Bambi: O Acerto de Contas / Bambi: The Reckoning

Crítica – Bambi: O Acerto de Contas / Bambi: The Reckoning

Sinopse (imdb): Depois que mãe e filho sofrem um acidente de carro, eles logo são caçados por Bambi, um cervo mutante e angustiado em uma fúria mortal em busca de vingança pela morte de sua mãe.

Ok, é o filme de terror do Bambi. Ninguém imaginava que seria bom. Principalmente porque faz parte do Poohniverse, ou TCU (Twisted Childhood Universe), que começou com aquele filme horroroso do Ursinho Puff. Nenhum dos filmes dessa galera tem qualidade.

Mas, olha, Bambi me surpreendeu. Consegue ser ainda pior do que o esperado!

O início é semelhante aos filmes do Ursinho Puff e do Popeye, um desenho animado minimalista contando que a mãe do Bambi morreu, depois o pai morreu, depois ele bebeu lixo contaminado e virou um monstro. Um monstro vingativo.

Aí parte pro filme de verdade, e logo vemos o Bambi monstrão atacando – na talvez pior cena de capotamento de carro da história do cinema. Quem me conhece sabe que não costumo reclamar de efeitos especiais, se estou reclamando é porque são realmente ruins!

O Bambi monstro é cgi. Pra ajudar a disfarçar, todas as cenas são escuras – coisa comum quando o cgi é de baixa qualidade. Algumas poucas cenas o Bambi parece convincente. Quase o filme todo ele está bem tosco. Acho que teria um resultado melhor se alternasse o cgi com um boneco animatrônico.

São duas tramas correndo em paralelo. Na principal, uma mãe está levando seu filho adolescente para um evento na família do ex. Enquanto isso, vemos um grupo de caçadores tentando caçar o Bambi monstro. Até aí, ok. Mas determinado momento a gente descobre que o ex da protagonista está no meio dos caçadores. Caramba, se ele sabia que havia um perigo na área, por que não avisou a família? Ele ainda leva seu filho pra lá!

O roteiro tem umas paradas que não fazem sentido. A vovó (sei lá qual é o nome da personagem) dá a entender que tem alguma ligação espiritual com o Bambi. Ok, podemos desenvolver algo em cima disso. Mas claro que o roteiro ignora essa conexão.

Isso porque não estou falando de bizarrices como o Bambi girar uma maçaneta com o casco. Sério, por que não colocaram uma maçaneta diferente, daquelas tipo alavanca?

Algumas mortes são ok. Mas nenhuma é memorável. O filme podia ter explorado mais o gore.

O elenco é de atores desconhecidos e ruins. Mas isso já era esperado, não chega a ser uma surpresa. E, sejamos justos: no mar de atuações ruins, até que a protagonista Roxanne McKee nem é tão ruim.

Pra não dizer que é tudo um lixo, gostei da cena dos coelhos. Nada muito genial, mas, gostei de como a ameaça se apresenta e gostei do desfecho. Se todo o filme fosse nessa pegada, seria bem melhor.

No fim, é apenas mais um filme desnecessário, só pra aproveitar que contos infantis estão caindo no domínio público. Pena que poucos têm qualidade. Se fossem na onda de The Ugly Stepsister, seria bem melhor pro fã de terror.

As Sete Vampiras (texto revisado e ampliado)

DEDE

Crítica – As Sete Vampiras

Sinopse (imdb): Um botânico é incapaz de lidar com uma planta carnívora que transforma suas vítimas em vampiros. Um detetive desajeitado e sua secretária são contratados para solucionar as mortes misteriosas que acontecem em um show em uma boate.

Depois da “trilogia Lael Rodrigues”, vamos para algo um pouco diferente.

Tive dúvidas se As Sete Vampiras poderia estar nesta playlist de filmes ligados ao rock nacional dos anos 80. Porque é muito mais um “filme do Ivan Cardoso” do que um filme ligado ao rock BR. Mas, a música As Sete Vampiras, feita para o filme, foi um grande sucesso, o Leo Jaime é um dos atores principais, e ainda tem participação especial da banda João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Ou seja, por mim entra na lista.

(Sou muito fã de João Penca. Achei muito mais legal ver o João Penca aqui do que o Barão Vermelho em Bete Balanço ou o Metrô em Rock Estrela.)

As Sete Vampiras marcou minha adolescência, por três motivos, e reconheço que um deles é algo que não me orgulho. Gostava do filme porque tinha Leo Jaime e João Penca, e também gostava porque parte do filme se passa no Quitandinha, em Petrópolis, local onde morei por alguns meses quando tinha uns 8 ou 9 anos de idade. Foi legal ver na tela alguns cenários que fizeram parte da minha infância. O terceiro motivo não é muito nobre, é um guilty pleasure: vi As Sete Vampiras na minha adolescência, e gostava de ver as mulheres nuas – coisa bastante comum nos filmes do Ivan Cardoso, diga-se de passagem.

As Sete Vampiras é, na minha humilde opinião, o melhor filme dirigido pelo Ivan Cardoso – talvez o maior nome do trash brasileiro – conheço outros diretores que fazem filmes trash, mas nenhum teve o alcance do Ivan – talvez só o Zé do Caixão, mas, entre os dois, prefiro o estilo galhofa do Ivan. Ele mistura o terror com a comédia, foi com os seus filmes que conheci o termo “terrir” (que achei que era invenção dele, mas anos depois descobri que já existia em uma revista do fim dos anos 60!)

O roteiro é de Rubens Francisco Lucchetti, ou RF Lucchetti, nome não muito conhecido do grande público, mas cultuado no underground como “o papa do pulp no Brasil”. Além de As Sete Vampiras, Lucchetti escreveu roteiros para outros filmes do Ivan, como O Segredo da Múmia, O Escorpião Escarlate e Um Lobisomem na Amazônia (além de alguns filmes do Zé do Caixão). Recentemente ouvi falar do seu nome quando a Vigor Mortis lançou, em 2022, a webserie A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, já comentado aqui no heuvi.

Vamos ao filme. A história é uma bobagem deliciosa. A trama envolve uma planta carnívora importada da África, vampiros, anos 50 e misteriosos assassinatos em série. E muitos clichês de filmes de terror, como um assassino mascarado empunhando uma faca, referência aos filmes giallo.

Aqui nada é para se levar a sério. Tem uma planta carnívora tosca tosca tosca, parece tirada de um seriado televisivo infantil tipo Castelo Rá Tim Bum. E ainda tem algumas referências divertidas, como o personagem do Nuno Leal Maia, Raimundo Marlou, homenagem ao escritor Raymond Chandler e seu personagem Philip Marlowe.

Rola MUITA nudez gratuita! Quase todas as atrizes tiram a roupa, e quase sempre sem justificativa – coisa normal nos filmes do diretor. O Helvecio adolescente curtia muito, mas hoje reconheço que é exagerado. Enfim, nudez gratuita sempre foi algo comum no cinema nacional. Aqui tem mais do que nos três filmes comentados nas últimas semanas, mas naqueles filmes também tem: Débora Bloch em Bete Balanço, Malu Mader em Rock Estrela e Lidia Brondi em Rádio Pirata.

O elenco conta com um monte de nomes interessantes, como Nuno Leal Maia, Leo Jaime, Nicole Puzzi, Lucélia Santos, Simone Carvalho, Susana Matos, Andréa Beltrão, Danielle Daumerie, Dedina Bernardeli, Tania Boscoli, Wilson Grey, John Herbert, Ivon Cury, Pedro Cardoso, Tião Macalé, Carlo Mossy e Colé Santana. Tem uma ponta do Dedé Santana, dizem os boatos que ele foi ao set para vigiar a namorada Susana Matos, mas não achei nada que confirme isso.

Foi muito legal rever o número musical com o Leo Jaime cantando a música As Sete Vampiras. Não reconheci todos os músicos da banda, mas dá pra ver o guitarrista Sergio Serra, que depois foi para o Ultraje a Rigor. E temos os quatro “miquinhos” do João Penca fazendo uma coreografia gaiata: Selvagem Big Abreu, Bob Gallo, Leandro (na época que encarnava o “guitarrista mascarado”) e Avellar Love.

Teve uma coisa no roteiro que achei estranha, mas não sei se posso dizer que é uma falha ou uma ousadia estilística. Alguns personagens terminam o filme como protagonistas, mas só aparecem no meio da trama, como os interpretados por Leo Jaime, Nuno Leal Maia e Andrea Beltrão, que entram no filme perto dos 40 minutos de projeção.

As Sete Vampiras não é um filme para qualquer público. Mas continuo gostando!

A Longa Marcha – Caminhe ou Morra

Crítica – A Longa Marcha – Caminhe ou Morra

Sinopse (imdb): Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual conhecido como “The Long Walk”, no qual eles devem manter uma certa velocidade de caminhada ou levar um tiro.

É um bom ano pra quem gosta de adaptações de Stephen King. Já tivemos O Macaco e A Vida de Chuck. A Longa Marcha – Caminhe ou Morra é o terceiro de 2025. E mais pro fim do ano deve estrear O Sobrevivente.

O livro A Longa Marcha foi lançado em julho de 1978. Segundo a Wikipedia, foi o sexto livro escrito por Stephen King, sob o pseudônimo de Richard Bachman (por coincidência, em O Sobrevivente ele também usou o mesmo pseudônimo). Segundo o imdb, George Romero pretendia adaptar o livro em 1988, mas não rolou. Anos depois, nos anos 2000, Frank Darabont chegou a comprar os direitos, mas não desenvolveu o filme e o prazo expirou.

Por que demorou tanto tempo? Não sei. Mas, visto hoje, parece uma versão de filmes de distópicos para jovens adultos, como Jogos Vorazes. Quando Stephen King escreveu o livro, ele tinha em mente a Guerra do Vietnã, e como jovens eram levados para a morte. Mas, nos dias de hoje, quando estamos acostumados com reality shows, a trama ganhou outro olhar. 50 jovens participam de uma prova onde precisam andar, sempre no mesmo ritmo. Quem parar ou apenas diminuir o ritmo morre executado. O jogo só acaba quando só sobra um vivo. Consigo ver essa prova – sem as mortes – transmitida pela tv.

A direção é de Francis Lawrence – coincidência ou não, diretor de três Jogos Vorazes. O roteirista é JT Mollner, do excelente Strange Darling. Admito que quando li o nome do roteirista, achei que veria algo fora do convencional, mas, diferente daquele filme, o roteiro aqui é linear. Mesmo assim, o roteiro é muito bom, são muitos bons diálogos, dá vontade de continuar acompanhando aquela galera e suas histórias.

O protagonista Cooper Hoffman declarou que durante as filmagens eles andavam 15 milhas por dia – disse que foram 400 milhas no total. Parte do cansaço mostrado pelos personagens é real! As filmagens foram em ordem cronológica, e os atores não se conheciam antes. Ao longo dos dias de filmagem andando, eles foram se conhecendo melhor. Boa sacada, isso acontece com os personagens ao mesmo tempo que com os atores.

O elenco traz jovens ainda pouco conhecidos, como Cooper Hoffman (Licorice Pizza), David Jonsson (Alien Romulus), Ben Wang (Karate Kid Lendas) e Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit). São apenas dois nomes famosos entre os “adultos”, Judy Greer, como a mãe do protagonista, e Mark Hamill como o Major, o grande símbolo do autoritarismo desta sociedade distópica.

A Longa Marcha está sendo vendido como filme de terror. Acho isso um erro. O filme fica entre o thriller e o drama, não tem nada de terror. Talvez apenas a primeira morte seja um pouco mais gráfica. Provavelmente vai ter espectador decepcionado nas salas de cinema.

Queria comentar a cena final. Mas, claro, é a cena final, preciso de um aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No fim, sobram os dois principais, que chegam a um local onde tem uma multidão em volta. Quem ganhar tem direito a um desejo. Ray diz que ia pedir uma carabina pra matar o Major – que anos antes matou seu pai. Mas Ray desiste da prova pra deixar McVries ganhar. McVries então resolve vingar o amigo, pede a carabina e mata o major. Depois, larga a carabina no chão, e segue andando. Mas vejam que ele agora está sozinho, não tem mais ninguém em volta. Cadê a multidão? O filme não deixa claro, mas a minha interpretação é que mataram ele quando atirou no major. O que você acha que aconteceu?

FIM DOS SPOILERS!

A Longa Marcha teve uma sessão em SP com esteiras para alguns espectadores assistirem ao filme andando. Boa ideia, deve ser uma boa experiência, pena que não teve no Rio.

Animais Perigosos

Crítica – Animais Perigosos

Sinopse (imdb): Quando uma surfista é sequestrada por um serial killer obcecado por tubarões e mantida em cativeiro no barco dele, ela precisa descobrir como escapar antes que ele a jogue como alimento para os tubarões no mar.

Era uma ideia promissora. Um filme de tubarões, mas onde o verdadeiro vilão é um humano. Pena que o desenvolvimento não foi lá grandes coisas.

A direção é do australiano Sean Byrne, que chamou atenção com projetos anteriores, mas que nunca se firmou como um grande nome, provavelmente porque demora muito a lançar um filme novo – seus últimos projetos foram The Loved Ones, de 2009, e The Devil’s Candy, de 2015. Este é seu terceiro longa.

Animais Perigosos (Dangerous Animals, no original) até começa bem, logo na sequência inicial conhecemos o vilão e como ele trabalha. Em menos de dez minutos já temos tubarões e e o primeiro assassinato – além de uma nova versão de Baby Shark.

O melhor de Animais Perigosos são os dois personagens principais, o vilão interpretado por Jai Courtney e a final girl de Hassie Harrison. Jai Courtney, que recentemente fez um vilão meio caricato naquele Esquadrão Suicida todo errado, aqui encontra o ponto exato, ele é canastrão e assustador ao mesmo tempo – tem uma cena muito boa com ele dançando alucinado.

“Filme de tubarão” é um nicho popular. O verdadeiro vilão de Animais Perigosos é humano, mas o filme ainda traz algumas boas cenas com tubarões. Mas a maior violência aqui é vinda da ação de humanos mesmo.

Animais Perigosos não é um grande filme, mas tem o seu público.

A Casa do Espanto

Crítica – A Casa do Espanto

Sinopse (imdb): Um escritor se muda para uma casa assombrada depois que sua tia deixa como herança.

E vamos para um dos filmes da chamada “Espantomania” da segunda metade dos anos 80!

Antes, vamos contextualizar. Nos anos 80, muitas vezes os filmes demoravam para serem lançados no Brasil. A Hora do Espanto, de 1985, foi lançado aqui em maio de 86 (segundo o imdb), e foi um grande sucesso (e acredito que essa data esteja correta, porque me mudei para o Rio de Janeiro na virada de 85 pra 86, e lembro de ter visto no Art Copacabana!). Tão grande que vários filmes de terror lançados pouco depois usaram nomes parecidos para “surfarem na onda”. Re-Animator, também de 85, foi lançado com o nome A Hora dos Mortos Vivos; Silver Bullet, de 85, virou A Hora do Lobisomem; Dead Zone, de 83, ganhou o nome A Hora da Zona Morta. Talvez a mais famosa “vítima” dessa onda seja Nightmare on Elm Street, de 84, que virou A Hora do Pesadelo – sim, hoje a franquia do Freddy Kruger é muito mais famosa do que todos os outros filmes da espantomania, mas foi daí que veio o título nacional.

House, de 1985, também ganhou um nome dentro do mesmo contexto: A Casa do Espanto.

A direção é de Steve Miner (que pouco antes tinha feito Sexta Feira 13 parte 2 e parte 3), e um dos roteiristas é Fred Dekker, que tem um currículo pequeno, mas que dirigiu um filme que acho divertidíssimo, Noite dos Arrepios. Dekker falou que viu No Limite da Realidade, feito por Steven Spielberg, Joe Dante, John Landis e George Miller, e teve a ideia de fazer um projeto parecido, em episódios, com seus amigos Steve Miner, Ethan Wiley (que co-escreveu o roteiro com ele) e Shane Black (que depois seria o roteirista de Máquina Mortifera e O Último Grande Herói). O projeto em episódios não foi pra frente, mas Dekker transformou a ideia do seu episódio neste longa metragem.

A Casa do Espanto traz um bom equilíbrio entre terror e comédia, e chegou ao circuito numa época onde essa mistura fazia sucesso. Algumas cenas até tentam assustar, mas acho que o filme vai causar mais gargalhadas do que calafrios.

Os efeitos práticos ajudam a criar esse clima. Claro, são bonecões de borracha, nada parece realmente assustador. Mas, para a proposta meio galhofa, são muito bons. E a maquiagem de alguns “monstros” é realmente bem feita. Essa é uma vantagem dos efeitos “não digitais” – quando envelhecem não ficam tão toscos quanto um “cgi vencido”.

Agora, o roteiro é meio qualquer coisa. A solução final que junta o “monstro” ao filho do protagonista não faz sentido – se era assim, por que a tia dele morreu? Mas, ok, a gente se divertia com a mão de borracha fugindo do cara e nem lembrava de procurar lógica no roteiro.

Nos anos 80, astros da TV eram mais baratos que os do cinema. Como o orçamento aqui era reduzido, A Casa do Espanto traz alguns nomes da TV: William Katt (Super Herói Americano), George Wendt (Cheers), Richard Moll (Night Court) e Kay Lenz (Rich Man Poor Man).

Lembro que quando vi A Casa do Espanto no cinema, curti muito. Tenho até um DVD duplo com os dois primeiros filmes. Agora, visto depois de décadas, o filme envelheceu mal. Na minha memória era melhor do que realmente é. Se lançado hoje em dia, acho que não seria cultuado.

Foram três continuações, lançadas em 1987, 89 e 92. Mas não pretendo rever nenhum desses…

Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Crítica – Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Sinopse (imdb): Quando Ed e Lorraine Warren, o casal de investigadores paranormais, se encontram presos a mais um medonho caso envolvendo criaturas misteriosas, eles se veem na obrigação de resolverem tudo pela última vez.

Os dois primeiros Invocação do Mal, de 2013 e 2016, foram dirigidos por James Wan, um dos maiores nomes do terror contemporâneo, e são dois filmes muito acima da média. E o que acontece com Hollywood quando um filme faz sucesso? Continuações e spin offs, claro. Pena que quase sempre com qualidade inferior.

Aqui, no “Invocaverso”, este é o nono filme. É a terceira continuação de Invocação do Mal, e foram dois spin offs, Annabelle (que teve duas continuações) e A Freira (uma continuação). Rolou um boato de que A Maldição da Chorona ia entrar no Invocaverso, mas não vi nenhuma confirmação sobre isso. James Wan só dirigiu os dois primeiros, e, sim, os sete outros filmes são mais fracos.

Os quatro Invocação do Mal trazem como protagonistas o casal Ed e Lorraine Warren, que, pra quem não sabe, existiu na vida real. Eles realmente eram investigadores de fenômenos paranormais. Ou seja, parte do que vemos nos filmes é real.

A direção deste quarto filme é de Michael Chaves, que já tinha dirigido o terceiro Invocação (além de A Freira 2 e A Maldição da Chorona). Chaves parece querer emular o estilo de câmera do “patrão” James Wan, e às vezes até consegue. Serei generoso: neste Invocação do Mal 4 ele consegue um bom resultado. Não é melhor que os primeiros, mas diria que é melhor que o terceiro. Chaves consegue criar um bom clima e alguns dos jump scares são bem bolados. Vou além: algumas cenas são muito boas. Tem uma cena envolvendo um quarto escuro e um fio de telefone que é simples e muito eficiente, e a cena dos espelhos na prova do vestido de noiva é sensacional. Ah, preciso citar a trilha sonora, muito bem usada.

Agora, nem tudo funciona. O filme às vezes não se decide se a gente vai acompanhar a família que comprou o espelho assombrado, ou os momentos onde a filha do casal Warren tem problemas com a sua crescente mediunidade. E teve uma coisa que achei bem mal feita: vemos três fantasmas ligados ao espelho, mas em determinado momento a gente descobre que existe um mal maior por trás dos fantasmas, e o filme não chega a desenvolver esse mal. Ora, se não é pra ter isso no filme, por que não ficar apenas nos fantasmas?

No elenco, Vera Farmiga e Patrick Wilson continuam ótimos como o casal Warren. Tem um prólogo com eles mais novos, são outros atores, o homem é até parecido com Patrick Wilson, mas a mulher é bem diferente, acho que podiam ter chamado a Taissa Farmiga, irmã da Vera, 21 anos mais nova, bem mais parecida (apesar de Taissa estar em A Freira). Trocaram a atriz que faz a filha Judy, no terceiro filme era Sterling Jerins, agora é Mia Tomlinson, deve ser porque neste filme a filha já é adulta – mas não duvido que Judy Warren apareça em algum spin off.

O final do filme é bem “final de novela”. Preste atenção nas pessoas que estão na plateia do evento, são personagens dos outros filmes da saga. Provavelmente Invocação do Mal acaba aqui. Agora, os Warren têm um quarto com centenas de objetos assombrados ou possuídos. Claro que os spin offs devem continuar.

Juntos

Crítica – Juntos

Sinopse (imdb): A mudança de um casal para o interior desencadeia um incidente sobrenatural que altera drasticamente seu relacionamento, suas existências e suas forma físicas.

O sucesso de A Substância ano passado trouxe de volta os filmes de body horror, ou horror corporal. Este ano a gente já teve o bom The Ugly Stepsister, e agora chega aos cinemas este Juntos.

(The Ugly Stepsister é uma versão de terror da história da Cinderela, mas é bem diferente dessa onda recente de filmes vagabundos usando temas infantis, como os filmes do Ursinho Puff, do Mickey e do Popeye. Vale ser visto!)

Escrito e dirigido por Michael Shanks, Juntos (Together, no original) traz um casal em crise que se muda para uma cidadezinha onde algo misterioso parece querer juntar seus corpos. A ideia é boa. Mas o desenvolvimento, nem tanto.

Um problema básico é que estamos diante de um filme que se propõe a ser um “horror corporal” e temos poucas cenas mostrando o tal horror corporal. Sim, aparece, mas muito pouco. Além disso, algumas cenas são demasiadamente escuras, me pareceu que foi para esconder um possível baixo orçamento. Por outro lado, preciso reconhecer que a cena dos braços se juntando foi legal, tanto na parte visual quanto na parte narrativa.

Tem outra coisa, sei que não é grave, mas preciso dizer que me incomodou. Primeiro, o casal cai na caverna, e parece que não querem sair de lá. Ok, caíram, está chovendo muito, bora esperar uma meia hora, a chuva diminui, a gente sai, certo? Que nada. Eles dormem lá embaixo! Mas, até aí ok. O problema é que eles se machucam, suas pernas grudam, aparentemente é um ferimento feio – e eles não vão procurar tratamento médico?

Sobre as atuações, Dave Franco não é um bom ator. Mas, pelo menos ele funciona bem ao lado da Alison Brie (eles são um casal na vida real).

Preciso fazer um último comentário, mas é sobre algo que acontece no fim, então vamos aos avisos de spoilers.

SPOILERS!

Não acho que um filme precise explicar tudo. Existe algo na água daquela caverna que ativa aquela magia / maldição. O que é? Não importa. O espectador só precisa saber que aquilo acontece. Beleza. Agora, acho que se um filme estabelece regras, o filme deve obedecer às próprias regras. Por que o casal do início do filme virou um monstro e o casal protagonista não virou?

FIM DOS SPOILERS!

Juntos não é ruim. Mas é besta. Tem coisa melhor por aí.

A Hora do Mal

Crítica – A Hora do Mal

Sinopse (imdb): Um épico de terror de várias histórias inter-relacionadas sobre o desaparecimento de estudantes da mesma sala de aula em uma pequena cidade.

Já falei aqui diversas vezes: fiquem de olho no diretor do filme, porque muitas vezes pode ser um bom indicativo do que virá pela frente. Lembro quando vi Barbarian / Noites Brutais, primeiro filme escrito e dirigido pelo então desconhecido (pelo menos pra mim) Zach Cregger. Barbarian é daquele tipo de roteiro que é bem diferente do padrão, que realmente surpreende o espectador. Gosto de ver filmes diferentes, então guardei o nome do cara. (Acompanhante Perfeita foi vendido aqui no Brasil com o nome do Zach Cregger no poster, mas ele só era produtor naquele filme.)

(Um parágrafo fora do filme para falar de roteiro. Existe uma “fórmula” usada em Hollywood por 90% dos filmes. Tem um livro muito famoso escrito por Syd Field, O Manual do Roteiro, onde ele explica: mais ou menos meia hora pra apresentar e ambientar a trama e os personagens. Aí acontece um ponto de virada, e a trama anda em outra direção. Mais ou menos meia hora antes do fim, outro ponto de virada que vai apontar a trama para a conclusão. Essa fórmula é muito usada. Não tem nada a ver com a qualidade, um filme bom pode ou não usar a fórmula Syd Field. Mas heu particularmente gosto quando um filme larga a fórmula e segue por caminhos diferentes. E os dois roteiros do Zach Cregger até agora não usam essa fórmula. (Parênteses dentro do parênteses: no livro do Syd Field tem um capítulo que ficou completamente desatualizado, que é quando ele sugere comprar um computador pra escrever o roteiro, porque você tem que reescrever várias vezes, então dá muito trabalho pra reescrever tudo em máquina de escrever…))

Aí apareceu este A Hora do Mal (Weapons, no original), novo filme escrito e dirigido por ele. E mais uma vez um roteiro fora do óbvio. Legal! E melhor ainda: um filmão!

(Parênteses pra falar dos nomes. No original, não entendi por que “weapons”, ou “armas”. Já em português, parece um filme da espantomania dos anos 80, que veio depois de A Hora do Espanto, A Hora do Pesadelo, A Hora do Lobisomem, A Hora da Zona Morta…)

É complicado comentar um filme desses, porque não quero dar spoilers, e acho que você vai ter uma experiência melhor se entrar no cinema sem saber muita coisa. Então, muito por alto: em uma pequena cidade, 17 crianças fogem de casa no meio da madrugada e desaparecem. A partir daí, a história se desenrola sob pontos de vista diferentes. E o roteiro, de maneira inteligente, vai jogando elementos aqui e ali para preencher o quebra cabeças, mas sempre deixando algumas peças de fora, até a parte final, onde finalmente entendemos o que aconteceu.

Mais uma vez, Zach Cregger consegue criar um ótimo clima de tensão ao longo do filme inteiro. O cara sabe posicionar e movimentar sua câmera – em algumas sequências a câmera passeia pelos cenários e o espectador fica tenso na beirada da poltrona! Fiquei envolvido pela trama, e o artifício de mudar o ponto de vista fluiu perfeitamente. O filme é longo, pouco mais de duas horas, e não cansou.

A Hora do Mal não é um “terror de jump scare”, é mais um filme de clima e mistério. Mas tem um ou dois jump scares muito bem construídos! A trilha sonora, que fica boa parte do filme só na percussão, e que também sabe usar o silêncio, também é muito boa e ajuda na construção do clima.

O elenco é bom, e gostei como alguns personagens secundários viram protagonistas dependendo do ponto de vista – me lembrei de Shortcuts, do Robert Altman. Como o filme muda de ponto de vista, o protagonismo é dividido entre Julia Garner, Josh Brolin, Alden Ehrenreich, Benedict Wong e Amy Madigan, todos estão bem (e não comento mais detalhes pra evitar spoilers).

Depois da sessão de imprensa ouvi gente falando mal da parte final. Realmente, A Hora do Mal muda um pouco de tom nessa conclusão da história, e o final do filme gerou gargalhadas no cinema. Mas, não digo por outras pessoas, digo por mim: gostei da mudança.

A Hora do Mal deve estar aqui na minha lista de melhores do ano, não vejo a hora de rever. E agora aguardo o novo projeto do Zach Cregger – seja lá o que for, quero ver!

Drácula: Uma História de Amor Eterno

Crítica – Drácula: Uma História de Amor Eterno

Sinopse (imdb): Após a morte de sua esposa, um príncipe do século XV renuncia a Deus e se torna um vampiro. Séculos depois, na Londres do século XIX, ele vê uma mulher parecida com sua falecida esposa e a persegue, selando seu próprio destino.

Ué, já tem filme novo do Luc Besson em cartaz?

Antes de entrar no filme, um comentário sobre a carreira do diretor Luc Besson. Lembro na época da faculdade, um amigo falava que certos artistas alcançam o “estágio Roberto Carlos”. É quando o cara tem várias obras boas no início da carreira, mas depois faz tanta coisa de qualidade duvidosa que sua fase ruim supera a fase boa. Às vezes me questiono se Besson chegou a esse estágio… Afinal, o início da sua carreira é fantástico: Subway, Imensidão Azul, Nikita, O Profissional, O Quinto Elemento… Mas a qualidade foi caindo, e já tem uns anos que ele não acerta (June e John, Dogman, Anna, Valerian…)

Aliás, achei curioso lembrar que um mês e meio atrás chegou no circuito outro filme dirigido por Besson, June e John, um filme com uma produção muito menor. Vejam bem, não vou entrar no mérito de se o filme é bom ou ruim, estou comentando sobre ser uma produção infinitamente mais simples. June e John tem poucos atores, poucos cenários, se passa nos dias de hoje, não precisava de muitas “mirabolâncias”. É uma produção que pode ter sido filmada em uma ou duas semanas. Já Drácula é muito mais complexo, superprodução, filme de época, muitos cenários, muitos figurinos, muitos efeitos especiais…

Drácula: Uma História de Amor Eterno (Dracula: A Love Tale, no original) começa muito bem. Toda a parte inicial, antes do Vlad Dracul virar o famoso vampiro, é muito bem feita, incluindo uma sangrenta batalha. Inclusive algumas cenas parecem ctrl c ctrl v da versão mais famosa, o Drácula do Coppola, de 1992. O problema é que lá pro meio do filme o roteiro começa a dar umas viajadas…

O roteiro foi escrito pelo próprio Besson, em cima do livro original do Bram Stoker. Nunca li o livro, mas já vi algumas versões cinematográficas. E posso dizer que este Drácula: Uma História de Amor Eterno tem algumas coisas que heu nunca tinha ouvido falar. Além disso, não traz alguns elementos clássicos – cadê o Van Helsing?

Por outro lado, Besson é um cara experiente e sabe filmar, isso é inegável. Drácula: Uma História de Amor Eterno traz várias imagens belíssimas. Também gostei da trilha sonora do Danny Elfman – em alguns momentos, nem parece o estilo do Elfman, parece mais a trilha da versão do Coppola. Ele fez como o Michael Giacchino às vezes faz, trabalhou em cima de temas já existentes. De qualquer maneira, o resultado ficou bom, gostei de como ele mistura música diegética e não diegética – a música diegética é o que os personagens estão ouvindo; a não diegética é a trilha que só o espectador ouve.

No elenco, o destaque é para Christoph Waltz, que parece que está se divertindo muito com o seu padre que parece uma mistura de personagens clássicos. Já Caleb Landry Jones, o personagem título, às vezes está monocórdico, mas não atrapalha.

Heu gostei do filme, mas tem uma coisa no roteiro que, se a gente parar pra pensar, não faz muito sentido. O cara passa 400 anos atrás de um objetivo. Aí, quando finalmente consegue, desiste? Podia curtir aquele momento por alguns anos antes de desistir, né?

Depois da sessão de imprensa, ouvi gente comentando que essa era uma “versão romântica da história do Drácula”. Pô, galera, o poster do filme de 1992 tinha “Love never dies”, “o amor nunca morre”. Pelo menos pra mim, Drácula sempre foi uma história romântica!

No fim, Drácula: Uma História de Amor Eterno deve desagradar os mais puristas. Mas por outro lado, traz um resultado bem mais palatável do que o Nosferatu lançado na virada do ano. Pra mim, o que mais gostei é que é o melhor filme do Luc Besson em um bom tempo!

O Ritual

Crítica – O Ritual

Sinopse (imdb): Dois padres, um questionando sua fé e outro contando com um passado conturbado, onde devem deixar de lado suas diferenças para salvar uma jovem possuída através de uma sequência difícil e perigosa de exorcismos.

Filme novo de exorcismo, vai entrar no circuito, tem ator bom no elenco… E é ruim com força!

Heu tinha expectativa zero para O Ritual (The Ritual, no original), e mesmo assim o resultado decepcionou. A trama se arrasta acompanhando vários rituais de exorcismo – todos iguais. Não existe nada de criativo na tela, só os mesmos clichês “cansados” de sempre. Sons gururais e vômito não amedrontam mais ninguém!

O Ritual não assusta, em momento nenhum. Causa mais sono do que medo. Digo mais: o diretor David Midell resolveu usar uma câmera na mão, trêmula, com uns closes repentinos. Acho que ele deve ter pensado que isso daria uma tensão maior, mas na verdade toda hora lembrava The Office. E se um filme de terror lembra The Office, é porque errou feio, errou rude.

Ok, tem o Al Pacino. Por ele, O Ritual não ganha nota zero. Ele traz alguma graça ao seu personagem de padre exorcista (ele já teve experiência no outro lado, né? Foi o diabo em Advogado do Diabo). O personagem dele é bom. Pena que é o único elogio possível aqui.

Porque todo o resto do filme é desnecessário. Forte candidato à lista de piores do ano aqui no heuvi.