Pólvora Negra

Crítica – Pólvora Negra

Seguindo o RioFan 2012…

Anos depois de ter sido quase morto, Castilho Paredes volta à sua cidade atraído por um contrato como matador. Marcado e esquecido, ele cai no meio de um jogo de manipulações em uma disputa familiar por uma herança.

Não sei exatamente por que Pólvora Negra estava na programação do RioFan. É um filme independente, mas não tem nada de fantástico . Enfim, mesmo fora do perfil, trata-se de um bom filme…

Escrito e dirigido por Kapel Furman, Pólvora Negra foi classificado como um “western moderno”. É por aí, o filme é ambientado hoje em dia, em uma pequena cidade do interior – mas fora isso segue a lógica dos faroestes: um pistoleiro movido por vingança.

O visual do filme é bem legal. A fotografia usa cores sem vida, e a edição traz algumas sequências bem boladas (como a luta de boxe). A trilha sonora é outro ponto positivo. Os efeitos especiais nos tiroteios também não fazem feio, como acontecia com produções nacionais de décadas atrás.

A trama é um pouco confusa, não consegui entender alguns lances, como por que existia um terceiro pistoleiro na cena da praça. Mas nada que atrapalhe o desenrolar da história do anti-heroi. Também não gostei do fim, mas respeito a opção do diretor.

Só reconheci um nome do elenco: Suzana Alves, a “Tiazinha”, que tem um papel menor. Sendo que ela ficou conhecida por andar com pouca roupa, até que ela está bem como atriz vestida (o filme só tem uma breve cena de nudez, e não é com ela). Alguns dos atores estão um pouco caricatos, mas acho que essa era a intenção. Ainda no elenco, Nicolas Trevijano, Thais Simi, Ricardo Gelli e Munir Kanaan.

Dos três longas que vi no RioFan, este Pólvora Negra é o único que tem cara de que pode chegar no circuito. Tomara que sim!

.

.

Se você gostou de Pólvora Negra, o Blog do Heu recomenda:
Federal
VIPs
2 Coelhos

Nervo Craniano Zero

Crítica – Nervo Craniano Zero

O novo filme da Vigor Mortis, companhia que fez o genial Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos!

Com medo de uma possível crise criativa, uma escritora de sucesso chama um antigo namorado, neuro-cirurgião com o registro cassado, para reativar sua fracassada experência que usa um chip indutor de criatividade ligado ao cérebro. Mas antes de testar nela mesma, ela contrata uma ingênua garota do interior como cobaia.

A dúvida que heu tinha era se Nervo Craniano Zero seria do mesmo nível do ótimo Morgue Story. Boa notícia: sim, é tão bom quanto!

Nervo Craniano Zero segue a linha de terror / comédia, com fortes (e visíveis) influências de quadrinhos e de filmes dos anos 80. O clima é bem trash, boa solução para o apertado orçamento de apenas R$ 180 mil. Claro, o filme não é pra qualquer um. Mas quem entrar no espírito, vai se divertir muito. O filme tem vários momentos antológicos, a plateia dava gargalhadas ao longo da projeção.

Depois do filme, o diretor Paulo Biscaia Filho, acompanhado dos atores Leandro Daniel Colombo e Uyara Torrente, falou um pouco com a pequena porém lotada sala de cinema do CCJF. Ele explicou que os atores sabem que tudo é sátira, o público sabe que tudo é sátira – mas os personagens não sabem. Os personagens levam aquilo a sério! Isso proporciona ao filme uma série de diálogos sensacionais, todos no limite da caricatura.

O elenco está ótimo. Leandro Daniel Colombo, um dos destaques de Morgue Story, e Guenia Lemos, mezzo americana, mezzo curitibana, que já fez alguns filmes e seriados em Hollywood, mas nunca tinha feito nada aqui no Brasil, estão excelentes como o médico perturbado Bartholomeu Bava e a escritora de moral duvidosa Bruna Bloch. Mas o melhor de Nervo Craniano Zero é Uyara Torrente, que ficou famosa um tempo atrás por um video de sua banda que virou viral de internet. Aqui ela mostra que é uma excelente atriz, com sua Cristi, que começa como uma ingênua (e engraçadíssima) caipira, para depois mostrar que o personagem tem muito mais a oferecer.

A trilha sonora é outro destaque. Demian Garcia compôs várias trilhas eletrônicas com um delicioso ar oitentista. E a cereja do bolo é a única música que não foi composta para o filme: Total Eclipse Of The Heart, da Bonnie Tyler, vira a trilha pefeita para uma cena completamente imprevisível de cirurgia craniana. Nunca mais ouvirei Bonnie Tyler como antes!

A exibição do filme era pra ser em alta definição, Paulo Biscaia Filho trouxe uma cópia em blu-ray. Mas o projetor do cinema não deixou a imagem ficar boa. Paulo disse para vermos isso como algo positivo: a qualidade da imagem ia nos lembrar dos velhos vhs dos anos 80… Ainda quero rever Nervo Craniano Zero com imagem boa, mas posso dizer que isso não atrapalhou a boa fotografia do filme, cheia de cenários estilizados e com muito contra-luz. Soma-se a isso a boa maquiagem e os efeitos especiais, poucos e simples, mas eficientes para o que o filme pede.

A notícia ruim é que não sei quando nem como o leitor vai conseguir ver Nervo Craniano Zero. Até onde sei, Morge Story só passou aqui no Rio no Festival do Rio de 2009, e foram poucas sessões mal divulgadas. Paulo Biscaia Filho deu a dica: o dvd está à venda na Livraria da Travessa. Mas sem divulgação, pouca gente vai saber disso…

Que Nervo Craniano Zero consiga um espaço no circuito cinematográfico, ou pelo menos um bom lançamento no mercado de home video!

Porto dos Mortos

Crítica – Porto dos Mortos

E vamos ao RioFan 2012!

Em um mundo devastado por um apocalipse zumbi, um policial vingativo persegue um serial killer, sem saber que este está possuído por um demônio.

Dirigido por Davi de Oliveira Pinheiro, Porto dos Mortos tem algumas falhas. Na minha humilde opinião, a maior delas é se classificar como um “filme de zumbi”. Não só os atores que interpretam os zumbis usam algumas das maquiagens mais mal feitas que já vi, como todos os personagens vivem tranquilamente com os zumbis em volta – porque os zumbis não atacam! Aí quando a gente vê que o mais importante no filme é a trama do serial killer possuído, a gente se pergunta: pra que os zumbis?

O roteiro tem altos e baixos. Por um lado, alguns diálogos são fracos – a cena do jovem de capacete conversando com o zumbi dá vergonha. Mas por outro lado, no meio do filme há uma corajosa reviravolta de roteiro que muda radicalmente o rumo do filme – gostei disso, foi totalmente inesperado. Mesmo assim, o roteiro tem problemas no ritmo.

O elenco de nomes desconhecidos está bem. As locações também foram bem escolhidas – lembro de Capital dos Mortos, filme de zumbis feito em Brasília, que mostra carros em movimento no fundo das cenas – Porto dos Mortos se preocupou com esse detalhe e parece que estamos realmente vivendo uma situação pós apocalíptica. Já a trilha sonora só funciona às vezes, em outras ela parece inadequada – como no momento que os garotos aprendem a atirar.

Descobri que este filme já está no imdb, com o título Beyond the Grave, como se tivesse sido lançado em 2010. Mas nunca tinha ouvido falar, e não achei nada sobre ele em sites de torrent.

Apesar de não ser top, torço por um lançamento melhor de Porto dos Mortos. Entre altos e baixos, o saldo é positivo. Vida longa ao terror independente brasileiro!

Batman – O Homem Morcego

Crítica – Batman – O Homem Morcego

Tempos de badalação em volta de Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge, achei este Batman de 1966 que já estava no meu hd há um tempão e resolvi (re)ver.

A Dupla Dinâmica tem que enfrentar quatro super vilões, Mulher Gato, Coringa, Pinguim e Charada, que se juntaram para roubar um raio que desidrata as pessoas.

Este longa foi feito na época do seriado do “Batman barrigudo”, aquele interpretado por Adam West. O tom do seriado era puro escracho, com personagens e situações caricatas ao extremo. Nada era pra ser levado a sério. E por isso mesmo, a série era divertidíssima!

O filme tem o mesmo tom de comédia escrachada. Algumas cenas até beiram o ridículo, como aquela na qual o Batman está carregando uma bomba com o pavio aceso e precisa desviar de freiras e mães com carrinhos de bebês! Mas pra quem gosta, é um prato cheio. Gargalhadas garantidas!

Um dos trunfos de Batman – O Homem Morcego é a manutenção de quase todo o elenco do seriado – tirando a Mulher Gato (aqui interpretada por Lee Meriwether), todo o elenco principal da série esta aqui: Adam West (Batman), Burt Ward (Robin), Cesar Romero (Coringa), Burgess Meredith (Pinguim), Frank Gorshin (Charada – chamado de Enigmista na dublagem) e Alan Napier (Alfred). Além disso, o filme também traz algumas marcas registradas do seriado, como Batman e Robin subindo pela parede ou as câmeras inclinadas no esconderijo dos bandidos, além de vários bat-veículos e bat-acessórios.

O maior orçamento permitiu uma produção melhor do que no seriado. Temos várias cenas externas, vôos de helicóptero, cenas no mar… Pena que o roteiro é tão ridículo, mas tão ridículo, que às vezes dá raiva. Quatro super bandidos, caracterizados com fantasias espalhafatosas, entram em uma reunião da alta cúpula das Nações Unidas, começam a desintegrar um a um dos membros, e os outros continuam discutindo sem olhar pro lado???

Mesmo assim, me diverti e dei boas risadas revendo o filme. A versão que tenho é a dublada, foi bom pela nostalgia, acho que é a mesma dublagem da minha época de criança.

Só não sei se Batman – O Homem Morcego vai agradar os fãs do Batman atual de Christian Bale. Porque este Batman é divertido, mas ninguém pode negar o potencial trash!

RioFan 2012

RioFan 2012

Alvíssaras! O RioFan – Festival de Cinema Fantástico – está de volta!

Até onde sei, já tivemos duas edições. Em 2008, vi, dentre outros, o italiano O Bosque Maldito, o inglês The Zombie Diaries, e o paquistanês Estrada para o Inferno (Zibahkhana) (zumbis mutantes e uma família de assassinos sádicos!). Nada houve em 2009 e 2010. Em 2011 o festival voltou, com títulos como Aterrorizada, Balada do Amor e do Ódio, Srpski Film, Norwegian Ninja, Um Sussurro Nas Trevas e o sensacional A Noite do Chupacabras (divertidíssimo filme trash brasileiro!).

Agora em 2012, a programação tem uma boa e uma má notícia, pelo menos no meu ponto de vista.

A má notícia é a pequena quantidade de longas inéditos – só três! Por outro lado, a boa notícia é que os três longas inéditos são brasileiros. Quando tivemos a oportunidade de ver três filmes brasileiros fantásticos e independentes, todos inéditos, no mesmo festival?

Pretendo ver os três:

Porto dos Mortos

Em um mundo devastado, um policial vingativo (Rafael Tombini) persegue um serial killer, sem saber que ele está possuído por um demônio. Direção de Davi de Oliveira Pinheiro.

Pólvora Negra

Anos depois de ter sido quase morto, Castilho Paredes volta à sua cidade atraído por um contrato como matador. Marcado e esquecido, ele cai no meio de um jogo de manipulações em uma disputa familiar por uma herança. Direção de André Kapel.

Nervo Craniano Zero

Dando continuidade ao estilo iniciado em Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos, o diretor Paulo Biscaia Filho traz uma fábula noir que rende homenagens à estética dos filmes de horror dos anos 80. No elenco Leandro Daniel Colombo (que estava em Morgue Story), Guenia Lemos (do seriado Law and Order) e Uyara Torrente (vocalista d’A Banda Mais Bonita da Cidade).

Além dos três longas brasileiros inéditos, o festival conta com cinco longas antigos, todos parte do acervo do MAM: A magia dos fantasmas (La Féerie des fantasmes), de Marcel L’Herbier (França, 1975); Finis Hominis de José Mojica Marins (Brasil, 1970); Contos da lua vaga (Ugetsu Monogatari), de Kenji Misoguchi (Japão, 1953); O Inferno de Drácula (Chi o suu bara), de Michio Yamamoto (Japão, 1974); e O Jovem Frankenstein (The Young Frankenstein), de Mel Brooks (EUA, 1974). E além dos longas, são 48 curtas brasileiros e estrangeiros, dentre eles, a estreia nacional de O Duplo, de Juliana Rojas, exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes este ano.

O festival começa amanhã (9 de agosto) e vai até domingo (12), com sessões no Centro Cultural Justiça Federal e na Cinemateca do MAM, ambos no Centro do Rio de Janeiro.

Mais informações em http://riofan.wordpress.com

La Chispa De La Vida

Crítica – La Chispa De La Vida

Oba! Filme novo do Álex de la Iglesia!

Um publicitário desempregado sofre um acidente durante a badalada inauguração de um teatro, e tenta vender seus direitos de imagem para providenciar dinheiro para sua família.

Sei que Álex de la Iglesia não é um nome muito conhecido por aqui. Mesmo assim, conheço bem sua carreira – já vi oito dos seus filmes. Admito, sou fã do cara.

Meu primeiro contato com este peculiar diretor espanhol foi com Ação Mutante, uma ficção científica com um pé no trash – pessoas deformadas criam um grupo que pratica atentados terroristas contra academias de ginástica ou qualquer coisa a favor da “ditadura da beleza”. Pouco tempo depois, participei de uma rara sessão teste, do filme O Dia da Besta – com direito a questionário no final da sessão (acho que não respondi as respostas certas, o filme não foi lançado comercialmente). Depois veio Perdita Durango, produção hollywoodiana com sinopse bizarra. A Comunidade heu comprei o dvd; Crime Ferpeito foi lançado nos cinemas; The Oxford Murders só apareceu via download; e Balada do Amor e do Ódio passou no Rio Fan ano passado. E chegamos a este La Chispa de La Vida – oito filmes de um diretor pouco conhecido, nada mal, né?

(Ainda tem mais um, 800 Balas, que tá na minha prateleira de dvds esperando na interminável “fila” de filmes a serem vistos…)

Escrevi tudo isso aí em cima pra falar que achei La Chispa de La Vida um filme discreto e comportado, comparado à filmografia do diretor. Às vezes nem parece que é o mesmo Álex de la Iglesia… (The Oxford Murders também é “bem comportado”.) Pelo menos achei melhor que o seu último, Balada do Amor e do Ódio, que mantém o estilo esquisito tradicional do diretor, mas na minha humilde opinião, um pouco acima do tom.

O filme é bem comportado, mas pelo menos traz bons personagens de moral duvidosa. Achei isso o melhor de La Chispa de La Vida: quase todos os personagens são fdps! Até o fim do filme ficamos na dúvida sobre qual vai ser o comportamento de certos tipos.

Os personagens são bem construídos e bem interpretados. No elenco, só um nome conhecido por aqui, Salma Hayek. Não sei se o resto do elenco é famoso na Espanha, só sei que aqui fizeram um bom trabalho: José Mota, Blanca Portillo, Carolina Bang, Manuel Tallafé, Fernando Tejero, Juan Luis Galiardo e Antonio Garrido.

O filme é curto (pouco mais de uma hora e meia), e tem um roteiro bem amarrado, mantendo toda a ação no período de um dia e uma noite. E apesar do tema delicado do acidente, La Chispa de La Vida não tem cenas fortes, visualmente falando.

La Chispa de La Vida não é o melhor dos filmes de Álex de la Iglesia, mas mesmo assim não vai decepcionar seus fãs.

Guerra É Guerra

Crítica – Guerra É Guerra

Mais uma comédia romântica de ação!

Dois agentes da CIA, amigos inseparáveis, se apaixonam pela mesma mulher, uma profissional independente – e encalhada, sem um saber do outro. Quando eles descobrem que estão atrás da mesma mulher, resolvem entrar em uma competição pela garota – e para isso, usam tudo o que a CIA oferece a eles.

Guerra É Guerra (This Means War no original) segue a linha de Sr e Sra Smith e Par Perfeito: um filme de ação que no fundo é uma comédia romântica.

Gosto do diretor McG, que também dirigiu os dois As Panteras e o mediano Exterminador do Futuro – A Salvação, e é produtor de algumas séries de tv (entre elas, uma das minhas preferidas, Supernatural). Concordo que ele é um pouco exagerado, mas mesmo assim gosto do ritmo que impõe aos seus filmes. E ele fez um bom trabalho aqui, colocando bom humor nas cenas de ação, ajudado por uma edição rápida e uma trilha sonora moderninha.

Sobre o elenco: por um lado, heu acho que Reese Witherspoon não era a melhor escolha para o papel, talvez uma atriz mais nova e/ou mais bonita desse mais credibilidade – não acho que dois bonitões brigariam por uma mulher mais velha e que nem é tão bonita assim… Pelo menos os três (Reese, Chris Pine e Tom Hardy) são bons atores, têm carisma e conseguem uma boa química. (Aliás, foi curioso ver este filme logo depois de ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, dá pra ver claramente que o ator que faz o Bane não é tão grande como parece). Ainda no elenco, Til Schweiger, Chelsea Handler, Angela Basset e Abigail Spencer.

O roteiro é previsível. Mas, como falei lá em cima, Guerra É Guerra é essencialmente uma comédia romântica, gênero que é sempre previsível. Portanto isso não chega a incomodar, o filme é divertido e tem algumas cenas muito boas, como por exemplo a sequência do paintball. Se a gente se ligar nesses momentos divertidos, pode se desligar das várias forçações de barra do roteiro, como os apartamentos chiques dos agentes da CIA, ou um agente que também pratica acrobacias de circo…

Enfim, Guerra É Guerra não vai mudar a vida de ninguém. Mas pode ser uma opção divertida para casais (romantismo para ela, ação para ele).

.

.

Se você gostou de Guerra É Guerra, o Blog do Heu recomenda:
Encontro Explosivo
RED – Aposentados e Perigosos
Par Perfeito

Chernobyl

Crítica – Chernobyl

Seis turistas (quatro americanos, uma norueguesa e um australiano) pegam uma “excursão radical” na Ucrânia, para visitar Pripyat, onde antigamente moravam os trabalhadores da usina nuclear de Chernobyl, mas hoje uma cidade fantasma desde o acidente há 25 anos atrás.

Nova produção de Oren Peli, criador da franquia Atividade Paranormal. Peli virou um nome “quente” em Hollywood ao fazer um filme que custou 15 mil dólares e rendeu quase 200 mil. Agora Peli está diversificando, aqui ele produziu e escreveu o roteiro, mas deixou a direção para Bradley Parker, estreante na cadeira de diretor, mas com um currículo razoável na parte técnica de efeitos especiais.

Chernobyl (Chernobyl Diaries, no original) não usa a câmera subjetiva o tempo todo, como os filmes da franquia Atividade Paranormal. Mas a câmera age como um personagem, está sempre muito perto do elenco, para criar uma maior empatia com o espectador.

Pena que nem tudo funciona. A primeira parte é tudo muito previsível, a parte do meio é só correria e no fim nada é explicado. Acaba o filme e a gente se pergunta o que aconteceu.

Alguns comentários, mas antes os avisos de spoiler:

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

– Não que tudo tenha que ser explicado aos detalhes ao espectador, mas pelo menos a gente podia saber se o “inimigo” é um mutante ou um fantasma.

– Os caras acordam e saem pra procurar ajuda, que está a 20 km de distância. Em um bom ritmo, uma pessoa cobre essa distância em 3 horas e meia. Como é que eles só voltam à noite?

– Mais: será que não dava pra fazer uma maca e andar os 20 km?

– Logo que avistam as primeiras criaturas, eles abrem fogo, mesmo antes de saber se são amigos ou inimigos.

E por aí vai…

FIM DOS SPOILERS

Algumas coisas se salvam. Gostei da sequência do urso e de toda a ambientação da cidade fantasma – Chernobyl foi filmado na Sérvia e na Hungria, e não na Ucrânia, onde está a Pripyat real.

Mas é pouco. Chernobyl só vai agradar os pouco exigentes.

.

.

Se você gostou de Chernobyl, o Blog do Heu recomenda:
Grave Encounters
Viagem Maldita
Vírus

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Crítica – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Uma das estreias mais aguardadas do ano!

Depois dos eventos de Batman – O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne agora vive recluso e Batman não aparece há anos. Até que Bane, um novo e terrível vilão, aparece para ameaçar Gotham City.

A tarefa era difícil, dar continuidade a Batman – O Cavaleiro das Trevas, um dos melhores flmes baseados em quadrinhos da história. Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge fez um bom trabalho, é uma sequência à altura. Fecha bem a sólida trilogia do diretor Christopher Nolan – a qualidade foi mantida ao longo dos três bons filmes.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filme sério e tenso. Algumas partes são sensacionais – gostei muito da sequência do estádio e de toda a parte final. Antes da sessão, pensei que talvez o filme pudesse ser um pouco mais curto, são duas horas e quarenta e quatro minutos. Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge não tem “barriga”, o filme flui muito bem.

O roteiro não é perfeito, é preciso muita suspensão de descrença em algumas cenas – por exemplo, vários vilões não usam armas de fogo, mesmo com as armas nas mãos. Mas isso é um detalhe que quase não incomoda. Mesmo assim, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um excelente filme, melhor que a maioria que é lançado no circuito.

Uma preocupação para este terceiro filme era o vilão, por causa do vilão do filme anterior. Não só o Coringa é um dos vilões mais famosos da história dos quadrinhos, como Heath Ledger teve uma interpretação arrebatadora – chegou a ganhar postumamente o Oscar pela sua atuação como Coringa. O vilão Bane não é tão conhecido quanto o Coringa, e Tom Hardy não foi tão impressionante. Mas o conjunto foi excelente – Bane é um vilão perfeito e assustador.

(Ainda sobre Bane: li em algum lugar que Tom Hardy não seria uma boa escolha para o papel, porque ele é pequeno (1,78m, segundo o imdb), enquanto Bane é um grandalhão. Mas, não sei se usaram truques de câmera ou cgi, no filme Hardy parece ser muito maior do que é. Seu Bane não decepciona nem pela interpretação, nem pelo tamanho!)

Aliás, o elenco é invejável. Além de Hardy, voltam aos seus papeis Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. E o filme ainda conta com Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Mathew Modine, Juno Temple, Nestor Carbonell e Anne Hathaway.

Deixei Anne Hathaway por último porque achei a sua Selina Kyle uma das melhores coisas de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Rolava uma comparação mental óbvia com a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer do filme de 1992 (e não com a terrível Mulher Gato de Halle Berry de 2004!). Mas Anne consegue dar leveza, beleza e principalmente credibilidade ao seu papel – sua Selina parece uma pessoa “de verdade”. Detalhe curioso: ao longo do filme, ela nunca é chamada de Mulher Gato!

Christopher Nolan mais uma vez mostra um domínio técnico impressionante, e suas sequências de ação são absurdamente bem feitas – a parte técnica do filme é impecável. E, boa notícia: ele não gosta de 3D (e heu concordo com ele!). Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um dos raros blockbusters atuais sem uma versão 3D, só existem opções 2D nos cinemas.

E aí fica a pergunta: é melhor que Os Vingadores? Olha, são filmes diferentes, estilos diferentes. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é mais realista, não tem ninguém com super-poderes. Ambos são bons filmes. Em vez de pensar qual é o melhor, prefiro pensar que em 2012 tivemos dois excelentes filmes baseados em quadrinhos de herois.

Mais uma coisa: li por aí que esse filme seria o “fim da trilogia”. Bem, como trilogia são 3 filmes, a frase está correta. Mas rola um forte gancho para uma continuação. Será que Nolan pensou em uma quadrilogia?

Fica a dica: vá ao cinema ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Filmão, merece a tela grande. E que venha o próximo!

Por fim, preciso falar da desorganização do Botafogo Praia Shopping, onde fica o cinema Cinemark, local de uma das pré-estreias. A sessão estava marcada para uma quinta feira, às 23:55. Mas o shopping fechava mais cedo. Resultado: o estacionamento já estava fechado (tive que deixar o carro na rua), o segurança ficava enchendo o saco na hora de entrar no shopping (por que diabos alguém iria querer entrar no shopping com tudo fechado senão para ver o filme?), e o elevador estava desligado (o cinema fica no oitavo andar!). Ora, se o shopping não vai funcionar, por que marcar a sessão?

E não acabou aí. Pra piorar, a sessão começou com inacreditáveis 27 minutos de atraso. E a cereja do bolo: no meio da sessão, a sala ficou insuportavelmente quente – acredito que tenhma desligado o ar condicionado. Sorte que religaram antes do fim. Pode falta de respeito maior?

.

.

Se você gostou de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o Blog do Heu recomenda:
Superman
A Origem
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro 2

[REC]³ Génesis

Crítica – [REC]³ Génesis

[REC]³ Génesis ficou pronto!!! E aí, será que é tão bom quanto os outros dois?

Não…

Numa grande festa casamento, um convidado começa a atacar os outros, e logo começa uma epidemia de infectados. O noivo e a noiva tentam de tudo para sobreviverem.

Na minha humilde opinião, o primeiro REC não só é o melhor filme de câmera subjetiva já feito como é um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. REC2 pode não ser tão bom, mas segura a onda muito bem, principalmente porque traz logo de cara uma reviravolta sensacional sobre a explicação do que aconteceu no primeiro filme.

Se [REC]³ Génesis fosse um filme “independente”, seria um filme legal. Mas, como parte da franquia REC, decepciona.

Em primeiro lugar, o estilo “encontramos uma filmagem perdida” é deixado de lado logo após a introdução do filme. E essa introdução é feita com mais de uma câmera, as imagens de fontes diferentes foram editadas.

Mas pra mim, isso nem incomodou, a mudança da câmera subjetiva para a câmera convencional foi até interessante. O pior de [REC]³ Génesis é que enquanto o primeiro filme é tenso e tem um clima de medo, este terceiro tem momentos de comédia! Nada contra comédia de terror, sou muito fã da série Evil Dead – mas isso não tem nada a ver com REC!

E ainda tem um agravante: o título fala “Gênese” – ué, pensei que a gente ia ver o começo da história, pensei que ia contar o que aconteceu antes do misterioso apartamento do primeiro filme (se não me falha a memória, tinha uma menina portuguesa infectada). Nada disso, é uma trama paralela, que nada acrescenta à mitologia de REC

[REC]³ Génesis foi dirigido por Paco Plaza, que foi um dos diretores dos dois primeiros filmes, ao lado de Jaume Balagueró. A dupla se dividiu, enquanto Plaza fazia este terceiro filme, Balagueró assumiria o quarto, REC4 Apocalypse. Não sei o quanto tem de cada um nos filmes anteriores, mas este terceiro é nitidamente um filme diferente. Aparentemente Plaza não segura a onda sozinho.

No elenco, ninguém muito famoso. Já tinha visto dois filmes com a bonitinha Leticia Dolera, mas nada muito conhecido (Semen, Uma História de Amor e Spanish Movie). Mas o elenco não é o problema aqui…

Agora aguardamos REC4 Apocalypse. Torcendo para Balagueró ser “o cara” dos dois primeiros filmes.

.

.

Se você gostou de [REC]³ Génesis, o Blog do Heu recomenda:
[REC]
O Caçador de Trolls
Diário dos Mortos