O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera

Nem só de novidades vive o festival! Se a gente procurar bem, até acha tosqueiras em outras mostras ditas “sérias”… Tem uma mostra chamada “Divas Italianas”, e uma delas é a Asia Argento, estrelando um filme do pai, o mestre do terror Dario Argento, de dez anos atrás: O Fantasma da Ópera.

A história é fiel à original, até onde sei (são tantas as versões que é difiícil saber qual é a mais “certa”). Christine (Asia Argento) é uma jovem e talentosa cantora de ópera, mas fica ofuscada sob a sombra da diva Carlotta, gorda, feia e antipática. O teatro é assombrado por um fantasma misterioso (Julian Sands), que se apaixona por Christine e quer levá-la ao estrelato – custe o que custar.

O personagem do Fantasma é muito interessante, porque é o perfeito anti-herói: age por amor, mas não deixa de ser um grande vilão. A escolha de Julian Sands foi ótima, afinal nos anos 90 ele fez um monte de tipos mezzo sedutores mezzo psicopatas, como Encaixotando Helena, Warlock e Despedida em Las Vegas. Só senti falta da máscara. Pô, a máscara do Fantasma da Ópera é muito característica! Um Fantasma de cara limpa? Como assim?

Dario Argento muitas vezes é exagerado no visual dos seus filmes, e incompreendido por causa disso. Mas aqui ele acerta a mão: temos gore na dose certa, nada parece exagerado. Às vezes, até parece um filme “normal”…

Segurando as Pontas

Segurando as Pontas

Heu até gosto de filmes “bobos”. Admito, sou um cara bobo, rio à toa, gosto de humor bobo. Comprei outro dia uma edição dupla importada com Quanto Mais Idiota Melhor 1 e 2, e se tivesse Bill & Ted no mesmo formato, mandava trazer junto. Gostei até de Cara, Cadê o meu Carro!

Mas, sei lá, acho que ontem heu não deveria estar num dia muito bem humorado… Segurando As Pontas (Pineapple Express) é um filme bobo. Mas no mau sentido…

A história é simplérrima: um maconheiro doidão testemunha um assassinato, e resolve fugir com o seu amigo traficante. O bandidão malvadão, claro, vai atrás da dupla.

Mas é tudo tão forçado, tão clichê… A policial parceira do bandidão, interpretada pela Rosie Perez, por exemplo, nunca tira o uniforme da polícia. Nem quando não precisa mais usar… E Seth Rogen, como ator principal, tampouco ajuda… A única coisa que achei curiosa no elenco foi ver James Franco, o “amigo do Homem Aranha”, como um traficante doidão boa praça.

Alguns vão pensar: “ora, mas uma comédia sobre maconheiros não precisa de seriedade”. Sim, não precisa ser sério, mas um pouco de coerência seria bem-vinda. Como um doidão largado consegue virar um assassino implacável ao enfrentar traficantes armados e perigosos?

Bem, heu achei fraquíssimo. Mas confesso que tinha um monte de gente rindo no cinema. Só que não sei se eles estavam achando realmente engraçado, ou era o efeito de alguma substância retratada no filme…

Rebobine por favor

Rebobine por favor (Be Kind Rewind)

Confesso que não vi esse no cinema. Já tinha lido sobre ele antes, e baixei da internet. Quando vi que ele estava na programação do Festival do Rio, aproveitei pra vê-lo de uma vez, pra falar dele por aqui. Ainda mais quando vemos que é o novo filme de Michel Gondry, que fez o ótimo Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças!

A idéia é muito boa: um acidente apaga todas as fitas de uma velha locadora – provavelmente um dos últimos pontos da cidade que ainda trabalha com VHS. E o funcionário da locadora e seu amigo resolvem refilmar os filmes por conta própria. Criam versões de 20 minutos, com eles mesmos nos papéis principais. E essas versões começam a fazer mais sucesso que as originais…

Sem dúvida, o melhor do filme está nas soluções criativas para estas versões. Eles conseguem refilmar Os Caça-Fantasmas, A Hora do Rush 2, Rei Leão, 2001, MIB, Robocop, entre outros. E todas as soluções criativas para recriar os elementos característicos de cada filme são geniais!

Mas o que o filme tem de melhor acaba atrapalhando. O filme em si não é tão interessante quanto os filminhos recriados. A situação criada posteriormente parece forçada, e a subtrama sobre o pianista nascido na cidade não é tão boa.

O elenco conta com bons nomes, como Mos Def, Danny Glover, Mia Farrow e Sigourney Weaver. Jack Black é que parece um pouco deslocado, parece oscilar entre a seriedade que o filme pede e a caricatura que funciona melhor nos filminhos refilmados. Mesmo assim não chega a incomodar.

Não chega a ser uma obra prima, mas vale o ingresso!

Casa Negra

Casa Negra

De uns anos pra cá, apareceram vários bons filmes de terror asiáticos. Então, um novo filme de terror coreano não é exatamente algo tão estranho assim. Com esta expectativa, fui ver Casa Negra (Geomeun Jip).

A história é simples: um agente de seguros investiga um aparente suicídio de um garoto de 7 anos, mas desconfia que o padrasto do menino está tentando um golpe. E quanto mais ele investiga, mais descobre coisas sinistras em volta da família do garoto.

O início do filme é meio lento, talvez o roteiro devesse ser enxugado – um filme desses funciona muito bem com uma hora e meia! Mas a parte final é bem interessante!

A maioria dos filmes de terror orientais atuais usa fantasmas e coisas misteriosas para causar medo. Mas esse pega uma onda que às vezes nos lembra filmes de terror italianos dos anos 80: muito sangue, muito gore, e pitadas de humor negro. Algumas cenas no fim do filme são hilárias! E não acredito que o diretor não tivesse este objetivo.

Veja antes de Hollywood refilmar!

RocknRolla

RocknRolla

Guy Ritchie está de volta!

Uma breve explicação pra quem não sabe de quem estou falando: No fim dos anos 90, surgiu um aparentemente despretensioso filme inglês chamado Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, que mostrava o submundo inglês de uma forma nunca antes vista: uma trama às vezes confusa, mas bem amarrada, com imagens ágeis, personagens cool, violência e humor. Esse era Guy Ritchie! Pouco depois ele nos apresentou Snatch, desta vez com elenco hollywoodiano (incluindo um sensacional Brad Pitt num pequeno papel). Ok, Snatch parecia uma continuação de Jogos, Trapaças, mas mesmo assim é um ótimo filme!Aí apareceu a Madonna na vida dele. Quem tem boa memória se lembra que, ao contrário da carreira musical, no cinema Madonna é bem irregular. E, quando trabalha com cônjuges, fica ainda pior – Surpresa de Shangai, o filme que ela fez com o então marido Sean Penn, é considerado um dos piores da década de 80. E Guy Ritchie resolveu fazer Destino Insólito (Swept Away) com sua recém casada esposa – e foi massacrado por público e crítica.

Agora Ritchie resolveu voltar ao que sabe fazer bem: estamos de volta ao submundo inglês!

A trama é rocambolesca: Lenny (Tom Wilkinson) é uma espécie de chefão do underground, subornando políticos, advogados e juízes e controlando vários marginais. Uri (Karl Roden), um bilionário russo ligado à máfia, resolve usar as influências de Lenny para construir em Londres, e para isso precisaria de 7 milhões para subornos. Para isso, usa a contadora Stella (Thandie Newton), que, por sua vez, chama One Two (Gerard Butler) para roubar o dinheiro. E ainda tem um quadro emprestado roubado por um rockstar “morto”. Todas estas histórias se entrelaçam, o que nos lembra os seus primeiros filmes.

Como num “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes 3”, temos muita violência e muito humor, além de cenas memoráveis, como a dança entre One Two e Stella com textos escritos na tela, ou toda a sequência do segundo assalto, com a perseguição nos trilhos. E o elenco, como sempre, está ótimo.

Acredito que o grande defeito do filme seja que ele aparentemente está incompleto: durante os créditos vemos um aviso sobre uma segunda parte, “The Real RocknRolla”. Senti falta de conclusão na história de alguns personagens…

Mesmo assim, a diversão é garantida!

O Bom, o Mau e o Bizarro

Sexta começa o Festival do Rio, data mais esperada do ano de 10 entre 10 cinéfilos cariocas!

Esse ano dei uma olhada na programação, mas não teve muita coisa de encher os olhos… Mas acho que consigo ver uns seis ou sete até o fim do Festival.

Ontem consegui ir numa sessão de imprensa, então começo aqui os meus pitacos sobre o festival:

O Bom, o Mau e o Bizarro

Em primeiro lugar, preciso falar que este filme está no lugar errado. Quando programam um filme coreano chamado O Bom, o Mau e o Bizarro na mostra Midnight Movies, heu espero ver algo no mínimo estranho. E este filme não é estranho. Srs. programadores do Festival, por favor, tratem este filme como um filme “normal”, não um “Midnight”!

Dito isso, o filme é um faroeste coreano, impressionantemente bem feito.

Na Coréia, na década de 30, um homem (o “mau”) é contratado para roubar um mapa, num trem. Só que este trem está sendo roubado por um sujeito meio trapalhão (o “bizarro”), que foge com o mapa. E um caçador de recompensas (o “bom”) começa a caçar ambos.

Os cenários estão perfeitos, as cenas no deserto são lindíssimas. Os figurinos e elementos cênicos realmente convencem como uma super produção de época. E a movimentação entre os 3 personagens principais, cada um no seu clichê, também está muito boa: temos o mocinho que acerta todos os tiros e seu revólver nunca descarrega; o bandido mau, muito mau; e um “Didi Mocó” como alívio cômico.

Mas isso não é o suficiente, às vezes parece que estamos andando sem história. E o filme é longo, acho que foram mais de duas horas! Talvez fosse melhor dar uma enxugada: se o roteiro não tem muito o que contar, façamos um filme mais curto!

Além disso, por favor, vejamos os filmes certos nas mostras certas! Não é porque um filme é coreano que ele deve entrar numa mostra de filmes “estranhos”…

Mamma Mia!

Mamma Mia!

Alguns filmes parece que são feitos para um determinado tipo de público. Este é o caso de Mamma Mia, um musical baseado nas músicas do grupo sueco Abba: se você é fã de Abba, vai adorar. Mas se não for fã…

A idéia é até interessante: várias músicas do Abba são costuradas, criando uma história: uma menina de 20 anos, às vésperas do casamento, descobre que sua mãe teve aventuras amorosas com três diferentes homens antes de engravidar. Assim, ela manda convites para os possíveis pais, para tentar descobrir qual dos três é o verdadeiro pai.

Confesso que não sou fã de Abba (só reconheci 4 músicas!), então não sei se as adaptações foram fiéis ou se as músicas foram modificadas. Mesmo assim, a história quase sempre funciona, apesar dos personagens clichês.

Quase sempre funciona, heu disse. Tem coisas mal pensadas no roteiro, como, por exemplo, a época que o filme se passa. Fala-se de internet, então não se passa há muitos anos. Mas a menina de 20 anos foi gerada na época do “flower power”. Ou seja, uma menina gerada no fim dos anos 60 ou início dos 70, com 20 anos hoje em dia – bem, as minhas contas não bateram…

Um dos pontos positivos é o cenário: o filme se passa inteiramente em ensolaradas e belíssimas ilhas gregas. E o elenco quase funciona.

Sim, heu disse quase de novo. Meryl Streep está ótima como a mãe, e além de boa atriz, também canta bem – o momento “The winner takes it all” é ótimo. Amanda Seyfried não decepciona como a filha. E os 3 candidatos a pai são interpretados por Stellan Skarsgard, Colin Firth e Pierce Brosnan. E, bem, a voz deste último não funciona tão bem assim… Talvez a escolha do elenco devesse pensar também nas vozes que iriam cantar.

Mas, apesar de tudo, o filme diverte. Podia ser um pouco mais curto (precisava de Dancing Queen duas vezes?), mas, mesmo assim, é divertido.

Hell Ride

Hell Ride

Depois de À Prova de Morte, Quentin Tarantino produziu este Hell Ride, sobre gangues de motociclistas.

O filme prometia: produção de Tarantino e nomes como Michael Madsen, Dennis Hopper, David Carradine e Vinnie Jones? São elementos suficientes para um bom filme B na linha “grindhouseana”.

Prometia. Mas o ego do diretor / roteirista / ator principal Larry Bishop não deixou sair da promessa…

O fiapo de história fala da gangue de motociclistas Victors, e seus negócios e rivais. Mas é tudo muito forçado, Larry Bishop tenta copiar o estilo de Tarantino, mas sem o talento deste. Então o que podia ser “cool” fica simplesmente chato – ou mesmo ruim.

Ok, temos violência desnecessária e nudez gratuita, o que, num filme desses, melhora bastante a situação. Mas bem que o formato final podia ser mais bem cuidado…

Tarantino, cuidado com este tipo de discípulo!

Os Desafinados

Os Desafinados

Mais um simpático filme nacional, desta vez usando a bossa nova como tema. Os Desafinados é o nome de um quarteto de bossa nova que resolve tentar a sorte em Nova York, durante os anos 60 – justo na época que os militares tomam o poder no Brasil.

O filme conta com bons atores. Rodrigo Santoro faz Joaquim, o pianista do grupo, e que acaba se envolvendo com a personagem de Claudia Abreu, uma cantora e flautista brasileira que eles conhecem em Nova York. Selton Mello faz um cineasta que acompanha o grupo, e até funciona, mas algo que está virando clichê é o modo caricato como Selton interpreta seus personagens, todos iguais… Selton é um bom ator, talvez devesse tomar cuidado com essas armadilhas…

O filme, dirigido por Walter Lima Jr, é divertido, mas peca em uma coisa: são quase duas horas e meia de filme. Algumas situações poderiam ser enxugadas, e o filme ficaria mais leve.

Mesmo assim, o filme vale, inclusive para aqueles que, como heu, não são exatamente fãs de bossa nova…

Trovão Tropical

Trovão Tropical

Ben Stiller, Jack Black e Robert Downey Jr encabeçando uma comédia de guerra? Bem, se bem equilibrados, temos elementos para uma boa diversão. E é o caso aqui: um grupo de astros hollywoodianos está fazendo um filme de guerra, quando, de repente, se vêem no meio de uma guerra real.

Ben Stiller é mais conhecido como ator, mas de vez em quando ele dirige os próprios filmes. E aqui ele acerta a mão. Com um roteiro escrito por ele mesmo e pelo também ator Justin Theroux, Stiller fez uma boa comédia politicamente incorreta e com toques de humor negro.

Os três personagens exploram bem os seus clichês: Stiller é um astro de filmes de ação de uma série decadente, também famoso por ter feito um retardado mental num dramalhão ruim; Downey Jr é um grande ator, com 5 oscars no currículo, um australiano louro de olhos azuis que fez uma cirurgia de pigmentação de pele para ficar negro para este filme; e Jack Black, bem, Jack Black faz Jack Black, já é um clihê pronto, e sempre divertido nas doses certas…

O elenco não conta apenas com os três. A melhor parte do elenco é o produtor do “filme dentro do filme”, interpretado por um tal de Tom Cruise, careca, peludo, barrigudo e soltando todos os palavrões que deve segurar quando faz papéis de “bom moço”… E ainda temos Nick Nolte e Matthew McConaughey!

Foi tomado um cuidado especial em torno do “filme dentro do filme”. Os enquadramentos acompanham vários clichês de filmes de guerra. A cena do helicóptero vendo um soldado fugindo e levando tiros de vietnamitas, por exemplo, quem não se lembrou de Platoon? Mais: antes de começar o filme, temos falsos trailers de novos filmes dos atores interpretados pelos atores…

E, pra quem gosta de humor negro, a morte do diretor é genial!