Guru do Amor

gurudoamor

Guru do Amor

Confesso que sou fã do Mike Myers. Acho geniais os dois Quanto mais idiota melhor (Wayne’s World), sou fã da série Austin Powers, até gostei dele quando fez um papel sério em Studio 54. Talvez isso tenha me ajudado a gostar de um filme tão criticado como Guru do Amor.

A história fala do Guru Pitka, que veio da Índia, apesar de nascido nos EUA, e que quer entrar no mercado de auto-ajuda e ser um dia tão importante quanto Deepak Chopra.

Ok, confesso que muitas das piadas são bobas. Inclusive esse filme concorreu a vários prêmios Framboesa de Ouro de 2008, incluindo pior filme do ano. Mas, na minha opinião isso foi injusto. O filme tem os seus bons momentos. Heu achei algumas das piadas muito boas!

Um dos pontos positivos do filme é o elenco. Quem diria que o ex boy band Justin Timberlake, além da carreira musical de sucesso, ainda ia virar um ator de talento? Timberlake interpreta Jacques “Le Cock” Grande, jogador de hockey canadense, rival do personagem que o Guru Pitka tem que ajudar. Todas as cenas onde ele aparece são hilárias! E não é só isso, além dele, ainda temos o grande Ben Kingsley interpretando um velho guru vesgo, numa piada referencial aos tempos de “Gandhi”, que lhe rendeu o Oscar de melhor ator em 83! E, de quebra, Verne Troyer, o anão Mini Me de Austin Powers faz o técnico do time de hockey. E o elenco ainda conta com as belas curvas de Jessica Alba… Isso sem contar com um monte de celebridades interpretando a si mesmos – incluindo Mariska Hargitay, da série Law and Order – SVU, que participa de uma genial “piada interna”, logo no início do filme…

E, pra quem entrar na onda do filme, alguns números musicais são muito engraçados, incluindo uma coreografia bollywoodiana no fim do filme!

Bem, não é pra qualquer público. Mas os bem-humorados vão apreciar!

Watchmen

watchmen_poster_2901

Watchmen

Tenho muitos amigos nerds. E a maioria está alvoraçada com a estréia de Watchmen, o novo filme de Zack Snyder, diretor da refilmagem de Madrugada dos Mortos e de 300.

Ah, sim, pros nerds, de um modo geral, antes de ser um filme do Snyder, é a adaptação da “melhor graphic novel da história”. Mas isso heu coloco entre aspas, porque não li os quadrinhos, então não posso opinar. Fui ao cinema apenas pra ver um filme. E não é que vi um bom filme?

A história se passa em 1985. Numa realidade alternativa, Nixon é o presidente pela terceira vez, e uma guerra nuclear com a União Soviética é iminente. Foi criada uma lei que proíbe super-heróis mascarados, jogando os “mocinhos” para a marginalidade. E, aos poucos, através de flashbacks, vamos conhecendo melhor a história desses mascarados.

A grande preocupação dos fãs é que essa era uma história considerada “infilmável”. Desde 1987 tem gente em Hollywood tentando trabalhar em uma adaptação!

Terry Gilliam, o ex-Monty Python que virou um diretor legal (Brazil, o Filme, 12 Macacos, tentou, ainda em 87, fazer uma adaptação. Aliás, já tinha elenco:  Robin Williams como Rorschach, Jamie Lee Curtis como Espectral, Gary Busey como Comediante e, pro papel de Coruja, estavam no páreo Richard Gere e Kevin Costner. Mas acabou desistindo, porque achou que não funcionaria como um único filme de longa metragem, e sim como minissérie de 5 horas…

E aí fica a grande dúvida: Zack Snyder conseguiu?

Bem, como não li os quadrinhos, não posso comparar como adaptação. Mas como filme posso dizer que ficou bem legal! Um filme baseado em super-heróis mais adulto, bem diferente do que se tem visto por aí, como os dois “hits baseados em quadrinhos” do ano passado, Batman e Homem de Ferro.

Quase tudo no filme funciona muito bem. O visual é impressionante, aliás, como era de se esperar. A trilha sonora, com trechos de hits oitentistas, é muito boa. O elenco é todo de semi-desconhecidos, como Jeffrey Dean Morgan, que faz um comediante sarcástico na dose certa, ou Jackie Earle Haley, que transpira ódio com seu Roschach. E a Espectral de Malin Akerman ainda vai fazer muito adolescente perder o sono, mais ou menos como um certo biquini dourado nos anos 80… Completam o time de mascarados Patrick Wilson como Coruja (não sei se de propósito, mas heu achei meio parecido com o Batman, tanto na roupa quanto no estilo “menino rico cheio de brinquedos caros”), Billy Crudup como dr Manhattan e Mathew Goode como Ozymandias.

E por que o “quase” do parágrafo acima? É que a história fica um pouco confusa às vezes, e o ritmo é um pouco lento. E, em 2 horas e 40 minutos, só explicaram o porque do superpoder do dr. Manhattan. Em tempos de X-Men e Heroes, heu esperava pelo menos saber um pouco mais sobre o motivo dos outros serem heróis…

Mesmo assim, vale o ingresso do cinema. Sim, cinema, este filme é pra ser visto em tela grande. Sabe aquelas brigas em câmera lenta de 300? Pois é, agora imagine dois mascarados enfrentando dezenas de presidiários numa rebelião…

O Pornógrafo

pornographer

O Pornógrafo

Houve um tempo em que heu via muito mais filmes cabeça. Hoje em dia tenho sido mais seletivo, minha paciência pra esse estilo não tem andado boa…

Mas a história desse aqui me chamou a atenção. Um ex-diretor de filmes pornô quer voltar a filmar, para fazer o filme que sempre quis: uma caçada, onde quem seria caçado seria uma mulher. E então vemos os bastidores disso. Inclusive, com algum sexo explícito rolando na tela.

Um bom roteirista aliado a um bom diretor poderia usar esse argumento e fazer um filme bem legal. Mas não é o caso. É um filme cabeça. E chaaato…

Em vez de termos uma história interessante, vemos longos planos de paisagens, em silêncio. E também longos planos da cara do ator Jean Pierre Leaud, o diretor, pensativo, também em silêncio. Planos longos em silêncio é algo cabeça…

O pior é que tem espaço pra coisas interessantes. Existe um conflito entre o diretor e outro cara, aparentemente é o produtor, e que quer palpitar no estilo de filmagem. Mas esse conflito é deixado de lado. Assim como também são deixados de lado detalhes de problemas com o elenco.

Em vez disso, o enfoque cai para uma desinteressante sub trama do relacionamento do diretor com o seu filho, que se afastou quando descobriu que o pai trabalhava com a indústria pornô…

Ah, sim, tem o sexo explícito! O povo cabeça gosta de um sexo explícito, né? Bem, são apenas duas cenas. A segunda nem sei se conta como sexo explícito, é lááá longe, não dá pra ver muita coisa. Já a primeira, com a atriz pornô Ovidie, é realmente explícita e importante para a trama. Ou melhor, seria importante se a trama desse bola pro conflito diretor vs produtor. Sem o conflito, ficou apenas uma cena jogada… Ficou parecendo jogada de marketing, tipo “ei, vejam o meu filme, ele tem sexo explícito!”. Afinal, cena de sexo por cena de sexo, existem filmes específicos pra isso que funcionam bem melhor!

Aliás, é curioso ver um filme cabeça, cheio de situações cabeça, e, que, ao recriar um diálogo de filme pornô, usa todos os clichês de sempre. Quando a mulher fala pros vaqueiros que quer ver a “pistola deles”, bem, heu já vi diálogos melhores em filmes pornôs de verdade!

Chaaato…

Pink Flamingos

pinkflamingos

Pink Flamingos

Existem alguns filmes que entram pra história por serem mais chocantes do que a média. As décadas passam, e esses filmes continuam tão chocantes como na época de seus lançamentos. Filmes como Saló, do Pasolini; ou o quase amador Cannibal Holocaust, ainda impressionam mesmo hoje em dia, num mundo com “menos inocência”.

Pink Flamingos, de John Waters, está nessa lista. É talvez o filme mais bizarro e nojento da história!

O travesti Divine, figurinha fácil nos filmes de John Waters, interpreta a si mesmo. Mora num trailer com a mãe e um casal de filhos, e se orgulha de ter o tíltulo de “the filthiest person alive” – algo como “a pessoa mais obscena viva”. Mas esse título é almejado por um casal que sequestra e engravida jovens – que ficam acorrentadas no porão – para vender seus filhos recém-nascidos para casais de lésbicas.

Bizarro, não? E você ainda não viu nada. A mãe de Divine vive  só com roupas de baixo, dentro de um cercadinho de crianças e só come ovos. O filho faz sexo com uma mulher e uma galinha viva entre os dois, enquanto a irmã se excita assistindo. No meio do filme tem a festa de aniversário de Divine, onde rola, dentre outras coisas, uma cabeça de porco, canibalismo e… hum… como posso dizer… bem, no imdb ele é chamado de “Singing Asshole”…

A cena mais famosa do filme é onde vemos Divine comendo as fezes de um cachorrinho. Sem cortes. Mas a única cena que John Waters se arrepende de ter filmado é uma cena explícita de sexo oral incestuoso…

Mas, diferente do clima sério, pesado e deprimente dos dois filmes que citei lá em cima (SalóCannibal Holocaust), Pink Flamingos é divertido. As atuações são caricatas e exageradas, a câmera é meio mambembe. É tão exagerado que pode ser até engraçado, se você entrar no clima.

Definitivamente não é pra qualquer um. Mas é obrigatório para aqueles que querem conhecer mais a fundo a história da perversão e bizarria no cinema.

As Crônicas de Spiderwick

cronicasdespiderwick

As Crônicas de Spiderwick

De um tempo pra cá, estão aparecendo vários filmes infanto-juvenis. Com a tecnologia hoje disponível ficou bem mais fácil se criar mundos de fantasia, e além disso os filmes estão se vendendo bem nas bilheterias. Minha filha de quase 8 anos agradece!

Baseado nos livros homônimos de Tony DiTerlizzi e Holly Black, o filme As Crônicas de Spiderwick mostra Arthur Spiderwick, 80 anos atrás, catalogando todo um “universo invisível” de fadas, trolls, goblins e outras criaturas fantásticas num livro mágico. Já nos dias de hoje, um garoto, seu sobrinho neto, encontra o livro e agora tem que lidar com todas essas criaturas.

Freddie Highmore, que antes protagonizou Arthur e os Minimoys e a refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolates, é o grande nome aqui, interpretando os gêmeos Jared e Simon Grace. Detalhe: os personagens são gêmeos, mas não se parecem tanto assim; alguém desavisado pode pensar que são dois atores diferentes! Completam o elenco Sarah Bolger, Mary Louise Parker, Nick Nolte e David Strathairn, além das vozes de Martin Short e Seth Rogen.

À primeira vista, heu achei os goblins meio caricatos. Engraçadinhos e trapalhões demais, sabe? Mas aí me lembrei: estamos diante de uma fábula infanto-juvenil! É pra ser assim mesmo! E, tenho que reconhecer, no fim do filme os goblins engraçadinhos dão lugar ao grande vilão, o malvado ogro Mulgarath.

E, mesmo engraçadinhos, os efeitos especiais são um show à parte. Desde o simpático ser que vive na casa e protege o livro até todas as criaturas da floresta, incluindo até um grinfo que serve de meio de transporte.

Telvez os mais novinhos se assustem um pouco. Mas é uma boa opção se você tem alguma criança um pouquinho mais velha por perto. Mesmo que seja dentro de você…

Norbit

norbit-poster021

Norbit

Acho injustiça vir aqui falar mal de um filme como Norbit. Afinal, qualquer um com um mínimo de bom senso sabe exatamente o que vai ver quando assiste um filme como esse. Alguém espera algo a mais do que uma ou outra piada razoável no meio de um monte de piadas bobas, tudo isso num roteiro pra lá de previsível?

E é exatamente isso. Um bom momento aqui, uma boa piada acolá. E só.

Norbit é um garoto feio, criado num orfanato. Ainda criança, Rasputia, uma menina “grande”, o escolhe como namorado. Já adultos, se casam, e Rasputia e seus irmãos (todos grandes) fazem da vida de Norbit um inferno. Até que uma amiguinha de infância reaparece na sua vida…

O que mais me incomodou, mais do que as piadas sem graça, foi o roteiro, previsível ao extremo. Conseguimos adivinhar quase todas as próximas situações! Bem, quem vê um filme desses não quer roteiros com grandes reviravoltas, né?

Uma das graças do filme é o ator Eddie Murphy interpretando 3 papéis: Norbit, Rasputia e Wong, o dono do orfanato. Isso não é novidade, desde os anos 80 Murphy faz essas coisas – lembro dele, ao lado do Arsenio Hall, fazendo vários papéis cada um em Um Príncipe em Nova York.

E isso funciona? Bem, às vezes fica engraçado. Mas, de um modo geral, é caricato demais…

Aliás, isso rendeu ao filme 3 prêmios Framboesa de Ouro: pior ator, pior ator coadjuvante e pior atriz coadjuvante, todos para Murphy! Ele ainda foi indicado a pior dupla (Murphy & Murphy), além de pior filme, pior diretor, pior roteiro e pior ator (Cuba Gooding Jr).

Bem, se você quiser deixar o cérebro de lado, pode até se divertir…

Os Sete Suspeitos

setesuspeitos

Os Sete Suspeitos

Recentemente foi anunciada em Hollywood a idéia de se fazer um filme baseado no jogo Banco Imobiliário. Estranho, não, se fazer um filme tendo como base um jogo de tabuleiro? Bem, Os Sete Suspeitos é exatamente isso: um filme baseado no jogo Detetive.

Alguém aí não conhece o jogo? Era um jogo de tabuleiro muito popular nos anos 80, não sei se continua sendo… Era o seguinte: o tabuleiro tinha cômodos de uma casa, e você tinha que procurar pistas pra descobrir quem matou, onde e usando qual arma.

O filme vai nessa onda. Seis pessoas que não se conhecem são convidadas para um jantar numa mansão. Aos poucos, vão descobrindo que todos têm motivos para matar uma determinada pessoa – convenientemente chamada de “mr. Body” (sr. Corpo). Acontece o assassinato, e eles têm que descobrir qual deles é o assassino.

Os elementos do jogo estão lá. As armas são as mesmas: um revólver, uma faca, um cano, um candelabro, uma corda e uma chave inglesa. Quem fez a legenda foi inteligente, recuperando os nomes dos personagens do jogo, em vez de traduzir ou deixar em inglês. Enquanto no áudio ouvimos Colonel Mustard, Reverend Green, Professor Plum, Miss Scarlett, Mrs. Peacock e Mrs. White, nas legendas estão os velhos e conhecidos nomes Coronel Mostarda, Senhor Marinho, Professor Black, Srta. Rosa, Dona Violeta, Dona Branca! Até a legenda da vítima é como o jogo, sr. Pessoa em vez de sr. Corpo…

Mas esqueci de avisar um detalhe importantíssimo! O filme é uma comédia! Comédia de humor negro, claro, mas mesma assim uma boa comédia, com várias situações muito engraçadas e um elenco com alguns atores de comédia famosos nos anos 80, como Tim Curry, Christopher Lloyd e Madeleine Khan! A cena do telegrama cantado, por exemplo, é hilária!

Só não gosto de uma coisa no filme: por que o título “sete” suspeitos? São oito os suspeitos… Além dos 6 personagens do jogo, temos um mordomo e uma governanta… Bem que o título poderia ser “Detetive”, né?

Mas isso não atrapalha em nada. Dica: veja até o fim: são 3 finais diferentes, com 3 opções de assassinos!

Revolver

revolver_movie_poster

Revolver

Quando Quentin Tarantino lançou Cães de Aluguel e Pulp Fiction, um novo estilo foi criado em Hollywood. Personagens marginais e esquisitos, trilha sonora cool, edição ágil, violência estilizada… Então apareceram vários seguidores deste estilo. Um dos melhores que estão por aí é o Guy Ritchie.

Guy Ritchie surgiu no fim dos anos 90, com o ótimo Jogos Trapaças e Dois Canos Fumegantes, e logo depois fez Snatch, que seguia a mesma linha de tramas rocambolescas e personagens bizarros. Aí houve um grande erro em sua carreira profissional: se casou com a Madonna e fez Swept Away, que foi execrado por crítica, público e fãs. Aí ano passado apareceu RocknRolla, e pensei “legal, Guy Ritchie está de volta!”

Mas teve esse filme, Revolver, no meio do caminho… Revolver é de 2005, mas foi mal lançado por aqui (se é que foi lançado), e acho que só chamou atenção agora… Tanto que os camelôs de Copacabana estão vendendo o piratão junto com os lançamentos!

Jason Statham interpreta Jake, um ex-presidiário que quer se vingar de Macha, um grande gangster, interpretado por Ray Liotta.

Mas sabe qual é o problema aqui? A história é confusa demais! Quando o filme acaba, não sabemos exatamente quem é quem, e qual é o papel de cada personagem!

Como achei tudo muito estranho, foi procurar no imdb informações sobre o filme, e descobri que metade do público achou o filme ruim porque é confuso demais; a outra metade adorou justamente porque o filme não conclui nada…

Bem, heu fico com a metade que não gostou. Se vou ver um filme de gangsters no submundo do jogo e do crime, não quero encontrar um filme cabeça…

Mesmo assim, não é um programa ruim. É só se deixar levar pelo filme, sem se preocupar com explicações… Afinal, algumas cenas são bem legais, como a parte em desenho animado no meio do filme (mais alguém pensou em Kill Bill?), ou o tiroteio no restaurante…

Coraline e o Mundo Secreto

coraline_2

Coraline e o Mundo Secreto

Uma menina se muda com os pais para uma velha casa. E descobre uma porta, que a leva para um mundo paralelo, onde tudo é melhor: seus pais, seus vizinhos, até a comida. Até que ela descobre o que está por trás desse mundo “perfeito”…

Uma coisa curiosa sobre esse Coraline é que a história serve tanto para um filme infantil quanto para um filme de terror! Daqui a pouco volto a esse assunto…

Longa metragem de animação em stop motion, Coraline é a adaptação de um livro do Neil Gaiman, dirigida por Henry Selick, o mesmo de O Estranho Mundo de Jack. A animação enche os olhos, é legal a gente ver um stop motion bem feito hoje em dia, quando os desenhos computadorizados tomaram conta dos lançamentos cinematográficos. Ainda mais em 3D, opção existente em algumas salas da cidade!

O “conto de fadas torto” funciona muito bem, todos os personagens são bem escritos e animados, e além disso as músicas também são boas. Pena que vi dublado, a Coraline original é dublada pela Dakota Fanning…

A história tem um “que” de Alice no País das Maravilhas: uma menina descobre um mundo do outro lado do “espelho”. Tem até um gato!

E aí volto àquele assunto que mencionei lá em cima. É um filme infantil? Sim. Mas não recomendo crianças muito pequenas – quando Coraline descobre a realidade sobre o “mundo secreto”, os mais novos podem se assustar. As pessoas do outro lado não têm olhos, têm botões costurados, como grandes bonecas… Realmente poderia ser um filme de terror!

(Que bom que minha filha já tem quase 8 anos, e curtiu o filme na boa!)

Recomendo, mesmo que você não tenha criança pra levar ao cinema! E procure as salas 3D!

(E depois pode fazer uma sessão dupla com O Estranho Mundo de Jack e Noiva Cadáver pra fechar a noite…)

Quem Quer Ser um Milionário?

slumdogmillionaire2008dvdscrxvid

Quem Quer Ser um Milionário?

O grande ganhador do Oscar 2009! Foram oito num total de dez indicações: filme, diretor, roteiro adaptado, edição, fotografia, som, canção e trilha sonora!

Pára tudo! Oscar de melhor diretor? Mas esse não é o novo filme do Danny Boyle, o cara que fez Cova Rasa, Trainspotting e Extermínio???

Sim, é ele mesmo! Agora, com um filme mais “sério”, é o mais novo dono da estatueta de melhor diretor. E o melhor de tudo: o filme continua com “cara de Danny Boyle”!

A história é boa: Jamal é um jovem  que está a uma pergunta de ganhar o grande prêmio de 20 milhões de rúpias na versão indiana do programa de tv “Quem quer ser um milionário”. Ele é preso porque desconfiam de fraude. E, durante o interrogatório, ele conta a sua história e como sabe as respostas.

Logo de cara a gente pensa “já vi algo parecido com isso…” Afinal, o filme começa com uma perseguição a garotos numa favela de uma grande cidade de um “país em desenvolvimento”. Opa, alguém pensou em Cidade de Deus? Danny Boyle disse que não tem nada a ver. Mas, poxa, sr. Boyle, tem até uma galinha no meio da perseguição!

As semelhanças com o filme brasileiro são várias, inclusive ao mostrar dois personagens amigos quando crianças e um deles aliado a bandidos quando adulto (só faltou a fala “Dadinho é o c%$#alho, meu nome é Zé Pequeno!”). A edição também é ágil como no filme brasileiro – coincidência ou não, Cidade de Deus concorreu ao Oscar de melhor edição, prêmio que Milionário ganhou.

Mas, não, não é uma cópia de Cidade de Deus. São filmes bem diferentes, apesar das semelhanças.

Mas acredito que isso deve ter enchido os olhos dos gringos. Se antes o cinema mostrou a favela brasileira para o mundo, agora é a vez de conhecermos a favela indiana.

Apesar de ser uma produção inglesa e com diretor inglês, Quem quer ser um Milionário é essencialmente um filme indiano. Com um elenco todo indiano, Boyle mostra a miséria, a sujeira e a violência da Índia como não estamos acostumados a ver por Bollywood.

Algumas cenas são bem cruas (assim como em Cidade de Deus), chocantes mesmo. Mas nada é gratuito, tudo flui bem ao acompanharmos a difícil infância dos irmãos Jamal e Salim e sua amiga Latika. Os três personagens, inclusive, são interpretados por três atores diferentes cada, para acompanharmos diferentes épocas da infância, adolescência e juventude.

Filmaço. Deve entrar em cartaz em breve, além do mais pela quantidade de Oscars no currículo.

E não percam, no fim do filme, durante os créditos, o elenco protagonizando uma daquelas coreografias bizarras e legais dos clips indianos que vemos pelo youtube!