Demonic

Crítica – Demonic

Sinopse (imdb): Uma jovem acidentalmente libera terríveis demônios quando antigas forças demoníacas, relacionadas a uma desavença de décadas entre mãe e filha, são reveladas.

Neill Blomkamp chamou a atenção do mundo com Distrito 9, uma ficção científica sul-africana que tinha efeitos especiais impressionantes e abordava o racismo de uma maneira diferente do óbvio. Claro que chamou a atenção de Hollywood, e lá foi ele fazer Elysium, super produção com elenco estelar, com Matt Damin, Jodie Foster, Wagner Moura e Alice Braga. Pouco depois fez Chappie, um filme que heu acho bem legal, mas que não vendeu bem. E isso foi em 2015. Desde então, toda vez que lia o seu nome, ou era lançando um curta novo, ou em notícias sobre um possível novo Alien – que aparentemente foi cancelado.

E aí surge Demonic. Que é beeem abaixo de tudo o que Neill Blomkamp já fez.

Demonic tem muitos problemas. Nem sei por onde começar. Acho que podemos citar o “plot twist”, mais ou menos um terço do filme, quando “descobrimos” que é um filme de terror. Demonic começa como se fosse uma ficção científica, e apresentam o lado terror como se fosse uma surpresa. Mas, caramba, está no título do filme! Está no cartaz do filme! Você pode até evitar trailers e sinopses, mas não tem como evitar o nome do filme!

(Não tenho nada contra misturar ficção científica  com terror, já fiz um post sobre o tema)

Demonic segue errando. E o pior é que tinham ideias boas a serem exploradas – heu queria ver um exército do Vaticano! Mas em vez disso, a gente tem um demônio mal explorado, uma protagonista sem sal e um monte de ações sem lógica – tipo ela não compartilhar a lança quando vai entrar na realidade virtual. E tudo isso num filme chaaato…

Ah, precisamos falar dos efeitos especiais. Tanto os camarões de Distrito 9 quanto o robô de Chappie são efeitos acima da média. E aqui, o efeito da realidade virtual é bem bobinho.

Mas, na verdade, o mais triste é saber que é o Neill Blomkamp na direção e no roteiro. Se este fosse um filme feito por galera desconhecida, a gente aceitava. Um filme meia boca, de baixo orçamento, feito por um estreante, a gente pensaria “será que esse cara pode voar mais alto em uma produção melhor?” Mas aí a gente lembra do currículo do diretor /roteirista, e só resta pena.

Kate

Crítica – Kate

Sinopse (imdb): Após ser irreversivelmente envenenada, uma criminosa cruel tem menos de 24 horas para se vingar de seus inimigos. No processo, ela forma um inesperado elo com a filha de uma de suas vítimas do passado.

E parece que a onda de filmes de ação girl power não tem fim! Agora é a vez de Mary Elizabeth Winstead chutar bundas!

Podemos analisar Kate sob dois ângulos diferentes. A história é bem fraca. Mas gostei bastante do resultado final. Bora desenvolver isso.

Dirigido pelo quase desconhecido Cedric Nicolas-Troyan, Kate (idem no original) traz uma história bem batida. Uma exímia assassina profissional descobre que foi envenenada, e resolve sair atrás de quem foi o responsável por isso. E aí a gente tem espaço pra todos os clichês do gênero.

Ok, reconheço que a gente já viu essa história. Mas, por outro lado, preciso ser coerente comigo mesmo. Sempre defendi que ideias podem ser recicladas, desde que produto final seja bom.

Kate tem pelo menos três destaques. O que mais me chamou a atenção foram as coreografias de luta. Não sei o que foi feito pela própria Mary Elizabeth Winstead e o que foi dublê, mas digo que o resultado na tela é muito bom. São várias lutas, e com uma violência acima da média dos filmes de ação por aí – algumas cenas trazem um gore digno de filmes de terror.

Isso me traz o segundo destaque: a protagonista Mary Elizabeth Winstead. Gosto dela, de Scott Pilgrim, À Prova de Morte, Rua Cloverfield, Aves de Rapina. E ela aqui está ótima. A cada hora que passa, sua personagem está mais deteriorada pelo envenenamento. Então temos uma mulher boa de briga, mas que está apanhando dos inimigos e também da sua “doença”. Belo trabalho de composição entre atuação, coreografia e maquiagem.

Por fim, queria falar da fotografia do filme. Kate se passa no Japão, temos muitas cenas noturnas com iluminação artificial, muito neon, tem um carro que deve ser um dos mais iluminados da história do cinema. E em momento algum essas luzes soam exageradas.

No elenco, o outro nome conhecido é Woody Harrelson, com um papel menor e a mesma cara de Woody Harrelson de sempre. A principal coadjuvante é Miku Martineau que faz uma jovem chatinha. Achei ela irritante, mas acho que era o propósito da personagem, então não sei se isso é exatamente uma crítica. Também no elenco, Tadanobu Asano e Jun Kunimura.

Como falei, o roteiro não é muito criativo, então o fim é um tanto quanto previsível. Mesmo assim, gostei do duelo de espadas – boa sacada, um filme no Japão com duelos envolvendo a honra.

Por um motivo que está na sinopse do filme, Kate não deve ter continuação. Pena, porque gostei da Mary Elizabeth Winstead dando porrada. Mas, pelo menos não deve esticar a ideia até cansar.

Maligno

Crítica – Maligno

Sinopse (imdb): Madison fica paralisada por visões chocantes de assassinatos terríveis, e seu tormento piora quando ela descobre que esses sonhos acordados são, na verdade, realidades aterrorizantes.

Dentre as várias vertentes do terror, duas são mais populares hoje em dia. Uma é o terror cabeça, de títulos como Babadook, It Follows, A Bruxa, Hereditário e Midsommar. A outra é o que chamo de “trem fantasma de parque de diversões”, onde o principal objetivo é a diversão do espectador, mesmo que use fórmulas repetidas. E nesta vertente, James Wan é o cara.

Sou muito fã do James Wan. Gosto muito do primeiro Jogos Mortais, dos dois primeiros Sobrenatural e dos dois primeiros Invocação do Mal, todos dirigidos por ele. O problema é que Wan saiu do terror e foi ganhar dinheiro em blockbusters – ele dirigiu Velozes e Furiosos 7 (que é uma das dez maiores bilheterias da história do cinema) e Aquaman, um dos melhores filmes da DC (e, segundo o imdb, está no momento dirigindo o Aquaman 2). E todos os outros filmes do Waniverso (continuações, prequels e spin-offs) dirigidos por outras pessoas são mais fracos. Filmes divertidos, mas esquecíveis.
Claro que vê-lo de volta na cadeira de diretor de um filme de terror era algo aguardado. E, vou te falar, Wan não decepcionou!

Sobrenatural e Invocação do Mal são filmes diferentes, mas ambos usam conceitos parecidos, de casa mal assombrada. Aqui em Maligno (Malignant, no original), Wan muda um pouco o conceito. Tem algo de possessão, um pouco de investigação policial, e tem uma criatura / entidade / vilão que é um grande achado. Mais tarde volto a falar deste personagem.

Precisamos falar da câmera de Wan. O cara sabe filmar. Você pode até não curtir o estilo, mas é preciso reconhecer que Wan sabe muito bem posicionar sua câmera como poucos no cinema atual. Ângulos, movimentos de câmera, cada cena é bem cuidada – chega a ter uma cena filmada de cima, dentro da casa, por vários cômodos, como se fosse uma casa de bonecas. Ver um filme bem dirigido assim é uma delícia!

Os efeitos especiais são outro destaque. Adorei os efeitos para mudar o cenário nas visões da protagonista, o cenário se dissolve e se reconstrói, com a câmera rodando em volta da personagem. O visual disso ficou muito legal. Outro destaque está na criatura, vou falar mais na parte com spoilers.

A fotografia aproveita a câmera sempre bem posicionada e os efeitos especiais, e, junto com uma boa trilha sonora do habitual colaborador Joseph Bishara, dão a Maligno um resultado visual muito bom.

Aliado a tudo isso, Maligno traz um plot twist de explodir cabeças! Sério, quando acabou o filme, conversei com um amigo, que comentou a mesma coisa!

Quero falar dos efeitos especiais da criatura, mas, isso pode entrar no terreno de spoilers, então vou deixar um aviso. Mas, quem quiser seguir, só vou falar da parte técnica, nada sobre a trama.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

A criatura / entidade se movimenta de maneira diferente do normal. Logo de cara a gente pensa que é cgi, mas nem tudo nessa movimentação é digital. Quem está debaixo da maquiagem é a bailarina / contorcionista Marina Mazepa. O trabalho dela deu um upgrade no visual do filme!

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, o papel principal é de Annabelle Wallis, que está muito bem, e já esteve no Waniverse, é uma das principais atrizes em Annabelle. Fora ela, ninguém digno de nota no elenco principal. Agora, queria fazer 3 comentários sobre o elenco secundário. A personagem principal, quando adolescente, é interpretada por McKenna Grace, de A Maldição da Residência Hill, Eu, Tonya e Annabelle 3. A enfermeira (que acho que só aparece uma vez) é Patricia Velasquez, dos filmes A Múmia com o Brandon Fraser. Por fim, a loira que briga na cadeia é Zoë Bell, figurinha frequente nos filmes do Tarantino, como dublê ou como atriz.

O fim do filme traz espaço pra uma nova franquia, o que não surpreende ninguém. Tomara que o diretor seja o mesmo. Se trocar, a gente sabe que a qualidade deve cair.

Por fim, cuidado com os nomes. Teve um filme mal lançado aqui em 2019, que tem o mesmo nome em português, apesar de no original ter o nome The Prodigy. Cuidado!

A Profissional / The Protege

Crítica – A Profissional / The Protege

Sinopse (imdb): Resgatada quando criança pelo lendário assassino Moody, Anna é a assassina de aluguel mais hábil do mundo. Mas quando Moody é brutalmente assassinado, ela jura vingança pelo homem que lhe ensinou tudo o que ela sabe.

Falei no texto sobre Gunpowder Milkshake sobre o atual momento de filmes de ação girl power. São vários filmes de ação estrelados por mulheres, coisa que heu gosto muito. Mas… Infelizmente são poucos os bons filmes no meio destes. A Profissional (The Protege, no original) é um desses.

A Profissional é mais um filme genérico. Algumas boas cenas de ação aqui e ali, mas uma história de vingança besta.

A direção é de Martin Campbell, que tem altos e baixos na carreira. Ele é lembrado por dois 007s de gerações diferentes, Goldeneye (1995) e Cassino Royale (2006). Mas, também é lembrado por Lanterna Verde, aquele com o Ryan Reynolds. Ok, The Protege não é tão ruim quanto Lanterna Verde. Mas está bem abaixo dos filmes do James Bond.

O filme tem um plot twist lá perto do terço final que quase me fez desistir. Não foi um bom caminho…

Três comentários sobre o elenco. Maggie Q não atrapalha, mas lhe falta carisma para carregar o protagonismo de um filme assim. Ela não está ruim, mas também não está bem – coerente com o filme. Samuel L. Jackson tem uma carreira gigante, está na Marvel, estava em Star Wars, em vários filmes do Tarantino. Mas, de uns filmes pra cá, parece que ele está no automático, sempre repetindo o mesmo papel. Continuo gostando dele, mas, queria vê-lo fazendo algo diferente. Já Michael Keaton, esse sim, é a melhor coisa do filme. Assim como no Homem Aranha, seu personagem está longe de ser um vilão caricato, e suas cenas com a Maggie Q são a melhor coisa do filme. Ainda no elenco, mais um nome digno de nota é Michael Bien, num papel menor como o líder dos motociclistas.

Enfim, como falei, A Profissional não é ruim. Vai distrair os menos exigentes. Mas ainda estou esperando um novo Atômica

Deus Branco

Crítica – Deus Branco

Sinopse (imdb): Lili, de 13 anos, luta para proteger seu cachorro Hagen. Ela fica arrasada quando seu pai acaba por libertar Hagen nas ruas. Ainda acreditando inocentemente que o amor pode vencer qualquer dificuldade, Lili sai para encontrar seu cachorro e salvá-lo.

Inicialmente a gente pensa que vai ver um filme no formato Disney, uma menina e um cachorro se separam, e vão passar por muitas confusões até o reencontro. Que nada, o filme húngaro Deus Branco (White God em inglês, ou Fehér isten em húngaro) é bem diferente.

O cachorro Hagen passa por um monte de roubadas. Foge da carrocinha, é capturado, vendido e transformado em cão de briga em rinhas, briga, mata, lidera uma rebelião de cachorros… A gente começa achando que o filme vai seguir uma linha mais realista, mas o tom muda para o fantástico, tem momento que lembra filme de terror, depois vira filme de vingança, filme de fuga da cadeia…

Não conheço ninguém do elenco, acho que foi o primeiro filme húngaro que heu vi. Na verdade, o que mais me chamou a atenção foi a atuação do cachorro – na verdade eram dois cachorros alternados. Fiquei me imaginando como seria filmar assim, o cachorro passa por muita coisa!

O filme traz uma sutil crítica ao preconceito dos europeus, porque cachorros sem raça pura são os que pagam multa. E, de propósito, aparentemente a produção do filme só usou cachorros vira latas. Foram quase 280 cachorros, e todos foram encaminhados pra adoção depois do filme.

O filme é húngaro, achei legal ter a música Rapsodia Húngara como parte importante do roteiro.

Por fim, o nome. Não tenho ideia do que seria o Deus Branco. Existe um filme de 1982 chamado White Dog, mas o diretor Kornél Mundruczó declarou que não conhecia este filme. Se alguém souber, pode comentar aqui embaixo.

Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Crítica – Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Sinopse (imdb): Shang-Chi é obrigado a confrontar um passado que julgava ter deixado para trás quando é atraído à teia da misteriosa organização conhecida como os Dez Anéis.

Ah, como é bom viver este momento! Sou fã do cinema de entretenimento, do blockbuster bem feito, e é muito bom estar acompanhando ano a ano o que a Marvel está construindo com o MCU. Foram mais de vinte filmes ao longo de 11 anos, pouco a pouco construindo um time de super heróis que se juntariam num grande evento que foram os dois últimos filmes dos Vingadores.

E a pergunta que ficava na cabeça do espectador era: e agora? O que vem depois? Como seguir em frente depois de algo tão grandioso?

Vieram as séries (WandaVision, Loki e Falcão e o Soldado Invernal), mostrando opções para o futuro do MCU, boas séries, mas ainda sem muitas novidades, tudo muito preso ao que já existia (ok, Loki mostrou um novo caminho). Veio o filme da Viúva Negra, bom filme, mas que veio atrasado, e também muito preso ao passado do MCU.

E agora estreia Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis, um filme de origem, onde a Marvel finalmente apresenta novos personagens e um novo universo a ser explorado.

O personagem Shang Chi era publicado aqui no Brasil em HQs com o nome de “Mestre do Kung Fu”, mas, nunca li nenhuma dessas revistas (assim como nunca li nenhuma HQ dos outros heróis). Aliás, vou te falar que nunca tinha ouvido falar do personagem. Mas, pra este filme, não precisa conhecer previamente. Tudo o que precisamos saber do personagem está no filme.

Dirigido pelo quase desconhecido Destin Daniel Creton, Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings no original) traz um visual deslumbrante, lutas excelentes, personagens carismáticos e uma história envolvente. Nada mal para um filme de origem de um novo super herói.

Aliás, é bom falar. Assim com acontecia nos primeiros filmes de cada super herói, Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um filme independente dos outros. Se você nunca viu nenhum filme do MCU, sem problemas, você pode acompanhar tudo o que acontece aqui. Mas, tudo se passa dentro de um contexto, onde tudo o que existia antes continua sendo respeitado. Alguns elementos do MCU são inseridos aqui, pra mostrar que Shang Chi faz parte de um projeto maior.

A primeira coisa que chama a atenção em Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis é o visual. A fotografia é linda, cheia de cores, cheia de elementos da natureza. E as lutas são ótimas, tanto pelas coreografias quanto pelos efeitos usados nelas. Por fim, ainda temos um cgi perfeito, que mostra seres fantásticos e efeitos impressionantes com água.

(Parênteses pra voltar a falar das lutas. A luta no ônibus, que aparece no trailer, é muito boa, e olha que a gente já teve outra luta boa em ônibus este ano, em Anônimo. E a luta onde o casal se conhece é sensacional, uma mistura de luta com dança onde os adversários flutuam lembrando filmes como O Tigre e o Dragão. E essas duas lutas são no início do filme!)

O elenco principal é quase todo oriental, um bom sinal que finalmente Hollywood está se diversificando – se Shang Chi fosse feitos anos atrás, ia ter um monte de gente branca no elenco. O papel principal ficou com Simu Liu. Heu não conhecia ele, achei que era que nem o Chris Hemsworth, que era um coadjuvante de poucos papéis antes de virar o Thor, mas o imdb dele tem títulos desde 2012. Gostei dele, vai ser uma boa vê-lo nos próximos filmes do MCU. O pai do Shang Chi é interpretado por Tony Leung, ator chinês que tem uma filmografia enorme, e não me lembro de nenhum filme hollywoodiano – lembro dele em Bala na Cabeça, um dos meus filmes favoritos do John Woo (ele também fez Fervura Máxima e A Batalha dos Três Reinos com o John Woo). Tony Leung também está ótimo, é um vilão bem construído, dá pra entender suas motivações.

E são pelo menos quatro papeis femininos importantes. Duas eram novidades pra mim: a mãe, interpretada por Fala Chen; e a irmã, interpretada por Meng’er Zhang (segundo o imdb, é seu primeiro papel). Gostei das duas, são bonitas, carismáticas, lutam bem, vou procurar mais filmes com ambas. Também tem a Michelle Yeoh, currículo enorme, inclusive foi citada aqui recentemente duas vezes, em Gunpowder Milkshake e Boss Level – e não podemos esquecer que ela estava em O Tigre e o Dragão, citado lá em cima. Por fim, tem a Awkwafina como alívio cômico. Descobri que ela tem um grande fã clube, mas, sei lá, acho ela meio sem graça. Pelo menos aqui em Shang Chi ela funcionou bem, as piadas foram bem dosadas.

Ah, não só são vários atores orientais, também achei muito bom ver um blockbuster americano com muitos diálogos em chinês!

Tem mais nomes no elenco, mas pode ser spoiler. Heu não sabia, foi uma agradável surpresa, então não vou falar aqui.

É Marvel, então tem humor. Mas não é uma comédia assumida como Thor Ragnarok, por exemplo. É um filme de ação com momentos engraçados.

Ah, claro, tem cenas pós créditos. Duas. Uma no fim dos créditos principais, outra lá no final de tudo. Padrão.

Heu poderia continuar falando aqui, mas vou parar pra não ficar muito grande. Em breve vou gravar um podcrastinadores, e com spoilers, lá entrarei em mais detalhes. Fiquem de olho em podcrastinadores.com.br

The Green Knight

Crítica – The Green Knight

Sinopse (imdb): Uma fantasia que reconta a história medieval de Sir Gawain e o Cavaleiro Verde.

Quando falam em filmes da A24 que dividem opiniões, me lembro de quatro filmes que ajudaram a cunhar a polêmica expressão “pós terror”: Hereditário e Midsommar (ambos dirigidos por Ari Aster), e A Bruxa e O Farol (ambos dirigidos por Robert Eggers) – gostei dos 3 primeiros, detestei o quarto. Mas, independente de gostar ou não, vendo esses quatro títulos, a gente entende que a proposta dos filmes da A24 é bem longe do mainstream.

Ou seja, heu já sabia que The Green Knight seria um filme cabeça. Até curto alguns filmes assim, mas admito que prefiro quando um filme não precisa de “manual de instruções”. Ou seja, The Green Knight já começou contando pontos negativos pra mim.

Dirigido por David Lowery (que anos atrás fez A Ghost Story, que é outro filme que também dividiu opiniões), The Green Knight tem problemas, mas também tem seus méritos . Vamos por partes.

O visual do filme é ótimo. É um filme medieval, temos o Rei Arthur e a távola redonda, e a ambientação é muito boa, tanto nas cenas internas quanto nas externas – não sei o que era paisagem natural e o que era tela verde. O visual do cavaleiro verde é outro destaque, a cena onde ele aparece no meio da távola é muito boa (aliás, parênteses pra falar da voz do Ralph Ineson, nunca tinha prestado atenção na voz dele, e que vozeirão!).

Também precisamos falar de Dev Patel. The Green Knight é daqueles filmes centrados na jornada de um personagem, basicamente todo o filme gira em torno dele. E Dev Patel está ótimo, não será surpresa se ele for indicado ao Oscar por este papel. O resto do elenco está ok, mas sem destaques. Também no elenco, Alicia Vikander, Joel Edgerton, Sean Harris e Kate Dickie.

Gostei bastante da sequência final. Li críticas negativas, mas curti como a história se desenvolveu naquele ponto.

Agora, o filme é chato. São duas horas e dez minutos, e várias sequências desafiam a paciência do espectador.

Sobre o “lado cabeça” do filme. Não acho que um filme precise explicar tudo. Mas tem coisas que funcionam, e outras não. Vou dar dois exemplos, pra não entrar em spoilers. Por um lado, a gente tem a raposa. Ninguém explica o que é a raposa, e essa explicação não é necessária para o filme. Heu acho que significa uma coisa, mas se não for, ok. Por outro lado, tem uma sequência com mulheres gigantes. Pra que? Tire as mulheres gigantes, o filme não perde nada; tire a raposa, o filme perde.

The Green Knight vai dividir opiniões. Uns vão achar genial, outros vão achar pretensioso. Minha recomendação é:vá de cabeça aberta!

A Lenda de Candyman

Crítica – A Lenda de Candyman

Sinopse (imdb): Uma “sequência espiritual” do filme de terror de 1992 “O Mistério de Candyman”, que retorna ao bairro de Chicago, agora gentrificado, onde a lenda começou.

Continuações / reboots dão retorno financeiro, e por isso fazem vários, e vão continuar fazendo mais. Pena que, quase sempre, são desnecessários, e com qualidade duvidosa – só nas últimas semanas falei da sequência de Invocação do Mal e do reboot de Jogos Mortais – ambos fracos. É difícil a gente lembrar de um reboot que realmente era necessário (pensei em Duna, que é um livro cultuado que teve uma adaptação muito questionada, e que este ano vai ter um reboot – será que vai ser bom?).

Mas aí, ok, Candyman tem quase 30 anos que foi lançado, então o reboot era até justificado. Pena que a qualidade ficou bem abaixo do desejado.

Pra começar, é um filme de terror que não dá medo. Ok, admito que acho a lenda meio boba – olhar pro espelho e falar o nome 5 vezes? E se falar outra coisa no meio, tá valendo? E se falar uma vez hoje, e na semana que vem falar outras 4? Enfim, independente da lenda ser boa ou não, o filme pode fazer um bom trabalho na hora da tensão. Mas aqui, nada. Nenhum susto, algum gore por causa das mortes, mas nada muito gráfico. E, pra piorar, o filme é arrastado – uma hora e meia, que não terminavam nunca.

O Candyman original, de 1992, baseado no conto “The Forbidden” do escritor Clive Barker, e dirigido por Bernard Rose (que não fez nenhum outro filme digno de nota), trazia uma abordagem de crítica social. Este novo, com Jordan Peele como um dos roteiristas, claro que também ia abordar questões sociais e raciais. Mas, se em Corra, Peele fez um bom filme de terror e uma boa crítica social, aqui em A Lenda de Candyman há falhas em ambos os aspectos. O filme é sonolento, e na parte de crítica social, o discurso aqui pedia um pouco mais de sutileza. Do jeito que foi apresentado, ficou forçado.

Tem uma outra coisa que me incomodou, espero que não seja spoiler, mas… O protagonista começa a virar o Candyman. Não me lembro de detalhes do filme dos anos 90 (lembro menos ainda das continuações), mas Candyman era uma entidade, não tinha ninguém virando Candyman. Isso me lembrou A Hora do Pesadelo 2, onde o personagem começa a virar o Freddy. E lembrar de Hora do Pesadelo 2 nunca é um bom sinal.

Nem tudo é ruim. Gostei do uso de teatro de sombras pra contar os flashbacks, um efeito simples e eficiente. O ator principal, Yahya Abdul Mateen II (Aquaman, Watchmen), está bem no papel, e digo o mesmo pra Teyonah Parris (a Monica Rambeau de Wandaviasion). Outro detalhe digno de nota: o filme é cheio de espelhos, e sei isso dificulta bastante as filmagens. Pelo menos na parte técnica, a diretora Nia daCosta (que está filmando um dos próximos filmes do MCU) fez um bom trabalho.

Mas o resultado final é fraco. Pena.

Caminhos da Memória

Crítica – Caminhos da Memória

Sinopse (imdb): Um cientista descobre uma maneira de reviver seu passado e usa a tecnologia para procurar seu amor perdido há muito tempo.

Escrito e dirigido por Lisa Joy, que é uma das criadoras da série Westworld, mas ainda não tinha dirigido nenhum longa até então, Caminhos da Memória (Reminiscence, no original) é uma mistura de ficção científica distópica com filme noir. Caminhos da Memória traz elementos do filme noir, como narrações em off, um protagonista mal humorado e uma femme fatale misteriosa, mas o que mais me chamou a atenção aqui foi a ambientação num mundo onde as águas estão subindo.

O filme não entra em detalhes (e nem precisa), mas a gente entende que algo aconteceu e o planeta está mais quente. As pessoas trocaram o dia pela noite, porque os dias são quentes demais; e o filme se passa em uma Miami parcialmente tomada pelo mar. Alguns prédios estão “dentro” do mar, e parte da cidade tem barreiras segurando a água. Também sabemos que aconteceu uma guerra, mas não sabemos muito sobre isso, se tem a ver com o problema climático ou não.

O filme explora pouco essa ambientação do mar invadindo, o que achei uma pena, porque isso pareceu muito mais interessante do que a história do filme em si. Fiquei imaginando o Rio de Janeiro com o mar subindo. O bairro onde moro ia ficar quase todo com água alcançando os prédios.

(Aliás, não entendo de geografia da Florida, mas será que não seria melhor a população se mudar para regiões mais altas? Aqui no Rio isso ia ser fácil, a serra não é longe.)

Enfim, temos uma boa ambientação, mas isso pouco importa para a trama, que foca mais no clichê do cara obcecado pela mulher misteriosa…

Nada contra a trama seguir por este caminho, mas, aqui, tivemos um problema: o filme ficou chato. Tão chato que a gente pára de se importar com os personagens. No meio do filme me peguei brincando de “Seis Passos para Kevin Bacon” – lembrei que Bacon foi vilão em um X-Men, mas não me lembrava se o Hugh Jackman estava neste X-Men. Aí lembrei que Thandiwe Newton e Rebecca Ferguson estiveram em filmes da série Missão Impossível, ambas trabalharam com Tom Cruise – que fez Questão de Honra com Kevin Bacon. E acabou a minha diversão enquanto esperava o filme passar… 😛

(Heu fiz um curta com o Fernando Caruso, que fez o filme do Pelé com o Diego Boneta, que fez Rock Of Ages com Tom Cruise, que fez Questão de Honra com Kevin Bacon. Estou a 4 passos do Kevin Bacon!)

O elenco está ok. Hugh Jackman está competente como sempre. Thandiwe Newton (que mudou a grafia do nome a partir deste filme) também está bem, mas teve uma cena em particular que achei sua personagem exagerada. Rebecca Ferguson, que foi dublada em O Rei do Show, aqui finalmente mostra sua voz cantando. (Teve uma cena que achei que ela estava igual à Jessica Rabbit, será que foi proposital?) Também no elenco, Cliff Curtis, Marina de Tavira, Daniel Wu e Angela Sarafyan.

No fim, fica aquela sensação de belo visual, mas num filme vazio. Não quero ver uma continuação, mas veria um prequel mostrando como o mundo chegou naquele estado.

Top 5 Plágios de Guerra nas Estrelas

Top 5 Plágios de Guerra nas Estrelas

Guerra nas Estrelas – ou Star Wars, como é mais conhecido hoje em dia (sim, sou velho) foi um grande sucesso desde o seu lançamento, lá em 1977 (aqui no Brasil foi em 1978). E o que acontece quando algo faz muito sucesso? Aparecem cópias.

Às vezes Hollywood tem “filmes gêmeos”, mas aí não é exatamente uma cópia de um filme que fez sucesso. Um grande estúdio anuncia um filme sobre um tema, aí outro estúdio desenvolve outro filme no mesmo tema, e um acaba surfando no sucesso do outro. Filmes como Armagedom e Impacto Profundo, ambos lançados em 1998, que são filmes catástrofe com um asteroide ou cometa que vai se chocar com o planeta. Ou Inferno de Dante e Volcano, ambos de 1997, ambos filmes catástrofe com vulcões. Ou ainda Robin Hood Príncipe dos Ladrões e Robin Hood Herói dos Ladrões, ambos de 1991 – e ainda teve o Robin Hood do Mel Brooks em 1993!

Mas, o vídeo de hoje não é sobre esses filmes. Esses não são plágios. Mas, se o assunto te interessa, aqui tem um Podcrastinadores sobre esse tema.

O vídeo de hoje é sobre cópias. Muitas delas, plágios na maior cara de pau. Acho que todos os brasileiros se lembram daqueles DVDs lançados nas Lojas Americanas – a Pixar lançou Carros, apareceu o DVD Carrinhos; a Pixar lançou Ratatouile, apareceu o DVD Ratatoing. Outro bom exemplo é a produtora Asylum, que produz títulos como Transmorfers ou The Terminators. Quando anunciam um novo filme, a Asylum pega o título e a sinopse, e faz um filme rapidinho pra lançar no mercado antes do lançamento do oficial. É assim que eles conseguem escapar de processos – como o filme deles é feito antes, não é uma cópia do filme em si, e sim em cima da ideia.

Ainda preciso citar outro exemplo, que é a paródia, filmes como Top Gang, Máquina Quase Mortífera e Todo Mundo em Pânico. Preciso citar paródias porque provavelmente muita gente vai pensar em Spaceballs, do Mel Brooks. Não dá pra chamar de plágio, porque, propositalmente, Spaceballs usa elementos de Guerra nas Estrelas pra fazer piadas. Tipo ter um capacete parecido com o Darth Vader, e a gente ouve a respiração, e quando abre o capacete, é o Rick Moranis, de óculos e com dificuldade de respirar. Genial!

Vamos aos plágios? Desta vez não tem exatamente uma ordem. É complicado pensar numa ordem, seria de pior pra melhor? De mais tosco pra menos tosco? De mais plágio pra menos plágio? Vamos sem ordem mesmo.

Message From Space (1978)

George Lucas se inspirou em elementos da cultura japonesa para o seu filme. Message From Space pode ser uma espécie de revanche. Até então o filme mais caro produzido pela Toei (entre 5 e 6 milhões de dólares), Message From Space traz um planeta escravizado por um tirano espacial, e sua população pede ajuda para um time intergalático.
Message From Space tem uma trama diferente da trama de Guerra nas Estrelas, mas são vários elementos visuais que lembram. Tem uma princesa, um robô, um vilão imponente, um exército do mal, naves em trincheiras…

Mercenários das Galáxias / Battle Beyound the Stars (1980)

Se George Lucas se inspirou em A Fortaleza Escondida, de Akira Kurosawa, Roger Corman fez uma aventura espacial baseada em outro clássico do Kurosawa, Os Sete Samurais. O filme conta a história de um jovem fazendeiro que precisa de ajuda pra impedir que um ditador destrua o seu planeta. Apesar de plágio descarado, Mercenários das Galáxias não é um filme ruim. E tecnicamente, tem dois nomes que se tornariam muito mais importantes no futuro: James Cameron nos efeitos especiais e James Horner na trilha sonora.

Star Crash (1978)

Se é uma lista de plágios, não podemos deixar de ter um italiano!
Não sei como funcionam as leis de direitos autorais na Itália. Mas lembro que quando comecei a procurar cds piratas de artistas que gosto, quase todos eram italianos.
Antes de seguir, um parênteses pra explicar a diferença entre compartilhamento de arquivos e bootlegs. Hoje em dia a pirataria na internet consiste basicamente em você compartilhar um arquivo sem pagar pelos direitos. Existe aos montes, com filmes e com músicas. Mas trata-se de cópia de material oficial. Bootlegs não eram oficiais. Eram gravações de shows, muitas sem qualidade, e quase sempre sem o artista saber da existência.
Ambos são pirataria, ambos são ilegais. Mas são coisas diferentes.
Aproveito pra contar uma história pessoal. Uma vez encontrei pra vender uns cds piratas dos Mutantes. Sou muito fã de Mutantes, claro que comprei. Supostamente, era uma gravação bootleg do último show deles, em 1978.
Anos depois, fiz um trabalho de transcrição de partituras para songbook com o Luciano Alves, que era o tecladista dos Mutantes nessa época. Pensei “será que ele ia gostar de saber que tenho um cd pirata com ele tocando?” Resolvi contar pra ele, e ele ficou feliz, porque já tinha ouvido falar da existência dessa gravação, mas não sabia se era real ou não. Ele me pediu uma cópia, e disse que ia repassar pro Rui Motta, que era o baterista nessa ocasião.
Fiz a “volta completa” no bootleg: adquiri um cd pirata, e depois copiei pro próprio artista que foi pirateado!
Voltando ao cinema… Claro, o cinema italiano tem vários casos de cópias de filmes hollywodianos – tanto que criaram o termo “western spaghetti” pra falar de faroestes feitos na Itália. E o que é curioso é que teve gente talentosa que surgiu no meio desses filmes copiados, gente como Sergio Leone e Dario Argento.
Star Crash é uma “ficção científica spaghetti”. É uma aventura espacial com cara de Guerra nas Estrelas. Sabe a frase “A long time ago in a galaxy far far away”? Que tal trocar por “Into the farthest reaches of space and time”? É uma cópia tão descarada que tem até um sabre de luz! Bem, uma coisa Starcrash fez antes de Guerra nas Estrelas. Anos antes do biquini dourado, a personagem Stella Star passa quase o filme inteiro com poucas roupas.
The Man Who Saves The World – Turkish Star Wars (1982)

Este The Man Who Saves The World deve ser um dos maiores casos de plágio descarado da história do cinema. O filme simplesmente usa cenas de Guerra nas Estrelas ao fundo. E ainda usa a trilha sonora de Caçadores da Arca Perdida! Sério, não tem muito mais o que falar. Cara de pau nível máximo.

Battlestar Galactica (1978)

Battlestar Galactica, ou BSG, é um caso à parte. Vamos por partes.
Em primeiro lugar, o roteiro já existia antes do lançamento de Guerra nas Estrelas, mas a produção só conseguiu luz verde depois.
Em segundo lugar, porque a série ganhou um reboot em 2004, e esse reboot é muito muito bom – arrisco a dizer que é – dentre todas as séries que já vi – a melhor série de todos os tempos. Então fica estranho algo de tão boa qualidade ser chamada de plágio.
Além disso ainda tem o lance que BSG é uma série, e aqui estou falando de filmes. Mas, tem uma área cinzenta aí. Os três primeiros episódios juntos fazem “o filme que deu origem a série”, e passou nos cinemas em alguns lugares. Lembro de ter visto no cinema do Barra Shopping!
Mas… A série de 1978 tem tantos elementos parecidos que George Lucas chegou a processar a Universal, detentora dos direitos sobre BSG. (Sério, Lucas? Processa BSG e deixa o Turkish Star Wars passar?). Ralph McQuarrie e John Dykstra inclusive trabalharam nos efeitos especiais das duas produções.
Bem, como fã de Guerra nas Estrelas e também de BSG, preciso dizer que a versão de 2004 não tem nada de plágio, é uma série fortemente recomendada. E a versão de 1978 tem cara de plágio sim, mas era divertida.