A l’Interieur / Inside

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A l’Interieur / Inside

Sarah (Alysson Paradis) está grávida quando sofre um acidente de carro onde seu marido morre. Pulamos então para a véspera do parto. Sarah passará a noite sozinha em casa – é véspera de natal. E uma misteriosa estranha quer entrar em casa…

Atenção: esse é dos filmes mais gore da história do cinema! Poucas vezes rolou tanto sangue pelas telas!!!

É curioso, porque normalmente o gore está associado a filmes de terror sobrenatural. E aqui o terror não tem nada de sobrenatural: a violência – física e psicológica – é “real”: uma mulher louca e violentíssima simplesmente invade uma casa e começa a cometer barbaridades contra a moradora e todo e qualquer visitante.

Me lembrei de outro filme francês recente: Irreversível, com suas cenas ultra-violentas (duas, uma delas com o estupro mais real e incômodo da história). É, os franceses estão mandando ver na violência gráfica off-Hollywood… Aqui, o menu de cenas violentas é vasto! E muito bem filmadas, por sinal… Tanto que os diretores estreantes Alexandre Bustillo e Julien Maury estão cotados para refilmar o clássico Hellraiser

Outra coisa curiosa: essa “mulher louca” é interpretada pela Beatrice Dale, que esteve no imaginário popular masculino na segunda metade dos anos 80, quando protagonizou Betty Blue, e suas cenas de sexo quase explícito…

Bom filme, mas não recomendado para qualquer um, por motivos óbvios. Mas, para aqueles que apreciam um sangue cenográfico, vale o download – não foi lançado aqui… 🙁

Sex and the City

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Sex and the City

Antes de tudo, preciso informar que nunca vi o seriado. Mas pra mim isso não interessa, porque um filme é um filme. Já vi e já curti muito filme baseado em quadrinhos sem ter lido o quadrinho que o originou. Um bom filme não depende de “pré-requisitos”.

Bem, nisso, o filme é ok. Conseguimos entender toda a história: o dia-a-dia de quatro amigas de longa data, já com uma certa idade. Carrie (Sarah Jessica Parker), Charlotte (Kristin Davis), Samantha (Kim Cattrall) e Miranda (Cynthia Nixon) desfilam seus clichês e suas roupas horrorosas por intermináveis quase duas horas e meia.

Sim, esse é o grande pecado do filme. 2h 28min num filme que parece um episódio de sitcom estendido é demais. Podíamos enxugar uma hora inteira, e então o filme seria mais leve e bem mais divertido. Aliás, é inacreditável como uma sitcom com episódios de menos de meia hora cada tenha gerado um filme tão longo. Parece que tentaram espremer toda uma temporada dentro do filme!

Outro problema é que não consigo crer que pessoas sensatas achem graça naqueles figurinos horrendos. A cada cena Carrie aparece com uma roupa mais feia que a outra, e as amigas não ficam atrás! Assim, fica difícil de se identificar com pessoas ricas e fúteis que gastam dinheiro excessivo em roupas que parecem feitas para uma “festa cafona”.

As situações são clichê, e as atuações são “feijão com arroz”, mas isso era esperado, justamente pelo fato de ter vindo de uma sitcom. Ou seja, são clichês “do bem”, e até podem divertir os menos exigentes.

Agora, quem for mais exigente vai se incomodar com as grandes “tempestades em copo d’água” que norteiam o filme. Duas das quatro protagonistas têm problemas em seus relacionamentos. E, em vez de se conversar pra resolver, parece que a solução mais fácil é brigar e sofrer. Isso é coisa de adolescentes, não de mulheres com mais de 40… Mas, se as personagens fossem adultas e um pouco mais verossímeis, acho que não dava pra fazer um longa metragem inteiro…

Bem, esse Patricinhas balzaquianas de Beverly Hills não é pra qualquer um. Boa sorte!

O Diário dos Mortos

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O Diário dos Mortos

Mais um “reality movie”? Sim. Mas ao mesmo tempo estamos falando de mais um filme de zumbis do mestre George Romero. E aí o buraco é mais embaixo…

Pra quem não ligou o nome à pessoa, George Romero foi o primeiro cara a fazer filmes de zumbis como os conhecemos. No distante ano de 1968 ele nos deu o clássico dos clássicos A Noite dos Mortos Vivos, filme que estabelece certos padrões respeitados até hoje: zumbis são mortos-vivos, normalmente lentos e sem raciocínio, e que só “morrem” se algo acontece com seu cérebro.

Ele não parou aí: em 78 veio A Madrugada dos Mortos (recentemente refilmado) e em 85 a trilogia foi fechada com O Dia dos Mortos. E voltou ao tema em 2005 com A Ilha dos Mortos.

E agora, em 2007, lançou o seu quinto filme de zumbis… Usando o estilo “amadores com câmeras na mão”…

A premissa do filme: uma turma de faculdade de cinema tenta sobreviver a um novo “vírus” que traz os mortos à vida. Resolvem filmar tudo o que acontece, e aos poucos descobrem o que está acontecendo.

O ritmo do filme é lento, como aliás todos os filmes do Romero. Mas lento não significa chato – Romero sabe como poucos criar tensão na tela.

Destaque para os efeitos especiais: as cenas violentas são abundantes, mas nunca cai pro escatológico – afinal, são os próprios personagens filmando! Mesmo assim, pros fãs de terror, temos várias “mortes legais”!

Romero continua em forma!

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

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Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Depois de 19 anos, mais um filme com o nosso herói arqueólogo favorito: Indiana Jones!

Confesso que essa notícia era preocupante. Por um lado, claro que queremos ver mais Indiana Jones, os 3 filmes anteriores são fantásticos, estão certamente entre os melhores filmes de aventura da história. Mas eram duas as preocupações…

A primeira preocupação pode ser chamada de “Síndrome da Ameaça Fantasma“. É que, depois de 16 anos esperando um novo Star Wars, tivemos um novo filme, bem fraquinho, muito inferior aos anteriores. A segunda era: como se comportará Indy e seu chicote num mundo de efeitos especiais muito digitalizados, à la Lara Croft e A Múmia?

Bem, podemos deixar as preocupações de lado. O novo filme pode ser colocado ao lado dos 3 anteriores, é mais um divertido e excelente filme de aventura. E os efeitos digitais estão a favor do filme: pouco os vemos!

Uma coisa legal nesse filme novo é que não tentaram transformar Harrison Ford em um garotão de novo. Se os filmes anteriores se passam nas décadas de 30 e 40, na época da 2a Guerra Mundial, agora a ação se passa em 57, durante a guerra fria. Não temos mais vilões alemães, agora eles são russos!

Outra coisa legal é a volta de Marion, a “mocinha” do primeiro filme! Karen Allen cinquentona ainda manda bem! Ainda estão no elenco Shia Labeouf, Cate Blanchett e John Hurt, entre outros.

Ok, algumas coisas ficaram forçadas, como a cena da geladeira, ou o “momento Tarzan”. Mas, ora, estamos falando de Indiana Jones! Quem quiser ver coisas verossímeis na tela, procure outro filme! Aqui é que nem James Bond, a mentira trabalha a favor da diversão!

Fica melhor se acompanhado de pipoca!

Homem de Ferro

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Homem de Ferro

Antes de tudo, preciso explicar que não curto quadrinhos de super-heróis. Quadrinho pra mim tem que ser engraçado. Disney (de preferência Carl Barks), Calvin & Haroldo, Piratas do Tietê, Asterix, coisas assim são bem-vindas no universo helveciano.

Outra coisa: pra mim, homem de ferro era um desenho “desanimado”, uns desenhos que passavam muitos anos atrás, que tinham uma animação tosquíssima, que por isso mesmo não estavam na minha preferência – heu ficava com os Disney, Warner, Tom & Jerry, Hannah Barbera, etc.

Dito tudo isso, afirmo que a adaptação cinematográfica dos quadrinhos do Homem de Ferro é muito boa!

Tony Stark é um magnata da indústria bélica que um dia se toca que suas armas não trazem o bem para as pessoas, e então resolve fazer uma armadura e vira um super-herói que combate os fracos.

A história é simples, porque com certeza veremos mais vezes o Homem de Ferro nas telas…

E o que diferencia esse filme de outros filmes recentes baseados em quadrinhos? Um dos pontos altos é o elenco. Robert Downey Jr está ótimo como o quarentão beberrão Tony Stark, e um quase irreconhecível Jeff Bridges faz um vilão perfeito. Isso sem contar com Gwyneth Paltrow como a super-secretária de Stark!

O diretor John Favreau também manda bem, apesar de ser seu primeiro blockbuster (ele também fez Zathura, mas a repercussão era bem menor). Aliás, ele também aparece nas telas, como o motorista de Stark. Além dele, também vemos Hillary Swank num papel minúsculo (ao lado de Stark, na mesa de dados no cassimo) e o próprio Stan Lee (autor dos quadrinhos) na entrada de uma festa.

E, claro, não saia do cinema antes dos fins dos créditos: Samuel L Jackson aparece como Nick Fury, quase para fazer propaganda de uma nova franquia que contará com o Homem de Ferro!

Mandando Bala

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Mandando Bala

Podemos dizer do que se trata um filme apenas olhando o elenco? O que dizer de um filme estrelado pelos astros “sérios” Clive Owen, Paul Giamatti e Monica Belluci?

Bem, Mandando Bala (Shoot ‘Em Up) é um filme atípico na carreira dos três. Pra começar, é um dos filmes com mais mortes por tiro dos últimos anos!

Mas essa aparente incompatibilidade entre elenco e argumento não impede o filme de ser bom. Ao contrário: Paul Giamatti, exagerado na dose certa, imprime um ar genial ao vilão do filme.

Smith (Clive Owen) está num ponto de ônibus quando vê uma grávida sendo perseguida por um homem armado. Ele a salva, e descobre que são muitos tentando assassiná-la. Mas Smith é uma espécie de “ultimate bad ass” (como no filme Onde os fracos não têm vez, dos Coen), e mata TODOS. E esse é basicamente o argumento.

O que diferencia esse filme de um filme vagaba sobre tiroteios e assassinatos são os geniais e exagerados detalhes irônicos. Como por exemplo, no momento que os personagens de Owen e Bellucci estão transando e chegam vários assassinos – e o nosso amigo Smith mata todos eles – “sem tirar”!

Boa opção pra aqueles dias que estamos com vontade de deixar o cérebro de lado…

Across the Universe

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Across the Universe

Um filme que quase todo o roteiro é feito de músicas dos Beatles? É uma idéia assaz interessante… Perigosa, porém interessante!

Digo perigosa porque entrar no “universo beatles” não é pra qualquer um. Os beatlemaníacos mais radicais odiariam a idéia de se mexer em algo para eles “sagrado”; por outro lado os que não dão bola pros Fab Four achariam a idéia sem graça.

E não é que a diretora Julie Taymor acertou a mão?

O roteiro é baseado em músicas dos Beatles. Quando as músicas não estão cantadas, elas estão faladas ou citadas por outros elementos – como os nomes dos personagens Jude, Lucy, Sadie, Prudence ou Jo Jo, todos personagens presentes em músicas.

A gente vê um filme desses e se questiona: será que isso seria possível com a obra de qualquer outro artista? Qual outro artista tem no seu repertório tantas boas músicas, tantas músicas famosas, tantas músicas que já fazem parte do nosso subconsciente coletivo? (Sei lá, pensei em Queen, sei que não tem tantas músicas famosas, mas pelo menos a obra do Queen tem a riqueza necessária para um projeto desses…)

Outro ponto forte do filme é o seu visual, psicodélico na dose certa – como a obra dos Beatles, por sinal. Isso, aliado a boas interpretações de quase desconhecidos artistas cantores, nos proporciona belíssimos espetáculos para os olhos.

Cameos: procurem por Bono e Salma Hayek!

O sonho acabou. Mas ainda pode nos proporcionar belos filmes!

Coisa Ruim

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Coisa Ruim

De vez em quando aparece por aqui uns filmes de terror espanhóis. Agora tive uma agradável surpresa: descobri que tem mais terror na Península Ibérica! Vi um filme de terror português!

Uma família se muda de Lisboa para um casarão num vilarejo, herança de um tataravô. E coisas cada vez mais estranhas começam a acontecer com essa família.

Ok, não é nada muito original. Mas o que é legal de se ver aqui é um filme totalmente “old school” – não há nenhum efeito especial aparente! O clima de medo que o filme causa é feito apenas com movimentos de câmera e trilha sonora!

Em vez do óbvio “gore” que assola o cinema de terror atualmente, vemos aqui um terror psicológico, mostrando o choque entre céticas pessoas de habituadas a cidades grandes e a mentalidade retrógrada do povo que mora na cidadezinha – onde o diabo é ainda a causa de vários problemas.

Não há nenhum ator conhecido por aqui (será que lá eles conhecem atores brasileiros?), mas as interpretações são ok. O sotaque atrapalha um pouco a compreensão, preferia ter visto com legendas. Mas mesmo assim, dá pra entender toda a história.

Queremos mais filmes lusos!

Thriller – A Cruel Picture

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Thriller – A Cruel Picture

Em vários aspectos da nossa vida, a internet veio pra ajudar. Anos atrás, pra ver um filme como Thriller – A Cruel Picture, heu precisaria dar a sorte de encontrar num festival underground, ou de alguém ter uma cópia guardada em casa. Afinal, trata-se de um filme sueco de 1974, e até onde heu saiba, sem distribuição no Brasil. Até acontecia, vi muito filme underground assim, como por exemplo Freaks, do Todd Browning, que vi no MAM (um filme da década de 30 falando sobre freaks de circo!); ou 2000 Maniacs, do Herschell Gordon Lewis, que vi no Estação (um filme da década de 60 onde toda a população de uma cidade é de assassinos); ou ainda Dark Star, uma ficção científica tosca que é o primeiro filme do John Carpenter, que vi uma vez pra vender num camelô o vhs original – e comprei, claro! – e até hoje nunca vi outra cópia…

Bem, hoje é muito mais fácil. Achei o link pro download, baixei, e vi em casa…

Vamos ao filme. Uma menina é violentada, e, traumatizada, fica muda. Anos depois, já adulta, é sequestrada, drogada, torturada e prostituída. E, aos poucos, começa a construir a sua vingança.

Esse filme tem duas coisas que chamam atenção: foi o primeiro filme a ser banido na Suécia; e, diz a lenda, Tarantino o escolheu como o melhor filme de vingança já feito (na minha humilde opinião, o coreano Oldboy é o melhor filme de vingança da história. Mas Thriller tem mais a cara do Tarantino…).

O filme é tosco, mas muito interessante, por fugir totalmente dos padrões hollywoodianos. Muita câmera na mão, muita câmera subjetiva, muito silêncio. Temos algumas cenas de sexo explícito – talvez pra justificar que a protagonista estava se prostituindo. Mas, do jeito como é, closes jogados na tela, me pareceu meio forçado, não precisava disso. E a cena do olho é realmente impressionante – usaram um cadáver de uma menina que cometera suicídio!

Mais pro fim do filme, a tosqueira aumenta e podemos dar gargalhadas com certos “defeitos especiais”, como os carros explodindo quando ela está dirigindo o carro de polícia!

Enfim, pra quem gosta de filme trash, não perca! Mas, pra quem só vê blockbusters de Hollywood, não perca tempo…

Rambo IV

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Rambo IV

Hoje em dia Hollywood passa por uma grave crise de criatividade. Talvez por falta de imaginação, talvez por insegurança de trilhar por caminhos novos, tivemos, nos últimos anos, uma enxurrada de continuações e refilmagens.

Depois de Duro de Matar 4 e Rocky 6 (foi o 6 ou o 7?), por que não voltarmos ao Rambo?

O problema é que John Rambo é uma caricatura datada. O primeiro filme, no distante ano de 82, mostra um veterano do Vietnã voltando pra casa e sendo maltratado por uma cidade pequena. É um filme muito bom, onde um homem simples e traumatizado pela guerra briga pela própria sobrevivência. E, usando a máxima “se você for cutucar um animal selvagem, cuidado porque ele pode te cutucar de volta”!

Aí vieram as continuações e Rambo virou farofa. Inventaram motivos pra ele voltar pro Vietnã e matar algumas dúzias de pessoas. E o grande barato dos filmes era isso: a boçalidade exagerada. Muitos tiros, muitas explosões, muitas mortes – e só isso.

E então se passaram uns 20 anos. Se antes o Rambo tinha uns trinta e poucos anos, agora ele tem uns 60. Se antes ainda tinha sentido se falar em Vietnã, agora isso virou passado distante. E agora, como fazer mais um filme e guardar mais uns trocados pra aposentadoria?

Aí entra o problema desse filme novo. Como contextualizar um cara velho num cenário de guerra ultrapassada?

Bem, o filme Rambo IV não se preocupa com isso. A solução é simples: muito mais tiros, muito mais explosões, muito mais mortes – e só isso de novo! A diferença é que agora, a tecnologia permite mostrar um sangue cenográfico muito mais “real”…

John Rambo, já um senhor de idade, está vivendo como barqueiro na Tailândia. Um grupo humanitário pede a sua ajuda, ele a princípio diz que não, mas, ninguém sabe por que, muda de idéia. Claro que esse grupo é capturado pelos bandidos, e claro que Rambo chefia o grupo de mercenários que vai resgatá-los.

Se a sua idéia de diversão for sangue, tiros e explosões, divirta-se, porque esse é um bom filme NESSE ASPECTO.

Mas se você se interessar por algo um pouco mais profundo do que um pires, alugue o primeiro filme, que é bem melhor…