O Primeiro Ano do Resto Das Nossas Vidas

Crítica – O Primeiro Ano do Resto Das Nossas Vidas

Outro dia falei aqui da época que Joel Schumacher fazia bons filmes. Aproveitei pra rever O Primeiro Ano do Resto Das Nossas Vidas, um de seus filmes dessa época.

Sete amigos recém-formados enfrentam o primeiro ano de suas vidas adultas, se deparando com a amarga realidade do mundo real e tendo que conviver com a insegurança profissional e emocional nesta nova fase da vida.

Lançado em 1985, O Primeiro Ano do Resto Das Nossas Vidas tem como grande chamariz o seu elenco. Este era um dos três filmes-base da chamada “brat pack”, como ficou conhecida esta geração de atores . O nome “brat pack” era uma referência ao “rat pack”, um grupo composto por gente como Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr., no início dos anos 60. “Brat” significa “pirralho”, e o “brat pack” era essa galera que fez vários filmes adolescentes nos anos 80 – os outros dois filmes sempre citados são O Clube dos Cinco, de Jonh Hughes, e Vidas Sem Rumo, de Francis Ford Coppola.

Apesar da maioria do elenco estar no ostracismo hoje em dia, os nomes estavam em alta na época: Demi Moore, Rob Lowe, Emilio Estevez, Aly Sheedy, Judd Nelson, Mare Wininghan e Andrew McCarthy, e ainda tem a Andie McDowell em papel secundário. Grande elenco, e bem equilibrado pelo roteiro, o foco é bem dividido entre eles.

É curioso a gente analisar este elenco hoje, um quarto de século depois. Demi Moore é a única estrela inegável dentre os sete principais. Rob Lowe tinha uma carreira em ascenção, quando um suposto video caseiro pornô dele com duas adolescentes o colocou na “geladeira” – anos depois, ele recuperou prestígio e hoje é um nome forte na tv. Emilio Estevez foi um nome grande nos anos 80 e 90, mas está meio sumido, hoje ele é “o irmão menos famoso do Charlie Sheen”. Judd Nelson e Ally Sheedy, que também estavam em Clube dos Cinco (ao lado de Estevez), não fizeram nada relevante depois dos anos 80; o mesmo podemos dizer sobre Andrew McCarthy e Mare Winninghan. (Andie McDowell ficoi mais famosa nos anos seguintes, mas aqui ela era coadjuvante).

(No ano seguinte, Rob Lowe e Demi Moore estrelariam juntos o romance Sobre Ontem À Noite. Na minha humilde opinião, Demi nunca foi tão bonita quanto neste filme!)

A proposta do filme é falar sobre o amadurecimento. O roteiro poderia se aprofundar mais em diversas situações, mas o maior foco são os relacionamentos entre os personagens. Isso desagradou parte da crítica, mas não me incomodou. Por outro lado, o visual do filme é a parte que “envelheceu mal”. Tudo é muito datado, roupas, cabelos, cenários, músicas, às vezes o filme parece uma caricatura. Heu gosto disso porque vivi a época, mas acho que vai incomodar os mais novos que se aventurarem a ver.

Por fim, preciso falar que este é um dos raros casos onde acho o nome nacional melhor que o original. Além do bar onde eles se encontram se chamar St. Elmo, rola uma explicação, o personagem de Rob Lowe fala um papo cabeça sobre o Fogo de Santelmo. Mas “O Primeiro Ano do Resto Das Nossas Vidas” tem mais a ver!

Os Muppets

Crítica – Os Muppets

Alvíssaras! Os Muppets estão de volta!

Três fãs dos Muppets convencem o sapo Kermit (antigamente conhecido como sapo Caco) a reunir os ex companheiros, atualmente separados, para recriar o Muppet Show e salvar o teatro da ganância de um milionário do petróleo.

Os bonecos Muppets fizeram sucesso com o Muppet Show, um programa de tv que foi ao ar de 1976 a 1981. Anos depois, veio o desenho animado Muppet Babies, feito entre 1984 e 1990, que os apresentou para outra geração. E ainda tiveram seis filmes, lançados nos cinemas entre 1979 e 1999. Mas há anos não se ouvia nada sobre algo novo relativo aos geniais fantoches – talvez porque o seu criador, Jim Henson, tenha falecido em 1990 (três dos filmes foram feitos depois de sua morte, dois deles dirigidos pelo seu filho Brian Henson).

Aliás, justamente por não ter mais nada a ver com Jim Henson, admito que fiquei com pé atrás quando soube da produção deste filme. Mas tenho que tirar o chapeu: Jason Segel fez um excelente trabalho!

Jason Segel, ator de Eu Te Amo Cara, Professora Sem Classe e da série How I Met Your Mother, já tinha escrito um roteiro, para o fraco Ressaca de Amor. Ele levou a ideia para a Disney, atual dona dos direitos sobre os Muppets, e escreveu (junto com Nicholas Stoller) o roteiro para este filme, também estrelado por ele. E, em vez de parecer uma egotrip de Segel, o novo filme, dirigido pelo pouco conhecido James Bobin, consegue recriar com perfeição o espírito do antigo Muppet Show.

O roteiro tem um bom ritmo, piadas inspiradas (o momento da “edição” é sensacional!) e números musicais bem feitos – e olha que não sou muito fã de musicais. Os personagens são um pouco clichê, mas a gente tem que se lembrar que é um filme Disney, né? Mesmo assim, adorei a música do vilão.

Já falei aqui em outra ocasião que sou fã dos Muppets. O humor é uma perfeita mistura entre o lúdico e o irônico, e assim consegue agradar tanto a criança quanto o adulto. E este novo filme vai exatamente nesta onda: muitas piadas referenciais e muita meta-linguagem – humor pra adulto – em um filme onde a criançada vai se esbaldar com dezenas de fantoches divertidos.

Ah, os efeitos especiais! Preciso falar que era outro dos meus (infundados) medos. Imaginei Muppets em cgi – iam ficar toscos!!! Nada, os Muppets continuam sendo bonecos de pano animados por pessoas. Devem ter efeitos em computador, pra corrigir um detalhe aqui e outro acolá, mas nada que atrapalhe o andamento dos efeitos old school.

O elenco principal, além de Segel e de dezenas de Muppets, conta com Amy Adams, Chris Cooper e Rashida Jones. E, como era tradicional no antigo Muppet Show, muita gente famosa fazendo participações especiais, como Alan Arkin, Zach Galifianakis, Ken Jeong, Sarah Silverman, Neil Patrick Harris, Mickey Rooney, Whoopi Goldberg, Selena Gomez (fazendo piada com a própria idade), Dave Grohl (como o baterista da banda cover “Os Moopets”), Emily Blunt (repetindo o papel de O Diabo Veste Prada) e, last but not least, Jim Parsons, o Sheldon de The Big Bang Theory, como a versão humana do Muppet Walter.

Enfim, heu poderia continuar falando aqui. Mas chega. Prefiro recomendar: vá ao cinema e aproveite que os Muppets estão de volta. Heu pretendo rever antes de sair de cartaz!

p.s.: Acho que a única coisa que não gostei no filme foi terem mudado o nome do Caco. Assim como fizeram antes com o Ursinho Puff (que virou Pooh) e com a fada Sininho (que virou Tinkerbell), agora Caco passou a usar o nome original, Kermit. Fico pensando quando vão mudar Pateta e Tio Patinhas por Goofy e Scrooge McDuck… Proponho uma campanha: que os personagens da Turma da Mônica mantenham os nomes originais em outros países! Quero ver os gringos falando Cascão, Cebolinha e Chico Bento!

O Retorno de Jedi

Crítica – O Retorno de Jedi

Finalmente, o texto que faltava aqui no blog, o fim da hexalogia Guerra nas Estrelas!

Na conclusão da trilogia, Luke Skywalker e seus amigos precisam resgatar Han Solo, que está congelado e em poder do gangster Jabba The Hut. E depois eles vão ajudar os rebeldes a lutar contra o império, que está construindo uma nova Estrela da Morte.

A crítica, de um modo geral, prefere o filme anterior, O Império Contra-Ataca. Realmente, se a gente analisar friamente, O Império Contra-Ataca é mais consistente. Mas heu não consigo analisar friamente. Quando O Retorno de Jedi foi lançado nos cinemas, heu tinha uns 12 ou 13 anos, e vivia o auge do meu fanatismo adolescente pela série. No dia da estreia, fui horas mais cedo para a porta do cinema, para ser o primeiro morador de Petrópolis a entrar na sala! Depois, nos dias seguintes, revi algumas vezes. Então fazer uma análise imparcial é impossível pra mim. Se alguém perguntar o meu preferido, é este episódio VI!

(Ok, o filme tem ewoks, que são uma espécie de “ursinhos fofinhos”. Mas os ewoks não só ajudam a derrotar stormtroopers, como eles ainda são canibais – não se esqueçam que eles iam colocar o Han Solo e o Luke Skywalker na fogueira!)

A direção coube a Richard Marquand, um “diretor de aluguel”, afinal, o filme na verdade é de George Lucas. É notório que Lucas não gostava de lidar com atores, então colocou um profissional sem muita personalidade para fazer o “trabalho duro”. E funcionou, a estrutura da trama é muito boa, com o clímax em três ambientes – a luta em Endor, a batalha espacial e o duelo entre Luke Skywalker e Darth Vader diante do Imperador. Pena que Lucas não manteve esta postura na nova trilogia…

Os efeitos especiais são o que existia de melhor na época. Alguns perderam a validade – na cena do Rancor, fica claro o chroma-key do stop motion. Mas isso não torna o filme ruim. São inúmeras as sequências de tirar o fôlego, como por exemplo os passeios de speeder bike pela floresta de Endor, ou então o clímax com a Falcon Millenium e um X-Wing em uma alucinada perseguição por dentro da Estrela da Morte ainda em construção. Neste aspecto, O Retorno de Jedi não vai decepcionar ninguém.

Os filmes da série Guerra nas Estrelas têm um problema: de vez em quando George Lucas muda algum detalhe e relança o filme. A versão que vi esta semana é a penúltima, a versão do dvd (ainda não tenho os blu-rays). Se um ou outro detalhe técnico melhorou, de um modo geral, esta versão é bem inferior à original, lançada nos cinemas em 83. Explico o que piorou:
– Lapti Nek, o número musical original no palácio do Jabba, é muito melhor que este novo;
– Ainda no âmbito musical: a música anterior da celebração na aldeia dos ewoks era bem melhor do que a atual;
– No fim do filme, aparece o “fantasminha” do Anakin ao lado do Yoda e do Obi Wan. Mas apagaram o ator mais velho para colocarem Hayden Christensen. Ora, o Anakin novo era “do mal”, o Anakin logo antes da morte se arrependeu e virou “do bem”. Mostrar o Anakin novo foi um erro grave.
– Por fim, foi bacana a ideia de mostrar a festa em diferentes planetas. Mas não precisava ter o Jar Jar Binks em Naboo! Um filme que tem ewoks não pode ter Jar Jar!

Não há surpresa no elenco, basicamente são os mesmos atores do Império – o elenco funciona dentro do esperado. A trilha sonora de John Williams, mais uma vez, é um destaque.

Filme obrigatório, excelente conclusão de uma das melhores sagas da história do cinema!

May the force be with you! Always!

Os Especialistas

Crítica – Os Especialistas

Não sei po que, achei que este seria um “filme-galhofa”, na linha do divertido Os Mercenários. Que nada, Os Especialistas é um filme sério, um bom filme de ação!

Quando seu antigo mentor é sequestrado, um ex-agente secreto britânico é forçado a voltar à ativa, agora trabalhando como mercenário, com a missão de assassinar três ex-agentes das forças especiais britânicas SAS.

Dirigido pelo estreante Gary McKendry, Os Especialistas transita entre a ação e o filme político. Parte da divulgação do filme o vende como “baseado em fatos reais”, como se os acontecimentos na tela fossem algo que tem que ser escondido. Mas, sei lá, com as notícias que a gente tem todas as semanas vindo de Brasília sobre os podres na política brasileira, não me pareceu nada demais a existência de tais grupos secretos ditando a vida de pessoas por aí.

A melhor coisa de  Os Especialistas é o seu elenco. Jason Statham, o brutamontes da vez, faz o de sempre – mas pelo menos faz bem feito (se bem que talvez atrapalhe um pouco ele ter feito um papel bem semelhante recentemente, em Assassino a Preço Fixo). Clive Owen está muito bem como o antagonista, não só o cara é bom ator, como tem porte para “sair no braço” com Statham. E Robert De Niro, como (quase) sempre, está ótimo, num papel menor.

Além do trio principal, o filme ainda conta com um excelente time de coadjuvantes de nomes menos conhecidos. Dominic Purcell e Aden Young estão muito bem como os auxiliares de Statham (principalmente o irreverente “welshman” de Purcell). E o filme ainda conta com a bela Yvonne Strahovski e o eterno “mr. Eko”, Adewale Akinnuoye-Agbaje.

O roteiro, baseado no livro de Ranulph Fiennes (irmão de Ralph Fiennes), não é perfeito, a parte final poderia ter um ritmo melhor – nada muito grave, isso é compensado na parte técnica, com boas sequências de ação. Por fim, gostei da ambientação nos anos 80.

Os Especialistas não se tornará um clássico. Mas vale o preço do ingresso, nem que seja pelo bom elenco.

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Os Mercenários
Inimigos Públicos
Mandando Bala

A Hora do Espanto (2011)

Crítica – A Hora do Espanto (2011)

Refilmagem do clássico oitentista, um dos meus preferidos filmes de vampiro!

A trama é a mesma: jovem desconfia que seu novo vizinho é um vampiro. E claro que ninguém leva isso a sério.

Este novo A Hora do Espanto não é ruim. Mas sofre de um grave problema: por ser refilmagem, a comparação com o original é inevitável. E, na comparação, o filme novo perde em quase todos os aspectos.

Acho que a pior coisa do novo filme é o novo Peter Vincent. O original era um veterano apresentador de tv e entusiasta de filmes de terror antigos, tudo a ver com a trama. O atual é um mágico ilusionista de Las Vegas com cara de David Blaine ou Criss Angel – ou seja, o que diabos o cara tem a ver com vampiros? Pra piorar, nada contra o ator David Tennant, o Peter Vincent atual – mas Roddy McDowall tinha muito mais carisma!

Outra coisa que não funcionou foi terem mudado a personalidade do protagonista Charley Brewster (Anton Yelchin, dos novos Exterminador do Futuro e Star Trek). O original era um fã de filmes de terror; o atual é um “ex-nerd”, agora popular na escola. O antigo tinha mais a ver com o contexto, aliás, o antigo era quem desconfiava do vizinho, o atual parece levado pelo amigo Ed.

O vampiro Jerry de Colin Farrell não é ruim. Prefiro o estilo do original, de Chris Sarandon (que faz uma ponta como o motorista que é atacado depois do acidente), mas Farrell, eficiente como sempre, não faz feio e cria um bom vampiro, sanguinário e sedutor ao mesmo tempo. O mesmo digo do Evil Ed, amigo do protagonista, aqui interpretado pelo ótimo Christopher Mintz-Plasse (Kick-Ass, Superbad) – o novo Ed é diferente, mas não é pior. Ainda no elenco, Toni Collette, Imogen Poots e Dave Franco (que é igualzinho ao irmão mais velho James Franco).

Apesar de perder na comparação, o novo A Hora do Espanto não chega a ser ruim. Além do bom elenco, de uma boa trilha sonora e de eficientes efeitos especiais, o filme tem seus bons momentos, como o plano-sequência onde a família foge de carro. Outra coisa positiva é mostrar vampiros à moda antiga, que queimam no sol – rola até uma piada com a série Crepúsculo!

O filme original tinha um bom equilíbrio entre terror e comédia – nos anos 80, tivemos uma onda de filmes assim, como Os Caça-Fantasmas e Uma Noite Alucinante. A refilmagem tem menos ênfase na comédia, mas mesmo assim é um filme bem humorado. Acho que quem não viu o filme original e não tem um parâmetro de comparação vai curtir esta nova versão.

A Hora do Espanto tem uma versão em 3D, mas não vi, então não posso julgar. Algumas cenas têm objetos jogados na direção da câmera, mas são poucas. E boa parte do filme é escura, então desconfio que o 3D não deve ter sido muito bom.

Por fim, preciso falar que heu queria ter visto A Hora do Espanto nos cinemas, mas o circuito não permitiu. A estreia foi no mesmo dia que começou o Festival do Rio 2011, e só ficou em cartaz por duas semanas, exatamente a duração do Festival – a partir da terceira semana, só estava em cartaz em cinemas na periferia. Pena, tive que baixar um filme que heu pretendia pagar o ingresso!

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A Hora do Espanto (1985)
Padre (Priest)
Stake Land
Todo Mundo Quase Morto

Kill Bill Vol 2

Crítica – Kill Bill Vol 2

E vamos à conclusão de uma das melhores sagas de vingança da história do cinema! Depois do sangrento Vol 1, a Noiva continua sua busca pela vingança contra o seu ex-patrão Bill, e os dois ex-comparsas que ainda estão vivos.

Como falei no post sobre Kill Bill Vol 1, a separação entre os dois filmes não é uma mera jogada de marketing, como aconteceu com o último Harry Potter, ou último Crepúsculo que está em cartaz nos cinemas – filmes que eram pra ser um só, mas resolveram lançar em duas partes para faturar em dobro. Os dois Kill Bill são bem diferentes entre si!

Se no Vol 1 tudo tinha ritmo frenético, aqui rola muito pouca ação. Na verdade, só tem uma grande luta, aquela entre Uma Thurman e Daryl Hannah – aliás, uma divertida luta, com os exageros típicos do primeiro filme (li nalgum lugar que as coreografias foram inspiradas na série Jackass). O Vol 2 tem um ritmo bem diferente, bem mais tranquilo.

SPOILERS ABAIXO!

SPOILERS ABAIXO!

SPOILERS ABAIXO!

Ouvi muitas críticas à luta entre a Noiva e Bill, a rápida luta onde é usado o golpe dos cinco pontos que explodem o coração. Mas heu particularmente achei aquilo sensacional. Durante quase quatro horas, Tarantino cria uma grande expectativa sobre o grande duelo final. E quando chega o momento, Tarantino simplesmente frustra todo mundo, jogando um balde de água fria na expectativa criada. Genial!

FIM DOS SPOILERS!

O roteiro, mais uma vez escrito pelo próprio Tarantino, é impecável. Como já é comum nos seus filmes, a linha temporal não é 100% linear, mas até que aqui são poucos os flashbacks

No elenco, Uma Thurman brilha mais uma vez no papel da vingativa Noiva. Se não tem mais Lucy Liu e Vivica A. Fox no elenco (elas aparecem rapidamente no fim da cena a igreja), aqui, no segundo filme, tem espaço para os outros astros, David Carradine, Michael Madsen e a já citada Daryl Hannah. Samuel L. Jackson faz uma ponta como o organista da igreja, e Gordon Liu faz o ótimo Pai Mei (as cenas de Pai Mei foram filmadas como velhos filmes orientais de pancadaria – muito boa a sacada!).

Na comparação com a primeira parte, porém, este Vol 2 fica para trás, na minha humilde opinião. Não que seja ruim, longe disso – mas é que prefiro o ritmo acelerado do Vol 1… Mas, enfim, os dois filmes foram feitos para serem vistos juntos!

(Existe no imdb uma página sobre um suposto Vol 3, a ser feito e lançado em 2014l. Será que vai rolar? Bem, no fim do Vol 2, existe uma interrogação no nome da Elle Driver, personagem da Daryl Hannah…)

Filmaço!

p.s.: Só falta Jackie Brown e Grande Hotel!

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Bastardos Inglórios
Cães de Aluguel
Um Drink no Inferno

Um Dia

Crítica – Um Dia

Às vezes é difícil escrever uma crítica sem a interferência do gosto pessoal. Um Dia nem é muito ruim, mas a conclusão de sua trama é – pelo menos foi o que heu achei. Assim, fica complicado pra falar do filme de maneira isenta.

Adaptação do livro homônimo de David Nicholls (também autor do roteiro), Um Dia mostra o complicado relacionamento entre Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess), ao longo de vinte anos, apenas um dia por ano.

O problema do filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig não é cinematográfico, e sim a história em si – ou seja, deve estar também no livro. Acontecimentos na parte final da trama atrapalham qualquer identificação que o espectador pode ter com os personagens. E o filme ainda estica com uma desnecessária sequência em flashback, talvez com o intuito de se criar algo próximo de um final feliz.

Outra coisa que atrapalha é a construção dos personagens – mais uma vez, não sei se o problema é do filme ou do livro. Dexter é um cara mimado e arrogante, e Emma é uma personagem vazia e sem graça. Fica difícil torcer pelo casal, por mais que seja óbvio que eles estão destinados a ficarem juntos.

Pena, porque gostei da estrutura da narrativa, bem interessante – somente um dia por ano, sempre o dia 15 de julho, a partir do fim dos anos 80, incluindo aí vários detalhes da evolução da sociedade ano a ano (roupas e penteados, aparecimento de celulares, etc). Claro que algumas coisas ficam subentendidas, mas dá pra entender tudo pelo contexto – não tinha como contar tudo o que acontece mostrando apenas um dia por ano, né?

No elenco, Jim Sturgess obtem um resultado melhor, apesar de ter um personagem naturalmente antipático. Já Anne Hathaway não consegue gerar muita simpatia. Li pelo imdb críticas ao seu sotaque britânico, mas admito que o meu inglês não é tão bom assim a ponto de analisar sotaques… Ainda no elenco, Patricia Clarkson, Rafe Spall e Romola Garai.

Conclusão: o filme em si já não é grandes coisas. E, com a virada de roteiro desnecessária no final, Um Dia entra pro grupo dos filmes “não recomendados”.

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Amor e Outras Drogas
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Chromeskull – Laid To Rest 2

Crítica – Chromeskull – Laid To Rest 2

Como prometido no post de Laid To Rest, agora vamos aos comentários sobre a continuação, Chromeskull – Laid To Rest 2.

O filme começa exatamente onde o outro terminou. Inacreditavelmente, o misterioso vilão Chromeskull sobreviveu aos acontecimentos do primeiro filme, e agora mostra que é o líder de uma grande organização maligna.

Chromeskull – Laid To Rest 2 tem uma coisa muito boa, e outra coisa muito fraca. Comecemos pelo lado bom.

O diretor Robert Hall, o mesmo do primeiro filme, tem um extenso currículo como maquiador. Sua grande experiência o credencia para um realismo poucas vezes visto em mortes no cinema. São várias mortes bem filmadas, com detalhes impressionantes. Pra quem gosta, realmente vale a pena – o filme até merecia ter sido citado no Top 10 Melhores Mortes (mas nem sabia da existência do Chromeskull quando fiz o Top 10…).

Mas, por outro lado, o roteiro, também escrito por Hall, dá raiva. Acho que nunca vi policiais tão incompetentes na minha vida. Saca nos filmes da saga Star Wars, onde os Stormtroopers não conseguem acertar um único tiro? Aqui chega a ser pior. O vilão, sozinho, desarmado, consegue derrotar três policiais, treinados, preparados e com as armas apontadas para ele. É um pouco demais, não? E não é a única cena assim, rolam algumas incompetências policiais, incluindo uma inacreditável invasão à delegacia sem ninguém ver.

E o pior é que estas não são as únicas inconsistências do roteiro. A própria volta do Chromeskull já foi forçada, depois do que acontece com ele no fim do primeiro filme, mas, ok, isso já acontecia desde os velhos tempos de Michael Myers e Jason Vorhees. Mas, me diz, quem é que banca aquele staff que trabalha pro Chromeskull?

Como falei no outro post, rola uma curiosidade no elenco. Como aconteceu no primeiro filme, dois dos atores principais trabalharam juntos na série Terminator – Sarah Connor Chronicles: Brian Austin Green e Thomas Dekker, que repete o papel do outro filme. Jonathon Schaech também está de volta, mas num papel diferente. E podemos também citar a presença de Danielle Harris, que aparentemente está construindo uma carreira de “scream queen” contemporânea – ela esteve em Stake Land e nos dois novos Halloween.

Enfim, se você curte ver mortes bem feitas, não perca Chromeskull – Laid To Rest 2. Mas não se esqueça de deixar de lado “detalhes” como coerência no roteiro.

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Se você gostou de Chromeskull – Laid To Rest 2, o Blog do Heu recomenda o Top 10 Melhores Mortes.

O Preço do Amanhã

Crítica – O Preço do Amanhã

Num futuro próximo, a medicina evoluiu e conseguiu parar o envelhecimento. As pessoas param de envelhecer quando completam 25 anos, depois têm que trabalhar para comprar mais tempo para viver – neste caso, literalmente, “tempo é dinheiro”.

Trata-se do novo filme de Andrew Niccol, o nome por trás dos interessantes Gattaca (roteiro e direção) e O Show de Truman (apenas roteiro). E, mais uma vez, Niccol acertou a mão – O Preço do Amanhã é um bom filme!

A premissa é muito boa e foge do óbvio. Tá, não é a trama mais original do mundo, mas, no meio do mar de refilmagens, releituras e continuações que infestam Hollywood atualmente, é legal ver algo que não parece uma cópia descarada.

Assim como fizera em Gattaca, Niccol cria um conceito muito interessante para o seu filme – parece até uma história de Philip K. Dick. Gosto do seu estilo de ficção científica – nada de alienígenas ou naves espaciais, a história se passa aqui mesmo, em um possível futuro, onde a nossa sociedade vive em meio a avanços tecnológicos. Aliás, essa trama com as pessoas contando as horas que faltam inclusive poderia render um bom seriado, à la Fuga do Século 23 (Logan’s Run). A cenografia também é muito boa, um cenário moderno, mas com prédios e carros clássicos ao fundo.

A trama pode ser interpretada como uma grave crítica ao capitalismo. Mas o filme não é sisudo, também pode ser visto como diversão pipoca, com direito a cenas de ação e correria. Um bom equilíbrio entre o blockbuster e o “filme sério”.

O elenco é ótimo. Não acompanho a carreira musical de Justin Timberlake, mas posso dizer que se o cara só dependesse dos filmes para sobreviver, ele não passava fome. Assim como em A Rede Social, Amizade Colorida e Professora Sem Classe, Timberlake manda bem aqui. E ele não está sozinho, o resto do elenco também está bem: Amanda Seyfried (Mamma Mia), Olivia Wilde (Tron – O Legado), Cillian Murphy (Batman – O Cavaleiro das Trevas), Johnny Galecky (The Big Bang Theory), Alex Petyfer (Eu Sou o Número 4) e Vincent Kartheiser.

(Ainda sobre o elenco, rola uma coisa curiosa: como os personagens param de envelhecer aos 25 anos, só rolam atores jovens no filme…)

O Preço do Amanhã é bom, mas poderia ser melhor, se tivesse um roteiro mais bem amarrado. A grande quantidade de pontas soltas me incomodou um pouco. Vou citar alguns exemplos, mas, para evitar spoilers, vou deixar o texto em branco. Para ler, selecione o texto abaixo:

– Will acordou com 116 anos a mais. Por que esperar a noite para encontrar com a mãe?
– A mãe de Will foi pagar um empréstimo e saiu de lá com apenas uma hora e meia de vida, sendo que tinha que pagar uma hora no ônibus. Não é meio arriscado? E se o ônibus quebrasse? E se ela não se encontrasse com o filho?
– Um carro conversível capota ribanceira abaixo, e os dois passageiros sem cinto de segurança ficam quase intactos dentro do carro?
– Onde Will aprendeu a atirar e dirigir tão bem?
– Os “minute men” não seriam tão fáceis de ser derrotados!
E por aí vai…

Posso afirmar que essas inconsistências no roteiro não chegam a estragar o filme. Mas acho que, se não fossem as inconsistências, O Preço do Amanhã seria um forte candidato a um dos melhores filmes do ano…

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Se você gostou de O Preço do Amanhã, o Blog do Heu recomenda:
Contra o Tempo
Blade Runner
A Origem

Reféns

Crítica – Reféns

Confesso que já fui fã do Joel Schumacher. Nos anos 80, seu currículo era muito bom, com filmes como O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas, Linha Mortal e Garotos Perdidos. Mas parece que depois dos dos lamentáveis Batman (1995 e 1997), ele nunca mais acertou a mão. Este Reféns é mais uma prova disso.

Um bem sucedido negociador de diamantes mora com a esposa e a filha adolescente em uma mansão e tem um carro esporte conversível. Mal sabe ele que bandidos invadirão sua casa atrás do seu dinheiro.

Nem sei dizer exatamente qual é o problema aqui. O filme simplesmente não engrena. Não sei se é o roteiro ruim ou as atuações fracas, mas o resultado deixa a desejar.

O roteiro, assinado pelo estreante Karl Gajdusek, vai direto ao assalto. Isso pode dar agilidade à trama, mas causa um problema: não há nada que nos faça ter simpatia por Kyle, o arrogante personagem de Nicolas Cage. Se não há conexão com o personagem, não temos vontade de torcer por ele enquanto ele enfrenta os bandidos. E ainda tem outro problema, o roteiro traz um monte de reviravoltas, e nem todas são coerentes. E a falta de coerência também atinge a construção de alguns personagens.

Schumacher conseguiu dois nomes de peso para o elenco. O problema é que Nicolas Cage há tempos também passa por uma fase ruim na carreira – é só a gente se lembrar dos seus últimos filmes, como Fúria Sobre Rodas e Caça às Bruxas. Seu Kyle não é tão caricato como tem sido comum, mas está longe de ser uma boa interpretação. E aí sobra pra Nicole Kidman, grande atriz, mas que não faz milagre com um roteiro fraco nas mãos. Ainda no elenco, Cam Gigandet, Liana Liberato e Ben Mendelsohn.

Tem crítico por aí dizendo que Reféns é o pior filme do ano. Discordo. Não que seja bom, mas é que tem coisa pior por aí – por exemplo, 11-11-11, post de quatro dias atrás. Mas, mesmo não sendo “o pior filme do ano”, Reféns nem vale a pena.