Dirty Girl

Crítica – Dirty Girl

1987. Danielle é a “bad girl” da escola. Seu mau comportamento faz com que ela seja transferida para uma turma especial, só de alunos problemáticos, onde ela é escalada para um trabalho de grupo ao lado de um gordinho gay.

Mistura de drama com comédia com “road movie”, Dirty Girl é um bom filme independente e por enquanto obscuro por aqui pelo Brasil – esse só deve chegar através de dvd, acho difícil ver um filme desses no cinema.

Longa de estreia do diretor e roteirista Abe Sylvia, Dirty Girl tem um problema: a primeira metade é melhor que a segunda. Senti uma queda no ritmo. Não que o filme tenha ficado ruim, mas é uma pena que o bom pique inicial não aguente a hora e meia de projeção.

No elenco, o grande nome é Juno Temple. Ainda desconhecida do grande público, Juno esteve em Desejo e Reparação e no novo Os Três Mosqueteiros, além de ter estrelado o bom (e underground) Kaboom – ela também está no novo Batman, mas esse ainda não estreou. Juno está ótima aqui, como uma garota que desperta ao mesmo tempo amor e ódio. O quase estreante  Jeremy Dozier também está muito bem como Clarke, o amigo gordo, gay e com problemas com o pai. Ainda no elenco, Milla Jovovich, Mary Steenburgen, Nicholas D’Agosto e William H. Macy.

Ah, preciso falar de um dos melhores personagens: Joan, o “saco de farinha”. Um trabalho da escola aproxima Danielle e Clarke: eles precisam cuidar de um saco de farinha como se fosse um filho. Eles pegam um pilot e desenham dois olhos e uma boca, o batizam de Joan e passam a carregar o saco de farinha para tudo quanto é canto. E os olhos e a boca (pintados) de Joan reagem a cada cena, criando um alívio cômico discreto e genial.

Gostei muito da ambientação do filme. Mas acho que os figurinistas erraram. O filme se passa em 1987, mas aqueles penteados e roupas estão mais próximos dos anos 70 do que dos 80. Se pelo menos fosse no início dos anos 80, ainda dava, mas 87 o visual já era outro…

Falando em cabelos, achei a Juno Temple a cara da atriz pornô Traci Lords. Não sei se foi intencional, mas, lá pra 87, Traci tinha um visual parecido. Vejam aqui:

(Traci Lords é a de cima…)

Enfim, Dirty Girl não é um filme essencial, mas é uma boa opção – principalmente pra quem curte os anos 80.

Claustrofobia

Crítica – Claustrofobia

Depois de A Espiã, mais um filme holandês! Desta vez, um mais recente, e sem nenhum nome conhecido envolvido.

Claustrofobia é daquele tipo de filme que o quanto menos você souber, melhor. Simplificando em uma frase: “A estudante de veterinária Eva acorda e se vê algemada a uma cama, sozinha num porão.”

Claustrofobia é uma agradável surpresa. Um filme simples com uma trama interessante, um suspense não tem nada de sobrenatural – o filme trata de um cara desequilibrado, que pode ser o seu vizinho. E com um roteiro eficiente em construir reviravoltas – quando você acha que “matou” a história, logo alguma coisa te direciona para outro caminho.

Li na internet que Bobby Boermans, o diretor de Claustrofobia, estreante em longas, optou por não lançar seu filme nos cinemas, e liberar o download gratuito. Por um lado é uma pena, já que o filme tem qualidades e é melhor que alguns títulos que são lançados no circuito. Por outro lado, isso deu uma visibilidade maior ao filme e ao seu realizador. Acho que ainda veremos o seu nome por aí.

(Tem mais: um filme de suspense holandês, sem nenhum nome conhecido, NUNCA ia ser lançado por aqui. Então, pra gente, tanto faz…)

O elenco, claro, não tem nenhum nome famoso. Alison Carroll e Dragan Bakema, os principais nomes na trama, cumprem bem seus papeis.

Fica a dica: uma boa opção off-Hollywood. E esse pode baixar que não é pirataria!

p.s.: Não entendi o poster. Até rola uma breve nudez, mas nada como sugere o poster…

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Top 10: Melhores Filmes de Trem

Top 10: Melhores Filmes de Trem

Seguindo mais uma sugestão do meu amigo Bernardo Araujo, vamos aos melhores filmes com trens!

Hoje o tema é simples: trem. Nem precisa explicar, né?

Como sempre, alguns tiveram que ficar de fora. Manções honrosas para O Último Trem, A Última Ameaça, Expresso Para o Inferno e a série Harry Potter – lembrei do trem que leva a Hogwarts, mas o trem em si não é muito importante para a trama, o foco do Top 10 está em trens essenciais para os seus filmes.

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10. Viagem a Darjeeling

Ok, confesso, não vi esse. Mas um filme com um elenco desses – Owen Wilson, Adrien Brody, Bill Murray e Angelica Huston – merece ser citado.

9. Incontrolável

Um trem desgovernado carregando produtos químicos tóxicos está indo em direção a uma cidade. Eficiente filme de ação de Tony Scott.

http://blogdoheu.wordpress.com/2011/01/04/incontrolavel/

8. Sequestro do Metro 123

Não vi o original, só conheço a boa refilmagem de Tony Scott, com John Travolta e Denzel Washington.

7. O Assalto ao Trem Pagador

O representante nacional é O Assalto ao Trem Pagador, clássico policial de Roberto Farias, lançado em 1962.

6. Expresso Polar

Animação pioneira no sistema de captura de movimento, Expresso Polar se passa boa parte dentro do trem que vai até o Pólo Norte.

5. Assassinato no Expresso Oriente

Um grande elenco interpretando uma das mais famosas histórias do detetive Hercule Poirot, personagem de Agatha Christie.

4. Missão Impossível

O primeiro filme da série estrelada por Tom Cruise traz uma alucinante sequência com um helicóptero preso a um trem – dentro de um túnel!

3. De Volta Para o Futuro 3

O grande barato dos três filmes são os carros De Lorean. Mas justamente o clímax da trilogia envolve um trem!

http://blogdoheu.wordpress.com/2011/11/13/de-volta-para-o-futuro-3/

2. A Invenção de Hugo Cabret

Um dos melhores filmes do ano passado, Hugo se passa quase todo dentro de uma estação de trem, e uma das melhores sequências envolve um trem.

1. Contra o Tempo

Bom filme mal lançado aqui ano passado, Contra o Tempo tem a trama intimamente ligada a um acidente de trem.

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Se você gostou do Top 10: Melhores Filmes de Trem, o Blog do Heu recomenda os outros Top 10 já publicados aqui:
filmes de zumbi
filmes com nomes esquisitos

filmes sem sentido
personagens nerds
estilos dos anos 80
melhores vômitos
melhores cenas depois dos créditos
melhores finais surpreendentes
melhores cenas de massacre
filmes dos ano 80 e 90 nunca lançados em dvd no Brasil
estilos de filmes ruins
casais que não convencem
musicais para quem não curte musicais
melhores frases de filmes
melhores momentos de Lost
maiores mistérios de Lost
piores sequencias
melhores filmes de rock
melhores filmes de sonhos
melhores filmes com baratas
filmes com elencos legais
melhores ruivas
melhores filmes baseados em HP Lovecraft
filmes que vi em festivais e mais ninguém ouviu falar
Atores Parecidos
Atrizes Parecidas
filmes de lobisomem
melhores trilogias
filmes de natal
melhores filmes de 2010
coisas que detesto nos dvds
melhores filmes da década de 00
filmes de vampiro

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cenas de sexo esquisitas

ficção cientifica ou não ficção científica

filmes de vingança

marcos nos efeitos especiais
filmes estrangeiros que fazem referência ao Brasil

personagens que morreram e voltaram

filmes de macho
filmes de máfia
visual deslumbrante
favoritos do heu
filmes de humor negro
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filmes com viagem no tempo
melhores lutas longas
melhores adaptações de quadrinhos de herois
piores adaptações de quadrinhos de herois
melhores filmes trash
filmes com teclados
stop motion
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naves legais
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armas legais
alienígenas legais
monstros legais
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melhores filmes de 2011
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melhores bares e restaurantes do cinema
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filmes onde Nova York é destruída
atores que envelheceram mal
atores que envelheceram bem
atores feios
sinopses bizarras
atrizes feias

A Espiã

Crítica – A Espiã

O filme “novo” do Paul Verhoeven!

Na Holanda ocupada por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, uma cantora judia se une à Resistência, e se infiltra nos quarteis generais alemães, onde vira a amante de um oficial.

As aspas lá em cima são porque na verdade A Espiã (Zwartboek no original, Black Book em inglês) é um filme de 2006, seis anos atrás. Mas é o mais recente filme de Verhoeven – na verdade, por enquanto é o único filme que ele fez depois que largou a fase hollywoodiana de sua carreira. Entre 1985 e 2000, ele dirigiu sete filmes, alguns muito bons (Conquista Sangrenta, O Vingador do Futuro, Robocop), alguns não tão bons mas mesmo assim muito legais (Tropas Estelares, Instinto Selvagem) e alguns não tão bons e não tão legais (Showgirls, O Homem Sem Sombra). Verhoeven estava sumido desde 2000, até que este A Espiã foi lançado. Heu já tinha o blu-ray, mas estava com preguiça de ver…

A Espiã foge um pouco do Verhoeven das décadas de 80 e 90 – é um drama de guerra. Mas a qualidade é bem superior ao seu filme anterior (O Homem Sem Sombra). O tema “Segunda Guerra Mundial” já está bem batido no cinema, mas pelo menos vemos por um ângulo pouco usado: a vida na Holanda ocupada. A trama, cheia de reviravoltas, prende a atenção do início ao fim e não deixa um filme de quase duas horas e meia ficar cansativo.

Pelo que li por aí, a trama de A Espiã começou a ser rascunhada ainda nos anos 70, antes de Verhoeven ir para Hollywood. Ele teria tido a ideia quando fez O Soldado de Laranja, também passado na Holanda ocupada por nazistas. Mas só agora no sec XXI, de volta à Europa, é que ele deu continuidade ao projeto.

A Espiã pode ser diferente da filmografia hollywoodiana do diretor holandês, mas uma marcante característica continua presente. Verhoeven tem um modo peculiar de mostrar sexo e violência em imagens graficamente fortes. Isso está presente em cenas como a morte de Smaal, ou quando Ellis pinta os pelos pubianos (alguém mais se lembrou da cruzada de pernas de Instinto Selvagem?). Verhoeven não decepciona seus fãs!

No elenco, o único nome cohecido é Carice Van Houten, de Operação Valquíria e Os Coletores, e que esteve na última temporada de Game of Thrones. Ainda no elenco, Sebastian Koch, Thom Hoffman e Halina Reijn.

Quando A Espiã foi lançado, pensei “legal, Verhoeven largou voltou à ativa!” Mas já se passaram seis anos, e este ainda é seu único filme desde a virada do milênio. Será que agora ele parou de vez? Sendo que ele já tem quase 74 anos (faz aniversário amanhã!), é capaz de ter se aposentado. Tomara que não!

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Além da Liberdade / The Lady

Crítica – Além da Liberdade / The Lady

Biografia de Aung San Suu Kyi, que apesar de ter se mudado para a Inglaterra e ter se casado com um inglês, foi uma das personagens mais importantes na democratização da sua Birmânia (hoje Myanmar) natal.

Além da Liberdade é um daqueles dramas épicos sobre grandes personagens, como Ghandi ou Gritos do Silêncio. O filme funciona muito bem. Só não entendi a escolha do diretor. Por que Luc Besson?

Sou fã de Besson desde os anos 80, desde a época de Subway e Imensidão Azul. Foi ele quem mostrou ao mundo que bons filmes de ação podem ser feitos fora de Hollywood, quando dirigiu Nikita (1990) e depois O Profissional (94). Isso sem contar com a ótima ficção científica O Quinto Elemento, de 97. Desde Joana D’Arc (99), Besson deixou a carreira de diretor em segundo plano – em dez anos, só dirigiu Angel-A e a série infantil Arthur e os Minimoys. Por outro lado, roteirizou e produziu muitos filmes de ação (Busca Implacável, os dois B13, Dupla Implacável, Cão de Briga, Revólver, as séries Carga Explosiva, Taxi, etc). Em 2010, Besson voltou à direção de um filme de ação, a divertida aventura As Múmias do Faraó. E agora, este Além da Liberdade.

Veja bem, Além da Liberdade não é ruim, longe disso. O problema é que heu esperava algo diferente do diretor. Sinto falta daquele Luc Besson das antigas. No cinema “pop”, Besson é um grande nome; em dramas históricos, Besson é apenas mais um…

Pelo menos ele não fez feio. Besson deixou de lado a sua vocação pop e fez um drama-épico-com-cara-de-Oscar. Não conhecia a história de Aung San Suu Kyi, seu caso foi pouco comentado na mídia ocidental. Ponto para o diretor francês, que chama a atenção para o problema.

O grande nome aqui é Michelle Yeoh, outra que tem vários filmes pop no currículo (007 – O Amanhã Nunca Morre, O Tigre e o Dração, A Múmia – Tumba do Imperador Dragão). Não só Michelle tem uma interpretação digna de premiações (será que este filme vai pegar o Oscar do ano que vem?), como ela é fisicamente parecida com Suu Kyi. Vejam aqui no google! David Thewlis, o Remus Lupin da série Harry Potter, também está excelente.

Li pela internet críticas ao roteiro que dá pouca importância a algumas passagens da vida de Suu Kyi, como por exemplo o pouco espaço na trama dado aos vários anos de sua prisão domiciliar. Discordo. Gostei da opção do roteiro de manter o foco na vida familiar de Suu Kyi em vez de falar mais de política. As difíceis escolhas na vida de Suu Kyi foram sofridas, mas ela conseguiu resultados. E ainda ganhou um Nobel da paz de quebra.

O filme tem ótimos momentos. Gostei muito de Suu Kyi ouvindo o discurso de seu filho pelo rádio, depois tocando no piano a mesma música que era tocada a quilômetros de distância. Belíssima cena!

Além da Liberdade foi filmado parte na Tailândia, parte na própria Birmânia, mesmo sem ter uma autorização oficial. Besson usou uma câmera portátil e se fingiu de turista para driblar o rígido regime local e conseguir imagens do país “certo”.

Espero que Luc Besson ganhe muitos prêmios com o belo trabalho feito em Além da Liberdade. E depois, espero que ele volte ao universo pop! 😉

Desaparecidos

Crítica – Desaparecidos

Versão tupiniquim (e vagabunda) de A Bruxa de Blair

Seis câmeras são encontradas, e explicam o desaparecimento de um grupo de jovens, que foi a uma festa em Ilhabela, no litoral paulista. O convite da festa era uma câmera de vídeo, que ligava e desligava aleatoriamente.

A premissa até que era boa, um filme nacional de terror com câmera subjetiva, no estilo “encontraram uma filmagem”. Primeiro filme de ficção de David Schurman, que dirigiu o documentário O Mundo em Duas Voltas, e que antes do filme criou contas falsas no Facebook e as atualizou durante um ano inteiro, até um suposto “evento” que seria a festa ocorrida em Ilhabela. Legal, a ideia era parecer que era de verdade.

Mas nada disso adianta se o filme não ajuda. Desaparecidos é ruim. Mas não é pouco ruim, é muito ruim!

Olha, heu queria gostar desse filme. Filme de terror nacional é artigo tão raro que quando aparece um, a gente tem mais boa vontade pra assistir. Mas no caso de Desaparecidos, fica difícil.

Pra começar, não existe nenhuma ideia nova aqui. Antes de ir para a floresta como em A Bruxa de Blair, as pessoas estão numa festa como em Cloverfield; rolam sustinhos pela câmera como em Atividade Paranormal; uma das vítimas parece ter saído de Cannibal Holocaust; e a última cena foi copiada de REC. Poxa, será que não dava pra gente ver algo diferente?

Mas, ok, de vez em quando vejo filmes sem nada de novo. Mas aí vem o outro problema: tudo é muito chato, muito confuso, muito desconexo. A primeira parte do filme é chata, porque nada acontece. Depois, fica chato, porque é só gritaria e correria na floresta escura. Alguém consegue se assustar vendo imagens escuras de galhos e folhas enquanto pessoas gritam?

Resultado: um filme de menos de uma hora e vinte, mas que demooora pra acabar…

Pra não dizer que nada há de se aproveitar, gostei de uma coisa. Costumo implicar com quase todos esses filmes de câmera subjetiva, filmados pelos personagens, porque em certas situações, o cara pararia de filmar para salvar a própria vida. Aqui não rola isso, as câmeras foram dadas pelos organizadores da festa, e ficam penduradas no pescoço, ou seja, os personagens teoricamente nem davam bola pro que estava sendo filmado. A única pergunta que fica é: e as imagens antes da festa? Como foram parar no filme? 😉

Por fim, fiquei triste de ver que Desaparecidos teve uma chance no circuito, enquanto A Noite do Chupacabras, muito melhor, não vai ser lançado nunca. Como o mercado é injusto!

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O Espetacular Homem Aranha

Crítica – O Espetacular Homem Aranha

Ué, como assim, já tem reboot da franquia Homem Aranha? É, ninguém pediu, mas já está em cartaz nos cinemas o primeiro filme de uma nova trilogia…

Peter Parker, um estudante meio nerd, descobre uma maleta que pertenceu a seu pai, que desapareceu quando ele era criança. Começa então a investigar o caso – o que o leva ao laboratório do Dr. Curt Connors, antigo sócio de seu pai, onde acaba sendo picado por uma aranha e ganhando super poderes.

O Espetacular Homem Aranha não é ruim. Mas tem um grave problema: perde na comparação inevitável com a trilogia dirigida por Sam Raimi.

Na minha humilde opinião, o timing deste reboot foi um erro grave. Os filmes da trilogia de Raimi foram lançados em 2002, 04 e 07. Se a qualidade do terceiro filme é questionável, o mesmo não acontece com os dois primeiros, reverenciados pela crítica e pelos fãs do heroi. E isso tudo é muito recente, os filmes estão por aí em dvd e blu-ray, e em reprises constantes na tv. É muito cedo pra se falar em reboot! É muito cedo para vermos exatamente a mesma história!

Provavelmente os produtores se inspiraram no “caso Batman”. Em 1989 e 92, Tim Burton fez dois bons filmes com o Homem Morcego, mas em 95 e 97, Joel Schumacher “cometeu” duas atrocidades, o ruim Batman Eternamente e o péssimo Batman e Robin. Até que em 2005 Christopher Nolan salvou a reputação do Morcegão, com o excelente reboot Batman Begins. Ou seja, não só esperamos mais tempo entre os primeiros filmes e o reboot, como a saga estava com a moral lááá embaixo… O que não é exatamente o caso do Aranha!

Um dos argumentos que li por aí é que Tobey Maguire (o Peter Parker da trilogia “antiga”) já estava velho para continuar interpretando o papel. Tanto no filme de 2002 quanto neste O Espetacular Homem Aranha, Parker deveria ter por volta de 17 anos, ainda cursando o último ano da escola. Ok, Tobey está velho, acabou de fazer 37 anos, então tem sentido pegar um ator mais novo para o papel. Mas, péra aí, por que Andrew Garfield foi escalado? Será que ninguém reparou que ele tem quase 30 anos? (Garfield faz 29 anos mês que vem!). Ou seja, mais uma vez, Hollywood ignorou as idades dos personagens na hora de contratar os atores. A cena que Emma Stone, com quase 24 anos, grita “eu tenho 17 anos” me deu vontade de rir…

A direção ficou nas mãos do pouco experiente Mark Webb (500 Dias Com Ela) – este é seu segundo longa (Sam Raimi dirigiu nove filmes antes do primeiro Homem Aranha). Webb não faz feio, algumas sequências do Aranha pulando de prédio em prédio, com a câmera na primeira pessoa, ficaram bem legais. Mas… Não sei se foi culpa dele ou do roteiro de James Vanderbilt, Steve Kloves e Alvin Sargent, mas o filme tem sérios problemas de ritmo. Algumas coisas são jogadas sem explicação – por exemplo, como um adolescente de 17 anos consegue costurar tão bem e criar uma maquininha que joga teias? (A solução para as teias do filme de 2002 é diferente do que acontece nos quadrinhos, mas é algo bem mais crível). E em alguns momentos, o filme é leeento. Resultado: suas duas horas e 16 minutos se tornam cansativas, diferente de outros filmes recentes de super herois, mais longos, mas onde o tempo passa e a gente nem sente (Batman Begins tem duas horas e vinte; Os Vingadores tem duas horas e vinte e três).

O elenco está ok. Acho que Andrew Garfield é um pouco velho demais para o papel, mas ele pelo menos é bom ator. O mesmo digo sobre Emma Stone. E gostei de ver Martin Sheen como o tio Ben. Ainda no elenco, Rhys Ifans, Sally Field, Denis Leary, Chris Zylka e C. Thomas Howell num papel pequeno mas importante. E, claro, uma hilária ponta de Stan Lee, o criador do personagem.

Não sou leitor dos quadrinhos, então não posso comparar sob este ângulo. Alguns amigos meus disseram que está fiel aos quadrinhos, outros disseram o contrário… Como filme, independente da adaptação, O Espetacular Homem Aranha pode até funcionar. Mas só pra quem não viu a trilogia anterior. O que é difícil, porque quem é fã do personagem com certeza viu, e quem não dá bola nem vai ver esse…

Ah, claro, como sempre acontece nos filmes da Marvel, tem uma cena depois dos créditos. Mas não é nada demais, apenas um gancho para a continuação…

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Homem de Ferro

Chillerama

Crítica – Chillerama

É a última noite do último drive-in da América. Seu dono, Cecil B. Kaufman, programou para esta noite especial uma sessão quádrupla de filmes trash raros.

Chillerama segue o formato adotado em filmes como Creepshow: uma trama une algumas historinhas, independentes entre si. A temática também é terror, a diferença é que o resultado aqui é assumidamente trash.

Uma coisa que funcionou bem em Chillerama foi a estrutura de pequenas histórias. Nenhuma das historinhas teria fôlego para segurar um longa metragem. Mas o conjunto ficou bom – apesar que, na minha humilde opinião, poderia ter uma história a menos e fechar o longa com cerca de uma hora e meia em vez das quase duas horas.

Na verdade, era pra ser quatro filminhos dentro do filme, mas o quarto é muito curto (felizmente, porque é muito ruim). Assim, a quarta história acaba sendo a conclusão da trama que rola no drive-in.

A primeira história, sobre um espermatozóide gigante que ataca Nova York (!), é a melhor – apesar de ser um trash tosco com efeitos especiais mais toscos ainda. A seguinte é um musical gay com lobisomens que são ursos em vez de lobos (!!), numa onda meio Grease. Depois veio O Diário de Anne Frankenstein (!!!), onde Hitler rouba o diário de Anne Frank e lá tem instruções para fazer uma criatura monstruosa – e judia. O quarto (e curto) filme é sobre fezes – e isso não é engraçado. Felizmente, acaba rápido e temos logo a conclusão da história principal, sobre zumbis com apetite sexual (!!!!). Nenhuma das histórias é lá grandes coisas, mas como tudo é muito rápido, Chillerama flui bem.

Chillerama é um projeto em conjunto dos diretores e roteiristas Adam Rifkin Detroit Rock City), Tim Sullivan (2001 Maníacos), Adam Green (Pânico na Neve) e Joe Lynch (Wrong Turn 2: Dead End). E no elenco, alguns nomes “lado B”, como Ray Wise, Eric Roberts e Lin Shaye. Ou seja: ninguém que vai fazer você ficar com curiosidade…

O resultado final, como já era previsto, é irregular – parte pela inconsistência das histórias; parte porque é tudo propositalmente tosco demais. Mas quem gosta de trash vai se divertir e pode dar umas boas gargalhadas. E a parte final ainda tem uma sequência de frases tiradas de filmes famosos que quase parece o Top 10 de Melhores Frases de Filmes!

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Matrix Reloaded

Crítica – Matrix Reloaded

Depois de ver Matrix, era hora de encarar as continuações. Afinal, comprei o box em blu-ray…

Neo e os líderes rebeldes acreditam que em 72 horas 250 mil robôs vão descobrir a localização de Zion e matar todos os seus habitantes. Enquanto isso, Neo precisa salvar Trinity de uma premonição.

Matrix Reloaded tinha uma tarefa nada fácil: dar continuidade ao excelente Matrix, uma das maiores e melhores surpresas da ficção científica recente. Será que o novo filme ia manter o elevado nível do primeiro? Provavelmente não…

Dirigido pelos irmãos Wachowski (que hoje em dia preferem ser chamados de “The Wachowskis”, já que um deles fez uma cirurgia de mudança de sexo e virou mulher) e lançado em 2003, Matrix Reloaded tem alguns méritos. Quem gostou da parte técnica do primeiro Matrix vai se esbaldar aqui: são várias as sequências de cair o queixo. Muita câmera lenta, muito bullet time… Algumas cenas de brigas, explosões e tiroteios são realmente sensacionais – em uma das mais famosas, Neo briga sozinho contra centenas de Agentes Smith! E a sequência na auto estrada é irretocável.

Mas um filme não é feito só de efeitos especiais. Se o primeiro filme criava uma interessante mitologia homem vs máquina, este aqui é vazio, parece que tudo no roteiro é desculpa para exibir os efeitos. Aquela briga entre Neo e os homens de Merovingian, por exemplo, é uma bela coreografia, mas uma luta sem sentido na trama.

O roteiro também tem alguns problemas de ritmo. Algumas cenas são longas e chaaatas, como a festa em Zion, por exemplo. E a parte do arquiteto beira o insuportável.

Mas o pior de tudo é o filme não ter fim. Como aconteceu com, por exemplo, De Volta Para o Futuro 2 e 3, foram filmadas simultaneamente duas sequências, lançadas uma logo depois da outra. E este Matrix Reloaded não tem fim, rola um “continua” e depois vemos um trailer do terceiro filme, Matrix Revolutions. E o problema é que já sabemos que este terceiro filme é beeem mais fraco…

No elenco, os quatro atores principais atores do primeiro filme estão de volta: Keanu Reeves (o protagonista), Carrie-Anne Moss (seu interesse romântico), Laurence Fishburn (o coadjuvante) e Hugo Weaving (o antagonista). Além deles, alguns nomes interessantes reforçam o elenco, como Monica Bellucci, Jada Pinket Smith, Harold Perrineau, Lambert Wilson e Leigh Whannell.

Enfim, Matrix Reloaded não é ruim, mas poderia ser bem melhor, pelo menos se tivesse um roteiro mais enxuto e um fim decente. Agora preciso tomar coragem para ver o terceiro, Matrix Revolutions

Ladrão de Sonhos

Crítica – Ladrão de Sonhos

De vez em quando cito este Ladrão de Sonhos aqui no blog. Achei que era hora de revê-lo.

Krank, que não consegue sonhar, sequestra crianças para roubar os seus sonhos. One, ex caçador de baleias forte como um cavalo, vai até a Cidade das Crianças Perdidas tentar encontrar seu sobrinho, raptado pelos homens de Krank.

Lançado em 1995, Ladrão de Sonhos é o segundo filme da parceria Jean Pierre Jeunet e Marc Caro, que quatro anos fizeram o genial Delicatessen. O clima aqui é tão bizarro quanto no filme anterior!

Lembro na época do lançamento, cinéfilos celebraram mais um filme da parceria – mal sabíamos que este seria o segundo e último filme da dupla. Logo depois deste filme, Jeunet foi sozinho para Hollywood, onde fez o quarto filme da série Alien, e pouco depois conseguiu seu maior sucesso comercial com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (que tem um pé no bizarro, mas é bem mais mainstream que seus outros filmes). Jeunet voltaria ao universo de filmes estranhos com Micmacs à Tire-Larigot, de 2009, mas sempre trabalhando sozinho. Já Caro, não sei o que houve com ele, ficou anos sem filmar nada, até que em 2008 lançou o fraco Dante 01

Costumo usar Ladrão de Sonhos ao lado de O Grande Lebowski como exemplos de filmes onde a forma é mais importante que o conteúdo. A trama é boba – mas, além de uma direção de arte impressionante, o filme traz uma galeria de personagens sensacionais! Temos um personagem que é um cérebro dentro de um aquário, outro que são seis clones, duas velhinhas siamesas, uma anã e um fortão, além de um exército de “cíclopes” e várias crianças.

A direção de arte merece um parágrafo à parte. Se o visual em Delicatessen já era bem cuidado, aqui Jeunet e Caro conseguiram um resultado muito interessante. Cada detalhe do cenário, cada figurino (desenhados por Jean-Paul Gaultier), cada cor usada, tudo é feito para compor um visual de sonho / pesadelo poucas vezes visto no cinema. Ângulos pouco comuns usados pelas câmeras de Jeunet e Caro ajudam o clima onírico. De quebra, alguns efeitos especiais mostrando pulgas são extremamente bem feitos (lembrem-se que estávamos no meio dos anos 90, bem antes da enxurrada de cgi). Outro destaque é a música de Angelo Badalamenti, que lembra um velho realejo.

No elenco, só dois nomes conhecidos: Ron Perlman, antes da fama de Hellboy e Sons of Anarchy; e Dominique Pinon, o baixinho esquisito que sempre trabalha com Jeunet (e com Caro, ele também estava em Dante 01). Uma coisa curiosa: existe uma aproximação entre o grandalhão de Perlman e a menina Judith Vittet, de 11 anos, e a leveza da narrativa não faz isso parecer “errado”.

Ladrão de Sonhos é um belo espetáculo. Recomendado àqueles que curtem um visual bem elaborado. E também aos que gostam de uma bizarrice…