Gato de Botas 2: O Último Pedido

Crítica – Gato de Botas 2: O Último Pedido

Sinopse (imdb): O Gato de Botas descobre que sua paixão pela aventura cobrou seu preço: ele esgotou oito de suas nove vidas. O Gato de Botas embarca em uma jornada épica para encontrar o mítico Último Desejo e recuperar suas nove vidas.

Lembro de quando a Dreamworks começou. A Disney reinava sozinha nos longas de animação, então surgiram a Pixar e a Dreamworks, e por um tempo eram as três no topo, com algumas poucas exceções. Mas com o passar do tempo, a Dreamworks investiu em várias continuações e spin offs, e, pelo menos pra mim, perdeu parte da graça (tirando Toy Story, a Pixar demorou bastante pra entrar no mundo das continuações).

E finalmente, 11 anos depois do primeiro filme, chegamos a Gato de Botas 2, que é uma continuação de um spin off de Shrek. Mas… Não é que o filme é bom?

Podemos citar dois méritos de Gato de Botas 2: O Último Pedido. O primeiro é meio previsível: uma boa história, com bons personagens. Nem me lembro se vi o primeiro filme do Gato de Botas, só me lembrava do personagem pelos grandes olhos na cara de pidão. Mas pelo menos neste novo filme, é um personagem muito bom: ele é um guerreiro, um espadachim, canta, toca violão, e depois de tudo isso vai beber leite como um gatinho normal.

E não é só ele, mas temos vários bons coadjuvantes. O time formado pela Cachinhos Dourados e os três ursos é genial, e o Perrito é um coadjuvante sensacional. E, de quebra, ainda tem vários easter eggs de contos de fada – coisa que sempre aconteceu na franquia Shrek.

O outro ponto a ser citado é a qualidade da animação. Hoje, em 2023, quando a gente vê um grande lançamento vindo de um grande estúdio, a qualidade da imagem é meio que obrigação. Ver imagens perfeitas não é mais do que obrigação. Não gostei de Os Caras Malvados, mas não gostei por causa da história e dos personagens, não tenho queixas à qualidade da animação.

Mas… Gato de Botas 2 vai um pouco além. Se chegamos a um ponto onde não tem como a animação ser mais perfeita, como fazer para se diferenciar? As cenas de ação aqui trazem um traço diferente, uma textura diferente. Procurei pela Internet elementos técnicos pra trazer aqui, mas não achei nada que explique muito o que foi feito. O que descobri é que depois do sucesso do Homem Aranha no Aranhaverso – que trazia texturas diferentes – outras animações estão pegando este caminho. E aqui a gente vê, nas cenas de ação, que o filme muda o estilo e essas cenas ficam muito mais agradáveis de se ver do que as mesmas cenas de sempre, repetindo o mesmo estilo de sempre.

Longa de animação muitas vezes é exibido dublado em português. Por sorte vi o original em inglês. O lobo é dublado pelo Wagner Moura! Gostei de vê-lo (ouvi-lo?) com uma voz diferente do que estamos acostumados! Outro detalhe que não sei se conseguiram traduzir: os capangas do vilão são os “baker dozen”, que poderia ser traduzido como “uma dúzia de padeiros”, mas na verdade é uma expressão em inglês que significa treze (catei no Google, parece que quando você comprava uma dúzia de pãezinhos e ganhava um extra de cortesia).

Já que falei do Wagner Moura, vamos ao resto do elenco. O gato é dublado pelo Antonio Banderas, e o filme ainda conta com Salma Hayek, Florence Pugh, Olivia Colman, Ray Winstone, Samson Kayo e Harvey Guillén.

Gato de Botas 2 funcionou tão bem que está concorrendo ao Oscar de melhor longa de animação. Claro que acho que não tem chances, porque o Pinóquio do Del Toro é uma coisa de outro mundo. Mas, ser considerado pela Academia um dos cinco melhores desenhos do ano já é uma coisa boa para um filme que a principio seria apenas uma continuação de um spin off.

O Corpo (2012)

Crítica – O Corpo (2012)

Sinopse (imdb): Um detetive está procurando o corpo de uma mulher que desapareceu de um necrotério.

Uma vez uma amiga me recomendou o filme Um Contratempo, um suspense espanhol de 2016 onde somos apresentados a um complexo quebra cabeça e no fim temos uma solução que completa todas as peças soltas. Claro que guardei o nome do diretor, Oriol Paulo.

Catei outros dois filmes do diretor, Durante a Tormenta, de 2018, e O Corpo, de 2012. Durante a Tormenta é bom, mas tem um lance de viagem no tempo que achei mal construído. O filme é legal, recomendo, mas não é tão bom quanto Um Contratempo. Já O Corpo (El Cuerpo, no original) segue o mesmo formato: um quebra cabeça cheio de peças soltas, confundindo a o entendimento do espectador, até um final bombástico onde tudo é explicado.

O corpo de Mayka, uma mulher rica e poderosa, some do necrotério, e a polícia está interrogando o viúvo. Enquanto isso, vemos flashbacks que mostram a personalidade excêntrica de Mayka. E vemos várias possíveis versões para o que aconteceu: ela poderia não ter morrido, ou o corpo pode ter sido roubado para evitar uma autópsia – o filme não descarta nem uma possibilidade sobrenatural. E o bom do roteiro escrito pelo próprio Oriol Paulo (em parceria com Lara Sendim) é que todas as pontas soltas são explicadas num momento final tipo “vilão de James Bond”.

O elenco é bom, as locações são boas, e o modo como Oriol Paulo conduz sua história deixam o espectador tenso até o fim do filme. Ok, achei algumas coisas forçadas. Mas, pelo final proposto, até dava pra fazer daquele jeito. Ia ser difícil, claro, mas, como falei no texto sobre Desaparecida, isso é ficção, não é um documentário!

No elenco, o único nome que heu conhecia era Belén Rueda, de O Orfanato e Os Olhos de Julia (que tinha Oriol Paulo como roteirista), que faz a Mayka e consegue confundir ainda mais a cabeça do espectador. Também no elenco, Jose Coronado, Hugo Silva e Aura Garrido.

Um belo suspense espanhol, pena que é pouco conhecido.

Desaparecida

Crítica – Desaparecida

Sinopse (imdb): Depois que sua mãe desaparece, uma jovem tenta encontrá-la usando ferramentas online.

Antes de falar de Desaparecida, preciso falar de Buscando…  de 2018, longa de estreia de Aneesh Chaganty, um filme de suspense que se passava todo na tela de um computador, mostrando navegação pela internet, google, youtube, facebook, twitter, interações com aplicativos de chat com imagens ao vivo, além de noticiários de tv e vídeos de câmeras de segurança.

Desaparecida (Missing, no original) não é do mesmo diretor – Chaganty aqui é responsável só pela história. Desaparecida foi escrito e dirigido por Nicholas D. Johnson e Will Merrick, que eram os editores de Buscando… (e também de Fuja, segundo filme de Chaganty, que usa o formato tradicional). Ou seja os caras já manjavam dos paranauês de “filme inteiro na tela do computador”.

Desaparecida é uma “standalone sequel”, que seria uma espécie de “sequência independente” – um filme que segue o mesmo formato do anterior, mesmo universo do anterior, mas que traz uma história independente (outros exemplos de “standalone sequel” seriam o último Mad Max ou o recente Glass Onion). Não tenho certeza, mas acredito que mais uma vez todo o filme se passa na tela do computador, com redes sociais e apps de chat. Um detalhe importante (que também aconteceu em Buscando…): todos os textos na tela foram traduzidos para português, o que dá muita agilidade à narrativa.

(Tem uma parte onde vemos uma narrativa filmada e editada de modo tradicional, mas aí a câmera se afasta e vemos que a personagem está vendo Netflix. Boa sacada!)

Ok, tem coisa forçada. Tipo pegar um número de telefone e descobrir rapidamente quem é o dono, com foto e tudo. Ou ver câmeras de turismo na Colômbia e facilmente acessar o histórico. Mas… Cinema é mentira, gente! O melhor filme do ano passado aqui no heuvi falava de um boneco de madeira que ganhava vida; o melhor filme do ano retrasado tinha uma equipe onde um dos membros era um tubarão que andava e falava. Por que encrencar com alguém que consegue informações pela Internet? E, vamulá, o filme precisava ser ágil. Se ela tivesse que ficar preenchendo formulários, ia ser bem chato.

(Agora, recomendo não ficar pensando muito. Se parar pra ver detalhes, a gente acha pequenos furos no roteiro.)

Falei que o filme é ágil, né? O ritmo é muito bom. Quando li que tinha uma hora e cinquenta e um minutos, pensei “caramba, esse lance da mãe perdida não gera tanta história assim, o filme pode ficar chato”. Nada! A história pega rumos inesperados e tem alguns plot twists que heu ficava sem saber qual rumo aquilo ia tomar. O filme é tenso, e sabe muito bem manter essa tensão.

No elenco, Storm Reid segura bem a onda – o que é algo importante, já que o filme todo é em cima dela. Gostei de ver o português Joaquim de Almeida como o colombiano. Também no elenco, Nia Long, Ken Leung, Amy Landecker e Tim Griffin.

Fica a dica: se você gostou de Buscando…, veja Desaparecida. E se você não viu Buscando…, faça uma sessão dupla!

Infinity Pool

Crítica – Infinity Pool

Sinopse (imdb): James e Em Foster estão desfrutando de umas férias na ilha fictícia de La Tolqa, quando um acidente fatal expõe a subcultura perversa do turismo hedonista, a violência imprudente e os horrores surreais do resort.

Já tinham me recomendado conhecer o trabalho do diretor Brandon Cronenberg, filho do David Cronenberg. Me falaram do filme Possessor, de 2020, mas outros filmes entraram na frente e acabei me esquecendo. Quando surgiu a oportunidade de ver Infinity Pool, não deixei pra depois!

O trabalho do Cronenberg filho traz semelhanças com o do pai – body horror, cenas graficamente fortes, com muita violência, nudez e sexo. Além disso, tem a parte “cabeça”, imagens viajantes que nem sempre têm explicação dentro da trama. Infinity Pool tem cenas fortes, tanto na parte da violência quanto na parte das perversões sexuais. Isso certamente vai afastar boa parte do público.

Falei aqui recentemente de Triângulo da Tristeza, que levanta questionamentos sobre convenções sociais. Infinity Pool traz alguma semelhança. Se em Triângulo da Tristeza vemos pessoas ricas que não aceitam seguir algumas regras, aqui em Infinity Pool a situação é um pouco mais grave: turistas ricos descobrem que podem cometer crimes e sair impunes. Explico: o país fictício onde a história se passa tem uma lei que diz que um estrangeiro pode pagar para criar um clone, e o clone será punido. Ou seja, o turista pode fazer o que quiser, porque quem vai enfrentar a justiça é o seu clone.

Claro que essa impunidade escala no comportamento dos personagens. E claro que isso gera inúmeras questões na cabeça do espectador.

Sobre o elenco, dois nomes precisam ser citados. Pena que as premiações têm preconceito contra o cinema fantástico. Depois de arrebentar em Pearl, aqui Mia Goth mostra mais uma vez que é uma das melhores atrizes em atividade. E depois de escolher alguns papéis ruins, parece que Alexander Skarsgård está se encontrando – ano passado ele mandou bem em O Homem do Norte, e aqui ele está ainda mais intenso. Também no elenco, Cleopatra Coleman, Jalil Lespert e Thomas Kretschmann.

Infinity Pool é um filme diferente, vai desagradar quem está atrás do terror montanha russa. Mas recomendo pra quem estiver atrás de um filme profundo e perturbador.

Triângulo da Tristeza

Crítica – Triângulo da Tristeza

Sinopse (filmeB): O casal de modelos Carl e Yaya é convidado para um cruzeiro de luxo com uma lista de passageiros super-ricos e um capitão peculiar, alcoólatra e marxista. O que a princípio parecia uma viagem perfeita termina catastroficamente, deixando os sobreviventes presos em uma ilha deserta e lutando pela sobrevivência.

Ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 2022 e indicado ao Oscar de melhor filme, claro que queria ver Triângulo da Tristeza, escrito e dirigido por Ruben Östlund (que já tinha ganhado Cannes antes, em 2017, por The Square: A Arte da Discórdia).

Triângulo da Tristeza é uma comédia, mas é uma comédia mais calcada na ironia do que nas piadas. Foram poucos os momentos onde achei realmente engraçados (tipo a piada de humor negro com a granada, onde ri alto!). Mas o filme todo é cheio de críticas irônicas a convenções sociais.

O início do filme me lembrou a série Curb Your Enthusiasm, do Larry David, onde vários episódios são sobre “tempestade em copo d’água”, com uma discussão enorme sobre um assunto besta. Tem duas cenas com discussões assim, uma sobre quem paga a conta do restaurante (a mulher que ganha mais e que combinou que ia pagar faz “cara de paisagem” pro homem assumir a conta); outra sobre um funcionário do navio que está sem camisa e cumprimenta a passageira. Mas, diferente da série do Larry David, aqui não puxa pro lado do humor, fica só no lado do desconforto.

Aliás, falando em desconforto, tem uma cena que vai embrulhar estômagos. O jantar do capitão é servido em uma noite de mar revolto, e muita gente começa a passar mal – e vomitar. Não sei se foi proposital ou não (acredito que sim), mas lembrei do sr Creosote, do filme O Sentido da Vida, do Monty Python. Mas, mais uma vez, a cena é mais desconfortável do que engraçada.

O filme é dividido em três partes. A primeira mostra o casal principal e como é a vida deles; a segunda mostra uma viagem em um iate de luxo onde todos são muito ricos (e por isso acham que podem fazer o que quiserem); a terceira mostra os personagens em uma ilha deserta tendo que repensar convenções sociais para sobreviverem. Não vou entrar em detalhes, mas posso dizer que gostei de como as críticas sociais são apresentadas. Dificilmente o espectador vai sair do cinema sem se questionar sobre alguns temas.

No elenco, um nome conhecido: Woody Harrelson, mas que aparece pouco. Ficou parecendo que a produção não tinha dinheiro para pagar o cachê integral, então pagou só pra aparecer em algumas cenas – o que é estranho, já que é um filme de um ganhador de Cannes. Também no elenco, Harris Dickinson, Charlbi Dean, Dolly De Leon, Zlatko Buric e Vicki Berlin. A nota triste é que Charlbi Dean faleceu pouco depois do lançamento do filme. Ela tinha apenas 32 anos…

Alerta Máximo

Crítica – Alerta Máximo

Sinopse (imdb): Um piloto se vê preso em uma zona de guerra após ser forçado a pousar seu avião comercial durante uma terrível tempestade.

Houve uma época que heu achava que a carreira do Gerard Butler ia deslanchar, quando ele alternava filmes de ação de sucesso com comédias românticas divertidas. Mas em algum momento sua carreira caiu na vala do “filme de ação genérico”. Alerta Máximo (Plane, no original) segue essa linha. Nada com pretensões de listas de melhores do ano, mas, pelo menos, um filme de ação “honesto”.

A direção é de Jean-François Richet. Alguns detalhes são bem filmados como uma cena onde as pessoas entram num ônibus e a câmera foca no retrovisor do ônibus – detalhes discretos, que não atrapalham o desenvolvimento do filme, mas valorizam um pouco o resultado final. Ah, tem uma cena de luta entre Butler e um oponente em plano sequência!

Se os “mocinhos” são ok e têm alguma profundidade, os “vilões” são péssimos. São unidimensionais e caricatos ao extremo. Daquele tipo “não existe ninguém mais malvado que eu!”

No elenco, atores genéricos fazendo personagens genéricos. O único que tem um pouco mais de relevância é o prisioneiro que estava no avião, vivido por Mike Colter, o Luke Cage da “Marvel B”.

Mesmo com vilões ruins, Alerta Máximo ainda pode agradar aos pouco exigentes.

Força Bruta

Crítica – Força Bruta

Sinopse (imdb): Ma Seok-do vai a um país estrangeiro para extraditar um suspeito. No entanto, sabe de outros casos de assassinato e descobre um assassino em série que cometeu crimes contra turistas por muitos anos.

Não sei por que, mas Força Bruta (The Roundup em inglês ou Beomjoidosi 2 em coreano) não entrou no meu radar. Recebi o email da assessoria avisando que estava chegando ao streaming “depois do sucesso nos cinemas”. Fui catar no histórico de programações do ano passado, realmente, o filme foi lançado aqui, entrou no circuito. Mas, sei lá por que, não me liguei na época e não vi.

Força Bruta é continuação de Os Fora da Lei, de 2017, outro filme que não conheço (preciso dar uma atualizada no cinema coreano). Não vi o primeiro filme, mas posso dizer que dá pra entender tudo aqui no segundo – tirando um pequeno detalhe, um personagem que entra no rolê sem nenhum contexto. O contexto deve estar no primeiro filme, mas não é nada grave.

Força Bruta tem cara de filme de ação misturado com comédia feito nos anos 80 ou 90, com um protagonista boa praça mas também bom de briga. E a história tem bem essa pegada: aquele policial que não pode trabalhar porque está fora da sua jurisdição, mas mesmo assim insiste em continuar no caso.

Força Bruta tem pelo menos dois grandes méritos. Um deles está nos dois personagens principais, tanto o protagonista quanto o antagonista. O papel principal é do carismático Ma Dong-seok (também conhecido como Don Lee), de Invasão Zumbi e Eternos. Às vezes parece que o cara tem super poderes, porque é aquele tipo durão, que não tem medo de enfrentar oponentes armados e em maior número, e sempre bate em todos. Funciona muito bem para a proposta do filme. Já o vilão Kang, interpretado por Ha-Jun, é outro excelente personagem, ele é cruel e violento, chega a dar medo.

(O personagem principal se chama Ma Seok-do, e é interpretado por Ma Dong-seok. Não entendo nada de coreano, mas, não são nomes meio parecidos? 😛 )

O outro ponto positivo são as bem coreografadas e bem filmadas cenas de ação. Tem uma cena de luta num apartamento entre vários oponentes armados com facas que é muito boa! Tem um trecho em plano sequência de mais ou menos um minuto onde o Kang enfrenta três ou quatro inimigos que é um espetáculo!

Claro, não é um filme para qualquer ocasião. Mas quem entrar na onda vai se divertir!

Casamento em Família

Crítica – Casamento em Família

Sinopse (imdb): Michelle e Allen estão em um relacionamento. Eles decidem convidar seus pais para finalmente se conhecerem. Acontece que os pais já se conhecem bem, o que leva a algumas opiniões divergentes sobre o casamento.

Comédia romântica é um gênero que sempre gera controvérsias. Todo mundo sempre fala mal. Mas, se você estiver no clima certo, quase sempre é um bom programa. Ok, entendo, é previsível. Antes de começar o filme a gente já sabe como vai terminar. Mas nem sempre o espectador quer roteiros mirabolantes e plot twists que dão nó na cabeça, né?

Escrito e dirigido por Michael Jacobs, Casamento em Família (Maybe I Do, no original) às vezes parece um teatro filmado – principalmente na segunda metade, quando todo o elenco está na mesma casa. Além disso, é previsível e cheio de clichês. E, mesmo assim, é um programa agradável!

Assim como aconteceu em Ingresso para o Paraíso, o melhor aqui é no elenco veterano. É sempre agradável ver em tela Diane Keaton, Susan Sarandon, Richard Gere e William H. Macy. Nada contra Emma Roberts e Luke Bracey, mas os coroas têm muito mais carisma.

(Curioso lembrar que Emma Roberts é sobrinha da Julia Roberts, que teve um grande sucesso com Uma Linda Mulher, ao lado do Richard Gere, que aqui faz o pai de Emma…)

Quem curte comédias românticas vai se divertir, assim como quem curte o elenco veterano. Quem não curte? Tem outras opções em cartaz!

13 Exorcismos

Crítica – 13 Exorcismos

Sinopse (imdb): Após o estranho comportamento exibido pela adolescente Laura Villegas, sua família chama um exorcista sancionado pelo Vaticano para intervir no caso de possessão demoníaca. A partir daí, uma série de fenômenos estranhos aparecerá.

Confesso que estava com um pé atrás, traumatizado com os recentes A Profecia do Mal e Oferenda ao Demônio. Mas aí vi que era um filme espanhol. Ei, isso ajuda, gosto de terror espanhol, tem muita coisa boa vinda do cinema fantástico de lá, tipo A Espinha do Diabo, do Guillermo del Toro, ou REC, do Jaume Balagueró e do Paco Plaza, ou Abre Los Ojos, do Alejandro Almenábar, ou O Dia da Besta, do Álex de la Iglesia, ou Los Cronocrimenes, do Nacho Vigalondo, ou O Orfanato, do Juan Antonio Bayona… A lista é enorme!

E, realmente, 13 Exorcismos (idem no original) não é tão ruim quanto os dois supracitados. Não é um filme “obrigatório”, mas é um terror ok. Dificilmente o espectador comum vai sair desapontado do cinema.

13 Exorcismos é o longa de estreia do diretor Jacobo Martínez. E, por ser um filme espanhol, foge um pouco dos clichês hollywoodianos – por exemplo, tem uma cena com gore, mas é só uma cena. E, boa notícia: alguns dos jump scares não são muito óbvios.

13 Exorcismos tem algumas saídas criativas. Gostei muito de uma sacada de quando o padre exorcista está no hospital. Por outro lado, algumas tramas ficam pelo meio do caminho e não são concluídas – que fim levou o garoto atacado no banheiro?

Teve outra coisa que me incomodou um pouco. A família é muito religiosa, e passou por alguns traumas com os filhos (um filho morreu, outro é cadeirante, a outra teve anorexia). Católicos, eles acreditam que Deus está os castigando por alguma coisa do seu passado. E por outro lado tem a personagem da psicóloga da escola, que traz o ponto de vista ateu. Na minha humilde opinião, essa dualidade entre a religião e a ciência podia ser melhor explorada, porque parte do filme ignora um dos lados e fica só com o outro.

Ah, achei escura a cópia exibida na sessão de imprensa. Não sei se foi alguma falha técnica ou se foi proposital.

Queria falar mal do nome do filme. Não só o nome brasileiro, mas também o nome original (que é o mesmo). O plot de exorcismo só acontece na segunda metade do filme. Mas, por causa do nome, o espectador entra no cinema já pensando em exorcismos. Fiquei pensando, não seria legal se a gente não soubesse de nada antes?

No elenco, heu não conhecia nenhum nome. Gostei da protagonista María Romanillos. Cristina Castaño, que faz a professora de religião, é um bom personagem, mas foi deixada de lado.

No fim, fica aquela sensação de que poderia ter sido melhor, mas pelo menos foi uma diversão honesta.

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania

Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania

Sinopse (filmeB): Os parceiros e super-heróis Scott Lang e Hope Van Dyne retornam às aventuras como Homem-Formiga e Vespa. Com os pais de Hope, Hank Pym e Janet Van Dyne, e a filha de Scott, Cassie Lang, eles exploram o Reino Quântico, interagindo com novas criaturas estranhas, em uma aventura que os levará além dos limites do que eles pensavam ser possível.

Outro dia a gente debateu no Podcrastinadores sobre o tema “já cansamos de filmes de super heróis?”. Olha, heu sempre achei que, mantendo a qualidade, nenhum gênero cansa. Mas parece que a Marvel está chegando no limite. Dirigido pelo mesmo Peyton Reed dos dois filmes anteriores do Homem-Formiga, Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania (Ant-Man and the Wasp: Quantumania no original) tem seus méritos. Mas a gente sai do cinema levemente decepcionado.

Vamos primeiro ao que funciona. Gostei muito do visual do “reino quântico”, tanto dos cenários quanto dos inúmeros seres que lá habitam – mesmo sabendo que é tudo CGI. Aliás, mesmo não se passando no espaço, várias coisas lembram o universo de Star Wars. Se o Episódio 4 fosse feito hoje em dia, teria um monte daqueles seres na cena da cantina!

Agora, o roteiro tem falhas. Vou começar pelos personagens. Um exemplo claro é a guerreira Jantorra, que quando aparece, passa a impressão de que terá algum protagonismo nas cenas de batalha, mas que some, e só aparece ao fim do filme. O espectador nunca vai se importar com uma perosnagem assim! E a Janet da Michelle Pfeiffer na primeira parte do filme está tão perdida que a gente fica com raiva da personagem. Ou ainda a cena do Bill Murray, que é divertida, mas apenas por causa do Bill Murray. Tire esta cena e o filme fica exatamente o mesmo.

Outro exemplo são as cenas confusas, como a batalha onde prendem o Scott Lang e a filha. Tiros e explosões pra todos os lados, tudo muito colorido, mas ninguém entende nada do que está acontecendo! E isso porque não falei das conveniências de roteiro, tipo num momento o vilão Kang é muito poderoso, mas em outro ele não faz nada – tudo depende do quanto o roteiro pede. A Marvel nos apresentou alguns bons vilões, mas Kang não faz parte deste time.

Com um roteiro mal estruturado, não adianta nada ter um visual de encher os olhos. Pelo menos o filme não é muito longo, duas horas e cinco minutos.

Sobre o elenco, a sorte é que Paul Rudd é um cara carismático, então é sempre agradável vê-lo em tela. Porque não consigo encontrar nenhum destque no resto do elenco. Evangeline Lilly, Kathryn Newton, Michelle Pfeiffer e Michael Douglas apenas “cumprem tabela”, mas pelo menos não estão tão mal quanto Jonathan Majors e seu vilão ruim. Ah, gostei do alívio cômico Veb, com a voz do David Dastmalchian (O Esquadrão Suicida). Aparece pouco, mas sempre é divertido. Por outro lado, achei o MODOK um personagem besta.

Por fim, o tradicional Marvel: duas cenas pós créditos, uma depois dos créditos principais, e outra lá no finzinho dos créditos. Fiquem até o fim!

p.s.: Fiquei frustrado de não ver nenhuma referência ao “Homem Tia” / “Aunt Man”…