Encarnação do Demônio

Encarnação do Demônio

Alvíssaras! Zé do Caixão está de volta!

José Mojica Marins, o mais famoso cieneasta de terror brasileiro, finalmente conseguiu terminar a trilogia do coveiro Zé do Caixão, começada em 64 com À Meia Noite Levarei sua Alma e que teve continuidade em 67 com Esta Noite Encarnarei no Teu Cadaver. Agora, em 2008, mais de 40 anos depois, a saga de Josefel Zanatas em busca da mulher perfeita que gerará o seu filho tem um fim!

A saga de Josefel continua de onde parou no fim de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver. Para explicar o hiato de 40 anos, o filme começa com Josefel saindo da cadeia, onde ficou por todo esse tempo, e recomeçando a sua busca, assessorado pelo fiel corcunda Bruno e por alguns empregados / vassalos “góticos”.

O mais interessante desse filme é situar o cinema “udi-grudi” do Zé do Caixão dentro de um contexto moderno. O roteiro consegue fazer o Zé e seu jeito exagerado e histriônico encaixar perfeitamente com cenas gore de deixar produções gringas como O Albergue no chinelo! Qualquer garoto fã de filmes de terror atuais não vai se decepcionar! São várias as cenas bem feitas aqui. Os policiais sendo torturados, o banho de sangue e a descida ao inferno, o balde de baratas, os fantasmas do passado de Josefel… Por um lado, clima psicodélico dos anos 60, quando o roteiro começou a ser escrito; por outro lado, cenas gore à vontade!

E tem um detalhe que deixa o Zé do Caixão ainda mais assustador. Diferente de um zumbi ou vampiro, é um personagem que pode muito bem existir na nossa sociedade. Um cara sádico, que não respeita as leis da sociedade e tortura e mata pessoas pode ser o seu vizinho…

O elenco também tem alguns destaques, como o padre fanático interpretado por Milhem Cortaz; e Jece Valadão, em seu último papel, mostrando porque ele é o nosso cafajeste preferido!

Clássico instantâneo. Desde já um dos melhores filmes do ano!

Lost Boys 2 – The Tribe

Lost Boys 2 – The Tribe

Continuação do genial e cult Os Garotos Perdidos, de 1987, com Kiefer Sutherland e Jason Patric… Ainda mais, lançado direto em dvd… A primeira coisa que a gente pensa é: “precisa”?

Precisar não precisa. Mas sabe que não é ruim?

Os irmãos Chris (Tad Hilgenbrink) e Nicole Emerson (Autmn Reeser) se mudam para Luna Bay. O filme não deixa claro, mas sim, são os filhos de Michael e Star (Jason Patrcik e Jami Gertz), do primeiro filme. Chris é um surfista aposentado, que procura emprego de construtor de pranchas, e conhece Edgar Frog (Corey Feldman), que além disso trabalha como caçador de vampiros. E o resto da história é aquilo de sempre: os irmãos se aproximam dos vampiros e depois têm que derrtá-los…

Sim, é o mesmo Corey Feldman interpretando o mesmo Edgar Frog do primeiro filme! Às vezes o seu personagem parece meio caricato, mas, convenhamos, se você é caçador de vampiros há 20 anos, você tem motivos pra ser caricato…

Além da volta de Corey Feldman, o elenco traz outra surpresa: Shane, o líder dos vampiros é interpretado por Angus Sutherland, meio-irmão de Kiefer Sutherland, o vampirão do original… Além disso a cena inicial tem participação do mestre da maquiagem Tom Savini; e tem uma cena depois dos créditos especial pra quem é fã do primeiro filme, trazendo de volta um ator que não aparece ao longo deste filme!

Boa diversão pra quem não for muito exigente…

Wall-E

Wall-E

Apesar da criançada talvez preferir o também bom Kung Fu Panda, preferi este Wall-E. É um desenho adulto. Não, não falo de nada violento, muito menos sexual, qualquer criança pode ver sem riscos. Mas a temática do desenho é adulta, a criançada não vai achar muita graça…

Num futuro distante, aproximadamente daqui a 700 anos, a Terra está abandonada. Numa cidade vazia coberta de lixo, vemos Wall-E, um solitário robozinho trabalhando initerruptamente. Sua função é simples: compactar lixo em blocos cúbicos e empilhá-los. E, aparentemente, sua única companhia é uma barata, que fica em sua “casa”, uma espécie de garagem onde ele guarda peças de reposição e vários tipos de bugingangas que encontra no lixo.

Assim é o dia-a-dia de Wall-E, até que aparece um outro robô, desta vez um “robô fêmea”, Eva, muito mais avançada do que ele. E ele se apaixona, sentimento que aprendeu vendo um velho filme em vhs que passa em sua garagem.

O filme então se mostra um filme romântico como nos velhos tempos, onde um “adorável vagabundo” faz de tudo pela sua bela amada. Não se vê muito disso hoje em dia…

Eva veio para uma missão secreta, e quando completa sua missão, se desliga, deixando Wall-E novamente sozinho. Até que, quando Eva volta para o lugar de onde veio, Wall-E consegue ir junto, e descobrimos finalmente o que aconteceu com a humanidade.

Falei que era filme adulto, né? Nesta segunda parte, vemos uma feroz crítica à nossa sociedade de consumo. As pessoas obesas e preguiçosas e só se comunicam online e nunca se tocam! Este momento do filme parece meio Kubrickiano, e numa determinada cena, aliás, numa genial cena, vemos que é realmente uma homenagem ao cinema de Kubrick em 2001.

Em se tratando de Pixar, o mesmo estúdio que nos trouxe Monstros S.A., Procurando Nemo e Os Incríveis, nem preciso falar que a animação é de cair o queixo, né? Bem, preciso falar sim. A animação parece ser ainda mais impressionante que nos filme anteriores! Acho que nunca vi algo deste nível antes!

Este é Wall-E. Se não tiver nenhuma criança para levá-lo ao cinema, arrisque sem medo uma sessão só com adultos!

Gatão de Meia Idade

Gatão de Meia Idade

Mais um filme nacional… E mais uma decepção…

O Gatão de Meia Idade é um personagem criado pelo quadrinista Miguel Paiva, que aparece em pequenas histórias de até um quadrinho. As historinhas são legais, divertidas. Mas o filme não soube transpor para as telas o charme dos quadrinhos…

Claudio (Alexandre Borges), o Gatão de Meia Idade, é um quarentão carioca, que vive entre antigas e novas namoradas. è pai de uma adolescente, Duda; e sua ex-mulher e mãe da Duda (Julia Lemmertz) diz que vai se mudar pra Miami com o namorado milionário e levar a filha junto.

Gosto do Alexandre Borges, e gosto do Gatão nas tirinhas do jornal. Mas o problema aqui foi o roteiro. Isso é um filme! Não adianta pegar várias historinhas curtas, sem qualquer nexo entre elas, e juntá-las de qualquer maneira!

O filme fica sem ritmo e sem coerência. Pena, porque é um filme simpático…

Meu Nome É Modesty Blaise

Meu Nome É Modesty Blaise

Quem não se lembra de John Travolta no banheiro do restaurante, em Pulp Fiction, lendo uma revista em quadrinhos da Modesty Blaise? Aí, anos depois, aparece um dvd com “Quentin Tarantino apresenta Meu nome é Modesty Blaise” escrito na capa. Animador, né?

Nada. Mais uma decepção.

Em primeiro lugar, preciso falar que não conheço os quadrinhos. Então não posso julgar o quanto está fiel ou não. Mas sei que Modesty Blaise é uma espiã, uma espécie de versão feminina do agente secreto 007. Então esperamos um filme nesta linha, certo? Meio Missão Impossível, meio 007, com um toque de Lara Croft…

Nada disso. Na verdade, o filme é um grande prólogo. Modesty Blaise trabalha num cassino, que é assaltado. O líder dos bandidos passa quase o filme todo conversando com Modesty. Conhecemos o seu passado, quem é ela e como chegou onde está. E só. Ou seja, vemos um prólogo, para uma série de filmes ou de tv que aparentemente nunca virá…

Tarantino? Está como produtor executivo, só colocaram o nome dele pra vender o filme. Mais ou menos como em O Albergue.

A única coisa boa do filme é a duração, menos de uma hora e 20. Pelo menos não é longo demais. Mas, mesmo assim, pode ser sonolento. Deve agradar aos fãs de Modesty Blaise, e só.

Zombie Strippers

Zombie Strippers

Ok, um filme chamado “Zombie Strippers” não pode ser bom, concordo.

Dançarinas de um clube de strip-tease viram zumbis e atacam seus clientes. E ainda tem no elenco a atriz pornô Jenna Jameson e Robert Englund, o Freddy Kruger? A idéia, de tão tosca, poderia render um filme trash divertido. Mas não, é fraaaco…

Existem os filmes trash com algum talento por trás. Peter Jakcson, antes da fama e dos Oscars da trilogia O Senhor dos Anéis, fez dois trash maravilhosos! Sim, é tudo tosco, mas é um tosco “cool” e engraçado. E existem filmes como Zombie Strippers, que são simplesmente toscos. Não se vê nada além da nudez e do gore…

O elenco, claro, é péssimo. Todos são caricatos ao extremo. Sim, é o tom que se pede num filme desses, mas talvez esteja caricato demais. Mr Englund, volte para debaixo da maquiagem do Freddy! Por sua vez, o roteiro tenta colocar piadas políticas no meio da trama, mas é um roteiro tão fraquinho que dá até pena…

Concordo numa coisa: pelo menos temos muita nudez gratuita, violência desnecessária, cabeças explodindo, muito gore, tudo o que se espera num filme desses. A cena do pompoarismo é genial! Mas, pergunto, isso é suficiente?

Anyway. serve pra ser visto com galera, no meio da farra…

Hellboy

Hellboy

Hellboy 2 tá vindo aí, já rolam traileres bem legais, já estreou lá fora… Inclusive, dá uma coceira de ir ao torrent pra baixar! Mas não, esse filme vale esperar pra ver na tela grande!

Enquanto o 2 não vem, aproveitei pra rever o primeiro…

Este poderia ser “mais um filme baseado em quadrinhos”, e desta vez um quadrinho menos conhecido… Mas não, o projeto foi tocado pelo sempre eficiente Guillermo del Toro (que depois desse fez O Labirinto do Fauno). Gosto de diretores estrangeiros trabalhando em Hollywood: eles têm o dinheiro necessário para uma grande produção mas às vezes não caem no óbvio…

É o caso aqui. Ron Perlman faz um herói diferente: na verdade ele é uma espécie de diabo que veio de outra dimensão, ainda filhote, e cresceu escondido num laboratório do FBI, criado como filho adotivo pelo cientista que o descobriu, Trevor Broom (John Hurt).

O que é diferente do óbvio? Hellboy é politicamente incorreto! Fuma charuto, come quantidades absurdas de comida, desrespeita ordens – chega a quebrar as paredes do laboratório para ir atrás de sua amada Liz (Selma Blair)!

Boa “diversão descerebrada com um pouco de cérebro”!

Viagem ao Centro da Terra

Viagem ao Centro da Terra

Viagem ao Centro da Terra

Considerado um dos melhores discos do tecladista Rick Wakeman… Opa, “Viagem” errada! 😛

Viagem ao Centro da Terra – 3D vale como um eficiente brinquedo num parque temático. O roteiro tem furos? Sim, mas os efeitos em 3D são tão legais que a gente deixa pra lá e se diverte à beça!

Vamos à história. Em vez de filmar a história original de Julio Verne, temos uma história atual: o irmão de um geólogo, Trevor (Brendan Fraser), desaparece procurando o centro da terra, baseando-se no livro de Verne. 10 anos depois, as mesmas condições geológicas fazem Trevor ir numa viagem para tentar reecontrar o irmão.

Talvez fosse melhor criar um roteiro baseado no próprio livro, provavelmente teria menos furos. Uma mina abandonada tem uma verdadeira montanha russa dentro; quedas de centenas ou milhares de metros de altura não machucam; o celular pega no centro da Terra; a temperatura é altíssima mas não mata a flora e fauna local; enormes dinossauros sobrevivem não se sabe de que; e por aí vai, a lista pode ser grande…

Mas, se você conseguir ignorar este tipo de “detalhe” e for ao cinema pensando no fator “parque temático”, a diversão é garantida! O que falta no roteiro sobra nos ótimos efeitos especiais em 3D!

Nome Próprio

Nome Próprio

Nome Próprio

Um filme pode ao mesmo tempo ser atraente e repulsivo? Nome Próprio é assim. Por um lado temos curiosidade de acompanhar a vida da blogueira Camila; por outro, a personalidade de Camila a torna uma pessoa insuportável, e nos vemos torcendo contra ela…

Camila (Leandra Leal), a nossa “anti-heroína”, aparentemente veio de Brasília para São Paulo para ser escritora. Mas, em vez de ralar pra conseguir os seus objetivos, Camila fica trocando de namorados e expondo suas intimidades num blog. Não trabalha, dá pra qualquer um (inclusive namorado de amiga), e ainda por cima reclama o tempo todo. Arrogante, mimada e infantil. Realmente, é difícil de aturá-la…

Além disso, Camila é incoerente: diz que não escreve para ser lida. Mas então por que publica os textos num blog? Se não pra outra pessoa ler, guarde seu diário no bolso!

Pior é que se a gente pensar, conhecemos pessoas assim à nossa volta…

A interpretação de Leandra Leal é o que o filme tem de melhor. Ela está realmente impressionante: mostrando todas as fraquezas de Camila, se despindo física e psicologicamente para as lentes do diretor Murilo Salles.

Pela sua temática, é um filme atual, com essa onda de superexposição de pessoas sem nada a dizer, bem “Big Brother”. Veja o filme pela Leandra, e esqueça a Camila…