Immanence

Crítica – Immanence

Sinopse (imdb): Radioastrônomos descobrem um sinal misterioso no mar profundo que pode ser um contato alienígena. Após várias manifestações aterradoras ameaçarem suas crenças, a equipe deve lutar para sobreviver ao mal supremo.

Gosto de filmes que misturam terror e ficção científica – fiz um top 10 sobre o assunto. Mas confesso que, por não ter ninguém conhecido no elenco nem na produção, fui ver Immanence com o pé atrás.

A palavra “imanência” existe na língua portuguesa, fui catar na wikipedia a definição: “Na teologia e metafísica, sustenta que o divino ou Absoluto abrange ou se manifesta no mundo material, e imanentismo é o termo usado para se referir à noção de que Deus ou uma mente ou espírito abstrato pervade o mundo. É sustentado por algumas teorias filosóficas e metafísicas da presença divina e providência. A imanência é geralmente aplicada nas crenças religiosas (…) para sugerir que o mundo espiritual permeia o mundano, sendo frequentemente contrastada com as teorias da transcendência divina, nas quais o divino é visto como estando fora do mundo material.”

Preciso admitir, Immanence começa bem. Produção pequena, quase o filme inteiro se passa dentro de um barco com meia dúzia de atores, mas alguns dos pontos levantados até geram curiosidade, ao confrontar ciência vs religião. E o filme começa a desenvolver subtramas individuais sobre casos particulares de cada um dos personagens.

Uma parte do filme me lembrou Coherence, outro filme alternativo com pouco elenco e locação reduzida. O grupo encontra um outro barco, como se fosse uma realidade paralela. Essa foi uma boa sacada. Pena que o desenvolvimento dessa ideia não funcionou. Porque o final… Caramba, que final tosco… Sem entrar em muitos spoilers, mas aparece um grande antagonista, e o plano dele não faz o menor sentido! Cada vez que a gente pensa mais, vê que a parada não tem lógica. E, pra piorar, aquelas subtramas são abandonadas, e a discussão religiosa desanda e vira uma lenga-lenga chata.

No elenco, ninguém conhecido, e se for depender deste filme, continuarão desconhecidos – as atuações vão de maomeno para péssimo.

Enfim, mais um exemplo de “filme de Schrodinger”. É melhor não ver a parte final e imaginar que talvez termine bem.

Caveat

Crítica – Caveat

Sinopse (imdb): Um vagabundo solitário que sofre de perda parcial da memória aceita um emprego cuidando de uma mulher com problemas psicológicos em uma casa abandonada em uma ilha isolada.

Vejo muitos filmes estranhos e desconhecidos. E de vez em quando aparece um que é um pouco mais fora da curva. É o caso deste Caveat, escrito e dirigido pelo estreante Damian Mc Carthy.

Pela história a gente já sabe que é um filme maluco. Um cara precisa ir para uma casa isolada para cuidar de uma jovem, mas ele precisa ficar preso numa corrente para não ter acesso ao quarto dela. A casa está toda caindo aos pedaços, e ainda tem um coelhinho sinistro de brinquedo!

Vou destacar um ponto positivo e um negativo. De positivo, gostei da ambientação. A casa é um bom cenário, e gostei da ideia do cara preso naquela roupa de couro que fica presa na corrente. São só três atores, que funcionam bem (Ben Caplan, Jonathan French e Leila Sykes).

Agora, não gostei da parte final. Não acho que um filme precisa explicar tudo, aceito quando deixa lacunas para o espectador completar conforme a sua interpretação. Exemplo: não tenho ideia do que era o coelhinho, mas gostei dele. Mas aqui, a parte final é tão sem sentido que me tirou do filme. Acho que o roteiro falhou nessa parte.

Mas Caveat não é de todo mau. Aguardemos o segundo filme de Damian Mc Carthy.

O Massacre da Serra Elétrica (2022)

Crítica – O Massacre da Serra Elétrica

Sinopse (imdb): Depois de quase 50 anos escondido, Leatherface volta a aterrorizar um grupo de jovens amigos idealistas que acidentalmente perturbam seu mundo cuidadosamente protegido em uma remota cidade do Texas.

Uma das cenas que mais gostei do Pânico recente foi quando falaram do conceito de “requel”, que seria uma espécie de mistura de reboot com sequel, e deu exemplos como Halloween, Caça Fantasmas e o próprio Pânico. Achei que este aqui seria algo no mesmo estilo, porque traz a mesma personagem Sally, sobrevivente do primeiro filme, de 1974. Mas, se a personagem é a mesma, diferente dos outros exemplos citados, trocaram a atriz, já que Marilyn Burns, a Sally de 74, faleceu em 2014. Nem para isso serve este novo Massacre da Serra Elétrica. Não tenho curtido os Halloween recentes, mas reconheço que pelo menos são filmes que respeitam o filme original – este novo Massacre da Serra Elétrica é apenas mais um caça níqueis usando um clássico do terror.

A gente precisa reconhecer o valor do primeiro Massacre da Serra Elétrica, dirigido por Tobe Hooper e lançado em 1974. Visto hoje, o filme é até meio tosco, mas, naquela época ainda nem existia direito o conceito de slasher – Halloween começou em 1978, Sexta Feira 13, em 1980. Hooper entregou um filme cru, violento e assustador, que entrou para a história do cinema pelo seu pioneirismo.

Mas, como a maioria dos filmes de terror de sucesso, vieram as continuações, cada uma pior que a anterior. Fui catar agora na wikipedia, parece que foram sete continuações (este novo seria o nono filme), e nenhum deles é bom. Curiosamente, muitos bons atores já passaram pela franquia, como Matthew McConaughey, Renée Zellweger, Jessica Biel, Jordana Brewster e Alexandra Daddario.

Infelizmente, este novo filme mantém a tradição: é bem fraco.

A direção é do quase desconhecido David Blue Garcia, mas O Massacre da Serra Elétrica tem nomes mais conhecidos no roteiro e produção: a dupla Fede Alvarez e Rodo Sayagues, responsáveis pela refilmagem de Evil Dead e pelos dois filmes Homem nas Trevas. Olha, não sou fã do trabalho da dupla, mas esses três filmes são melhores do que a refilmagem de Massacre da Serra Elétrica.

Se a gente pode elogiar uma coisa, são os efeitos de gore. Algumas cenas de morte são muito bem feitas. Mas é pouco, não?

O filme é curto – se tirar os créditos, tem 1h14min. Mas, também, tem pouca história para contar. É tudo muito básico: um grupo de pessoas vai para uma pequena cidade quase abandonada com objetivo de revitalizá-la, aí aparece o Leatherface e mata geral. Só.

Aí resolveram trazer de volta a personagem da Sally, uma senhorinha que está há 50 anos procurando vingança. Legal, né? Não! Não é legal! Se você coloca uma personagem procurando um inimigo há 50 anos e o cara é um dos poucos habitantes de uma cidadezinha pequena, esta personagem é a investigadora mais incompetente da história! Sem contar com o fato de ser uma senhorinha frágil que não demonstra que pode derrotá-lo – mais uma vez, a gente lembra de Halloween, que transformou a final girl Laurie Strode em uma vovó badass. Lá a gente acredita que a senhorinha se preparou; aqui não.

Mas a Sally não é a única coisa ruim. A gente sabe que a maior parte dos filmes de terror por aí tem personagens com atitudes burras. O Massacre da Serra Elétrica também tem isso aos montes. Só vou citar um exemplo: a cena do ônibus. Uma galera dentro de um ônibus, Leatherface entra e começa a matar geral. Eram umas 20 ou 30 pessoas, acredito que alguns tentariam reagir pulando em cima dele, mas ok, aceito que ninguém reagiu. Só que não dá pra aceitar que a última pessoa que ele mata ABRE A JANELA DO ÔNIBUS pra tentar fugir. Caramba, se dava pra abrir a janela, por que ninguém fugiu???
Não quero citar spoilers, mas preciso mencionar isso. Outra atitude burra – talvez a atitude mais burra do cinema recente – foi quando Sally encontrou o Leatherface, apontou uma arma para a sua cara, e desistiu de atirar. Vem cá, você não estava há 50 anos atrás dele, querendo se vingar? Por que desistiu?

Tem mais coisa pra falar mal, mas vou parar por aqui. Fiquem com o original de 1974.

Ah, por fim, só uma rabugice: não tem nenhuma serra elétrica em nenhum dos filmes da franquia. Aquilo é uma motosserra!

Exorcismo Sagrado

Crítica – Exorcismo Sagrado

Sinopse (imdb): Um padre americano que trabalha no México, está possuído por um demônio que estava tentando expulsar e acaba cometendo o mais terrível dos sacrilégios. Dezoito anos depois, as consequências de seu pecado voltam.

Não costumo ver trailers. Mas, quando fui ao cinema ver Pânico 5, vi o trailer deste Exorcismo Sagrado, e achei que seria tão ruim que até pensei em não ver. Mas, como costumava dizer um amigo meu que trabalhava em videolocadora, “terror é o melhor gênero que existe, porque mesmo quando o filme é ruim, é divertido”. Assim, com expectativa zero, fui ver o filme.

E não é que a expectativa zero ajudou? Exorcismo Sagrado está longe de ser um grande filme, mas não é tão ruim quanto achei que seria.

Exorcismo Sagrado (The Exorcism of God, no original) é o novo filme de Alejandro Hidalgo, que dirigiu A Casa do Fim dos Tempos, o primeiro filme de terror da história do cinema venezuelano. Mas não vi seu filme anterior, pra mim ele era um desconhecido.

Exorcismo Sagrado tem alguns pontos positivos. Alguns jump scares são bem construídos, e gostei de alguns cenários, como a prisão suja e decadente. E logo no início tem uma cena homenageando o clássico O Exorcista.

Vou fazer um comentário que é ao mesmo tempo positivo e negativo. A maquiagem é muito bem feita. São dois casos de pessoas possuídas, um logo no início do filme, outro a partir do meio. Em ambos, a maquiagem é muito boa. Agora, existem outros personagens possuídos, e a maquiagem me lembrava Evil Dead. Não só a maquiagem como também a movimentação e os efeitos sonoros. Muito legal ter uma referência a Evil Dead. Só que, se o objetivo era assustar, falharam. Porque esses personagens eram engraçados, não assustadores.

Tem uma estátua de Virgem que cria vida, achei meio tosco, mas aceitei. Agora, tem um “Jesus possuído” que foi péssimo. Não tinha sentido na trama, a maquiagem era mal feita, e os efeitos especiais eram péssimos – e quando o cara anda pela parede, céus, o que foi aquilo?

Exorcismo Sagrado dá umas cutucadas na Igreja Católica, quem for muito religioso talvez se sinta ofendido.

O filme tem muitos clichês, mas tem uma coisa que gostei. A parte final não é óbvia. E gosto quando o filme sai do óbvio.

O fim abre espaço para uma possível continuação, que por mim nem precisa ser feita.

Saint Maud

Crítica – Saint Maud

Sinopse (imdb): Uma enfermeira piedosa se torna perigosamente obcecada em salvar a alma de sua paciente moribunda.

Sei lá por que, Saint Maud não entrou no meu radar. Sorte que um amigo recomendou.

Saint Maud foi mais um dos diversos filmes que tiveram seu lançamento prejudicado pela pandemia. Pelo que li, o filme estava pronto e com data para ser lançado, mas foi adiado algumas vezes e agora acho que dificilmente verá o circuito – pelo menos aqui no Brasil.

Se o filme fosse lançado nos cinemas, acho que ia gerar um certo buzz entre os apreciadores do controverso termo pós terror. Saint Maud tem muito a ver com filmes como Hereditário e A Bruxa, é um terror psicológico e sem jump scares. Ou seja, ia ser mais um daqueles filmes que dividem opiniões.

A protagonista é uma enfermeira que trabalha como cuidadora e vai cuidar de uma paciente terminal com câncer. Muito religiosa, ela acredita que precisa salvar a alma de sua paciente moribunda. E o filme se aprofunda nesse fanatismo religioso.

Longa metragem de estreia da diretora e roteirista Rose Glass, Saint Maud é uma produção pequena. Poucos atores, poucas locações, efeitos especiais discretos. Também gostei da fotografia e da trilha sonora. E nem tudo é explicado, o filme deixa algumas coisas para o espectador concluir (teve uma cena em particular que me deixou curioso: vemos um close nos olhos da protagonista, e vemos que são de cores diferentes. E não lembro de ter visto olhos diferentes no resto do filme…)

O papel principal é da pouco conhecida Morfydd Clark, que manda bem com sua fanática religiosa. No resto do diminuto elenco, o único nome conhecido é Jennifer Ehle.

O fim do filme é muito bom. Se alguns filmes perdem pontos com finais ruins, Saint Maud fica ainda melhor com a cena final!

Espíritos Obscuros

Crítica – Espíritos Obscuros

Sinopse (imdb): Uma professora de uma cidade pequena do Oregon e seu irmão, o xerife local, se entrelaçam com um jovem estudante que guarda um segredo perigoso com consequências assustadoras.

O primeiro nome que aparece na divulgação é Guillermo del Toro, mas ele aqui só é produtor. Espíritos Obscuros (Antlers, no original) foi dirigido por Scott Cooper, que fez alguns bons filmes, mas sempre no drama (Coração Louco, Tudo Por Justiça, Aliança do Crime). Mas… seu novo projeto não se decide entre o drama e o terror. Não tenho nada contra diretores que transitam entre diferentes gêneros, costumo sempre lembrar de John Landis, que fazia comédia (Trocando as Bolas, As Amazonas na Lua), terror (Um Lobisomem Americano em Londres) e filmes ligados à música (Blues Brothers), além de ter dirigido o videoclipe de Thriller, do Michael Jackson.

Mas pena, Scott Cooper não conseguiu um bom resultado. Como terror, Espíritos Obscuros falha porque explora mal a criatura; e como drama, Espíritos Obscuros falha porque apenas aborda superficialmente situações que poderiam ser melhor exploradas (como, por exemplo, a tendência ao alcoolismo da protagonista).

Pra piorar, Espíritos Obscuros é um filme bem lento – assim como o resto da filmografia do diretor. Tudo demora muito a acontecer, chega um ponto que o espectador desiste daqueles personagens.

Posso reclamar só de mais uma coisa? Não me incomodo com clichês quando estes são bem utilizados. Mas aqui tem um personagem que aparece só pra explicar o que é a criatura, e no meio da explicação conta como derrotá-la. Pronto, já sabemos o fim do filme…

Mas, apesar de tudo isso, Espíritos Obscuros não é de todo ruim. Gostei da criatura – não entro em detalhes sobre o que é por causa de spoilers. Mas, digo que gostei em dois níveis. Um é porque a exposição da criatura é valorizada, vemos pouco a princípio, só partes do bicho – e dos chifres, o nome original do filme é “Antlers”, que significa chifres em inglês. O filme guarda até o final pra gente realmente ver como é a criatura (lembrei de Alien, onde só conseguimos ver a forma do monstro na cena final). Além disso, gostei do efeito especial da criatura. Não sei se foi cgi ou se teve algum animatronic, só sei que ficou muito bem feita, quando aparece e interage com os personagens.

O elenco é bom – Cooper é bom para trabalhar com atores, como já vimos nos seus filmes anteriores. Keri Russell e Jesse Plemons estão bem, mas quem chama a atenção é o garoto Jeremy T. Thomas. Não sei que idade ele tinha, o filme foi filmado em 2018, mas ele está realmente muito bem.

No fim, Espíritos Obscuros nem é ruim, mas fica a sensação de que poderia facilmente ser muito melhor.

Pânico 5

Crítica – Pânico 5

Sinopse (imdb): Um novo capítulo da franquia de terror Pânico seguirá uma mulher que volta à sua cidade natal para tentar descobrir quem tem cometido uma série de crimes cruéis.

Lançado em 1996, o primeiro Pânico é um dos melhores slashers já feitos. Slasher é aquele subgênero do terror onde um assassino serial mata boa parte do elenco, gênero que estava meio saturado ao fim dos anos 80, depois de vários Sexta Feira 13, Halloween e A Hora do Pesadelo. Aí veio Pânico, dirigido por Wes Craven (criador do Freddy Kruger), que mostrou um slasher diferente – trazia várias referências a outros slashers, e ainda brincava com os clichês do gênero. Claro que fez sucesso, e claro que teve continuações, em 97, 2000 e 2011, todas dirigidas por Craven.

E agora, sem Wes Craven, que faleceu em 2015, temos o quinto filme. E a boa notícia é que o filme é muito bom!

Dirigido pela dupla Matt Bettinelli e OlpinTyler Gillett (Ready or Not), este novo filme acerta exatamente no mesmos pontos do primeiro filme da franquia: muitas referências a outros filmes de terror e muitas brincadeiras com os clichês. E tudo atualizado: se na cena inicial do primeiro filme rolava um diálogo sobre filmes de terror e Sexta Feira 13 e Halloween eram citados, aqui temos uma cena parecida, mas que cita pós terror – a personagem fala em Babadook, It Follows, Hereditário e A Bruxa.

Preciso falar da metalinguagem! Teoricamente, metalinguagem é quando a gente vê um filme dentro de um filme, e aqui não é exatamente isso. Em alguma das continuações (não me lembro qual), existe o filme “Stab”, que seria a versão cinematográfica da história do filme Pânico. Aqui, várias vezes os personagens se referem ao que está acontecendo como se fosse um novo Stab. Ou seja, estão falando de um filme dentro do filme, e esse filme dentro do filme conta a história do filme. Inception de metalinguagem!

Chega ao ponto de ter uma cena onde explicam o conceito de “requel”, que seria uma mistura de reboot com sequel – como em Halloween e Caça Fantasmas. Ou um vídeo de youtube criticando uma continuação que não tem o número no título, que apenas repete o título do filme original. O filme inteiro consegue fazer auto citações – e ficam boas!

Pânico 5 ainda aproveita pra cutucar a atual mania de certos fãs que se acham donos da verdade sobre a obra original. Me lembrei de várias discussões entre fãs de Guerra nas Estrelas

Nem tudo funciona. Algumas cenas são forçadas – tipo quando a xerife da cidade pede reforços e passa um tempão e ninguém aparece. Ou quando um personagem leva vários tiros e ninguém explica por que saiu andando como se nada tivesse acontecido. Por outro lado, vários clichês são bem utilizados. E os jump scares são bem construídos.

No elenco, os três “de sempre” (Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette) têm participações importantes, mas o filme é da nova geração, de nomes novos e pouco conhecidos – acho que só conhecia Dylan Minnette (de Homem nas Trevas) e Jack Quaid (de The Boys). Marley Shelton, que estava no quarto filme, também volta. Também no elenco, Melissa Barrera, Jenna Ortega, Jasmin Savoy Brown, Sonia Ammar, Mikey Madison e Mason Gooding.

Mantendo o espírito da franquia, Pânico 5 é um presente para fãs de terror.

Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City

Crítica – Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City

Sinopse (imdb): Esta história de origem, ambientada em 1998, explora os segredos da misteriosa Mansão Spencer e da malfadada Raccoon City.

Antes de tudo, um aviso para os que não me conhecem. Não saco muito de videogames. Sei que Resident Evil é um famoso videogame. Mas nunca joguei. Meu interesse aqui é cinema.

Já comentei, gosto muito do primeiro Resident Evil, de 2002, mas reconheço que a qualidade foi caindo a cada novo filme que era lançado. Mas, gosto da franquia, continuava vendo, vi todos – são seis no total – e sempre lembrava que Silent Hill, outro filme de terror baseado em videogame, é um filme muito bom e que nunca teve continuações…

Este novo Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City trazia a proposta de um reboot. Esqueçam aqueles filmes e bora recomeçar do zero. Mas… Tudo deu errado.

A princípio esse filme seria mais fiel ao videogame, parece que é uma adaptação dos dois primeiros jogos. Não sei, não joguei. Não sei se um fã do videogame vai curtir. Mas posso afirmar que alguém que gosta de cinema não vai curtir.

Dirigido por Johannes Roberts, Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City é uma bagunça. Roteiro mal escrito, personagens rasos e efeitos especiais péssimos.

Normalmente não me incomodo com efeitos especiais ruins em cgi, procuro focar no conjunto e não só nos gráficos de computador. Mas, céus, alguns dos efeitos aqui são tão toscos que me tiravam da cena. Aquele cachorro zumbi parece videogame mal renderizado, e os zumbis que aparecem lá pelo meio do filme são piores que cospobre na zombie walk.

Sem spoilers, mas preciso comentar um efeito que tem na parte final. Claro que aparece um monstrão – filme baseado em videogame, vai terminar com a luta contra o monstrão, isso já era previsível. Nem vou falar que aquele monstrão NUNCA estaria naquele local, tudo explodiu, ele só chegaria lá se usasse teletransporte. Mas, ok, o monstrão está lá. Aí ele pega um personagem com as garras e joga de um lado pro outro – cara, na boa, NENHUM ser humano sobreviveria àquilo!

Mas, efeitos ruins não são a única coisa tosca. O roteiro é péssimo. Os personagens não têm nenhum objetivo, uma motivação – a não ser um deles que vai ser o X9 do grupo, esse me pareceu o único personagem que tinha algo a fazer.

E não falo só dos personagens principais. Aparecem zumbis perto da delegacia que não servem pra nada na trama e somem logo depois. E a mansão estava cheia de zumbis, por qual motivo? Aliás, nem me lembro se tinha algum motivo pra irem até a mansão.

O roteiro é tão qualquer coisa que mais ou menos com dois terços de filme reaparece uma nova personagem, Lisa Trevor, que parecia ser um bom adendo à trama – ela aparece rapidamente num flashback no início do filme, A cena onde ela aparece é boa, é uma personagem que gera curiosidade – mas logo depois esquecem da existência da personagem!!! O grupo segue sem ela. Como assim??? E, nos créditos vi que é interpretada por Marina Mazepa, a mesma que fez a criatura / entidade em Maligno.

Aproveito pra falar do elenco. Torço muito pela Kaya Scodelario desde que descobri que ela é filha de uma brasileira. Torço tanto que espero que ela não faça nenhuma continuação deste filme. Também no elenco, Hannah John-Kamen, Robbie Amell, Tom Hopper, Avan Jogia, Donal Logue e Neal McDonough, em atuações que variam entre o caricato e a canastrice.

Li alguns comentários que os fãs do jogo vão curtir alguns cenários, que estariam iguais ao game. Só que os mesmos comentam que todos os personagens foram descaracterizados na adaptação. Ou seja, parece que nem vai agradar aos fãs do jogo.

O pior de tudo é que vão querer continuar fazendo continuações. Que são cada vez piores.

Titane

Crítica – Titane

Sinopse péssima do imdb: Após uma série de crimes sem explicação, um pai reúne-se ao seu filho que estava desaparecido há 10 anos.

Ano passado falei de Prisioners of the Ghostland, um filme bem esquisito. Hoje é dia de Titane, mais um filme esquisito. A diferença é que Prisioners of the Ghostland é um filme dirigido por Sion Sono, um diretor japonês que sempre faz filmes esquisitos, então a gente já sabia mais ou menos o que esperar. E Titane simplesmente é o ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 2021.

Titane é o novo filme de Julia Ducournau, mesma diretora de Raw – filme que também gerou polêmicas quando foi lançado. Se Raw falava de canibalismo, Titane traz uma mulher que faz sexo com um carro. Sim, isso mesmo. E isso é apenas no começo, o filme ainda fica mais estranho. Mas não vou entrar em detalhes porque esse é daquele tipo de filme que é legal ver sem muitas informações prévias.

Só queria falar da cena em plano sequência, logo no início, que mostra o mundo onde a protagonista Alexia vive. Ela é uma dançarina que faz performances sensuais em cima de carros, e tem um grande fã clube. Nem sei se esses eventos realmente existem…

Titane é bem violento, tem bastante gore, principalmente na primeira metade – parece que Ducournau cansou de aloprar e se acalmou na segunda metade. Mas o fim ainda traz algumas surpresas bizarras.

Preciso falar da atriz Agathe Rousselle. Entendo que pessoas questionem um prêmio de melhor filme, afinal Titane é um filme bem fora do padrão. Mas, se Agathe for indicada a prêmios, ninguém vai reclamar. Ela tem uma atuação muito intensa, nudez, sexo, tem o cabelo raspado, aparece toda suja e machucada, é um nível de entrega que não estamos acostumados em Hollywood.

Titane tem algumas coisas que não são explicadas, o que era algo esperado, o filme deixa coisas em aberto pra interpretação do espectador.

Vá de cabeça aberta!

As Passageiras

Crítica – As Passageiras

Sinopse (imdb): Um jovem motorista conduz duas mulheres misteriosas de festa em festa durante uma noite em Los Angeles, mas, quando elas revelam quem realmente são, ele precisa encarar um perigoso submundo e lutar por sua vida.

Uma coisa que falo sempre é pra guardarmos o nome do diretor. Adam Randall me chamou a atenção com À Espreita do Mal, seu primeiro longa. Claro que queria ver seu segundo longa.

Pena que o resultado não ficou tão bom. As Passageiras (Night Teeth, no original) é bem mais fraco que seu primeiro filme. Não que As Passageiras seja exatamente ruim. Mas o problema é que é um filme genérico, e parece feito sem nenhum cuidado.

A narrativa se divide em duas tramas. Temos a trama principal, onde o jovem e ingênuo Benny é um motorista meio deslumbrado com suas passageiras vampiras. E tem uma trama paralela com Jay, um caçador de vampiros. A trama principal é ok, Benny é um personagem carismático, e as duas vampiras Blaire e Zoe são bons personagens. Mas a trama secundária é bem ruim. O filme começa com uma introdução que fala em uma trégua entre humanos e vampiros, e o que a gente vê é uma história de um vampiro tentando tomar o poder sobre outros vampiros, sem se importar com os humanos. Enquanto isso um caçador tenta caçar, acompanhado de um pequeno grupo. Cadê a grande guerra anunciada no prólogo? Pra que colocar isso num prólogo se essa história não vai ser desenvolvida?

E quando falei que é um filme sem cuidado é por causa de algumas pequenas inconsistências ao longo da projeção. Por exemplo, determinado momento o Benny tenta fugir, mas a vampira mostra que é muito mais rápida que ele. Ok, vampiros são mais rápidos que humanos. Mas pouco depois tem uma cena onde as vampiras brigam com humanos, e cadê aquela super velocidade? A cena é até boa, mas só se a gente esquecer o que acabou de ver.

E tem outra coisa que me incomodou, que é um flerte entre uma vampira e um humano. Sei lá, até hoje sempre vi em filmes de vampiro outro tipo de sedução, não um flerte bobinho onde os pombinhos apaixonados vão sentar num banco à beira da piscina pra ficar de papo mole pra comer gente.

No elenco, o trio principal é de desconhecidos: Jorge Lendeborg Jr., Debby Ryan e Lucy Fry. Nomes mais famosos têm papeis menores – Alfie Allen (Game of Thrones) tem um papel secundário, e a dupla Megan Fox e Sydney Sweeney só aparece em uma cena.
No fim, fica a sensação de que estamos vendo um filme genérico. E, pra piorar, o filme tem gancho pra continuação.