O Livro de Eli

O Livro de Eli

Num mundo devastado pela guerra, o solitário Eli (Denzel Washington) atravessa o país carregando um livro. Ao chegar num vilarejo dominado pelo malvado Carnegie (Gary Oldman), este primeiro oferece abrigo, depois tenta roubar o livro. Mas Eli parece ser protegido por forças inexplicáveis, e foge. Carnegie então manda sua gangue atrás dele.

O Livro de Eli (The Book Of Eli no original) é um dos novos filmes pós apocalípticos em cartaz. Deve estar na moda, já que estreou há pouco A Estrada, e não faz muito tempo tivemos Eu Sou A Lenda.

O clima do filme dirigido pelos irmãos Albert e Allen Hughes (Do Inferno) é bem interessante, o mesmo pode-se dizer da bela fotografia com poucas cores. Mas, sabe qual é o problema aqui? É difícil de “engolir” o roteiro.

Eli é quase um super herói. Ele sozinho bate em vários. Mais: aparentemente ele desvia de balas. Mas até aí tudo bem – apesar de Denzel Washington já estar com 56 anos. O pior de tudo acontece com um detalhe que só é revelado no finzinho do filme. Continuarei no parágrafo abaixo, mas, devido aos spoilers, para ler, será necessário selecionar o texto.

SPOILERS!

(No fim do filme a gente descobre que Eli era cego!!! Caramba, já seria difícil um cara fazer tudo aquilo!!! Um cego que bate sozinho em dezenas de inimigos (matando todos eles) e ainda atira em outros inimigos que estão a dezenas de metros de distância???)

Bem, se a gente relevar este “pequeno” detalhe, o filme é até divertido. Alguns lances são realmente muito bons.

Destacarei uma sequência que achei genial: toda a sequência onde Eli e Solara (Mila Kunis) encontram o casal de velhinhos. Os personagens são muito bons, a música escolhida foi completamente inesperada (e por isso mesmo, genial), e, no fim, no meio do tiroteio, rola um longo plano-sequência, daqueles sem cortes, com a câmera pesseando, entrando e saindo da casa. Sensacional!

No elenco, Washington e Oldman, como sempre, estão ótimos. Kunis não atrapalha. Além deles, Jennifer Beals, Ray Stevenson, Michael Gambon, Tom Waits e uma ponta de Malcolm McDowell.

Enfim, se você é daqueles que consegue se desligar de “detalhes” como o que está no parágrafo so spoiler, pode se divertir. Senão, pule para outro. Em breve verei A Estrada, vamos ver se é melhor ou pior…

A Rosa

A Rosa

Já falei aqui no blog que gosto de filmes com bandas de rock, né? E também curto rock dos anos 70. Por isso, precisava ver A Rosa.

A temperamental e explosiva Mary Rose Foster é uma cantora famosa, com problemas com álcool e drogas. Ela quer tirar férias, mas seu empresário não deixa, alegando compromissos profissionais, incluindo um grande show em sua cidade natal.

Dirigido por Mark Rydell em 1979, A Rosa foi inspirado na vida da cantora Janis Joplin. Inclusive, inicialmente o filme se chamaria Pearl, apelido de Janis. Mas, quando Bette Midler se aproximou do projeto, ela sugeriu mudanças no roteiro. Sendo assim, o filme é inspirado, mas não traz fatos exatos da vida de Janis.

Midler não só palpitou no roteiro, como se entregou de corpo e alma ao papel. E foi recompensada por isso, foi a sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz (em 1991 ela foi novamente indicada; não ganhou nenhuma das duas vezes).

Midler não é o único nome que está bem. Outros dois nomes se destacam no elenco: Alan Bates como o empresário, e Frederic Forrest como um motorista / namorado (aliás, é curioso ver que Forrest em 1979 era a carra do Joseph Gordon-Levitt hoje em dia!). Harry Dean Stanton faz uma ponta como uma estrela country, e David Keith faz um pequeno papel como um militar que entra na entourage de Rose.

Não encontrei informações sobre a banda que acompanha Rose. Mas heu chutaria que são músicos de verdade, e não atores interpretando músicos. Nos palcos, as músicas parecem tocadas por gente que sabe o que faz!

O fato de se tratarde um filme inspirado em Janis Jopin é um certo spoiler. Infelizmente, sabemos que o fim do filme não será feliz…

Trata-se de um filme de mais de 30 de idade. O filme ficou um pouco envelhecido, mas ainda é uma boa opção para os que gostam do gênero.

Cargo

Cargo

Filme suíço de ficção científica misturado com suspense? Opa! Esse é um daqueles que a gente precisa ver!

No futuro, o planeta Terra está inabitável devido a problemas ecológicos. A mídia vende o distante planeta Rhea como a solução. A médica Laura Portmann (Anna-Katharina Schwabroh) acompanha uma missão de carga para conseguir dinheiro e ir também para Rhea. Mas existe algo de errado com esta missão…

O clima do filme dirigido por Ivan Engler e Ralph Etter é bem legal. A imensidão da nave e a sensação de “não sabemos o que estamos fazendo aqui” da primeira metade do filme lembram o clássico Alien, O Oitavo Passageiro e também o recente Pandorum.

A parte final do filme é um pouco confusa. Tive a impressão que algumas pontas ficaram mal explicadas, e, lendo comentários no imdb, vi que não fui o único. Mesmo assim, o filme vale a pena. Se você estiver no clima certo, vai curtir uma boa ficção científica.

Uma dúvida me atormenta. É uma nave espacial de carga, certo? Então, por que diabos o enorme compartimento de carga tem gravidade normal? Será que não era melhor deixar esta parte da nave sem a gravidade artificial? Mais: de onde pinga tanta água?

Infelizmente, é mais um sem previsão de lançamento por aqui. Deve aparecer em dvd, sem a divulgação correta, como aconteceu com Lunar

Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2

Tony Stark está de volta!

Nesta continuação do bom Homem de Ferro, de 2008, nosso herói Tony Stark está passando por dois problemas. Por um lado, o governo quer confiscar sua armadura; por outro, a engenhoca que salvou sua vida no primeiro filme o está envenenando e levando-o à morte. E, claro, trata-se de um filme de super herói, então existe um super vilão louco engendrando uma super vingança…

Não sou muito ligado em super heróis, nem em quadrinhos. Mas admito que o Homem de Ferro é legal. Pra começar, Tony Stark não tem super poderes, ele é um cara rico e que trabalha na indústria bélica, por isso cria uma super armadura. E Stark é egocêntrico e fanfarrão, um bad boy, gosta de festas, de mulheres, de bebida, de junk food – mais ou menos como um cara com a grana do Eike Batista e a personalidade do Renato Gaúcho. Ele é marrento, arrogante e gosta de tirar onda, a cena que ele desfia um senador em plena Casa Branca é sensacional. Outra coisa: todo mundo sabe que ele é o Homem de Ferro – acho uma grande bobagem esse papo de identidade secreta (ninguém nunca reparou que o Clark Kent sem óculos é igual ao Super Homem?).

E Robert Downey Jr é um Tony Stark perfeito, afinal, ele mesmo tem um passado de bad boy, com problemas com drogas e bebida. E Downey Jr passa por um excelente momento na carreira – não só ele é o Homem de Ferro como também o Sherlock Holmes. Não é qualquer um que consegue ser a figura principal de duas franquias simultaneamente…

O resto do elenco também foi muito bem escolhido. Gwyneth Paltrow e John Favreau (também diretor) repetem seus papéis do primeiro filme (e aqui me parece que seus personagens estão mais tempo presentes na tela). Don Cheadle herdou o papel do coronel James Rhodes, que foi de Terence Howard (e que não sei por que não está aqui). O às vezes exagerado Sam Rockwell está no tom exato com o seu incompetente fabricante de armas Justin Hammer. Samuel L. Jackson desta vez tem um papel de verdade para o seu Nick Fury (personagem que unirá vários heróis diferentes em um único filme no futuro), já que no outro filme ele só aparece na cena depois dos créditos. Mickey Rourke era um canastrão galã nos anos 80, hoje é um canastrão horroroso – é um vilão perfeito! E, last but not least, Scarlett Johansson está ruiva e usa roupas colantes enquanto bate em uns dez ao mesmo tempo – preciso dizer mais?

O filme foi dirigido por John Favreau, um ator. Justin Theroux, outro ator, escreveu o roteiro, um roteiro redondinho. As boas cenas de ação são costuradas por uma trama com humor e drama na dose certa. Aliás, diferente da maioria dos filmes de ação por aí, o humor não está presente através de um personagem engraçadinho. O alívio cômico é o próprio Tony Stark com sua fina ironia.

Se tem uma crítica que posso fazer, heu diria que a cena onde os robôs atacam a população deveria ter sido mais violenta. Se algo daquele porte acontecesse, acho que ia morrer uma boa quantidade de gente… Mas, como se trata de adaptação de quadrinhos, não vemos sangue.

Não li nada na internet sobre os excelentes efeitos especiais deste filme. Não sei o quanto tem de cgi. Mas posso dizer que os efeitos são muito bem feitos, realmente parece que as armaduras e as explosões são reais. Cgi bom é quando não parece cgi!

Enfim, uma boa opçãopara quem gosta de filmes de ação. Não vai mudar a vida de ninguém, mas vai oferecer duas horas de diversão garantida! E, claro, nos cinemas, afinal, este é um raro caso de filme que estreia no Brasil antes de estrear nos EUA (lá, só a partir de 7 de maio!).

p.s.: Ah, sim, rola a tradicional cena depois dos créditos, feita especialmente para os fãs da Marvel!

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas

Heu já estava na pilha para ver este filme há um tempo, desde que vi a minissérie para tv Alice, do SyFy. Mas tive que esperar para ver junto com a minha filha de nove anos. Afinal, o nome dela é Alice…

No filme, Alice, agora com 19 anos, foge de uma festa onde ela será proposta em casamento, e acaba caindo novamente no buraco do coelho. O problema é que ela não se lembra de nada da sua visita anterior, e seus antigos amigos tampouco têm certeza se é a “Alice certa”. E agora Alice precisa cumprir o seu destino e lutar contra a Rainha Vermelha.

Alice no País das Maravilhas é Tim Burton, né? Burton é um dos poucos cineastas com um trabalho autoral atualmente. E a história de Lewis Carroll da Alice no País das Maravilhas se encaixa perfeitamente no seu estilo viajante. O visual do filme é alucinante. Tudo, cenários, cores, personagens, props (objetos de cena), tudo é muito legal dese ver.

(Em 1989, li o livro original. É uma grande viagem lisérgica. Na época, fiquei imaginando que o único diretor capaz de transpor isso para as telas seria Terry Gilliam. Afinal, na época, Gilliam tinha acabado de fazer As Aventuras do Barão Munchausen, enquanto Burton estava envolvido no primeiro filme do Batman. Mas admito que Burton fez um bom trabalho. Será que existe em Hollywood um terceiro diretor capaz de um fato destes? Que tal uma versão mais dark por Guillermo del Toro?)

A ainda desconhecida australiana Mia Wasikowska interpreta o papel título, num filme onde poucos atores mostram a cara de verdade. Digo isso porque efeitos de maquiagem e de cgi mudaram bastante as feições de Johnny Depp e Helena Bonham Carter (atores que estão em boa parte dos filmes de Burton), e também de Anne Hathaway e Crispin Glover.  Isso porque vi a versão dublada, então nem ouvi as vozes de Stephen Fry, Michael Sheen, Alan Rickman, Timothy Spall e Christopher Lee…

Os efeitos especiais são excelentes. Alice muda de tamanho diversas vezes, animais conversam, um dos exércitos é de cartas enquanto o outro é de peças de xadrez… Os efeitos são tão detalhistas que o Valete de Crispin Glover parece um boneco e não uma pessoa!

De negativo, podemos constatar que o 3D não é lá grandes coisas. Alice no País das Maravilhas não foi filmado em 3D, o efeito foi inserido depois, dividindo o filme em camadas, então não tem profundidade. Não acho certo que o espectador pague mais caro por isso!

Para finalizar, deixo uma pergunta para quem viu o filme: Você sabe qual é semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?

Run! Bitch Run!

Run! Bitch Run!

Você conhece o “efeito Tarantino”? Quando Tarantino e Robert Rodriguez fizeram o projeto Grindhouse, com filmes com cara de vagabundos (Planeta Terror e À Prova de Morte), estava na cara que veríamos em breve alguns filmes nessa onda exploitation. Já falei aqui no blog de Black Dynamite e Bitch Slap; e hoje é dia de Run! Bitch Run!.

A trama de Run! Bitch Run! é tão simples que dá pra escrever num canhoto de talão de cheques. Duas estudantes de uma escola católica vendem bíblias de porta em porta, até que encontram uns sujeitos maus, muito maus. Aí temos primeiro uma parte do estupro e tortura, pra depois rolar a parte da vingança. Claro, com direito a muita violência e nudez gratuita! (Com uns dez minutos de filme, contei cinco cenas de nudez gratuita!)

Mas o que Run! Bitch Run! se propõe não é originalidade, e sim ser um exploitation barato. E nisso, o diretor estreante Joseph Guzman não engana ninguém. Afinal, quem resolve assistir um filme com um nome desses, já sabe o que esperar, não?

(O segundo filme de Guzman se chama Nude Nuns With Big Guns – “Freiras Peladas com Armas Grandes”! Preciso dizer mais alguma coisa?)

E, afinal, o filme presta? Bem, ninguém espera que um filme destes seja bom, né? Produção capenga, péssimos atores, roteiro fraco, edição mal feita, efeitos especiais toscos… Mas, se o espectador estiver procurando um exploitation pra se divertir, pode funcionar. Afinal, tem gente que gosta de filme trash (heu sou um deles!).

Citei lá em cima Black Dynamite e Bitch Slap, né? Bem, estes dois têm um clima de galhofa explícita, ambos são sátiras do estilo exploitation. Run Bitch Run não, esse tem um clima mais sério. Por um lado, é legal, porque lembra trashs clássicos dos anos 70, tipo Thriller – A Cruel Picture ou I Spit On Your Grave. Mas, por outro lado, não dá pra levar a sério… Prefiro o estilo escrachado dos outros!

Por fim, deixarei o comentário do cara que fez as legendas que peguei na internet: “Obrigado pela paciência, foi o pior filme que já legendei!”. Gostei da sinceridade!

Veja por sua conta e risco!

Todos Dizem Eu Te Amo

Todos Dizem Eu Te Amo

Sim, Woody Allen já fez um musical! E, apesar de ser um musical, continuou a ser um típico “filme do Woody Allen”.

Em Todos Dizem Eu Te Amo (Everyone Says I Love You no original), acompanhamos uma grande família da alta classe de Nova York. A história não importa muito, o que é legal é aqui são os vários ótimos personagens interpretados por grandes atores, em situações bem “woodyallenianas”, com direito a todas as neuroses presentes em todos os seus filmes.

Como disse antes, é um musical. Como numa grande homenagem, Allen quis fazer um musical à moda antiga, daqueles onde o ator, no meio de um diálogo, pára de falar e começa a cantar e dançar, e as pessoas em volta o acompanham numa coreografia. Mas o detalhe legal aqui é que os atores não foram escolhidos pelos seus dotes líricos! Ou seja, nem todos cantam bem…

(Aliás, rola uma história interessante sobre isso: Allen só dizia para os atores que se tratava de um musical depois deles assinarem o contrato!)

Independente de cantar bem ou não, as cenas musicais são ótimas. Algumas das coreografias são muito legais, como a do hospital, a da funerária ou a da loja de jóias (com direito a Edward Norton sapateando!). E, last but not least, o número musical com Goldie Hawn flutuando é belíssimo!

O elenco é ótimo: Alan Alda, Goldie Hawn, Woody Allen, Julia Roberts, Edward Norton, Drew Barrymore, Natasha Lyonne, Natalie Portman, Lukas Haas, Tim Roth… Tem até um Billy Crudup novinho fazendo um papel pequeno. Se posso apontar um defeito, heu diria que Woody Allen está velho demais para o seu papel. Não me entendam errado, ele está bem interpretando ele mesmo (como sempre, aliás) – só que, na época do filme, ele estava com 61 anos, o que tornou estranho ele ter filhas adolescentes e se envolver romanticamente com uma Julia Roberts então com 29 anos. Não seria melhor se ele tivesse uns 15 anos a menos?

O nome Todos Dizem Eu Te Amo foi tirado de um diálogo do filme Os Gênios da Pelota, dos Irmãos Marx, que também são homenageados com duas músicas tiradas de outros filmes (Os Quatro Batutas e Os Galhofeiros) e ainda um dos números musicais. Pena que Groucho Marx não está mais vivo para poder ver a homenagem…

Micmacs à Tire-Larigot

Micmacs à Tire-Larigot

Uêba! Filme novo do Jean-Pierre Jeunet!

Depois de sofrer um acidente que quase lhe tirou a vida (uma bala perdida se alojou dentro de sua cabeça), Bazil (Dany Boon) é “adotado” por uma excêntrica família de mendigos. Juntos, eles planejam uma vingança contra dois fabricantes de armas, um deles responsável pela bala em sua cabeça, outro pela morte de seu pai.

Sou muito fã de dois filmes franceses meio bizarros dos anos 90: Delicatessen (91) e Ladrão de Sonhos (95). Ambos foram dirigidos pela dupla Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, e ambos trazem personagens muito estranhos e um visual muito extravagante. Depois disso, Jeunet foi para Hollywood para fazer o quarto filme da franquia Alien; e, em seguida, ele realizou o seu mais famoso filme, O Fabuloso Destino de Amelie Poulan.

Amelie Poulan é muito bom, mas é muito mais “comportado”, se comparado aos primeiros filmes. Os fãs da “fase bizarra” se questionavam: “cadê o Jeunet das antigas?”

Alvíssaras! Micmacs se aproxima do estilo bizarro de seu início de carreira!

(Jeunet fez um filme entre Amelie Poulan e este Micmacs, chamado Eterno Amor. Esse não vi quando passou no cinema, mas já comprei o dvd. Falta só tempo pra assistir!)

O visual aqui é, claro, bizarro. A princípio, parece um filme de época, pelas cores meio amareladas e pelos “props” (acessórios de cena) com cara de vintage – mas o filme é contemporâneo, até o youtube é citado! E os personagens também são todos esquisitos. A troupe de mendigos é repleta de ótimos personagens: uma contorcionista, um homem-bala de canhão que esteve no Guiness, uma mulher que consegue calcular qualquer coisa só com o olhar, um inventor meio professor pardal…

No elenco, só reconheci um ator, Dominique Pinon. Coincidência ou não, Pinon esteve em TODOS os filmes de Jeunet, e também no “filme solo” de Caro, Dante 01. Além de Pinon, temos Dany Boon, André Dussollier, Nicolas Marié, Jean-Pierre Marielle, Yolande Moreau, Julie Ferrier, Omar Sy, Michel Crémadès e Marie-Julie Baup.

Micmacs não vai agradar a todos. Arrisco a dizer que vai agradar a poucos!Aliás, nem sei em que estilo ele se estaria numa locadora – acho que só cult serve. É um filme estranho, porém, leve e divertido. Heu gostei!

Infelizmente, não existe previsão de lançamento no Brasil, nem nos cinemas, nem em dvd… Viva o download!

Guerra Ao Terror

Guerra Ao Terror

No Iraque, durante a guerra, uma equipe especializada em desarmar bombas vive o dia-a-dia no limite da tensão, pois a cada esquina pode haver uma bomba, e cada habitante local é um potencial inimigo. E o sargento William James (Jeremy Renner) se sente à vontade e parece que gosta disso.

Dirigido por Kathryn Bigelow (Caçadores de Emoções, Quando Chega a Escuridão), Guerra Ao Terror é bastante eficiente ao mostrar toda esta tensão da guerra. A câmera parece documental, é nervosa, na mão o tempo todo.

O que é interessante aqui é que o filme foca nos soldados, e não na guerra. O filme não tem muita história, temos uma contagem regressiva dizendo quantos dias faltam para estes soldados voltarem para casa, e acompanhamos as suas missões. Mas o filme não é chato, cada missão é teeensa, temos várias cenas daquelas de se virar na poltrona e roer as unhas.

O elenco é curioso. O personagem principal é Jeremy Renner, um nome não muito conhecido. Talvez por isso, outros três nomes estejam no cartaz: David Morse, Ralph Fiennes e Guy Pearce. Mas, não se deixe enganar, os três têm papéis pequenos!

Aliás, falando em fatos curiosos, este é um raro exemplo de filme que foi lançado nos cinemas depois de já estar disponível em dvd nas locadoras. A distribuidora brasileira achou melhor lançar direto em dvd. Mas com o hype que aconteceu com as indicações ao Oscar 2010, voltaram atrás e o filme foi parar nas telas.

Guerra Ao Terror foi o grande ganhador do Oscar de 2010, levando seis prêmios, entre eles, melhor filme, melhor diretora e melhor roteiro. Olha, o filme é bom, mas, na minha humilde opinião, não é isso tudo. Acho que Avatar merecia mais…

Spanish Movie

Spanish Movie

Outro dia encontrei este filme pela internet. Inicialmente, pensei que era mais um daqueles filmes daquela franquia cada vez mais sem graça “alguma coisa movie” (falei deles no meu Top 10 de Filmes Ruins), que começou com Scary Movie (Todo Mundo em Pânico aqui no Brasil) e que depois foi seguido por Uma Comédia Nada Romântica (Date Movie), Deu a Louca em Hollywood (Epic Movie) e Super-Heróis – A Liga da Injustiça (Disaster Movie).

Mas aí vi o elenco do filme. Tem um monte de diretores espanhóis que admiro! Álex de la Iglesia (Crime Ferpeito), Alejandro Almenábar (Abra Los Ojos), Juan Antonio Bayona (O Orfanato), Jaume Balagueró e Paco Plaza (REC)… Bem, já que essa galera está no filme, isso já é motivo para ver “qual é”.

Mas acaba que o formato de Spanish Movie é bem parecido com a franquia americana. O filme dirigido por Javier Ruiz Caldera parodia vários filmes espanhóis recentes, como O Orfanato, Labirinto do Fauno, REC, Abra Los Ojos, Mar Adentro e Volver. Deve ter mais paródias, mas confesso que não entendo tanto assim de cinema espanhol.

E fica a dúvida: funciona? Olha, vou falar que o filme é meio bobo. Mas é bem melhor do que os similares americanos. Algumas piadas são engraçadas, e rolam algumas boas ideias, como por exemplo a cena do marido bêbado com o cenário inclinado. E a sequência que satiriza REC é hilaria!

Fora as participações especiais (ainda tem Belén Rueda repetindo seu papel de O Orfanato), o elenco não tem muitos nomes conhecidos aqui. Alexandra Jiménez, Sílvia Abril e Carlos Areces fazem um bom trabalho como o trio principal. (Ainda rola uma participação desnecessária: Leslie Nielsen repetindo o mesmo papel de sempre numa breve cena. Não precisava disso…)

Findo o filme, fiquei imaginando um “Brazilian Movie”. Com certeza teria Central do Brasil, Cidade de Deus e Tropa de Elite. Quais outros vocês acham que entrariam na sátira?