Fading Gigolo

Crítica – Fading Gigolo

Um dono de livraria de meia-idade em sérios problemas financeiros resolve transformar um velho amigo em garoto de programa para belas mulheres endinheiradas.

John Turturro é um excelente ator, ninguém duvida disso, mas também é muito feio. Mas ele não é um cara bobo – escreveu um roteiro e dirigiu o filme onde ele faz um ménage a trois com a Sharon Stone e a Sofia Vergara…

A presença das duas musas balzaquianas não é o único atrativo do filme. Fading Gigolo também traz uma rara participação de Woody Allen como ator em um filme que não foi nem escrito nem dirigido por ele.

No fundo, Fading Gigolo até parece um “filme de Woody Allen” – meio comédia, meio drama, baseado em atores e não em efeitos especiais ou cenas de ação ou tensão.

E, na minha humilde opinião, é justamente na separação entre comédia e drama que está o problema de Fading Gigolo. A parte comédia é muito melhor que a parte drama! Allen está inspiradíssimo, quase todos os seus diálogos são geniais – e muito engraçados. Já as cenas da Avigal (Vanessa Paradis) são bem menos empolgantes…

Mesmo assim, o bom elenco segura a qualidade do filme. Além dos já citados Turturro, Allen, Sofia, Sharon e Vanessa, Fading Gigolo ainda conta com Liev Schreiber – todos estão bem.

Curiosamente, Fading Gigolo ainda não tem exibição garantida aqui no Brasil. Estranho, porque o filme tem potencial de bilheteria, na minha humilde opinião.

Kick-Ass 2

Crítica – Kick-Ass 2

Estreou a continuação de Kick-Ass!

O “super heroi caseiro” Kick-Ass está de volta, junto com outros cidadãos comuns que também se fantasiam para combater o crime. Enquanto isso, Red Mist planeja vingar a morte do seu pai.

O primeiro Kick-Ass foi uma agradável surpresa, uma adaptação de quadrinhos pouco conhecidos que misturava bem ação e humor, usando muita violência gráfica (às vezes até demais). E a continuação pode não ser tão boa quanto o original, pelo menos consegue manter o alto nível.

Houve uma troca de diretor. Mathew Vaughn, que foi para a franquia X-Men – Primeira Classe, deixou o cargo para Jeff Wadlow. Pelo menos continuou no projeto como produtor, talvez para fazer um “controle de qualidade”.

Uma das melhores coisas do primeiro filme era a Hit Girl de Chloe Grace Moretz. Parece que não sou o único a pensar assim: Chloe aqui tem um papel tão importante quanto o protagonista Aaron Taylor-Johnson, talvez até mais importante – se o filme se chamasse “Hit Girl” em vez de “Kick-Ass”, não seria estranho. Chloe continua carismática e boa atriz, ela consegue um equilíbrio perfeito na sua adolescente que pende entre a escola e o combate ao crime. Chloe tem apenas 16 anos e já tem uma currículo com vários filmes legais. Essa menina vai longe!

Outro destaque do elenco é Christopher Mintz-Plasse, que está ótimo, careteiro e exagerado na medida exata com o seu vilão Motherf$#@cker. E, se Nicolas Cage não volta (seu personagem morreu), temos um Jim Carrey menos careteiro que o habitual – o que ajuda no seu papel. Ainda no elenco, John Leguizamo, Morris Chestnut, Clark Duke, Lindy Booth, Olga Kurkulina e Donald Faison.

Ainda sobre o elenco: a Mother Russia da estreante Olga Kurkulina é uma personagem ótima, uma espécie de Ivan Drago (Rocky IV) com seios (mas nem por isso podemos chamar de uma “versão feminina” de Drago). E a cena quer ela briga com vários policiais ao som de uma versão rock’n’roll de Tetris é sensacional!

Aliás, a trilha sonora funciona muito bem, tanto nas canções quanto nos temas instrumentais. E traz uma coisa particularmente interessante para o público brasileiro: uma versão, em português (com sotaque), de A Minha Menina, aquela do Jorge Ben que Os Mutantes gravaram.

Pena que nem tudo funciona. Algumas coisas ficam difíceis de “engolir”, como, por exemplo, por que ninguém usa armas de fogo na cena final? E uma cena em particular traz uma escatologia que não combinou muito bem com o resto do filme. Um filme desses não precisa de piadas com excrementos.

Mesmo com esses pequenos escorregões, Kick-Ass 2 ainda é bem divertido, e deve agradar ao público que gostou do primeiro filme.

Ah, e não se esqueçam de ver a cena depois dos créditos!

Clear History

Crítica – Clear History

Um filme escrito e estrelado por Larry David e dirigido por Greg Mottola, o mesmo de Paul? Claro que quero ver!

Às vésperas de um lançamento de um novo modelo de carro elétrico, um dos sócios encrenca com o nome do produto e decide abrir mão de sua parte na sociedade. Mas o carro é um sucesso e ele deixa de ganhar milhões. Dez anos depois, vivendo sob um pseudônimo, ele decide armar uma vingança contra seu antigo sócio.

Larry David é um dos criadores de Seinfeld, ao lado do Jerry Seinfeld, mas hoje em dia ele é mais famoso pela série Segura A Onda / Curb Your Enthusiasm, escrita e estrelada por ele. Acompanhei algumas temporadas, a série tinha uma fórmula básica: David interpretava ele mesmo, sempre se metendo em situações sociais constrangedoras.

Clear History só não parece um episódio esticado de Curb Your Enthusiasm pelo aspecto técnico – a série tinha estética de câmera na mão e imagem de vídeo caseiro, opção felizmente não usada pelo diretor Greg Mottola. Mas o personagem Nathan / Rolly parece ter saído direto da série.

A lógica social de Larry David muitas vezes soa forçada no “mundo real”. Me parece quase sempre uma “tempestade em copo d’água. Por exemplo: determinado momento do filme, cria-se um clima tenso por causa de talheres colocados em cima da mesa de um restaurante. Este é o problema de Clear History. A trama se baseia em um sujeito constrangido porque perdeu muito dinheiro em um negócio mal conduzido. Mas para o filme funcionar, TODOS precisam se lembrar dos detalhes da história, mesmo dez anos depois. E na vida real, as pessoas iam se esquecer por ser um fato menos relevante.

Deixando esse detalhe de lado, o filme é bem divertido. Os órfãos da série (foi ao ar entre 2000 e 2011) podem se reencontrar com o velho rabugento que questiona várias convenções sociais, e quase sempre sem o menor tato ao fazer isso…

O elenco é cheio de nomes legais, como John Hamm, Kate Hudson, Eva Mendes, Amy Ryan, Bill Hader, Danny McBride e Philip Baker Hall, além do próprio Larry David, claro. Mas o melhor do elenco sem dúvida é Michael Keaton, que parece fazer uma versão “viva” do seu Beetlejuice!

Clear History é um “filme de tv”, foi feito pela HBO e não foi lançado nos cinemas lá fora. Por isso, não sei se vai entrar no circuito por aqui…

Gravidade

Crítica – Gravidade

O elogiado novo filme de Alfonso Cuarón!

Dois astronautas são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por um míssil russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral. Sem qualquer apoio da base terrestre da NASA, eles precisam encontrar um meio de sobreviver.

Gravidade (Gravity, no original) é um daqueles raros casos de filme com tudo no lugar certo. Ainda não tenho ideia dos filmes que entrarão para o Top 10 de 2013, mas só preciso procurar os outros nove.

Tecnicamente, o filme é um assombro. Vários longos planos-sequência, com a câmera passeando pela órbita da Terra – sim, é uma câmera em movimento no espaço, sem ter um “chão”. A câmera fica de lado, de cabeça para baixo, dá cambalhotas, entra e sai do capacete do astronauta… Arrisco adizer que o cinema nunca antes mostrou planos-sequência tão criativos.

Mas não é só a parte técnica – se efeitos especiais fossem garantia de um bom filme, Star Wars Ep 1 seria um filmaço, né? Gravidade tem um ritmo excelente, com vários momentos de tensão à flor da pele. E sem ter que apelar para o sobrenatural – como acontece com a maior parte dos filmes que conjugam ficção científica com suspense.

De quebra, não sou cientista aero-espacial, então não sou nenhum especialista, mas o filme me pareceu cientificamente correto – coisa rara no cinema de ficção científica.

Heu já era fã do diretor mexicano Alfonso Cuarón desde o bom trabalho em Filhos da Esperança, outra ficção científica direcionada ao público “adulto”, que também contava com efeitos especiais impressionantes e alguns planos sequência muito bons. Aqui, Cuarón mostra que merece fazer parte do primeiro time de diretores contemporâneos.

Se os efeitos são grandiosos, o elenco é diminuto – só vemos dois atores, Sandra Bullock e George Clooney (ouvimos outras vozes, uma delas, do Ed Harris). Clooney faz o de sempre; Sandra não vai surpreender se ganhar uma indicação ao Oscar. Aliás, falando em Oscar, sei que é cedo, mas Gravidade pode e deve ganhar várias indicações. A trilha sonora, discreta e eficiente, também é muito boa. E dificilmente não vai levar efeitos especiais – nunca a gravidade zero foi tão bem mostrada nas telas.

Por fim, o 3D. Quem me conhece sabe que não dou muita bola pra 3D. Aqui o 3D é muito bem feito, claro, principalmente nas cenas de gravidade zero. Mas não acho que o filme perderia se visto em 2D.

Gravidade perde se visto na tv. Se você tem pouco tempo ou dinheiro para frequentar salas de cinema, este é um daqueles casos onde o ingresso vale cada centavo do dinheiro pago.

Uma Noite de Crime

Crítica – Uma Noite de Crime

A premissa era bem interessante, apesar de um pouco absurda: e se todo e qualquer crime fosse legalizado uma vez ao ano?

Vamos à sinopse: Em uma América arrasada pelo crime, o governo sanciona uma lei estabelecendo um dia no ano em que, durante um período de 12 horas, os cidadãos podem praticar qualquer atividade criminal sem o temor de sofrer qualquer tipo de represália: nada de polícia, bombeiros ou hospitais. É uma noite em que as pessoas se permitem fazer de tudo, até matar. É numa dessas noites que os membros de uma pacata família veem seu condomínio fechado sofrer uma invasão.

O problema aqui é que a ideia é difícil de “comprar”. Sério mesmo que tem gente que acha que a criminalidade ia diminuir se liberassem tudo uma vez por ano? Sério que não pensaram em gente que ia se vingar do vizinho, da ex-mulher, da sogra ou do motoboy que deu uma fechada? Sério que não pensaram que todo e qualquer estabelecimento comercial iria sofrer represálias de clientes insatisfeitos? Sério que não pensaram em pessoas invejosas que iriam destruir o patrimônio alheio?

Heu podia continuar a lista, mas acho que já expus meu ponto, né? Pra essa premissa funcionar, acho que precisaríamos estar em um futuro mais distante, tipo Laranja MecânicaUma Noite de Crime (The Purge, no original) se passa em 2022. Ou então, poderiam ter sido criadas regras para quais crimes eram válidos, tipo assim, pode matar o amigo para extravasar o ódio, mas não pode matar o colega pra roubar o tênis dele.

Mas… Se a gente aceita a premissa, até que o filme é legal. O diretor e roteirista James DeMonaco consegue criar um clima tenso ao longo da curta projeção. Ok, algumas partes do roteiro são previsíveis, mas nada grave.

A tensão e a violência são bem orquestradas. O filme é curto, tudo é concentrado na mesma noite, e o espectador é colocado no meio da ação. Pena que DeMonaco é adepto da “câmera na mão tremida”, este estilo funciona às vezes, mas quase sempre gera um resultado terrível, na minha humilde opinião.

Ethan Hawke, como de costume, manda bem ao liderar o elenco com poucos rostos conhecidos (só reconheci a Lena Headey). Gostei de Rhys Wakefield, particularmente do seu sorriso psicopata ao falar pelo interfone. O ponto fraco é Max Burkholder, o filho burro. Tá, precisa ter um personagem burro pro filme fluir – mas deu raiva do moleque.

Uma Noite de Crime teve apenas uma sessão no Festival do Rio, sei lá por qual motivo – normalmente, são umas quatro ou cinco, em dias e sala diferentes. E, curiosamente, a cópia já estava legendada, ou seja, deve entrar em cartaz.

p.s.: Aqui no Brasil, se existisse uma lei que liberasse o crime por 12 horas, ia ser a noite mais movimentada do ano para os políticos de Brasília!

The Zero Theorem

Crítica – The Zero Theorem

Terry Gilliam voltou ao estilo de Brazil – O Filme. Será que é uma boa?

Qohen Leth é um gênio da computação que vive num universo dominado por grandes corporações. Sofrendo de uma profundo angústia existencial, trabalha sob as ordens de uma figura sombria conhecida como o Gerente. Sua missão é resolver o Teorema Zero, uma fórmula matemática que finalmente revelará o verdadeiro sentido da vida.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo, a notícia é boa e ruim ao mesmo tempo. Boa, porque o filme é o melhor dele em um bom tempo; ruim, porque somos obrigados a comparar The Zero Theorem com Brazil. E na comparação, um filme apenas legal perde para uma obra prima.

Já falei aqui antes, Terry Gilliam é um dos poucos autores que sobraram no cinema contemporâneo (ao lado de Tim Burton e Jean Pierre Jeunet, e mais um ou outro que não me lembro agora). Seus filmes têm “cara de Terry Gilliam”. Desde de que largou o Monty Python e seguiu em carreira de diretor, ele fez vários filmes que criaram uma identidade visual única, como O Pescador de Ilusões12 Macacos, As Aventuras do Barão Munchausen, Bandidos do Tempo, Medo e Delírio ou O Imaginário do Dr. Parnassus, além do já citado Brazil. Você pode até não gostar, mas tem que admitir que o cara tem estilo próprio.

O início do filme impressiona pela semelhança com Brazil, com um cenário que mistura um visual futurista e retrô ao mesmo tempo – tem um computador super moderno ao lado de um telefone de décadas atrás. Aliás, diria que o visual desta parte inicial parece uma mistura de Brazil com as cores do De Volta Para o Futuro de 2015…

Quem me conhece sabe que gosto de personagens bizarros. Nesse ponto, The Zero Theorem não decepciona. Christopher Waltz mostra (mais uma vez) que é um dos melhores atores contemporâneos com o seu Qohen (“sem U”) que se refere a si mesmo no plural. Mélanie Thierry (Babylon A.D.) e Lucas Hedges (Moonrise Kingdom) também estão bem como coadjuvantes, e David Thewlis parece interpretar uma versão do ex-Python Michael Palin. Matt Damon e Tilda Swinton fazem divertidas participações especiais.

O filme é repleto de detalhes geniais espalhados, como a caixa de pizza que canta, os médicos que parecem estar dentro de uma piscina vazia, ou a animação do site, que lembra o estilo de animação do próprio Terry Gilliam na epoca do Monty Python. Mas o ritmo não é tão bom, a segunda parte do filme cansa. E aí a gente volta à comparação com Brazil, e constata que Gilliam infelizmente não conseguiu um resultado tão bom.

Em 2005, Terry Gilliam lançou dois filmes, Irmãos Grimm e Contratempos, e ambos decepcionaram. Em 2009, com O Imaginário do Dr Parnassus, ele mostrou uma guinada em direção aos bons filmes de outrora, mesmo com um filme médio. The Zero Theorem não se tornará nenhum clássico, mas confirma esta guinada. Pena que, aos 72 anos, talvez seja tarde demais para uma volta por cima.

Mas torço para estar errado.

p.s.: Por que diabos o Festival não traduziu o nome do filme? Qual o problema de “Teorema Zero”?

Night Moves

Crítica – Night Moves

Dakota Fanning está no Rio para promover seu novo filme, este Night Moves. Pena que o filme é fraco…

Três ecoterroristas planejam explodir uma represa. Mas parece que não estão preparados para aguentar as consequências dos seus atos.

Não conheço o trabalho da diretora Kelly Reichardt. Li coisas boas sobre seus filmes anteriores. Mas, apenas por Night Moves, admito que não me empolguei. O ritmo do filme é leeento, muito pouca coisa acontece em uma hora e cinquenta e dois minutos. Toda a história do filme poderia se resumir em um curta de 15 minutos.

E, pra piorar, o grande evento do filme, a explosão da represa, não aparece. Falam da explosão durante toda a primeira parte do filme, e na hora H não mostra nada. Sei que é um filme independente, mas já vi filmes com orçamentos minúsculos com efeitos especiais interessantes (alguém aí viu Monstros?). Mas aqui, a gente só ouve o barulho da explosão enquanto olha pra cara dos atores. Frustrante, não?

Outra coisa: acho que a diretora se perdeu no objetivo do seu filme. Porque se era pra gente simpatizar com a causa ecológica, deu errado. O próprio patrão do protagonista concorda que a explosão da represa não serviu pra nada.

Tem mais: parece que Jesse Eisenberg nunca mais vai se desligar do papel de Mark Zuckerberg. Imagine um Zuckerberg trabalhando numa fazenda? Tá lá no filme… E Dakota Fanning, apesar da pouca idade, é uma veterana de talento, mas isso não é o suficiente pra salvar o filme.

Enfim, dispensável.

p.s.: Tem outro filme homônimo, de 1975, do Arthur Penn, com o Gene Hackman. Não vi o outro, não sei se um tem a ver com o outro.

Spring Breakers – Garotas Perigosas

Crítica – Spring Breakers – Garotas Perigosas

Quando Spring Breakers – Garotas Perigosas foi divulgado, passou a impressão de ser mais uma comédia besta. Mas aí ele apareceu na programação do Festival do Rio, e ainda teve elogios de um dos críticos d’O Globo. Como diria Calvin Candie, personagem de Leonardo DiCaprio em Django Livre, “you had my curiosity, but now you have my atention”. Fui ver qualé.

Quatro amigas saem de férias no feriado Spring Break, que acontece nos EUA, mas acabam presas. Um traficante as solta e elas conhecem o efêmero glamour da vida do crime.

Spring Breakers – Garotas Perigosas visto, entendi porque está no Festival. Não é uma comédia, mas sim um filme pretensioso. E tem muito filme pretensioso pela programação…

Só depois de ver é que fui verificar quem era o diretor. Harmony Korine ganhou fama como o roteirista de Kids, aquele filme polêmico (e chato) que passou nos cinemas nos anos 90. Spring Breakers – Garotas Perigosas parece uma nova versão de Kids, segue a mesma estrutura: polêmica em cima de imagens estilosas e quase nada de roteiro.

Temos que admitir que Korine tem talento para criar imagens bonitas – provavelmente vem daí os elogios da crítica. Algumas seqüências de Spring Breakers – Garotas Perigosas são graficamente muito interessantes. Mas isso não sustenta um longa metragem. O cara deve ser bom para fazer videoclipes de três ou quatro minutos…

A polêmica de Kids era com sexo entre adolescentes; agora temos um filme com nudez e drogas estrelado por duas ex-estrelas Disney (Vanessa Hudgens e Selena Gomez) e uma atriz com longo currículo na tv (Ashley Benson). Mas, vamos com calma: são quatro atrizes principais – três delas conhecidas, mais uma que ninguém tinha ouvido falar (Rachel Korine, a esposa do diretor). Adivinha qual é a única que mostra alguma nudez?

(Fora Rachel Korine, algumas anônimas “pagam peitinho” em cenas de festas de spring break. Ou seja, se for pela nudez, Spring Breakers – Garotas Perigosas fica devendo.)

Aliás, preciso fazer um comentário sobre os figurinos. Desde que começa a viagem das meninas, elas aparecem o tempo todo de biquíni. Todas as cenas! Será que ninguém da produção se tocou como ficou ridículo quatro meninas de biquíni na frente de um juiz?

Nada a acrescentar sobre o elenco. James Franco está caricato, mas o papel pede isso. E as quatro meninas funcionam para o que foram contratadas: ficar passeando de biquíni durante o filme quase inteiro.

No fim, o resultado é um filme com algumas belas imagens. Mas um filme vazio. E muito chato.

RIPD – Agentes do Além

Crítica – RIPD – Agentes do Além

Um policial recém falecido é recrutado para trabalhar no Departamento Descanse em Paz, uma espécie de agência que trabalha às escondidas na Terra, caçando mortos que se recusam a seguir seus destinos e continuam vagando pela Terra.

RIPD – Agentes do Além tem um problema básico: parece uma versão de MIB, mas com fantasmas no lugar dos alienígenas. Aliás parece uma mistura de MIB com Caça-Fantasmas. Mas… Quem me conhece sabe que não tenho nada contra a reciclagem de ideias, desde o resultado final fique bom. E isso acontece aqui: se RIPD não tem muita originalidade, isso é compensado pelo fato de ser um filme muito divertido.

Adaptado dos quadrinhos homônimos escritos por Peter M. Lenkov, RIPD – Agentes do Além é uma eficiente mistura de ação, comédia e ficção científica – um bom filme pipoca, uma montanha russa divertida e absurda. O diretor é Robert Schwentke, o mesmo de Red – Aposentados e Perigosos – coincidência ou não, outra adaptação de quadrinhos.

O elenco é um dos pontos fortes de RIPD – Agentes do Além. Jeff Bridges parece estar se divertindo muito como um velho xerife do velho oeste; já Ryan Reynolds interpreta o mesmo Ryan Reynolds de sempre. Kevin Bacon está bem como o vilão; Mary Louise Parker e Stephanie Szostak também estão bem como as principais personagens femininas. E James Hong (Blade Runner) e Marisa Miller têm papeis menores mas que geram boas piadas.

Os efeitos especiais são irregulares. Se por um lado temos algumas cenas fantásticas, como um efeito bullet time estendido quando o protagonista morre (não é spoiler, é logo no início do filme); por outro lado alguns dos mortos são tão malfeitos que parecem saídos de um filme trash!

A sessão para a imprensa foi em 3D. Algumas cenas usam bem o efeito, mas não acho algo essencial.

Enfim, boa diversão. Apesar de requentada.

Elysium

Crítica – Elysium

Um dos mais esperados filmes do ano!

Em 2154, onde os muito ricos moram numa estação espacial, o Elysium, enquanto os outros, pobres, vivem na Terra, que virou uma gigantesca favela, decadente e superpopulada, um operário tem uma missão que pode trazer igualdade a esse mundo dividido.

Por que citei Elysium como um dos mais esperados do ano? Bem, quase todos os cinéfilos brasileiros estavam curiosos pela estreia hollywoodiana de Wagner Moura, aproveitando o sucesso internacional do seu Capitão Nascimento nos dois Tropa de Elite – Alice Braga também está no elenco, mas ela já fez vários filmes na “gringolândia”. Mas, além de torcer pelo sucesso de Moura, heu também estava curioso por ser o novo filme escrito e dirigido por Neill Blomkamp, o mesmo do excelente Distrito 9, um filme sul-africano que surpreendeu o mundo ao usar a ficção científica como metáfora para o Apartheid. Chegou a concorrer a quatro Oscars em 2010, incluindo melhor roteiro adaptado e melhor filme!

E como foi o resultado do segundo filme de Blomkamp? Bem, o resultado é positivo, mas poderia ser melhor…

O problema aqui é a comparação. Distrito 9 era, ao mesmo tempo, uma eletrizante ficção científica e uma pungente crítica social. Elysium funciona muito bem como FC, mas falha na parte social.

Spoilers leves no próximo parágrafo, ok?

Blomkamp tentou fazer uma crítica à segregação de classes sociais e à situação dos imigrantes ilegais, mas se perdeu na parte final do filme. E olha que não estou citando o maniqueísmo: todos os ricos são maus, muito maus! E ainda são capitalistas burros: se aquela “cama médica” é tão prática e tão comum a ponto de estar presente em todas as residências de Elysium, por que não trazer algumas pra Terra e vender os serviços a “preços módicos”?

Fim dos spoilers!

Provavelmente Blomkamp sofreu influência dos executivos norte-americanos. Diz a lenda que o seu roteiro foi alterado, mas como não temos acesso ao roteiro inicial, não sabemos se é verdade. Felizmente a parte “diversão” funciona muito bem. O ritmo do filme é muito bom, e os efeitos especiais são extremamente bem feitos.

E o Wagner Moura, como se saiu?

Moura é coadjuvante, o filme é de Matt Damon. Mas é um coadjuvante importantíssimo na trama, e está muito bem no seu papel de Spider, uma espécie de chefão do tráfico misturado com hacker. Aliás, tem uma cena engraçada para os brasileiros: certo momento, Spider tem uma explosão de raiva e grita dois palavrões em português…

Alice Braga tem um papel mais fraco, apesar de ser o interesse romântico do protagonista. Mas tudo bem, ela já mostrou seu talento em outras ocasiões em Hollywood – inclusive, em filmes de ação / ficção científica, como PredadoresRepo Men e Eu Sou A Lenda.

Enfim, boa ficção científica em cartaz nos cinemas. Só não podemos comparar com o filme anterior do diretor.

O bom elenco “off-Hollywood” ainda conta com o mexicano Diego Luna e o sul-africano Sharlto Copley (que também estava em Distrito 9). Não sei se foi coincidência, mas achei uma boa escolha usar atores que conhecem de perto a situação de países subdesenvolvidos para viverem os moradores do planeta Terra devastado. Ainda no elenco, os “gringos” Jodie Foster e William Fichtner.

Enfim, boa ficção científica em cartaz nos cinemas. Só não podemos comparar com o currículo prévio do diretor…