A Luz do Demônio

Crítica – A Luz do Demônio

Sinopse (imdb): Uma freira se prepara para realizar um exorcismo e fica cara a cara com uma força demoníaca com laços misteriosos com seu passado.

Antes de tudo preciso dizer que sempre vou apoiar lançamentos no cinema. Ver um filme na sala escura é sempre uma experiência melhor do que ver em casa pelo streaming.

Dito isso, preciso confessar que não entendi a escolha deste A Luz do Demônio para ser um grande lançamento da Paris Filmes, com direito a sessão de imprensa presencial e ações de marketing espalhadas ao longo do próximo fim de semana. A Luz do Demônio não é ruim, mas é um filme bem genérico. E não custa lembrar: tem outros filmes melhores de terror sem distribuição nos cinemas (como Barbarian, que foi direto pro Star+; ou Pearl, que até onde sei ainda não tem previsão de lançamento aqui no Brasil)

Enfim, vamos ao filme. Dirigido por Daniel Stamm (O Último Exorcismo), A Luz do Demônio (Prey for the Devil, no original) se diferencia de outros filmes de exorcismo ao colocar uma mulher como protagonista. Ok, sei que hoje é “modinha”, vários filmes estão usando o protagonismo feminino (e não tenho absolutamente nada a reclamar sobre isso), mas reconheço que às vezes fica forçado. Mas aqui foi uma boa, porque o filme aproveita pra cutucar o machismo da Igreja Católica, que não deixa mulheres praticarem exorcismo.

Fora isso, a gente já viu todo o resto. As cenas de exorcismo copiam os clichês de todos os outros filmes do gênero, incluindo as mesmas maquiagens e contorcionismos. Zero novidades, e o pior: A Luz do Demônio não causa medo.

A parte final é ainda pior. Durante todo o filme a protagonista tem contato com um demônio, e quando finalmente rola o confronto, a solução é bem fuen. E são sequências muito escuras, quase não dá pra ver nada (e olha que vi no cinema, imagina quem vai ver em casa na TV ou no computador!)

No elenco, o papel principal é de Jacqueline Byers, que lembra uma Targaryen com aquele cabelo mal pintado de amarelo. Virgínia Madsen, veterana de filmes de terror, tem um papel menor, que é completamente dispensável (parece que o roteiro já estava pronto, aí conseguiram a atriz, então criaram algumas cenas para incluí-la). Também no elenco, Colin Salmon, Christian Navarro, Nicholas Ralph, Ben Cross e Posy Taylor.

Ainda queria falar do nome original. No imdb está como “Prey for the Devil”, mas no filme estava escrito “The Devil’s Light”. Não entendi por que dois títulos. E também não entendi o que seria uma “luz do demônio”.

A Luz do Demônio estreia nos cinemas nesta quinta. Deve agradar o menos exigentes. Mas fica a tristeza de saber que tinha coisa melhor pra passar na tela grande.

Terrifier 2

Crítica – Terrifier 2

Sinopse (imdb): Depois de uma entidade sinistra o ressuscitar, Art, o palhaço, está de volta no condado de Miles, onde busca caçar uma adolescente e seu irmão mais novo durante o Halloween.

Heu não ia escrever sobre Terrifier 2. Primeiro porque é a continuação de um filme que não vi o primeiro. Além disso, já sabia que o principal propósito aqui era torture porn, e não tenho nada contra isso, mas tenho outras coisas mais legais pra ver.

Mas aí vi que tinha um monte de gente boa comentando… Ok, bora ver qualé.

Terrifier 2 é um projeto do diretor / roteirista / editor / maquiador / técnico em efeitos especiais Damien Leone. Parece que ele criou um financiamento coletivo pra poder fazer seu novo filme de maneira independente. E olha, para filme independente, o resultado até que ficou bom. Terrifier 2 não faz feio ao lado dos slashers lançados pelos grande estúdios.

Terrifier 2 chamou a atenção com o marketing de ter feito pessoas passarem mal em salas de cinema. Sim, é compreensível, porque as cenas de violência gráfica são muito fortes. É provavelmente o filme mais gore do ano.

Heu não conhecia o palhaço Art, mas sei que ele já apareceu algumas vezes nas telas. Antes do primeiro Terrifier, ele esteve em alguns curtas. Mas, posso afirmar: não precisa ver os filmes anteriores pra entender o que se passa aqui.

Já comentei aqui mais de uma vez que a gente precisa entender o objetivo dos realizadores. O objetivo de Terrifier 2 é mostrar violência gráfica, é mostrar gore. Nesse aspecto, o filme não decepciona. São várias cenas visualmente bem fortes (o que explica a galera passando mal nos cinemas). Tem uma sequência em particular onde o palhaço Art faz uma longa tortura numa vítima. E os efeitos práticos de maquiagem são muito bem feitos! Se alguém for procurar o filme atrás de torture porn, dificilmente ficará decepcionado.

Outro ponto positivo é o palhaço Art. Temos muitos filmes slasher, mas por outro lado a gente tem uma galeria de alguns poucos “vilões” icônicos. Leatherface e Michael Myers são dos anos 70; Jason Vorhees, Freddy Kruger, Pinhead e Chucky são dos anos 80. Anos 90 teve o Ghostface e o Pennywise, e acho que o último que surgiu foi o Jigsaw em 2004. Já estava na hora de termos um novo vilão slasher pop. E posso dizer que vi na semana passada um garotinho provavelmente indo pra uma festa de halloween na creche, que estava usando uma máscara de Art! O Art é pop!

Agora, nem tudo é elogio. As atuações são bem ruins – principalmente o garoto irmão da protagonista. E o filme é longo demais, duas horas e dezoito minutos, não me lembro de ter visto algum slasher tão longo. Podia fácil cortar mais de meia hora!

Enfim, boa opção para quem gosta de gore e violência gráfica. Quem não curte, procure outras opções.

Super Quem?

Crítica – Super Quem?

Sinopse (Paris Filmes): Um ator só tem azar quando a questão é trabalho. E quando, por obra do destino, consegue o protagonismo em um filme de super-herói chamado BadMan, ele sofre um acidente e começa a viver como se fosse o personagem da história. Imerso em alucinações de sua nova vida, ele e seus amigos se veem no meio de uma grande confusão com bandidos reais e um caso para solucionar.

No meio de um monte de filmes de super heróis, que tal uma comédia francesa parodiando o gênero?

Já vi muitos filmes franceses, mas preciso admitir que não acompanho de perto o que acontece por lá. Nunca tinha visto nenhum filme do ator / diretor / roteirista Philippe Lacheau, e preciso dizer que tive uma surpresa positiva. O formato lembra aquelas paródias hollywoodianas que vieram na onda de Todo Mundo em Pânico e Não é mais um Besteirol Americano, tipo Os Espartalhões, Deu A Louca em Hollywood, Super Heróis: A Liga da Injustiça (teve uma leva de filme “alguma coisa movie”, tinha Epic Movie, Date Movie, Disaster Movie, todos muito bobos.) A diferença é que Super Quem? (Super-héros malgré lui, no original) me fez rir, coisa que não aconteceu com os filmes americanos.

Algumas piadas são muito boas. Ri alto em algumas sequências, como quando o protagonista vai tentar impedir um assalto a banco e sua companheira se machuca involuntariamente várias vezes. Ou na parte final, quando os quatro estão “fazendo cosplay”, e mais uma vez tudo dá errado sem querer.

Super Quem? é cheio de referências a filmes de super heróis (tem uma boa sequência usando X-Men!). Nada muito “heavy user”, mas talvez o espectador não familiarizado com o gênero perca algumas referências. trilha sonora

Ok, o humor às vezes é bobo, como aquele pino no banco do motorista. E o filme tem algumas coisas bem previsíveis e clichês, como o vilãozão que a gente sabe que vai aparecer no final. E não gostei da parte final mostrando o casal. Por outro lado, a piada sobre o “product placement” é ótima!

O maior foco são as piadas, mas Super Quem? ainda tem umas boas sequências de ação. São pelo menos duas sequências com coreografias muito bem feitas.

Sobre o elenco, disse lá em cima, não conhecia Philippe Lacheau. Vi no imdb que ele já fez outros sete filmes com a dupla Tarek Boudali e Julien Arruti, além de três filmes com Élodie Fontan. Taí, não vi nenhum desses filmes, vou procurar. Do elenco, só conhecia Jean-Hugues Anglade, de Betty Blue e Subway.

Super Quem? não é um grande filme. Mas é melhor que a maioria das comédias que chegam por aqui.

As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda

Crítica – As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda

Sinopse (imdb): Tadeo acidentalmente desencadeia um antigo feitiço pondo em perigo a vida de seus amigos: Mumia, Jeff e Belzoni.

Minha banda tinha um show pra fazer num shopping. Queria levar meus filhos. Pensei “vamos aproveitar pra ver um filme no cinema antes”. Fui catar um filme infantil, e escolhemos este As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda. O problema é que o filme é tão bobinho que acho que posso passar para uma nova fase da paternidade. Vou falar primeiro sobre o filme, depois uma breve reflexão sobre amadurecimento dos filhos.

(Claro, terá spoilers leves na segunda parte do texto.)

Entrei na sala de cinema sem saber quase nada sobre o filme. Só sabia que era uma produção espanhola. Só fui saber que era o terceiro filme de uma franquia depois que tinha terminado o filme (é o terceiro longa, e ainda tem dois curtas e uma série de tv, segundo o imdb). Mas, já desconfiava disso, porque o personagem da Múmia, do jeito que aparece no filme, tinha que vir de algo previamente conhecido. Personagem bem ruim, aliás, mas já chego lá.

Tecnicamente, As Aventuras de Tadeo é um bom filme. A animação é boa colorida, divertida e tem algumas boas piadas – tem até uma citação a Indiana Jones! O que enfraquece é o roteiro. Vou fazer duas críticas ao roteiro. A primeira é que algumas coisas não fazem muito sentido, tipo a Múmia. A primeira vez que a gente a vê, ela tem que ficar fechada em casa, escondida de todos, porque afinal, é uma múmia viva. Mas, ao longo do filme esquecem disso e o personagem está normalmente à vista de todos. E isso porque não estou falando dos clichês – As Aventuras de Tadeo não tem nada de surpresa.

Mas o que mais me incomodou foi o final do filme, onde todos são bonzinhos demais. O grupo dos três arqueólogos é um grupo rival – podem se respeitar, mas nada levou àquele clima de parceria. E vou além: a “vilã” precisava enfrentar as as consequências dos seus atos.

E aí mudo o assunto do texto. Spoilers leves a partir de agora.

Desde o início do heuvi sempre falei de filmes infantis porque quando comecei, lá em 2008, minha filha estava com 7 anos. E em 2009 nasceu um novo filho, e mais um em 2011. A mais velha já é adulta, 21 anos, mas os outros ainda são novos, 13 e 11 anos.

Só que essa fase já acabou. Meu filho de 13 fazia comentários “adultos” ao meu lado no cinema. Tipo quando vemos pela primeira vez uma personagem ao telefone, com um close na boca e uma música diferente, e meu filho falou “e acabamos de conhecer a vilã!” Ou, num momento onde um personagem se separa do grupo dos protagonistas, e volta num momento chave onde eles precisavam de ajuda, e meu filho comentou “e o filme nunca vai explicar como esse personagem achou o grupo que estava longe!” E fiquei feliz quando ele reclamou do momento “piada de pum” que tem no meio do filme!

Quando o filme acabou – principalmente depois daquele final bobinho – pensei “é, é hora de entrar numa nova faixa etária da ‘paternidade cinematográfica’…”

Clerks III

Crítica – Clerks III

Sinopse (imdb): Dante, Elias, Jay e Silent Bob são recrutados por Randal após um ataque cardíaco para fazer um filme sobre a loja de conveniência que começou tudo.

Quando soube que tinha um terceiro O Balconista (Clerks III, no original), tive “mixed feelings”. Por um lado, fiquei feliz porque gosto muito do primeiro filme, por outro lado, tive pé atrás pelo passado recente do diretor Kevin Smith.

Antes, um pequeno parênteses pra quem não conhece o primeiro filme. O ano era 1994, e lembro de ter visto no Estação Botafogo uma comédia diferente, em preto e branco, com atuações bem ruins que eram compensadas por diálogos muito bem escritos. Quase automaticamente virei fã do diretor e roteirista Kevin Smith.

Nos anos seguintes, Smith foi criando um universo cinematográfico, o “view askewniverse”, onde alguns personagens às vezes se repetiam, e onde sempre tinham pontas do Jay e do Silent Bob (interpretado pelo próprio Smith). Foram mais cinco filmes: Barrados no Shopping, Procura-se Amy, Dogma, O Império do Besteirol Contra-Ataca e O Balconista 2.

Depois do segundo O Balconista, Smith resolveu mudar o estilo e experimentar outros formatos. Nada contra, gosto quando artistas fazem coisas diferentes. O problema aqui é que nenhum dos seus novos filmes foi tão bom quanto os primeiros. Pagando Bem Que Mal Tem, Tiras em Apuros e Red State são filmes legais mas não tão bons quanto os primeiros; não gostei de Tusk; e até curti Yoga Hosers, mas é um daqueles filmes que quase ninguém viu.

Até que, em 2019, a gente teve O Império do Besteirol Contra-Ataca 2, divertido, mas só pra quem era fã do primeiro.

E agora? Será que a gente precisava de um novo O Balconista?

Precisar, não precisava. Mas, olha, posso dizer que Kevin Smith fez seu melhor filme em muito tempo!

Mas preciso dizer que minha análise terá um peso emocional. Porque sei que este foi um filme feito para os fãs do primeiro filme. (E a minha idade também é semelhante à idade dos personagens, outra coisa que me aproxima.) Ou seja, se você não gosta do estilo do diretor, não recomendo. E se você não conhece, vai perder boa parte das piadas.

(Sim, precisa conhecer o primeiro filme, mas não precisa lembrar do segundo).

Kevin Smith trabalhou em uma loja de conveniência, e isso serviu de inspiração para seu primeiro filme. Smith sofreu um ataque cardíaco em 2018, e mais uma vez usou como inspiração. Randal sofre um ataque cardíaco e resolve fazer um filme – justamente o mesmo filme que a gente viu lá em 94.

Dante e Randal ainda trabalham na loja de conveniência (Randal trabalhava numa vídeo locadora, o novo filme precisava atualizar isso). Elias, que estava no segundo filme, ainda trabalha com eles. Claro que Jay e Silent Bob também estão por perto. E o novo filme ainda traz participações de Rosario Dawson e Jennifer Schwalbach (do segundo filme) e Marilyn Ghigliotti (do primeiro filme).

(Um pequeno parênteses: Silent Bob, claro, quase não fala. Mas de vez em quando ele fala alguma coisa. Aqui isso acontece, quando ele explica a opção por filmar preto e branco, numa das cenas mais divertidas do filme.)

Falando em participações especiais, tem uma cena onde temos várias, como Ben Affleck, Sarah Michelle Gellar, Freddie Prinze Jr., Danny Trejo, Anthony Michael Hall e Melissa Benoist, entre outros. Além de um cameo do Justin Long como enfermeiro.

Falei que precisava conhecer o filme original, porque algumas cenas são referências divertidas, como por exemplo o cara que fica analisando os ovos antes de comprar.

Às vezes o humor do filme é meio bobo. Mas isso sempre foi o estilo do diretor. E, nesse pacote, incluo algumas atuações caricatas, como a dupla Elias (Trevor Fehrman) e Blockchain (Austin Zajur). Acho isso ruim, mas entendo que faz parte do pacote.

Até mais ou menos dois terços, heu estava achando o filme divertido, mas meio bobo (como foi em O Império do Besteirol Contra-Ataca 2). Mas, na parte final, o filme conseguiu me pegar de jeito, e terminei o filme emocionado. O jeito como Kevin Smith termina seu filme fez O Balconista 3 subir vários degraus, é uma bela mensagem sobre amizade e amadurecimento.

Se você não viu o primeiro filme, ou se não gostou, ignore este terceiro. Mas, se você, assim como heu, é fã do primeiro, não perca este novo Balconista!

Império da Luz

Crítica – Império da Luz

Sinopse (filmeB): Uma história poderosa e comovente sobre a conexão humana e a magia do cinema, situada em uma cidade litorânea inglesa no início dos anos 80.

Comentei no texto sobre Amsterdam, às vezes a gente vê filmes em sessões de imprensa que acontecem muito antes da estreia. Nesses casos, fico na dúvida se vale a pena lançar a crítica logo e ser um dos primeiros, ou se é melhor aguardar o lançamento, porque provavelmente vai ter mais gente falando sobre o filme. Vi Império da Luz umas duas semanas atrás, e até agora não ouvi NINGUÉM comentando, não vi nenhum vídeo no youtube, na página do imdb só tem uma crítica. Fui ver no filme B, a previsão de estreia é em 23 de fevereiro de 2023! Claro que não tem ninguém falando sobre o filme!

Enfim, vou falar logo, porque prefiro fazer uma crítica com o filme recente na memória. Não quero esperar meses. Vamos lá?

Império da Luz foi o filme escolhido para abrir o Festival do Rio deste ano. Quem viu na ocasião viu, quem não viu agora só ano que vem. E aproveito pra citar o Festival do Rio, que em outros anos sempre teve um grande espaço aqui no heuvi, mas este ano recusaram a minha credencial, então decidi ignorar o festival. Quem sabe ano que vem?

Minha expectativa por Império da Luz era por ser o novo filme dirigido por Sam Mendes, o primeiro depois do sensacional 1917 – que foi o melhor filme de 2020 aqui no heuvi! Mas, pena, Império da Luz não é tão bom quanto 1917.

Império da Luz fala de vários temas importantes, como racismo, pessoas com desequilíbrio emocional e abuso sexual no trabalho. Mas, senti uma falta de foco, o filme aborda vários temas e não se aprofunda em nenhum. Um bom exemplo é o racismo. O filme tem uma cena forte usando skinheads racistas, mas depois o filme deixa esse plot pra lá.

Por outro lado, é um filme muito bonito. Império da Luz abre com belíssimas imagens de um saguão de cinema nos anos 80. Não li em lugar nenhum isso, mas arriscaria dizer que é uma parte autobiográfica do diretor e roteirista Sam Mendes, que nasceu em 1965 e tinha 15 anos na época em que o filme se passa. Mas a sequência mais bonita é uma onde a personagem principal vê um filme, sozinha no cinema. Ok, vários clichês, como a personagem de frente emocionada com a luz do projetor ao fundo, mas uma cena inegavelmente bela e emocionante. Essa sequência tem cara de clipe pra passar no Oscar…

Sim, Oscar. A decisão de lançar o filme em fevereiro do ano que vem deve ser porque este filme deve ganhar algumas indicações, como melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia para Roger Deakins (que já tem dois Oscars, por 1917 e Blade Runner 2049), e melhor atriz para Olivia Colman, que está ótima (ela ganhou por A Favorita e foi indicada por Meu Pai e A Filha Perdida).

Mas, apesar dos pontos positivos, Império da Luz termina com ar de decepção. Bonito, mas vazio.

Adão Negro

Crítica – Adão Negro

Sinopse (imdb): Quase 5.000 anos após ser agraciado com os poderes onipotentes dos deuses egípcios e preso com a mesma rapidez, Adão Negro alcança a liberdade de sua tumba terrena, pronto para liberar sua justiça no mundo moderno.

Bora pra mais um filme de super heróis da DC!

O que mais me intrigava sobre este Adão Negro (Black Adam, no original) era o protagonista. Porque, na Hollywood de hoje, é difícil imaginar o Dwayne Johnson como um vilão. Mas, olha, nesse aspecto, gostei do que vemos no filme. Diferente da maioria dos filmes de super heróis onde existe um grande maniqueísmo, o bem contra o mal, aqui a gente tem dois grupos distintos onde dependendo do ponto de vista, um deles pode não ser exatamente de “mocinhos”. Inclusive isso é falado por uma personagem – “onde estavam vocês quando fomos invadidos 27 anos atrás?”

Dito isso, preciso dizer que o vilãozão que temos no terço final do filme é fraco. Mais tarde volto a falar dele.

A direção é de Jaume Collet-Serra, de A Órfã, Águas Rasas, e alguns filmes com o Liam Neeson badass (Desconhecido, O Passageiro, Noite Sem Fim e Sem Escalas). Bom diretor, mas que aqui não mostra nada autoral. Ele usa tanta câmera lenta que às vezes parece que estamos vendo um filme do Zack Snyder.

Ainda na câmera lenta: são boas cenas, só que em excesso. Talvez o ideal fosse reduzir um pouco. As cenas de ação são boas, e o filme tem um pouco mais de violência do que estamos acostumados na concorrente Marvel.

Já que falamos da Marvel… Preciso dizer que não conheço as HQs, meus comentários são apenas relativos ao que tivemos no cinema nos últimos anos. E preciso falar que esse filme parece muito um filme da Marvel. Temos um novo elemento, o Eternium, que é equivalente ao Vibranium. O time de super heróis é liderado por uma mistura de Tony Stark com Falcão, e seu time tem um “Doutor Estranho” (que vê o futuro e encontra apenas uma solução para enfrentar o vilão), um Homem Formiga com máscara de Deadpool (inclusive usado como alívio cômico) e uma espécie de Tempestade (ok, essa é a mais diferente). Só que a Marvel passou anos e anos construindo um time, e agora na DC veio tudo jogado de uma vez.

Sobre o elenco, Dwayne Johnson está ótimo como sempre. Um personagem mais sombrio que o habitual, mas mesmo assim mantendo o bom humor. Sarah Shahi tem o principal papel entre os “não heróis”, e Pierce Brosnan é o único conhecido do grupo de heróis Sociedade da Justiça (os outros são Aldis Hodge, Quintessa Swindell e Noah Centineo). E temos Viola Davis como Amanda Waller, meio que pra justificar que este é mais um filme do universo cinematográfico da DC.

A parte técnica teve uma coisa que me incomodou. O áudio parecia que algumas cenas estava mal dublado, principalmente em cenas do menino. Achei estranho, mas deixei pra lá. Ao fim da sessão, um amigo comentou sobre isso, e vi que não fui o único.

Adão Negro é legal, mas não gostei do terço final. O personagem título tinha sido isolado, mas consegue voltar numa cena muito forçada. E é o momento onde temos o vilãozão. E aquele exército de zumbis foi completamente desnecessário.

Tem uma cena pós créditos, depois dos créditos principais, que fez parte da galera urrar na sessão de imprensa. Admito, boa cena. No fim dos créditos não tem nada.

Aguardemos mais filmes do Dwayne Johnson na DC!

Hellraiser 2022

Hellraiser 2022

Sinopse (imdb): Uma versão do clássico de terror de Clive Barker de 1987, onde uma jovem lutando contra o vício toma posse de uma antiga caixa de quebra-cabeça, sem saber que seu objetivo é convocar os Cenobitas.

Na Hollywood atual cheia de remakes e reboots, até que demorou pra chegar o novo Hellraiser – que já estava sendo anunciado há anos.

Mas, antes do filme, posso falar um pouco da franquia?

O primeiro Hellraiser, de 1987, foi marcante por vários motivos. Não só é um filme muito bom até hoje (apesar de alguns efeitos especiais que perderam a validade), como marcou a estreia de Clive Barker nos cinemas. Barker era um promissor escritor de terror, elogiado pelo próprio Stephen King (que, tirando algumas exceções, não tinha muito sucesso nos cinemas) – mas, com o tempo, vimos que Barker não viraria um grande nome no cinema nem na literatura (seus filmes frequentemente usam universos paralelos ligados à dor e ao sadomasoquismo, como Nightbreed, O Último Trem e Livro de Sangue). Até hoje ele é lembrado apenas pelo seu primeiro filme.

Pra mim, Hellraiser ainda foi marcante por outro motivo. O cinema de terror na época era muita galhofa, muitos títulos eram divertidos. Ok, admito que gosto de filmes assim, mas também gosto de um terror sério de vez em quando. E eram raros os filmes de terror sérios no fim dos anos 80. Me lembro de poucos: A Maldição dos Mortos Vivos (Wes Craven), Comando Assassino (George A Romero), O Príncipe das Sombras (John Carpenter) – e este Hellraiser.

Mas aí vieram as continuações – problema comum na época. Cada continuação era pior que o antecessor. Talvez seja ok até o terceiro filme, mas, pelo que chequei agora pelo imdb, foi até o décimo filme! E os novos filmes eram cada vez piores, até o ponto que heu, que era fã da franquia, abandonei. Devo ter visto até o sexto ou sétimo, aí desisti.
Normalmente não curto reboots e remakes, mas neste caso de Hellraiser entendo que era algo necessário…

Dirigido por David Bruckner (A Casa Sombria), este novo Hellraiser (que tem o mesmo nome do original) não é uma continuação, porque o Pinhead tem uma mudança significativa (daqui a pouco volto nisso); nem uma refilmagem, porque a história é diferente da original. Trata-se de um reboot, o que significa que devem estar pensando numa nova franquia.

Hellraiser tem alguns pontos positivos e outros negativos. Vamulá. Tem uma coisa que me incomodou, mas pode ser um head canon meu. Uma coisa que heu sempre gostei foi o cubo – queria ter um enfeitando minha sala. E, na minha memória, era quase sempre um cubo. Mas aqui a parada toma diversas formas, quase nunca é um cubo. Mas, ok, de repente já era assim e heu tinha me esquecido.

Uma coisa que gostei foi quando uma pessoa vai encontrar os cenobitas, que parte do cenário começa a se mexer como se fosse o cubo – ou seja, a pessoa já está “dentro” do cubo. Não me lembro disso nos outros filmes, achei que foi uma ideia visual que ficou boa.

Sobre o Pinhead, tem gente criticando na internet. Antes era o Doug Bradley (se não me engano, ele foi o Pinhead em oito dos dez filmes), e agora foi trocado por uma atriz, Jamie Clayton. Sim, mudaram o gênero do Pinhead. Mas… Dois comentários: 1- Os cenobitas são demônios que são ligados à dor e à tortura. Tanto faz se é um homem ou uma mulher, nunca teve nenhuma sexualização em cima dos cenobitas. Então, por mim, não faz diferença qual é o gênero. 2- A atriz é boa! Sua caracterização de Pinhead ficou boa! Tanto o visual, quanto a voz, gostei da Pinhead.

Dito isso, preciso dizer que não curti a nova versão. Sei lá, o antigo me trazia uma sensação de sujeira, de perversão sexual, e este novo parece limpo e estéril. Mesmo nas cenas onde tem sangue e gore, o filme não incomoda. Parece que os novos realizadores não entraram na onda sadomasoquista proposta pelos filmes antigos.

Além disso, o filme é escuro (problema recorrente em produções com poucos recursos, pra esconder efeitos especiais deficientes); e os personagens são fracos – a gente deveria torcer pela protagonista, mas a protagonista aqui tem zero carisma.

E pra piorar, o roteiro é muito previsível. Qualquer um acostumado com filmes de terror vai conseguir adivinhar até a ordem dos acontecimentos.

Ou seja, não é ruim, mas está longe de ser bom. É apenas mais um terror genérico. E pior é que deve ter continuações…

Halloween Ends

Crítica – Halloween Ends

Sinopse (imdb): A saga de Michael Myers e Laurie Strode chega a um fim arrepiante.

É, tem mais um Halloween. Ninguém mais se importa, mas avisaram que vinha mais um, pra fechar a história.

Estou com preguiça, então vou copiar dois parágrafos do meu texto do ano passado sobre o Halloween anterior:

“Halloween me lembra o cantor Roberto Carlos. Ele tem um monte de músicas boas no início da carreira. Mas fez tanta coisa ruim depois que ninguém mais queria saber quando ele lançava um disco novo.
Este é o décimo segundo Halloween. O primeiro filme foi em 1978. Aí teve continuações em 81, 82, 88, 89, e, em 95 era pra ser o sexto e último. Mas alguns anos depois a Jamie Lee Curtis voltou pra mais dois, um em 98 e outro em 2002. Em 2007 e 2009 teve um remake, feito pelo Rob Zombie. Até que em 2018, o diretor David Gordon Green disse “esqueçam tudo isso, a partir de agora só vale o primeiro”. Sim, o décimo primeiro filme ignora os nove que vieram antes.”

Mas, como disse no início, este novo filme já estava anunciado. Então vamos a ele.

Mais uma vez dirigido por David Gordon Green, este Halloween Ends é o fim da saga do Michael Myers. Pelo menos por enquanto, até alguém daqui a alguns anos resolver mais uma vez ressuscitar a franquia.

Não, o filme não é bom. É ainda pior que os dois anteriores do mesmo diretor, porque tudo demora muito a acontecer, e boa parte do filme não é focada no personagem central, Michael Myers.

Queria falar mal, mas preciso entrar no terreno dos spoilers. Nada grave, quem quiser pode continuar.

]SPOILERS!!!
SPOILERS!!!
SPOILERS!!!

Duas coisas me incomodaram bastante. Uma delas é que achei muito forçado o romance da Allyson com o Corey. Ela é uma mulher experiente, viu a mãe morrer, viu amigos morrerem, ela não é uma garotinha ingênua que vai se apaixonar pelo primeiro zé mané que aparecer. NADA no filme traz argumentos sólidos para justificar esse romance avassalador.

A outra é ainda pior. Corey tem um bom desenvolvimento, acompanhamos uma boa construção de vilão – um trauma no passado, uma mãe opressora, sofre bullying, não tem amigos, etc. Boa parte do filme ignora o Michael Myers e foca neste novo vilão – o que seria uma boa saída para o filme. Mas, lá pro terço final, parece que alguém se lembrou “xi, era pra ser o Michael Myers e não esse garoto!” e de repente o filme muda de rumo. E aí temos um filme do Michael Myers onde em pelo menos metade do filme ele nem aparece. E, claro, temos menos mortes – um slasher com poucas mortes.

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, temos a volta de Jamie Lee Curtis, Will Patton e Andy Matichack, que estavam nos filmes anteriores. Judy Greer só aparece em fotos. Rohan Campbell faz o “semivilão” Corey.

Agora acabou. Ufa! Até alguém resolver voltar com um novo reboot, remake, etc…

Lobisomem na Noite

Crítica – Lobisomem na Noite

Sinopse (Disney+): Em uma noite escura e sombria, uma cabala de monstros emerge das sombras e se reúne no templo de Bloodstone após a sua morte. Em um estranho e macabro memorial à vida de seu líder, os participantes são lançados em uma misteriosa e mortal competição por uma poderosa relíquia – uma caçada que acabará por colocá-los cara a cara com um monstro perigoso.

Recebi uma mensagem de um amigo sobre um novo Marvel, fui ver direto sem ler absolutamente nada do que se tratava. Olha, que surpresa boa!

Inicialmente achei que seria o primeiro episódio de uma nova série – caramba, tem muita coisa pra ver, estou acompanhando Andor, She-Hulk, Anéis de Poder, estou atrasado com House of the Dragon, acabou de estrear O Clube da Meia Noite, e ainda me recomendaram Dahmer. E ainda preciso ver filmes pra produzir conteúdo pro site! Precisamos de uma nova greve de roteiristas…

Mas, não, Lobisomem na Noite não é uma nova série, é um especial de Halloween. Um filme média metragem, de 54 minutos, que, a princípio, não terá continuação. Taí, gostei da proposta. Só achei um pouco cedo pra Halloween, será que não seria melhor mais perto do fim do mês?

Antes de tudo, preciso falar que Lobisomem na Noite não tem NADA de super heróis. Ok, algum leitor das HQs pode até dizer “mas o personagem tal aparece no gibi” – mas, pra mim, o que vale é o que está na tela, tanto nos filmes quanto nas séries. E nada aqui se conecta a nenhum dos filmes ou séries. Se vai se conectar no futuro? Provavelmente. Mas, por enquanto é algo independente.

Lobisomem na Noite (Werewolf by Night, no original) é uma grande homenagem a filmes clássicos de terror, como Drácula, Frankenstein, A Múmia, etc. Reconheço que não sou um grande conhecedor dessa fase, mas a gente pode sentir o clima. Não só o fato de ser em preto e branco, como os enquadramentos, cenários, trilha sonora, tudo lembra filmes daquela época. Tem até aquelas “marcas de cigarro”, aquelas bolas pretas que aparecem no canto da tela pra avisar pro projecionista que é a hora de trocar de projetor (se você é novo, talvez nunca tenha visto isso, mas até os anos 80 ou 90 era bem comum, tinha em todos os filmes que passavam no cinema).

Quando vi, desconfiei de uma coisa que confirmei depois no imdb: aproveitaram o P&B para “esconder” o sangue. Tem algumas cenas bem violentas, com muito sangue jorrando, mas vemos muito pouco porque o sangue não é vermelho.

Quando acabou o filme, uma agradável surpresa. A direção é de Michael Giacchino, ele mesmo, o compositor das trilhas sonoras de metade dos blockbusters que a gente viu nos últimos anos – só este ano, ele fez Batman, Jurassic World, Lightyear e Thor. O cara que já mostrou que é um grande compositor, ele já tinha trabalhado em trilhas que originalmente eram de outros compositores – tipo quando fez as trilhas dos Jurassic World (que nos filmes anteriores eram do John Williams) ou dos novos Star Trek (trabalhando em cima da trilha original de Jerry Goldsmith). Como diretor, ao fazer uma homenagem aos clássicos do terror, gostei de ver que ele mostra o mesmo carinho que ele tem para trabalhar em cima de outras trilhas. Já quero ver mais filmes dirigidos por ele!

Tenho uma crítica com relação ao nome. O filme se chama “Lobisomem na noite”. E tratam isso como se fosse um grande mistério a ser revelado num plot twist. Ora, se você vai ver um filme chamado “Lobisomem”, você sabe que o personagem central vai virar lobisomem! Que plot twist fajuto!

Mas não reclamo porque adorei a transformação. Vemos o olhar de medo da outra personagem, enquanto vemos suas sombras se transformando. Ficou muito bom!

Outra coisa que achei bem legal: a vinheta da Marvel foi alterada. Começa normal, mas aí é como se uma garra de lobisomem rasgasse (me lembrou o poster de Um Grito de Horror), aí fica preto e branco e o tom muda para menor. Muito legal!

No elenco, Gael Garcia Bernal e Laura Donnelly são os principais. Se este filme se conectar ao MCU, deve ser com um deles (ou ambos).

No fim, fica a sensação de que poderia ter sido um longa. Gostei do clima, gostei dos personagens, pena que acabou rápido. Pelo menos é melhor do que uma série longa.