Dose Dupla

Crítica – Dose Dupla

Robert “Bobby” Trench (Denzel Washington) e Michael “Stig” Stigman (Mark Wahlberg) trabalham juntos há dez meses. Quando não conesguem fazer negócios com um poderoso traficante mexicano, resolvem então é roubar um banco que, supostamente, receberia o faturamento deixado toda semana por capangas do traficante.

Adaptação dos quadrinhos “2 Guns”, escritos por Steven Grant e ilustrados pelo brasileiro Mateus Santolouco, Dose Dupla (2 Guns, no original) segue a fórmula dos “buddy movies” – filmes onde dois personagens bem diferentes têm que se aturar para um objetivo comum. A fórmula é batida, mas ainda pode render bons filmes, como este.

Boa parte dos méritos está com a dupla de protagonistas. Denzel Washington é um grande ator e está muito bem, mas o melhor papel é o marrento Stig de Mark Wahlberg, que tem vários ótimos momentos ao longo do filme (adorei a cena das galinhas). E o elenco ainda conta com vários outros bons nomes, como Edward James Olmos, Paula Patton, Bill Paxton, James Marsden e Fred Ward.

A direção ficou a cargo do pouco conhecido Baltasar Kormákur (que já tinha trabalhado com Wahlberg em Contrabando), que fez aqui um bom trabalho. Dose Dupla não é lá muito original, segue a linha “tarantineana” – personagens marginais, violência, diálogos afiados e edição ágil – mas nada que impeça de ser um filme divertido. Se bem que, pelos cenários mexicanos, lembra mais a trilogia “mariachi” de Robert Rodriguez…

Um coisa interessante em Dose Dupla é que os mocinhos e bandidos não estão onde se espera – temos algumas surpresas neste assunto. O espectador precisa ficar atento às viradas no roteiro! Outros destaques são a boa trilha sonora e uma bem cuidada fotografia, que ainda inclui alguns bem colocados efeitos de câmera lenta.

Como destaque negativo, o roteiro de Dose Dupla exige muita suspensão de descrença. Se o roteiro é bem escrito no que diz respeito a personagens bem construídos, por outro lado temos várias situações forçadas – como por exemplo toda a sequência dentro da base naval – aquilo nunca daria certo…

Enfim, boa opção despretensiosa em cartaz nos cinemas!

A Invocação do Mal

Crítica – A Invocação do Mal

Uêba! Filme de terror bom novo!

1971. Uma família se muda para um velho casarão, mas passa a sofrer nas mãos de espíritos que moram na casa. Para manter as cinco filhas seguras, os pais contratam o casal Ed e Lorraine Warren, famosos por desvendar casos paranormais.

Diz a divulgação que A Invocação do Mal (The Conjuring, no original) foi baseado em fatos reais. O casal Ed e Lorraine Warren realmente existiu, eles lançaram vários livros e disseram que investigaram mais de dez mil casos paranormais – o mais famoso deles originou o filme Horror em Amityville. Só não sabemos até que ponto a história contada aqui realmente aconteceu…

A direção ficou com James Wan, famoso por seu filme de estreia, Jogos Mortais (o primeiro), filme muito bom, mas com excesso de sangue e gore. Wan foi ainda mais eficiente em seu quarto filme, Sobrenatural, um dos melhores “filmes de fantasma” dos últimos tempos. Curiosamente, Sobrenatural é um “terror à moda antiga” – não tem nada de sangue e gore.

A Invocação do Mal está mais próximo de Sobrenatural do que de Jogos Mortais. Mais uma vez Wan brinca com o medo sem apelar para o gore. Ponto para Wan! Seu novo filme não só é muito bom, como consegue algo não muito fácil: provocar medo.

Alguns críticos vão reclamar dos clichês. Verdade, A Invocação do Mal está repleto de clichês. Mas são “clichês do bem”. Wan usa muito bem a velha casa, truques de câmera e efeitos sonoros, e consegue criar um ótimo clima assustador.

O casal principal é interpretado por Vera Farmiga (A Órfã) e Patrick Wilson (que também estava em Sobrenatural). Mas é Lili Taylor quem chama a atenção com uma interpretação impressionante. Ainda no elenco, Ron Livingstone e as desconhecidas meninas Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, McKenzie Foy e Kyla Deaver, que estão bem como as cinco irmãs.

Boa opção para quem gosta de filmes de terror daqueles que assustam sem precisar apelar pro gore!

p.s.: Acabei de ver no imdb que tem filme novo do James Wan estreando essa semana nos EUA, Sobrenatural: Capítulo 2. Será que vai ser lançado aqui?

Rush – No Limite da Emoção

Crítica – Rush – No Limite da Emoção

Cinebiografia que mostra a história (real) da rivalidade, nos anos 70, entre dois grandes corredores de estilos completamente diferentes: Niki Lauda e James Hunt – desde as corridas  de menor expressão, até a Fórmula 1, onde ambos tiveram carreiras vitoriosas.

Nasci em 71, só acompanhei a Fórmula 1 dos anos 80, me lembro de Lauda como rival de Nelson Piquet. Não me lembrava de detalhes sobre o campeonato de 1976. Mas vou falar que, se tudo aconteceu como no filme, 76 foi um ano eletrizante na F1.

O tempo de tela é bem dividido entre os dois protagonistas. De um lado, Lauda, metódico e cerebral; do outro, Hunt, mulherengo e fanfarrão. Literalmente, razão vs emoção.

Dois personagens principais, dois atores principais. Chris Hemsworth teve menos trabalho, seu James Hunt é parecido com os personagens que costuma fazer, a gente vê o Thor pilotando. Já Daniel Brühl (Bastardos Inglórios) ganhou um papel mais complexo – seu Niki Lauda, genial e antipático, está impressionante – e ele ainda usa uma prótese nos dentes para ficar mais parecido com o piloto austríaco. Ah, as melhores tiradas do filme vêm de Lauda, como, por exemplo, a sua reação ao dirigir uma Ferrari pela primeira vez.

O diretor é Ron Howard, dono de um excelente e vasto currículo como diretor, produtor e ator, que inclusive conta com dois Oscars, por Uma Mente Brilhante (melhor diretor e melhor filme). Rush – No Limite da Emoção traz algumas semelhanças com outra boa cinebiografia dirigida por Howard: Apollo XIII. Ambos os filmes foram baseados em histórias reais que são excepcionais

Aqui, Howard pega a história original, que já era muito boa, e a conta de maneira ainda mais interessante. Não me lembro de ter visto corridas de Fórmula 1 tão bem filmadas como aqui. E Rush – No Limite da Emoção ainda tem alguns trunfos, como uma excelente reconstituição de época e a boa trilha sonora de Hans Zimmer.

Além de Hemsworth e Brühl, o elenco ainda conta com Olivia Wilde, que, na minha humilde opinião, não ficou bem loura. Ainda no elenco, Alexandra Maria Lara, Natalie Dormer e Pierfrancesco Favino.

Confesso que, como brasileiro, senti uma certa frustração por não ter visto o Emerson Fittipaldi. Ele é citado, Hunt pegou a sua vaga na McLaren quando o piloto brasileiro, então bicampeão mundial, resolveu criar a Copersucar. Mas ele não aparece…

(Fatos históricos pra quem não acompanhou: Fittipaldi foi campeão em 1974 pela McLaren, mas largou a escuderia no ano seguinte para investir no projeto Copersucar, um carro de corrida brasileiro. Pena que o carro não era competitivo, Fittipaldi nunca mais ganhou uma prova de F1…)

Outro fato histórico: qualquer um que já se interessou por F1 sabe que Niki Lauda se envolveu em um grave acidente – Lauda não se aposentou depois do acidente, e continuou correndo mesmo com o rosto deformado pelas queimaduras. Curiosamente, o acidente em si acontece de maneira rápida na tela. Achei que veríamos com mais detalhes. A recuperação de Lauda e todo o pós acidente têm maior foco no roteiro.

Heu não me lembrava do campeonato de 76, o que foi bom, porque a parte final do filme é eletrizante, e não sei se teria a mesma graça se heu já soubesse o fim da história. Para quem não acompanhou, recomendo não ler sobre quem ganhou!

Space Camp – Aventura no Espaço

Crítica – Space Camp – Aventura no Espaço

Vamos revisitar um clássico da ficção científica oitentista pouco conhecido?

Uma turma do programa “Space Camp” – onde jovens vão durante as férias para aprender como trabalham os astronautas – se vê no espaço quando um foguete é lançado acidentalmente.

Na década de 80, tínhamos bem menos filmes por ano do que hoje. A gente conseguia acompanhar quase todos os lançamentos. Assim, arrisco dizer: acho que Space Camp – Aventura no Espaço nunca foi lançado aqui no Brasil, nem nos cinemas, nem em home video. Heu vi na época, um amigo tinha uma cópia pirata em vhs (coisa bastante comum na segunda metade dos anos 80, quando muitos já tinham videocassetes em casa, mas muitos filmes não tinham distribuição por aqui).

Hoje, analisando a história, é fácil entender por que o filme foi deixado no limbo. Space Camp – Aventura no Espaço é de 1986, mesmo ano do acidente da Challenger – um foguete que explodiu segundos depois do lançamento, matando toda a tripulação enquanto milhões de pessoas assistiam pela tv. Provavelmente pelo trauma, muita gente evitou o filme na época…

Pena, porque Space Camp – Aventura no Espaço, apesar de estar longe de ser uma obra prima, é um filme bem simpático – apesar de parecer uma produção Disney: tecnicamente muito bem feito, mas com uma trama bobinha e inocente.

Esse lado bobinho é o ponto fraco do filme. Além de ser previsível e da trama toda ser muito inverossímil (o cara troca de turma só porque pega um crachá diferente, uma criança entra na turma dos mais velhos só porque enche o saco da instrutora), tem um robozinho que enche o saco. Toda vez que o robozinho aparecia, dava vontade de desligar o filme… O que salva é que o filme ainda é agradável de se ver.

Space Camp – Aventura no Espaço tinha Steven Spielberg na produção, mas um diretor desconhecido: Harry Winer. Fui ver no imdb, o cara fez muita coisa, mas quase tudo para a tv. Acho que este foi seu único filme para o cinema.

Por outro lado, o elenco é impressionante para um filme semi desconhecido. O trio principal feminino tem Lea Thompson logo depois de De Volta Para o Futuro, Kelly Preston logo depois de Admiradora Secreta e A Primeira Transa de Jonathan, e Kate Capshaw pouco antes de casar com Steven Spielberg, mas pouco depois de Indiana Jones e o Templo da Perdição. Ainda tem Tom Skerrit (Alien – O Oitavo Passageiro) e Larry B. Scott (A Vingança dos Nerds), além de ser a estreia cinematográfica de Joaquin Phoenix, criança, ainda creditado como Leaf Phoenix. Ah, também tem Terry O’Quinn, o Locke de Lost, num papel pequeno.

Hoje não sei se existe em dvd ou blu-ray. Mas sei que passa de vez em quando na tv aberta…

Meu Namorado É Um Zumbi

Crítica – Meu Namorado É Um Zumbi

Uma comédia romântica de zumbis? Será que é uma boa ideia?

Depois de um apocalipse zumbi, um zumbi se apaixona por uma humana. O envolvimento entre os dois acaba despertando uma reação em cadeia que o transformará, assim como os outros mortos-vivos.

Respondendo à pergunta: não, não é uma boa ideia. Quer dizer, pelo menos não funcionou aqui. Meu Namorado É Um Zumbi (Warm Bodies, no original) fica devendo.

Trata-se de uma adaptação do livro Sangue Quente, escrito por Isaac Marion. A direção ficou a cargo de Jonathan Levine, famoso por 50% – esse heu ainda não vi, apesar de ter um elenco que chama a atenção (Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen e Anna Kendrick).

A comparação com a série Crepúsculo é inevitável, principalmente se a gente lembrar que são adaptações de livros direcionados ao público adolescente. Até a mocinha Teresa Palmer lembra fisicamente a atriz Kristen Stewart. Bem, Meu Namorado É Um Zumbi não é um bom filme, mas pelo menos não é tão ruim quanto Crepúsculo.

Na minha humilde opinião, Meu Namorado É Um Zumbi tem dois defeitos básicos. O primeiro é a previsibilidade – logo cedo a gente já consegue sacar como vai terminar a história. O outro é a conclusão, que foge de qualquer lógica de zumbis. É muita forçação de barra rolar uma “cura” daquele jeito, é muita necessidade de se ter um final feliz romântico – mesmo que isso não faça o menor sentido.

Tem outro problema, mas acho que é mais do lançamento brasileiro do que do filme em si. Meu Namorado É Um Zumbi foi lançado por aqui como uma comédia. E é um filme sem a menor graça… (Aliás, 50% também foi vendido como comédia, apesar de parecer um dramalhão dos brabos).

No elenco, dá pena de ver um John Malkovich completamente desperdiçado. Atores têm que pagar as contas, né? Ainda no elenco, Nicholas Hoult, Teresa Palmer, Dave Franco, Rob Corddry e Analeigh Tipton.

Dispensável. Se quiser ver comédia com zumbis, veja Fido – O Mascote ou Todo Mundo Quase Morto.

Wolverine Imortal

Crítica – Wolverine Imortal

Quando Wolverine é convocado para ir ao Japão por um velho conhecido, ele é envolvido num conflito que o força a confrontar seus próprios demônios.

Em 2009, lançaram Wolverine – Origens, que desagradou os fãs e a crítica. Mas como se trata de um personagem famoso e importante, e como temos um ator que “veste” perfeitamente o personagem, logo trataram de esquecer este filme e criar um novo. Afinal, em breve teremos mais um filme dos X-Men com o personagem Wolverine

Wolverine Imortal segue a linha do recente Homem de Ferro 3 – um filme mais ligado ao homem do que ao heroi. Aqui, o Logan é mais importante que o Wolverine. Assim, temos um filme mais sério. O problema é que com isso, o filme ficou arrastado…

Não sei se a falha foi terem usado um diretor sem experiência na área. Gosto do James Mangold pelo seu suspense Identidade, de 2003; mas quando ele fez um filme de ação (Encontro Explosivo, de 2010), não foi lá grandes coisas. Outro problema de Wolverine Imortal é o vilão – no caso, a vilã Víbora. E aquele duelo final também não convenceu.

O elenco não tem muitos nomes conhecidos. Tá, Hugh Jackman hoje é super famoso, e ele “é” o Wolverine – já é o seu sexto filme com o personagem (cinco como protagonista; mais um numa ponta). Além dele, temos Famke Janssen de volta como Jean Grey, em cenas completamente desnecessárias (tire as cenas dela, nada muda no filme). Além dos dois, o elenco é desconhecido, pelo menos no cinema ocidental: Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada e Svetlana Khodchenkova.

No fim, Wolverine Imortal não chega a ser um filme ruim. Mas fica a sensação de que poderia ser bem melhor.

p.s.1: É Marvel. Então, não se esqueça, tem cena depois dos créditos!

p.s.2: Por que o nome “Wolverine Imortal”? De onde tiraram o nome nacional?

Invasão à Casa Branca

Crítica – Invasão à Casa Branca

Um ex-oficial do serviço secreto tem a chance de se redimir quando se torna a única esperança dos EUA contra terroristas coreanos que tomam o controle da residência oficial do presidente americano, a Casa Branca.

Confesso que não me empolguei muito com a estreia de Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen, no original). Me parecia um exercício desnecessário de patriotada norte-americana. Bem, heu não estava errado, realmente é um exercício de patriotada. Mas se a gente relevar esse “detalhe”, o filme até que é legal. Bom ritmo, cenas empolgantes, efeitos especiais na dose certa, um vilão mau como um pica-pau e um mocinho que parece uma versão anabolizada do Jack Bauer da série 24 Horas – Invasão à Casa Branca é uma boa diversão para aqueles no clima certo.

Falei que tem que estar no clima certo, porque algumas coisas do roteiro soam forçadas demais. Nos Estados Unidos pós 11 de setembro, não acredito que seja tão fácil se aproximar da Casa Branca – por exemplo, um avião chega metralhando e consegue dar uma volta antes de ser abatido. Isso sem contar, claro, com várias situações previsíveis e muitos diálogos clichês.

Pelo menos quem aguenta isso tudo “ganha” um eficiente filme de ação. O diretor Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, Rei Arthur) mostra boa mão nas cenas de ação e garante a atenção do espectador até o fim das duas horas de projeção.

O elenco está cheio de nomes conhecidos. O protagonista Gerard Butler às vezes soa caricato, mas funciona dentro do papel de exército de um homem só. Além dele, Invasão à Casa Branca conta com Aaron Eckhardt, Morgan Freeman, Angela Basset, Melissa Leo, Radha Mitchell, Dylan McDermot, Rick Yune, Cole Hauser e uma ponta de Ashley Judd.

Enfim, bom filme de ação. Mas é preciso aturar os defeitos.

The Canyons

Crítica – The Canyons

Filme polêmico à vista! Lindsay Lohan nua, atuando ao lado de um ator pornô!

Quando um jovem produtor de cinema de família rica descobre que sua namorada tem um caso com o ator principal de seu novo filme, ele perde o controle e vira um homem violento.

The Canyons é exatamente o que falei no primeiro parágrafo. Um filme baseado na polêmica. Porque, se tirarmos os fatores “Lindsay Lohan nua” e “co-estrelado por James Deen, ator pornô em seu primeiro filme ‘sério'”, o filme parece um thriller erótico fraco, qualidade Super Cine.

O curioso é que temos um diretor e um roteirista com nomes conhecidos no mercado: Paul Schrader e Bret Easton Ellis. Tá, temos que reconhecer que ambos estão em baixa no momento, mas estamos falando do roteirista de Abaixo de Zero e Psicopata Americano e do diretor de Gigolô Americano e A Marca da Pantera (e que além disso escreveu os roteiros de Taxi Driver e Touro Indomável).  Não são nomes sem importância.

Schrader mostra talento em alguns planos interessantes. Mas é pouco, muito pouco. Ter Ellis no roteiro não acrescentou nada positivo ao filme. A história é fraca e sonolenta.

James Deen é um nome conhecido no pornô contemporâneo, li em algum lugar que ele já fez mais de 4 mil filmes. Ele até que combina com o papel, mas passa a sensação de ser um ator de poucos recursos dramáticos – Deen está o filme inteiro com a mesma cara antipática. E Lindsay faz o mesmo papel de Lindsay Lohan de sempre, com o agravante que em algumas cenas ela está com a maquiagem e/ou o figurino inapropriado para a cena.

E agora vamos à pergunta que deve estar na cabeça de boa parte dos leitores: e a nudez e o sexo, valem a pena? Bem, Lindsay aparece várias vezes com os seios de fora, mas a sua nudez se reduz a isso. Bem, pra quem tinha feito uma cena nua cobrindo tudo em Machete, até que estamos no lucro. Já Deen aparece mais “à vontade”, suas fãs podem apreciar sua nudez frontal. Mas, pra quem trabalha no pornô, até que a cena foi curta.

Ah, falei do figurino inapropriado, certo? Em uma determinada cena, dois casais vão para a cama. Enquanto os outros três estão completamente nus, Lindsay usa uma lingerie que podia ter sido de sua avó. Pô, não quer tirar a roupa, a gente entende. Mas pelo menos use uma lingerie coerente com a cena, né?

Por fim, recomendo o artigo de Stephen Rodrick, publicado no New York Times e traduzido pela revista Piauí. O texto está disponível neste link. É um texto longo pra caramba, contando os bastidores do filme, muito mais interessantes que o filme em si – inclusive, explica uma das maquiagens inapropriadas usadas por Lindsay.

Um Tiro na Noite

Crítica – Um Tiro na Noite

Recentemente, revi Carrie, A Estranha. Empolgado, fui catar outro clássico do Brian De Palma pra rever.

Um técnico de som que trabalha em filmes B de terror acidentalmente grava provas de que um suposto acidente de carro foi na verdade um assassinato de um figurão da política.

Faziam muitos anos desde a última vez que heu tinha visto Um Tiro na Noite (Blow Out, no original). E não sei se foi uma boa ter revisto o filme. Achei mais defeitos do que esperava encontrar…

Vamos ao que funciona. Já disse antes, Brian De Palma é um artesão do cinema. Aqui ele mostra isso várias vezes ao longo do filme – temos planos-sequência, telas divididas, zoom, travellings, o filme inteiro é uma aula de cinema.

Mas… Em outras ocasiões, De Palma mostrou sua técnica em uma história boa. Aqui não é o caso. Um Tiro na Noite parece rock progressivo dos anos 90: muita técnica, mas pouco conteúdo.

Spoilers leves a partir de agora, ok?

Jack, o personagem de John Travolta estava gravando ruídos aleatórios, e por sorte, pegou o acidente. Ok, plausível. Mas, péra aí, tinha uma pessoa fotografando exatamente o carro na hora do acidente? Péra aí 2, a câmera era uma novidade que filmava??? Péra aí 3, Jack descobriu isso com fotos tiradas de uma revista, que ele recortou e montou um filminho????? Jack deveria jogar na mega sena acumulada, era mais fácil ganhar o prêmio.

Mas tem mais: Jack nunca deixaria Sally ir sozinha encontrar o suposto jornalista. Assim como ele nunca conseguiria persegui-la de carro através da parada. E pra que apagar as fitas, se era mais fácil e mais rápido queimar tudo? Isso porque não estou falando do óbvio: o mais fácil seria matar logo Jack, um cara com pouca relevância, apenas um técnico de som de filmes vagabundos. E a gente ainda podia relacionar mais um monte de inconsistências…

Isso tudo gera um filme de opostos: por um lado, um filme tecnicamente exuberante; por outro lado, uma história cheia de furos.

Sobre o elenco, também rola um estranho equilíbrio. Travolta está bem, mas o destaque sem dúvida é John Lithgow, excelente. Por outro lado, Nancy Allen deixa a desejar… Tudo bem que o seu papel não ajuda, mas mesmo assim, ela é o ponto fraco do elenco.

Enfim, Um Tiro na Noite deve ser usado em escolas de cinema. Mas, como entretenimento, deixa a desejar.

p.s.: Fiquei duas semanas com acesso limitado à internet, e com pouquíssimo tempo para ver filmes, por causa de uma mudança – por isso a escassez de posts. Mas isso deve mudar agora, se tudo der certo!

Parker

Crítica – Parker

Jason Statham e Jennifer Lopez juntos. Será que a dupla funciona?

Um ladrão profissional que vive sob estritas regras é traído por sua equipe e deixado para morrer. Depois que se salva, vai atrás de vingança.

Sobre a pergunta do primeiro parágrafo: este é um filme de Jason Statham. Jennifer Lopez aqui é coadjuvante – ela não chega a atrapalhar, mas se o seu papel fosse subtraído, o filme não perdia em nada. Sabe essa pose de bad girl do poster? Só no poster mesmo… Ou seja: legal ter a J-Lo num filme de ação, mas se ela não estivesse, o filme não mudava nada.

Dito isso, Parker é um bom “filme do Jason Statham”, com tudo de bom e de ruim que esse estereótipo carrega. É um eficiente filme de ação, com boas cenas de pancadaria. E é um tanto previsível… Principalmente a parte final.

O curioso é que o diretor é veterano, experiente e versátil. É o mesmo de Ray, Advogado do Diabo, O Sol da Meia Noite e A Força do Destino. E mesmo assim, Parker é essencialmente um “filme do Jason Statham”…

Parker tem alguns bons coadjuvantes. Michael Chiklis e Nick Nolte atuam dentro do esperado. E o personagem de Bobby Cannavale é desnecessário. Ainda tem a bela Emma Booth em um pequeno papel e, talvez o único papel fora óbvio, Patti LuPone como a mãe de Jennifer Lopez. E, claro, a própria J-Lo, que não está mal, mas que tem um papel com pouquíssima importância na trama.

Claro, a maioria dos fãs de Statham quer mesmo é a ação. Estes não vão ficar decepcionados. Mas não espere nada demais.