Céu Vermelho-Sangue

Crítica – Céu Vermelho-Sangue

Sinopse (imdb): Uma mulher com uma doença misteriosa é forçada a entrar em ação quando um grupo de terroristas tenta sequestrar um vôo transatlântico noturno.

A divulgação fala que é filme de vampiro. Isso está no trailer e até no poster. Mas fiquei imaginando se seria melhor se a gente não soubesse. Me lembrei de Um Drink no Inferno. Hoje todo mundo sabe que é um filme de vampiro, teve continuações e até uma série. Mas, na época do lançamento, 1996, nada na divulgação mencionava ser um filme de vampiros. A gente ia ao cinema ver um filme com Quentin Tarantino, George Clooney e Harvey Keitel, onde criminosos precisavam atravessar a fronteira para fugir da polícia. Vi uma entrevista com o Tarantino (roteirista) e com o Robert Rodriguez (diretor) onde eles explicavam que sempre o espectador já sabia que era um filme de terror, a surpresa era só para os personagens. Então, por que não fazer um filme onde o espectador também é pego de surpresa? Bem, nem sei se isso seria possível hoje em dia, com a internet mostrando tudo em detalhes pra todo mundo.

Dirigido por Peter Thorwarth, Céu Vermelho-Sangue (Blood Red Sky, no original) funciona bem na mistura entre thriller de sequestro de avião e terror com vampiros. Talvez seja um pouco longo demais, pouco mais de duas horas – o filme se perde em alguns flashbacks que explicam demais o que não precisava de explicação. Mas, nada grave. O ritmo do filme é bom, segura a atenção do espectador.

Ah, algumas cenas de vampiros atacando são muito boas. A maquiagem e os efeitos especiais são muito bem feitos, os vampiros são assustadores quando atacam.

No elenco, destaque pra Peri Baumeister, que consegue expressar bem todo o drama de ser um “monstro” e mesmo assim querer cuidar do filho. Boa parte do filme ela está sob uma pesada maquiagem, e mesmo assim sua atuação continua convincente. Li algumas críticas sobre o vilão Eightball, interpretado por Alexander Scheer, mas heu gostei do personagem exagerado e caricato. Não gostei muito do garoto Carl Anton Koch, que faz o filho, mas é um problema comum com atores mirins. Curiosidade sobre o elenco: Dominic Purcell, de Prison Break, tem um papel secundário – curioso, é um nome famoso, podia ter um papel mais importante.

Não gostei de alguns detalhes do fim do filme. Nada que estrague o resto do filme, mas preciso mencionar. Como são spoilers, vamos ao aviso:

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No fim do filme, o Farid é o único sobrevivente, e estão achando que ele é um terrorista. E ele não fala em nenhum momento que o avião está cheio de vampiros! Ok, a princípio não vão acreditar nele, mas, não seria melhor tentar explicar isso do que ficar gritando que não era terrorista?
E, pouco depois, ele chama o menino. E o chefe da polícia diz pra soltarem ele. Como assim??? Ele não seria solto! Naquele momento, ele ainda era suspeito de terrorismo, e ainda mais, suspeito de ter matado todos os policiais que estavam no avião!
Pra piorar, ele estava algemado. Devem ter esquecido que cortaram a mão do personagem…

FIM DOS SPOILERS!

Céu Vermelho-Sangue é um filme alemão, mas, na Netflix, quando você seleciona a opção “idioma original em alemão”, o som é dublado em inglês. Só no fim do filme que descobri que tinha que ter escolhido “dublado em alemão” pra ter o som original…

Céu Vermelho-Sangue não é um filme obrigatório, mas vai agradar quem curte o estilo.

Um Clássico Filme de Terror

Crítica – Um Clássico Filme de Terror

Sinopse (imdb): Cinco carpoolers viajam em um motorhome para chegar a um destino comum. A noite cai e, para evitar a carcaça de um animal morto, eles se chocam contra uma árvore. Quando eles voltam a si, eles se encontram no meio do nada. A estrada pela qual viajavam desapareceu e há apenas uma floresta densa e impenetrável e uma casa de madeira no meio de uma clareira, que descobrem ser o lar de um culto de arrepiar a espinha.

Dirigido pela dupla Roberto de Feo e Pablo Strippoli, Um Clássico Filme de Terror (A Classic Horror Story, no original) parece uma mistura de um monte de filmes de terror. Tem Midsommar, Louca Obsessão, Pânico na Floresta, O Albergue, O Homem de Palha, Evil Dead… As referências parecem um pouco exageradas, mas depois a gente descobre por que.

Gostei da fotografia do filme, que usa bem as cores e os cenários na floresta e na cabana. Também gostei da trilha sonora, algumas cenas ganham uma tensão maior com aquelas frases de violino.

Agora, o roteiro tem suas escorregadas. Ok, a gente sabe que terá clichês, afinal o próprio nome avisa que é uma “clássica história de terror”, então a gente sabe que vai seguir mais ou menos um certo formato. Mas mesmo a gente sabendo que alguns personagens estão lá só para morrer, os mesmos precisam de algum desenvolvimento. Porque, com zero desenvolvimento, a gente não se importa com eles. Ah, vai morrer? Pode morrer, ué.

(Isso sem falar de um “plot twist” que é telegrafado ainda na parte inicial do filme)

No elenco, só conhecia um nome, Matilda Lutz, que fez O Chamado 3 e Vingança. Também no elenco, Francesco Russo, Peppino Mazzotta, Yuliia Sobol, Will Merrick e Alida Baldari Calabria.

No geral, gostei bastante do resultado, mesmo com algumas escorregadas aqui e ali.

Rua do Medo 1978 – Parte 2

Crítica – Rua do Medo 1978 – Parte 2

E vamos para o segundo filme da trilogia!

Sinopse (imdb): Shadyside, 1978. As aulas acabaram e as atividades de verão no Campo Nightwing estão prestes a começar. Mas quando outro Shadysider é possuído pelo desejo de matar, a diversão ao sol se torna uma luta horrível pela sobrevivência

Falei do primeiro filme alguns dias atrás. É um projeto diferente, uma série de 3 filmes, não me lembro de nenhuma trilogia sendo produzida e lançada assim ao mesmo tempo.
Normalmente quando temos uma continuação de um filme, isso acontece um tempo depois do lançamento, depois de análises da crítica e do público. O novo filme é adaptado pensando nesses fatores. Me lembro de dois casos onde a produção do segundo e do terceiro filme foi ao mesmo tempo – De Volta Para o Futuro e Matrix – mas o único caso que me lembro de uma trilogia feita de uma vez foi O Senhor dos Anéis, e que mesmo assim teve reajustes entre os lançamentos, um a cada ano.

No caso de Rua do Medo, como os três filmes são um único projeto, o segundo filme serviu pra complementar o primeiro. Dentro de um contexto mais desenvolvido, o primeiro filme até ficou melhor. Me lembrei daquele meme do Leonardo DiCaprio: antes você tinha a minha curiosidade, agora você tem a minha atenção!

Vamos ao filme. Se o primeiro – que era ambientado em 1994 – tinha toques de slashers dos anos 90, como Pânico, agora a trama se passa em 1978, e o filme tem um jeitão de Sexta Feira 13, além de uma citação clara a Carrie A Estranha.

Desta vez temos mais mortes, e consequentemente mais sangue – o que é bom, já que estamos falando de um filme de terror. E, mais uma vez, a trilha sonora dos anos 70 é ótima, com The Runaways, Kansas, Foghat e Captain & Tenille, entre outras.

No elenco, as duas principais são Sadie Sink (que também estava em Stranger Things) e Emily Rudd (que não é parente do Paul Rudd). As duas são ótimas, boas atrizes, boas personagens, mostrando duas irmãs que não pensam e agem da mesma forma.

Assim como aconteceu com o primeiro filme, este segundo Rua do Medo não é um “novo clássico obrigatório”. É apenas mais um slasher. Mas, bem feito e bem divertido. Quem curte o estilo vai curtir o filme.

O segundo filme termina com um gancho e um trailer para o terceiro filme, que vai se passar 300 anos antes – a história se passa em 1666! Tenho muitas dúvidas sobre como certas coisas vão ser resolvidas, mas vou dar um voto de confiança para a diretora Leigh Janiak e não vou comentar nada antes de ver o filme.

Em breve comento o terceiro filme. Aguardem!

Rua do Medo 1994 – Parte 1

Crítica – Rua do Medo 1994 – Parte 1

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos adolescentes acidentalmente encontra o antigo mal responsável por uma série de assassinatos brutais que assolam sua cidade há mais de 300 anos. Bem-vindo a Shadyside.

A proposta aqui era diferente. Em vez de um novo seriado, é uma série de filmes. Uma trilogia, três filmes, lançados com intervalo de uma semana cada. Ok, a gente tem zilhões de trilogias no cinema, mas não me lembro de nenhuma lançada com intervalo de apenas uma semana entre cada filme. Isso é muito bom, principalmente pra aqueles que, assim como heu, se esquecem de detalhes dos filmes vistos há muito tempo…

Rua do Medo (Fear Street, no original) é baseado em uma série de livros escritos por R L Stine, o mesmo de Goosebumps. Mas se aquele é direcionado ao público infanto juvenil, Rua do Medo pega mais pesado, rolam algumas mortes com algum gore e até rola algum sexo. Nada muito expositivo, mas não é para o mesmo público alvo de Goosebumps.

A diretora Leigh Janiak admite a influência dos slashers dos anos 90, inclusive a cena inicial é muito Pânico. E Rua do Medo segue esse formato, um grupo de jovens tentando escapar de um assassino. Nada de inovador, mas pelo menos são bons personagens. Ah, e assim como aconteceu em Cruella, a trilha sonora de anos 90 é ótima, tem Nine Inch Nails, Soundgarden, Garbage, Radiohead, Prodigy… me senti nos meus tempos de frequentador de Basement e Doctor Smith. Detalhe: tem um monte de músicas conhecidas, mas também tem trilha orquestrada do Marco Beltrami, para os momentos tensos.

Rua do Medo não tem grandes nomes no elenco. Acho que só conhecia Maya Hawke, de Stranger Things (e filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), que está em um papel pequeno. Mas este é daquele tipo de filme que não tem espaço para grandes atuações. O elenco conta com Kiana Madeira, Olivia Scott Welch, Benjamin Flores Jr, Julia Rehwald e Fred Hechinger. Ninguém se destaca, nem positiva, nem negativamente.

Se Rua do Medo fosse apenas um filme “solo”, dificilmente ia chamar a atenção. Visto sozinho, é apenas mais um slasher meia boca, a gente já viu isso várias outras vezes. Mas, fazendo parte de um projeto, a coisa muda de figura. No fim do filme, um personagem começa a contar uma história, e temos um gancho para o segundo filme (que curiosamente se passa antes do primeiro).

Ainda não vi o terceiro, mas já vi o segundo. Em breve comento aqui!

Um Lugar Silencioso Parte 2

Crítica – Um Lugar Silencioso Parte 2

E vamos para um dos filmes mais aguardados desde o início da pandemia!

Sinopse (imdb): Após os acontecimentos em casa, a família Abbott agora enfrenta os terrores do mundo exterior. Forçados a se aventurar no desconhecido, eles percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças à espreita além do caminho de areia.

Explico a introdução. A sessão de imprensa de Um Lugar Silencioso Parte 2 (A Quiet Place Part 2, no original) estava marcada, em março de 2020. Veio a pandemia, cancelaram a sessão. E, diferente de outros títulos, Um Lugar Silencioso Parte 2 nunca foi para os streamings, estavam guardando para a volta dos cinemas. Ou seja, pelo menos pra mim, esta estreia foi um marco – o cinema está voltando!

Antes de entrar nesta segunda parte, um rápido comentário sobre o primeiro filme. É um bom filme, reconheço suas qualidades, mas… tem uma coisa naquele filme que me incomoda. Me incomoda tanto que não consigo relevar. Vamulá. Eles vivem num mundo onde monstros atacam guiados pelo som, então tudo precisa ser no máximo de silêncio possível. E vai nascer um bebê, não tem como controlar o silêncio com um bebê recém nascido. Mas… Eles descobrem que podem falar alto ao lado da cachoeira. Como a cachoeira faz um barulho constante, as falas ficam “camufladas”.

ENTÃO POR QUE NÃO FAZER UMA CASA AO LADO DA CACHOEIRA???

Achei isso uma atitude tão burra que nem cogitei o primeiro filme no meu top 10 daquele ano…

Mas, vamos ao segundo filme!

Mais uma vez co-escrito e dirigido por John Krasinski, que também co-escreveu e dirigiu o primeiro, Um Lugar Silencioso Parte 2 segue a vida da mesma família, logo depois dos eventos do primeiro filme.

Na verdade, o filme tem uma sequência inicial que é um prólogo, sequência muito boa, diga-se de passagem. Não li em lugar nenhum, é um palpite meu, me parece que John Krasinski queria aparecer como ator, e como o seu personagem morreu no primeiro filme, ele precisava de um flashback. Sei lá se isso é verdade ou não, mas posso dizer que a sequência é boa, mostra o momento que os monstros chegaram e começam a atacar. Os bichos são rápidos e assustadores, e as cenas são extremamente bem filmadas.

Krasinski consegue fazer um bom trabalho na construção da tensão que permeia toda a projeção. O filme é muito tenso, e rolam uns bons jump scares aqui e ali.

Aliás, a parte técnica do filme é primorosa. Pelo lado dos efeitos especiais, desta vez vemos os monstros com muito mais detalhes, e o cgi está perfeito. Mas, não podemos ignorar o minucioso trabalho de som. É um filme que usa muito o silêncio, tanto em cenas onde os personagens precisam ser silenciosos, quanto em cenas onde o som é cortado, para mostrar o ponto de vista de uma personagem que é surda.

No elenco, Cillian Murphy se junta à familia de Emily Blunt, Millicent Simmonds e Noah Jupe, e também temos um Djimon Hounsou num papel menor, quase uma ponta de luxo. Todos estão muito bem. A personagem de Millicent Simmonds ganha uma importância maior e ela quase vira uma protagonista. Nada contra, principalmente se a gente lembrar que, além de boa atriz, ela é surda, então esse papel é perfeito pra ela. Minha única reclamação é mimimi de fã chato, então podem ignorar: sou fã da Emily Blunt, queria vê-la mais tempo na tela.

Ouvi falar de boatos sobre um vindouro terceiro filme. Que mantenha a qualidade!

Censor

Crítica – Censor

Sinopse (imdb): Depois de assistir a um vídeo underground estranhamente familiar, Enid, uma censora de filmes, começa a resolver o mistério do passado do desaparecimento de sua irmã, embarcando em uma busca que dissolve a linha entre ficção e realidade.

Censor é o novo queridinho do cinema de terror alternativo. Vai ter gente que vai adorar, mas também tem gente que vai odiar. É diferente do “terror montanha russa”, estilo que o James Wan domina como poucos. Mas também não tem muita cara do terror cabeça da A24. Censor é diferentão, não tem jump scares e tem visual VHS anos 80 – inclusive na temática.

Filme de estreia da diretora Prano Bailey-Bond, Censor fala dos video nasty. É uma boa saber o que é isso pra entender o contexto do filme. Vou citar um trecho da wikipedia:
Video nasty é um termo coloquial no Reino Unido para se referir a uma série de filmes, normalmente filmes de terror e exploitation de baixo orçamento, distribuídos em videocassete que foram criticados por seu conteúdo violento pela imprensa, comentaristas sociais e várias organizações religiosas. O termo foi popularizado pela National Viewers ‘and Listeners’ Association (NVALA) no Reino Unido no início dos anos 1980. Esses lançamentos de vídeo não foram apresentados ao British Board of Film Classification (BBFC) devido a uma lacuna nas leis de classificação de filmes que permitiam que os vídeos contornassem o processo de revisão.

A protagonista Enid (Niamh Algar) trabalha nesse departamento de censura. E isso me fez pensar como deveria ser o nosso departamento de censura, aqui no Brasil, nos anos 70 e 80 – todos os filmes que eram exibidos no cinema e na tv precisavam antes exibir um certificado de censura. Adolescente, na minha ingenuidade, achava que aquele deveria ser o melhor emprego do mundo, porque o trabalho era ver filmes. Mas, pelo contrário, devia ser terrível trabalhar num ambiente que mutilava e proibia artes. Enfim, parte do nosso passado, que bom que isso não existe mais por aqui.

A ambientação nos anos 80 é bem legal, não só nos cenários, figurinos e fotografia, como em todo o uso do VHS, dentro e fora do filme – o formato de tela e a textura da imagem às vezes mudam para ficarem parecidos com as filmagens antigas.

Censor é curtinho, mas mesmo assim é irregular. A parte final parece um pouco abrupta, talvez a protagonista precisasse desenvolver um pouco mais até chegar naquele ponto. E, para um longa que fala abertamente de filmes exploitation, até que tem pouco gore. Mas mesmo assim, gostei no resultado. Inclusive, a sequência final é genial, com a edição mostrando bem pro espectador a diferença entre a realidade e o que se passa na cabeça da protagonista.

Prano Bailey-Bond começou bem. Aguardemos seu segundo filme.

Possessão (1981)

Crítica – Possessão (1981)

Sinopse (imdb): Uma mulher começa a apresentar um comportamento cada vez mais perturbador depois de pedir o divórcio ao marido. As suspeitas de infidelidade logo dão lugar a algo muito mais sinistro.

Já comentei por aqui que na segunda metade dos anos 80 vi MUITA coisa no Estação Botafogo. Esse Possessão foi um dos mais marcantes dessa época. Heu tinha até uma camisa com essa imagem do pôster!

Mas, antes de entrar no filme, uma informação importante. Existem alguns filmes homônimos – uma vez pesquisei no imdb e achei 18 “Possessão”. Sem me esforçar muito, lembro de outros dois, um de 2002 com Gwyneth Paltrow e Aaron Eckhart; outro de 2012 com Jeffrey Dean Morgan e Kyra Sedgwick. Este é de 1981, com Isabelle Adjani e Sam Neill.

Escrito e dirigido por Andrzej Zulawski, Possessão (Possession, no original) é um filme difícil até de classificar. A classificação óbvia seria terror, mas certamente ia desagradar boa parte do público usual de terror. Tem sangue e gore, mas não só não tem jumpscares como tem muita coisa sem explicação no filme.

Sim, Possessão é daqueles filmes onde a gente não entende boa parte do que está acontecendo. Claro que existe algum simbolismo do “duplo” – tanto a Isabelle Adjani tem uma outra versão na professora (só muda a cor dos olhos); quanto o Sam Neill aparece numa versão rejuvenescida. Mas não existem explicações. Não se explica o que é a criatura no apartamento, nem por que a professora é igual à protagonista. E o fim do filme é uma grande interrogação.

O filme deve ter um monte de coisas subliminares, mas heu, particularmente, nem sempre curto ficar procurando significados ocultos. Possessão é um filme que dá pra relaxar e “entrar na viagem”. Agora, quem gosta de história com início, meio e fim, sugiro passar longe.

O elenco só tem dois nomes conhecidos, e ambos estão muito bem. Isabelle Adjani está sensacional, ela ganhou prêmio duplo de melhor atriz em Cannes em 1981, por esse filme e por Quartet. A cena do metrô fica grudada na memória! Sam Neill não fica atrás, tem uma cena impressionante onde ele tem um ataque aparentemente de epilepsia. Aliás, uma vez o Sam Neill falou que esse é o filme preferido dele.

Tem outro ator que heu queria citar, Heinz Bennet, que faz o amante. Que personagem sensacional! Ele aparece pouco, mas todas as vezes ele está ótimo. A cena dele dançando enquanto fala muito boa!

(Na mesma pegada tem a sequência do detetive particular perseguindo a Isabelle Adjani, com direito a um cara no trem comendo uma banana!)

Ah, tem a criatura. Sim, Possessão é filme cabeça, mas, sim, Possessão também é filme de monstro. A criatura foi criada por Carlo Rambaldi, famoso por ter criado o ET e movimentos na cabeça do Alien – ganhou um Oscar por cada um dos dois. Rambaldi tem uma frase que heu gosto: “[on computerized special effects] The mystery’s gone. It’s as if a magician had revealed all of his tricks.”

(Aliás alguém mais reparou a semelhança com Hellraiser no lance da mulher trazer homens e matá-los pra alimentar o monstro?)

Enfim, gostei. Mesmo sem entender muita coisa.

Espiral – O Legado de Jogos Mortais

Crítica – Espiral – O Legado de Jogos Mortais

Sinopse (imdb): Um gênio do crime desencadeia uma forma distorcida de justiça em Espiral, o novo capítulo aterrorizante do livro de Jogos Mortais.

Olha que curioso, anteontem falei de Invocação do Mal 3, filme novo de uma franquia inaugurada por James Wan. E hoje é dia de Espiral – O Legado de Jogos Mortais (Spiral, no original), filme novo de outra franquia inaugurada pelo mesmo James Wan. Pena que a qualidade não é a mesma…

Um tempo atrás li sobre um novo filme, que seria baseado em Jogos Mortais, e com Chris Rock e Samuel L Jackson no elenco. Taí, isso talvez desse um novo fôlego pra franquia, depois de 8 filmes onde a qualidade sempre foi ladeira abaixo.

Gosto muito do primeiro Jogos Mortais, um filme tenso, bem filmado, e com um dos melhores plot twists do cinema recente. Mas o segundo é pior que o primeiro, o terceiro é pior que o segundo, o quarto é pior que o terceiro, e por aí vai.

Ok, reconheço que Chris Rock hoje não é tem um star power muito grande. Mas se a gente lembrar bem, o maior nome do penúltimo filme era Callum Keith Rennie; e o maior nome do filme anterior era Costas Mandylor. Ou seja, ter Chris Rock e Samuel L Jackson é um upgrade.

Mas parece que foi tudo em vão. Espiral segue exatamente o mesmo formato dos outros filmes da saga. Algumas armadilhas criativas, umas boas cenas de torture porn, um final agitado e com som alto, e só. Não diria que é ruim, mas diria que é igual aos anteriores. Nem precisava mudar de nome.

Ah, sobre a expressão torture porn: não tem nada a ver com pornografia, é um termo usado pra cenas cujo único propósito é mostrar sangue e gore.

Sobre o elenco, Samuel L Jackson aparece pouco, o filme é do Chris Rock – que mostra que é um péssimo ator fora da comédia. Sim, ele até consegue não fazer piadas e ser sério, mas não convence no papel.

Preciso falar que, como fã de Tarantino, gostei de ver duas referências a Pulp Fiction (o nome do cofre “Jules & Vincent”, e um personagem Ezequiel).

Mas, no geral, é isso. Previsível, e desnecessário. Só pros fãs da franquia.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Critica – Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Sinopse (imbd): Os Warren investigam um assassinato que pode estar ligado a uma possessão demoníaca.

James Wan é “o cara” do cinema de terror recente. O problema é que nem sempre a qualidade se mantém quando colocam outro diretor. Os dois primeiros Sobrenatural, dirigidos por Wan, foram excelentes; já o 3 e o 4, com outros diretores, não foram tão bons assim. O mesmo com Invocação do Mal: os dois primeiros, dirigidos por ele, foram excelentes; os spin offs Annabelle (todos os 3), A Freira e A Maldição da Chorona não foram tão bons.

E agora? Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio também não é do James Wan, foi dirigido por Michael Chaves, o mesmo de A Maldição da Chorona. Mas… Aqui Chaves fez um trabalho melhor, e não faz feio na cadeira de diretor. Aliás, tem um take que achei bem legal, pouco depois da introdução, quando conhecemos o canil – o take começa aéreo, chega na porta da casa, entra e vira um breve plano sequência apresentando o local.
Aliás 2, a sequência inicial é muito boa. Um exorcismo tenso e muito bem filmado!

Diferente dos dois filmes anteriores, aqui o clima não é casa mal assombrada, e sim possessão demoníaca. Invocação do Mal 3 é um filme tenso e sério (só me lembro de uma única piada, que faz referência à Annabelle), com alguns bons jump scares.

Se posso falar mal de uma coisa, vou falar mal da parte final. Sem entrar em spoilers, mas, a trama se divide em dois locais diferentes, e um dos locais era muito mais interessante que o outro. Na minha humilde opinião, a sequência do exorcismo na prisão enfraquece o filme (principalmente se a gente lembrar que aquilo era uma prisão, por que um padre estaria lá?), era melhor ignorar isso e focar só na outra coisa que acontece simultaneamente. Mas, Invocação do Mal 3 é baseado no casal Warren, o caso do preso possuído está registrado na história deles, e o outro acontecimento não. Pena, porque cinematograficamente falando, o outro é bem melhor.

Sobre o elenco, Patrick Wilson e Vera Farmiga são ótimos juntos, já perdi a conta de quantas vezes os vimos interpretando Ed e Lorraine Warren, e eles sempre funcionam bem, são a melhor coisa do elenco. Gostei de ver John Noble, da série Fringe. Já o garoto Julian Hilliard não está muito bem, ele estavava melhor como o moleque de óculos de A Maldição da Residência Hill. Também no elenco, Ruairi O’Connor, Sarah Catherine Hook, Eugenie Bondurant e Shannon Kook.

Invocação do Mal 3 estreia nos cinemas amanhã, dia 02 de junho. Lembre-se que os cinemas já reabriram, mas sempre com distanciamento e de máscaras!

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Crítica – Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Sinopse (imdb): Após um surto de zumbis em Las Vegas, um grupo de mercenários faz a aposta final, aventurando-se na zona de quarentena para realizar o maior assalto já tentado.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas é apenas mais um filme meia boca de zumbis. Mas, muita gente está falando dele. São dois os motivos. Um deles é que é um filme da Netflix, que virou “a nova Globo”, tudo o que vem de lá vira hype. O outro é que é o novo filme do Zack Snyder, que movimentou a nerdaiada poucos meses atrás com sua versão do Liga da Justiça, o tal Snydervese.

Snyder fazer filmes de zumbi não é novidade. Ele começou fazendo videoclipes, mas seu primeiro longa metragem foi a refilmagem de Madrugada dos Mortos, de 2004 (olha que irônico, um cara que hoje é famoso por fazer câmera lenta foi um dos primeiros a usar zumbis rápidos…). Há anos que não revejo Madrugada dos Mortos, mas lembro que gostei na época. Agora, naquela época, um lançamento de um novo filme dele não tinha o hype que tem hoje, depois de Watchman, Homem de Aço, Batman v Superman e Liga da Justiça. Zack Snyder hoje é um nome do primeiro time, não tem mais como fazer um filme meia boca de zumbis, o público vai querer algo a mais.

Pra piorar, hoje, em 2021, é difícil se pensar em alguma novidade quando o tema é zumbi. Parece que tudo já foi feito. Tirando o primeiro Invasão Zumbi, coreano, dispenso todos os filmes de zumbi lançados nos últimos anos.

(E, olha outra ironia: a sinopse de Army of the Dead é igual à sinopse de Invasão Zumbi 2, quando pessoas entram numa área limitada, dominada por zumbis, para roubar o que ficou por lá.)

Army of the Dead até começa bem. Depois de uma breve introdução mostrando qualé a do perigo a ser enfrentado no filme, temos créditos iniciais sensacionais. Ao som de uma versão de Viva Las Vegas cantada pelo Richard Cheese, temos takes em câmera lenta (claro) mostrando os personagens e como eles agem, e mostrando também os famosos cenários de Las Vegas devastados no apocalipse zumbi. Digo mais: os créditos iniciais têm o momento mais dramático de todo o filme!

Mas aí depois é tudo clichê. A gente tem o time de pessoas com personalidades diferentes, onde a gente precisa ter uma boa quantidade de gente pra morrer um de cada vez. A gente tem os zumbis que não têm nenhuma lógica – como assim, um zumbi “dormindo” em pé com os braços levantados??? A gente tem atitudes burras dos personagens. E, claro, no fim a gente tem um gancho pra continuação.

E, pra piorar, são clichês empilhados num filme que dura duas horas e meia…

Existem elementos escondidos, que se aparecessem mais talvez tornassem Army of the Dead mais interessante. Logo nos primeiros segundos de filme dá pra ver dois OVNIs; e Snyder admitiu que tem zumbis que são robôs. Me parece que quiseram guardar isso pra uma continuação. Na minha humilde opinião, se explorassem mais esses elementos, Army of the Dead podia ser bem melhor. Sem isso, virou mais um igual a tantos por aí. Algumas cenas legais, algumas cenas ruins, o previsível pra um filme meia boca de zumbis.

O nome mais conhecido no elenco é Dave Bautista, o Drax de Guardiões da Galáxia. Não é um grande protagonista, mas serve pro que precisa. Também no elenco, Ella Purnell, Omari Hardwick, Ana de la Reguera, Theo Rossi, Matthias Schweighöfer, Nora Arnezeder, Hiroyuki Sanada, Garret Dillahunt e Raúl Castillo.

Ainda sobre o elenco, uma coisa impressionante. O piloto de helicóptero seria Chris D’Elia, ele filmou todas as cenas com o resto do elenco. Mas o nome dele apareceu em escândalos sexuais, aí tiraram-no do filme e apagaram digitalmente, e refilmaram todas as cenas com a Tig Notaro em fundo verde. Vou te falar que vi o filme sem saber disso. Ficou muito bem feito!

No geral, é isso. Apenas um filme meia boca de zumbis. Vai agradar quem curte o gênero, mas quem quiser filme bom, tem coisa melhor.

E aguardem continuações. Parece que já tem confirmada uma série animada.