Star Wars Ep I – A Ameaça Fantasma

Crítica – Star Wars Ep I – A Ameaça Fantasma

Faz parte do trabalho de um pai apresentar bons filmes aos filhos. Chegou a hora de rever a hexalogia de Guerra nas Estrelas com a criançada!

A história todo mundo conhece, né? Durante uma crise política, os cavaleiros jedi Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi vão até o planeta Naboo. Lá, se tornam a escolta da rainha Amidala até Coruscant, mas precisam parar em Tatooine, onde conhecem o jovem Anakin Skywalker.

O único problema de começar com o Ep 1 é que este é o mais fraco dos seis filmes. Tem algumas qualidades, mas, no geral, é bem inferior aos outros. Mas, para conquistar a “nova geração”, preferi começar pela “ordem errada” (o certo seria 4, 5 e 6, depois 1, 2 e 3), afinal, os efeitos especiais deste não parecem tão velhos quanto os do filme de 1977.

O que A Ameaça Fantasma tem de bom? Basicamente quatro coisas:

– O vilão Darth Maul
Rolava um grande desafio, afinal o novo vilão seria comparado com ninguém menos que Darth Vader – considerado por muitos o melhor vilão do século XX. Darth Maul é o que os fãs esperavam, um vilão excelente. Pena que sua participação é pequena.

– O tema musical “Duel of the Fates”
A trilogia clássica tem um dos temas mais marcantes da história do cinema, além de vários outros bons temas, menos famosos, na trilha sonora. O tema novo não fica atrás em termos de qualidade.

– A corrida de Pods em Tatooine
Ok, aquilo foi feito pra vender videogame. Mas toda a sequência da corrida é muito boa!

– O duelo de sabre de luz entre Darth Maul, Qui-Gon Jinn e Obi-Wan Kenobi
O melhor duelo da hexalogia é o travado entre Luke Skywalker e Darth Vader em O império Contra Ataca, toda a narrativa em torno da luta é muito bem estruturada. Mas, tecnicamente, era um aprendiz contra um quarentão. Aqui temos dois jedis e um sith em plena forma. A luta é eletrizante!

Mas isso não consegue esconder a verdade: A Ameaça Fantasma é um filme fraco.

Na minha humilde opinião, o grande problema de George Lucas aqui é que, enquanto na trilogia clássica ele tinha que prestar contas a um superior, aqui ele estava no topo. Faltava alguém pra lhe dizer “menos, George, menos!”. Faltava alguém pra lhe dizer “menos Jar Jar Binks, George, menos!”

E assim, o filme ficou muito aquém do que poderia ficar. Por exemplo, o citado Jar Jar Binks: Lucas queria provar que não precisava de atores reais, então criou um personagem digital. A ideia foi boa, até citei isso no Top 10 de marcos nos efeitos especiais. O problema é que Jar Jar aparece o tempo todo, chega a encher o saco. Se ele tivesse uma participação menor (como aconteceu nos filmes seguintes), não ia ser tão chato.

(Detalhe curioso: o Jar Jar Binks “perdeu a validade”. Hoje, 12 anos depois, os efeitos não enchem mais os olhos. O visual do Jar Jar ficou tão capenga quanto a sua personalidade.)

E não foi só o Jar Jar. O filme tem sérios problemas de ritmo, principalmente as partes com atores – Lucas nunca escondeu que não gosta de dirigir atores – as cenas com a mãe do Anakin são arrastaaadas… Pena, porque o bom elenco contou com Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Terence Stamp e Ian McDiarmid. Anthony Daniels, Kenny Baker e Frank Oz voltaram para os personagens C-3PO, R2-D2 e Yoda. E o fraco garoto Jake Lloyd ganhou o papel principal. Fraco mesmo, cadê ele depois desse filme?

Mesmo assim, sou fã, admito. E gostei de ter revisto, mesmo com suas falhas.

O que dá pena é lembrar de toda a ansiosa espera. Foram dezesseis anos aguardando por um novo filme (de 1983 a 1999), lembro de quando saiu o primeiro teaser poster com o Anakin criança, e sua sombra era o Darth Vader… Pra depois, a gente ver um filme que ficou devendo. Me lembro sempre da cena final de Fanboys – leve spoiler, para ler, selecione o texto: quando, depois de muita espera, um personagem pergunta ao outro: “e se o filme for ruim?”.

Em breve, vou rever os Episódios 2 e 3, aí comento aqui!

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Balada do Amor e do Ódio/ Balada Triste de Trompeta

Crítica – Balada do Amor e do Ódio / Balada Triste de Trompeta

Uêba! Filme novo escrito e dirigido pelo Álex de La Iglesia!

Espanha, anos 70. Descendente de uma família de palhaços, Javier começa a trabalhar num circo como o “Palhaço Triste”, ao lado do palhaço Sergio, um bom profissional, mas uma pessoa de temperamento muito complicado. Tudo fica ainda mais complicado quando a trapezista Natalia, namorada de Sergio, se aproxima de Javier.

Olha, sou fã do Álex de La Iglesia, e admito que gosto de filmes esquisitos. Mas preciso reconhecer que ele não foi feliz aqui. Balada do Amor e do Ódio é bizarro demais!

O filme já começa estranho. Rola um prólogo na década de 30, com palhaços na linha de frente de guerra. Depois segue estranho com a história do Palhaço Triste. E, a partir da fuga de Javier do hospital, tudo fica bizarro demais. A loucura de Javier nos faz perder qualquer interesse por um personagem que já não tinha muito carisma!

A parte técnica do filme é boa, gostei da fotografia com cores escuras. Também gostei do elenco, que conta com Carlos Areces, Carolina Bang e Antonio de la Torre. O problema está no roteiro mesmo…

O penúltimo filme de Álex de La Iglesia tinha sido o fraco Los Crimenes de Oxford. Não foi um filme ruim, só perde na comparação com outros como Ação Mutante, O Dia da Besta e Crime Ferpeito. E agora, veio este Balada do Amor e do Ódio. Sr. Álex, ainda estou esperando à volta aos bons tempos, ok?

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Os Pinguins do Papai

Crítica – Os Pinguins do Papai

O sr. Popper (Jim Carrey) é um agressivo homem de negócios, especialista em adquirir imóveis antigos para colocá-los abaixo e construir novos empreendimentos. Mas quando ele ganha de herança seis pinguins, ele começa a rever conceitos em sua vida.

Dirigido por Mark Waters (Meninas Malvadas), Os Pinguins do Papai é a adaptação de um livro infantil de 1938, escrito por Florence e Richard Atwater. O filme segue a onda proposta: é um “filme família”, uma história infanto-juvenil, bobinha e inocente. Vai agradar a criançada, mas pode cansar os mais velhos.

Heu não tenho nada contra o Jim Carrey, até gosto de alguns de seus papeis caricatos – como não ser fã do Máskara? Mas reconheço que a maior parte dos críticos por aí não gosta dele, por ele ser careteiro demais. Bem, aqui ele nem está muito careteiro, se você não curtir essa faceta de Carrey, isso não vai atrapalhar.

Aliás, o elenco está bem. Gostei da personagem Pippi, de Ophelia Lovibond (4.3.2.1), a secretária que fala um monte de palavras que começam com a letra “p”. Ainda no elenco, Carla Gugino, Angela Lansbury e Clark Gregg.

Na minha humilde opinião, o problema aqui é o roteiro previsível demais, e às vezes incoerente. Ora, se Popper mudou por causa dos pinguins, não seria tão fácil para ele entregá-los para o zoológico. E aquele funcionário do zôo, que não se decidia entre bonzinho e vilão?

Mas, enfim, como disse, a criançada vai curtir.

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Cilada.com

Crítica – Cilada.com

Cilada.com é uma série do Multishow, escrita e dirigida por Bruno Mazzeo. O desafio era transformar a série em um longa metragem. Funcionou?

Bruno (Bruno Mazzeo) trai a namorada na frente de todos em uma festa de casamento. Como vingança, ela coloca na internet um video de uma performance sexual fracassada. Enquanto tenta recuperar a sua imagem, ele se mete em várias ciladas.

Não sei se este era o objetivo dos realizadores, mas o filme dirigido por José Alvarenga Jr (Os Normais, Divã) parece uma comédia romântica hollywoodiana padrão. Segue direitinho a “receita de bolo”: o casal se separa, mas descobre que ainda se gosta. Vários incidentes os impedem de ficarem juntos, até o fim previsível.

Não que isso seja ruim, o cinema brasileiro tem amadurecido, e este tipo de filme tem espaço no mercado: um filme que não tem a pretensão de ser um grande filme, tampouco agride o espectador pela má qualidade. Um produto mediano, descartável, que serve para o objetivo proposto: distrair o espectador por uma hora e meia.

Bruno Mazzeo lidera um elenco ok, que conta com Fernanda Paes Leme, Carol Castro, Sérjão Loroza, Augusto Madeira, Fulvio Stefanini e Fabiula Nascimento. Achei Loroza um pouco acima do tom, mas nada que estrague o filme.

Na minha humilde opinião, o pior pecado de Cilada.com é a irregularidade das piadas. Algumas são boas, mas outras são de péssimo gosto – aquela cena do “grupo de apoio” foi completamente desnecessária. E não, a bunda de Serjão Loroza não é engraçada, não precisava desta apelação.

No geral, apesar de uma baixaria aqui e outra ali, e de vários momentos previsíveis, o filme vai agradar os menos exigentes.

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Patrulha Estelar – Space Battleship Yamato

Crítica – Patrulha Estelar – Space Battleship Yamato

Adaptação do desenho animado japonês Space Battleship Yamato, conhecido aqui como Patrulha Estelar.

Em 2199, alienígenas Gamilon acabam com a frota espacial da Terra. Humanos, que vivem em subterrâneos para fugir da radiação, têm como última esperança a espaçonave Yamato, um velho navio da Segunda Guerra reformado, para tentar chegar ao longínquo planeta Iscandar, onde talvez exista solução para os problemas do planeta.

Confesso que nunca dei bola pro desenho animado, que passava aqui extinta tv Manchete. Nunca fui fã de desenhos japoneses, então nunca parei pra ver qual era a deste desenho. Mas, admito que se hoje encontrar uma reprise, vou parar pra ver.

Patrulha Estelar é tudo o que se espera de um bom filme de ficção científica: uma boa trama, excelentes efeitos especiais e eletrizantes batalhas espaciais. Arriscaria até dizer que é um dos melhores filmes de FC dos últimos anos. Nem parece que é a versão live action de um desenho que passava no “Clube da Criança”, apresentado pela Xuxa nos anos 80!

Preciso falar mais dos efeitos especiais. Quem me conhece sabe que sou um apreciador de efeitos bem cuidados. Logo na primeira cena, o filme já mostra a que veio: vemos um close em um olho, a câmera se afasta, mostra uma mulher pilotando um caça, se afasta mais um pouco, o caça está em uma grande batalha espacial, com caças, grandes naves e centenas de tiros. A parte técnica é muito bem feita, o oposto do que acontece com outros filmes japoneses de terror, como The Machine Girl, Tokyo Gore Police e Vampire Girl vs Frankenstein Girl – esses trashs são divertidos, mas prefiro ver uma produção bem feita como Patrulha Estelar.

O filme me lembrou BSG: humanos fugindo de um inimigo alienígena meio máquina, mais poderoso, e que parece ter como único objetivo acabar com a raça humana. Além disso, ainda tem a ausência de um antagonista central – em vez de um vilão como o Darth Vader, o inimigo é a raça Gamilon (como eram os Cylons em BSG).

É curioso notar que os primeiros desenhos de Patrulha Estelar surgiram em 1974 – antes de Guerra nas Estrelas. Isso é algo muito interessante de se ver: enquanto o ocidente era monopolizado por aventuras como Guerra nas Estrelas, Jornada nas Estrelas e Galactica, Astronave de Combate, o oriente tinha uma visão diferente, mais séria, acho até que rolava um trauma pós-guerra (só tinham se passado 30 anos do fim da Segunda Guerra Mundial) – daí a espaçonave ser um navio de guerra. O filme novo mantem este clima, tem aquele drama oriental pesado inserido na trama, atores exagerados, um pessimismo rola no ar. O final do filme não é nada hollywoodiano, é um final triste – e coerente.

Nem tudo é perfeito, infelizmente. O desenvolvimento dos personagens é meio abrupto, acho que a história merecia uma minissérie, porque em duas horas e dezoito minutos, a evolução do protagonista Wildstar ficou meio rápida demais. Pelo menos tem um lado bom: o filme não tem enrolação!

Sobre o diretor e os atores, falha minha, não tenho o que falar. Não conheço ninguém. E também não conheço os peronagens do desenho, então não posso nem julgar se as caracterizações estão boas. Só posso dizer que tudo funciona redondinho.

Não sei se será lançado por aqui, espero que sim, já que existe uma legião de fãs, e o filme tem qualidade pra passar na tela grande. Por enquanto, só via download.

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Galactica, Astronave de Combate
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Your Highness

Crítica – Your Highness

O que esperar de uma comédia escrita, produzida e estrelada por Danny McBride, e dirigida por David Gordon Green, o mesmo de Segurando as Pontas? Pouca coisa, não?

Nesta comédia épica, um príncipe galã sai em uma missão para salvar sua noiva, sequestrada por um malvado feiticeiro, e leva o seu covarde irmão mais novo.

O filme é bobo. Mas, como falei no primeiro parágrafo, qualquer um que leia sobre o que se trata vai saber de antemão que vai ver um filme assim. Ou seja, se você gostar de piadas envolvendo sexo e palavrões, talvez se divirta. Não foi o meu caso, achei que rolou muita baixaria desnecessária. Sabe quando um humorista fraco coloca um palavrão no meio da frase só pra tentar tirar graça? Isso rola direto no filme – aliás, li que boa parte dos diálogos foi improvisada, deve ser por isso que tem tanto palavrão gratuito e fora de contexto.

O elenco nem é ruim. Além de McBride, temos James Franco, Zooey Deschanel, Justin Theroux, e uma inexplicável Natalie Portman, logo depois de ganhar o Oscar de melhor atriz por Cisne Negro. Às vezes não dá pra entender certas escolhas…

Enfim, Your Highness está longe de ser o pior filme do ano. Mas está ainda mais longe de ser um dos melhores.

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Transformers 3: O Lado Oculto da Lua

Crítica – Transformers 3: O Lado Oculto da Lua

Confesso que não sou fã da franquia Transformers – aliás, nunca achei graça no brinquedo, nem no desenho animado. Mas a crítica falou que este era melhor que o segundo, aí resolvi dar uma chance.

Neste terceiro filme, os Autobots descobrem que existe uma nave de Cybertron no lado escuro da Lua, e precisam pegar antes dos Decepticons.

Não há muito o que se falar aqui. Transformers 3 é tudo o que se espera de um filme dirigido pelo Michael Bay sobre carros-robôs: muita ação e pouco cérebro. E o resultado final fica devendo, assim como nos dois primeiros filmes…

Talvez o filme não fosse tão ruim se se preocupasse com alguns “pequenos” detalhes, como a duração – ninguém merece duas horas e quarenta minutos de uma história fraca.

Aliás, acho que a “história fraca” é pior que a “duração excessiva”. O roteiro tem tantas inconsistências que se heu fosse listar, não acabava hoje. Por exemplo: como é que um cara recém formado, cheio de contatos, que acabou de ganhar uma medalha do presidente, está desempregado?

Mas tem mais, muito mais. Toda a sequência onde Shia Labeouf conhece Frances McDormand no galpão é patética. Se a Frances McDormand fosse tão poderosa, o casal seria preso imediatamente. E aquele diálogo entre ela e o Sentinel Prime é completamente sem sentido.

Pra piorar, o filme é repleto de personagens secundários com alívios comicos sem graça: os dois robôzinhos, o John Turturro, o Ken Jeong (Se Beber Não Case)…

Mesmo assim, nem tudo se joga fora. Os efeitos especiais são de primeira linha. Algumas sequências são boas – gostei da parte do prédio “caindo”. Gostei também do esquema meio Forest Gump pra mostrar presidentes antigos no início do filme.

Sobre o elenco, o nome de Steven Spielberg na produção ajuda a trazer bons nomes para os papeis secundários – além dos já citados Turturro, McDormand, LaBeouf e Jeong, o filme ainda tem John Malkovich, Patrick Dempsey, Josh Duhamel e as vozes de Hugo Weaving e Leonard Nimoy em robôs. E ainda tem Rosie Huntington-Whiteley como a “bonitinha da vez” – como Megan Fox brigou com a produção, tinham que arranjar outra pra vaga dela. Rosie é tão bonita quanto, e tem uma característica parecida: lábios grossos – na minha humilde opinião, grossos demais…

Pra finalizar, preciso dizer que não entendi o nome original: “The Dark of The Moon” – que bom que não traduziram ao pé da letra, “O Escuro da Lua”…

The Rocky Horror Picture Show

Crítica – The Rocky Horror Picture Show

No fim de semana passado, tive a oportunidade de ver uma “sessão à carater” deste que é um dos mais cultuados filmes da história do cinema!

Primeiro falarei sobre o filme, depois sobre o que seria uma “sessão à carater”…

Quando o carro dos noivos Brad e Janet quebra, à noite, no meio de uma tempestade, o casal procura abrigo no castelo do Dr. Frank-N-Furter, um bizarro cientista louco travesti que está prestes a trazer ao mundo a sua nova criação: Rocky, um ser humano artificial.

É a versão para cinema da peça alternativa The Rocky Horror Show. E, analisando friamente, o filme não é bom. Na verdade, é muito trash! Sim, é muito cultuado, mas isso não o faz um filme melhor.

Nem tudo é ruim neste musical que mistura terror com comédia, com uma pitada de ficção científica ao fundo. As músicas de Richard O’Brien (que interpreta o corcunda Riff Raff) são muito boas, tenho o cd e ouço direto. A atmosfera bizarra do filme também é bem interessante. E Tim Curry, que estreava em longa-metragens, está ótimo na pele do andrógino Dr. Frank-N-Furter. E ainda tem a Susan Sarandon novinha…

O problema é que a história não faz o menor sentido! E além disso, o filme tem graves problemas de ritmo – a parte final é arrastada demais. Isso porque não falei das atuações e dos efeitos especiais, ambos muito toscos. Mas acho que isso era esperado num filme trash…

E por que o filme é tão cultuado?

Voltemos no tempo. Quando The Rocky Horror Picture Show foi lançado, em 1975, foi um retumbante fracasso nas bilheterias. O filme foi então estrategicamente colocado em sessões à meia-noite, visando plateias alternativas. E o filme foi “adotado” por um público que interagia com o filme.

Essa interatividade com a plateia ficou famosa entre o público de cinema underground. E, entra semana, sai semana; entra mês, sai mês; entra ano, sai ano, o filme continua nos cinemas – hoje The Rocky Horror Picture Show detém o verbete do Guiness de “filme em cartaz há mais tempo”. Já são 36 anos, e o filme continua com fôlego…

Lembro de uma vez, no então Cineclube Estação Botafogo – acho que foi em 1989 – onde, meio sem querer, fui parar numa dessas sessões interativas. Achei aquilo o máximo, mas nunca soube de outra sessão dessas, por isso, nunca tinha revisto. Até que, semana passada, soube que o recém reformado Cine Jóia estava planejando uma sessão, que aconteceu sábado passado – meia noite, claro!

O Jóia providenciou tudo o que o filme pede. Pessoas fantasiadas (com direito a explicações prévias feitas por um cosplay de Frankenfurter), e todo um “kit Rocky Horror” distribuído pra cada espectador (com arroz, confete, língua de sogra e um pedaço de jornal – acreditem, tudo faz sentido ao longo do filme!). E ainda levei um guarda-chuva!

O pequeno cinema (87 lugares) estava lotado, e ainda tinha um pessoal sentado no chão. E a sessão foi sensacional, todos no cinema estavam no clima, todos cantaram, gritaram e se divertiram! Parabéns ao Cine Jóia, que continue assim!

Só não sei se vale a pena ver o filme sem ser numa destas sessões. Tenho até o dvd, mas acho que ver o filme sozinho em casa deve ser sem graça. Mas, se você ouvir falar de uma sessão dessas perto da sua casa, não hesite e corra para o cinema!

p.s.: O poster aí em cima fala “a different set of jaws” – era uma citação ao Tubarão (Jaws, no original), da mesma época…

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Studio 54

Crítica – Studio 54

Vi Studio 54 no cinema, na época do lançamento, em 1998. Como atualmente toco numa banda de disco music (banda Boogie Nights), achei que era hora de rever o filme que retrata uma das boates mais famosas do mundo.

Um jovem de Nova Jersey que sonha com o glamour de Nova York consegue um emprego no famoso Studio 54, e começa a ter uma vida de excessos entre as maiores celebridades da época.

Escrito e dirigido por Mark Christopher (que não fez mais nada expressivo na carreira), o filme em si não é grandes coisas – Boogie Nights usa o mesmo pano de fundo e é muito mais filme. Mas pelo menos Studio 54 funciona bem na tarefa de retratar o momento da disco music. A ambientação é muito bem feita, presenciamos um clube que vivia entre transgressões, parece que tudo o que era proibido era bem vindo lá – desde sexo e drogas até uma cabra na pista de dança!

O elenco traz um Mike Myers surpreendente, num papel sério, interpretando Steve Rubell, o real dono do Studio 54, um homossexual sarcástico e mal-humorado – nada a ver com o tipo de filme que ele costuma fazer (Quanto Mais Idiota Melhor, Austin Powers, Shrek, Guru do Amor…). E ele está excelente! (Só me lembro dele num papel sério uma única outra vez, numa pequena participação em Bastardos Inglórios). O resto do elenco está ok, ninguém se destaca, ninguém atrapalha: Ryan Phillippe, Neve Campbell, Salma Hayek e Breckin Meyer.

Como disse lá em cima, Studio 54 não vai mudar a vida de ninguém. Mas me inspirou pra fazer um Top 10 de filmes ligados à disco music…

Meia Noite em Paris

Crítica – Meia Noite em Paris

Filme novo do Woody Allen!

Gil é um roteirista de relativo sucesso em Hollywood, mas quer largar essa vida, se mudar para Paris e escrever romances – decisão não apoiada por sua noiva. Apaixonado por Paris e pela década de 20, de repente Gil volta no tempo e passa a ter contato com personagens históricos, como Cole Porter, Ernest Hemingway, F Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dalí e Luis Buñuel, entre outros.

Tem gente por aí dizendo que este é o melhor Woody Allen em muito tempo, mas não sei se sou a pessoa certa para falar sobre isso, já que, sei lá por qual motivo, não vi nenhum dos filmes que ele fez entre 98 e 2007 (mas tô em dia desde Vicky Cristina Barcelona!). Pelo menos posso afirmar que é o melhor entre os quatro últimos.  As situações geradas pelos encontros de Gil com as figuras históricas são deliciosas! Não conheço ninguém que saiu do cinema sem se imaginar em outra época, acho que esse culto ao passado é algo natural do ser humano.

Paris foi uma escolha perfeita para o cenário de Meia Noite em Paris. Que outra cidade conjugaria um passado tão rico em cultura com cenários atuais que não precisam de muitas adaptações? É um filme de viagem no tempo sem efeitos especiais aparentes!

No elenco, Owen Wilson surpreende. Normalmente associado a comédias dirigidas a um público mais, digamos, hollywoodiano, ele está perfeito aqui como o alter-ego de Allen. Se heu não o conhecesse  de filmes como Uma Noite no Museu, Marley & Eu ou a série Bater ou Correr, diria que é um ator sério… Ainda no elenco, Rachel McAdams, Michael Sheen, Marion Cotillard, Kathy Bates e um Adrien Brody hilário como Salvador Dalí. E, para os fãs de quadrinhos: Tom Hiddleston, o Loki de Thor, interpreta F Scott Fitzgerald aqui.

Meia Noite em Paris é divertidíssimo, mas tem um problema: pra curtir melhor as piadas, tem que conhecer as figuras históricas. Digo isso porque fui um dos únicos no cinema a rir da genial piada com o Buñuel e seu Anjo Exterminador – provavelmente rolaram outras piadas que não entendi porque não conhecia os personagens…

Enfim, vá ao cinema. E depois se imagine na sua própria Belle Époque!

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