Cidade Invisível

Crítica – Cidade Invisível

Oba! Folclore nacional!

Sinopse da Netflix: Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para o seu passado misterioso.

Sempre fui fã do folclore nacional. E sempre defendi que isso geraria boas histórias fantásticas pro cinema. Pra provar que falo isso há tempos, vou deixar aqui o link de um curta de metragem de terror que fiz com o Boitatá. O curta não é muito bom não, fiz coisa melhor depois, mas, vale o registro!

(Ainda dentro do tema, recomendo o filme Fábulas Negras, organizado pelo Rodrigo Aragão. São 5 curtas, dirigidos pelo próprio Aragão, além de Zé do Caixão, Joel Caetano e Peter Baiestorf, e mostrando Monstro do Esgoto, Loira do Banheiro, Iara, Saci e Lobisomem. Dá pra fazer uma sessão com o meu curta e depois esse filme! 🙂 )

Vamos à série. Produção Netflix, Cidade Invisível é uma criação do Carlos Saldanha. Pra quem não ligou o nome à pessoa, Carlos Saldanha é um dos brasileiros mais bem sucedidos em Hollywood. Ele dirigiu os três primeiros A Era do Gelo, Touro Ferdinando e os dois Rio – todos, longas de animação da Blue Sky. Ele foi indicado duas vezes ao Oscar, por Touro Ferdinando e por um curta do esquilinho Scratch. E agora ele estampa o nome na abertura de Cidade Invisível – não sei o quanto ele esteve envolvido na produção. São sete episódios, dirigidos por Luis Carone e Julia Jordão. A série é baseada na história desenvolvida pelos roteiristas e autores de best-sellers Raphael Draccon e Carolina Munhóz.

E, olha, como é legal ver uma produção bem feita, usando as nossas lendas!
Várias gerações de brasileiros cresceram lendo livros e vendo adaptações na TV do Sítio do Pica Pau Amarelo. Ok, sei que existe uma polêmica hoje em dia envolvendo o Monteiro Lobato, mas não quero falar do homem, e sim da sua obra. Se hoje a gente fala sobre Saci, Cuca, Boitatá, Caipora e afins, muito se deve ao Monteiro Lobato e aos livros do Sítio. E heu sempre achei que essas lendas poderiam gerar histórias fantásticas pra adultos (tanto que fiz o curta do Boitatá e tinha um projeto pra fazer da Iara). E fiquei muito satisfeito com o resultado de Cidade Invisível. O clima é sério, é uma série de investigação policial, e os efeitos especiais são discretos e funcionam bem (um problema que Fábulas Negras teve foi a caracterização do Saci, ficou tão tosco que provocava risadas em vez de dar medo).

A trama foi adaptada pra se passar nos dias de hoje, em uma cidade grande – no caso, o Rio de Janeiro. Decisão arriscada, mas gostei – o mais fácil seria se passar no interior, em um tempo indeterminado, sempre que alguém fala em Saci ou Iara a gente logo pensa em fazendas e florestas. Colocar essas entidades na Lapa foi uma ótima sacada! Quem frequenta a Lapa sabe que, se tem gente estranha e diferente no Rio, é lá que eles vão se encontrar!

(Causos curiosos: lembro de ter encontrado o Jimmy London, o Tutu, em um show do Canastra, na Lapa. Me senti em casa vendo a série.)

Ouvi críticas com relação a isso, que Cidade Invisível deveria se passar no interior, que o boto é uma lenda da região Norte e não deveria ser encontrado em uma praia no Rio, etc. Ok, entendo as críticas, realmente folclore tem mais cara de interior rústico do que cidade grande cosmopolita. Mas, por outro lado, acho que os realizadores quiseram aproveitar o potencial turístico pra fazer um produto mais fácil de vender. Vamulá, a gente sabe que o Rio é uma das coisas mais famosas do Brasil. Deve ficar mais fácil vender um produto brasileiro se tiver paisagens conhecidas mundialmente, não? E, disse antes, repito: achei a adaptação muito boa.

(Heu mesmo, nos meus curtas, já usei paisagens turísticas. Pô, se moro aqui, por que não usar os cenários que estão disponíveis na minha cidade?)

Agora, gostei da adaptação, mas também tenho um mimimi, cabe aqui? Achei que a Iara tinha que ser uma índia! Adorei a personagem adorei a atriz, mas, pra mim, Iara tinha que ser índia. E queria ver a Cuca em versão “jacaré”!

Aproveitando que falei da Iara, preciso dizer: que cena maravilhosa aquela onde a gente descobre quem ela é, e como ela hipnotiza com seu canto e leva para a água! A cena ficou fantástica!

Aliás, não só a Iara. Uma coisa legal de Cidade Invisível é esse jogo de tentar entender quem é cada entidade. Não sei se gostei de ver a origem de cada uma (prefiro uma entidade que sempre foi aquilo, em vez de uma pessoa que virou entidade), mas isso não chega a atrapalhar.

Já que falei das entidades, vou me aprofundar um pouco. Queria ter visto a Cuca “jacaré”, mas, mesmo assim, achei que todas estão muito bem representadas na tela. Adorei o Curupira! Quero ver um spin-off com esse Curupira! E o Saci ter uma perna mecânica foi uma sacada de gênio!

Vamos aproveitar pra falar do elenco. Acho que heu só conhecia a Alessandra Negrini (e o Jimmy London como músico, nem sabia que ele atuava). Não conhecia o resto, gostei de todos, mas não vou entrar em detalhes aqui, porque não quero falar quem faz cada entidade. Mas, se fosse escolher um pra ganhar o prêmio de melhor atuação, com certeza seria o que faz o Curupira. Vamos aos nomes, sem especificar quem é quem: Marco Pigossi, Alessandra Negrini, Áurea Maranhão, Fábio Lago, Jéssica Córes, Wesley Guimarães, José Dumont, Jimmy London e Victor Sparapane.

A história fecha no fim do último episódio, mas deixa um gancho para continuar. Que venha a segunda temporada!

What Lies Below

Crítica – What Lies Below

Sinopse (imdb): Uma menina de 16 anos volta para casa de um acampamento e descobre que sua mãe tem um novo namorado, com quem pretende se casar; um homem cujo charme, inteligência e beleza o fazem parecer que não é humano.

Pensa numa boa ideia, mas mal desenvolvida, e com um final bem ruim. Poizé…

A ideia inicial é boa. O clima é bem construído, elementos estranhos são colocados aqui e ali. Existe algo de estranho com o cara novo, mas não sabemos o que é.

O elenco se baseia basicamente em três personagens: a adolescente, a mãe e o namorado da mãe. Mena Suvari, que chamou a atenção do mundo uns vinte anos atrás com Beleza Americana e American Pie e depois sumiu, faz a mãe. Ema Horvath e Troy Iwata são os outros atores. Funcionam bem pros papeis, mas nada demais.

Mas quando vai chegando na parte final, parece que esqueceram de terminar o roteiro. Não só temos algumas cenas que parecem incompletas – tipo a amiga que sobe as escadas pra conversar com a mãe e a protagonista vai dormir; como o fim abre várias portas e não fecha nenhuma delas. Vejam bem, não acho que um filme precisa explicar tudo, curto finais abertos. Mas aqui não é exatamente um final aberto, são várias mudanças de rumo no roteiro, e logo sobem os créditos. A gente nem sabe o que é a ameaça, se é um monstro, se é algo sobrenatural, se é alienígena… Parece que os realizadores queriam continuar a história e deixaram cliffhangers no ar, pra uma continuação. Mas, do jeito que isso ficou, nem quero ver essa continuação.

Freaky – No Corpo de um Assassino

Crítica – Freaky – No Corpo de um Assassino

Sinopse (imdb): Depois de trocar de corpo com um assassino em série louco, uma jovem no colégio descobre que tem menos de 24 horas antes que a mudança se torne permanente.

Quem me acompanha sabe que não acho ruim quando um filme usa uma ideia reciclada, desde que seja um bom filme. E é o que temos aqui, com Freaky – No Corpo de um Assassino.

Freaky – No Corpo de um Assassino (Freaky, no original) é o filme novo do Christopher Landon, que já mostrou que sabe reciclar ideias. Em A Morte Te Dá Parabéns, ele pegou o conceito do Feitiço do Tempo, uma pessoa revivendo o mesmo dia todos os dias, e transformou em filme de terror slasher – e ainda desenvolveu a ideia pra outro caminho na continuação! (Aliás, pra quem curte esse conceito “dia da marmota”, falei de um filme assim outro dia, Palm Springs).

Agora ele pega o conceito de Sexta-Feira Muito Louca, aquela comédia onde a Jamie Lee Curtis e a Lindsay Lohan trocam de corpo, e transforma em um terror slasher. E ele não quer enganar ninguém, afinal o nome original do outro filme é Freaky Friday.

Falei que a ideia era válida desde que o filme fosse bom, né? E Christopher Landon nos entrega um filme divertido, com momentos cheios de gore e também momentos engraçadíssimos, boas atuações, e um monte de referências. Sim, é comédia e também é terror. Ou seja, Freaky é uma ótima pedida.

Não dá pra falar do filme sem falar das atuações. Vince Vaughn é um cara legal, mas até hoje sua atuação não tinha chamado a minha atenção, ele sempre parecia fazer o mesmo personagem. E aqui ele está hilário! Claro que este filme não tem o perfil de prêmios, mas, olha, a atuação dele merece indicações para melhor ator! A menina Kathryn Newton também está ótima – vi no imdb que já vi outros 5 filmes com ela, e ela nunca tinha me chamado a atenção (Pokémon – Detetive Pikachu, Três Anúncios para um Crime, Lady Bird, Atividade Paranormal 4 e Professora Sem Classe). O resto do elenco é de desconhecidos, exceto Alan Ruck, o eterno Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, aqui fazendo um professor mal humorado.

Ah, as referências, quem me conhece sabe que gosto disso. O filme originalmente se chamaria “Freaky Friday the 13th” – além da referência ao Freaky Friday, o assassino no início usa uma máscara parecida com o Jason Vorhees em Sexta Feira 13. Mas tem mais: o sobrenome de um dos personagens é Strode, mesmo sobrenome da Jamie Lee Curtis em Halloween. E vi uma cabeça cheia de pregos, igual ao Pinhead. E deve ter mais, vou procurar quando rever.

Claro, vai ter gente reclamando que o filme é cheio de clichês, e que o roteiro é cheio de conveniências. É isso mesmo. Mas, não era esse o propósito do filme? Uma hora e quarenta de diversão, brincando com clichês? Quem não curtir é porque não comprou a ideia.

É comum um “epílogo” em filme de terror, com um novo perigo / susto. Gosto disso, mas aqui ficou forçado. Parece que a produção quis fazer um empoderamento feminino. Gosto de ver cenas com mulheres empoderadas, mas quando são bem feitas. Aqui ficou forçado. Não estraga o filme, mas seria melhor sem esses últimos minutos.

Christopher Landon disse que queria fazer uma franquia “Freaky Death Day”. Taí, quero ver mais!

A Maldição da Mansão Bly

Crítica – A Maldição da Mansão Bly

Sinopse do imdb: Após a trágica morte de uma au pair, Henry contrata uma jovem babá americana para cuidar de sua sobrinha e sobrinho órfãos que moram na Mansão Bly com o chef Owen, a zeladora Jamie e a governanta Sra. Grose.

A Maldição da Mansão Bly é a segunda temporada de uma série, mas é uma segunda temporada atípica, porque não tem nada a ver com a primeira, que é A Maldição da Residência Hill. Por isso, antes de falar de Mansão Bly, vou falar um pouco de Residência Hill. E antes de falar da Residência Hill, preciso falar do seu criador, Mike Flanagan.

Vi quase todos os filmes do Mike Flanagan (só falta Ouija a Origem do Mal, preciso consertar isso). Pra ninguém dizer que sou modinha, olhem o que escrevi no heuvi em maio de 2012, quando vi Absentia: “Mike Flanagan, o tal diretor / roteirista / editor, conseguiu um resultado impressionante com o seu Absentia. Fiquemos de olho no nome de Mike Flanagan!”.

Mike Flanagan é um cara legal, talentoso, todos os filmes dele são legais, mas nenhum é “obrigatório”. Doutor Sono, continuação d’O Iluminado, é um filme legal, mas, caramba, não dá pra comparar com o filme do Kubrik! E gosto de Jogo Perigoso, O Espelho e Hush A Morte Ouve, mas são filmes “menores” (de todos os filmes dele, acho que só não gostei de O Sono da Morte). O Mike Flanagan é tipo um aluno que nunca tira 10, mas tá sempre tirando 7 e 8 – você sabe que vai ver algo de qualidade, mas falta um pouco pro cara ser um dos “grandes”.

Até que ele fez a Residência Hill, e finalmente ele tem um “dez”.

A Maldição da Residência Hill é simplesmente fantástico. A ambientação da casa, os personagens, o elenco, a trilha sonora, tudo funciona direitinho. Foi um dos melhores filmes (minissérie?) que vi ano passado. Digo mais: sou burro velho com relação a filmes de terror, e teve um jump scare que me pegou – o do carro. Digo mais de novo – tem um episódio em plano sequência!

Claro que fiquei empolgado com a “continuação”. As aspas são porque sim, é uma nova temporada, mas é uma história completamente diferente.

Residência Hill foi baseado no livro homônimo escrito por Shirley Jackson (que teve uma adaptação meia bomba em 99, chamada A Casa Amaldiçoada, do Jan de Bont e com a Catherine Zeta Jones, Liam Neeson, Lili Taylor e Owen Wilson) (Residência Hill é baseado, mas é uma história diferente da que tá no livro). A história fechou, não tem como continuar. Então, a A Maldição da Mansão Bly é outra adaptação, de outro livro, A Volta do Parafuso, de Henry James (que curiosamente teve outra adaptação, pros cinemas, lançada no início deste ano, o filme Os Orfãos – que é beeem fraco, e tem um final péééssimo).

Mansão Bly é uma história completamente diferente, mas tem pontos em comum com Residência Hill. Não só parte do elenco está de volta, como a produção consegue ter todo um clima parecido, apesar de serem mansões diferentes. Até a trilha sonora se repete!

Assim como Residência Hill, a linha temporal não é linear. E aqui tem um detalhe que achei bem legal – tem um flashback dentro de um flashback que é colocado no ponto certo da trama, e só naquele episódio, não precisa ficar indo e voltando.

O elenco traz 5 dos 8 nomes principais da Residência Hill. Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohen e Henry Thomas estão entre os personagens principais; Carla Gugino é a narradora; Kate Siegel tem um papel menor, mas importante. (Pra quem não ligou o nome à pessoa, Henry Thomas é o garotinho do ET). De novidade, gostei muito da Amelia Eve, tanto da atriz quanto da personagem. Rahul Kohli, T’Nia Miller e Tahirah Sharif também estão bem. E ainda preciso falar das duas crianças, Amelie Bea Smith e Benjamin Evan Ainsworth. Os dois são muito bons. O garoto tem mudanças na personalidade (que são explicadas no roteiro), e o ator convence. E a menininha… Olha, vou te falar que se tem uma coisa que acho assustadora em filme de terror, é garotinha com sotaque britânico. Perfectly Splendid!

Agora, o fato de Mansão Bly ser continuação de Residência Hill é um problema. Porque achei Residência Hill bem melhor. Mansão Bly tem alguns momentos sonolentos. Li uma crítica que disse que Mansão Bly perde pontos por ser “menos terror”. Não gosto de me fechar em rótulos, pode ser terror, drama, comédia, aventura, desde que seja bom. E parece que o Mike Flanagan voltou pra média 7 ou 8.

Mesmo assim, é uma boa minissérie. E agora aguardemos a terceira temporada. Qual será o livro que vai ser adaptado?

Os Novos Mutantes

Crítica – Os Novos Mutantes

(Não, não vou falar da versão d’Os Mutantes sem a Rita Lee)

Sinopse (imdb): Cinco jovens mutantes, apenas descobrindo suas habilidades enquanto mantidos em uma instalação secreta contra sua vontade, lutam para escapar de seus pecados passados ​​e se salvar.

Finalmente estreou Os Novos Mutantes (The New Mutants, no original). E quando falo “finalmente”, não é porque heu estava aguardando ansiosamente, mas porque esse filme foi adiado diversas vezes. Já até tinha virado piada interna no Podcrastinadores, porque já citamos esse lançamento em alguns episódios de “expectativas pro ano que vem”.

Não fui procurar detalhes da produção, mas sei que a mesma passou vários problemas. Claro que isso refletiu no resultado que vemos na tela, infelizmente. Vamos primeiro ao filme, depois a gente fala um pouco sobre os percalços.

O diretor Josh Boone (A Culpa é das Estrelas) declarou que é o primeiro filme ao mesmo tempo de terror e super heróis. Achei boa a ideia, mas, não, não é a primeira vez. Sem precisar de muito esforço me lembro de Brightburn, que era uma versão terror do Superman.

A proposta era um filme de terror paralelo ao universo dos X-Men (que são citados, mas não mostrados). Gostei da ambientação no hospital / sanatório. Segundo o imdb, a produção se inspirou em Um Estranho no Ninho, Clube dos Cinco e A Hora do Pesadelo 3, a mistura ficou boa. Mas a gente logo vê que é uma produção sem dinheiro – a médica interpretada pela Alice Braga aparentemente trabalha sozinha naquele prédio enorme – ela deve ser médica, segurança, cozinheira, faxineira e responsável por serviços gerais. Será que era tão caro contratar uns dois ou três atores secundários e colocá-los de jaleco branco ao lado dela?

Mas esse não é o pior problema. A protagonista Blu Hunt é uma atriz sem graça interpretando uma personagem sem graça (no imdb, o seu nome é o quinto a ser creditado!). Carisma zero. Se o protagonismo fosse com a Anya Taylor-Joy, talvez o filme fluísse melhor. O poster do filme concorda comigo, a Anya está em destaque, enquanto a Blu está escondida.

E aí a gente vê os problemas da produção. Provavelmente houve mudanças desde o projeto inicial até o resultado nas telas (em um dos pôsteres do filme o cabelo da Maisie Williams está diferente!). E nem todas as mudanças surtiram efeito, e assim coisas ficam soltas no ar. Por exemplo, gostei do “monstro” que assombra a Anya Taylor-Joy, mas ele é pouco explorado pelo roteiro. A ideia inicial era fazer uma trilogia, talvez esse plot fosse desenvolvido. Mas aparentemente não teremos continuação…

O elenco diminuto traz nomes com potencial de criar hype – Anya Taylor-Joy, de A Bruxa e Fragmentado; Maisie Williams, de Game Of Thrones; e Charlie Heaton, de Stranger Things. Mas acho que só Anya se salva. Uma curiosidade pro público brasileiro: o personagem Roberto é brasileiro, e o ator que o interpreta, Henry Zaga, também é – ele solta umas duas frases em português, ia ficar tosco se fosse um gringo. Aliás, não nos esqueçamos de Alice Braga. Produção gringa com dois atores brasileiros, pena que é uma produção que naufragou.

(Já repararam que, aos poucos, Alice Braga constrói uma sólida carreira no cinema fantástico hollywoodiano? Ela também estava em Predadores, Elysium, Eu Sou A Lenda, Repo Men, O Ritual, Ensaio Sobre a Cegueira…)

2020, pandemia, cinemas vazios, Os Novos Mutantes finalmente foi lançado. Não tem como não pensar que foi de propósito. Afinal, “se a bilheteria for ruim, a culpa é da pandemia”.

Operação Zumbi 2

Crítica – Invasão Zumbi 2

Sinopse (imdb): Um vírus zumbi se espalhou nos últimos 4 anos por toda a Coreia do Sul. 4 coreanos em HK navegam através do bloqueio para Incheon por US $ 20 milhões em um caminhão.

Lançado em 2016, o primeiro Invasão Zumbi foi talvez a única obra audiovisual de qualidade nesse saturado subgênero “zumbi” na última década. Isso era o suficiente pra arriscar essa continuação.

Dirigido pelo mesmo Yeon Sang-ho que dirigiu o primeiro, Invasão Zumbi 2 (Train to Busan 2, no original) não chega a ser ruim. Mas é bem inferior ao primeiro. Este segundo “trem pro busão” é apenas mais um filme de zumbis.

Algumas coisas funcionam. Gostei da história ter seguido em frente e da ideia do “vírus zumbi” estar fechado dentro das fronteiras da Coreia do Sul – a geografia do país ajudou nesse “plot”, a Coreia do Sul é uma península que só tem fronteira com a Coreia do Norte, que é um dos países mais fechados do mundo. Assim temos um mundo que seguiu na normalidade enquanto (aparentemente) apenas um país está arruinado pelo seu “apocalipse zumbi particular”.

Mas tem umas coisas toscas demais. Aquelas perseguições de carro são péssimas, tanto pelo lado técnico (o cgi parece um videogame antigo), quanto pela história em si (se está tudo detonado em volta, como as ruas estão tão limpas?). E aquele final parece uma versão barata de Mad Max.

Vale pros fãs. Mas o primeiro é bem melhor.

O Cemitério das Almas Perdidas

Crítica – O Cemitério das Almas Perdidas

Sinopse (Cinefantasy): Corrompido pelo poder do livro negro de Cipriano, um jesuíta e seus seguidores iniciam um reinado de terror no Brasil colonial, até serem amaldiçoados a viver eternamente presos sob os túmulos de um cemitério.

Bora de filme novo do Rodrigo Aragão?

Quem me acompanha aqui no heuvi sabe que sou fã do Rodrigo Aragão, e consegui ver todos os seus filmes nos cinemas, em festivais (Mangue Negro numa mostra de terror nacional no CCBB; A Noite do Chupacabras no RioFan; Mar Negro no Festival do Rio; Fábulas Negras no Grotesc-O-Vision; e Mata Negra no Rio Fantastik). Mas, 2020, pandemia, agora os festivais são diferentes. O Cemitério das Almas Perdidas estava na programação do Cinefantasy. Por um lado, notícia ruim, não vi num cinema. Por outro lado, notícia boa: assinei um serviço de streaming que tinha o Cinefantasy na grade. Consegui ver o filme, mesmo não morando na mesma cidade onde o festival foi sediado!

Vamos ao filme. O Cemitério das Almas Perdidas é o projeto mais ambicioso da carreira de Aragão – e seu maior orçamento até hoje. O filme corre em duas linhas temporais diferentes, e uma delas traz padres jesuítas lutando contra índios no Brasil colonial – e tudo flui muito bem. Se os filmes citados anteriormente têm um pé fortemente fincado no trash, isso não acontece aqui. O Cemitério das Almas Perdidas é um filme sério e tenso.

Não me lembro de nenhum filme fantástico nacional com essa qualidade. A maquiagem sempre foi um dos destaques nos filmes do Rodrigo Aragão, mas aqui, além da maquiagem, também temos destaques nos cenários e figurinos. A direção de arte e a fotografia são excelentes. Se O Cemitério das Almas Perdidas fosse um filme europeu, ou se fosse uma produção da A24 (Hereditário, A Bruxa), seria um filme cultuado e premiado mundo afora.

A ideia era lançar o filme no circuito no segundo semestre deste ano. Mas, com a pandemia, não existem mais lançamentos no cinema. Pena. Que O Cemitério das Almas Perdidas ganhe uma oportunidade nas telas grandes no futuro próximo. O cinema nacional de terror agradeceria!

Becky

Crítica – Becky

Sinopse (imdb): O fim de semana de uma adolescente em uma casa no lago com seu pai piora quando um grupo de condenados causa estragos em suas vidas.

Filme de vingança protagonizado por mulher não é novidade. Mas protagonizado por mulher adolescente, taí, não me lembro de nenhum outro.

Ok, Becky não é exatamente um exemplo de criatividade. O roteiro é previsível e traz os clichês de sempre. Mas a forma como o filme é contado vale o ingresso. Os diretores Jonathan Milott e Cary Murnion mostram boas ideias, como os raccords no início do filme comparando a escola com a prisão. E a violência é crível, apesar de estarmos falando de uma adolescente contra adultos grandes e fortes. Aliás, é bom avisar: Becky é bem violento.

O elenco é um dos chamarizes do filme. A protagonista é Lulu Wilson, que apesar da pouca idade, já tem alguma carreira no cinema fantástico (além da série A Maldição da Residência Hill, ela teve papéis em filmes com subtítulos coincidentemente parecidos, Livrai-nos do Mal, Ouija: Origem do Mal e Annabelle 2: A Criação do Mal). Kevin James, famoso por comédias bobonas ao lado do Adam Sandler, faz um vilão pela primeira vez, e, olha, não é que o cara manda bem? Ainda no elenco, Joel McHale, Robert Maillet e Amanda Brugel.

Becky não é um filme “obrigatório”, mas vai agradar os fãs do estilo.

A Hora da Sua Morte

Crítica – A Hora da Sua Morte

Sinopse (imdb): Quando uma enfermeira faz o download de um aplicativo que afirma prever o momento em que uma pessoa morre, isso indica que ela só tem três dias de vida. Com o relógio correndo e uma figura assombrando-a, ela deve encontrar uma maneira de salvar sua vida antes que o tempo acabe.

Li sobre este A Hora da Sua Morte ano passado, na lista do Festival do Rio. Não consegui ver no festival, mas pra minha sorte ele veio pro circuito.

Escrito e dirigido pelo estreante em longas Justin Dec (que fez um curta com o mesmo nome três anos antes), A Hora da Sua Morte (Countdown, no original) segue a linha “terror adolescente engraçadinho”. Atores desconhecidos, alguns sustos aqui e acolá, algumas piadinhas. Divertido e despretensioso.

Divertido, mas reconheço que algumas coisas ficaram bem forçadas, tipo o aplicativo ter 60 GB (muitos celulares simplesmente não teriam espaço). As relações entre os personagens também ficou mal construída, e o padre nerd não me convenceu.

Li algumas críticas por aí decretando A Hora da Sua Morte como um dos piores filmes de terror dos últimos anos. Menos, gente. Admito que não é um grande filme. Mas, se visto na vibe certa, é uma boa diversão.

Ah, existe o app. Claro, não funciona. Mas quem quiser brincar, é só baixar.

Maria e João: O Conto das Bruxas

Crítica – Maria e João: O Conto das Bruxas

Sinopse (imdb): Há muito tempo, em um campo distante de conto de fadas, uma jovem garota leva seu irmãozinho a um bosque escuro em busca desesperada de comida e trabalho, apenas para tropeçar em um nexo de um terror aterrorizante.

Visual belíssimo, mas filme chaaato…

Dirigido pelo pouco conhecido Oz Perkins, Maria e João: O Conto das Bruxas (Gretel & Hansel, no original) traz mais uma adaptação para o clássico conto dos irmãos Grimm. O filme é sério e estiloso – provavelmente tentando pegar carona em A Bruxa. Mas nada acontece, e o filme, que tem menos de uma hora e meia, vira um programa entediante. Um filme bonito e vazio.

No elenco, Alice Krige (o pessoal das antigas vai se lembrar dela em Sonâmbulos) está bem como a bruxa. Sophia Lillis (de It) e Samuel Leakey são as crianças do título.

Prefiro João e Maria Caçadores de Bruxas, que é galhofa assumida, mas pelo menos é divertido.