Corrente do Mal / It Follows

corrente do malCrítica – Corrente do Mal / It Follows

E vamos ao “filme mais assustador de todos os tempos da última semana”?

Uma jovem está sendo perseguida por uma força sobrenatural desconhecida, depois de fazer sexo com seu namorado. Uma espécie de “maldição sexualmente transmissível”.

Segundo filme de David Robert Mitchell (que também assina o roteiro), Corrente do Mal (It Follows, no original) é bastante eficiente ao criar um clima de tensão. Pena que nem tudo funciona até o final.

Produção com cara de independente, com elenco desconhecido, Corrente do Mal tem um início muito bom. Tenso, trilha sonora com ar de John Carpenter, com um movimento de câmera 360 graus (que Mitchell repete algumas vezes ao longo do filme), terminando num visual gore pra ninguém botar defeito. Esse clima acompanha quase todo o filme, e ainda temos alguns bons sustos ao longo da projeção.

Mas, como falei, nem tudo funciona. A criatura sem nome não tem muita lógica na sua perseguição – puxar o cabelo, sério? E, depois do acidente de carro, seria fácil alcançar a vítima. Além disso, o fim do filme é bem ruim.

(Sobre a criatura / maldição, achei que as regras ficaram pouco claras. Tipo: se fizer sexo com outra pessoa, fica livre da maldição – mas nem sempre. E, vem cá, a vítima precisa estar acordada? Porque senão era só vir na hora do sono…)

Mesmo assim, achei o saldo positivo. Vou guardar o nome do diretor e esperar seu próximo filme.

Além de ser exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2014, Corrente do Mal passou no Festival do Rio do ano passado. Mas acho difícil entrar no circuito. Acho que vai seguir o perfil de The Babadook (que já foi classificado como “o filme mais assustador de todos os tempos da última semana”): um filme elogiado apenas por uma meia dúzia, e que vai virar cult…

Backcountry

0-BackcountryCrítica – Backcountry

Um casal vai acampar numa floresta, fora da alta temporada, mas se perde, e vai parar no território de um urso negro.

Não tinha nenhuma expectativa por este Backcountry – diretor estreante, trama simples, elenco reduzido… E mesmo assim me decepcionei.

Escrito e dirigido pelo estreante Adam McDonald, Backcountry tem um problema básico: não tem uma história que preencha um longa-metragem. Não adianta usar a carta “baseado em fatos reais”, se esses fatos reais foram algo tão rápido. O filme tem basicamente duas cenas: o encontro com o personagem de Eric Balfour (cena longa e desnecessária, na minha humilde opinião); e o ataque do urso.

Ok, temos que reconhecer a qualidade na parte do urso. Cinematograficamente, o ataque é muito bem feito, nem parece uma produção de baixo orçamento. A maquiagem também impressiona. Mas… Isso ocupa quanto tempo do filme? E, quando acontece, o espectador já está de saco cheio…

O elenco reduzido tem dois protagonistas e dois coadjuvantes. Missy Peregrym é bonita e está bem, mas por outro lado, Jeff Roop tem carisma zero. Eric Balfour e Nicholas Campbell completam o elenco.

No fim, ficamos com a sensação que Backcountry seria um bom curta. Mas, como longa, não vale a pena.

A Experiência (1995)

a experienciaCrítica – A Experiência (1995)

Hora de rever A Experiência!

Um cientista reúne um time para caçar Sil, uma bela predadora, resultado de uma experiência com dna alienígena.

Com um elenco acima da média, uma protagonista exuberante e uma criatura com a assinatura do H.R. Giger, A Experiência (Species, no original) é um dos marcos da mistura de ficção científica com terror, como Alien, Força Sinistra e O Enigma de Outro Mundo.

Ok, revendo hoje, a gente repara um monte de inconsistências no roteiro do filme dirigido por Roger Donaldson (November Man, Efeito Dominó) – tipo, como é que a Sil sai do trem usando o uniforme da funcionária, e ninguém repara? Ou, como é que não reparam que o corpo encontrado no carro estava amarrado, e no banco do carona? E por aí vai…

Mas aí a gente vê a Natasha Henstridge e esquece de tudo isso. Em sua estreia no cinema, Natasha rivaliza com a Mathilda May de Força Sinistra como a predadora alienígena mais sexy da história do cinema. Natasha está linda e passa boa parte do filme sem roupa. Conheço gente que diz que toparia morrer que nem o personagem de Alfred Molina – if you know what I mean…

Mas A Experiência não é apenas um filme exploitation, onde tudo o que interessa é a nudez. A criatura foi desenhada por H.R. Giger, o mesmo que desenhou o Alien do Ridley Scott. E o elenco é cheio de nomes legais: Ben Kingsley , Michael Madsen, Alfred Molina , Forest Whitaker, Marg Helgenberger e Michelle Williams, ainda adolescente.

O filme teve três sequências, em 1998, 2004 e 2007. A qualidade foi caindo ao longo das sequências…

Tem gente por aí que critica A Experiência, que acha que é um grande filme B. Discordo. O filme consegue manter o clima de tensão e, com efeitos especiais coerentes com a época, oferece uma diversão honesta – apesar dos furos de roteiro.

Asmodexia

Asmodexia-posterCrítica – Asmodexia

Por recomendação de leitores daqui do heuvi.com.br, fui catar este Asmodexia, terror espanhol obscuro. E quem acompanha o site, sabe que gosto de cinema fantástico espanhol. Então, vamulá.

Cinco dias na vida de um exorcista e sua neta, na região de Barcelona. Membros de um culto os estão perseguindo, e cada exorcismo está mais difícil do que o anterior.

Escrito e dirigido pelo estreante Marc Carreté, Asmodexia tem boas locações, boa maquiagem e um bom clima crescente de tensão – o filme é sério, sem espaço para piadinhas. O problema é que quando parece que a história vai finalmente começar, já estamos na cena final. O filme é curtinho (73 min), ficamos a primeira hora preparando o terreno para um grande plot twist – e, quando ele acontece, o filme acaba.

No elenco, ninguém conhecido. Lluís Marco, Irene Montalá, Clàudia Pons, Silvia Sabaté e Pepo Blasco funcionam bem dentro do que o filme pede.

Asmodexia parece um prólogo, ou um piloto de série. Agora fiquei com vontade de ver “o resto da história”…

p.s.: Apesar do poster, Asmodexia não tem nudez…

Renascida do Inferno

renascidadoinfernoCrítica – Renascida do Inferno

Um grupo de pesquisadores trabalha em um soro que pode trazer animais mortos de volta à vida. Quando um acidente mata uma das pessoas da equipe, eles resolvem tentar ressuscitá-la. Mas o processo pode trazer efeitos colaterais imprevistos.

Nem todos os filmes lançados têm a proposta de serem grandes filmes. Alguns filmes funcionam mesmo sendo filmes “médios”.

Renascida do Inferno (The Lazarus Effect, no original) é um filme previsível. Mas, como li no fórum do imdb, “em um filme de ação, o herói vai sobreviver; em um romance, o casal vai ficar junto – por que a implicância quando é terror?”

A trama parece uma mistura de Linha Mortal com Cemitério Maldito, com um toque de Lucy (o lance do percentual de uso do cérebro). Nem tudo tem lógica, mas dá pra segurar a atenção pelos 83 minutos de projeção.

O melhor de Renascida do Inferno é que o diretor estreante David Gelb soube construir bem o clima de tensão, e ainda trouxe alguns sustos bem colocados. Em momento algum o filme fica “engraçadinho” – mal que acontece de vez em quando em filmes de terror.

Se a história é pouco criativa, pelo menos o elenco é bem legal. Olivia Wilde está linda e assustadora, mesmo quando está sem a maquiagem “zumbi”. Evan Peters, protagonista do melhor momento de X-Men Dias de um Futuro Esquecido é outro que está bem. Também no elenco, Mark Duplass, Sarah Bolger e Donald Glover.

Ah, o título nacional… Gente, “Renascido do Inferno” é Hellraiser. Precisava mesmo usar o título de um filme que já existe?

As Fábulas Negras

As Fabulas Negras posterCrítica – As Fábulas Negras

E vamos ao filme de terror mais esperado dos últimos tempos?

Rodrigo Aragão hoje é talvez o maior nome do horror nacional. Depois de Mangue Negro, A Noite do Chupacabras e Mar Negro, hoje não há dúvidas sobre o talento deste capixaba – que além de diretor e roteirista, é um mestre na arte da maquiagem. E agora ele mostra outro talento: o agregador.

Aragão se juntou a outros nomes do terror nacional para uma realização conjunta, uma coleção de pequenas histórias (formato usado de vez em quando em filmes de terror), sempre usando o folclore nacional como base. E, uma coisa muito legal: um dos nomes é José Mojica Marins, o Zé do Caixão!

São cinco filminhos, mais um que une todos eles, onde quatro crianças brincam no meio do mato e contam histórias pra tentar assustar uns aos outros – aliás, diga-se de passagem, os meninos estão ótimos.

Aragão dirigiu o primeiro curta, “O Monstro do Esgoto”, onde mostra que é um dos melhores maquiadores do Brasil, numa historinha simples, divertida e com muito, muito gore. O segundo, “Pampa Feroz”, é de Petter Baiestorf, um dos maiores nomes do underground brasileiro (o currículo do cara é impressionante), e mostra uma boa história de lobisomem.

O Zé do Caixão aparece no terceiro filme, “O Saci”. Mojica consegue criar um bom clima, mas a criatura é tão tosca que o público gargalhava toda vez que aparecia o saci – e não sei se era este o objetivo. Já o quarto filme, “A Loira do Banheiro”, dirigido por Joel Caetano, é irretocável, o melhor de todos, na minha humilde opinião. Aragão volta para o último, “A Casa de Iara”, curtinho, sem diálogos, com um tom mais sério que o seu filme anterior – e, mais uma vez, com um excelente trabalho de maquiagem.

O resultado final deixa claro o baixo orçamento – boa parte do filme resvala no trash. Isso não me incomodou (nem a ninguém na plateia do Grotesc-O-Vision), mas sei que pode ser um empecilho para o grande público. Pena, eles estarão perdendo um bom filme…

Ainda não sei se As Fábulas Negras terá lançamento no circuitão. Espero que sim, afinal as estatísticas aqui no Brasil dizem que filmes de terror têm boa audiência.

Rodrigo Aragão falou que existe um projeto para As Fábulas Negras 2. Tomara que saia do papel!

Judas Ghost

Judas_Ghost_posterCrítica – Judas Ghost

E vamos ao filme de abertura do Grotesc-O-Vision?

Um time profissional de caçadores de fantasmas fica preso numa velha sala. A assombração que eles foram caçar se mostra muito pior do que o esperado. Quem vai sobreviver, e o que vai sobrar de suas almas?

O diretor estreante em longas Simon Pearce se baseou numa série de livros escritos por Simon R. Green para mostrar um bom filme de terror. O elenco é reduzido e o cenário é basicamente uma única sala – boa saída para quem trabalha com baixo orçamento. Os efeitos especiais são simples e eficientes. Aliás, os efeitos nem parecem “baixo orçamento”.

O maior mérito de Judas Ghost é que Pearce sabe como trabalhar o clima. O personagem principal, interpretado por Martin Delaney, podia facilmente cair na caricatura, mas, nos momentos que o filme se propõe a ser sério, não rola espaço para piadinhas e o clima continua tenso. O roteiro (também escrito por Green) trabalha quase em tempo real e sabe dosar bem a tensão ao longo dos 75 minutos de projeção.

Pena que a solução final não é tão boa quanto o resto do filme – na minha humilde opinião, os cinco minutos finais são bem inferiores ao resto do filme e quase colocam tudo a perder.

Judas Ghost não tem cara de filme a ser lançado nos cinemas. Pena, é melhor do que quase tudo de terror que passou por aqui oficialmente ano passado…

A Casa dos Mortos

0-acasadosmortosCrítica – A Casa dos Mortos

Um grupo de jovens morre enquanto investigava uma casa onde aconteceram assassinatos décadas atrás. Um policial e uma psicóloga entrevistam o único sobrevivente para tentar descobrir o que aconteceu.

James Wan (Jogos Mortais, Sobrenatural, A Invocação do Mal) infelizmente anunciou que não vai mais dirigir filmes de terror – este ano (2015) ele lançará Velozes e Furiosos. Mas ele ainda usa o nome pra vender filmes “menores” de terror. É o caso deste A Casa dos Mortos (Demonic, no original), que traz o nome de Wan como autor do argumento e como um dos produtores.

Dirigido por Will Canon, A Casa dos Mortos tem uma coisa boa, coerente com a carreira recente de Wan: é um “terror à moda antiga” – mais uso de câmera pra criar a tensão e menos gore. E o início do filme é bem legal, usando o estilo “câmera encontrada” apenas pra mostrar os flashbacks. Pena que o roteiro se perca na parte final, particularmente, achei o fim muito ruim.

No elenco, Maria Bello (Marcas da Violência) e Frank Grillo (Uma Noite de Crime 2) estão ok. O resto do elenco é de jovens desconhecidos: Cody Horn, Dustin Milligan, Megan Park, Scott Mechlowicz, Aaron Yoo e Ashton Leigh. Ninguém se destaca, ninguém compromete.

Existe muito pouca informação sobre A Casa dos Mortos pela internet. O filme ainda está sem nota no imdb porque consta como “ainda não lançado” – curiosamente, segundo o imdb, o filme está sendo lançado aqui no Brasil agora em fevereiro, depois será lançado na Turquia em abril, e por enquanto é só – ainda não existem outras datas e países na página do imdb.

Pelo fim do filme, acredito que os produtores estejam pensando em uma continuação (algo muito comum no estilo). Se esta continuação realmente acontecer, fico curioso para saber o que vai acontecer com a “entidade” do fim do filme…

Entrevista Com o Vampiro

Entrevista com o vampiroCrítica – Entrevista Com o Vampiro

Um vampiro conta a um jornalista sua épica história de vida: amor, traição, solidão e fome.

Lançada em 1994, a adaptação do famoso livro de Anne Rice esteve ligada a polêmicas antes do lançamento (pela escolha do ator), mas foi um grande sucesso quando estreou. Bom diretor, bom elenco, boa história, sem dúvida trata-se de um dos melhores filmes de vampiro da história.

O diretor Neil Jordan já transitou em diversos estilos (Traídos Pelo Desejo, Michael Collins, Fim de Caso), e, quando fez algo ligado a terror, foram filmes com um pé no filme “cabeça” (A Companhia dos Lobos e Byzantium). Acho que podemos dizer que Entrevista Com o Vampiro (Interview With the Vampire, no original) é o seu terror mais convencional.

A narrativa flui bem, com o roteiro escrito pela própria Anne Rice. Lestat é um personagem importante, mas, no filme, o principal é Louis, que vira o narrador ao contar sua história para o jornalista. Tanto Louis quanto Lestat são ótimos anti-heróis.

Sobre o elenco, até hoje lembro deste filme quando alguém critica a escolha de um ator antes do filme estar pronto. Na época, todos reclamaram da escolha de Tom Cruise para interpretar o vampiro Lestat, desde Anne Rice, a autora dos livros, até este que vos escreve. E digo: estávamos errados! Cruise fez um excelente trabalho, é uma das melhores interpretações de sua carreira!

Outro comentário sobre o elenco: Brad Pitt era um nome em ascensão, depois de Mundo Proibido, KaliforniaAmor À Queima Roupa (e logo depois ele faria Lendas da Paixão, Seven12 Macacos). E o filme consegue um perfeito equilíbrio entre as duas grandes estrelas, o ego de um não conseguiu abafar o ego do outro.

Ainda o elenco: com apenas 12 anos, Kirsten Dunst arrebenta! Antonio Banderas e Christian Slater também estão bem. Já Stephen Rea parece que ganhou o papel porque é amigo do diretor…

Em 2002, o vampiro Lestat voltou em outra adptação de Anne Rice, A Rainha dos Condenados, interpretado por outro ator. Mas o filme é bem fraco, nem vale a pena.

Revisto hoje, Entrevista Com o Vampiro não envelheceu. Continua digno de listas de melhores filmes de vampiro.

Tusk

TuskCrítica – Tusk

Filme novo do Kevin Smith!

Um podcaster vai até o Canadá atrás de uma boa história, mas acaba sendo sequestrado – para virar uma morsa.

Kevin Smith está numa fase da carreira onde ele pode arriscar. E fez isso com este estranho Tusk.

Smith tem um podcast, o “Smodcast”. Uma vez, ele leu uma notícia bizarra, onde um homem oferecia casa e comida, de graça, desde que o inquilino topasse se vestir de morsa. O que era pra ser apenas uma piada rápida virou um papo de quase uma hora. Smith então perguntou aos seus ouvintes se eles queriam ver um filme sobre isso. Adivinhem qual foi a resposta…

Tusk começa bem, num clima entre o humor negro e o suspense. Auxiliados por bons diálogos, escritos pelo próprio Smith, Michael Parks e Justin Long constroem uma tensa e interessante relação, com um que de Encaixotando Helena e outro de Centopeia Humana.

Mas tem um momento que o filme sai do trilho. É quando aparece um Johnny Depp, fantasiado e anônimo (ele não está nos créditos). Seu personagem, Guy Lapointe, é bobo e sem graça, e mesmo assim tem muito tempo de tela – além de um papo looongo, chato e desinteressante, num café, ainda rola um flashback desnecessário.

Assim, um filme que começa esquisito mas promissor termina confuso e arrastado. Pena…

Digo pena porque heu era muito fã do Kevin Smith, na sua fase “Jay & Silent Bob”. Gosto muito de O Balconista, Barrados no Shopping, Procura-se Amy, DogmaO Império do Besteirol Contra-Ataca. Entendo que ele queira coisas diferentes na sua carreira, mas confesso que prefiro a primeira fase da sua filmografia.

No elenco, além dos já citados Parks e Long, Tusk traz Haley Joel “I see dead people” Osment e Genesis Rodriguez. Jennifer Schwalbach Smith, a sra. Kevin Smith, faz uma ponta como uma garçonete; e as duas atendentes da loja de conveniência são Harley Quinn Smith e Lily-Rose Melody Depp, são as filhas de Kevin Smith e Johnny Depp. Ah, e tem Johnny Depp, infelizmente num papel bem abaixo do que costuma fazer.

Tusk faz parte de uma trilogia baseada no Canadá, com outros filmes a serem escritos e dirigidos também por Smith, Yoga HosersMoose Jaws, a serem lançados este ano e ano que vem. Parece que Johnny Depp estará nos outros dois com o seu Guy Lapointe. Tomara que ele e Smith acertem a mão nos próximos filmes!