Crítica – Uma Batalha Após a Outra
Sinopse (imdb): Quando seu inimigo maligno ressurge após 16 anos, um grupo de ex-revolucionários se reúne para resgatar a filha de um dos seus.
Ao fim da sessão de imprensa, ouvi alguns amigos fazendo grandes elogios. Mais tarde, um amigo, ex crítico, cuja opinião heu respeito muito, me mandou uma mensagem: “filmaço”. Abri o youtube, vários vídeos com o título “melhor filme do ano”.
Caramba, será que fui o único que não achou isso tudo? Reconheço virtudes em Uma Batalha Após a Outra, mas se bobear nem vai entrar no meu top 10 de 2025.
Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, no original) é o novo filme escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, um cara que não faz filmes ruins – seus filmes mais fracos são melhores que o média do que é lançado no circuito. Heu particularmente sou muito fã de Boogie Nights, um de seus primeiros filmes.
Vamos aos elogios óbvios. O elenco está todo muito bem, mas preciso destacar Sean Penn, que faz um militar obcecado e completamente desequilibrado. Penn está assustador, cada olhar, cada gesto, até o jeito de andar, será uma surpresa se não for indicado ao Oscar. Leonardo DiCaprio também está excelente, ele faz um cara que acreditava numa causa mas com o tempo deixou a causa pra lá e agora vive chapado e paranoico, parece uma versão menos engraçada do “dude Lebowski”. E ainda tem o Benicio Del Toro, num papel menor, mas também ótimo.
Uma coisa que achei boa é que todos os personagens têm falhas de caráter – num mundo polarizado, seria fácil “escolher um lado”, mas aqui, todos os lados estão errados. O filme abre com Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), uma mulher forte, guerrilheira contra o sistema – mas que é uma péssima mãe e ainda de dedurou os companheiros. O militar Lockjaw (Sean Penn), seu antagonista direto, poderia ser um símbolo da luta pelo que é correto – mas está tentando entrar para um seleto grupo de supremacistas brancos, uma espécie de Ku Klux Klan moderna. E o protagonista Bob (Dicaprio), como falei, vive bêbado e drogado.
Preciso falar da sensacional cena de perseguição de carros. A gente está acostumado a ver boas cenas de perseguição em filmes de ação, mas aqui a pegada é outra, outra proposta, outro ritmo. É uma longa estrada, reta, mas com ondulações que parecem uma montanha russa – lembro de uma estrada parecida no caminho de Rio das Ostras, o carro sobe e desce diversas vezes seguidas. Aqui, a câmera se posiciona de maneira que a gente vê os carros subindo e descendo, eles aparecem e somem logo depois. Foi uma sacada genial. E o desfecho da perseguição é muito bom.
A trilha sonora é estranha, parece que um gato está passeando em cima de um piano. Estranha, mas encaixa perfeitamente com o clima tenso do filme. Gostei!
Uma Batalha Após a Outra é bom, reconheço. Só que é um filme que não “me pegou”. Os atores são bons, os personagens são bem construídos, mas são pessoas desagradáveis, fica difícil se identificar e torcer por algum deles. Além disso, é longo demais, duas horas e quarenta e um minutos, me cansou. Reconheço os méritos, mas não achei tudo isso.








