Um Natal Muito Louco

Crítica – Um Natal Muito Louco

O primeiro Madrugada Muito Louca é bem divertido. O segundo tem alguns bons moments, mas é bem mais fraco. Heu não esperava muita coisa do terceiro. Mesmo assim, fui ver qualé.

Seis anos depois dos acontecimentos do último filme, hoje Harold e Kumar estão distantes um do outro. Uma misteriosa encomenda faz os dois se reencontrarem, e por causa de um acidente, eles precisam encontrar uma árvore de natal urgentemente.

Um Natal Muito Louco (A Very Harold & Kumar 3D Christmas, no original) é um filme “honesto”, não engana ninguém. O título original do filme já entrega o que veremos: piadas do mesmo estilo dos outros dois filmes, só que desta vez usando efeitos em 3D e tendo o Natal como pano de fundo.

O estilo de humor usado aqui não agrada a todos. Heu mesmo achei bobas boa parte das piadas. Mas admito que algumas são realmente engraçadas. Adorei os momentos politicamente incorretos do bebê experimentando drogas!

O elenco repete a dupla principal, John Cho e Kal Penn, e a participação de Neil Patrick Harris, como acontece nos outros dois filmes. Aliás, como acontece nos outros, a pequena participação de Harris é uma das melhores coisas do filme. Além dos três, o elenco ainda conta com Elias Koteas, Danny Trejo, Thomas Lennon e Paula Garces.

Ah, ainda preciso falar do 3D. Aqui o efeito é usado com o espírito “parque de diversões”, que nem acontece nos divertidos filmes de terror Piranha e Dia dos Namorados Macabro – qualquer coisa é desculpa para se atirar um monte de coisas na direção do espectador. Bem mais interessante do que um filme convertido em 3D apenas pra aumentar o preço do ingresso!

Quem curtiu os outros, pode ir sem medo. Só não sei se vai passar no cinema, acho que por enquanto só por download.

.

.

Se você gostou de Um Natal Muito Louco, o Blog do Heu recomenda:
Madrugada Muito Louca
Se Beber Não Case
Um Parto de Viagem

John Carter – Entre Dois Mundos

Crítica – John Carter – Entre Dois Mundos

O trailer de John Carter – Entre Dois Mundos parecia uma mistura de Avatar com Star Wars Ep II – O Ataque dos Clones  – aquela arena é igual a Geonosis! Mas aí vi que o diretor é Andrew Stanton, o mesmo de Wall-E e Procurando Nemo. Tá, merece ver qualé.

Adaptação do livro A Princesa de Marte de Edgar Rice Burroughs. Um veterano da Guerra Civil americana acaba parando em Marte, no meio de uma outra guerra civil, que pode destruir o planeta.

Para um filme que parecia uma cópia, John Carter – Entre Dois Mundos se saiu melhor que o esperado. Tecnicamente perfeito, o filme traz um roteiro sólido e apresenta uma nova saga de fantasia / ficção científica. Um prato cheio para os apreciadores do estilo.

A história de John Carter não é nem um pouco nova – foi escrita em 1912 por Edgar Rice Burroughs, famoso por ser o criador do Tarzan. Já houve algumas tentativas para transpor os livros para o cinema, mas foram todas infrutíferas. John Carter tem o recorde de produção que ficou mais tempo entre a primeira pré-produção e o filme pronto – existia um plano de se fazer em desenho animado em 1931, seria o primeiro longa metragem em animação (antes de Branca de Neve).

Claro, vai ter gente falando que a trama é batida. Verdade, a história do forasteiro rebelde que vira heroi não é novidade. E, convenhamos, o livro é de 100 anos atrás! Mas pelo menos o roteiro do diretor Stanton é bem escrito, o filme nem parece ter pouco mais de duas horas.

Stanton não mandou bem apenas no roteiro. Assim como seu colega Brad Bird, que depois da animação Os Incríveis dirigiu o longa Missão Impossível 4, Stanton também fez um bom trabalho na direção. Tá, metade do elenco é em cgi, mas mesmo assim, o resto do filme são atores de verdade.

Os dois principais nomes do elenco não são muito conhecidos, e, por coincidência, ambos estavam em X-Men Origens: Wolverine – Taylor Kitsch foi o Gambit; Lynn Collins foi a Kayla Silverfox. O resto do elenco tem alguns nomes mais famoso: Mark Strong, Ciarán Hinds, Dominic West e James Purefoy; e as vozes de Willem Dafoe, Samantha Morton e Thomas Haden Church.

Os efeitos especiais são fantásticos. Os Tharks são absurdamente bem feitos, é difícil acreditar que algo tão “real” seja computador. Isso, somado a belíssimas paisagens marcianas baseadas em imagens de Frank Frazetta (que tinha feito ilustrações para os livros na década de 70), dão a John Carter – Entre Dois Mundos um visual caprichadíssimo.

Foram escritos vários livros. Existe um bom material para possíveis continuações – o fim do filme abre espaço para continuarmos a ver a saga de John Carter em Marte.

Por fim, preciso falar de uma confusão que está rolando em quase todos os sites por aí, que se referem a este filme como uma produção da Pixar. Andrew Stanton trabalhava na Pixar antes, mas John Carter – Entre Dois Mundos é uma produção Disney! Não existem créditos da Pixar, nem no filme, nem no imdb. Não sei de onde tanta gente tirou que este seria “o primeiro filme da Pixar com atores”…

.

.

Se você gostou de John Carter – Entre Dois Mundos, o Blog do Heu recomenda:
Flash Gordon
As Aventuras de Tintim
Cowboys & Aliens

Fase 7

Crítica – Fase 7

Uma comédia apocalíptica feito na Argentina!

Um prédio de apartamentos é isolado em quarentena depois que uma epidemia de um vírus mortal se espalha. Os moradores têm que se virar sozinhos agora.

Claro, a primeira coisa que a gente lembra é REC : moradores de um prédio de apartamentos colocados em quarentena por suspeita de um vírus – e ainda é falado em espanhol! Mas não, Fase 7 não é nada parecido com REC.

Em primeiro lugar, Fase 7 é uma comédia. O clima às vezes lembra Todo Mundo Quase Morto, mas o humor aqui é bem mais contido. Mais: a ameaça é um vírus fatal, invisível, não temos um inimigo presente como um zumbi.

Escrito e dirigido por Nicolás Goldbart, Fase 7 tem como trunfo justamente ser uma produção despretensiosa. O protagonista Coco age como a maioria de nós agiríamos em uma situação parecida. A trilha sonora, que parece uma homenagem a John Carpenter, ajuda na construção de um “filme B simpático”.

Não gostei do fim, acho que Fase 7 poderia ter acabado alguns minutos antes (logo depois da parte onde Coco sai do prédio). Não chega a estragar o filme, mas acho que seria melhor se o fim fosse outro.

Um último comentário, para aqueles que falam português: fica estranho o casal protagonista se chamar “Pipi” e “Coco”, não? 🙂

.

.

Se você gostou de Fase 7, o Blog do Heu recomenda:
Virus
Attack The Block
Juan de Los Muertos
Todo Mundo Quase Morto

Oscar 2012 – Comentários Nerds

(Escrevi este texto para o site TBBT. Como o assunto é cinema, resolvi publicar aqui também!)

Oscar 2012 – Comentários Nerds

Duas semanas atrás rolou a entrega do Oscar, o prêmio maior do cinema mundial. Pra ver a lista de ganhadores, é só dar uma googleada básica. Para fazer algo diferente do óbvio, vou fazer comentários nerds sobre alguns dos prêmios.

Melhor Filme

O Artista é um bom filme, o Oscar ficou em boas mãos. Se fosse para A Invenção de Hugo Cabret ou Meia Noite em Paris também seria justo. Pelo menos não foi pra Árvore da Vida, uma das picaretagens mais pretensiosas dos últimos tempos.

Melhor Diretor

Qualé, Academia? Michel Hazanavicius fez um belo trabalho com o seu O Artista, mas ele precisa comer muito arroz com feijão para barrar Martin Scorsese em qualquer disputa!

Melhor Ator

Jean Dujardin fez um bom trabalho em O Artista. O problema aqui é que alguns dos seus concorrentes têm currículos que falam mais alto. Gary Oldman foi Dracula, Beethoven, Sid Vicious, Sirius Black e Comissário Gordon; Brad Pitt esteve em 12 Macacos, Snatch, Clube da Luta, Seven, Bastardos Inglórios e Queime Depois de Ler. E nenhum dos dois tem Oscar…

Melhor Atriz

Muita gente reclamou que Meryl Streep estava todo ano na lista de indicadas ao Oscar – ela já foi indicada 17 vezes. Mas, convenhamos, há trinta anos ela não ganhava. E, convenhamos, foi merecido. Mas, se fosse a Rooney Mara por Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, não seria injustiça.

Melhor Longa Metragem de Animação

Aqui ficou fácil. Por causa de uma regra estranha da Academia, As Aventuras de Tintim, a melhor animação de 2011, não entrou no páreo – parece que animação por captura de movimento não entra na disputa. E, como 2011 foi a primeira vez que a Pixar nos decepcionou (Carros 2 é fraquinho), a disputa ficou fácil para Rango. Porque, afinal, ninguém viu Um Gato em Paris nem Chico & Rita; e Kung Fu Panda 2 e Gato de Botas podem ser divertidos, mas não podem ser “melhor animação do ano”.

Melhor Figurino

O único comentário que posso fazer aqui é que tinha um filme do Roland Emmerich (Anônimo) concorrendo a um prêmio que não é ligado a efeitos especiais…

Melhor Maquiagem

Ok, a Meryl Streep ficou igual à Margareth Tatcher, por isso A Dama de Ferro ganhou. Mas o Voldemort de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 não tem nariz! Será que não merecia uma atenção maior?

Melhor Trilha Sonora

Tadinho do John Williams, ele estava indicado duas vezes (As Aventuras de Tintim e Cavalo de Guerra), mas perdeu… Ele só tem 5 estatuetas, apesar de ter sido indicado QUARENTA E SETE vezes… ¬¬
O prêmio ficou em boas mãos, a trilha de O Artista é uma das melhores coisas do filme.

Melhor Canção

Aqui vou contra a maré ufanista que torcia por um Oscar brasileiro. Apesar de gostar do Sergio Mendes, a concorrência era desleal. A música dos Muppets (“Man or Muppet”) tinha participação do Sheldon!

Melhores Efeitos Especiais

Ninguém pode falar mal dos efeitos especiais de A Invenção de Hugo Cabret. Mas o macaco Cesar de Planeta dos Macacos não ganhar foi estranho. Parece que a Academia olhou mais o filme do que o efeito em si.
E se Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 ganhasse nem ia ser tão injusto, afinal, existe um histórico de 8 filmes com bons serviços prestados aos efeitos especiais. Gigantes de Aço é bem feito, mas só isso; Transformers: O Lado Oculto da Lua tem que ficar feliz por ter sido indicado.

Melhor Ator Coadjuvante
(by Edu Starling)

Muita gente boa concorrendo, mas convenhamos que o pomposo Capitão Von Trapp interpretando o “surpreendente” pai (sem spoilers :D) do personagem Oliver (interpretado por Ewan McGregor) era prato feito pra Academia. No final das contas, foi uma belíssima homenagem a esse fantástico ator, que teve vários bons momentos nas telas mas pra mim fica na memória o general Chang (um klingon viciado em Shakespeare) em “Star Trek VI – The Undiscovered Country.

Melhor Direção de Arte

A Invenção de Hugo Cabret ganhou. E Harry Potter e as Relíquias da Morte completou oito filmes sem levar nenhum único Oscar, em nenhuma categoria…

Mientras Duermes

Crítica – Mientras Duermes

Uêba! Filme novo do Jaume Balagueró, um dos diretores dos dois primeiros REC!

César (Luis Tosar) é o porteiro de um pequeno prédio de apartamentos. Simpático e prestativo, ele guarda segredos sinistros.

REC foi um dos melhores filmes de terror da década passado. Terrorzão, com direito a violência gráfica e uma boa dose de gore. Já Mientras Duermes segue outro caminho. Trata-se de um bom suspense à moda antiga, sem nada de gore – a não ser talvez para quem tem fobia de baratas. E mesmo assim, tenso como poucas vezes no cinema contemporâneo.

Mientras Duermes consegue criar um excelente clima de tensão, graças ao bem amarrado roteiro de Alberto Marini e à direção inspirada de Balagueró – que, mais uma vez, constroi quase todo o filme dentro de um velho prédio de apartamentos, como fez nos dois REC.

O filme tem um grande trunfo: César, um personagem desagradável e genial, interpretado de maneira magistral por Luis Tosar. O personagem é tão bem construído que, em determinada cena, ele tenta fugir de um apartamento sem ninguém ver. E a gente torce por ele, mesmo sabendo que ele é um ser repugnante.

E assim o filme segue, acompanhando o porteiro César e suas atitudes altamente questionáveis….

O fim do filme não explica muita coisa, na verdade o motivo de César ser daquele jeito não fica claro. Mas isso não torna o filme ruim. Mientras Duermes é um bom filme de suspense. Pena que a gente não sabe se vai ser lançado por aqui…

Em breve teremos as continuações de REC. Paco Plaza está desenvolvendo o terceiro filme, que será um “prequel”; enquanto Balagueró fará sozinho o quarto filme, que teoricamente vai dar um fim à série. E, no seu “tempo livre”, Balagueró mostra que está em forma!

.

.

Se você gostou de Mientras Duermes, o Blog do Heu recomenda:
A Sétima Vítima

Los Crimenes de Oxford
Rec 2
O Orfanato

Poder sem Limites

Crítica – Poder sem Limites

É, mais um filme com “filmagens encontradas”…

Três amigos adolescentes entram em contato com um misterioso artefato e ganham poderes telecinéticos. Quase super herois, eles agora têm que lidar com os próprios problemas.

Poder sem Limites (Chronicle, no original) é o mais novo exemplar da “família found footage” – filmes onde a câmera subjetiva é usada para tentar criar um realismo maior. Mas, na minha humilde opinião, esta característica atrapalha este filme. Vou explicar: desta vez, não é uma “câmera encontrada”. Todo o filme é feito usando a câmera subjetiva, mas são várias as fontes. Além da câmera do protagonista, tem a câmera de uma coadjuvante, cenas pela webcam, através de câmeras de segurança e até de celulares. Por um lado, isso deu uma agilidade maior à montagem. Mas por outro lado, alguns ângulos ficaram forçados demais – como por exemplo em parte da luta final, onde o personagem precisa manter celulares flutuando em volta dele. Ora, não era mais fácil se usassem um estilo tradicional de filmagem? Achei que essa proposta enfraqueceu o filme.

Pena, porque a premissa era interessante: uma espécie de filme de super heroi mas sem o papo de identidades secretas e de salvar os mais fracos. Os adolescentes, quando ganham os super poderes, continuam agindo como adolescentes normais.

A direção é de Josh Trank, que co-escreveu o roteiro com Max Landis. Ambos são novatos, mas um deles é filho de John Landis – ele mesmo, diretor de Um Lobisomem Americano em LondresIrmãos Cara de Pau. O filme não tem estrelas, mas tem pedigree…

Como quase todo filme de “found footage”, o elenco é de desconhecidos (acho que o único filme no estilo com gente famosa é Atividade Paranormal 2, estrelado por Sprague Grayden). O trio principal Dane DeHaan, Alex Russell e Michael B. Jordan tem uma boa atuação, apesar de trabalhar com personagens perto de clichês.

Os efeitos são muito bons, aquilo tudo realmente parece de verdade – sensação amplificada pelo lance da câmera na mão. A parte final do filme é eletrizante, como poucas vezes visto em filmes do estilo. O povo que fez Cloverfield deve ter ficado com inveja…

Tem uma parte do roteiro que não gostei muito. Nada grave, nada que estrague o filme. Spoilers leves abaixo:

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Se eles planejaram não contar pra ninguém, por que fazer o show de mágica? Aquilo me pareceu meio fora de propósito…

FIM DOS SPOILERS!

Poder sem Limites pode não ser um dos melhores filmes do ano, mas está bem longe dos piores!

.

.

Se você gostou de Poder sem Limites, o Blog do Heu recomenda:
REC
A Mulher de Preto
X-Men Primeira Classe

7 Nights of Darkness

Crítica – 7 Nights of Darkness

Outro dia falei de Grave Encounters aqui, lembram? Um suposto programa de tv em um antigo asilo abandonado – e assombrado. Pois bem, 7 Nights of Darkness é quase a mesma coisa.

A sinopse aqui é quase igual. Acho que a única diferença é que é um reality show no lugar do programa estilo Caçadores de Mitos. Grupo de pessoas se fecha dentro de um asilo abandonado e algo dá errado. E, como acontece no outro filme, alguém pegou as filmagens feitas dentro da casa e as editou.

Mais uma vez, temos o uso da câmera subjetiva, são os próprios atores que filmam tudo. E, mais uma vez, isso não traz nada de novo. Esse lance de “encontraram gravações reais perdidas” já não engana ninguém há tempos. Para um filme que usa este recurso ser atraente, precisa trazer algo de novidade – o que não acontece aqui.

Em defesa do filme, podemos dizer que os efeitos especiais são simples e eficientes, e às vezes o filme tem um clima interessante. Também rola um susto aqui, outro ali. Mas é pouco. Se Grave Encounters era apenas interessante, 7 Nights of Darkness nem isso.

p.s.: A cena depois dos créditos é legal!

.

.

Se você gostou de 7 Nights of Darkness, o Blog do Heu recomenda:
[REC]
O Caçador de Trolls
Grave Encounters

O Espião Que Sabia Demais

(Hoje inauguro uma novidade aqui no blog: um texto escrito po um colunista convidado! Com vocês, Gabriel França!)

Crítica – O Espião Que Sabia Demais

Baseado no livro de espionagem escrito por John Le Carré.

“Você eu não somos tão diferentes assim. Nós fomos treinados para identificar as falhas dos sistemas um do outro. Meu lado é tão sujo quanto o seu”.

São exatamente com estas palavras que George Smiley, interpretado de forma espetacular por Gary Oldman, propõe a maior incursão filosófica de seu personagem. Somos todos sujos, corruptos, traidores, mentirosos, egocêntricos e movidos por nossas paixões. Como também somos as nossas ações e a forma como que entendemos e conhecemos a cada um. No fundo somos aqueles personagens do baile de máscaras, uma das grandes cenas do filme dirigido pelo sueco Tomas Alfredson.

Existem duas formas de compreender O Espião Que Sabia Demais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy): 1) como um poderoso thriller de espionagem sobre a paranóia da Guerra Fria. 2) como um filme que usa tal fundo histórico e geopolítico para discutir as paixões humanas e suas maiores implicações no mundo. Ou unindo as duas concepções.

Tinker, Tailor, Soldier, Spy é uma fita absolutamente inovadora em termos técnicos neste gênero fílmico. Aqui nos é proposto um ritmo lento, gradual e constante. Onde cada parte é imprescindível para o todo. Não temos tiros, montagem frenética ou apostas em violência descabida. Por isso a fita é diferenciada, ousada em diversas cenas, de uma força simbólica que pouco vi nos últimos anos. Há de se comentar, por exemplo, a cena na Hungria entre um informante e Jim Prideaux (Mark Strong) e os olhares trocados por Prideaux e Bill Haydon (Colin Firth) numa certa cena relevante durante a trama.

Temos muito aqui do cinema de Bergman, Hitchcock e alguns breves lapsos de Operação França (The French Connection) ao longo dos 127 minutos. Tudo isso adicionado ao excelente roteiro que retira todas as gorduras do seriado produzido pela BBC nos anos 70 e do próprio livro. No entanto a grande sacada do roteiro e do próprio Tomas Alfredson é fazer um ajuste narrativo na introdução que é absolutamente genial! Desde já Alfredson, indubitavelmente, um dos grandes diretores da nova geração. Já havia mostrado potencial em seu filme de vampiros adolescentes Deixe Ela Entrar. Aqui fez o seu potencial prevalecer em terreno concreto.

Um exemplo da delicada e econômica direção do Alfredson é quando Smiley e seus dois colaboradores Peter Guillam (Benedict Cumberbatch) e Mendel (Roger Lloyd-Pack) estão em um carro e sofrem um “ataque” de uma mosca. Ao contrário de Peter incomodado com a mesma, Smiley simplesmente abre a porta do carro com um simples e leve movimento, com uma tranqüilidade e serenidade ímpares.

Não podemos nos esquecer da brilhante trilha sonora, uma realização de Alberto Iglesias, que já trabalhou com diretores do calibre de um Pedro Almodóvar. A música do desfecho (a francesa La Mer aqui interpretada pelo espanhol Julio Iglesias) é absolutamente contagiante e um grande acerto da produção. Certamente uma das melhores da temporada e bem utilizada em momentos propícios criando fortes contornos dramáticos.

Aliás, voltando ao elenco, o que falar sobre ele? Há anos não via um elenco tão rico em um único filme. Cada personagem, mesmo com poucos minutos em cena, deixa muito bem a sua marca. Mark Strong, Tom Hardy, Ciarán Hinds, Colin Firth, John Hurt, Benedict Cumberbatch, Toby Jones e Simon MCBurney.

Gary Oldman é um show à parte. Uma interpretação esplendorosa, de um dos maiores atores da face da terra. Sinceramente, são extremamente indescritíveis os seus trejeitos aqui, sua fria racionalidade em frente a um homem sutil e frágil com inúmeros conflitos internos.

As indicações ao Oscar de Melhor Ator, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora Original foram absolutamente justas. E poderia ter sido perfeitamente indicado em categorias como Melhor Diretor, Fotografia e Filme. Tudo o que a política academia deseja em filme existe em Tinker, Tailor, Soldier Spy. Os votantes preferiram filmes burocráticos como Cavalo de Guerra (War Horse), Histórias Cruzadas (The Help) e Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close).

Posso afirmar que vejo como absolutamente injustas as críticas em relação ao filme. Que é inconclusivo, confuso, lento… Nada disso possui alguma razão em meu ponto de vista. Pois outra grande sacada do Alfredson, a partir roteiro escrito por Bridget O’Connor e Peter Straughan, é confiar no seu espectador, chamá-lo para o filme e não transformá-lo em algo menor (subestimando nossa inteligência), tampouco se utilizando de artifícios baratos de um episódio de série barata que passa em um canal tosco de TV Fechada.

Infelizmente, no cenário nacional, será mais uma obra-prima que não ganhará um público que merece.

.

Gabriel França, 23 anos, graduado em História, professor, pós-graduado pela Universidade de Brasília, tricolor de coração e um cinéfilo maníaco.

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Crítica – Precisamos Falar Sobre o Kevin

Baseado no best-seller homônimo de Lionel Shriver, o filme mostra as dificuldades no relacionamento de uma mãe com seu filho mais velho.

Rolou uma certa polêmica em torno da sinopse deste filme. Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need To Talk About Kevin, no original) é daquele tipo de filme que o quanto menos você souber, melhor. E alguns sites, incluindo o imdb, já entregam o suposto spoiler na sinopse. Mas heu particularmente achei isso uma tempestade em copo d’água, o tal spoiler é meio previsível desde o início do filme.

Escrito e dirigido pela pouco conhecida Lynne Ramsey, Precisamos Falar Sobre o Kevin é uma experiência desconfortável, tanto pelo tema incômodo, quanto pela edição fora da ordem, alternando o presente e o passado, e sem explicar muito sobre o que aconteceu no meio do caminho. Por isso, acredito que não agradará a todos. Precisa ter boa vontade com o filme…

Precisamos Falar Sobre o Kevin não é um filme ruim, mas também não é bom. A impressão que fica é que se trata apenas de um veículo para atores, só serve para mostrar como Tilda Swinton é uma excelente atriz. Aliás, o trabalho do elenco é realmente o que tem de melhor aqui. Swinton está sensacional (achei um grande erro ela não estar entre as indicadas ao Oscar, por mais difícil que seja a concorrência com Meryl Streep em Dama de Ferro e Rooney Mara em Millenium – Os Homens que Não Amavam As Mulheres). E ela não está sozinha, Jasper Newell e Ezra Miller também brilham interpretando o Kevin do título em fases diferentes da vida. Além deles, John C. Reilly, num papel menor.

Vale pela Tilda Swinton…

Os Descendentes

Crítica – Os Descendentes

O “queridinho indie do Oscar 2012″…

Matt King, um dos herdeiros de uma grande área no Havaí, está no meio de um turbilhão. Como sua esposa sofreu um acidente de barco e está em coma, ele precisa se reaproximar das filhas, na mesma época que seus primos querem vender uma grande propriedade da família, num negócio que envolve milhões de dólares. No meio de tudo isso, Matt descobre que sua esposa tinha um amante.

Os Descendentes (The Descendants, no original) não é um filme ruim, mas, na minha humilde opinião, não merece esse hype todo. É apenas mais um filme comum, bem feito, como muitos por aí. Por que está badalado e concorrendo ao Oscar de melhor filme? Mistérios de Hollywoood…

Mas não entendam errado, Os Descendentes não é ruim. A história é atraente, ficamos grudados nos passos de Matt King e seus dramas pessoais. O problema é quando um bom filme é vendido como um dos melhores do ano. Aí a expectativa cresce, e a gente se pergunta por que isso tudo.

O filme foi dirigido por Alexander Payne, ganhador do Oscar de melhor roteiro e indicado para melhor diretor por Sideways – Entre Umas e Outras em 2004. Não vi Sideways, mas pelo que li, Os Descendentes segue a mesma linha – e agora ele concorre a três estatuetas, filme, diretor e roteiro. Ou Payne é bom e heu não reparei; ou ele tem muitos amigos influentes… 😉 (E isso em contar que Os Descendentes já ganhou Globo de Ouro de melhor filme drama e melhor ator!)

George Clooney está cotado para vencer o Oscar de melhor ator hoje por este filme. Ainda falando sobre o hype em torno do filme, Clooney não está mal, mas… Ele está com a mesma cara de George Clooney de sempre! Acho que um prêmio de melhor ator deveria ir para um ator que fizesse algo diferente do usual – e olha que Clooney já tem um Oscar em casa, de ator coadjuvante, por Syriana… Lembro do Tom Hanks, quando ganhou seus dois Oscars, por Filadelfia e Forrest Gump, dois trabalhos realmente impressionantes. Ainda no elenco, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Beau Bridges, Robert Forster, Matthew Lillard e Judy Greer.

Um filme agradável. Mas supervalorizado.

.

.

Se você gostou de Os Descendentes, o Blog do Heu recomenda:
O Desinformante
Queime Depois de Ler
Amor Sem Escalas