Jogo de Poder

Jogo de Poder

Responsável por várias operações secretas da CIA, a agente Valerie Plame (Naomi Watts) tem sua identidade revelada de propósito, em represália a um artigo escrito por seu marido (Sean Penn), criticando a invasão do Iraque pela administração Bush.

Dirigido por Doug Liman (Jumper, A Identidade Bourne), Jogo de Poder foi vendido como um thriller. O trailer era emocionante: Valerie Plame seria perseguida por reviravoltas em sua vida. Ok, essas reviravoltas realmente acontecem, mas o ritmo do filme é bem lento. A emoção foi deixada de lado…

O roteiro conta os fatos coretamente, mas tudo parece didático, documental. E fica tudo chato demais!

Pena, porque a história, baseada em fatos reais, é boa (a verdadeira Valerie Plame aparece durante os créditos) – é legal ver a administração Bush ser cutucada por causa das mentiras sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque. Além disso, o casal de protagonistas faz um excelente trabalho – Naomi Watts e Sean Penn, ambos em grande forma, mostram porque são dois dos maiores atores do cinema mundial.

Apesar de um pouco confuso, Jogo de Poder não é ruim. Mas, com um roteiro melhor, poderia ser mais interessante. Do jeito que ficou, é apenas um filme mediano. E meio chato…

Conspiração Xangai

Conspiração Xangai

Meses antes do ataque a Pearl Harbor, a cidade de Xangai vive sob a tensa sombra da ocupação japonesa, e é palco de traições entre espiões de diversas nacionalidades.

Trata-se do filme novo do diretor sueco Mikael Håfström, dos recentes O Ritual e 1408. Mas aqui não tem nada de terror, Conspiração Xangai parece aquelas super produções à moda antiga, com bom elenco e cenários grandiosos. Pena que a história é simples e previsível, apesar das reviravoltas no roteiro.

Achei curiosa a escolha de um diretor sueco. O elenco internacional se justifica, afinal, temos americanos, chineses, japoneses e até uma alemã, cada um com um personagem com a mesma nacionalidade – escolhas acertadas. Mas não entendi por que um diretor sueco. Pelo menos ele fez um bom trabalho.

Falando no elenco, todos estão bem: os americanos John Cusack, David Morse e Jeffrey Dean Morgan; os chineses Chow Yun-Fat e Gong Li; o japonês Ken Watanabe; e a alemã Franka Potente…

(Aliás, tenho uma dúvida sobre nomes chineses. Sempre li Chow Yun-Fat e Gong Li, mas aqui nos créditos está escrito Yun-Fat Chow e Li Gong – e não é a primeira vez que vejo assim. Afinal, qual é o certo?)

Conspiração Xangai é um filme correto, tudo funciona direitinho. Mas não espere muito, porque o resultado não é nada demais.

The Troll Hunter / Trolljegeren

The Troll Hunter / Trolljegeren

Uêba! Filme de terror norueguês! E dos bons!

Estudantes estão filmando um documentário sobre caça a ursos na Noruega, quando encontram um misterioso caçador, que na verdade caça trolls em vez de ursos.

Ok, na verdade, não existe nada de novo aqui, a fórmula é a mesma usada em vários exemplos recentes. O que diferencia The Troll Hunter de outros exemplos é que aqui tudo funciona perfeitamente, diferente, por exemplo de Cloverfield, outro filme-de-monstro-usando-câmera-subjetiva.

O filme é muito bem feito. Os atores fazem um bom trabalho na parte “documentário fake”, e a parte dos trolls tem excelentes efeitos especiais – os bichos parecem de verdade. E aparecem bem, alguns filmes nesse estilo, principalmente quando o orçamento é baixo, mostram poucos detalhes das criaturas – no bom filme Monstros, os bicharocos só aparecem no fim. E isso porque nem estou falando das belíssimas paisagens naturais norueguesas!

Gostei de ver uma mitologia diferente do óbvio usado em Hollywood – rola até um lance falando que trolls perseguem cristãos! Nada contra vampiros e zumbis, mas é legal ver algo novo! Mas talvez, por isso mesmo, exista um problema para a plateia “não nórdica”. Li no imdb que o filme tem muitos detalhes da mitologia escandinava dos trolls. Não tem nada essencial, que faça o espectador “leigo” ficar perdido. Mas acho que quem entende mais de trolls vai curtir mais o filme. Mais ou menos como se um cineasta brasileiro fizesse um bom filme de terror usando alguma lenda brasileira, tipo Saci, Curupira ou Boitatá – um gringo pode até curtir o filme, mas não tanto quanto alguém que lê sobre esses personagens desde a infância nos livros de Monteiro Lobato…

Vou guardar o nome do diretor André Øvredal. Mas tenho quase certeza que daqui a pouco vamos ler notícias sobre uma refilmagem hollywoodiana…

Não sei se The Troll Hunter vai ser lançado por aqui, filme norueguês, independente, sei lá, tem cara de só passar em festivais. Mas já existe pra download!

Ah, sim, fique até o fim dos créditos. Rola uma informação importante: “No trolls were harmed during the making of this movie” (“Nenhum troll foi machucado durante as filmagens”). 😀

Caça Às Bruxas

Caça Às Bruxas

Sabe quando a gente acaba de ver um filme e fica se perguntando qual o sentido de alguém fazer aquilo? É o caso aqui.

O guerreiro Behmen (Nicolas Cage) lutou nas Cruzadas por vários anos, até que, ao lado de seu velho amigo Felton (Ron Perlman), começou a questionar a Igreja e virou um desertor. Presos, eles recebem uma missão que pode deixá-los livres: levar uma suposta bruxa para um distante mosteiro.

O novo filme do diretor Dominic Sena (60 Segundos, Terror na Antártida) fica entre a ação e o terror. Mas tem problemas sérios: a ação é entediante e o terror não assusta. Aí fica difícil, né?

A boa sequência inicial até engana. Mas depois o filme vira chato e previsível. E aquela parte final, se era pra ser assustadora, falhou fragorosamente.

Pode piorar? Claro que sim! Os efeitos especiais são tão toscos que evidenciam a vocação trash do filme!

A carreira de Nicolas Cage é uma incógnita. O cara tem um Oscar (por Despedida em Las Vegas) e vários grandes filmes no currículo, como Coração Selvagem, Con Air, A Outra Face e Presságio, entre outros. E, mesmo tendo participado de um dos melhores filmes do ano passado (Kick-Ass), ele tem protagonizado filmes de qualidade duvidosa nos últimos anos, como Motoqueiro Fantsma e Perigo em Bagkok. Este Caça Às Bruxas é mais um para a coleção…

Se alguma coisa se salva é Ron Perlman, o Hellboy, fazendo um coadjuvante mais interessante que o personagem principal. Mas é pouco…

E aí, acaba o filme e a gente se pergunta duas coisas. Uma é: por que alguém faz um filme assim? A outra é: por que alguém assite um filme assim?

Dispensável…

Voltar a Morrer

Voltar a Morrer

Seguindo a recomendação do meu amigo Cleiton, da lista synth-br, baixei e revi Voltar a Morrer, de 1991, um dos melhores filmes de Kenneth Branagh.

Em 1949, o compositor Roman Strauss (Kenneth Branagh) é condenado à morte pelo assassinato de sua esposa Margaret (Emma Thompson). Quarenta anos depois, o detetive particular Mike Church (Branagh) é contratado para descobrir quem é Grace (Thompson), uma misteriosa mulher com amnésia que tem recorrentes pesadelos envolvendo tesouras e a morte de Margaret. Para ajudá-la, Church procura a ajuda através da hipnose – que pode trazer surpresas.

Vamos falar um pouco do diretor e ator principal Kenneth Branagh? Branagh dirigiu seu primeiro filme em 1989, uma adaptação de Shakespeare, Henrique V – ele ainda dirigiria e protagonizaria outros dois filmes baseados em Shakespeare, Muito Barulho Por Nada em 93 e Sonhos de uma Noite de Inverno, baseado em Hamlet, em 95. Mas era pouco conhecido fora da Inglaterra. Este filme foi um bom “cartão de visitas”. Hoje, Branagh está meio sumido, seu último filme como diretor foi em 2007. Mas ele está na direção do aguardado Thor, que estreia ainda este ano. Ou seja, em breve falaremos dele – mal ou bem…

(Pequeno parênteses: não acho que Branagh tenha o perfil para um “filme de super-heroi”. Mas não vou “cornetar” antes de ver o filme…)

O elenco de Voltar a Morrer é muito bom. Branagh e sua então esposa Emma Thompson fazem um bom trabalho, cada um com dois papeis. E o elenco ainda tem Andy Garcia, Derek Jacobi, Hanna Schygulla, Wayne Knight e uma ponta de Robin Williams, em um dos primeiros papeis sérios de sua carreira.

O roteiro é acima da média, consegue prender o espectador na cadeira, e traz interessantes viradas na trama, alternando o presente a cores e o passado em p&b. E não podemos deixar de citar a excelente trilha sonora, que pontua o filme de maneira brilhante.

Uma curiosidade: o disco conceitual “Scenes From A Memory”, de 1999, da banda de “metal progressivo” Dream Theater, foi inspirado neste filme. O álbum narra a história de Nicholas, que descobre vidas passadas ao fazer uma regressão, mas se contar mais aqui, vira spoiler…

Acho que Voltar a Morrer nunca foi lançado em dvd por aqui, se foi, foi mal lançado, nunca vi por aí. Por isso, mais uma vez, viva o download!

1972

1972

Sabe quando a gente nutre uma enorme simpatia por um projeto, mas mesmo assim, o resultado decepciona? É o caso aqui, neste filme lançado em 2006.

Rio de Janeiro, 1972. Snoopy (Rafael Rocha) e Júlia (Dandara Guerra) se conhecem e vivem uma turbulenta paixão, pontuada pelo amor que amboes têm por rock’n’roll e tendo a ditadura militar como pano de fundo.

Pra começar, sou fã dos anos 70. Olho com bons olhos qualquer filme ambientado nesta época. E tem mais: o filme foi co-escrito pela jornalista Ana Maria Bahiana, provavelmente a melhor jornalista brasileira sobre cinema – lembro que, anos atrás, ela tinha uma coluna semanal sobre Hollywood no Segundo Caderno d’O Globo, e heu colecionava a coluna!

Alguém que entende pra caramba de cinema, fazendo um filme sobre um assunto que me interessa, esse é daqueles que viro fã antes de ver o resultado… Pena que o tal resultado ficou muito aquém do que poderia…

É o filme de estreia do também jornalista José Emílio Rondeau, marido de Ana Maria e também autor do roteiro. Sem experiência na direção, ele chamou atores também novatos para os papeis principais. E aí ficou assim: diretor inexperiente trabalhando com atores inexperientes em cima de um roteiro também inexperiente…

Os atores são fracos, só alguns coadjuvantes se salvam no elenco (como Tony Tornado e Lúcio Mauro Filho), e alguns diálogos são tão constrangedores que dá vontade de desistir e assistir um filme melhor. Acho que a inexperiência falou mais alto…

Sobre o casal principal, o único comentário que faço é que Dandara Guerra é a cara da mãe, Cláudia Ohana. Mas, pelo menos por este filme, parece que ela não herdou o talento da mãe… Ainda no elenco, os novatos Bem Gil, Fábio Azevedo e Débora Lamm, apoiados pelos experientes Tony Tornado, Lúcio Mauro Filho, Louise Cardoso e Elizângela.

O roteiro ainda falha na recriação rasa da ambientação política da ditadura. Para isso, o filme O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, lançado no mesmo ano, funcionou muito melhor.

Em defesa do filme, podemos dizer que é uma simpática história de amor ambientada no Rio de Janeiro dos anos 70, com direito ao famoso pier de Ipanema. E a trilha sonora traz um monte de boas músicas nacionais da época. Mas é pouco, muito pouco. Infelizmente…

Doce Vingança / I Spit On Your Grave (2010)

Doce Vingança / I Spit On Your Grave (2010)

Como prometido, vamos ao texto da refilmagem de A Vingança de Jennifer (I Spit On Your Grave)!

A história é a mesma: Jennifer (Sarah Butler), uma jovem e bonita ecritora, aluga uma casa em um local isolado, para escrever um livro. Homens locais a cercam, a estupram e a espancam. Jennifer consegue sobreviver, e agora ela arquiteta uma vingança.

Doce Vingança é um dos raros casos onde a refilmagem é melhor que o original. Se A Vingança de Jennifer era um trash tosco, a nova versão é um tenso e violento – e bom – filme de vingança.

Doce Vingança é um filme desconfortável, afinal, rolam violentas cenas de estupro e humilhação. Isso não é pra qualquer estômago. Mas acho que um cara que vai ver um filme com esta sinopse, e ainda com o aviso “unrated” (não passou pela censura), sabe o que vai assistir, não?

O filme é bem violento, e mostra muita coisa, como era de se esperar. O gore aqui é bem mais abundante e explícito que na versão de 78. Aliás, o papo de “unrated” é proposital, os produtores preferiram não submeter à censura, porque fatalmente o filme sofreria severos cortes.

Sobre o elenco, Sarah Butler faz uma convincente Jennifer, mostrando fragilidade na primeira parte e ódio na segunda. Só tenho minhas dúvidas se uma mulher com tal porte seria capaz de executar aquilo tudo, voltarei a falar disso mais pro fim do texto. Os outros atores – ninguém conhecido – são muito melhores que os da primeira versão.

Vamos à comparação entre as duas versões. O filme novo tem atores melhores e personagens mais bem construídos. A primeira parte do roteiro é bem parecida, apesar de mais um personagem ter sido inserido na trama. A segunda parte – a vingança – é muito melhor aqui, Jennifer realmente elabora planos cruéis para seus algozes.

E, claro, tecnicamente, o novo filme é muito mais bem feito que o primeiro. Este não é tosco!

Só tem uma coisa que ficou ruim no novo filme: o intervalo entre o estupro e a vingança. No primeiro filme, não ficam dúvidas, Jennifer voltou para casa, se recompôs e planejou sua estratégia. Agora, ela some e volta, forte, de roupas limpas e cabelos arrumados, depois de ter passado um mês numa cabana comendo ratos? Isso sem contar que ela é pequena e magrinha, como ela consegui forças para carregar aqueles caras grandes para as suas armadilhas? Talvez fosse melhor se ela fosse uma atriz maior…

Enfim, Doce Vingança me surpreendeu, é melhor do que heu esperava. Só não é recomendado a qualquer um, por motivos óbvios…

A Vingança de Jennifer / I Spit On Your Grave (1978)

A Vingança de Jennifer / I Spit On Your Grave (1978)

Há tempos heu tinha curiosidade de ver este famoso e polêmico A Vingança de Jennifer (ou I Spit On Your Grave, como é mais conhecido). Quando descobri que já tinha uma refilmagem pronta, decidi que era hora de ver o original, antes de ver o novo.

Jennifer (Camile Keaton) é uma jovem e bonita escritora, que aluga uma casa em um local isolado, para escrever um livro. Mas ela acaba atraindo a atenção de alguns homens locais, que a estupram e a espancam. Jennifer sobrevive, e agora ela quer vingança.

O famoso crítico Roger Ebert uma vez declarou que I Spit On Your Grave era o pior filme da história. Exagero. O filme é trash, mas tem coisa bem pior por aí!

A produção é paupérrima. Os atores, amadores, só trabalharam neste filme (tirando a protagonista, a única do elenco com carreira de verdade). Tudo é tão simples que o filme não tem trilha sonora!

Mas, apesar de espartano, o filme é até bem cuidado. A edição não apresenta grandes falhas, e o roteiro, apesar de simples e previsível, não tem furos muito gritantes. E tem pelo menos um ponto positivo: a bela Camile Keaton, neta do comediante Buster Keaton, passa boa parte do filme sem roupa! 😉

Mas é claro que a gente não pode se esquecer que o filme é tosco. Tão tosco que o poster original mencionava cinco homens na vingança de Jennifer – e são só quatro no filme…

Uma das polêmicas envolvendo o filme é por causa da violência usada na vingança citada no título em português. Mas com relação a isso, o filme “envelheceu” – hoje em dia, em tempos de Jogos Mortais e Albergues, tem coisa muito pior mostrada nas telas. A famosa cena da castração não mostra nada!

Curiosidade sobre o título: o diretor Meir Zarchi preferia chamar seu filme de “Day of the Woman” (“Dia da Mulher”). Ele foi lançado com este nome em 1978, mas foi mal recebido pelo público. Um produtor planejou um relançamento em 1981 como I Spit On Your Grave, e então o filme ficou conhecido…

Já vi a refilmagem, se tudo der certo, amanhã comento aqui a comparação.

Burke And Hare

Burke And Hare

Quando heu soube de uma nova comédia de humor negro, dirigida por John Landis e estrelada por Simon Pegg e Andy Serkis, pensei “pára* tudo, preciso baixar este filme!”

Edimburgo, Escócia, início do sec 19. Os amigos William Burke (Simon Pegg) e William Hare (Andy Serkis) descobrem um  novo meio de ganhar dinheiro: vender cadáveres para a universidade de medicina. O problema é que nem sempre o cadáveres estavam mortos antes de encontrar a dupla…

Ok, mas… não devemos ver Burke And Hare com expectativas elevadas. O filme é divertido, mas não é nada demais…

Heu não sabia disso, só descobri depois: a história é real, Burke e Hare realmente existiram e mataram um monte de gente. Por isso esta história era difícil de ser contada: mostrar com humor dois assassinos reais!

O elenco está muito bom. Sou fã do Simon Pegg, desde Todo Mundo Quase Morto vejo tudo o que ele faz. Andy Serkis, mais conhecido como “o cara que estava debaixo do equipamento que fez a marcação digital do Gollum” na trilogia O Senhor dos Aneis, é um comediante de primeira linha, e tem uma ótima química com Pegg. E o elenco ainda traz Tim Curry, Tom Wilkinson, Isla Fisher, uma ponta de Christopher Lee, e a família do diretor Costa-Gavras posando para uma foto. E, como se não bastasse, Jenny Agutter e John Woodvine voltam a trabalhar com Landis quase 30 anos depois de Um Lobisomem Americano Em Londres. Quer ainda mais? Tem uma ponta de Ray Harryhausen, o maior nome da história dos efeitos especiais em stop motion.

John Landis é um grande diretor, com um grande currículo. Ele fez vários filmes clássicos, como Irmãos Cara de Pau e Um Lobisomem Americano Em Londres. Também fez algumas coisas desnecessárias, como Um Tira da Pesada 3… Este Burke And Hare, feito 12 anos depois de seu último filme para cinema (Susan’s Plan) não é um dos seus melhores, mas está longe dos seus piores.

Para os apreciadores de um bom humor negro!

* Sei que o “para” do verbo “parar” perdeu o acento. Mas “para tudo”, além de ser ambíguo, não tem a mesma força que “pára tudo!”
😉

Hair

Hair

Semana passada fui ver a montagem teatral carioca da peça Hair. Deu saudade do filme, aproveitei o fim de semana e revi o dvd que já tinha em casa há tempos.

A trama todo mundo conhece, né? Em 1968, convocado para servir na Guerra do Vietnã, o caipira Claude Hooper Bukowski vai para Nova York se apresentar ao exército. Lá, ele conhece a troupe de hippies liderada pelo carismático Berger e fica fascinado com o estilo de vida flower power.

Dirigido por Milos Forman, Hair é um filme obrigatório para aqueles que gostam dos anos 70 e também para os apreciadores de boa música.

Sem dúvida o melhor do filme é a trilha sonora de Galt MacDermot, com texto e letras de James Rado e Gerome Ragni. Lembro que heu ouvia muito o Lp duplo com a trilha, nos “bons tempos do vinil”… As músicas são muito boas, hoje não tenho mais como ouvir vinil, então baixei os mp3 e estou ouvindo direto desde então…

As músicas são todas boas, mas algumas coreografias às vezes parecem forçadas demais, algo excessivamente “Broadway”, não gostei dessas partes. Mas não sei como poderia ser resolvido, não entendo de musicais…

O filme foi dirigido por Milos Forman, autor de outras grandes obras – tanto musicais, como Amadeus e Na Época do Ragtime; como “não musicais”, como Um Estranho No Ninho e O Povo Contra Larry Flynt.

Sobre o elenco, é curioso notar que o os três principais, Treat Williams, John Savage e Beverly D’Angelo, seguiram carreira em Hollywood e se tornaram rostos conhecidos, mas os outros atores sumiram. (Williams fez Era Uma Vez na América; Savage esteve em O Franco Atirador; Beverly, na série Férias Frustradas).

Admito que o filme é um pouco longo, são duas horas, talvez algo pudesse ser enxugado. Mas o fim do filme é sensacional – tanto pela parte cinematográfica (a edição alternando entre os dois personagens trocados ficou muito boa) quanto pela parte musical (é impossível não entrar no coro de “Let the sunshine”!).

Enfim, o filme, lançado em 1979, baseado em uma peça de dez anos antes, ainda emociona hoje, em 2011!

p.s.Off Topic: Posso falar de uma peça de teatro num blog de cinema?
A peça é muito boa, mas tem um problema, na minha humilde opinião. Claude e Sheila funcionam melhor na trama se não forem hippies, e na peça são todos hippies. Assim, o fim não tem o mesmo impacto. (Detalhe que descobri na wikipedia: a peça original era assim, com todos na mesma “tribo hippie”, o filme é que mudou o roteiro).
Mesmo assim, um dos acertos da montagem teatral carioca é respeitar os arranjos originais das músicas. Todas as músicas estão lá, em português, mas com os mesmos bons arranjos. Não se mexe em time que está ganhando há décadas!