O Malvado: Horror no Natal

Crítica – O Malvado: Horror no Natal

Sinopse (imdb): Em uma pacata cidade montanhosa, Cindy tem seus pais assassinados e seu Natal roubado por uma figura verde sedenta de sangue em um traje de Papai Noel. Mas quando a criatura começa a aterrorizar a cidade, Cindy procura matar o monstro.

E se o Grinch fosse uma história de terror?

Dirigido pelo desconhecido Steven LaMorte, O Malvado: Horror no Natal (The Mean One, no original) tem um pé fortemente fincado no trash. Muita coisa não tem muita lógica – como por exemplo a cidade passar 20 anos sem nenhuma visita de forasteiros com espírito natalino. Mas, no clima certo, o espectador pode se divertir.

A proposta aqui é: num flashback, Cindy, a menina da história original, encontra e abraça o Grinch. Sua mãe, assustada, o ataca, mas acaba tropeçando e morrendo na queda. Cindy fica traumatizada e se muda da cidade. Anos depois ela volta decidida e dar um encerramento para essa história e seguir em frente, mas acaba reencontrando o monstro. E, claro, ninguém na cidade dá ouvidos a ela.

Falei que tem um pé no trash porque todo o clima do filme é na galhofa. Nenhuma aparição do Grinch vai causar medo, e as mortes geram mais gargalhadas do que repulsa. É terror, mas vai gerar mais risadas do que assustar.

O Malvado: Horror no Natal mostra muitas mortes, e a maior parte usa efeitos de maquiagem e props. Mas, em pelo menos três momentos, temos sangue em cgi (duas vezes por causa de tiros, uma vez quando uma pessoa é triturada num moedor de carne). Ficou muito claro que um efeito prático tosco funciona muito melhor que um cgi tosco! Ainda nesse assunto, a maquiagem do Grinch é bem feita.

Pra quem não sabe, o Grinch é um personagem criado pelo Dr. Seuss. Ao longo do filme rolam algumas referências, como um cartaz escrito “Horton” ou um personagem que se chama “Zeus”, mas fala que chamam ele de “Doctor”. Outra coisa legal é ter uma narração em off em rimas, como acontece na história original.

O Malvado: Horror no Natal não é bom. Mas, como falei, pode agradar se você estiver com amigos que entrarem no espírito da galhofa.

O Silêncio da Vingança

Crítica – O Silêncio da Vingança

Sinopse (imdb): Um pai enlutado realiza sua tão esperada vingança contra uma gangue implacável na véspera de Natal.

Filme novo do John Woo!

Lembro de quando estava procurando possíveis títulos para a minha lista de expectativas não óbvias pra 2023, mencionei este O Silêncio da Vingança (Silent Night, no original) mesmo sem ter a certeza se ele ia estrear. Foi uma boa surpresa ver que entrou em cartaz no circuito (apesar da outra surpresa, negativa, de não ter tido sessão de imprensa).

A proposta era ousada: um longa metragem de ação sem diálogos. Não é um filme mudo, tem efeitos sonoros, trilha sonora, uma frase dita aqui e outra ali, mas, zero diálogos.

A princípio a gente acha que vai ser o formato clichê de sempre: o cara sofre uma perda, passa por uma fase de treinamento e vai enfrentar os adversários. Mas o roteiro espertamente coloca falhas no plano do protagonista. Ele treinou meses para o confronto, mas está enfrentando oponentes que estão nessa vida há muito mais tempo. Ou seja, nem tudo funciona e ele descobre que é bem mais difícil do que esperava. Prefiro assim do que filmes onde o protagonista quase ganha super poderes.

A proposta de não ter diálogos trouxe um problema: algumas partes ficaram meio lentas. A parte do meio, quando acontece o treinamento, é arrastada e dura tempo demais. Por outro lado, as cenas de ação são excelentes. Woo ainda manja dos paranauês quando o assunto é filmar cenas de ação. Tiroteios, perseguições de carro, uso de armas brancas, o repertório é farto.

(Aliás, tem uma cena numa escada, “plano sequência fake”, que fiquei imaginando onde estava o cameraman.)

Tem uma característica que talvez incomode parte do público. O protagonista carrega uma caixinha de música que toca sempre a mesma melodia, e isso acontece em todas as cenas onde ele se lembra do filho. Isso acontece muitas vezes! Mas, se a gente analisar a carreira do diretor, vai lembrar que acontece algo semelhante em Bala na Cabeça – uma melodia insistente que permeia todo o filme. Ou seja, goste ou não, é coerente com o diretor.

Aliás, falando nas características de Woo, reclamação por um head canon meu: em um momento cabia a clássica cena dos dois oponentes um com a arma no pescoço do outro. Além disso, não tem pombas voando em câmera lenta! Woo, é você mesmo?

Um filme nesse formato precisa de um ator inspirado pra funcionar, e Joel Kinnaman (Robocop, Esquadrão Suicida) não decepciona nessa tarefa. Que bom que ele tem muito mais tempo de tela do que qualquer outro personagem, porque o vilãozão malvadão é caricato ao extremo.

Por fim, um comentário aleatório: em inglês, faz sentido ser um “filme de natal” pelo trocadilho com “Silent Night”. Em português o trocadilho se perdeu. E pro filme, tanto faz ser no Natal ou em qualquer outra época do ano.

Tiozões

Crítica – Tiozões

Sinopse (imdb): Um pai ranzinza de meia-idade e seus dois melhores amigos se sentem ultrapassados em um mundo repleto de CEOs bem mais jovens e diretoras de escola poderosas.

Vamos de comédia politicamente incorreta?

Tiozões tem uma polêmica extra filme em volta. Vou comentar isso, mas antes vamos falar do filme.

Tiozões (Old Dads, no original) foi escrito, dirigido e estrelado por Bill Burr, comediante famoso por fazer stand ups politicamente incorretos, mas que heu não conhecia ainda. Em sua estreia na direção, ele traz uma comédia que até tem suas falhas, mas que tem êxito na proposta básica de “ser uma comédia engraçada”. Porque em tempos de comédias bobas como Mafia Mamma e Meu Pai É Um Perigo, ser engraçado é um mérito!

Mas, tecnicamente falando, o filme tem suas falhas. Provavelmente Bill Burr pegou piadas de stand up e trouxe para o roteiro, mas são formatos diferentes, e existe um problema de ritmo, às vezes algumas cenas parecem deslocadas.

Os personagens são caricatos, mas acho que essa a proposta. Mesmo assim, muitas vezes ficou forçado. O personagem do Bobby Cannavale está completamente fora do tom, e a diretora da escola, Rachael Harris, parece vilã de desenho animado vagabundo dos anos 80. Acredito que a proposta deste tipo de filme não tem muito espaço para grandes atuações, mas, podia ser menos ruim.

No elenco, o trio principal é formado por Bill Burr, Bobby Cannavale e Bokeem Woodbine – só lembro de outros filmes do Bobby Cannavale, como Homem Formiga, Jolt e Blue Jasmine. Tem dois nomes “médios” em papéis secundários: C. Thomas Howell (ET, Vidas sem Rumo, A Morte Pede Carona) faz o ermitão; Bruce Dern (pai da Laura Dern, e que estava em Oito Odiados e mais dezenas de filmes desde o início dos anos 60) faz o motorista de taxi. Também no elenco, Katie Aselton, Rachael Harris, Jackie Tohn, Reign Edwards e Miles Robbins.

Sobre o humor: algumas piadas são muito boas, como uma que está até no trailer, onde um cara reclama que “dois homens brancos estão dominando a discussão”, mas quem está reclamando também é um homem branco! Ou outra piada satirizando uma mãe que não educa o seu filho da maneira correta. São várias piadas com exageros do comportamento atual de certa parte da sociedade. Ok, algumas são bobas (tipo um cara ser demitido porque canta um rap racista quando está sozinho em casa), mas outras são muito boas.

(Essa galera que foi criticada no filme aparentemente não gosta de críticas, e por isso o filme está sendo banido de certos grupos sociais, mas no estilo de “não vi e não gostei”…)

Agora vou dar a minha opinião, mesmo sabendo que talvez heu perca leitores com isso. Já comentei outras vezes, nossa sociedade tem evoluído nas últimas décadas. Ainda existe desequilíbrio, mas hoje o machismo é menor, e racismo e homofobia são crimes. Acredito em um futuro onde todos seremos iguais, todos teremos as mesmas chances e os mesmos direitos e deveres. Dito isso, acho que vivemos numa época onde os militantes são muito chatos. Alguns assuntos que deveriam ser discutidos são deixados de lado porque os militantes monopolizam o tema. Aceito pessoas que pensam diferente de mim e querem me mostrar outros ângulos de assuntos onde discordamos, mas não aceito militantes que só querem ser chatos e querem disseminar a infelicidade dentre aqueles que pensam diferente deles.

Vendo sob esse ângulo, é legal vermos uma comédia que cutuca certos assuntos “proibidos” – lembrando que a maior parte das piadas do filme satiriza os progressistas, mas também sobram piadas pros conservadores. Neste aspecto, fico feliz que Tiozões teve um grande alcance de público, e torço pra que abra espaço pra outras comédias com temas delicados. Porque pra mim, o limite do humor é ele ser engraçado. Se uma piada ofensiva for engraçada, heu apoio!

Wonka

Crítica – Wonka

Sinopse (imdb): Um jovem Willy Wonka cheio de ideias está determinado a mudar o mundo a cada deliciosa mordida de seu chocolate, uma atrás da outra, provando que as melhores coisas da vida sempre começam com um sonho.

Hollywood gosta de se repetir, então um novo Fantástica Fábrica de Chocolates era algo até previsível.

Mas antes, um breve recap. O primeiro é de 1971, dirigido por Mel Stuart e eternizado por Gene Wilder no papel principal. A minha geração conhece bem, vi e revi diversas vezes – e, curiosamente, quando era criança não reparava na psicopatia do Willy Wonka, hoje vejo como o personagem era bem desequilibrado. Em 2005 veio a refilmagem / releitura do Tim Burton, estrelada por Johnny Depp, que trazia outra abordagem para o Willy Wonka, diferente, mas também desequilibrado.

Dirigido por Paul King, Wonka (idem, no original) não é uma refilmagem. É uma história que se passa antes, conhecemos o Willy Wonka ainda jovem, ele ainda não tem a fábrica. Isso é uma boa notícia, porque enfraquece a inevitável comparação que o filme de 2005 sofreu. Podemos comparar os Willys, mas não os filmes. Além disso, não precisa (re)ver os filmes antigos.

Wonka tem seus problemas, mas é um bom “filme família para o fim de ano”. Famílias podem tranquilamente ir ao cinema, é um filme alegre e colorido, vai agradar a maioria.

Nos últimos anos a gente se acostumou com histórias mais “pé no chão”. Wonka é o oposto desta tendência: é uma história mágica, de fantasia, não dá pra entrar no cinema querendo ver coisas reais. E todo o visual do filme ajudam nesse clima lúdico: cenários, props, figurinos…

É um filme musical, o que sei que vai repelir parte do público. Mas, caramba, os outros também tinham números musicais! Tenho dois comentários sobre essa parte musical. O primeiro é que não tem nenhuma musica marcante, lembro de outros musicais recentes como La La Land, O Rei do Show ou Tick Tick Boom, onde terminei o filme empolgado com as músicas, e aqui não tem nenhuma causando este efeito (a não ser as músicas “velhas”).

O outro comentário é justamente sobre essas músicas velhas. Lembro que fiquei frustrado com a versão de 2005 quando não teve a clássica música do Oompa Loompa. Aqui tem, e também tem a igualmente clássica Pure Imagination. As músicas compostas para o filme não empolgam, mas essas duas trazem um “quentinho no coração”.

Outro problema é sobre o tema central do filme: chocolate. Os chocolates criados pelo Willy Wonka não parecem chocolates, parecem aqueles doces de açúcar colorido que enfeitam mesas de festas – e não parecem ser gostosos. Ou seja, o espectador não vai sair do cinema com vontade de comer chocolate.

Sobre o elenco: Timothée Chalamet é um bom ator, tem star power, vai trazer público, mas, head canon meu, queria ver um Willy Wonka mais psicopata. Ele é muito bonzinho, e até agora só tivemos Wonkas desequilibrados. Por outro lado, adorei o Oompa Loompa do Hugh Grant, ele ficou perfeito como o pequenininho mal humorado (apesar de saber que ele deu entrevistas falando mal do papel). Também queria citar, dentre os personagens secundários, a dupla Olivia Colman e Matt Lucas, que estão ótimos e têm uma química muito boa. Também no elenco, Sally Hawkins, Paterson Joseph, Keegan-Michael Key e Rowan Atkinson.

Apesar dos problemas, acho que Wonka vai agradar.

Godzilla Minus One

Crítica – Godzilla Minus One

Sinopse (imdb): Em um Japão social e economicamente devastado após o término da Segunda Guerra Mundial, a situação chega a um nível ainda mais crítico quando uma gigantesca e misteriosa criatura surge do mar para assolar o país.

Heu preciso confessar que eu não sou muito fã de “filme de monstro gigante”. Vejo porque gosto de filmes de ação e de blockbusters. Mas nem sabia que ia ter um filme novo do Godzilla. Só depois é que fui descobrir que essa é uma versão japonesa. E posso dizer que gostei bastante do resultado final, gostei mais deste Godzilla Minus One do que dos últimos hollywoodianos do “monsterverse”, lançados em 2014 (Godzilla), 2019 (Godzilla Rei dos Monstros) e 2021 (Godzilla vs Kong).

Fui catar na internet, segundo a wikipedia já são 40 títulos desde 1954. Segundo o que me disseram, este Godzilla Minus One seria para comemorar os 70 anos do Godzilla, mas como ano que vem tem filme novo do “monsterverse”, lançaram este em 2023 pra não confundir.

Diferente dos últimos filmes do Godzilla, esse se passa no Japão, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Boa sacada, o país acabara de sair arrasado de uma guerra. Aliás, o nome do filme é relativo a isso: com a devastação causada pela guerra, o Japão foi reduzido a zero. Um monstro gigante reduziria ainda mais, por isso virou “menos um”.

Ainda aproveitando a ambientação da Segunda Guerra Mundial, o filme traz um piloto kamikaze como protagonista. Ele não era para estar lá, era para ter morrido durante a guerra, mas ele teve questionamentos e carrega esses questionamentos ao longo do filme inteiro. Foi uma ideia legal, não costumamos ver esse tipo de personagem sob este ângulo.

A direção é de Takashi Yamazaki, não vi nenhum outro filme dele. Mas achei curioso o nome bem parecido com a brasileira Tizuka Yamasaki, que fez alguns títulos “sérios” nos anos 80, como Gaijin Os Caminhos da Liberdade (1980) ou Parahyba Mulher Macho (1983) e depois fez vários filmes com a Xuxa. Cheguei a achar que podiam ser parentes, mas vi que a grafia é diferente, não devem ser parentes.

É uma produção japonesa, até onde entendi não tem a grana de um grande estúdio hollywoodiano. Não sei qual foi o orçamento, tampouco sei quais são os recursos que o estúdio japonês tem. Mas preciso dizer que existe uma cena de destruição de cidade aqui que é sensacional, é uma das melhores cenas de destruição de cidade que heu já vi no cinema! Essa cena da destruição da cidade só tem um problema: o ponto alto do filme acontece na primeira metade. Claro que existe uma batalha final, que é até boa, mas inferior à sequência da destruição.

Aliás é bom dizer que os efeitos do monstro são excelentes. É cgi, mas foi feito pra parecer uma pessoa dentro de uma fantasia, como os Godzillas clássicos. E o bichão é assustador!

Nem tudo funciona. Achei os momentos dramáticos um pouco acima do tom. O cinema oriental tem essa característica de ter atuações muito exageradas, isso acontece aqui, e, na minha humilde opinião o filme dedica tempo demais aos momentos dramáticos.

Felizmente isso não atrapalha o bom resultado final. Godzilla Minus One é um filme empolgante, e a plateia não vai sair decepcionada das salas de cinema. E a boa trilha sonora que lembra batalhas épicas vai ajudar na empolgação da plateia.

Não tem exatamente uma cena pós créditos, mas vale ficar até o final, fica a dica!

A Queda da Casa de Usher

Crítica – A Queda da Casa de Usher

Sinopse (Netflix): Para proteger a fortuna e o futuro, um casal de irmãos constrói uma dinastia familiar que começa a ruir quando cada um dos herdeiros morre misteriosamente.

E vamos para a quinta minissérie de terror do Mike Flanagan!

Já comentei em outros posts, heu sempre curti o trabalho do Mike Flanagan (desde Absentia, seu primeiro filme!), mas ele no cinema não era um cara do “primeiro time”. Cheguei a falar que era um aluno que sempre tirava 7 ou 8, mas nunca tirava 10. Gosto de Jogo Perigoso, O Espelho e Hush A Morte Ouve, mas reconheço que não são grandes filmes.

Mas aí o cara começou a fazer séries, e, pelo menos na minha humilde opinião, leva 10 em duas delas: A Maldição da Residência Hill e Missa da Meia Noite (Mansão Bly e Clube da Meia Noite são boas, mas estão um degrau abaixo).

Agora temos sua quinta série, A Queda da Casa de Usher, baseada em Edgar Allan Poe, onde ele volta a qualidade das suas duas melhores séries!

Existe um conto “A Queda da Casa de Usher”, mas a série não se baseia apenas no conto. Várias outras histórias de Poe são jogadas no liquidificador e aparecem aqui, seja na trama ou nos nomes dos personagens. Infelizmente, não sou um grande entendedor da obra de Edgar Allan Poe, então não vou poder citar aqui as várias referências.

O que posso dizer é que Flanagan consegue contar uma história assustadora e envolvente, em diferentes linhas temporais. Enquanto a trama no passado mostra Roderick e Madeline Usher ainda jovens e sem grana, a trama nos dias atuais se divide pra mostrar cada um dos filhos do agora milionário Roderick, como cada um vive, e como cada um morre.

Um parágrafo para falar sobre jump scares. Flanagan tem alguns dos melhores jump scares do audiovisual recente (Clube da Meia Noite chegou a bater o recorde de maior número de jump scares em um episódio). Aqui tem alguns muito bem sacados, principalmente nas longas conversas entre Roderick e Dupin.

Preciso falar do elenco! Mike Flanagan é um grande diretor de atores, seu elenco sempre está muito bem, e isso também acontece aqui. E tem uma característica curios: Flanagan costuma repetir vários atores que já trabalharam com ele. Catei pela internet quantos filmes ou séries cada um já tinha feito com o diretor: Kate Siegel, 7 (O Espelho, Hush, Ouija A Origem do Mal, Jogo Perigoso, Maldição da Residência Hill, Maldição da Mansão Bly, Missa da Meia Noite); Henry Thomas, 7 (Ouija, Jogo Perigoso, Residência Hill, Doutor Sono, Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Carla Gugino, 5 (Jogo Perigoso, Residência Hill, Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Katie Parker, 5 (Absentia, Residência Hill, Doutor Sono, Mansão Bly, Clube da Meia Noite); Samantha Sloyan, 4 (Hush, Residência Hill, Mansão Bly, Missa da Meia Noite), Michael Trucco, 3 (Hush, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Rahul Kohli, 3 (Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Alex Essoe, 4 (Doutor Sono, Mansão Bly, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Bruce Greenwood, 2 (Jogo Perigoso, Doutor Sono); Zach Gilford, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Lulu Wilson, 2 (Ouija, Residência Hill); T’Nia Miller, 1 (Mansão Bly); Annabeth Gish, 3 (O Sono da Morte, Residência Hill, Missa da Meia Noite); Robert Longstreet, 4 (Residência Hill, Doutor Sono, Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Kyliegh Curran, 1 (Doutor Sono); Matt Biedel, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Carl Lumbly, 1 (Doutor Sono); Ruth Codd (Clube da Meia Noite); Crystal Balint, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Sauriyan Sapkota, 1 (Clube da Meia Noite); Igby Rigney, 2 (Missa da Meia Noite, Clube da Meia Noite); Aya Furukawa, 1 (Clube da Meia Noite). De novidade no “flanaganverso” temos Mark Hamill, Mary McDonnell e Willa Fitzgerald. Detalhe: Mark Hamill está no próximo projeto de Flanagan, The Life of Chuck, ao lado de pelo menos outros nove nomes que já trabalharam com o diretor.

Queria fazer um comentário sobre o final. Seguem avisos de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Achei genial a atualização da maldição “vender a alma ao diabo”, não sei se isso estava no conto original de Poe ou se é criação da série. Mas, é muito mais cruel você negociar com o diabo e ele cobrar seus filhos e netos em vez da sua alma. É algo muito mais real, muito mais palpável.

FIM DOS SPOILERS!

São 8 episódios de uma hora cada, heu poderia ficar aqui falando mais um monte de coisas. Em vez disso, recomendo: veja A Queda da Casa de Usher, e depois, se tiver tempo, (re)veja A Maldição da Resistência Hill e Missa da Meia Noite!

Isolamento Mortal / Sick

Crítica – Isolamento Mortal / Sick

Sinopse (imdb): Durante o mês de abril de 2020, no meio da pandemia da COVID, Parker e sua melhor amiga decidem colocar-se em quarentena na casa do lago da família, onde ficarão isoladas do mundo – ou pelo menos é o que elas pensam.

Dois dias atrás falei aqui sobre O Jogo da Invocação, filme bem ruim, mas com distribuição no circuitão. Hoje vou comentar sobre Isolamento Mortal (Sick, no original), filme do ano passado, que não passou nos cinemas e foi mal lançado no streaming.

Isolamento Mortal não é um grande filme. Na verdade, é apenas um slasher simples. Mas, é curto, bem filmado, tem um bom ritmo, e um roteiro com algumas boas sacadas. Ou seja, é aquele feijão com arroz gostoso que vai agradar a qualquer fã de terror.

O diretor John Hyams é desconhecido, mas todo fã de terror vai se lembrar do nome do roteirista Kevin Williamson, o mesmo de Pânico, Prova Final e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. Isolamento Mortal traz algumas semelhanças com Pânico, a começar pela cena inicial: uma sequência com um personagem isolado do resto do filme, sequência que a princípio poderia ser extraída do filme, mas que serve para mostrar qual é o modus operandi deste novo vilão slasher.

Não conhecia o diretor John Hyams, não vi nenhum outro filme dele – mas reconheci o sobrenome, ele é filho de Peter Hyams (2010, Timecop, Outland Comando Titanio). Preciso dizer que gostei de como John conduz o filme. Logo na sequência inicial, vemos um plano sequência muito bem construído. Ok, entendo que aquele tipo de plano sequência cheio de emendas, mas de qualquer maneira, heu valorizo mesmo quando é “plano sequência fake”. Outra boa sacada do diretor foi colocar o vilão slasher em várias sequências lá no fundo da tela. O espectador vê, mas os personagens não. Isso ajuda a criar um clima tenso.

Assim como acontece nos filmes da franquia Pânico, aqui também rolam muitas referências, como ter personagens Jason e Pamela, referências a Sexta-Feira 13. E, além de filmes de terror, aqui também tem várias referências à Covid-19. Foi uma boa sacada do roteiro.

Isolamento Mortal foi lançado no ano passado, em 2022, na plataforma Peacock, streaming que não existe aqui no Brasil. Hoje está disponível em alguns streamings por aqui, mas precisa procurar. E dá raiva de saber que você precisa cavar os streamings pra ver Isolamento Mortal, enquanto O Jogo da Invocação está nas salas de cinema…

O Jogo da Invocação

Crítica – O Jogo da Invocação

Sinopse (imdb): Os irmãos Marcus, Billie e Jo são atraídos para um jogo demoníaco em que a única regra é: se você perde, você morre.

É lá vamos nós para mais um terror ruim com espaço no circuito, enquanto a gente sabe que outros bem melhores não têm espaço na grade.

Escrito e dirigido por Eren Celeboglu e Ari Costa, estreantes em longas, O Jogo da Invocação (All Fun and Games, no original) poderia ser mais um slasher besta com roteiro preguiçoso. Já vimos vários, esse seria apenas mais um. Poderia ser um filme fraco normal se não fosse algo que acontece perto do fim e tira vários pontos do resultado final, e faz o filme brigar por uma vaga entre os piores do ano.

E olha que esse filme tem um elenco muito melhor que outros títulos de roteiros igualmente ruins. Os dois nomes principais são bons: Natalia Dyer, badalada por Stranger Things; e Asa Butterfield, de A Invenção de Hugo Cabret e Ender’s Game (dentre vários, o garoto já fez bastante coisa relevante). E ainda tem Annabeth Gish (A Maldição da Residência Hill, Missa da Meia Noite, A Queda da Casa de Usher) num papel menor. Isso porque não falei que conta com os irmãos Russo (Vingadores) na produção!

O filme falha miseravelmente em toda e qualquer possibilidade de tentar assustar, ou pelo menos criar um clima tenso. Tem uma cena onde vemos as fantasminhas cercando os personagens e gritando “read the book!” que é uma cena onde dei uma boa gargalhada. Mas “desconfio” que o objetivo do filme não era ser engraçado…

É terror, né? Basicamente um cara matando os amiguinhos. Tem alguma morte graficamente bem filmada? Não! Parece filme de sessão da tarde!

Mais: o filme tem uma hora e dezessete minutos. Boa duração pra um slasher vagabundo. E mesmo assim, tudo é tão mal conduzido que o filme se arrasta…

Agora, o que mais me deixou com raiva foi uma parte no final onde o filme propõe uma regra e logo depois desrespeita a própria regra. Mas antes de comentar isso, um aviso de spoilers.

SPOILERS!

O garoto fala a maldição, aí o fantasma possui ele. O cara fala a maldição, o fantasma sai do menino e troca de corpo. Ok, é assim que funciona. A menina fala a maldição pra salvar o cara – mas, do nada, ela consegue “recusar” a possessão! Então era só enfiar o dedo no olho do fantasma (!) que tudo bem???

Não achei O Jogo da Invocação tão ruim quanto O Exorcista O Devoto, mas essa cena me deu uma raiva semelhante!

FIM DOS SPOILERS!

A boa notícia é que a história fecha e não precisa de continuação. A má notícia é que tem uma cena extra com o único objetivo de criar uma continuação.

O Sequestro do Voo 375

Crítica – O Sequestro do Voo 375

Sinopse (imdb): Um tratorista desempregado sequestra o voo 375 da VASP e ordena ao comandante Murilo que derrube o avião no Palácio do Planalto para matar o presidente – que ele considera culpado pela devastadora crise econômica do país.

Heu sempre defendi que a gente precisa ter mais filmes de gênero feitos no Brasil. E a notícia é boa quando a gente vê um filme de gênero nacional sendo lançado no circuito, e é melhor ainda quando o filme é bom.

Antes de entrar no filme, heu queria falar um pouquinho sobre cinema nacional, que é composto, basicamente, de dois tipos de filme: a comédia besta com cara de Globo Filmes, e o filme hermético feito para passar em festivais. E heu não falo mal de nenhum dos dois tipos de filme. Porque a comédia é besta, mas muita gente curte e muita gente vai ao cinema por causa disso, e heu sempre defendi um filme que leva público para o cinema. Por outro lado, o filme hermético leva o cinema nacional para festivais importantes como Cannes e Veneza. Defendo que existam esses tipos de filme. O que não defendo é que quase todos os filmes lançados no circuito sejam desses dois tipos. Heu acho que a gente deveria ter vários estilos de filmes, como ação, terror, suspense, ficção científica, aventura…

Por isso fico feliz quando eu vejo um filme como O Sequestro do Voo 375, que não tem cara de nenhum dos dois tipos citados, e é um filme que pode levar público para o cinema, e vai agradar o “espectador de multiplex”.

A história é muito boa. Em setembro de 1988, o Brasil passava por uma crise econômica muito severa e um cara, desesperado, resolveu sequestrar um avião e levá-lo até Brasília com o objetivo de jogar o avião em cima do Palácio Planalto para matar o presidente Sarney. Nessa época não existia raio X em voos domésticos, por isso o cara conseguiu embarcar com uma arma.

Por uma sorte minha, heu não lembrava de quase nada da história real – quem conhece a história, na verdade, está tomando um spoiler. Se você não se lembra, vai ter uma experiência melhor vendo o filme.

A princípio achei que não tinha história suficiente pra sustentar um longa metragem (o filme tem aproximadamente uma hora e quarenta, não sei exatamente qual é a duração e não achei nem no imdb, nem no filmeb, nem na wikipedia). Achei que o filme podia ficar chato no meio do caminho. Mas não, o diretor Marcus Baldini consegue segurar a tensão do espectador durante o filme inteiro, e a parte final é alucinante.

Heu preciso elogiar a reconstituição de época. O filme se passa em 1988 – ok não faz muito tempo, mas a gente vê várias roupas, penteados e apetrechos que não são mais comuns nos dias de hoje. Além disso, o avião da Vasp é quase um personagem, e a gente tem que lembrar que a Vasp é uma companhia que fechou há décadas. Segundo li em algum lugar, conseguiram um avião da Vasp cedido por um colecionador.

Um parágrafo para falar dos efeitos especiais. Por um lado os efeitos especiais são muito bons, vemos várias cenas aéreas com o avião da Vasp, além de várias cenas aéreas com o avião da Vasp acompanhado de um caça da Força Aérea Brasileira. Todas essas imagens aéreas são bem feitas, não sei se é computação gráfica, não sei se é algum modelo, não sei se pegaram um avião real e pintaram. Não sei qual foi o efeito, mas reconheço que essa parte ficou realmente muito boa. Por outro lado, na parte que o avião vai pousar, a sensação que deu é que acabou o dinheiro dos efeitos especiais e tiveram que contratar um estagiário qualquer. Os efeitos especiais do avião pousando sao um CGI muito vagabundo!

No elenco, nenhum grande nome. Danilo Grangheia está bem como o piloto. Já Jorge Paz às vezes é um pouco exagerado como o sequestrador, mas nada grave (a gente tem que lembrar que era uma pessoa fora do seu normal). Agora, achei estranha uma decisão da produção. No fim do filme, vemos imagens das pessoas reais, e todos os atores são bem diferentes. Não entendi por que não tentaram uma caracterização mais próxima da realidade.

O Sequestro do Voo 375 estreia no circuito dia 7 de dezembro.

Napoleão

Crítica – Napoleão

Sinopse (imdb): O filme oferece uma visão pessoal das origens de Napoleão e de sua ascensão rápida e implacável ao império, vista através do prisma de seu relacionamento viciante e muitas vezes volátil com sua esposa e verdadeiro amor, Josephine.

Novo épico dirigido por Ridley Scott, grande diretor, de Alien, Blade Runner, Perdido em Marte, e que já nos entregou outros épicos como Gladiador e Cruzada. Recentemente Scott fez o bom Último Duelo e o fraco Casa Gucci, e isso já me dizia o que esperar de Napoleão: um filme bonito, mas meio chato.

Sei que vou me contradizer agora, mas preciso reconhecer isso. Sempre defendi filmes curtos. Acredito que o mais enxuto é sempre melhor. Mas… Este Napoleão dos cinemas tem duas horas e trinta e oito minutos, e Ridley Scott disse que tem uma versão de quatro horas que será lançada em breve na Apple TV. E teve coisa mal contada aqui, que acredito que pode ser melhor desenvolvida numa versão mais longa. Um exemplo: depois de anos tentando gerar um herdeiro, Napoleão se separa e casa de novo, e sua segunda esposa lhe dá um filho. E acho que essa segunda esposa só aparece em uma única cena! Ou seja, neste caso em particular, a versão longa deve ser melhor estruturada. Aqui teve muita coisa atropelada.

Soube de outro problema, mas esse não é da área que heu entendo. Existem críticas de que o filme não respeita fatos históricos. Scott foi criticado com relação a supostos erros na História, mas a sua resposta aos historiadores foi “Excuse me, mate, were you there? No? Well, shut the fuck up then.” (“Desculpe, amigo, você estava lá? Não? Bem, então cale a boca.”). Bem, não acho que esse seja o melhor modo de se encarar a História. Se ele queria fazer algo do jeito dele, devia fazer como o Tarantino e assumir que aquilo não é real.

Teve outro problema, e esse me incomodou: a idade do ator principal. Joaquin Phoenix é um grande ator (não é seu melhor trabalho, daqui a pouco volto nisso), mas, aos 49 anos de idade, precisaria de uma maquiagem forte ou de um rejuvenescimento digital para interpretar um Napoleão de vinte e poucos anos no início do filme – vemos datas na tela, Napoleão se casou com menos de 30, e foi coroado imperador aos 35. E Phoenix passa o filme inteiro com a mesma cara. Zero maquiagem para mudar a idade.

Por outro lado, as cenas de batalha são ótimas. Duas delas, Austerlitz e Waterloo, são grandiosas e muito bem filmadas. Aos 85 anos (ele faz 86 mês que vem!), Ridley Scott mostra que ainda manja dos paranauês quando o assunto filmar batalhas épicas.

Aliás, toda a produção merece elogios quanto à reconstituição de época. A cenografia é perfeita e a fotografia é belíssima.

Sobre as atuações, esse é um filme onde basicamente só dois atores têm espaço para grandes papéis. Joaquin Phoenix não está mal, mas também não está bem. Ele parece repetir outras atuações, o seu Napoleão parece ser uma colagem de outros personagens de outros filmes. Felizmente, nada grave, é um grande ator e não chega a atrapalhar o filme. Vanessa Kirby tem o outro papel importante, Josephine, a esposa do Napoleão, e também está ok.

No fim, vale pelas batalhas e pela reconstituição de época. Mas a bagunça no roteiro dá vontade de aguardar a versão mais longa.