Sem Remorso

Crítica – Sem Remorso

Sinopse (imdb): Um Navy SEAL de elite segue um caminho para vingar o assassinato de sua esposa apenas para se encontrar dentro de uma conspiração maior.

Filmes baseados em Tom Clancy costumam ser bons. Com roteiro do Taylor Sheridan (Sicario, A Qualquer Custo), e com Michael B Jordan (Creed, Pantera Negra) no papel principal, vira um daqueles filmes que prometem ser um filmaço. Bora ver qualé.

Tom Clancy é um autor de best sellers, criou o personagem Jack Ryan, que já rendeu cinco filmes longa metragem e uma série de TV – A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), onde é interpretado por Alec Baldwin; Jogos Patrióticos (1992) e Perigo Real e Imediato (1994), por Harrison Ford; A Soma de Todos os Medos (2002), por Ben Affleck; Operação Sombra: Jack Ryan (2014), por Chris Pine; e finalmente a série Jack Ryan (2018), com John Krasinski no papel. Vários filmes, vários atores, mas sempre o mesmo Jack Ryan, e sempre em boas tramas de ação e espionagem.

Dirigido pelo pouco conhecido Stefano Sollima (Sicario 2), Sem Remorso (Without Remorse, no original) não tem o Jack Ryan. O protagonista é John Kelly, e a proposta é que este seja o filme de origem de uma nova franquia, baseada nos livros / games Rainbow 6 (tudo do Tom Clancy). Dei uma pesquisada por alto, existe o livro Rainbow 6, mas me parece que o videogame é bem mais popular. Não li o livro e nem joguei o jogo, mas isso pouco importa pra este filme em particular.

(Jack Ryan não aparece e nem é citado, mas… Jamie Bell faz um personagem chamado Robert Ritter, mesmo nome do personagem de Henry Czerny em Perigo Real e Imediato. Ou seja, a princípio está tudo no mesmo universo.)

Não sei se por culpa do diretor (acredito que não), mas Sem Remorso é um filme genérico. O filme não é ruim, tem algumas boas cenas – gostei da sequência do avião – mas simplesmente não engrena.

Acho que o único destaque positivo está em Michael B Jordan, que realmente convence ao segurar um papel de protagonista de filme de ação. Também no elenco, Jamie Bell (que estava em Quarteto Fantástico junto com o Michael B Jordan), Jodie Turner-Smith e Guy Pearce.

Me lembrei dos meus tempos de videolocadora. Os lançamentos eram divididos em dois grupos: os filmes de ponta e os filmes de apoio. De ponta eram os blockbusters, aqueles que todo mundo queria ver, que tinha fila pra conseguir alugar. Os de apoio eram filmes novos, mas menos badalados, e na maior parte das vezes, de qualidade inferior. Daqueles que, se a gente perder, não perdeu muita coisa (Sempre fui mais de cinema e videolocadora do que de tv aberta, mas sei que tinha uma sessão na Globo onde passavam esses filmes, só não vou lembrar o nome da sessão).

Sem Remorso passa essa sensação. Um filme apenas ok.

Pena, porque tem uma cena pós créditos que traz um gancho pra continuação. Tempos atrás, o que definia uma continuação era a bilheteria. Hoje em dia, só no streaming, como é feita esta decisão se a franquia vai seguir ou não?

Aguardemos…

Espiral – O Legado de Jogos Mortais

Crítica – Espiral – O Legado de Jogos Mortais

Sinopse (imdb): Um gênio do crime desencadeia uma forma distorcida de justiça em Espiral, o novo capítulo aterrorizante do livro de Jogos Mortais.

Olha que curioso, anteontem falei de Invocação do Mal 3, filme novo de uma franquia inaugurada por James Wan. E hoje é dia de Espiral – O Legado de Jogos Mortais (Spiral, no original), filme novo de outra franquia inaugurada pelo mesmo James Wan. Pena que a qualidade não é a mesma…

Um tempo atrás li sobre um novo filme, que seria baseado em Jogos Mortais, e com Chris Rock e Samuel L Jackson no elenco. Taí, isso talvez desse um novo fôlego pra franquia, depois de 8 filmes onde a qualidade sempre foi ladeira abaixo.

Gosto muito do primeiro Jogos Mortais, um filme tenso, bem filmado, e com um dos melhores plot twists do cinema recente. Mas o segundo é pior que o primeiro, o terceiro é pior que o segundo, o quarto é pior que o terceiro, e por aí vai.

Ok, reconheço que Chris Rock hoje não é tem um star power muito grande. Mas se a gente lembrar bem, o maior nome do penúltimo filme era Callum Keith Rennie; e o maior nome do filme anterior era Costas Mandylor. Ou seja, ter Chris Rock e Samuel L Jackson é um upgrade.

Mas parece que foi tudo em vão. Espiral segue exatamente o mesmo formato dos outros filmes da saga. Algumas armadilhas criativas, umas boas cenas de torture porn, um final agitado e com som alto, e só. Não diria que é ruim, mas diria que é igual aos anteriores. Nem precisava mudar de nome.

Ah, sobre a expressão torture porn: não tem nada a ver com pornografia, é um termo usado pra cenas cujo único propósito é mostrar sangue e gore.

Sobre o elenco, Samuel L Jackson aparece pouco, o filme é do Chris Rock – que mostra que é um péssimo ator fora da comédia. Sim, ele até consegue não fazer piadas e ser sério, mas não convence no papel.

Preciso falar que, como fã de Tarantino, gostei de ver duas referências a Pulp Fiction (o nome do cofre “Jules & Vincent”, e um personagem Ezequiel).

Mas, no geral, é isso. Previsível, e desnecessário. Só pros fãs da franquia.

Friends Reunion

Crítica – Friends Reunion

Finalmente, 17 anos depois, temos algo inédito de Friends!

Vou aproveitar e contar a minha história com Friends. A série começou em 1994. Heu não vi desde o início, comecei a acompanhar durante a terceira ou quarta temporada, alguém me indicou e a série passou a fazer parte da minha rotina.

Vamos contextualizar pra quem não viveu a época. Friends passava na TV a cabo, pela Sony. Os episódios da temporada corrente passavam nas terças, no horário nobre – acho que era entre 21h e 21h30. Mas, de segunda a sexta, meia hora antes, tinha um Friends de temporadas anteriores sendo reprisado às 20h30. Ou seja, se por um lado era complicado porque a gente não sabia qual episódio ia ser exibido naquele dia e por isso muitas vezes a gente via episódios repetidos, por outro lado era fácil ver tudo das temporadas anteriores.

(E se vocês acham que ver séries assim era ruim, um dia conto como era ver séries na época da TV aberta. Era beeem pior.)

A partir da quarta temporada, heu já acompanhava os novos episódios nos dias que eram lançados aqui. Lá em casa a gente tinha a “terça feira feliz”, que era dia de pedir pizza e assistir Friends. Vou além: heu gravava os episódios em fitas VHS, cheguei a ter todas as temporadas em várias fitas – se heu soubesse que no futuro lançariam um box em dvd…

Vi Friends até o fim. As últimas temporadas tiveram alguns momentos meio fracos, mas me lembro que a série terminou bem. Teve um spin off do Joey, que era bem mais fraco e durou uma ou duas temporadas, mas ninguém viu, o que ficou na memória de milhares de fãs pelo mundo foram os bons momentos de uma das maiores sitcoms da história da TV.

E desde então começaram a surgir boatos sobre uma volta. Uma nova temporada, ou um filme, quem sabe? Afinal, existiam milhares de fãs órfãos, e nenhum dos atores teve muito sucesso depois que a série acabou – talvez só a Jennifer Aniston, não sei ao certo.

Dezessete anos se passaram, e finalmente temos algo novo. Mas não vimos Monica, Rachel, Phoebe, Joey, Chandler e Joey. Quem aparece em tela são Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer. Friends Reunion é focado nos atores e não nos personagens.

O filme se divide em alguns ambientes. Temos os seis atores visitando um set igual ao usado nas filmagens (o apartamento e a cafeteria); temos uma entrevista feita com plateia, guiada por James Corden. Temos depoimentos de anônimos e alguns famosos (como Kit Harrington e David Beckham) sobre como Friends marcou suas vidas (curioso notar que depoimentos de anônimos são muito mais interessantes que os dos famosos). Temos entrevistas com os criadores da série, David Crane, Marta Kauffman e Kevin S. Bright; temos um momento onde os seis estão sentados a uma mesa, lendo trechos do roteiro, entremeados dos trechos originais da série (talvez este seja o melhor momento deste especial). Também temos uma participação desnecessária de Cindy Crawford, Cara Delevigne e Justin Bieber – mas, por outro lado, a participação da Lady Gaga foi sensacional. Tem participações de alguns atores recorrentes da série, mas é spoiler então não vou dizer quem aparece.

Na introdução, comentam que desde que a série terminou, os seis só estiveram juntos em uma ocasião, ou seja, por mais que isso desagrade os fãs mais xiitas, eles não são amigos de verdade, são apenas atores. Não achei um exagero, me lembrei que já tive diversos trabalhos com música onde perdi o contato depois com meus ex companheiros de banda. Claro, sei que nunca tive um trabalho tão relevante e de tanto sucesso assim, reconheço que é uma comparação bem distante. Mas, por exemplo, tive uma banda de heavy metal nos anos 90, gravamos cd, tivemos vários shows em outros estados – e não conseguimos reunir a banda toda nem no único show de revival que a gente fez depois de anos – um dos guitarristas estava morando em outro país e não participou. Mas, isso pouco importa para o espectador. Se eles eram amigos ou não, não importa, o que importa é que eles funcionavam bem atuando juntos.

Li uma crítica que fala que Friends Reunion é “chapa branca”, porque não menciona os podres, não fala dos problemas de drogas, não fala do fracasso do spin off, etc. Mas, sério que vc quer comemorar um reencontro e ficar revirando podres? Não é melhor celebrar os muitos bons momentos?

Não sei se Friends Reunion vai agradar a todos os fãs. Muita gente vai achar que faltou algo, muita gente vai querer mais. Mas heu gostei. Sobre a pergunta por que eles nunca fizeram um filme. a Lisa Kudrow fala que a série terminou com finais felizes para todos os seis, e que para voltarem em uma nova temporada ou em um filme, esses finais felizes teriam que ser bagunçados, e ela disse que preferia que deixasse assim.

Para o fã é algo difícil de aceitar, porque o fã quer mais. Mas heu concordo. Prefiro algo que termine bem do que algo que estique e perca a magia. Por isso, adorei o Friends Reunion, e que seja um evento único.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Critica – Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Sinopse (imbd): Os Warren investigam um assassinato que pode estar ligado a uma possessão demoníaca.

James Wan é “o cara” do cinema de terror recente. O problema é que nem sempre a qualidade se mantém quando colocam outro diretor. Os dois primeiros Sobrenatural, dirigidos por Wan, foram excelentes; já o 3 e o 4, com outros diretores, não foram tão bons assim. O mesmo com Invocação do Mal: os dois primeiros, dirigidos por ele, foram excelentes; os spin offs Annabelle (todos os 3), A Freira e A Maldição da Chorona não foram tão bons.

E agora? Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio também não é do James Wan, foi dirigido por Michael Chaves, o mesmo de A Maldição da Chorona. Mas… Aqui Chaves fez um trabalho melhor, e não faz feio na cadeira de diretor. Aliás, tem um take que achei bem legal, pouco depois da introdução, quando conhecemos o canil – o take começa aéreo, chega na porta da casa, entra e vira um breve plano sequência apresentando o local.
Aliás 2, a sequência inicial é muito boa. Um exorcismo tenso e muito bem filmado!

Diferente dos dois filmes anteriores, aqui o clima não é casa mal assombrada, e sim possessão demoníaca. Invocação do Mal 3 é um filme tenso e sério (só me lembro de uma única piada, que faz referência à Annabelle), com alguns bons jump scares.

Se posso falar mal de uma coisa, vou falar mal da parte final. Sem entrar em spoilers, mas, a trama se divide em dois locais diferentes, e um dos locais era muito mais interessante que o outro. Na minha humilde opinião, a sequência do exorcismo na prisão enfraquece o filme (principalmente se a gente lembrar que aquilo era uma prisão, por que um padre estaria lá?), era melhor ignorar isso e focar só na outra coisa que acontece simultaneamente. Mas, Invocação do Mal 3 é baseado no casal Warren, o caso do preso possuído está registrado na história deles, e o outro acontecimento não. Pena, porque cinematograficamente falando, o outro é bem melhor.

Sobre o elenco, Patrick Wilson e Vera Farmiga são ótimos juntos, já perdi a conta de quantas vezes os vimos interpretando Ed e Lorraine Warren, e eles sempre funcionam bem, são a melhor coisa do elenco. Gostei de ver John Noble, da série Fringe. Já o garoto Julian Hilliard não está muito bem, ele estavava melhor como o moleque de óculos de A Maldição da Residência Hill. Também no elenco, Ruairi O’Connor, Sarah Catherine Hook, Eugenie Bondurant e Shannon Kook.

Invocação do Mal 3 estreia nos cinemas amanhã, dia 02 de junho. Lembre-se que os cinemas já reabriram, mas sempre com distanciamento e de máscaras!

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Crítica – Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Sinopse (imdb): Após um surto de zumbis em Las Vegas, um grupo de mercenários faz a aposta final, aventurando-se na zona de quarentena para realizar o maior assalto já tentado.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas é apenas mais um filme meia boca de zumbis. Mas, muita gente está falando dele. São dois os motivos. Um deles é que é um filme da Netflix, que virou “a nova Globo”, tudo o que vem de lá vira hype. O outro é que é o novo filme do Zack Snyder, que movimentou a nerdaiada poucos meses atrás com sua versão do Liga da Justiça, o tal Snydervese.

Snyder fazer filmes de zumbi não é novidade. Ele começou fazendo videoclipes, mas seu primeiro longa metragem foi a refilmagem de Madrugada dos Mortos, de 2004 (olha que irônico, um cara que hoje é famoso por fazer câmera lenta foi um dos primeiros a usar zumbis rápidos…). Há anos que não revejo Madrugada dos Mortos, mas lembro que gostei na época. Agora, naquela época, um lançamento de um novo filme dele não tinha o hype que tem hoje, depois de Watchman, Homem de Aço, Batman v Superman e Liga da Justiça. Zack Snyder hoje é um nome do primeiro time, não tem mais como fazer um filme meia boca de zumbis, o público vai querer algo a mais.

Pra piorar, hoje, em 2021, é difícil se pensar em alguma novidade quando o tema é zumbi. Parece que tudo já foi feito. Tirando o primeiro Invasão Zumbi, coreano, dispenso todos os filmes de zumbi lançados nos últimos anos.

(E, olha outra ironia: a sinopse de Army of the Dead é igual à sinopse de Invasão Zumbi 2, quando pessoas entram numa área limitada, dominada por zumbis, para roubar o que ficou por lá.)

Army of the Dead até começa bem. Depois de uma breve introdução mostrando qualé a do perigo a ser enfrentado no filme, temos créditos iniciais sensacionais. Ao som de uma versão de Viva Las Vegas cantada pelo Richard Cheese, temos takes em câmera lenta (claro) mostrando os personagens e como eles agem, e mostrando também os famosos cenários de Las Vegas devastados no apocalipse zumbi. Digo mais: os créditos iniciais têm o momento mais dramático de todo o filme!

Mas aí depois é tudo clichê. A gente tem o time de pessoas com personalidades diferentes, onde a gente precisa ter uma boa quantidade de gente pra morrer um de cada vez. A gente tem os zumbis que não têm nenhuma lógica – como assim, um zumbi “dormindo” em pé com os braços levantados??? A gente tem atitudes burras dos personagens. E, claro, no fim a gente tem um gancho pra continuação.

E, pra piorar, são clichês empilhados num filme que dura duas horas e meia…

Existem elementos escondidos, que se aparecessem mais talvez tornassem Army of the Dead mais interessante. Logo nos primeiros segundos de filme dá pra ver dois OVNIs; e Snyder admitiu que tem zumbis que são robôs. Me parece que quiseram guardar isso pra uma continuação. Na minha humilde opinião, se explorassem mais esses elementos, Army of the Dead podia ser bem melhor. Sem isso, virou mais um igual a tantos por aí. Algumas cenas legais, algumas cenas ruins, o previsível pra um filme meia boca de zumbis.

O nome mais conhecido no elenco é Dave Bautista, o Drax de Guardiões da Galáxia. Não é um grande protagonista, mas serve pro que precisa. Também no elenco, Ella Purnell, Omari Hardwick, Ana de la Reguera, Theo Rossi, Matthias Schweighöfer, Nora Arnezeder, Hiroyuki Sanada, Garret Dillahunt e Raúl Castillo.

Ainda sobre o elenco, uma coisa impressionante. O piloto de helicóptero seria Chris D’Elia, ele filmou todas as cenas com o resto do elenco. Mas o nome dele apareceu em escândalos sexuais, aí tiraram-no do filme e apagaram digitalmente, e refilmaram todas as cenas com a Tig Notaro em fundo verde. Vou te falar que vi o filme sem saber disso. Ficou muito bem feito!

No geral, é isso. Apenas um filme meia boca de zumbis. Vai agradar quem curte o gênero, mas quem quiser filme bom, tem coisa melhor.

E aguardem continuações. Parece que já tem confirmada uma série animada.

Delicatessen

Crítica – Delicatessen

Sinopse (imdb) – Comédia negra surrealista pós-apocalíptica sobre o proprietário de um prédio de apartamentos que ocasionalmente prepara uma iguaria para seus inquilinos estranhos.

(A sinopse não é exatamente isso, mas aqui em Delicatessen, a sinopse não é o mais importante.)

Vi Delicatessen no cinema, na época do lançamento, início dos anos 90, heu “morava” no Estação Botafogo nessa época. Devo ter visto mais de uma vez, porque lembro que copiei aquela saudação dos caras do esgoto com uma amiga.

Na época achei o máximo, porque gosto de visuais esquisitos, e lembro de uma comparação com Peter Greenaway (O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante), outro que tinha um visual maravilhoso, mas os filmes eram chatos (Delicatessen é de 91, mesmo ano que Greenaway lançou A Última Tempestade, filme que achei insuportável quando vi no cinema.)

Delicatessen também tinha um visual maravilhoso, e além disso tinha personagens esquisitos e uma história maluca. Virei fã automaticamente.

Adoro o modo como os diretores Jean Pierre Jeunet e Marc Caro filmam tudo. Os ângulos me lembram videoclipes do David Lee Roth na época dos primórdios da MTV, só que aqui as cores são desbotadas.

Revendo agora, a história é meio besta. Mas gosto de não sabermos muitos detalhes sobre o que está acontecendo com o mundo, afinal, tudo o que precisamos a gente consegue descobrir.

Como falei no início, aqui a forma é mais importante que o conteúdo. Se a história é besta, o modo como é contada não é. O visual do filme é fantástico, cada detalhe é bem cuidado, personagens, cenários, ângulos de câmera, iluminação. Delicatessen é um espetáculo para os olhos.

Delicatessen tem algumas cenas antológicas. As duas que envolvem as molas do colchão são sensacionais, tanto aquela que todo o prédio tem o ritmo das molas, quanto a outra dos dois sentados balançando no ritmo da tv. Também gosto muito de quase todos os personagens. Aquela Aurore que vive tentando se matar é genial!

Ah, fiquei com vontade de aprender a tocar serrote! 😛

Oxigênio

Crítica – Oxigênio

Sinopse (imdb): Uma mulher acorda em uma câmara criogênica sem se lembrar de como chegou lá. Como ela está ficando sem oxigênio, ela deve reconstruir sua memória para encontrar uma maneira de sair de seu pesadelo.

Antes de tudo, é importante falar: Oxigênio (Oxygen, no original) é um filme que vale ser visto sem você saber nada. A protagonista acorda sem saber o que está acontecendo, e o espectador vai aos poucos descobrindo junto com ela. E as informações são bem dosadas, proporcionando alguns plot twists bem colocados.

Oxigênio é um filme pequeno. Quase todo o filme tem um cenário diminuto e uma única atriz em tela (interagindo com a voz de uma Inteligência Artificial). Até tem algumas poucas cenas mostrando outros cenários e outros personagens em flashbacks, mas é pouca coisa – quase tudo se passa dentro da câmera criogênica, e em tempo real.

A ideia lembra Enterrado Vivo, aquele onde Ryan Reynolds passa o filme todo dentro de um caixão (um filme ainda mais radical, porque, se não me falha a memória, não tem nenhuma cena fora do caixão).

O diretor é Alexandre Aja – gosto dele, ele dirigiu Alta Tensão, da onda do cinema francês ultra violento; a refilmagem de Viagem Maldita; Piranha, que é galhofa mas divertido. Aja também escreveu os roteiros de P2 Sem Saída e Maníaco, aquele do assassino serial em câmera pov. Ok, reconheço que não tem nenhum filmaço, mas são vários bons filmes, digamos que ele passa na média.

Oxigênio é uma produção bem mais modesta, e mesmo assim tem um resultado melhor que o último do diretor (Predadores Assassinos). Aliás, esse é um filme com a cara da pandemia – mesmo nos poucos flashbacks, não vemos muitas pessoas juntas. Dá pra filmar se aglomerar!

Ok, entendo que a gente precisa de uma suspensão de descrença pra aceitar tudo o que a IA consegue fazer. Mas, se a gente embarcar na premissa que sim, a IA tem aquele poder, Oxigênio flui bem.

O grande lance aqui é a claustrofobia e a tensão – o oxigênio está acabando a cada minuto que passa! Apesar de ser um espaço minúsculo, Aja consegue vários ângulos dentro da câmara criogênica, e o filme nunca cai no marasmo.

Claro que a atuação da Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios, Truque de Mestre) ajuda. Com vários closes no seu rosto, Mélanie passa o desespero de quem tem pouco tempo pra descobrir o que está acontecendo. O único outro ator que precisa ser citado é Mathieu Almaric (O Som do Silêncio), que não aparece, mas empresta a sua voz pra IA que conversa com ela durante todo o filme.

Heu poderia falar mais, mas, como falei no início, Oxigênio é daqueles filmes que é bom a gente não saber muito, então, como propus fazer comentários sem spoilers, vou ficando por aqui. Mas confirmo: pra mim foi uma agradável surpresa ver cada pequeno plot twist.

Radioactive

Crítica – Radioactive

Sinopse (imdb): A incrível história real de Marie Sklodowska-Curie e seu trabalho ganhador do Prêmio Nobel que mudou o mundo

O texto de hoje vai ser curtinho, porque não tem muito o que se falar sobre esse filme.
Dirigido por Marjane Satrapi (Persepolis), Radioactive é uma cinebiografia sobre a Marie Curie. Um filme correto, mas, cinematograficamente falando, um filme bobo.

Vejam bem: não é um filme ruim. Pra mim foi ótimo, porque heu conhecia pouca coisa sobre a Marie Curie. Não sabia que ela tinha ganhado o Nobel duas vezes, e que sua filha também ganhou o Nobel! Num mundo muito mais machista que o atual, ela teve importantes conquistas.

No papel principal, Rosamund Pike mais uma vez manda bem – apesar do papel não exigir muito. Sam Riley faz Pierre Curie, personagem historicamente importante, mas atuação burocrática. E foi uma agradável surpresa ver Anya Taylor-Joy no fim do filme, o nome dela nem está na primeira página do imdb.

O filme usa uns flash forwards pra avançar no tempo e mostrar coisas que aconteceram no futuro por causa das descobertas da Marie Curie – coisas boas e coisas ruins. Mas não gostei muito deste artifício, achei tudo meio jogado.

Como personagem histórica, Marie Curie precisa ser conhecida. Mas, como cinema, sua cinebiografia deixa a desejar. Não é um filme que vai ser lembrado no futuro.

Cineclubismo

Cineclubismo

Hoje vou falar de um estilo de se consumir cinema.

Nasci em 71, acabei de fazer 50 anos. Nasci no Rio, mas me mudei ainda criança pra Petrópolis. Lá, quando tinha meus 12, 13 anos, já curtia muito cinema, já via quase tudo o que passava nos poucos cinemas da cidade.

Quando tinha 14, entre 85 e 86, me mudei de volta pro Rio, e ao lado da minha nova casa tinha um cinema em reforma. Um cinema que abriria em breve e que entraria na história do cinema brasileiro, o Cineclube Estação Botafogo.

(Na wikipedia fala que o Estação abriu em agosto de 85, mas na minha memória, lembro de um cinema fechado, e só me mudei no fim do ano. E agora?)

Mas, o mês pouco importa. O que importa é que o cineclube Estação Botafogo estava sendo aberto, ao lado da minha casa, e heu era um adolescente com poucos amigos e muito tempo livre.

O Estação Botafogo virou minha segunda casa.

E por que o Estação era diferente dos outros cinemas? É aqui que entra o tema deste texto: a programação era de cineclube. De vez em quando tinha um filme em cartaz, mas uma coisa que tinha muitas vezes eram pequenas mostras temáticas. Tipo, semana Francis Ford Copola. Um dia tinha O Fundo do Coração às 16h e às 20h, e O Selvagem da Motocicleta às 18h e às 22h. No dia seguinte tinha Hammet às 16h e às 20h, e Outsiders às 18h e às 22h. Aí, na semana seguinte, tinha semana Nastassja Kinski. Um dia tinha Infielmente Tua e Paris Texas; no outro dia tinha Tess e Hotel New Hampshire

(Essa “programação” é um exemplo, vi esses filmes todos lá, mas não tenho como me lembrar exatamente qual dia tinha qual filme).

O Estação foi o meu primeiro contato com Felini, Pasolini, Fassbinder, Wim Wenders, Jim Jarmusch, Buñuel, Goddard – heu estava no lado errado da música Eduardo e Mônica, porque heu tinha 16, e preferia ver o filme do Goddard. No Estação, via filmes do Luc Besson antes dele fazer filmes de ação americanos; no Estação vi um filme de um diretor tex mex, que dizia que seu filme tinha custado apenas 7 mil dólares – Robert Rodriguez e seu El Mariachi. Vi muito, muito, muito filme. Aprendi muita coisa sobre cinema lá.

A importância do Estação Botafogo cresceu, heu não era o único que frequentava aquele lugar. O grupo Estação começou a cuidar da programação de outras salas, lembro de ter lido uma matéria no jornal falando que nos anos 90 o Estação juntou 3 décadas de cinéfilos cariocas, porque faziam parte do grupo o Estação Cinema 1, em Copacabana, que foi point de cinéfilos nos anos 60, e o Estação Paissandu, no Flamengo, que foi point de cinéfilos nos anos 70. E tinha o Estação Ipanema, salas no shopping da Gávea, na Barra, em Niterói, no Museu da República. o Estação virou um grupo exibidor, parte do circuito carioca – e longe da proposta inicial de cineclube.

Hoje acredito que não exista mais espaço pra esse tipo de cinema. Naquela época, alguns filmes eram difíceis de se ver. Não tinha internet, não tinha tv a cabo, não tinha dvd, e as locadoras tinham poucos títulos. Hoje tem TUDO à disposição – se não tiver no streaming, vai ter no torrent. Quem iria ao cinema ver “filme velho”?

Mas, saudosista que sou, convidei uns amigos e ouvintes do Podcrastinadores e criei um grupo pra ver filmes velhos e bater papo sobre eles. Se alguém se interessar em participar, me avisa!

Star Wars: The Bad Batch

Crítica: Star Wars The Bad Batch

Sinopse (imdb): O ‘lote ruim’ de clones experimentais e de elite abrem caminho por uma galáxia em constante mudança logo após as Guerras Clônicas.

Até um tempo atrás, a gente estava acostumado a esperar uma semana para o novo episódio da série que estávamos acompanhando. Veio o streaming, e algumas séries tiveram a temporada inteira lançada de uma vez, levando a galera a fazer binge watch. A Disney voltou a trazer episódios semanais e mostrou pra gente as vantagens de uma série vista assim. Depois de Mandalorian, veio Wandavision, depois Falcão e o Soldado Invernal, sempre às sextas. Menos esta semana. Por que guardaram a estreia de Star Wars The Bad Batch pra terça?

Pra quem não sabe, dia 4 de maio é considerado o “dia de Star Wars”, por causa do trocadilho em inglês – May the fourth, aí guardaram o Star Wars novo pro dia 4.

(Curioso que tem uma galera que acha que o dia de Star Wars deveria ser 25 de maio, porque o filme estreou 25/05/77. Mas 25/05 acabou virando dia do orgulho nerd, ou dia da toalha (em referência ao Guia do Mochileiro das Galáxias).)

Star Wars: The Bad Batch é a nova série de animação de Star Wars. Sim, animação. Sei que muita gente tem preconceito, e até entendo. Vi todos os filmes, mais de uma vez cada, e não vi tudo o que de animações – vi Rebels, vi parte de Clone Wars, não vi Resistance… Vou te falar que também tenho um certo preconceito, reconheço. Quando vi Mandalorian e a Ahsoka citou o nome do Grande Almirante Thrawn, pulei da cadeira só de pensar em vê-lo –  e esqueci que ele já tinha aparecido em Rebels. Mas, olha, vi e gostei muito deste novo Bad Batch.

Foram anunciados 16 episódios. Logo saem mais episódios, então não vou entrar muito na trama, porque certamente ficarei desatualizado.

A trama segue os acontecimentos de Clone Wars. Não vi todo Clone Wars, mas sei que os Bad Batch apareceram em alguns episódios daquela série, vou até catar o arco onde eles aparecem.

O primeiro episódio de Bad Batch começa no momento que a Ordem 66 é executada. O que a gente conhece da Ordem 66 foi no Star Wars 3, bem legal ver isso acontecer visto de outro ângulo. Uma curiosidade: o padawan que aparece no início quando crescer vai virar o Kanan, um dos principais personagens de Rebels (foi até dublado pelo mesmo ator, o Freddie Prinze Jr., que acho que é o único nome conhecido no elenco deste episódio). Tem outro personagem de filme / série que aparece aqui, mas desta vez não digo quem é por causa de spoilers.

Somos apresentados ao time dos Bad Batch, clones modificados (e por isso “defeituosos”, daí o nome “bad batch” / “lote ruim”), cada um com suas características, e, reconheço: são bons personagens, carismáticos, engraçados, e se não a série não fosse sobre eles, heu ia querer vê-los em algum outro filme ou série. Um episódio e já virei fã do time.

A parte técnica da animação é excelente. Os primeiros Clone Wars tinham um desenho quadradão, estilo do Genndy Tartakovsky, mas depois o traço foi se modernizando. Não sei se as últimas temporadas de BB já tinham o traço como esse BB, mas posso dizer que os detalhes enchem os olhos. Mas… Como fã chato, preciso reclamar de uma coisa: os uniformes dos Stormtroopers em Kamino são pintados de vermelho com uma textura que não combina muito com o Império. Parece uma pintura artesanal, combinaria mais com os Bad Batch do que com os Stormtroopers que sempre foram muito certinhos. Pelo menos ficou bonitão.

Agora aguardemos os outros episódios. A série começou bem, que continue mantendo o nível!