Oscar 2011

Oscar 2011

Ontem rolou o Oscar, e realmente, O Discurso do Rei confirmou o favoritismo. Ganhou só 4 estatuetas, mas foram 4 importantes: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor ator (Colin Firth) – os cinco prêmios mais importantes são considerados filme, diretor, roteiro, ator e atriz.

A Origem também ganhou 4 Oscars, mas foram 4 prêmios técnicos: efeitos especiais, fotografia, som e edição sonora. A Rede Social ganhou roteiro adaptado, trilha sonora e edição; O Vencedor ganhou ator coadjuvante (Christian Bale) e atriz coadjuvante (Melissa Leo); Toy Story 3 ganhou longa de animação e canção; Cisne Negro ganhou atriz (Natalie Portman); Alice no País das Maravilhas ganhou direção de arte e figurino; e O Lobisomem ganhou maquiagem.

O Discurso do Rei

O Discurso do Rei

Existem grandes filmes feitos a partir de histórias simples. E existem filmes simples, que são engrandecidos porque contam grandes histórias. O Discurso do Rei é um exemplo do segundo caso.

O Discurso do Rei conta a história real do homem gago que virou o Rei da Inglaterra e enfrentou a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. O Príncipe Albert (Colin Firth), gago desde a infância, era o segundo na linha de sucessão, mas seu irmão abdicou do trono para se casar com uma americana divorciada (na Inglaterra, o rei é também o líder da Igreja). Albert precisava então lutar contra a gagueira e contra a desconfiança dos outros (afinal, ele “ganhou” o trono), e se preparar para se tornar o rei George VI e liderar a Inglaterra através da guerra. E, contra a gagueira, usa os métodos pouco convencionais do fonoaudiólogo Lionel Logue (Geoffrey Rush).

A história é muito boa. Toda a indecisão de Albert sobre o trono e sobre a luta contra a gagueira é muito interessante. E os meios como Lionel Logue consegue convencer Albert a continuar o tratamento geram cenas muito legais.

O filme, dirigido pelo semi-desconhecido Tom Hooper, traz uma boa história, mas é um filme simples demais. Acho que 12 indicações ao Oscar foi um certo exagero…

Se o filme não merece as 12 indicações, algumas são bem-vindas, como os dois atores principais, Colin Firth e Geoffrey Rush. Ambos estão excelentes. Helena Bonham Carter também foi indicada, mas achei um dos exageros… Ainda no elenco, Michael Gambon, Guy Pearce, Derek Jacobi e um impressionante Timothy Spall interpretando Winston Churchill!

(Pequeno parênteses pra continuar o assunto de idades dos atores, que citei ontem, ao falar sobre as idades de Mark Wahlberg e Christian Bale e seus personagens em O Vencedor – por que usar Guy Pearce, um ator 7 anos mais novo que Colin Firth, pra fazer seu irmão mais velho?)

Hoje à noite rola o Oscar. Pela quantidade de indicações, são grandes as chances de vários prêmios para O Discurso do Rei. Veremos. Achei um bom filme, mas, na minha humilde opinião, tem opções melhores entre os dez indicados.

p.s.: ATUALIZAÇÃO – 28 / 02

Ontem rolou o Oscar, e realmente, O Discurso do Rei confirmou o favoritismo. Ganhou só 4 estatuetas, mas foram 4 importantes: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor ator (Colin Firth) – os cinco prêmios mais importantes são considerados filme, diretor, roteiro, ator e atriz.

A Origem também ganhou 4 Oscars, mas foram 4 prêmios técnicos: efeitos especiais, fotografia, som e edição sonora. A Rede Social ganhou roteiro adaptado, trilha sonora e edição; O Vencedor ganhou ator coadjuvante (Christian Bale) e atriz coadjuvante (Melissa Leo); Toy Story 3 ganhou longa de animação e canção; Cisne Negro ganhou atriz (Natalie Portman); Alice no País das Maravilhas ganhou direção de arte e figurino; e O Lobisomem ganhou maquiagem.

O Vencedor

O Vencedor

Mais um filme usando boxe como pano de fundo para contar um drama de superação. Parece que o cinema gosta mais de alguns esportes do que de outros…

O Vencedor mostra o início da carreira do boxeador Micky Ward (Mark Wahlberg), que é ao mesmo tempo apoiado e derrubado por sua possessiva mãe e por seu problemático irmão Dicky Eklund (Christian Bale), um ex-boxeador com algum sucesso no passado, mas envolvido com drogas e criminalidade no presente.

A narrativa de O Vencedor é bem convencional, o filme dirigido por David O. Russell em si não tem nada demais. O que chama a atenção aqui é a atuação de Christian Bale, com boas chances de levar o Oscar de melhor ator coadjuvante amanhã.

Bale está impressionante. Magérrimo, ele convence como o boxeador com algum sucesso no currículo, mas que perdeu a guerra para o crack. Nem parece o fraco protagonista de Exterminador do Futuro : A Salvação, onde ele é “engolido” pelos coadjuvantes…

É curioso notar que Bale concorre a coadjuvante, porque o protagonista de O Vencedor é Mark Wahlberg. Wahlberg é aquilo que a gente já conhece: um ator limitado, mas que funciona bem quando o roteiro ajuda – como aconteceu em Boogie Nights e Rock Star.

Dicky, personagem de Bale, é mais interessante que Micky, personagem de Wahlberg. Mas achei acertada a decisão do roteiro de focar o filme no irmão mais novo. Tenho minhas dúvidas se a história funcionaria tão bem se Dicky fosse o protagonista, ele precisava estar sob a sombra do próprio passado e da ascenção do irmão. Ele está tão mal que acha que a HBO está fazendo um documentário sobre o seu passado glorioso, não repara que o foco real do documentário é a sua atual decadência e seu envolvimento com as drogas.

O bom elenco ainda traz dois destaques femininos: Amy Adams e Melissa Leo. Mas traz um defeito comum em Hollywood: atores com idades incompatíveis com os seus personagens. Se entendi bem, Dicky é 9 anos mais velho que Micky. Ora, por que usar um ator de 39 anos pra fazer o caçula, e um de 36 para ser o seu irmão 9 anos mais velho? E Melissa Leo – a mãe – é apenas 11 anos mais velha que Wahlberg. Na verdade, isso nem atrapalha a fluência do filme, mas acho que seria mais interessante usar um ator mais novo para interpretar Micky. Porque, na tela, Dicky não parece ser mais velho que Micky…

Voltando ao filme… Como falei, a estrutura é bem convencional. Na maior parte do filme, a câmera segue o estilo de documentários. E, sobre as cenas de luta, não espere um novo Touro Indomável. O Vencedor não mostra nada demais, nada de novidades estilísticas.

O resultado final é satisfatório: um filme simples e eficiente. E a atuação de Christian Bale vale o ingresso.

O Pagamento Final

O Pagamento Final

Outro dia, numa comunidade do orkut, me sugeriram um texto sobre este O Pagamento Final, clássico mais ou menos recente (de 1993) de Brian De Palma. Heu já tinha o dvd em casa, e estava esperando uma desculpa pra rever o filme…

Carlito Brigante, um ex-traficante portorriquenho que acabou de sair da prisão, briga para ficar longe das drogas e da violência, enquanto todos por perto parece que querem trazê-lo de volta ao submundo do crime.

O Pagamento Final (Carlito’s Way, no original) é uma aula de cinema. O diretor Brian De Palma estava inspirado, são várias as sequências antológicas, onde ele exibe uma exímia técnica com a câmera na mão. Fica até difícil escolher um trecho favorito – heu citaria como exemplo dessa habilidade técnica toda a sequência da estação de trem.

De Palma já tinha mostrado esse cuidado no visual das suas produções nos anos anteriores, em filmes como Vestida Para Matar (1980), Um Tiro na Noite (81), Dublê de Corpo (84) ou Os Intocáveis (87). Nos anos 90 ele fez menos filmes memoráveis, mas acho que ainda podemos citar Síndrome de Caim (92) e Missão Impossível (96) como bons exemplos.

Aqui ele abusa. A câmera passeia pelos atores em longos planos-sequência ao longo de todo o filme, e vários ângulos inusitados são usados. E isso porque nem estou falando da bem cuidada reconstituição de época, nem da excelente trilha sonora, repleta de clássicos da era da discoteca.

O elenco é liderado por um também inspirado Al Pacino, que convence como o ex-traficante arrependido. Sean Penn, com visual diferente, de cabelos enrolados, também está ótimo, e Penelope Ann Miller nunca esteve tão bonita. O elenco ainda traz Luiz Guzman e John Leguizamo. Tem mais: hoje Viggo Mortensen é uma estrela; nessa época, ele ainda era coadjuvante – ele é Lalin, o paraplégico.

De Palma anda meio sumido – seu último filme foi Redacted, de 2007, nunca lançado por aqui. O Pagamento Final não foi seu último filme memorável, ele ainda fez Femme Fatale em 2002, outro filme que é uma aula de cinema. Nós, fãs de cinema, esperamos que ele volte aos bons tempos, com vários filmaços por década!

A Loja Mágica de Brinquedos

A Loja Mágica de Brinquedos

O sr. Magorium (Dustin Hoffman) é um estranho senhor de 243 anos de idade, dono de uma loja de brinquedos onde tudo ganha vida. Um dia, ele diz que seu tempo acabou, e resolve passar a loja para a sua jovem gerente Molly Mahoney (Natalie Portman). Mas parece que nem a loja nem seus brinquedos querem se despedir do sr. Magorium…

A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium’s Wonder Emporium, no original) é um filme simpático. Mas não passa disso, é tudo muito clichê, muito previsível.

Claro que o objetivo do diretor e roteirista Zach Helm não era focar no clichê, e sim criar uma fábula. Se a gente olhar por este ângulo, A Loja Mágica de Brinquedos é um bonito filme, uma fantasia que lembra os filmes clássicos da Disney.

O elenco também está simpático. Dustin Hoffman usa seu grande carisma para criar um Magorium que nunca cai na caricatura, o que seria fácil pela natureza do personagem. Natalie Portman, Jason Bateman e o menino Zach Mills fazem os principais coadjuvantes.

A Loja Mágica de Brinquedos é daquele tipo de filme que não ia ter a mesma magia sem bons efeitos especiais. E os efeitos são excelentes, ninguém ficará decepcionado com os muitos detalhes animados da loja.

Pena que é tudo muito previsível. A gente antevê cada passo do roteiro bem antes de acontecer. O resultado final é fraco, a fábula ficou devendo…

Top 10: Filmes de Vampiro

Top 10: Filmes de Vampiro

Há tempos que penso em montar um Top 10 de filmes de vampiro. Afinal, o primeiro Top 10 daqui do blog foi de zumbis, e, até hoje, é um dos posts mais visitados. E, recentemente, fiz um Top 10 de lobisomens. Faltava o de vampiros…

Mas rolava uma preguiça… Se não temos tantas boas opções de filmes de zumbi e de lobisomem, isso não acontece com vampiros. São muitos! O tema “vampiro” sempre foi muito popular no cinema, e as opções são tantas que montar o top 10 ideal é um trabalho difícil. A vantagem é que, se tem muitas opções, também são muitos os títulos fracos…

Bem, não tenho medo de trabalhos difíceis. Vamos aos filmes então?

Lembrando, sempre, dos outros vários Top 10 já feitos aqui no blog: filmes de zumbi, filmes com nomes esquisitos, filmes sem sentido, personagens nerds, estilos dos anos 80, melhores vômitos, melhores cenas depois dos créditos, melhores finais surpreendentes, melhores cenas de massacre, filmes dos ano 80 e 90 nunca lançados em dvd no Brasil, estilos de filmes ruins, casais que não convencem, musicais para quem não curte musicais, melhores frases de filmes, melhores momentos de Lost, maiores mistérios de Lost, piores sequencias, melhores filmes de rock, melhores filmes de sonhos, melhores filmes com baratas, filmes com elencos legais, melhores ruivas, melhores filmes baseados em HP Lovecraft, filmes que vi em festivais e mais ninguém ouviu falar, Atores Parecidos, Atrizes Parecidas, filmes de lobisomem, melhores trilogias, filmes de natal, melhores filmes de 2010, coisas que detesto nos dvds e melhores filmes da década de 00 Visitem!

Vamos aos caninos pontudos!

10- Deixe Ela Entrar (2008)

Filme sueco de “vampiro teen”, onde um humano e um vampiro se aproximam. Ritmo lento, muito silêncio, poucos efeitos especiais. É quase um drama em vez de um filme de terror. Foi refilmado por Hollywood, mas a versão original é melhor, como quase sempre.

http://blogdoheu.wordpress.com/2009/03/22/deixe-ela-entrar-let-the-right-one-in/

9- Nosferatu – O Vampiro da Noite (1979)

Respeito a versão clássica de 1922, mas gosto mais da versão de 1979, dirigida por Werner Herzog. Klaus Kinski faz um dos mais assustadores vampiros da história do cinema, e, de quebra, sua vítima é uma Isabelle Adjani no auge da beleza, com 24 anos!

8- Vampiros de John Carpenter (1998)

Ninguém melhor que John Carpenter pra dirigir este meio terror, meio faroeste, num argumento com cara de trash: James Woods lidera um grupo de caçadores de vampiros contratados pelo Vaticano para encontrar um crucifixo que permitiria os vampiros andarem na luz do dia.

7- Blade II – O Caçador de Vampiros (2002)

O primeiro Blade, sobre um híbrido, meio humano meio vampiro, é um filme legal, mas nada de extraordinário. Aí o genial Guillermo Del Toro assumiu a direção da continuação, e nos presenteou com um filme de vampiros acima da média!

6- Os Garotos Perdidos (1987)

Houve uma época em que Joel Schumacher fazia filmes bons! Este Os Garotos Perdidos tem tudo no lugar certinho: um elenco afiado liderado por Kiefer Sutherland e Jason Patric, um roteiro redondinho, o alívio cômico perfeito nos irmãos Frog e um irresistível visual oitentista.

5- A Hora do Espanto (1985)

Uma perfeita fusão entre terror e comédia, um dos mais divertidos filmes da década de 80. Um garoto descobre que seu vizinho é um vampiro, e tenta ajuda de um apresentador de tv para desmascará-lo. Existe uma refilmagem prevista para estrear este ano, com Colin Farrell e Anton Yelchin.

http://blogdoheu.wordpress.com/2009/04/13/a-hora-do-espanto/

4- Quando Chega a Escuridão (1987)

Antes de virar diretora “séria” e ganhar o Oscar (por Guerra Ao Terror), Kathryn Bigelow fazia filmes “divertidos”. Nunca lançado em dvd aqui no Brasil, Quando Chega a Escuridão inova ao não mencionar a palavra “vampiro” nenhuma vez ao longo do filme.

3- Um Drink no Inferno (1996)

Roteiro de Quentin Tarantino e direção de Robert Rodriguez em um dos melhores filmes dos anos 90, e uma das mais sensacionais viradas de roteiro da história do cinema. Diálogos inteligentes, situações imprevisíveis e muito humor negro.

2- Entrevista com o Vampiro (1994)

Muitos duvidavam que Tom Cruise fosse capaz de interpretar o vampiro Lestat da escritora Anne Rice. Cruise convenceu, fazendo aqui a melhor interpretação de sua carreira, ao lado de um elenco que trazia Brad Pitt, Antonio Banderas, Christian Slater e uma jovem Kirsten Dunst com apenas 12 anos.

1- Drácula de Bram Stoker (1992)

Francis Ford Coppola é sempre lembrado por clássicos como Apocalypse Now e a trilogia O Poderoso Chefão. Mas ele teve pelo menos um grande filme nos anos 90, esta adaptação da obra de Bram Stoker. Gary Oldman está perfeito como o conde Vlad Dracula.

P.s.: O filme Crepúsculo é fraco, não tem vaga numa lista de melhores filmes de vampiro. Mas o “fenômeno Crepúsculo” é algo que merece ser citado. Afinal, várias menininhas adolescentes passaram a curtir filmes de vampiro por causa dos livros e filmes Crepúsculo. Pelo menos algo de positivo esse filme trouxe!

Em breve: Top 10 de melhores diabos!

O Turista

O Turista

Depois de ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro por A Vida Dos Outros, o diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck foi convidado para ir para Hollywood para refilmar Anthony Zimmer – A Caçada. A ideia parecia boa, já que o elenco contava com o star power de Angelina Jolie e Johnny Depp e as belas locações de Veneza.

Sim, a ideia era promissora. Mas não funcionou…

Elise (Angelina Jolie) é amante de Alexander Pearce, um misterioso homem procurado pela polícia e por mafiosos russos. Em um trem para Veneza, ela encontra um turista americano, Frank (Johnny Depp), e resolve usá-lo como isca para enganar tanto a polícia quanto os mafiosos.

Não sei exatamente qual foi o problema, mas O Turista não engrena. Talvez tenha sido a indecisão do diretor von Donnersmarck ao escolher o estilo do filme – às vezes parece policial, mas um policial devagar demais (perseguições em lanchas lentas?); às vezes parece comédia (Johnny Depp insiste em falar espanhol em plena Itália). Talvez tenha sido a previsível e ridícula virada de roteiro bem ao fim do filme.

Aliás, preciso falar dessa virada de roteiro, mas, antes, os tradicionais avisos de spoiler:

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

No fim do filme descobrimos que na verdade Frank é Alexander Pearce. E aí, acaba o filme e começamos a pensar em várias situações ao longo do roteiro onde isso não teria lógica. Caramba, e se Elise não se sentasse perto dele no trem? E, seguindo essa linha, descobrimos inúmeros “e se”…

FIM DOS SPOILERS

No elenco, além de Jolie e Depp, temos Paul Bettany, Timothy Dalton e Rufus Sewell. As atuações foram alvo de piada de Ricky Gervais na entrega do Globo de Ouro – ele falou que, num mercado cheio de filmes em 3D, O Turista trazia atuações em 2D. Mas não achei nada tão comprometedor assim. se o filme é fraco, não é culpa do elenco, os atores nos apresentam o esperado.

Enfim, tem coisa melhor no circuito…

Ladrões

Ladrões

Um sofisticado grupo de ladrões tem poucos dias para planejar um roubo que pode render milhões de dólares. Ao mesmo tempo, um obcecado policial descobre pistas que o aproximam dos bandidos.

Ladrões (Takers, no original) é um competente filme de ação. Ok, não rola nada de original na tela. Mas pelo menos é um feijão com arroz bem temperado.

As cenas de ação, se parecem copiadas de outros filmes, pelo menos são bem feitas. Gostei de momentos como a cena do roubo ao carro forte, ou a perseguição a Jesse – parece que o cantor Chris Brown quer se firmar como um astro de ação.

Sobre o elenco, nenhuma grande atuação, como era de se esperar, mas ninguém atrapalha. Matt Dillon, Idris Elba e Paul Walker, bons atores (apesar de nada excepcional em seus currículos), rendem o esperado. Hayden Christensen mostra o que os fãs de Star Wars já sabiam: atuação não é o seu forte, mas ele pode funcionar, se for coadjuvante. Chris Brown e T.I. são estrelas da música pop, e aqui tentam atuar – Brown acerta um pouco mais do que T.I., exagerado demais, o ponto mais fraco do elenco. Por fim, achei desperdício escalar um nome forte como Zoe Saldana para um papel minúsculo – tudo bem que era o principal papel feminino, mas mesmo assim, a atriz de Star Trek e Avatar merecia mais tempo de tela.

Os mais mal-humorados vão reclamar, dizendo que o roteiro é cheio de clichês, que os personagens são rasos, e que várias situações são inconsistentes. É tudo verdade. Assim como é verdade que Ladrões é uma boa diversão sem a pretensão de ser um clássico do cinema de ação, apenas uma honesta maneira de se gastar uma hora e quarenta e sete minutos.

Bravura Indomita

Bravura Indômita

E, mais uma vez, o novo filme dos irmãos Coen está badalado para ganhar vários prêmios no Oscar, como aconteceu com Onde os Fracos Não Têm Vez, que ganhou quatro estatuetas em 2008 (filme, direção, roteiro e ator coadjuvante).

Com apenas 14 anos de idade, a adolescente Mattie Ross está determinada a encontrar o bandido Tom Chaney, assassino de seu pai, e vingar a sua morte. Para tal, contrata um xerife durão, o velho e beberrão Reuben J. “Rooster” Cogburn, e o acompanha numa caçada no meio das terras indígenas. O Texas Ranger LaBoeuf acaba se juntando aos dois, formando um improvável trio.

Admito que não sou muito fã de westerns, mas reconheço que Bravura Indômita é muito bom.Infinitas vezes melhor que o decepcionante Um Homem Sério, o penúltimo filme dos irmãos Coen. Está concorrendo a 10 Oscars. Se vai ganhar, não sei. Mas se levar alguns prêmios pra casa, não será injusto.

É uma refilmagem, mas não é. Explico. Essa mesma história foi filmada em 1969, com John Wayne no papel de Rooster Cogburn. Mas esta nova versão não se baseia no filme antigo, e sim no livro de Charles Portis. Ou seja, é um novo roteiro, não é exatamente uma refilmagem…

O roteiro é dos irmãos Coen, mas não parece muito. Senti falta de situações e personagens esquisitos. Bem, tem alguns, como a hilária cena do cara vestido de urso; ou Harold, o bandido que imita animais. Mas, para os criadores do Grande Lebowski, achei pouco!

Falando em Lebowski, Jeff Bridges está ótimo, como sempre. Mas o filme é da pequena Hailee Steinfeld. Com apenas 14 anos, ela mostra firmeza nos diálogos bem escritos pela dupla de irmãos, e se destaca em um filme contracenando com veteranos como Bridges e Matt Damon. E não sei por que o nome do Josh Brolin tem destaque – seu personagem é importante, mas sua aparição na tela é bem pequena.

Precisamos ainda citar o bom trabalho de Roger Deakins na fotografia, usando belíssimos planos de paisagens de faroestes; além da bem colocada trilha sonora de Carter Burwell.

Na minha humilde opinião, Bravura Indômita não é um dos melhores da excelente filmografia dos irmãos Coen – talvez seja pelo fato já citado que não gosto muito de westerns. Mas, indubitavelmente, trata-se de um grande filme!

O Invasor

O Invasor

Por motivos diversos, não tenho acompanhado a carreira do diretor Beto Brant. Mas admito que gosto muito dos seus três primeiros filmes: Os Matadores (1998), Ação Entre Amigos (1999) e este O Invasor (2002).

Ivan (Marco Ricca) e Gilberto (Alexandre Borges) são sócios de uma construtora. Os negócios vão bem, mas existem atritos com Estevão, o sócio majoritário. Ivan e Gilberto decidem então contratar o matador de aluguel Anísio (Paulo Miklos) para assassinar Estevão e assim assumirem a construtora. Entretanto, Anísio tem seus próprios planos de ascensão social e resolve se intrometer na construtora e nas vidas de Ivan e Gilberto.

O grande trunfo de O Invasor é a atuação de Paulo Miklos, membro da banda paulista Titãs. Miklos faz um Anisio sensacional. Fiquei curioso em saber mais sobre a carreira do Miklos ator (porque o Miklos músico heu já conhecia). Pouco depois, ele fez um pequeno papel em uma minissérie da HBO e outro em uma novela – e vi que era o mesmo Anisio! Descobri que Miklos não é exatamente um bom ator, ele é um bom personagem…

Mas o elenco não tem só Miklos. Marco Ricca e Alexandre Borges estão bem, assim como Malu Mader e Mariana Ximenes, que ainda nos brindam com cenas sensuais.

A câmera é nervosa, o filme traz longos planos com a câmera na mão, seguindo os atores. Muitas imagens têm pouca iluminação, trazendo uma interessante fotografia granulada. A trilha sonora pouco convencional também funciona bem nos momentos certos.

O roteiro não é perfeito. Por exemlo, achei estranho mostrar que Ivan é casado, para depois mostrar seu envolvimento com a personagem de Malu Mader, sem explicar o que aconteceu ao casal. E o fim do filme traz uma reviravolta, na minha humilde opinião, desnecessária. Parece que Brant não sabia como terminar seu filme. Particularmente, não gostei do fim, mas nada que estrague o conjunto de um dos melhores filmes nacionais da década passada.