Licorice Pizza

Crítica – Licorice Pizza

Sinopse (imdb): Licorice Pizza é a história de Alana Kane e Gary Valentine crescendo, correndo e se apaixonando em San Fernando Valley, na Califórnia, em 1973.

Finalmente chegou ao circuito o badalado novo filme de Paul Thomas Anderson. O filme teve lançamento limitado no fim do ano passado, e já aparecia em algumas listas de melhores de 2021. Claro que gerou curiosidade.

Licorice Pizza (idem, no original) é bom, mas… Teve uma coisa que me tirou do filme. O protagonista Gary tem 15 anos de idade, mas se porta como um adulto experiente. Ok, a gente já sabe logo desde o início do filme que ele é um ator, então por isso seria mais esperto que a maioria dos garotos da sua idade. Mas achei exagero: o garoto primeiro é um grande empresário no ramo de colchões de água, e depois abre uma grande e badalada loja de fliperama – e ainda trabalha como câmera nas horas vagas. Mais: ele nunca tem adultos por perto, só garotos da idade dele ou ainda mais novos. Ele é tão descolado que frequenta o mesmo restaurante que poderosos produtores de Hollywood. Além disso, é um um homem maduro em relacionamentos. E ainda tem costeletas!

Lembrei de Quase Famosos, cujo protagonista William Miller é um adolescente que se mete em assuntos de adultos – ele se passa por um repórter da Rolling Stone e acaba acompanhando uma banda na estrada. Mas o garoto William é introvertido e inseguro, e tem problemas com a mãe e com a escola. Muito mais fácil de “comprar”.

Provavelmente num futuro próximo vou rever Licorice Pizza e vou curtir mais. Porque é um filmão. Paul Thomas Anderson filma em película, e parece realmente que estamos vendo um filme feito nos anos 70. A reconstituição de época é perfeita, e a boa trilha sonora ajuda. Ainda temos uma boa edição e a câmera sempre bem posicionada – rolam alguns plano sequências, curtos, nada de extraordinário, mas sempre bem bolados. Tecnicamente falando, o filme é impecável.

Já o roteiro… Bem, tem que entender que Paul Thomas Anderson nem sempre usa a “formula Syd Field”. Aqui em Licorice Pizza o roteiro é meio solto, as coisas simplesmente vão acontecendo, não existe uma linha que liga tudo. Tem gente que curte filme assim, mas tem gente que não curte.

O casal protagonista é estreante. Cooper Hoffman é filho do Philip Seymour Hoffman – que fez cinco filmes com Paul Thomas Anderson. O garoto tem futuro, mas aqui não me convenceu – ele não tem cara de 15 anos! Já Alana Haim está ótima, aguardo ansiosamente pelo seu próximo filme. A química entre os dois é boa, rola uma paixão platônica e ela freia essa paixão por causa da diferença de idade.

(Eduardo e Mônica também tem protagonistas com a mesma diferença de idade, e o casal funciona melhor – e o Eduardo ainda está preocupado com o vestibular!)

Uma curiosidade: Alana Haim é de uma família de músicos, e suas irmãs e seus pais no filme também o são na vida real.

Ainda no elenco, três participações especiais que vão dividir opiniões. Bradley Cooper interpreta o cabeleireiro e maquiador John Peters, que era namorado da Barbara Streisand na época. Não conhecia Peters, não sei se ele era assim, mas Cooper está exagerado demais, me pareceu um degrau acima do que deveria estar. E Sean Penn e Tom Waits estão em uma cena que pode até ser divertida, mas é meio desnecessária para o resto do filme.

Por fim, o nome. “Licorice Pizza” é uma gíria pra disco de vinil – não só as iniciais “LP”, como também um vinil preto poderia ser uma “pizza de alcaçuz”. Inclusive existia uma rede de lojas de discos chamada Licorice Pizza. Mas… No filme não tem nem pizza, nem alcaçuz, nem discos de vinil. Por que o nome? Sei lá…

Batman

Crítica – Batman

Sinopse (imdb): Quando o Charada, um serial killer sádico, começa a assassinar figuras políticas importantes em Gotham, Batman é forçado a investigar a corrupção oculta da cidade e questionar o envolvimento de sua família.

Tinha uma galera reclamando “nas internetes’ sobre este novo Batman. As críticas sempre eram quase sempre relacionadas ao novo protagonista, Robert Pattinson, que parece que sempre será lembrado como o “vampiro purpurina” da saga Crepúsculo. Heu não tenho nada contra ele, sei que é um bom ator. Minha dúvida com este filme era “mas será que a gente já precisa de um novo Batman?” Afinal, “anteontem” ainda era o Ben Affleck, que, na minha humilde opinião, fez um bom trabalho como o homem morcego, e ano passado teve filme com ele no papel.

Mas, Hollywood é assim, eles vão fazer novos filmes não importa se é a hora certa ou não. Pelo menos, a boa notícia: este novo Batman é muito bom!

Ok, quase 3 horas, não precisava de tanto, podia cortar algumas gordurinhas aqui e ali e fazer um filme mais enxuto. Mas algumas cenas são tão boas que entrariam facilmente numa lista de momentos mais icônicos de todos os filmes do Batman, como a cena no corredor escuro onde só vemos alguma coisa quando os vilões atiram; ou a cena de cabeça para baixo do Batman vindo até o carro capotado, na chuva e com a explosão ao fundo.

Dirigido por Matt Reeves, que já tinha mostrado competência na franquia Planeta dos Macacos, Batman (The Batman, no original) é um belo espetáculo visual. A fotografia de Greig Fraser (que está concorrendo ao Oscar por Duna) é um espetáculo, muitas cenas escuras, muitas cenas com chuva, muito contra luz. E não é só isso, a cenografia também enche os olhos – Gotham é uma cidade suja e decadente. Também gostei de como os vilões aparecem mais reais – o Pinguim parece mais um líder mafioso do que um freak (como era o Danny De Vito do filme de 1992); e o Charada é um louco com seguidores pela internet.

Vamos ao elenco. Robert Pattinson já mostrou que é um bom ator, e ele está muito bem como o Batman. Mas… Não curti muito ele como Bruce Wayne. Enquanto o novo Batman me convenceu, o Bruce Wayne do Christian Bale vinha à minha cabeça cada vez que aquele jovem emo aparecia na tela. Zoë Kravitz está ótima como a Selina Kyle, e a relação dela com o Batman é perfeita. Paul Dano está impressionante como o Charada, e Colin Farrell, irreconhecível como o Pinguim. Também no elenco, Peter Sarsgaard, John Turturro, Andy Serkis e Jeffrey Wright.

Tem uma perseguição de carro que me causou sensações opostas. Por um lado, é uma cena plasticamente muito bonita. Muitas luzes, muita água, a cena eleva a adrenalina lá no alto. Mas, por outro lado, as imagens são muito entrecortadas. Nem consegui ver a cara do novo Batmóvel. Vão me xingar, mas deu saudade de Velozes e Furiosos

Tenho um comentário negativo sobre a trilha sonora de Michael Giacchino. O tema que fica tocando repetidamente é muito igual à marcha imperial de Guerra nas Estrelas. Ok, boa trilha, mas preferia um tema diferente.

A sessão de imprensa foi na segunda de carnaval, não fui porque estava viajando com a família, e o filme ia estrear no dia seguinte. Fui então terça em uma sessão dublada com meus filhos. Dois comentários, um geral e um pessoal. O primeiro comentário é que não só a dublagem é muito boa, como o filme tem várias coisas escritas na tela, e quase tudo estava em português – conseguiram alterar os textos! O comentário pessoal é que o Charada foi dublado pelo meu amigo Philippe Maia, que fez um trabalho excelente!
Claro que o filme tem espaço para continuações. Que mantenham a qualidade!

Ah, tem uma cena pós créditos com uma piada bem cretina. Ri alto na sala de cinema, não pela piada, e sim pela quantidade de gente que ficou esperando para ver aquilo!

Caveat

Crítica – Caveat

Sinopse (imdb): Um vagabundo solitário que sofre de perda parcial da memória aceita um emprego cuidando de uma mulher com problemas psicológicos em uma casa abandonada em uma ilha isolada.

Vejo muitos filmes estranhos e desconhecidos. E de vez em quando aparece um que é um pouco mais fora da curva. É o caso deste Caveat, escrito e dirigido pelo estreante Damian Mc Carthy.

Pela história a gente já sabe que é um filme maluco. Um cara precisa ir para uma casa isolada para cuidar de uma jovem, mas ele precisa ficar preso numa corrente para não ter acesso ao quarto dela. A casa está toda caindo aos pedaços, e ainda tem um coelhinho sinistro de brinquedo!

Vou destacar um ponto positivo e um negativo. De positivo, gostei da ambientação. A casa é um bom cenário, e gostei da ideia do cara preso naquela roupa de couro que fica presa na corrente. São só três atores, que funcionam bem (Ben Caplan, Jonathan French e Leila Sykes).

Agora, não gostei da parte final. Não acho que um filme precisa explicar tudo, aceito quando deixa lacunas para o espectador completar conforme a sua interpretação. Exemplo: não tenho ideia do que era o coelhinho, mas gostei dele. Mas aqui, a parte final é tão sem sentido que me tirou do filme. Acho que o roteiro falhou nessa parte.

Mas Caveat não é de todo mau. Aguardemos o segundo filme de Damian Mc Carthy.

O Massacre da Serra Elétrica (2022)

Crítica – O Massacre da Serra Elétrica

Sinopse (imdb): Depois de quase 50 anos escondido, Leatherface volta a aterrorizar um grupo de jovens amigos idealistas que acidentalmente perturbam seu mundo cuidadosamente protegido em uma remota cidade do Texas.

Uma das cenas que mais gostei do Pânico recente foi quando falaram do conceito de “requel”, que seria uma espécie de mistura de reboot com sequel, e deu exemplos como Halloween, Caça Fantasmas e o próprio Pânico. Achei que este aqui seria algo no mesmo estilo, porque traz a mesma personagem Sally, sobrevivente do primeiro filme, de 1974. Mas, se a personagem é a mesma, diferente dos outros exemplos citados, trocaram a atriz, já que Marilyn Burns, a Sally de 74, faleceu em 2014. Nem para isso serve este novo Massacre da Serra Elétrica. Não tenho curtido os Halloween recentes, mas reconheço que pelo menos são filmes que respeitam o filme original – este novo Massacre da Serra Elétrica é apenas mais um caça níqueis usando um clássico do terror.

A gente precisa reconhecer o valor do primeiro Massacre da Serra Elétrica, dirigido por Tobe Hooper e lançado em 1974. Visto hoje, o filme é até meio tosco, mas, naquela época ainda nem existia direito o conceito de slasher – Halloween começou em 1978, Sexta Feira 13, em 1980. Hooper entregou um filme cru, violento e assustador, que entrou para a história do cinema pelo seu pioneirismo.

Mas, como a maioria dos filmes de terror de sucesso, vieram as continuações, cada uma pior que a anterior. Fui catar agora na wikipedia, parece que foram sete continuações (este novo seria o nono filme), e nenhum deles é bom. Curiosamente, muitos bons atores já passaram pela franquia, como Matthew McConaughey, Renée Zellweger, Jessica Biel, Jordana Brewster e Alexandra Daddario.

Infelizmente, este novo filme mantém a tradição: é bem fraco.

A direção é do quase desconhecido David Blue Garcia, mas O Massacre da Serra Elétrica tem nomes mais conhecidos no roteiro e produção: a dupla Fede Alvarez e Rodo Sayagues, responsáveis pela refilmagem de Evil Dead e pelos dois filmes Homem nas Trevas. Olha, não sou fã do trabalho da dupla, mas esses três filmes são melhores do que a refilmagem de Massacre da Serra Elétrica.

Se a gente pode elogiar uma coisa, são os efeitos de gore. Algumas cenas de morte são muito bem feitas. Mas é pouco, não?

O filme é curto – se tirar os créditos, tem 1h14min. Mas, também, tem pouca história para contar. É tudo muito básico: um grupo de pessoas vai para uma pequena cidade quase abandonada com objetivo de revitalizá-la, aí aparece o Leatherface e mata geral. Só.

Aí resolveram trazer de volta a personagem da Sally, uma senhorinha que está há 50 anos procurando vingança. Legal, né? Não! Não é legal! Se você coloca uma personagem procurando um inimigo há 50 anos e o cara é um dos poucos habitantes de uma cidadezinha pequena, esta personagem é a investigadora mais incompetente da história! Sem contar com o fato de ser uma senhorinha frágil que não demonstra que pode derrotá-lo – mais uma vez, a gente lembra de Halloween, que transformou a final girl Laurie Strode em uma vovó badass. Lá a gente acredita que a senhorinha se preparou; aqui não.

Mas a Sally não é a única coisa ruim. A gente sabe que a maior parte dos filmes de terror por aí tem personagens com atitudes burras. O Massacre da Serra Elétrica também tem isso aos montes. Só vou citar um exemplo: a cena do ônibus. Uma galera dentro de um ônibus, Leatherface entra e começa a matar geral. Eram umas 20 ou 30 pessoas, acredito que alguns tentariam reagir pulando em cima dele, mas ok, aceito que ninguém reagiu. Só que não dá pra aceitar que a última pessoa que ele mata ABRE A JANELA DO ÔNIBUS pra tentar fugir. Caramba, se dava pra abrir a janela, por que ninguém fugiu???
Não quero citar spoilers, mas preciso mencionar isso. Outra atitude burra – talvez a atitude mais burra do cinema recente – foi quando Sally encontrou o Leatherface, apontou uma arma para a sua cara, e desistiu de atirar. Vem cá, você não estava há 50 anos atrás dele, querendo se vingar? Por que desistiu?

Tem mais coisa pra falar mal, mas vou parar por aqui. Fiquem com o original de 1974.

Ah, por fim, só uma rabugice: não tem nenhuma serra elétrica em nenhum dos filmes da franquia. Aquilo é uma motosserra!

Reacher

Crítica – Reacher

Sinopse (imdb): Jack Reacher foi preso por assassinato e agora a polícia precisa de sua ajuda. Baseado nos livros de Lee Child.

O personagem é o mesmo dos filmes Jack Reacher de 2012 e 2016, estrelados por Tom Cruise – o primeiro é um bom filme; o segundo é maomeno. Lembro que na época criticaram a escolha de Cruise, que seria muito mais baixo que o personagem no livro (Cruise tem 1,70m; Reacher teria 1,90m). Bem, este problema foi resolvido: agora temos Alan Ritchson, que realmente tem o porte físico que o personagem pede.

Pena que ele é um ator péssimo! Mas, vamos por partes.

Reacher tem a mesma pegada de filmes de ação de segunda linha dos anos 80 e 90. São 8 episódios de aproximadamente 50 minutos cada com algumas boas cenas de “tiro porrada e bomba”, mas com dois problemas básicos. Vamulá.

O primeiro problema é que o roteiro é bem fraco. Os personagens são rasos e unidimensionais (personagem de desenho animado com a mesma roupa), e as situações por onde eles passam são forçadas e são caricatas. Hoje, em 2022, fica difícil de aceitar cenas tipo aquela onde os vilões sequestram e prendem crianças numa fábrica, no meio de funcionários. Acredito que o cinema de ação evoluiu, esse tipo de cena ficou ultrapassada.

O outro problema é o ator Alan Ritchson. Sim, ele tem o “physique du rôle” que o papel pede. Mas ele parece que frequentou a “escola de atuação Cigano Igor”, o cara não consegue ter expressões faciais diferentes! A mesma cara para “meu irmão morreu”, “estou com fome” ou “vamos fazer sexo”. Me lembrou o Schwarzenegger, mas quando o Schwarza interpreta o Exterminador: um robô duro e sem emoções.

O resto do elenco, cheio de nomes desconhecidos, também é ruim, mas nada tão ruim quanto o protagonista.

Se você conseguir se desligar desses dois “detalhes”, pode até curtir a série. Como falei antes, a série tem a pegada de filmes de ação dos anos 80 e 90, mais pancadaria do que lógica. E o protagonista é bom nessas cenas, além de ser uma espécie de Sherlock Holmes quando investiga.

Parece que anunciaram uma segunda temporada. Será que dá pra trocar de ator?

Clean

Crítica – Clean

Sinopse (imdb): Assombrado pelo seu passado, um homem sujo chamado Clean tenta uma vida calma de redenção. Mas logo se vê obrigado a aceitar a violência do seu passado.

Clean é um filme difícil de classificar. É muito violento para um drama, e ao mesmo tempo muito lento para um filme de ação. Me lembrei dos filmes do Nicolas Winding Refn (Drive, Apenas Deus Perdoa) – com o agravante de não ter o visual elaborado dos filmes do diretor dinamarquês (não curto os filmes dele, mas reconheço que são filmes com visual caprichado).

Conheço pouco da obra do diretor Paul Solet (só vi O Mistério de Grace), mas Clean me pareceu ser um projeto do ator Adrian Brody, que além de protagonizar, produziu, escreveu o roteiro e ainda colaborou com a trilha sonora. A sensação que fica é que Brody queria fazer o seu John Wick. Pena que o resultado final ficou devendo.

Revendo minhas anotações de mais de dez anos atrás sobre O Mistério de Grace, constatei um problema semelhante: um filme lento, com pouca história para contar. E Clean ainda tem outro problema; o roteiro usa uma fórmula extremamente previsível. A gente já sabe como vai ser o desfecho do filme.

Se salvam a atuação de Brody e algumas coreografias de luta. Mas é pouco.

A Jaula

Crítica – A Jaula

Sinopse (filmeb): É só mais um carro de luxo sendo roubado numa rua de São Paulo… ou não. Um ladrão entra com facilidade no SUV estacionado numa rua pacata, mas, ao tentar sair, descobre que está preso em uma armadilha, incomunicável, sem água ou comida. Recai somente sobre ele a vingança que um famoso médico planejou depois de sofrer inúmeros assaltos. Quem passa em volta não percebe o embate que se arma entre o sádico vingador e o ladrão prisioneiro dentro do carro.

Dirigido por João Wainer, A Jaula é a refilmagem de 4×4, filme argentino de 2019. Não tinha visto o filme original, e recomendo que você também não o faça. Esta versão brasileira é quase igual ao original hermano. A refilmagem pega quase todos os detalhes, até o grilo que estava dentro do carro!

Dois terços do filme se passam dentro do carro, com apenas um ator. Me lembrei de Enterrado Vivo – que é uma experiência ainda mais radical, já que é o filme todo dentro do caixão. Assim como acontece no filme do Ryan Reynolds, A Jaula tem soluções criativas tanto no roteiro quanto em ângulos de câmera para não cansar o espectador. Já o terço final, quando aparece o médico e eles saem do carro, é mais fraco. Fica parecendo uma versão de programa jornalístico sensacionalista, tipo um Datena da vida.

Teve uma coisa que achei uma falha. O carro tem vidros polarizados e é à prova de som. Quem passa ao lado não pode ver se tem alguém dentro ou não. Mas… Por que o assaltante não balançava o carro? Pessoas em volta veriam que o carro estava balançando e iam desconfiar!

Tenho uma crítica relativa ao posicionamento político. Acho que não precisava disso (o filme argentino não vai por este caminho). O filme levanta uma crítica social interessante: ambos os personagens são escrotos, ambos são mau caráter, nenhum dos dois tem razão. O filme poderia desenvolver esse questionamento – até onde um cidadão pode se defender por conta própria, já que o Estado é falho neste aspecto? Mas quando personagens falam frases e expressões ditas pelo atual presidente (“cidadão de bem”, “Deus acima de tudo”) o filme entra na polarização política que vivemos hoje em dia, e a discussão sobre o problema real fica em segundo plano.

No elenco, preciso confessar que como não vejo novelas, não conhecia nenhum dos dois principais, Chay Suede e Alexandre Nero. Mas li que não só são nomes conhecidos, como ambos já interpretaram o mesmo papel em uma novela, em fases diferentes da vida do personagem. Enfim, ambos estão bem. O único outro nome que merece créditos no elenco é Mariana Lima.

A Jaula é curto, segundo o filme B tem uma hora e 41 minutos, mas tive a impressão de ser menos de uma hora e meia. Boa opção para quem quer um filme nacional fora dos clichês de sempre.

Uncharted – Fora do Mapa

Uncharted – Fora do Mapa

Sinopse (imdb): O astuto Nathan Drake é recrutado pelo experiente caçador de tesouros Victor “Sully” Sullivan para recuperar uma fortuna acumulada por Fernão de Magalhães e perdida há 500 anos pela Casa de Moncada.

Nunca joguei, mas já ouço falar deste jogo há tempos. Lembro que, por indicação de um amigo, cheguei a procurar no youtube uns links onde colocam o jogo do início ao fim e é quase um longa metragem de animação – mas nunca vi os “filmes”. Ou seja, sei do que se trata, mas não sou nem um pouco familiarizado com o universo. Assim, fui ao cinema para ver um filme de aventura, mas tendo como referência Lara Croft e Indiana Jones em vez do videogame.

Dirigido por Ruben Fleischer (que fez o ruim Venom), Uncharted – Fora do Mapa (Uncharted, no original) é um bom filme. Temos personagens carismáticos e bons efeitos especiais em cenas de ação muito boas – esta cena que está no pôster é eletrizante! Agora, algumas coisas no roteiro me incomodaram bastante. Mas, relevando essas inconsistências do roteiro, Uncharted – Fora do Mapa é uma boa diversão.

Sei que tem um mimimi na internet porque o Nathan Drake deveria ser mais velho, mas isso não me incomodou. A galera que desligar o head canon não vai se importar com isso.

Sobre o elenco, Tom Holland e Mark Wahlberg fazem o de sempre. Pouca versatilidade (Holland parece que vai pegar o uniforme de Homem Aranha a qualquer momento), mas ambos têm carisma o suficiente para o que o filme pede. Antonio Banderas aparece menos, e também está ok. Já não digo o mesmo sobre as duas principais personagens femininas. Sophia Ali, que seria a “mocinha”, tem uma personagem apática. Mas quem está pior é Tati Gabrielle, que faz a antagonista Braddock, caricata demais. Ah, tem um cameo para quem jogava. Quando eles chegam na praia e encontram um cara que diz que já fez aquilo, é o ator que dubla o videogame.

A história fecha, mas tem uma cena pós créditos com gancho para uma nova aventura. A bilheteria dirá se veremos este novo filme ou não.

10 Filmes de Suspense Psicológico na Netflix

10 Filmes de Suspense Psicológico na Netflix

Hoje não é exatamente um top 10. Não é uma lista dos “melhores filmes de suspense psicológico”, e sim uma lista de boas opções pela Netflix. Ou seja, hoje será uma lista de opções que estão disponíveis na plataforma.

Vanilla Sky (2001)
Vanilla Sky é a refilmagem do espanhol Abre Los Ojos, de Alejandro Almenabar. Rolou uma história na época que não sei se é 100% verídica, mas é uma boa história. Tom Cruise teria visto o filme espanhol, e decidiu fazer uma refilmagem. E, para convencer o Almenabar, o convidou para sua estreia hollywoodiana, Os Outros, onde iria filmar com Nicole Kidman – que na época era esposa de Cruise (que está creditado como produtor executivo). Não sei se é verídica, mas as datas e pessoas se encaixam…
Dirigido por Cameron Crowe, Vanilla Sky conta a história de um cara jovem, bonito e rico, que conhece a mulher de seus sonhos, mas pouco depois se envolve num acidente de carro, fica com o rosto desfigurado e vê sua vida entrar em parafuso, numa trama não linear onde nem tudo é o que parece.

Efeito Borboleta (2004)
Existe uma teoria que diz que algo tão pequeno quanto o vôo de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo. Em Efeito Borboleta, um estudante universitário tem dores de cabeça tão fortes que frequentemente desmaia. Enquanto está inconsciente, ele pode viajar de volta no tempo para alterar momentos de dificuldades de seu passado. É uma boa sacada de viagem no tempo onde nem tudo dá certo. O cara volta pra consertar uma coisa, mas no presente isso causou um problema ainda maior. Aí volta de novo, e as coisas ficam cada vez piores. Filme dirigido pelos pouco conhecidos Eric Bress e J. Mackye Gruber, e estrelado por Ashton Kutcher e Amy Smart.

Ilha do Medo (2010)
Na década de 50, dois agentes federais são mandados a uma ilha onde funciona um hospital psiquiátrico, para investigar o desaparecimento de uma paciente. Uma grande tempestade os impede de sair da ilha, e eles acabam descobrindo que existe algo de estranho com a ilha. Dirigido por Martin Scorsese, Ilha do Medo é um filmão à moda antiga, com bons atores, trama bem elaborada, fotografia bem cuidada e trilha sonora impactante. O roteiro é construído de maneira que o espectador não sabe exatamente o que é mentira e o que é verdade. Estrelado por Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max Von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Elias Koteas, entre outros

Garota Exemplar (2014)
Dirigido por David Fincher, Garota Exemplar conta a história de um homem que vira o principal suspeito quando sua esposa desaparece. Ele precisa provar sua inocência, ao mesmo tempo em que investiga o que realmente aconteceu com a mulher. É um um suspense bem amarrado, com investigações bem construídas e viradas de roteiro nos lugares exatos. Com Ben Affleck, Rosamund Pike e Neil Patrick Harris.

Um Contratempo (2016)
Dirigido por Oriol Paulo, Um Contratempo é um filme espanhol daqueles que você precisa prestar atenção nos detalhes, porque nada é o que parece. Na história, o protagonista desperta em um hotel, e encontra sua amante morta coberta de dinheiro. Ele recorre a melhor advogada de defesa, e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu na noite anterior.

Rua Cloverfield 10 (2016)
Uma mulher acorda em um bunker, com um homem que afirma que o mundo exterior foi afetado por um ataque nuclear ou químico. Apesar de ser produzido pelo mesmo JJ Abrams, este não é uma continuação de Cloverfield Monstro, de 2008. O filme foca no suspense em volta do personagem paranoico e seu relacionamento conturbado com os outros personagens. Não gostei do fim, mas não chega a estragar o filme. Estrelado por Mary Elizabeth Winstead e um inspiradíssimo John Goodman.
https://www.heuvi.com.br/rua-cloverfield-10/

Jogo Perigoso (2017)
Dirigido por Mike Flanagan, hoje badalado pelas séries Maldição da Residência Hill, Maldição da Mansão Bly e Missa da Meia Noite, Jogo Perigoso é uma produção modesta: quase todo o filme se passa dentro de um quarto, com apenas dois atores. Na trama, eles querem fazer uma brincadeira para apimentar seu casamento em uma remota casa do lago, mas o marido morre inesperadamente e deixa a esposa algemada na cabeceira da cama. Com Carla Gugino e Bruce Greenwood.

Durante a Tormenta (2018)
Mais um filme de Oriol Paulo, em Durante a Tormenta temos duas histórias, em duas linhas temporais diferentes, separadas por 25 anos. Durante a Tormenta tem um que de Efeito Borboleta, onde atos em uma linha temporal geram consequências na outra. No elenco, Adriana Ugarte, Chino Darín e Álvaro Morte, o Professor de Casa de Papel.

Fuja (2020)
Uma adolescente cadeirante começa a suspeitar que sua mãe está escondendo dela um segredo sombrio. Segundo filme de Aneesh Chaganty, que lançou Buscando… em 2018. Uma produção modesta, com elenco reduzido e poucas locações, consegue fazer um suspense de fazer o espectador se contorcer na poltrona. As referências a Stephen King são explícitas. E as duas atrizes principais estão excelentes, tanto a veterana Sarah Paulson quanto a estreante Kiera Allen.
https://www.heuvi.com.br/run/

A Mulher na Janela (2021)
Amy Adams interpreta uma mulher agorafóbica que mora em Nova Iorque e começa a espiar seus vizinhos pela janela. O clima lembra Hitchcock, e o filme vai muito bem até mais ou menos dois terços, quando tudo se perde e o fim é bem besta. Mas o elenco é muito bom, além da Amy Adams, temos Gary Oldman, Julianne Moore, Jennifer Jason Leigh, Wyatt Russell, Anthony Mackie e Brian Tyree Henry.

Morte no Nilo

Crítica – Morte no Nilo

Sinopse (imdb): Enquanto está de férias no Nilo, Hercule Poirot investiga o assassinato de uma jovem herdeira.

Tecnicamente falando, esta é uma continuação de Assassinato no Expresso Oriente, de 2017. Mas não é exatamente continuação. Este é outro filme também baseado em Agatha Christie, com o mesmo personagem Hercule Poirot, mas um filme não tem nada a ver com o outro.

Antes de entrar no filme, uma coisa pessoal: para mim, este filme teve uma vantagem sobre o outro. No outro, heu me lembrava quem era o assassino. Neste filme, não me lembrava nem quem ia morrer, muito menos o assassino. Não me lembrava do livro, nem do filme de 1978 com Peter Ustinov de Poirot.

Morte no Nilo (Death on the Nile, no original) segue o clássico formato whodoneit, um o estilo de história onde a trama levanta vários suspeitos e o espectador é instigado a descobrir quem é o culpado. Ou seja, a gente já sabe o que vai acontecer: um crime será cometido, todos serão suspeitos, e o Poirot vai fazer uma investigação para descobrir o culpado.

Este formato cabe na clássica fórmula que o escritor Syd Field apresentou no seu livro “Manual do Roteiro” (e que cabe em mais de 90% dos filmes que a gente vê por aí): meia hora de introdução, aí tem um ponto de virada, a trama segue por outro(s) caminho(s), até que, meia hora antes do fim, outro ponto de virada direciona a trama para a conclusão. E por que estou falando sobre Syd Field? Porque, neste filme, achei que a primeira parte demorou tempo demais. Entendo que o espectador precise conhecer os personagens, não dá pra começar direto pela “morte no Nilo”. Mas todo esse setup demora uma hora de filme. Chega a cansar.

(Tem uma breve introdução com um Poirot jovem na primeira Guerra Mundial. Mas é um trecho meio besta, se tirar esse trecho o filme não perde nada.)

Teve uma coisa que achei ruim: diferente de um Sherlock Holmes, que apresenta ao espectador todas as pistas e todo o seu raciocínio, Poirot não explica a sua dedução. Na hora que ele fala de uma pessoa que teria jogado uma pedra em uma tentativa de assassinato, ele não fala como chegou a essa conclusão. Prefiro quando o detetive compartilha o raciocínio com o espectador.

A fotografia é boa, temos várias cenas em paisagens no Egito. Pena que algumas vezes parece tudo artificial – todo aquele cenário deve ser digital, e em alguns takes isso fica claro.

Como aconteceu no outro filme, o elenco é muito bom, afinal não é qualquer dia que a gente tem Kenneth Branagh, Letitia Wright, Sophie Okonedo, Emma Mackey, Armie Hammer, Gal Gadot, Tom Bateman, Annette Bening, Rose Leslie e Russell Brand – este último, irreconhecível.

No fim, temos um filme apenas correto.