpresas da temporada!

Dave Lizewski (Aaron Johnson) é um garoto meio nerd, fã de quadrinhos e com poucos amigos. Até que resolve virar um super-heroi – mesmo sem ter super poderes.

Falei que é uma surpresa, porque heu esperava uma comédia na linha do fraco besteirol Super-Herói: O Filme. Que nada, Kick-Ass é um excelente filme de ação, com boas doses de humor (negro) e a quantidade exata de drama. Ou seja: um filme simples, mas com tudo “no lugar”.

Kick-Ass é baseado nos quadrinhos homônimos. Nunca li, não tenho ideia se o filme é fiel aos quadrinhos. Mas o roteiro, escrito por Mathew Vaughn (também diretor) e Jane Goldman, é muito bem escrito, e brinca o tempo todo com clichês de super-herois conhecidos.

O quase desconhecido Aaron Johnson está perfeito no papel principal, o adolescente nerd que quer virar super-heroi, mas mesmo assim nunca consegue deixar de ser nerd. Mas o elenco traz outros dois nomes dignos de nota. Um é a pequena Chloe Moretz, de apenas 13 anos (mas atriz desde os sete), que manda muito bem como a Hit-Girl. Ela é convincente tanto nos momentos dramáticos quanto nos momentos de pancadaria! E o outro nome é Christopher Mintz-Plasse, que estava ótimo mas um pouco exagerado como o McLovin de Superbad, e que aqui encontrou o tom exato (mais sobre seu papel não posso falar sem spoilers!).

Ainda tem espaço para um nome “de ponta”, Nicolas Cage, num papel menor porém importantíssimo. Mark Strong, vilão do novo Sherlock Holmes, aqui também faz um eficiente antagonista. Lyndsy Fonseca é apenas um rostinho bonitinho que funciona – mas o que achei mais curioso é lembrar que há cinco anos ela está em quase todos os episódios de How I Met Your Mother, como a filha do protagonista / narrador. E, last but not least, papéis pequenos para dois rostos femininos conhecidos nos anos 80: Elisabeth McGovern e Yancy Butler.

E a parte técnica? O filme parece ser uma produção menor, mas traz efeitos especiais excelentes. As cenas de ação são de tirar o fôlego – algumas delas dão vontade de voltar para ver de novo, como a cena onde Big Daddy ataca o galpão de Frank D’Amico. E ainda aparecem alguns artifícios na edição do filme para parecer que estamos lendo quadrinhos – isso sem contar todo um trecho em quadrinhos mesmo, contando o passado de Big Daddy.

Vejam só que coisa curiosa é o mercado cinematográfico. Homem de Ferro 2 estreou aqui no Brasil uma semana antes da estreia americana. Já este Kick-Ass tem estreia nacional prevista para 11 de junho, mas já existe para download o release R5 dele…

Enfim, ainda é maio, mas arrisco dizer que estamos diante de um dos melhores filmes do ano!

Um Homem Sério

Um Homem Sério

Opa! Filme novo dos irmãos Coen! Já? É, parece que eles entraram num ritmo “woodyalleniano” de um filme por ano… Mas, diferente dos últimos, Um Homem Sério não é bom. Infelizmente!

Neste drama de humor negro, tudo na vida de Larry Gopnik parece que está indo errado. Problemas no trabalho, sua esposa quer o divórcio, seu irmão problemático está morando no seu sofá, ele está sem dinheiro e ainda tem problemas com a religião.

Fico me imaginando o que diabos aconteceu com os irmãos Coen. Os caras sempre fizeram filmes bons. Em 2007, foram reconhecidos pela academia com Oscars de melhor roteiro, melhor filme e melhor direção para Onde Os Fracos Não Têm Vez. No ano seguinte, fizeram o leve e divertidíssimo Queime Depois de Ler. E agora, em 2009, veio este Um Homem Sério. Parte da crítica até gostou. Mas heu não – pra mim, foi uma das maiores decepções dos últimos tempos.

Sabe quando acaba um filme e você não sabe exatamente o que viu? Pois isso acontece com Um Homem Sério. Pra começar, rola um prólogo, em outra língua (acho que é hebraico), em outro formato de tela, e com uma historinha que nada tem a ver com o filme em si.

Aí rola o filme. Acompanhamos aquela família judia de losers, e o desenvolvimento em si nem é ruim. Mas ficamos esperando para ver onde aquela trama nos levará.

Falei que o filme tem uma introdução sem sentido, né? Pois bem, o fim do filme é ainda pior. Acaba do nada, assim, de repente. Se não viessem os créditos, heu ia achar que estava faltando um dos rolos do filme. E ainda esperei acabarem os créditos, pra ver se tinha alguma conclusão depois. Nada…

No elenco, diferente do habitual nos filmes dos irmãos Coen, quando vemos vários rostos conhecidos, praticamente só temos atores obscuros: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Aaron Wolff, Fred Melamed, Sari Lennick, Jessica McManus, Peter Breitmayer, Amy Landecker, David Kang, Adam Arkin. Os atores estão bem, mas senti falta de personagens bizarros e esquistões – uma das especialidades dos irmãos roteiristas/diretores. Ah, para os fãs da série The Big Bang Theory, Simon Helberg, o Wolowitz, faz um pequeno papel como um rabino júnior.

Até acredito que exista algo de interessante que não reparei no filme. Aliás, o filme está bem cotado no imdb, está com nota 7.3, e tem gente dizendo que é pouco. Olha, discordo dessas pessoas. Não consegui ver nada disso. Pra mim, trata-se do pior filme dos irmãos Coen. De longe!

Joel e Ethan Coen têm uma boa reputação, fizeram vários bons filmes, acumulam prêmios na carreira. Não acredito que este filme os queimará. Mas heu não faria a mesma afirmação se estivéssemos falando de alguém em início de carreira.

Tudo Pode Dar Certo

Tudo Pode Dar Certo

Boris Yellnikoff (Larry David) é um velho novaiorquino muito inteligente, mas ranzinza, mal humorado e que adora fazer comentários politicamente incorretos. Até que, por uma coincidência, aparece na sua vida a jovem Melody (Evan Rachel Wood), uma garota meio burrinha do interior.

Pra quem não sabe, este é o novo filme escrito e dirigido por Woody Allen, em cartaz nos cinemas cariocas!

Anos atrás, acompanhei umas duas temporadas da série Segura a Onda (Curb Your Enthusiasm). Eram esquetes curtas, filmadas em vídeo, com cara de reality show, mostrando o dia a dia de Larry David, um dos criadores de Seinfeld (uma das mais bem sucedidas séries da história da tv). O formato da série era sempre o mesmo: David criando confusões e se metendo em situações constrangedoras e desconfortáveis.

Larry David não é grandes coisas como ator, mas faz um Boris Yellnikoff perfeito. O que é curioso é que o roteiro de Tudo Pode Dar Certo (Wathever Works no original) não foi escrito para David. Woody Allen escreveu este roteiro décadas atrás, pensando em Zero Mostel (o Max Bialystock do primeiro Primavera Para Hitler). Quando Mostel morreu, em 1977, Allen guardou o roteiro e aparentemente se esqueceu dele…

Se lembram da crítica que fiz à diferença de idades entre os pares românticos nos filmes de Allen? Cheguei a citar no Top 10 de piores casais. Mas aqui o casal me convenceu, apesar da diferença de 40 anos entre Larry David e Evan Rachel Wood. O modo como eles se conhecem e como todo o relacionamento se desenvolve, desta vez não pareceu forçado.

Como acontece em vários filmes de Woody Allen, a história é simples, o que tem de legal aqui são personagens bem construídos e diálogos bem escritos. Temos algumas situações bem interessantes, gostei dos destinos que os pais de Melody tiveram.

Desta vez, o elenco não é recheado de estrelas, como acontecia anos atrás. Além de David e Wood, temos Patricia Clarckson, Ed Begley Jr., Henry Cavill, Michael McKean, Conleth Hill e Jessica Hecht. Ninguém se destaca, tampouco ninguém atrapalha.

O roteiro traz algumas ideias legais, como a quebra da “quarta parede” por Boris (No cinema, teatro e tv, costuma-se chamar a tela de quarta parede. Se um personagem fala com o público, ele está quebrando esta parede.). O legal é que ele fala com o público, mas os outros personagens não sabem o que ele está fazendo…

Leve e divertido, Tudo Pode Dar Certo é uma boa opção, se a sessão do blockbuster estiver lotada.

A Hora do Pesadelo (2010)

A Hora do Pesadelo

Freddy Kruger, um dos melhores vilões do cinema dos anos 80, está de volta, e agora “sob nova direção”!

Trata-se da refilmagem do primeiro filme da famosa franquia. Só que, desta vez, Wes Craven, criador de Kruger e diretor de dois dos filmes da franquia, não teve nada a ver com isso. Aliás, ele declarou que nem queria saber da refilmagem…

Também temos uma ausência ainda mais marcante: Robert Englund, o próprio Freddy Kruger. Englund interpretou o vilão em todos os filmes da série, no “crossover” Freddy vs Jason e ainda na série de tv que rolou em 1998.

A história todos conhecem, né? Jovens começam a ter o mesmo pesadelo, onde são perseguidos e ameaçados por um cara queimado que usa uma luva com uma faca em cada dedo. Mas o detalhe é que, se a pessoa morre no sonho, o mesmo acontece na vida real.

Preciso confessar que sempre fui um grande fã do Freddy Kruger. Diferente de vilões-estrelas de slashers como Michael Myers (Halloween) ou Jason Vorhees (Sexta Feira 13), que simplesmente são mortos-vivos que saem matando os outros e nunca morrem, Freddy Kruger me parece mais legal. Ele é meio um fantasma, ele está dentro dos sonhos. E, dentro dos sonhos, ele faz o que quiser. Mas se a pessoa estiver acordada, ele não pode agir.

Dirigido pelo especialista em videoclipes Samuel Bayer, o novo A Hora do Pesadelo tem virtudes e defeitos. Um dos acertos deste novo filme é o uso comedido de cgi. O fato da trama falar de sonhos e ambientes oníricos poderia resultar num uso excessivo de efeitos de computador. Mas não, felizmente eles se atrelaram à história original, que funcionava perfeitamente com efeitos especiais “analógicos”.

A trama não traz novidades, afinal, trata-se de uma refilmagem de uma história que todo mundo conhece, e todos nós sabemos que se a bilheteria for boa, teremos continuações. Mesmo assim, o roteiro é bem escrito e traz alguns sustos interessantes em momentos pouco óbvios.

No elenco, só um nome chama atenção, justamente o novo Freddy E faz-se necessária uma comparação entre os dois Freddys. Admiro muito Jackie Earle Haley, mas acho que foi uma escolha ruim. O cara é bom ator, foi indicado ao Oscar por Pecados Íntimos, fez um excelente trabalho como o Roschach em Watchmen, esteve num papel chave no último Scorsese, Ilha do Medo… Mas não precisa de tudo isso pra ser Freddy Kruger. Robert Englund é o oposto disso, um ator fraco e caricato. Mas é “o” Freddy Kruger… Faltou ao novo Freddy um pouco mais de ironia e sarcasmo nas piadinhas constantes.

No fim, fica a pergunta: vale a pena? Olha, achei este filme mais fraco que o original. Mas preciso admitir que é melhor que a maior parte das continuações!

p.s.: Tive show ontem, e fui dormir muito tarde. E tive que acordar muito cedo hoje pra ir trabalhar. Dormi umas três horas só. Aí, a vida imitou a arte: heu estava cheio de sono, vendo um filme onde os personagens estavam cheios de sono! 😛

A Colheita do Mal

A Colheita do Mal

Katherine Winter (Hillary Swank) é uma famosa pesquisadora especializada em desmascarar supostos milagres. Ela é contratada para investigar um estranho fenômeno que está ocorrendo numa cidadezinha no interior da Louisiana, onde as águas de um rio estão vermelhas como sangue. A cidade acha que esta pode ser a primeira de dez pragas repetindo as pragas bíblicas que castigaram o Antigo Egito.

Dirigido em 2006 por Stephen Hopkins, A Colheita do Mal (The Reaping no original) tem uma boa premissa: uma reedição das pragas bíblicas nos dias de hoje, acompanhadas por uma pessoa que balança entre a fé e a ciência. Pena que ficou só na boa ideia – o filme em si não é lá grandes coisas…

O filme não é de todo ruim. O problema é que às vezes parece que perderam a mão. Um bom exemplo são os efeitos especiais. Uma das cenas, a da praga dos gafanhotos, é impressionantemente bem feita. Mas, por outro lado, os efeitos na cena final são exagerados e desnecessários.

Uma coisa curiosa em A Colheita do Mal é a escolha de sua protagonista, Hilary Swank, dona de dois Oscars de melhor atriz (por Meninos não Choram e Menina de Ouro). Este projeto veio pouco depois da segunda premiação, e não me parece um estilo de filme coerente com um ator tão laureado (se bem que Swank esteve no elenco de O Núcleo – Missão ao Centro da Terra entre os dois prêmios…). Além de Swank, o elenco conta com AnnaSophia Robb, Stephen Rea, David Morrissey e Idris Elba. E, para os fãs de filmes de terror dos anos 80, o xerife é interpretado por William Ragsdale, o ator principal de A Hora do Espanto.

O roteiro poderia ter usado as locações na Louisiana como um trunfo, como fizeram em filmes como Coração Satânico e A Chave Mestra. Mas, não, nem isso foi aproveitado. Esta história poderia ter sido contada em qualquer lugar…

No fim, temos um filme médio, com efeitos especiais atrapalhando uma grande atriz, num roteiro um pouco confuso, mas que traz algumas reviravoltas interessantes.