A Casa Sombria

Crítica – A Casa Sombria

Sinopse (imdb): Uma viúva começa a descobrir os segredos perturbadores de seu recém falecido marido.

A Casa Sombria (The Night House, no original) é um bom filme “pequeno” de terror psicológico, que se baseia num bom roteiro, numa boa ambientação, e numa inspirada atuação da Rebecca Hall.

A ideia é boa. Uma mulher acabou de perder o marido, que se suicidou, e precisa aprender como seguir em frente. Eles moravam numa grande casa, isolada, à beira de um lago – a casa é quase um personagem no filme.

Diferente do tradicional que acontece em filmes de terror, não é uma casa velha, é uma casa moderna, cheia de grandes janelas. E mesmo assim, a ambientação é ótima. Uma coisa que achei muito legal aqui são silhuetas formadas por pedaços de móveis e de paredes. A personagem olha de um ângulo que aquilo parece uma silhueta de uma pessoa, mas a câmera se move e vemos que não tem nada lá. Efeito simples e eficiente, e que gera alguns bons jump scares.

Sobre o elenco, este filme é da Rebecca Hall. É daquele formato de filme onde todo o foco é no personagem principal – não só ela está em todas as cenas, como em várias cenas ela está sozinha. E Rebecca não decepciona, ela realmente convence com a complexa Beth, que está seriamente desnorteda pela morte de seu marido – e a narrativa do filme ajuda neste aspecto, sem deixar claro o que está acontecendo.

Ainda no elenco, uma coisa que achei curiosa foi o nome da Stacy Martin ter vindo em segundo lugar nos créditos, seu papel é bem pequeno. Também no elenco, Sarah Goldberg, Vondie Curtis-Hall e Evan Jonigkeit.

Quero fazer um comentário que pode entrar no terreno dos spoilers, então vou falar depois do aviso.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Você pode interpretar A Casa Sombria de duas maneiras diferentes. Realmente pode existir alguma coisa sobrenatural assombrando a Beth. Mas, se a gente pensar que ela está sempre sozinha quando acontecem as coisas, isso tudo pode ser dentro da cabeça dela. O filme deixa espaço para as duas interpretações. A minha é que tudo é psicológico.

FIM DOS SPOILERS!

O diretor David Bruckner está escalado para dirigir o reboot de Hellraiser. Heu gostava muito do primeiro filme, mas fui deixando de gostar conforme iam surgindo continuações (a última vez que contei, já tinham nove filmes!), então nem me empolgo com a notícia de um novo filme. Mas, ok, aguardemos antes de falar mal.

O Ninho

Crítica – O Ninho

Sinopse (imdb): Samuel é um menino paraplégico que vive com sua mãe Elena em uma mansão. Quando conhece Denise, ele encontra a força para se abrir para o mundo. Elena não o deixa ir tão facilmente, e está pronta para fazer o que for preciso para detê-lo.

Uma coisa que sempre repito é que todo cinéfilo deve guardar os nomes dos diretores. Este ano vi Um Clássico filme de Terror, terror italiano dirigido por Roberto de Feo. Quando apareceu este O Ninho (Il Nido, no original) e vi que era o mesmo diretor, já bateu curiosidade.

(Curioso que Um Clássico filme de Terror é de 2021, enquanto O Ninho é de 2019…)

O Ninho é bem diferente do Um Clássico filme de Terror. Aqui a gente é apresentado a uma família dominada a rédeas curtas por uma matriarca cruel e ultra controladora. A gente sabe que tem alguma coisa escondida, mas não tem ideia do que está acontecendo.

Uma coisa muito boa aqui é a ambientação num casarão enorme e isolado de tudo. A fotografia com poucas cores também ajuda no clima. Outro ponto positivo é não saber em que época o filme se passa.

Roberto de Feo constrói bem os personagens, principalmente os dois jovens. E gostei da atuação dos dois, Justin Korovkin e Ginevra Francesconi. Acho que só não gostei do médico, me pareceu caricato demais.

O Ninho é bem lento, talvez fosse melhor se o filme fosse mais curto – me parece que não tinha história pra uma hora e quarenta e sete minutos de projeção. Mas o fim do filme traz um plot twist shyamalaniano, que explica todos as pontas soltas e dá um gás extra. Gostei, não esperava algo naquele caminho.

Halloween Kills: O Terror Continua

Crítica – Halloween Kills: O Terror Continua

Sinopse (imdb): A saga de Michael Myers e Laurie Strode continua no próximo capítulo emocionante da série de Halloween.

Halloween me lembra o cantor Roberto Carlos. Ele tem um monte de músicas boas no início da carreira. Mas fez tanta coisa ruim depois que ninguém mais queria saber quando ele lançava um disco novo.

Este é o décimo segundo Halloween. O primeiro filme foi em 1978. Aí teve continuações em 81, 82, 88, 89, e, em 95 era pra ser o sexto e último. Mas alguns anos depois a Jamie Lee Curtis voltou pra mais dois, um em 98 e outro em 2002. Em 2007 e 2009 teve um remake, feito pelo Rob Zombie. Até que em 2018, o diretor David Gordon Green disse “esqueçam tudo isso, a partir de agora só vale o primeiro”. Sim, o décimo primeiro filme ignora os nove que vieram antes.

Mais uma vez dirigido por David Gordon Green, este Halloween Kills é a continuação daquele, ou seja, temos o décimo segundo filme da franquia, mas segundo os realizadores, podem considerá-lo como o terceiro. Acho ruim isso, mas ok.

Não sei se posso dizer que Halloween Kills é um filme ruim. Mas posso dizer que é um filme besta. A gente já viu tudo isso antes.

(A gente tem que se lembrar que quando o primeiro Halloween foi lançado, esse formato era novidade. Jason Vorhees e Freddy Krueger ficaram mais famosos, mas Michael Myers veio antes. Era novidade na época. Mas isso já faz mais de 40 anos…)

Vamos ao que tem de bom. É um filme bem filmado. David Gordon Green emula o estilo de câmera com takes lentos do filme original. Pra quem gosta de gore, o filme tem algumas mortes bem violentas. E a trilha sonora usa o tema clássico composto pelo próprio John Carpenter.

No elenco, temos a volta de Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton e Andy Matichack, que estavam no filme de 2018. A novidade pra mim foi Anthony Michael Hall, aquele mesmo, de Clube dos Cinco, Gatinhas e Gatões e Mulher Nota Mil, num dos papeis principais.

Agora, o roteiro é bem ruim. Não tem nada de novo, e é repleto de clichês e soluções preguiçosas. Tipo, por que a galera que estava batendo no Michael Myers pára de bater?

Além disso, a parte final é bem ruim, com a narração da Jamie Lee Curtis falando em off tentando explicar por que o Michael Myers não morre. Já vimos outros 11 filmes com o personagem que não morre, além de vários outros slashers no mesmo formato, e ninguém nunca questionou isso antes. Pra que esse discurso agora?

Mas, o espectador que curte slashers e é pouco exigente talvez se divirta. Se a gente olhar só as mortes, o filme talvez passe. Mas o espectador mais exigente deve procurar coisa melhor.

E o pior é que tem “disco novo do Roberto Carlos” previsto pra ser lançado em breve. Ninguém aguenta mais, mas tem um décimo terceiro vindo aí.

O Homem nas Trevas 2

Crítica – O Homem nas Trevas 2

Sinopse (imdb): A sequência se passa nos anos após a invasão mortal de sua casa, agora Norman Nordstrom vive em um conforto tranquilo até que seus pecados passados o alcancem.

Antes de falar da continuação, um breve comentário sobre o primeiro filme. Talvez seja um spoiler, mas acredito que quem vai ver esse deve ter visto o primeiro, né?

No primeiro filme, temos um grupo de jovens que resolve assaltar a casa de um velho cego. O que seria a princípio um trabalho fácil, se torna algo complicado, porque o velho é badass, e, como está em casa, domina o território. Até aí, tudo bem. O problema é que em determinado momento do filme, pra gente ter alguma empatia pelos assaltantes, a gente descobre que o velho é um cara ruim, muito ruim. Essa inversão que acontece no primeiro filme me incomodou um pouco, porque heu preferia torcer pelo velho, mas a gente acaba o filme vendo que o velho é muito pior que os assaltantes.

Isso até funciona numa história fechada. Mas, se é pra ter uma continuação, atrapalha, e muito. Porque heu sei que esse cara é um cara ruim. Por que devo simpatizar com ele?

E assim, começamos O Homem nas Trevas 2 (Don’t Breathe 2, no original). Um filme com um protagonista odioso. Quer assaltar? Pode assaltar, ele não merece a nossa empatia.

E aí, claro que o roteiro tem que inventar algumas mirabolâncias pros antagonistas serem ainda piores…

Enfim, quem conseguir se desligar dessas características dos personagens, pode até curtir o filme.

O primeiro Homem nas Trevas foi escrito por Fede Alvarez e Rodo Sayagues, e dirigido pelo primeiro (que antes tinha feito a refilmagem de Evil Dead). A dupla escreve o roteiro da continuação, mas quem assumiu a direção foi Rodo Sayagues, que copiou direitinho o estilo do companheiro.

Tecnicamente falando, O Homem nas Trevas 2 tem seus bons momentos. Algumas cenas são bem filmadas. Quem estiver atrás apenas de boas cenas de ação com um velho cego badass vai curtir.

Stephen Lang repete o papel do velho cego, e ele está muito bem. Com quase 70 anos de idade, ele convence como o idoso duro na queda. Ok, a gente precisa de uma suspensão de descrença maior que no primeiro filme (que se passa todo dentro da casa dele). Aqui ele está em locais desconhecidos, e às vezes parece que enxerga melhor que as pessoas não cegas. Mas, se a gente não se importar com isso, ele protagoniza boas cenas, tanto batendo quanto apanhando.

Mas, pra mim, a redenção proposta pelo roteiro foi rasa, e não me convenceu. É um bom personagem, mas não dá pra ficar do lado dele.

Vai agradar os menos exigentes. Mas, pra mim, foi desnecessário.

Demonic

Crítica – Demonic

Sinopse (imdb): Uma jovem acidentalmente libera terríveis demônios quando antigas forças demoníacas, relacionadas a uma desavença de décadas entre mãe e filha, são reveladas.

Neill Blomkamp chamou a atenção do mundo com Distrito 9, uma ficção científica sul-africana que tinha efeitos especiais impressionantes e abordava o racismo de uma maneira diferente do óbvio. Claro que chamou a atenção de Hollywood, e lá foi ele fazer Elysium, super produção com elenco estelar, com Matt Damin, Jodie Foster, Wagner Moura e Alice Braga. Pouco depois fez Chappie, um filme que heu acho bem legal, mas que não vendeu bem. E isso foi em 2015. Desde então, toda vez que lia o seu nome, ou era lançando um curta novo, ou em notícias sobre um possível novo Alien – que aparentemente foi cancelado.

E aí surge Demonic. Que é beeem abaixo de tudo o que Neill Blomkamp já fez.

Demonic tem muitos problemas. Nem sei por onde começar. Acho que podemos citar o “plot twist”, mais ou menos um terço do filme, quando “descobrimos” que é um filme de terror. Demonic começa como se fosse uma ficção científica, e apresentam o lado terror como se fosse uma surpresa. Mas, caramba, está no título do filme! Está no cartaz do filme! Você pode até evitar trailers e sinopses, mas não tem como evitar o nome do filme!

(Não tenho nada contra misturar ficção científica  com terror, já fiz um post sobre o tema)

Demonic segue errando. E o pior é que tinham ideias boas a serem exploradas – heu queria ver um exército do Vaticano! Mas em vez disso, a gente tem um demônio mal explorado, uma protagonista sem sal e um monte de ações sem lógica – tipo ela não compartilhar a lança quando vai entrar na realidade virtual. E tudo isso num filme chaaato…

Ah, precisamos falar dos efeitos especiais. Tanto os camarões de Distrito 9 quanto o robô de Chappie são efeitos acima da média. E aqui, o efeito da realidade virtual é bem bobinho.

Mas, na verdade, o mais triste é saber que é o Neill Blomkamp na direção e no roteiro. Se este fosse um filme feito por galera desconhecida, a gente aceitava. Um filme meia boca, de baixo orçamento, feito por um estreante, a gente pensaria “será que esse cara pode voar mais alto em uma produção melhor?” Mas aí a gente lembra do currículo do diretor /roteirista, e só resta pena.

Maligno

Crítica – Maligno

Sinopse (imdb): Madison fica paralisada por visões chocantes de assassinatos terríveis, e seu tormento piora quando ela descobre que esses sonhos acordados são, na verdade, realidades aterrorizantes.

Dentre as várias vertentes do terror, duas são mais populares hoje em dia. Uma é o terror cabeça, de títulos como Babadook, It Follows, A Bruxa, Hereditário e Midsommar. A outra é o que chamo de “trem fantasma de parque de diversões”, onde o principal objetivo é a diversão do espectador, mesmo que use fórmulas repetidas. E nesta vertente, James Wan é o cara.

Sou muito fã do James Wan. Gosto muito do primeiro Jogos Mortais, dos dois primeiros Sobrenatural e dos dois primeiros Invocação do Mal, todos dirigidos por ele. O problema é que Wan saiu do terror e foi ganhar dinheiro em blockbusters – ele dirigiu Velozes e Furiosos 7 (que é uma das dez maiores bilheterias da história do cinema) e Aquaman, um dos melhores filmes da DC (e, segundo o imdb, está no momento dirigindo o Aquaman 2). E todos os outros filmes do Waniverso (continuações, prequels e spin-offs) dirigidos por outras pessoas são mais fracos. Filmes divertidos, mas esquecíveis.
Claro que vê-lo de volta na cadeira de diretor de um filme de terror era algo aguardado. E, vou te falar, Wan não decepcionou!

Sobrenatural e Invocação do Mal são filmes diferentes, mas ambos usam conceitos parecidos, de casa mal assombrada. Aqui em Maligno (Malignant, no original), Wan muda um pouco o conceito. Tem algo de possessão, um pouco de investigação policial, e tem uma criatura / entidade / vilão que é um grande achado. Mais tarde volto a falar deste personagem.

Precisamos falar da câmera de Wan. O cara sabe filmar. Você pode até não curtir o estilo, mas é preciso reconhecer que Wan sabe muito bem posicionar sua câmera como poucos no cinema atual. Ângulos, movimentos de câmera, cada cena é bem cuidada – chega a ter uma cena filmada de cima, dentro da casa, por vários cômodos, como se fosse uma casa de bonecas. Ver um filme bem dirigido assim é uma delícia!

Os efeitos especiais são outro destaque. Adorei os efeitos para mudar o cenário nas visões da protagonista, o cenário se dissolve e se reconstrói, com a câmera rodando em volta da personagem. O visual disso ficou muito legal. Outro destaque está na criatura, vou falar mais na parte com spoilers.

A fotografia aproveita a câmera sempre bem posicionada e os efeitos especiais, e, junto com uma boa trilha sonora do habitual colaborador Joseph Bishara, dão a Maligno um resultado visual muito bom.

Aliado a tudo isso, Maligno traz um plot twist de explodir cabeças! Sério, quando acabou o filme, conversei com um amigo, que comentou a mesma coisa!

Quero falar dos efeitos especiais da criatura, mas, isso pode entrar no terreno de spoilers, então vou deixar um aviso. Mas, quem quiser seguir, só vou falar da parte técnica, nada sobre a trama.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

A criatura / entidade se movimenta de maneira diferente do normal. Logo de cara a gente pensa que é cgi, mas nem tudo nessa movimentação é digital. Quem está debaixo da maquiagem é a bailarina / contorcionista Marina Mazepa. O trabalho dela deu um upgrade no visual do filme!

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, o papel principal é de Annabelle Wallis, que está muito bem, e já esteve no Waniverse, é uma das principais atrizes em Annabelle. Fora ela, ninguém digno de nota no elenco principal. Agora, queria fazer 3 comentários sobre o elenco secundário. A personagem principal, quando adolescente, é interpretada por McKenna Grace, de A Maldição da Residência Hill, Eu, Tonya e Annabelle 3. A enfermeira (que acho que só aparece uma vez) é Patricia Velasquez, dos filmes A Múmia com o Brandon Fraser. Por fim, a loira que briga na cadeia é Zoë Bell, figurinha frequente nos filmes do Tarantino, como dublê ou como atriz.

O fim do filme traz espaço pra uma nova franquia, o que não surpreende ninguém. Tomara que o diretor seja o mesmo. Se trocar, a gente sabe que a qualidade deve cair.

Por fim, cuidado com os nomes. Teve um filme mal lançado aqui em 2019, que tem o mesmo nome em português, apesar de no original ter o nome The Prodigy. Cuidado!

A Lenda de Candyman

Crítica – A Lenda de Candyman

Sinopse (imdb): Uma “sequência espiritual” do filme de terror de 1992 “O Mistério de Candyman”, que retorna ao bairro de Chicago, agora gentrificado, onde a lenda começou.

Continuações / reboots dão retorno financeiro, e por isso fazem vários, e vão continuar fazendo mais. Pena que, quase sempre, são desnecessários, e com qualidade duvidosa – só nas últimas semanas falei da sequência de Invocação do Mal e do reboot de Jogos Mortais – ambos fracos. É difícil a gente lembrar de um reboot que realmente era necessário (pensei em Duna, que é um livro cultuado que teve uma adaptação muito questionada, e que este ano vai ter um reboot – será que vai ser bom?).

Mas aí, ok, Candyman tem quase 30 anos que foi lançado, então o reboot era até justificado. Pena que a qualidade ficou bem abaixo do desejado.

Pra começar, é um filme de terror que não dá medo. Ok, admito que acho a lenda meio boba – olhar pro espelho e falar o nome 5 vezes? E se falar outra coisa no meio, tá valendo? E se falar uma vez hoje, e na semana que vem falar outras 4? Enfim, independente da lenda ser boa ou não, o filme pode fazer um bom trabalho na hora da tensão. Mas aqui, nada. Nenhum susto, algum gore por causa das mortes, mas nada muito gráfico. E, pra piorar, o filme é arrastado – uma hora e meia, que não terminavam nunca.

O Candyman original, de 1992, baseado no conto “The Forbidden” do escritor Clive Barker, e dirigido por Bernard Rose (que não fez nenhum outro filme digno de nota), trazia uma abordagem de crítica social. Este novo, com Jordan Peele como um dos roteiristas, claro que também ia abordar questões sociais e raciais. Mas, se em Corra, Peele fez um bom filme de terror e uma boa crítica social, aqui em A Lenda de Candyman há falhas em ambos os aspectos. O filme é sonolento, e na parte de crítica social, o discurso aqui pedia um pouco mais de sutileza. Do jeito que foi apresentado, ficou forçado.

Tem uma outra coisa que me incomodou, espero que não seja spoiler, mas… O protagonista começa a virar o Candyman. Não me lembro de detalhes do filme dos anos 90 (lembro menos ainda das continuações), mas Candyman era uma entidade, não tinha ninguém virando Candyman. Isso me lembrou A Hora do Pesadelo 2, onde o personagem começa a virar o Freddy. E lembrar de Hora do Pesadelo 2 nunca é um bom sinal.

Nem tudo é ruim. Gostei do uso de teatro de sombras pra contar os flashbacks, um efeito simples e eficiente. O ator principal, Yahya Abdul Mateen II (Aquaman, Watchmen), está bem no papel, e digo o mesmo pra Teyonah Parris (a Monica Rambeau de Wandaviasion). Outro detalhe digno de nota: o filme é cheio de espelhos, e sei isso dificulta bastante as filmagens. Pelo menos na parte técnica, a diretora Nia daCosta (que está filmando um dos próximos filmes do MCU) fez um bom trabalho.

Mas o resultado final é fraco. Pena.

Till Death

Crítica – Till Death

Sinopse (imdb): Uma mulher é deixada algemada ao marido morto como parte de uma trama de vingança doentia. Incapaz de se soltar, ela tem que sobreviver quando dois assassinos chegam para acabar com ela.

A princípio a gente lembra de Jogo Perigoso, do Mike Flannagan, onde a Carla Gugino fica algemada a uma cama e não tem como pedir ajuda. Mas a semelhança para por aí.
Till Death pode ser classificado como terror, mas não tem nada de sobrenatural, fantasmas ou monstros. O terror aqui é da vida real, é um jogo de sobrevivência – como a personagem vai conseguir escapar? Existe um plano de vingança por trás de tudo, o que torna o filme uma sequência de situações onde a protagonista precisa se virar pra sobreviver.

O roteiro é bem pensado. Quando vi o trailer, pensei “ué, por que ela não…” e parece que o roteirista já sabia que iam fazer perguntas assim, então tratou de amarrar essas possíveis pontas soltas mais na cara do espectador (mas teve um detalhe relativo a um pneu de carro que me pareceu uma falha de roteiro, felizmente nada grave).

O único nome do elenco a ser citado é Megan Fox, que é mais conhecida pela sua beleza do que pelo seu talento na atuação (tudo bem que ela escolhe alguns filmes que não precisam de muita atuação, como Transformers e Tartarugas Ninja). Mas ela não está mal aqui.

Tem uma coisa que me incomodou um pouco, que foi a maquiagem da Megan Fox. Ok, entendo que o diretor quis mostrar toda a beleza da sua protagonista, mas, caramba, ela está passando por maus bocados, e continua com a maquiagem linda linda linda. Entendo que não precisava chegar a uma Frances McDormand, mas podia ter segurado um pouco a maquiagem.

Não gostei do fim do filme, acho que ficou um pouco forçado demais, mas nada grave, nada que atrapalhe o bom resultado final. Com pouco menos de uma hora e meia, Till Death não é um grande filme, mas é uma diversão honesta de baixo orçamento.

Top 5 Filmes de Frankenstein

Top 5 Filmes de Frankenstein

Bora voltar às listas de top 10?

Qual seria um bom tema? Peguei algumas sugestões com amigos do grupo Clube do Terror, pra fazer uma lista de melhores filmes de Frankenstein. Existem centenas de filmes de vampiro – não existem centenas de bons filmes de vampiro, mas tem tanto filme que é bem fácil de encontrar opções pra um top 10. Lobisomem não tem tantos filmes, cheguei a fazer um top 10 de filmes de lobisomem aqui. Ok precisei pegar uns títulos meia boca pra fechar a lista, mas consegui. Agora, Frankenstein? Não sei se consigo 10. Tem vários filmes B de Frankenstein que pouca gente conhece, ia ser uma lista muito underground. Então vamos de top 5 desta vez.

Lembrando que esta é uma lista de acordo com a minha opinião. Se você não concorda, pode comentar aí embaixo a sua opinião, só peço pra mantermos a cordialidade.

Vamos à lista?

5- Frankenstein, o Monstro das Trevas (1990)

Último filme dirigido por Roger Corman (que teve uma carreira gigantesca como produtor de filmes de baixo orçamento), este Frankenstein Unbound (no original) tem um roteiro meio confuso que traz até elementos de ficção científica, e não foi muito bem recebido pela crítica e pelo público. O bom elenco conta com Raul Julia, Bridget Fonda, John Hurt, Jason Patric e Michael Hutchence.

4- Frankenstein de Mary Shelley (1994)

Depois do sucesso de Dracula de Bram Stoker, Francis Ford Coppola planejou fazer outro filme baseado em um clássico do terror, mas acabou ficando só na produção e deixando a direção para Kenneth Brannagh, que também estrelou o filme, ao lado de Robert De Niro, Helena Bonham Carter, Tom Hulce, Aidan Quinn, Ian Holm e John Cleese. A recepção de público e crítica não foi muito boa na época do lançamento, mas é uma das mais fieis adaptações da história original.

3- Frankenweenie (2012)

Antes de se tornar um diretor consagrado, Tim Burton tinha feito, em 1984, um curta em stop motion com uma versão para a história de Frankenstein onde um garoto trazia seu cachorro de volta à vida. Quase 30 anos depois, ele resolveu transformar seu velho curta em um longa. Também em stop motion, Frankenweenie traz inúmeras referências a filmes clássicos de terror e algum humor negro – coerente com a filmografia do diretor.

2- Frankenstein (1931)

O grande clássico, considerado por muitos como a obra cinematográfica definitiva sobre Frankenstein. Dirigido por James Whale e estrelado por Boris Karloff, Frankenstein foi um grande sucesso comercial e, junto com o Dracula do Bela Lugosi, lançado no mesmo ano de 1931, mostrou que o terror merecia um espaço de maior destaque no cinema. Em 1935, Whale e Karloff fizeram a continuação A Noiva de Frankenstein.

1- Jovem Frankenstein (1974)

Na minha humilde opinião, o melhor filme de Mel Brooks, que resolve trazer uma nova versão da história, com o neto do Frankenstein. Com um elenco afiadíssimo (Gene Wilder, Marty Feldman, Madeline Kahn, Peter Boyle, Cloris Leachman, Teri Garr), O Jovem Frankenstein tem vários momentos que viraram ícones na história do cinema, além de várias piadas muito engraçadas até hoje!

Rua do Medo 1666 – Parte 3

Crítica – Rua do Medo 1666 – Parte 3

Sinopse (imdb): As origens da maldição de Sarah Fier são finalmente reveladas conforme a história se completa em uma noite que muda a vida dos Shadysiders para sempre.

Por ser a conclusão da trilogia, Rua do Medo 1666 parte 3 é um pouco diferente dos dois anteriores. Como a história precisa de um fim, o terceiro filme é dividido. Na primeira metade temos a história que se passa em 1666, e na segunda metade voltamos a 1994 pra encerrar a trama.

Na minha humilde opinião, isso trouxe um problema. Porque achei a primeira metade do filme muito corrida, enquanto a segunda metade foi besta. Acho que seria melhor dedicar mais tempo em 1666, e só os últimos minutos em 1994.

A ambientação de 1666 é ótima. O visual lembra A Bruxa, mas o clima é mais leve, com cara de seriado teen – usaram os mesmos atores das duas primeiras partes, agora vivendo outros personagens, claro. Aliás, achei bem legal essa ideia de reaproveitar o elenco em outros papeis. Primeiro porque a gente já conhece aqueles rostos, então, fica mais fácil do espectador se afeiçoar aos personagens; segundo porque isso pode trazer uma ideia de que estes são antepassados daqueles que vemos depois (mesmo que para isso a gente precise de uma licença poética relativa a etnia de alguns personagens, que, historicamente, não sei se estariam lá). Alguns dos personagens têm pouco espaço nesta parte do filme, provavelmente mais uma consequência de ter uma história contada em menos tempo. Mas mesmo corrida, gostei de como a história foi apresentada.

Já a segunda metade do filme é mais fraca. Tudo meio lugar comum, muita correria, armadilhas a la Esqueceram de Mim – e algumas delas sem nenhuma lógica. E finalmente a conclusão da história.

Achei o encerramento um pouco mais do mesmo. Mas, na verdade, acho que, empolgado pelo segundo filme, criei uma expectativa para o encerramento. O encerramento não é algo genial e fora da caixinha, mas os outros filmes também não foram. O terceiro filme é apenas no nível de toda a trilogia: um bom slasher, nada de revolucionário, mas que vai agradar aos fãs. Problema do meu head canon.

(Mas afirmo que, assim como Guerra nas Estrelas e Mad Max, o segundo filme é o melhor da trilogia.)

Achei que iam explorar as outras criaturas que acompanham a “turminha do barulho da Sarah Fier”, mas o filme só mostrou flashes do passado de cada um. Provavelmente vão abordá-los num novo filme ou quem sabe num seriado. Aparentemente o formato funcionou, não acharei estranho ver de volta esse universo Rua do Medo.

Por fim, queria falar que gostei deste novo formato, de um filme com formato de seriado, lançado com intervalo pequeno por um streaming. Não foi a melhor produção da história da Netflix, mas me diverti acompanhando. Aguardarei novas produções semelhantes.