O Iluminado

Crítica – O Iluminado

Hora de rever o clássico de Stanley Kubrick!

O escritor Jack Torrance é contratado como zelador de um grande hotel que fica fechado durante o inverno. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso.

Incontestavelmente, Stanley Kubrick foi um dos maiores diretores da história do cinema. No fim de sua vida, seu ritmo de filmar era lento. Depois de Barry Lyndon, de 1975, Kubrick só fez três filmes: este O Iluminado, de 1980, Nascido Para Matar, de 1987, e De Olhos Bem Fechados, que estava sendo finalizado quando Kubrick morreu, em 1999. Se a quantidade era pequena, pelo menos a qualidade não caiu. Diferente de alguns colegas de profissão, seus últimos filmes mantiveram a qualidade de sempre (só tenho um pé atrás com De Olhos Bem Fechados, um dia hei de rever e ter uma segunda opinião).

Aqui Kubrick mostra porque é um dos gigantes na sua área. O ritmo do filme é diferente do que estamos acostumados, mais lento, com muitos planos longos e muita câmera parada. O ritmo lento é acentuado pela edição, que traz várias sequências longas com poucos cortes.

Tem mais: rolam vários movimentos de câmera bem planejados, como os travellings seguindo o velocípede pelos corredores do hotel, ou andando pelo labirinto. Isso é aliado a grandiosos cenários e a uma trilha sonora muito bem escolhida (acho que boa parte das músicas já existia, não foram compostas para o filme). O resultado final é um filme tenso como poucas vezes visto na história do cinema.

Kubrick era um perfeccionista, famoso por refilmar as cenas incontáveis vezes, até que ficasse satisfeito com o resultado. A cena onde Halloran conversa com Danny foi filmada 148 vezes – o recorde mundial! E a cena do sangue escorrendo pelo elevador só foi filmada três vezes, mas a preparação para ela durou quase um ano. Esses atrasos na produção acabaram atrasando outros filmes que precisavam do mesmo estúdio em Londres, como O Império Contra-Ataca e Os Caçadores da Arca Perdida.

O Iluminado foi baseado em um livro de Stephen King. Li por aí que o livro teria monstros (não li o livro, então não tenho certeza da informação), e que a adaptação de Kubrick não foi muito fiel neste aspecto. Mas gostei desta mudança, o filme ficou mais sério, mais assustador.

Um dos grandes responsáveis por O Iluminado ser um filme tão assustador foi a magnífica interpretação de Jack Nicholson, uma das mais impressionantes de sua premiada carreira. Nicholson faz uma cara de louco que dá medo! Outros atores foram cogitados para o papel, como Robert de Niro, Robin Williams e até Harrison Ford, mas vendo Nicholson na tela, fica difícil de imaginar Jack Torrance vivido por outro ator. Outro destaque é o garoto Danny Lloyd, que curiosamente só fez mais um filme. Ainda no elenco, Shelley Duvall com sua “beleza exótica” e Scatman Crothers.

Curiosidade: nem todos concordam que O Iluminado é um grande filme. Na época do lançamento, concorreu a duas Framboesas de Ouro, de pior diretor e pior atriz (para Shelley Duvall). Claro que não ganhou…

Enfim, filmaço. Recomendadíssimo!

Battlestar Galactica: Blood and Chrome

Crítica – Battlestar Galactica: Blood and Chrome

Alvíssaras! Battlestar Galactica está de volta!

Estamos no décimo ano da primeira guerra contra os cylons, cerca de 40 anos antes do BSG de 2004. O cadete William Adama, cabeça quente, rebelde e recém formado na Academia, é designado para servir a bordo da nave de combate Galactica.

Em 2009 tivemos outro prequel, Caprica, que mostrava a origem dos cylons. Caprica teve só uma temporada, de 18 episódios, e decepcionou os fãs – os últimos dez minutos do episódio final são sensacionais, mas o resto da série foi devagar demais. O ideal seria alguém editar os episódios em uma minissérie de duas ou três horas, aí Caprica valeria a pena…

O novo Battlestar Galactica: Blood and Chrome tem um formato incomum. Era pra ser o piloto de uma série do canal Syfy, mas a série foi cancelada por causa do alto custo dos efeitos especiais. Resolveram então fazer um telefilme, que foi dividido em 10 webisódios, de 10 a 12 minutos cada, exibidos pelo site Machinima – os dois primeiros saíram na sexta passada. No início do ano que vem, o filme será exibido na televisão americana pelo próprio Syfy, e o blu-ray tem o lançamento previsto para 19 de fevereiro (já está em pré-venda pela Amazon). O Syfy ainda não descarta sua produção como série, embora isto dependa da receptividade dos webisódios, da transmissão na TV e da venda dos blu-rays.

E qual foi o resultado?

Bem, ainda não dá pra falar muito, já que até agora só temos dois episódios de 12 minutos cada. Mas o início foi muito bom – a sequência inicial é uma batalha espacial de tirar o fôlego, que não fica devendo nada à série antiga. E, ao fim do segundo episódio, a expectativa é grande para o que vem por aí. Mas… Infelizmente, tenho que admitir que ver um filme assim, em doses homeopáticas, não é a melhor opção. Quando começa a “esquentar”, acaba…

Mesmo assim, contarei os dias para cada novo webisódio. Não é todo dia que temos material inédito de BSG, e material de qualidade – se os efeitos especiais sofreram algum corte de orçamento, não foi nada que ficasse visível, os efeitos são muito bons.

No elenco, ninguém conhecido – Edward James Olmos, o Adama original, já era um nome famoso antes de BSGCaprica trazia dois nomes “médios”, Eric Stoltz e Esai Morales. Battlestar Galactica: Blood and Chrome conta com Luke Pasqualino, Ben Cotton, Lili Bordan, Jill Teed, Adrian Holmes e Carmen Moore.

Agora, resta esperar os outros oito episódios, e depois comprar o blu-ray. Heu apoio a volta de BSG!

So say we all!

 

Lockout – Sequestro no Espaço

Lockout – Sequestro no Espaço

Produção e roteiro de Luc Besson, nomes famosos no elenco… Mas apesar disso, não se deixe enganar, Lockout – Sequestro no Espaço é mais um filme “B”!

Ano 2079. Um homem acusado de um crime que não cometeu é convocado para resgatar a filha do presidente dos EUA, que está sequestrada em uma cadeia que fica em órbita.

Dirigido pela dupla estreante Stephen St. Leger e James Mather (que escreveram o roteiro junto com Luc Besson) Lockout – Sequestro no Espaço é uma produção B que, se vista no espírito certo, é até divertida. Parece uma versão espacial de Fuga de Nova York – que já tinha cara de filme B (mas era beeem melhor…), com uma pitada de Duro de Matar.

No início do filme rola uma perseguição de carros com cara de videogame. Sério, as ruas não parecem reais, nem os carros, muito menos as pessoas. Achei que seria proposital, um estilo, algo a ser repetido ao longo do filme. Nada, foi só naquela cena. Ficou tosco. As cenas espaciais que acontecem mais pra frente no filme não são nenhuma maravilha, mas pelo menos não têm cara de videogam.

As cenas de ação do resto do filme podem não ter muito sentido em questão de roteiro, mas pelo menos são bem feitas, o ritmo de Lockout – Sequestro no Espaço é o suficiente para chegarmos ao fim do filme sem desistir no meio do caminho.

O elenco tem pelo menos três nomes conhecidos: Guy Pearce, Maggie Grace e Peter Stormare. Não sei se propositalmente ou não, mas Lennie James e Vincent Regan fazem versões genéricas de Don Cheadle e Gerard Butler, respectivamente – James chegou a me enganar, procurei o nome de Cheadle nos créditos…

Resumindo: Lockout – Sequestro no Espaço não é um grande filme, mas acho que nunca almejou tal feito – tem cara de filme que é lançado direto em home video. Mas é divertido pra quem entrar no clima.

 

Looper – Assassinos do Futuro

Crítica – Looper – Assassinos do Futuro

Em 2074, quando a máfia deseja se livrar de alguém, eles enviam a pessoa de volta 30 anos no tempo, no momento exato em que haverá um assassino armado esperando para executá-la. Esses assassinos são chamados “Loopers”.

Gosto de filmes com viagem no tempo, tanto que já fiz um Top 10 sobre o assunto. Não sei se Looper – Assassinos do Futuro teria vaga no Top 10, mas posso dizer que é um bom filme. Escrito e dirigido pelo semi desconhecido Rian Johnson, o filme traz uma equilibrada mistura entre ação, ficção científica e drama, com uma pitada de elementos fantásticos.

Tenho coisas boas e ruins pra falar do roteiro de Johnson. O lado bom é que é um roteiro bem escrito que usa de maneira inteligente os paradoxos da viagem temporal – tem uma cena chave que acontece duas vezes, com uma pequena variação, e tudo faz sentido (tive que rever esta parte pra sacar os detalhes).

Mas… Por outro lado, o roteiro tem umas falhas bizarras. Vou falar depois dos avisos de spoiler.

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

Não vou falar que este sistema inventado pra mandar alguém pro passado pra então ser assassinado não tem lógica, porque seria muito mais fácil matar no futuro e mandar só o corpo, ou mandar o cara com um peso nos pés no meio do oceano. Também não vou falar que ninguém explicou como os loopers saberiam o local e a hora que receberiam a “encomenda”. Tampouco vou falar que seria mais fácil mandar outra pessoa pra matar o looper velho, pra não ter problemas de consciência.

Só vou falar uma coisa: se no futuro é tão complicado matar alguém que tiveram que inventar um sistema envolvendo viagens no tempo, como é que uma das coisas que movimenta a trama é justamente o assassinato da mulher do Bruce Willis???

FIM DOS SPOILERS!!!

Uma outra coisa me incomodou no conceito de Looper – Assassinos do Futuro: a escolha do elenco principal. Sinceramente, não acho Bruce Willis parecido com Joseph Gordon-Levitt. Ok, a maquiagem ficou bem feita. Mas Gordon-Levitt já é um rosto conhecido, ele ficou com cara de “Joseph Gordon-Levitt maquiado”, e não com cara de Bruce Willis!

Apesar desses detalhes, gostei do filme, que tem um bom ritmo e traz uma visão interessante de um sombrio futuro próximo.  Looper – Assassinos do Futuro também traz personagens bem construídos e um bom elenco – além de Willis e Gordon-Levitt, o filme conta com Emily Blunt, Piper Perabo, Paul Dano, Jeff Daniels, Noah Segan, Tracie Thoms, Garret Dillahunt e o garoto Pierce Gagnon.

O que é uma pena é ver que uma história bem bolada com viagens no tempo ter um roteiro com tantos furos. Looper – Assassinos do Futuro é legal, mas poderia ser bem melhor.

Top 10: Disco Music

Top 10: Disco Music

Toco em uma banda de disco music (banda Boogie Nights), por isso tive vontade de fazer um top 10 de filmes ligados ao estilo.

Não é tarefa das mais fáceis, porque não existem muitos filmes famosos sobre o assunto. Mas, mesmo assim, ainda consegui mais do que dez filmes. Achei três que não sei se merecem estar no Top 10, talvez valham uma menção honrosa: A Música Não Pode Parar / Can’t Stop The Music (1980), biografia do Village People; Roller Boogie (1979), filme estrelado pela Linda Blair sobre patinadores que frequentam a pista de dança; e The Apple (1980), dirigido pelo Menahem Golan – o mesmo de Comando Delta – nuff said.

Vamos aos filmes?

10. Xanadu (1980)

Tá, o filme é famoso e tem Olivia Newton-John e Gene Kelly nos papeis principais. Mas tem um pé no trash. Talvez dois pés. Está no top 10 pela boa trilha sonora.

9. Disco Godfather (1979)

Um policial aposentado vira um DJ famoso em um clube: o Disco Godfather! Não vi, tem cara de ser um trash divertido.

8. Car Wash (1976)

Filme sobre um dia na vida dos funcionários de um lava a jato em Los Angeles. Estrelado por Richard Pryor e pelas Pointer Sisters.

7. Até que Enfim é Sexta-Feira / Thank God It’s Friday (1978)

É sexta feira e todos planejam ir à boate. Filme estrelado por Jeff Goldblum e Donna Summer, ela mesma!

6. Funkytown (2011) 5,7

Filme canadense (mal) lançado ano passado, sobre um grupo de amigos que frequenta uma boate em Montreal, no ano de 1976.

5. Studio 54 (1998) 5,6

Filme que conta a história da famosa boate nova-iorquina. A ambientação é excelente, mas o filme não é lá grandes coisas.

http://heuvi.com.br/drama/studio-54/

4. Os Últimos Embalos da Disco (1998) 6,4

Duas amigas frequentam uma boate em Manhattan. Estrelado por Chloë Sevigny e Kate Beckinsale

3. Tony Manero (2008) (6,8)
Filme chileno recente onde o protagonista é fã do personagem de John Travolta em Embalos de Sábado À Noite

2. Os Embalos de Sábado À Noite (1977) 6,7

Talvez o mais famoso de todos os filmes feitos no fim dos anos 70 sobre a era da discoteca. Alçou John Travolta ao status de símbolo sexual.

1. O Pagamento Final (1993) 7,9

Filmaço de Brian de Palma, não se trata de um filme sobre a música disco. Mas o protagonista Carlito Brigante (Al Pacino) gerencia uma discoteca.

http://heuvi.web73.f1.k8.com.br/acao/o-pagamento-final/

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Hors Concours – Boogie Nights (1997)

Sou muito fã do filme de Paul Thomas Anderson, mas os maiores focos aqui são a indústria pornográfica e as drogas, por isso o deixei de fora do Top 10.

Frankenweenie

Crítica – Frankenweenie

Novo longa-metragem em animação stop motion de Tim Burton!

Depois de perder inesperadamente o seu querido cão Sparky, o menino Victor usa experimentos com energia elétrica aprendidos na aula de ciências para trazer seu melhor amigo de volta à vida.

Tim Burton começou a chamar a atenção em 1988, com Beetlejuice – Os Fantasmas Se Divertem, seu terceiro longa-metragem. Mas ele já tinha feito alguns curtas interessantes antes. Um deles, de 1984, era justamente Frankenweenie, também em stop motion. Agora que Tim Burton é um nome consagrado em Hollywood, ele resolveu retomar seu velho curta e transformá-lo em um longa. Como já era previsível, o resultado ficou muito bom!

Falei previsível porque já mencionei aqui que Tim Burton é um dos poucos diretores contemporâneos com personalidade própria. Seus filmes quase sempre têm “cara de Tim Burton”. E ele usar stop motion em um longa não é exatamente uma novidade – ele produziu O Estranho Mundo de Jack em 1993 e dirigiu A Noiva Cadáver em 2005.

O melhor de Frankenweenie são as inúmeras referências a filmes clássicos de terror, como o Frankenstein de 1931 (a referência mais óbvia, na cena onde Sparky é trazido de volta), A Noiva de Frankenstein (o “cabelo” da cachorrinha), Gamera (ou Godzilla), A Múmia, nomes de alguns personagens (Elsa Van Helsing, Edgar E. Gore), o professor que tem a cara do Vincent Price, e até Gremlins (os ‘kikos marinhos”). Isso sem contar com Christopher Lee, que aparece em imagens de arquivo, tiradas do filme Drácula, O Vampiro da Noite.

Outra coisa muito legal é a caracterização dos personagens. A turma da escola só tem freaks, cada personagem é melhor que o outro! Adorei a menina dona do gato, com olhos enormes e pupilas minúsculas. Também gostei muito da fotografia em preto e branco e da trilha sonora de Danny Elfman.

Justamente por estes fatores citados nos dois parágrafos acima, não sei se o filme vai agradar os mais novos. O filme não é exatamente para crianças, apesar de não ser assustador – é uma mistura de terror com fantasia, com pitadas de drama e de comédia. Aliás, é bom falar: não é exatamente uma comédia, mas traz uma cena engraçadíssima de humor negro (a cena do “Colosso”).

Vi o filme dublado, então não posso falar muito sobre o elenco, que conta com vozes de Winona Ryder, Martin Landau, Martin Short e Catherine O’Hara, contracenando com crianças menos conhecidas como Charlie Tahan e Atticus Shaffer. Curiosamente, Frankenweenie não tem Johnny Depp nem Helena Bonham-Carter, os “atores assinatura” de Burton – é a primeira vez desde Peixe Grande (2003) que Depp não está num filme de Burton (foram cinco filmes seguidos).

O fim do filme traz um final “disneyano” desnecessário (o filme é da Disney), o fã de Tim Burton não precisa necessariamente de um final feliz. Mas nada que estrague o filme.

p.s.: Procurei no youtube o curta Frankenweenie original, de 1984, mas só achei este link que traz também outro curta, Vincent, feito em stop motion pelo mesmo Tim Burton dois anos antes, em 1982. Frankenweenie começa aos 5:57. Mas recomendo ver os dois!

Lucasfilm & Disney

Lucasfilm & Disney

Esta semana, o mundo nerd parou com a notícia da compra da Lucasfilm pela Disney por 4 bilhões de dólares. Pela internet, 9 em cada 10 comentários são negativos. Não entendi por que estão reclamando. Achei a notícia excelente!

A maioria dos detratores cita o Mickey e os desenhos musicais da Disney. Parece que eles não se tocaram que a Disney é muito maior que isso. Vamos ao “Império Disney”?

– A Disney produz longa-metragens “live action” (com atores) de aventura e ficção científica, como Tron – O Legado, John Carter e a série Piratas do Caribe;

– Recentemente a Disney comprou a Marvel. Os Vingadores, um dos melhores filmes de 2012, é Disney.

– A Disney comprou a Pixar. E tirando raros momentos (Carros 2?), ninguém pode questionar a qualidade da Pixar.

– A Disney era dona da Miramax. Pulp Fiction, O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado são Disney…

Agora voltemos à Lucasfilm. Na época do Star Wars Ep I – A Ameaça Fantasma, ficou claro que George Lucas precisava de alguém para aconselhá-lo. Imaginem uma situação hipotética: Lucas termina o filme, e alguém dá as seguintes dicas para ele:

“Pô, George, o seu filme novo é legal, mas na minha humilde opinião, com três pequenas mudanças, ele ficaria ainda melhor:
– Bacana a ideia do Jar Jar Binks, um personagem digital. Legal isso. Mas ficou over, ele aparece o tempo todo. Que tal cortar pelo menos metade do seu tempo de tela?
– Pra compensar, aumente a participação do Darth Maul. É um vilão muito bom. Tão bom que até merece destaque num futuro poster do filme. 😉
– GL, lembra que você tinha desistido de dirigir, ainda nos anos 70, porque você mesmo assumiu que não gosta de atores? Por que você não faz que nem fez com O Império Contra-Ataca e O Retorno do Jedi, quando contratou diretores de aluguel pra lidarem com o elenco? Aí você aproveita e foca no que você faz melhor: o universo de Star Wars.

Imaginem se o Ep I fosse assim…

Ah, tem outra coisa: nós somos “burros velhos”, que curtimos a trilogia clássica quanddo éramos crianças. A criançada hoje em dia prefere a trilogia nova e os desenhos Clone Wars. Pode ser difícil de admitir, mas o universo Star Wars é direcionado ao público infanto juvenil. Agora me digam: existe alguém melhor para gerir um negócio de entretenimento infanto juvenil do que a Disney?

Alguns fãs rabugentos estão reclamando porque a Disney avisou que usaria histórias inéditas em vez de usar as já conhecidas do Universo Expandido – existe uma série de livros contando os possíveis episódios 7, 8 e 9, os livros “Herdeiros do Império”, escritos por Timothy Zahn, livros muito bons, por sinal. Mas, gente, o Lucas já tinha dito que não usaria os livros do Zahn, por que a Disney usaria? Tá, seria legal se um dia esses livros virassem um filme, mas isso é sonho de fã, né?

Vejo a situação assim: George Lucas fez bem em ter vendido seu estúdio pra quem vendeu. A Disney tem gente competente no seu staff, e, principalmente, dinheiro, muito dinheiro. Finalmente poderemos ver novos filmes da saga Guerra nas Estrelas, feito por quem é especialista em entretenimento infanto juvenil.

Uma recomendação aos fãs xiitas: relaxem e deixem a Disney trabalhar. Esperem os resultados antes de falar mal. E lembrem-se: dificilmente veremos algo pior do que o Jar Jar Binks…

007 – Operação Skyfall

Crítica – 007 – Operação Skyfall

Filme novo do James Bond!

A lealdade de James Bond a M é testada quando o passado dela volta a assombrá-la. Com o MI6 sob ataque, 007 deve rastrear e destruir a ameaça, mesmo que isso tenha um custo pessoal.

Antes de falar de 007 – Operação Skyfall, preciso avisar que curto os filmes do James Bond, mas não sou “fã de carteirinha”. Vi quase todos (este é o vigésimo terceiro), mas não guardo detalhes sobre nenhum deles. Considero todos bons filmes de ação, a franquia é sempre competente. Mas, pra mim, são filmes descartáveis. Bons, mas descartáveis, na minha humilde opinião (falo isso porque sei que existe quase uma religião entre os adoradores do espião inglês).

Falei isso tudo porque gostei do filme, mas não saberia dizer se é melhor ou pior que os outros. Sendo assim, o julgamento é apenas sobre este filme em particular. Não vou comparar com outros filmes da série, e nem vou comparar o Daniel Craig com os outros atores que já viveram Bond!

Normalmente, os filmes do James Bond são dirigidos por diretores “de aluguel”, gente competente, mas sem muita personalidade – assim, o filme segue parte da série independente do estilo do diretor. 007 – Operação Skyfall é diferente, a direção coube a Sam Mendes, ganhador do Oscar por Beleza Americana. Mas até que funcionou, o novo filme não tem cara de “filme de autor”.

Aliás, não sei se é influência do diretor, mas a fotografia deste 007 – Operação Skyfall é um dos destaques do filme. Uma das sequências chama a atenção: uma luta no alto de um prédio onde as paredes são de vidro, e tudo é iluminado pelos letreiros luminosos externos. Belo contra-luz!

Muita gente critica o Daniel Craig como James Bond, mas heu não tenho nada contra ele. Mas o destaque sem dúvida é Javier Bardem, com um excelente vilão de sexualidade duvidosa. Ainda no elenco, Judi Dench, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Ben Whishaw e Albert Finney, num pequeno mas importante papel.

Tive uma dúvida. Não me lembro de muitos detalhes do filme anterior, 007 – Quantum Of Solace. Mas lembro que a história terminou em aberto. Resolveram ignorar isso? Enfim, 007 – Operação Skyfall traz uma história fechada. Rolam algumas homenagens a alguns filmes antigos (a franquia está completando 50 anos), como a volta do carro Aston Martin, mas nada que deixe o público leigo sem entender.

Enfim, bom filme de ação e espionagem em cartaz.

V/H/S

Crítica – V/H/S

Mais um terror do estilo “câmera encontrada”…

Um grupo de arruaceiros é contratado por alguém misterioso para recuperar uma fita VHS em uma casa abandonada. Enquanto eles procuram a tal fita, vemos algumas histórias curtas de terror, teoricamente guardadas nas velhas fitas VHS espalhadas pela casa.

Dirigido por Ti West, Joe Swanberg, Radio Silence, David Bruckner, Adam Wingard e Glenn McQuaid, V/H/S é mais um “found footage”. O que o diferencia dos outros trocentos filmes do estilo é que enquanto o grupo está procurando a fita, vemos outras cinco filminhos, independentes entre si – ou seja, na verdade não é um longa, parece mais um festival de curtas. E aí, claro, rola o problema de sempre: V/H/S é irregular – como quase todos os filmes em episódios…

Vamos a cada uma delas:

– Amateur Night – um grupo de rapazes sai à noite para procurar mulheres, mas pegam algo perigoso sem reparar. Boa ambientação, bons sustos, uma das duas melhores histórias.

– Second Honeymoon – um casal sai de férias e uma misteriosa pessoa os espreita. Bobo. Tem uma reviravolta besta e sem sentido no final, que ainda piora tudo.

– Tuesday the 17th – uma boa ideia, um slasher diferente usando o tema “cabana escondida no meio do mato”. Pena que a ideia foi mal desenvolvida, o resultado fica devendo.

– The Sick Thing That Happened to Emily When She Was Younger – uma mulher  mora numa casa assombrada e se comunica com o namorado pela webcam. História confusa, mas tem alguns bons sustos.

– 10/31/98 – um grupo vai a uma festa de halloween, mas acabam entrando na casa errada. Filme curtinho, efeitos simples e eficientes, alguns bons sustos. A outra das melhores histórias.

– Tape 56 – a história que une tudo. De longe a pior de todas. Deveriam fazer algo diferente pra unir os episódios, sei lá, de repente uma revista em quadrinhos, como Creepshow.

Além da irregularidade, V/H/S tem outro problema, desta vez conceitual. Pelo menos um dos filminhos usou uma câmera digital (no óculos do cara), e outro deles é através da webcam. Ou seja, por que diabos chamar de “VHS” um longa filmado com tecnologias mais modernas?

Acaba que o filme fica longo, são quase duas horas. Na minha humilde opinião, poderiam ter limado a história da lua de mel e a que liga todas. Ia ser um filme de hora e meia com menos “gorduras”…

Mesmo assim, V/H/S ainda vale a pena, nem que seja pela primeira e pela última histórias, que conseguem criar o clima certo de terror que uma produção dessas pede.

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Se você gostou de V/H/S o Blog do Heu recomenda:
REC
O Caçador de Trolls
O Segredo da Cabana

A Entidade

Crítica – A Entidade

Nas duas semanas do Festival do Rio, nem prestei atenção no que era lançado no circuito. Perdi Dredd e Looper, vou ter que ver depois. E nem tinha reparado neste A Entidade. Sorte que deu tempo de ver.

Um escritor com a carreira em crise se muda com a família para uma casa onde uma família inteira foi assassinada misteriosamente. Investigando o assassinato para escrever sobre ele no próximo livro, ele começa a desconfiar que está diante de uma entidade sobrenatural.

Simples e eficiente, A Entidade (Sinister, no original) não se propõe a revolucionar o cinema de terror. Mas é bem feito, traz um ator inspirado, uma ótima ambientação e alguns sustos bem colocados – ou seja: é uma boa diversão pra quem curte cinema de terror.

Dirigido por Scott Derrickson, que em 2007 fez o bom O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade lembra Sobrenatural, produzido dois anos atrás pelo mesmo Jason Blum. Ambos são bons filmes de terror, cujas histórias não insultam a inteligência do espectador e que trazem alguns sustos divertidos.

O melhor de A Entidade é o clima de terror “old school”. A fotografia escura, a trilha sonora e os efeitos sonoros fazem um bom trabalho, aliadas a um bom aproveitamento dos cenários – é uma casa comum, mas parece assustadora pelo modo como é mostrada no filme. Os efeitos especiais são simples, discretos e eficientes.

No elenco, apenas um nome conhecido: Ethan Hawke – que nunca tinha feito nada no estilo. Ele faz um bom trabalho com o seu personagem, um pai e marido ausente, preocupado com a própria carreira, mas que descobre algo que não deveria ter descoberto. Além dele, o filme conta com Juliet Rylance, Fred Dalton Thompson, James Ransone e as crianças Clare Foley e Michael Hall D’Addario. E também Vincent D’Onofrio, não creditado, como o professor que só aparece pelo chat do computador.

Li algumas críticas negativas sobre a maquiagem caricata usada em algumas cenas. Mas na minha humilde opinião, não atrapalhou. Também li críticas com relação a alguns sustos serem meio óbvios e previsíveis. Mas outros não são. Vou te falar que é raro um filme me fazer pular no cinema – e este conseguiu.

Enfim, uma boa surpresa.