Cadáver

Crítica – Cadáver

Sinopse (imdb): Quando uma policial que acabou de sair da reabilitação pega o turno da noite no necrotério de um hospital da cidade, ela enfrenta uma série de eventos bizarros e violentos causados ​​por uma entidade maligna em um dos cadáveres.

O trailer de Cadáver (The Possession of Hannah Grace, no original) prometia. Pena que ficou só na promessa.

O pouco conhecido diretor Diederik Van Rooijen até consegue criar um clima tenso interessante. Mas o roteiro de Cadáver é tão furado que não adianta nada.

Varias coisas não fazem sentido, como a porta por onde chega o rabecão, que precisa do cartão pra entrar, mas não precisa pra sair; ou então um dos seguranças que desaparece e ninguém se preocupa. Assim, o bom clima de tensão vai se dissipando…

(Uma coisa que não resolveria os problemas, mas pelo menos ajudaria, seria “esconder” a história da possessão (que está no título original e é a primeira cena do filme), e só revelar num flashback na parte final do filme. Pelo menos teríamos o mistério do que está acontecendo. Do jeito que ficou, nem mistério tem.)

Era melhor ter ficado só com o trailer…

Robin Hood – A Origem

Crítica – Robin Hood – A Origem

Sinopse (imdb): Um cruzado endurecido pela guerra e um comandante mouro montam uma audaciosa revolta contra a corrupta coroa inglesa em uma emocionante aventura de ação repleta de façanhas de campo de batalha, coreografia de luta alucinante e um romance intemporal.

Sabe aquele Rei Arthur do Guy Ritchie, divertido, mas que desagradou muita gente? Este Robin Hood segue o mesmo caminho.

Dirigido Otto Bathurst (que tem longa carreira na tv, incluindo um Black Mirror, o episódio “do porco”), Robin Hood – A Origem (Robin Hood, no original) é mais uma versão da história do ladrão que roubava dos ricos para dar para os pobres. Claro que a gente se pergunta “pra que outra versão?”, mas Hollywood é assim, a última versão blockbuster foi a do Ridley Scott com o Russell Crowe em 2010, então executivos hollywoodianos devem ter pensado “já está na hora de um novo reboot”.

Este novo filme resolve transformar a história do Robin Hood numa briga política de luta de classes, do proletariado contra os ricos da nobreza. Algumas coisas estão diferentes do que todos conhecem (não me lembro do João Pequeno ter só uma mão), mas é avisado no início do filme “esqueça a história que você conhece”.

O visual do filme sofre com uma grande falta de identidade. Às vezes parecem roupas e penteados modernos, com uma pegada estilizada, mas o filme deixa claro que a história se passa na época medieval. Por outro lado, as cenas de ação são bem feitas, vai agradar a garotada.

O elenco está bem. Taron Egerton funciona como o jovem Robin Hood; Jamie Foxx sempre funciona em qualquer papel. Ben Mendelsohn repete mais uma vez o mesmo papel de sempre, o Krennic de Rogue One e o Sorrento de Jogador Nº 1; Tim Minchin parece o Silent Bob! Ainda no elenco, Eve Hewson, Jamie Dornan e F. Murray Abraham.

Ao fim da sessão de imprensa, vi muita gente falando mal. A má notícia pra quem não gostou é que, como diz o próprio título, a ideia é começar uma nova franquia, vamos ver se a bilheteria vai permitir isso.

Parque do Inferno

Crítica – Parque do Inferno

Sinopse (imdb): Um serial killer mascarado transforma um parque de diversões temático de terror em seu próprio playground pessoal, aterrorizando um grupo de amigos, enquanto o resto dos clientes acredita que tudo faz parte do show.

Dirigido por Gregory Plotkin (Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma), Parque do Inferno (Hell Fest, no original) é apenas mais um slasher comum, cheio de clichês, igual a vários outros que já vimos por aí. O legal aqui é a caprichada ambientação. O parque de diversões temático de terror é bem legal (existem parques assim nos EUA, deu vontade de visitar).

Quem vê slashers gosta de ver mortes graficamente bem filmadas. Bem, Parque do Inferno tem alguns bons momentos assim, principalmente as primeiras mortes. Pena que a parte final é fraca neste aspecto. Aliás, toda a sequência final é bem fraca – por que elas não foram embora do parque?

No elenco principal, seis jovens pouco conhecidos (Courtney Dietz, Bex Taylor-Klaus, Reign Edwards, Christian James, Matt Mercurio e Roby Attal) – nenhum tem carisma, mas também não precisa, afinal, eles estão apenas preenchendo os estereótipos. Tony Todd (o Candyman!) faz uma ponta.

Nada de mais. Mas pode agradar quem estiver atrás de um slasher despretensioso.

Apóstolo

Crítica – Apóstolo

Sinopse (Netflix): Em 1905, durante a perigosa missão de resgate da irmã raptada, um homem se envolve com o sinistro culto religioso de uma ilha isolada.

Sou fã do diretor Gareth Evans, galês que fez carreira na Indonésia, onde dirigiu dois dos melhores filmes de ação dos últimos anos, The Raid (2011) e The Raid 2 Berandal (2014). De volta ao ocidente, Evans agora apresenta seu novo filme, estreando apenas no Netflix.

Apóstolo (Apostle, no original) não tem muito de The Raid, o filme lembra mais o clima de Safe Heaven, filme curto que Evans dirigiu em parceria com os Mo Brothers, uma das melhores coisas da irregular coletânea VHS.

Diferente da adrenalina máxima da franquia The Raid, Apóstolo começa lento. Evans não tem nenhuma pressa pra construir a sinistra e misteriosa ambientação da ilha. Aliás, a reconstituição de época é primorosa. O terror não é “trem fantasma” como os filmes do James Wan. Aqui, o terror está no mistério, na crescente tensão. E a parte final do filme capricha na violência e no gore.

No elenco, o papel principal fica com o pouco expressivo Dan Stevens (que foi a Fera em A Bela e a Fera). Michael Sheen (Passageiros) faz melhor com o seu líder comunitário; Lucy Boynton (Bohemian Rhapsody) também está bem no principal papel feminino. Também no elenco, Kristine Froseth, Catrin Aaron, Richard Elfyn, Paul Higgins e Mark Lewis Jones.

Gostei de não ter muita explicação. Espero que não façam um filme explicando o que ficou no ar. Pena que sei que esta continuação deve acontecer.

(E tomara que Evans volte para a Indonésia para fazer o terceiro The Raid!)

O Grinch (2018)

Crítica – O Grinch

Sinopse (imdb): Um Grinch rabugento planeja arruinar o Natal na aldeia dos Quem.

Dr. Seuss é um escritor infantil muito famoso nos EUA, mas pouco conhecido por aqui. Mesmo assim, quase todo mundo conhece um dos seus personagens mais conhecidos: o Grinch, graças ao filme de 2000, aquele estrelado por Jim Carrey.

Cono estamos na era dos reboots, remakes e releituras, a Illumination resolveu fazer um novo Grinch, desta vez em desenho animado.

Dirigido por Yarrow Cheney e Scott Mosier, O Grinch (The Grinch, no original) segue o padrão da Illumination (Meu Malvado Favorito, Minions, Pets, Sing). O filme é muito engraçado, e a animação é de encher os olhos pelos detalhes técnicos. A narração é sempre feita em rimas, isso incomoda um pouco, mas o livro é assim, então não tem como reclamar.

A dublagem brasileira está ótima (como quase sempre), mas fiquei curioso com o som original. Se na versão dublada o Grinch é o Lázaro Ramos, na gringa temos Benedict Cumberbatch. Taí, quando tiver oportunidade, vou rever com o som original.

O resultado final é um pouco infantil, mas vai agradar os adultos que estiverem no espírito do Natal.

Infiltrado na Klan

Crítica – Infiltrado na Klan

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): A história real de um herói americano. Nos anos 70, Ron Stallworth é o primeiro detetive afro-americano a servir no Departamento de Polícia de Colorado Springs. Determinado a se destacar, ele parte em uma missão perigosa: se infiltrar e expor a Ku Klux Klan. O jovem detetive logo recruta um colega mais experiente, Flip Zimmerman. Juntos, eles pretendem derrubar a organização que espalha o discurso de ódio pelo país.

O último filme do Spike Lee que me lembro de entrar no circuito foi a refilmagem de Oldboy, de 2013 (ele fez muita coisa de lá pra cá, mas não me lembro de ter passado aqui). Oldboy tinha uma proposta bem diferente do cinema que ele fazia no início da carreira – o racismo era tema frequente, em títulos como Faça a Coisa Certa (1989), Mais e Melhores Blues (90), Febre da Selva (91) e Malcom X (92). Com este Infiltrado Na Klan, podemos usar aquela frase clichê “Spike Lee está de volta!”.

Infiltrado Na Klan (BlacKkKlansman, no original), é um grande filme. Elenco afiado, personagens bem construídos, bom ritmo, reconstituição de época primorosa e uma forte denúncia racista, aproveitando a época que o filme se passa para incluir a Ku Klux Klan e cutucar os EUA de hoje em dia.

A princípio achei a história meio estranha – por que usar dois policiais, um negro ao telefone e um branco ao vivo? Não seria mais fácil ser um só? Mas aí descobri que o filme é baseado no livro escrito pelo próprio Ron Stallworth, ele realmente existe e realmente viveu essa história maluca.

Teve crítico chamando Infiltrado na Klan de comédia. Olha, o filme não é um drama sério, mas está bem longe da comédia, na minha humilde opinião. Outra coisa: achei o filme muito maniqueísta. Ok, como estamos falando da Ku Klux Klan, não tem nem como defender, mas acho que poderiam ter mais personagens “dentro dos tons de cinza” na trama.

Como falei, o elenco é muito bom. O papel principal é de John David Washington, filho de Denzel Washigton. Adam Driver (o Kylo Ren!) faz seu “par”; Laura Harrier (Homem Aranha de Volta ao Lar) tem o principal papel feminino. Topher Grace, o eterno Forman de That 70s Show, não convence muito como David Duke, um dos líderes da KKK, mas aí quando acaba o filme, vemos o David Duke original e entendemos por que chamaram o ator. Gostei dos coadjuvantes Michael Buscemi, Jasper Pääkkönen e Paul Walter Hauser. Alec Baldwin faz uma ponta na introdução do filme; Harry Belafonte está no centro de um dos momentos mais fortes, quando conta a um grupo sobre um caso bárbaro que ele presenciou no passado.

Do jeito que a última premiação do Oscar teve um forte pé na política, não será surpresa se Infiltrado na Klan aparecer no Oscar no início do ano que vem.

 

p.s.: Com este filme, me despeço do Festival do Rio 2018. Só seis filmes, acho que foi o meu pior ano desde que o Festival começou. Tomara que ano que vem tudo volte ao normal.

As Filhas do Fogo / Las Hijas del Fuego

Crítica – As Filhas do Fogo

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Bem no fim do mundo, três mulheres se encontram por acaso, começando uma jornada poliamorosa que irá transformar as suas vidas. Uma viagem ao longo de estradas e através do tempo que se transforma em pura alegria, rios de prazer e diversão. Elas lentamente exploram uma paixão irreversível e a utopia do amor monogâmico, longe dos sentimentos de posse e de dor, como o inevitável fim de um amor que não se encaixa em lei alguma. Através de suas anotações, Violeta nos conta sobre as aventuras das Filhas do Fogo: um grupo de mulheres em busca de suas próprias descobertas eróticas.

Falei do Morra Monstro Morra, que era a cara da mostra Midnight Movies. Mais um filme argentino, este As Filhas do Fogo também é. Relações lésbicas, sexo explícito e muito papo cabeça numa história que não faz muito sentido. Sim, amigos, coisas que a gente só vê em mostras assim.

Escrito e dirigido por Albertina Carri, As Filhas do Fogo (Las hijas del fuego, no original) segue a estrutura básica de filme pornô: algo acontece na história para justificar a cena de sexo que vem em seguida, e assim por diante. Acredito que foi proposital, isso inclusive é citado nos monólogos narrativos. A diferença é que as personagens têm rostos comuns – nenhuma delas estaria num filme pornô “normal”.

Claro que o objetivo é provocar. Não só pelo sexo explícito, mas também por mostrar um elenco quase todo feminino em cenas meio oníricas – a longa sequência final é uma grande viagem. Acho que o único homem no elenco é justamente um ser desprezível, que maltratava a esposa.

Vale por ser diferente. Um bom exemplo de filme que não vemos facilmente por aí.

Morra Monstro Morra

Crítica – Morra Monstro Morra

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Cruz, um policial rural, investiga o bizarro caso do cadáver de uma mulher sem cabeça encontrado em uma região remota das Montanhas dos Andes. David, marido da amante de Cruz, Francisca, surge como o principal suspeito e é logo enviado para um hospital psiquiátrico. Ele jura que a culpa do crime é da aparição inexplicável e brutal de um “Monstro”. Cruz acaba desencavando uma misteriosa teoria que envolve geometria rural, motociclistas de montanha e um mantra que não sai da sua cabeça: Mate-me, Monstro.

Escrito e dirigido pelo argentino Alejandro Fadel, Morra Monstro Morra (Muere, monstruo, Muere, no original) é a cara da mostra Midnight Movies. Violência, gore, papo cabeça e muito simbolismo.

Primeiro, vamos ao que funciona. Os efeitos de maquiagem são bons, temos algumas cabeças decapitadas, essa parte ficou bem feita. A fotografia do filme também é boa.

Agora, é um filme lento, e cheio de diálogos chatos. E tem outro problema: muita coisa deve ter um simbolismo escondido. E não li o “manual de instruções” do filme. Ou seja, metade do filme não teve sentido. Por exemplo, o que eram aquelas motos que apareciam, davam uma voltinha e iam embora?

Ah, tem um monstro. Sim, aparece no fim do filme. Fica claro o simbolismo por trás dele. Mas o visual do monstro é tão tosco, mas, tão tosco, que não rola. Desculpa, era melhor não aparecer.

Morto Não Fala

Crítica – Morto Não Fala

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Stênio é plantonista noturno no necrotério de uma grande e violenta cidade. Em suas madrugadas de trabalho, ele nunca está só, pois possui um dom paranormal de comunicação com os mortos. Quando as confidências que ouve do além revelam segredos de sua própria vida, Stênio desencadeia uma maldição que traz perigo e morte para perto de si e de sua família.

Terror nacional é algo que precisa ser valorizado, certo? Quando soube que ia ter Morto Não Fala no Festival do Rio, virou uma das minhas prioridades!

Dennison Ramalho chamou a atenção quando escreveu o roteiro de Encarnação do Demônio, em parceria com o próprio José Mojica Marins. Foi parar em Hollywood, onde fez um dos segmentos do irregular O ABC da Morte 2. Agora, depois de roteiros para TV (Supermax, Carcereiros), Ramalho apresenta seu primeiro longa como roteirista e diretor.

Baseado num conto de Marco de Castro, Morto não Fala já começa bem, sendo um filme de terror sério. Vejam bem: gosto de filmes trash. Gosto de filmes que não se levam a sério, como os filmes do Rodrigo Aragão e do Paulo Biscaia. Mas também gosto de ver um terror sério, tenso, nauseante, e bem longe do trash.

Morto não Fala tem muito gore. Claro, o protagonista trabalha num necrotério! A maquiagem está muito bem feita, e os efeitos usados para os mortos falarem ficaram bem legais. A fotografia e os cenários também são ótimos.

Achei o filme um pouco longo demais – quase duas horas. Talvez fosse melhor dar uma enxugada – por exemplo, se você tirar toda a parte do aniversário, o filme não perde nada. Mas nada grave.

O elenco está muito bem, com nomes do mainstream: Daniel de Oliveira, Fabiula Nascimento, Bianca Comparato e Marco Ricca. Não só no elenco, a produção é do Canal Brasil, Casa de Cinema de Porto Alegre e Globo Filmes, e nos créditos li nomes grandes da tv e do cinema nos créditos, como Guel Arraes e Jorge Furtado. Legal, Dennison Ramalho já começou com pedigree. Que o isso ajude o terror nacional a crescer!

Alterscape

Crítica- Alterscape

Sinopse (catálogo do Festival do Rio): Em depressão depois de perder o irmão na guerra do Iraque, Sam Miller tenta tirar a própria vida, sobrevive e é acompanhado pelo terapeuta John Willis. No tratamento, é submetido a técnicas experimentais que prometem curá-lo. Após sessões promovidas em um estranho laboratório, ele se transforma: parece estar desprovido das emoções humanas mais básicas.

No Festival do Rio, costumo procurar filmes alternativos, que não devem entrar em cartaz depois. E sempre gosto de olhar os filmes esquisitos da mostra Midnight Movies. Quando li a sinopse deste Alterscape, e ainda que ele tinha ganhado o prêmio de melhor filme no Philip K. Dick Sci-Fi Film Festival, não tive dúvidas que seria uma das minhas escolhas para 2018.

Pena que o resultado final não é grandes coisas. Escrito e dirigido por Serge Levin, Alterscape (que ganhou o título de Distorção no Festival do Rio) não tem muita história pra contar. A história se arrasta, e é difícil chegar ao fim do filme, apesar de ter só uma hora e meia de projeção.

A gente sente um clima meio cronemberguiano vintage (época de Scanners e Videodrome) – a presença de Michael Ironside no elenco reforça isso. E os efeitos especiais “low fi” ajudam a criar o clima. Mas, convenhamos, é pouco.

O curioso é ver a página do imdb, na parte de “user reviews” tem dezenas de reviews de uma ou duas frases, todas falando bem do filme. Gente, vamos criar fakes mais bem feitos? 😉