Um Louco Apaixonado

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Um Louco Apaixonado

Gosto muito de comédias românticas. Na época que heu trabalhava em locadora de vídeo, era o meu estilo preferido pra recomendar quando um cara chegava pedindo sugestão pra ver com a patroa, pra ela não reclamar dos filmes de ação que ele ia levar de qualquer maneira…

O problema das comédias românticas é a mesma coisa que agrada o povo das locadoras: quase sempre se trata de algo previsível. Claro, porque se a fórmula é seguida da maneira certa, “depois de algum sofrimento causado pela separação, o mocinho finalmente se acerta com a mocinha e todos vivem felizes para sempre”. Aí todo mundo pode dormir feliz!

Bem, apesar dos clichês, continuo gostando de comédias românticas. E hoje vou falar de mais uma, How To Lose Friends & Alienate People, que estreou nos cinemas daqui semana passada com o esquisito título Um Louco Apaixonado.

Sidney Young é um jornalista inglês contratado por uma revista novaiorquina sobre celebridades. Chegando em Nova York ele tem que se decidir sobre continuar a ser o mesmo de sempre ou “se vender ao sistema”.

O filme é baseado no livro “How To Lose Friends & Alienate People” , de Toby Young. E o título original é muito melhor: “Como perder amigos e alienar pessoas” é quase uma sinopse do filme!

Um dos méritos do filme é o elenco: Sidney Young é interpretado por Simon Pegg, o protagonista de Todo Mundo Quase Morto (Shaun of The Dead”) e Chumbo Grosso, e em breve estará nas telas como o Scotty do novo Star Trek!). Também temos as belas Kirsten Dunst e Megan Fox, e ainda Gillian Anderson, livre do ar de Arquivo X. E, claro, o “Lebowski” Jeff Bridges…

(Aliás, existem algumas citações pros fãs de O Grande Lebowski. Não só o drink white russian é citado algumas vezes, como primeiro Young confunde o nome de seu chefe e o chama de Lebowski em vez de Kowalski; e depois o chama de “Dude”, ao que Bridges responde “I’m not the dude!”.)

Infelizmente o filme resolve investir mais nos clichês do que na crítica ácida ao culto dedicado às celebridades. É um filme divertido e só, enquanto poderia ir bem mais longe…

Jumper

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Jumper

David Rice é um garoto de 15 anos que de repente descobre que é um “jumper”: ele consegue se teletransportar pra onde quiser em uma fração de segundos. Assim, ele resolve viver viajando incognitamente pelo mundo, e  quando precisa de dinheiro, rouba bancos. Até que descobre que ele não é o único com esse poder, e que existem pessoas chamadas “paladinos”, cuja profissão é matar “jumpers”.

A idéia é interessante, dava pra se construir uma boa história, algo como Highlander ou X-Men, onde pessoas com habilidades diferentes têm que viver no meio da nossa sociedade.

Mas… Acho que não deu muito certo…

Os efeitos especiais são bem legais. Os cenários são fantásticos, incluem pontos turísticos como o Coliseu e as pirâmides. Mas, por outro lado, o roteiro… Cadê o roteiro? O roteiro deixa a desejar…

É uma boa idéia. Descobrimos que “jumpers” estão entre nós desde a idade média. Legal, poderíamos conhecer um pouco mais da história deles, não? Não, se existia essa idéia, vai ficar pra continuação.

Temos outro “jumper” na história. Mas ele parece indeciso: no início ele quer se aproximar de David; mas quando consegue, quer que David pare de seguí-lo…

Ah, sim, precisamos falar do elenco. David é interpretado por Hayden Christensen, ele mesmo, o Anakin Skywalker dos episódios II e III de “Star Wars”. Que, como ator, já sabemos que não é lá grandes coisas. E o elenco tem o grande Samuel L Jackson! Bem, esse aí é um cara que consegue fazer um monte de filmes legais e um monte de bombas ao mesmo tempo… Não estou falando só do recente The Spirit – lembrem que ele estava no Serpentes a Bordo e nos dois Triplo X (o primeiro ainda é legal, mas o segundo é ruinzinho…).

O elenco ainda conta com Rachel Bilson, Jamie Bell, Michael Rooker e uma sub-aproveitada Diane Lane, o que nos faz acreditar numa continuação…

Se o filme é ruim? Não, não é. Mas tampouco é bom… Fica aquela sensação de que, nas mãos certas, poderia ter rendido bem mais…

O Justiceiro – Zona de Guerra

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O Justiceiro – Zona de Guerra

Mais um filme baseado em quadrinhos…

Sabe aquela lista “Chuck Norris Facts“, que rolou pela internet? Tipo, “antes do bicho papão dormir, ele checa o armário pra ver se o Chuck Norris tá lá”? Pois é, O Justiceiro é mais ou menos isso…

O Justiceiro é Frank Castle, um ex-policial que teve a família assassinada por bandidos. E depois disso resolveu sair por aí matando TODOS os marginais que encontra pela frente. Tipo assim, seguindo a linha “Dirty Harry encontra Jack Bauer”.

Esta já é a terceira adaptação cinematográfica para os quadrinhos do Justiceiro. A primeira, ainda nos anos 80, conta com Dolph Lundgren no papel principal. Sim, aquele nórdico que ficou famoso ao fazer Ivan Drago, o vilão soviético de Rocky IV, e em seguida fez um He-Man que os fãs querem esquecer. Não vi esta versão, mas sei que tem fama de ser uma das piores adaptações de quadrinhos para o cinema da história. Acho que não ganha, afinal, tem que concorrer com o Quarteto Fantástico do Roger Corman e com a Mulher Gato da Halle Berry. Mas tá lá, na briga…

Esse filme foi ignorado, e em 2004 fizeram uma nova versão, com um Thomas Jane “bombado”. Esta versão ficou legal, mas os fãs mais radicais reclamaram, porque o Justiceiro é mais violento do que o que foi mostrado.

Aí veio este terceiro filme com um terceiro ator. A princípio não gostei da troca, porque acho que o Thomas Jane mandou bem no anterior. Mas tenho que reconhecer que Ray Stevenson, o Titus Pullo da série Roma, está ótimo pro que o papel pede: um cara sério, grande e com cara de mau. E o filme pode ser considerado uma continuação, e não uma refilmagem.

Outra coisa legal no filme é o vilão Jigsaw (nas legendas foi traduzido como Retalho), interpretado por Dominic West, o guitarrista da banda Steel Dragon de Rock Star.

Ok, às vezes algumas situações do filme ficam um pouco forçadas, como por exemplo a saída de Jigsaw da cadeia. Mas  não adianta alguém vir falar que o filme é exagerado, porque é claro que é exagerado! O Justiceiro parece aqueles mocinhos de faroeste antigo, que acerta vários tiros ao mesmo tempo sem levar nenhum!

Ou seja, se você gosta de explosões, sangue e mortes, muitas mortes, e não dá muita bola pra coisas inverossímeis, divirta-se!

Quase Famosos

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Quase Famosos

Outro dia falei aqui do filme Rock Star, que mostra os bastidores de uma banda de rock dos anos 80 através de um personagem mais novo, no caso, um cantor de uma banda cover. Quase Famosos é parecido: conhecemos os bastidores de uma banda de rock, só que desta vez dos anos 70; através de um outro personagem mais novo ainda, um adolescente que se passa por repórter da revista Rolling Stone.

Mas esse filme não é uma cópia, longe disso! Arrisco dizer que esse é ainda melhor que Rock Star!

O filme foi baseado na experiência do próprio diretor Cameron Crowe, que escreveu para a mesma Rolling Stone quando ainda era novo – acredito que não tão novo quanto William Miller, o garoto que mata aulas na escola pra acompanhar a Stillwater, uma banda em ascenção que está prestes a virar matéria de capa da revista.

E o jovem William Miller e sua saga nos deram um dos melhores filmes da história do rock’n’roll!

Esse filme é delicioso. Tudo funciona direitinho. O elenco é perfeito, liderado pelo quase desconhecido Patrick Fugit, e com nomes como Kate Hudson, Billy Crudup, Jason Lee, Anna Paquin, Frances McDormand e Philipp Seymour Hoffman. A trilha sonora tem muitas músicas boas de muitos artistas dos anos 70, como Led Zeppelin, The Who, Elton John, Black Sabbath, Yes, Lynyrd Skynyrd, Beach Boys, etc. E a banda Stillwater passa a impressão de que realmente estava lá!

A banda “fake” Stillwater merece um parágrafo… Eles realmente ensaiaram 4 horas por dia, 5 dias por semana, durante 6 semanas! As músicas interpretadas pela banda foram compostas pelo diretor Cameron Crowe, sua esposa Nancy Wilson (ex vocalista do Heart) e “um tal de” Peter Frampton. Frampton, inclusive, ensinou a Billy Crudup a postura de palco de um verdadeiro guitarrista (quem diria, o peladão azul de Watchmen toca guitarra!). E o nosso vocalista Jason Lee copia o estilo de Paul Rodgers, aquele mesmo que está hoje no Queen.

O resultado? Como poucas vezes na história de Hollywood, a banda parece realmente uma banda na tela… Temos até a briga de egos da dupla vocalista / guitarrista, que quer ser como Robert Plant vs Jimmy Page, ou Ian Gillan vs Ritchie Blackmore!

O filme tem várias cenas memoráveis, como a sensacional cena da pane no avião, ou toda a sequência da “fuga” de Russell Hammond e sua volta, com a galera cantando Tiny Dancer no ônibus…

Foi lançado aqui no Brasil um dvd duplo, com a versão que passou nos cinemas e outra versão, a do diretor, com duas horas e quarenta de filme. Recomendo fortemente essa versão mais longa. Acredite, não parece muito num filme desses…

Deixe Ela Entrar / Let The Right One In

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Deixe Ela Entrar / Let The Right One In / Låt den rätte komma in

Em uma cidade fria da Suécia, Oskar, um garoto de 12 anos, é maltratado pelos valentões da escola. Eli, uma estranha menina da mesma idade, se muda para o apartamento ao lado, ao mesmo tempo que uma série de crimes violentos começa a acontecer pela cidade. Oskar e Eli viram amigos, mesmo ele descobrindo que ela na verdade é um vampiro.

É um filme de “vampiro teen”, onde um humano e um vampiro se aproximam. Mas não tem absolutamente nada a ver com o recente e famoso Crepúsculo. Aqui o ritmo é lento, temos muito silêncio e poucos efeitos especiais. É quase um drama em vez de um filme de terror. O foco do filme é no lado humano, nas relações entre as pessoas, na amizade e no amor que surge entre os jovens protagonistas – aliás, os atores, desconhecidos por aqui, mandam bem!

Mesmo assim, o filme não nega que estamos falando de vampiros. Inclusive o nome do filme se refere à parte da mitologia dos vampiros que diz que um vampiro só pode entrar na casa se for convidado!

O clima gelado dos cenários com muita, muita neve combina com a solidão dos personagens, e temos um filme de vampiros como há muito tempo não aparece por aí…

Filme sueco independente, Deixe Ela Entrar passou por aqui ano passado na 32º Mostra Internacional de São Paulo. Nada aqui no Rio…

Rolam boatos que Hollywood já comprou os direitos para uma refilmagem. Provavelmente farão que nem nos recentes REC e sua refilmagem Quarentena. Heu espero que não. Recomendo ver o filme original mesmo!

The Spirit

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The Spirit

Algumas pessoas conseguem uma boa desenvoltura em diferentes artes. Outras não. O músico Rob Zombie se revelou um excelente diretor de cinema (Rejeitados pelo Diabo, Halloween); por outro lado, o badalado Caetano Veloso dirigiu um filme nos anos 80 e hoje em dia quer que todos esqueçam aquela bomba, de tão ruim que é…

Frank Miller, infelizmente, está no grupo dos que não deveriam se aventurar em outra arte…

Frank Miller é um quadrinista conceituadíssimo. Dentre suas obras, estão as famosas graphic novels 300 e Sin City (por coincidência, 2 bons exemplos de boas adaptações cinematográficas de quadrinhos), além do cultuadíssimo O Cavaleiro das Trevas . Aí, em 1990, resolveu responder ao canto da sereia hollywoodiana e escreveu o roteiro ruim de Robocop 2, e depois o roteiro pior ainda de Robocop 3.

Traumatizado com Hollywood, ele declarou que nunca mais ia trabalhar com cinema. Até que Robert Rodriguez o convenceu que era possível transformar Sin City em um filme. Rodriguez e Miller assinam juntos a direção do fantástico Sin City.

Aí Miller resolveu andar sozinho de novo em Hollywood. E fez esse The Spirit, baseado nos clássicos quadrinhos de Will Eisner. The Spirit conta a história do ex-policial e galã Denny Colt, que voltou à vida depois de morto, e agora age como um quase super-herói.

Bem, infelizmente não funciona. E sabe por que? Porque o filme não se decide entre a farsa e o filme sério. Hoje em dia estamos acostumados a ver super-heróis mais humanizados, dentro de contextos mais reais. E enquanto The Spirit tem um pouco disso,  acontecem cenas onde é tudo tão escrachado e tão exagerado que parece um desenho animado. A primeira luta entre o Spirit e o vilão Octopus (Samuel L Jackson) é tão ridícula que se caísse uma bigorna na cabeça de um deles talvez a gente achasse normal…

300 foi escrito por Frank Miller, mas filmado por Zack Snyder; Sin City foi dirigido por Miller, mas com Robert Rodriguez ao seu lado. Sozinho, Miller não conseguiu encontrar o tom certo para o seu filme. Tudo é caricato demais, às vezes parece um filme dos Trapalhões…

Apesar disso, nem tudo se perde no filme. O visual é bem legal, com vários efeitos de computador bem colocados. As cores são saturadas, exageradas como numa história em quadrinhos, muito branco e preto com detalhes vermelhos – inclusive, nos cinemas as legendas são amarelas, se fossem brancas muito ia se perder!

Outra coisa digna de nota é o elenco feminino. Eva Mendes, Scarlett Johansson, Sarah Paulson, Paz Vega, Jaime King e Stana Katic, cada uma mais bonita que a outra. Nisso Miller acertou!

O fim do filme indica que teremos continuações. Tomara que da próxima vez consigam um diretor com talento pra cinema!

Bee Movie

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Bee Movie

Uma abelha recém formada tem que escolher qual trabalho fará na colméia. Mas antes da escolha ela resolve conhecer o mundo fora da colméia, e descobre coisas que poderão mudar a relação entre as abelhas e os humanos.

Mais um desenho da DreamWorks! Oba! Sinal de qualidade!

Ou não…

Bee Movie não é ruim. É divertido, é bem feito… Mas o problema deste filme são os rótulos que ele carrega. Afinal, trata-se de uma produção DreamWorks e um roteiro de Jerry Seinfeld. Por essas “marcas”, a gente espera mais!

De uns anos pra cá, existe uma “guerra” entre a Pixar e a DreamWorks pra ver quem nos traz o melhor desenho animado. Aliás, é uma guerra muito boa pro espectador! 🙂

Aí a gente espera cada vez uma qualidade melhor. E a animação de Bee Movie é apenas correta. Não enche os olhos como Wall-E, por exemplo…

E ainda tem o outro problema. Desde o fim da sitcom Seinfeld, o humorista Jerry Seinfeld deixou um monte de fãs órfãos por aí. E então aparece com um novo roteiro, e ainda como protagonista da história!

Mas o roteiro não se decide entre as piadas pra adultos e piadas pra crianças… Não tem o brilho de um Kung Fu Panda, por exemplo…

Bem, apesar disso, como disse lá em cima, o filme não é ruim. É leve, divertido, vi ao lado da minha filha de 7 anos, que riu comigo em vários momentos. É só a gente não subir muito as expectativas!

Dia dos Namorados Macabro 3D

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Dia dos Namorados Macabro 3D

Ano passado vi um filme de terror em 3D, o decepcionante Scar 3D. Mas agora estreou um novo filme de terror que realmente vale a pena ver em 3D!

Dia dos Namorados Macabro é a refilmagem de mais um entre tantos filmes de “assassinatos em série em datas comemorativas” lançados nos anos 80, na onda de Sexta Feira 13 e Halloween.

E essa refilmagem? Será que vale a pena? Afinal, o original já não era lá grandes coisas, né?

Bem, aviso logo: pra quem vai ver no cinema, em 3D, é uma ótima diversão! Agora, se visto nas salas sem 3D ou em dvd, não garanto…

A história: um ano depois de um acidente numa mina, o único sobrevivente sai pela cidade matando pessoas com uma picareta. Dez anos depois, na mesma data, assassinatos voltam a acontecer.

Sim, é clichê. Mas cumpre com o prometido: sustos, sangue e muita coisa voando na direção da tela! Pra quem gosta do estilo, é diversão garantida! Afinal, como diz um slogan por aí, “cinema é a maior diversão”! E aqui, o “efeito parque de diversões” está ligado!

Uma coisa legal nesse filme é que o ator principal é o Jensen Ackles, um dos irmãos protagonistas da série Supernatural. Digo isso porque o outro irmão, Jared Padalecki, estrelou a refilmagem de Sexta Feira 13 que estreou mês passado… Já sabemos o que astros de séries fantásticas televisivas fazem nas férias: refilmagens de filmes de terror dos anos 80! 🙂

Outro destaque é a presença de Tom Atkins, veterano ator, presente em alguns dos títulos de terror oitentistas, como Halloween 3 e A Noite dos Arrepios! Ainda no elenco, os “quase conhecidos” Kerr Smith e Jaime King.

Outra coisa importante: cenas de nudez gratuita estavam constantemente associadas a filmes B de terror nos anos 80. Então aqui a nudez gratuita tem espaço! E, talvez pra compensar o fato de ser uma única cena, a atriz Betsy Rue compensa com generosidade…

Coloque seus óculos 3D e abaixe-se pra desviar do que vem da tela!

A Ilha – Uma Prisão Sem Grades / Boot Camp

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A Ilha – Uma Prisão Sem Grades / Boot Camp

Jovens rebeldes são enviados para um acampamento em um remoto campo nas Ilhas Fiji. Para os pais desses jovens, o acampamento é uma instituição de luxo em um lugar calmo e perto da natureza. Mas na verdade trata-se de uma prisão com disciplina militar e castigos físicos e morais, com o objetivo de se fazer uma lavangem cerebral e então devolver o “ex-rebelde” à sociedade.

Esta é a história de Boot Camp, filme estrelado por Mila Kunis, a patricinha chata de That 70’s Show.

Apesar da presibilidade da história – não existem muitas possibilidades para um roteiro com esse tema em Hollywood, né? – o filme não é chato. As situações no “campo escola” vão acontecendo, a tensão funciona sempre. Peter Stormare interpreta um eficiente “visionário idealizador” do projeto, realmente acreditamos que ele crê no que diz.

Uma outra coisa digna de nota são as belíssimas paisagens na praia. Pode ser uma “prisão sem grades”, mas é uma prisão muito bonita!

Ficamos nos perguntando se lugares como esse realmente ainda existem – o filme se diz “baseado em fatos reais”. Não vai mudar a vida de ninguém, mas pode valer o aluguel / download.

Esse obscuro objeto do desejo

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Esse obscuro objeto do desejo

Na segunda metade dos anos 80, heu frequentei o Cineclube Estação Botafogo direto. Sim, o nome na época era “cineclube”, não era um circuito de salas como é hoje. A programação era bem parecida com a de um cineclube – vi na tela grande reprises de muitos filmes que já tinham passado em outras épocas.

Esse Obscuro Objeto do Desejo, último filme do surrealista Luis Buñuel, era o meu “filme cabeça” favorito na época. Vi umas quatro ou cinco vezes, tudo no escurinho do cinema!

Fernando Rey interpreta Mathieu, um senhor, rico, já com uma certa idade, e completamente obcecado por uma jovem de 18 anos, Conchita. Interpretada por Carole Bouquet. E tambem por Angela Molina.

Como assim? São duas atrizes diferentes? Ah, devem então interpretar diferentes fases da vida de Conchita, certo? Nada! As duas se alternam nas cenas. Uma cena é a Carole Bouquet, a cena seguinte ja mudou pra Angela Molina, depois volta pra Carole, pra depois Angela de novo…

Inicialmente pensei que cada atriz interpretaria uma diferente faceta da mesma personagem – característica essencial para o jogo de gato e rato que acontece entre os dois protagonistas. Mas aí percebi que lá pro meio do filme isso não tem mais nenhuma lógica…

Sim, amigos, este é Luis Buñuel. Ele mesmo, que em 1929 dirigiu o revolucionário curta Um Cão Andaluz, junto de um tal de Salvador Dali…

Tive a sorte de conseguir ver no cinema alguns filmes do Buñuel. Inclusive o próprio Um Cão Andaluz – existe uma cena famosa de um olho sendo cortado que é impressionante até hoje! E pelo pouco que conheço de Buñuel, este filme é fiel ao seu estilo narrativo.

O filme começa com Mathieu entrando num trem e jogando um balde d’água na cabeça de Conchita quando esta tenta entrar no mesmo trem. Mathieu então começa a contar sua história para os colegas de cabine. Através de flashbacks, conhecemos toda a história da manipuladora Conchita enlouquecendo Mathieu.

Uma coisa curiosa quando se vê o filme hoje, 30 anos depois (o filme é de 77), é notar como a sociedade era machista. A mãe de Conchita, viúva, passa o dia inteiro na igreja, e não quer voltar a trabalhar. E, pior, não quer que sua filha trabalhe! Sociedade esquisita, né? Aí vem o Mathieu, rico, dá dinheiro pra sustentar mãe e filha… Olha, hoje em dia isso ia soar esquisito…

Outra coisa digna de nota é Carole Bouquet, em sua estréia no cinema (ela já tinha trabalhado pra tv). Alguns anos depois ficou mais conhecida pelo grande público ao fazer uma bond girl, em 007 Somente para os seus Olhos. Mas aqui, lindíssima, com apenas 20 anos, é um dos pontos altos do filme.

Filmaço. Não é pra qualquer um, não é pra qualquer hora. Mesmo assim, repito: filmaço!