Código Alarum – 9 Coisas que Não Fazem Sentido

9 Coisas que Não Fazem Sentido em Código Alarum

Sinopse (imbd): Dois espiões desonestos saem da rede, casam-se e são atacados em sua cabana remota por várias agências de inteligência que buscam um disco rígido roubado.

A expectativa era a pior possível. Dois meses atrás, vi Blindado, com Sylvester Stallone, produção picareta de um cara picareta chamado Randall Emmett, que usa a seguinte fórmula: oferece um bom cachê pra um nome grande de Hollywood, que vai até o set e trabalha por poucos dias, apenas em algumas cenas, e o filme é lançado com o nome da estrela no cartaz. Um filme vagabundo, aparentemente todo o orçamento é pra bancar esse cachê caro.

Código Alarum (Alarum, no original) é com Sylvester Stallone e produção de Randall Emmett. Dá pra confiar?

Fui na curiosidade de ver a estreia hollywoodiana da Isis Valverde. Segundo o imdb, ela esteve perto de estrelar The Flash em 2023 – ela e Bruna Marquezine eram as principais escolhas para o papel da Supergirl, mas não puderam viajar para Londres para os testes presenciais por causa da pandemia da Covid. Bruna conseguiu um papel importante em outro filme da DC, o Besouro Azul. E Isis, bem Isis deu azar. Já comento sobre isso.

Não diria que Código Alarum é tão ruim quanto Blindado, porque, pra mim, Blindado nem chega a ser um filme de verdade, parece um curta amador esticado. Código Alarum também parece amador, mas pelo menos tem cara de longa metragem, tem mais personagens, mais locações. E tenho um elogio para fazer. Só um, mas pelo menos encontrei algo positivo.

Código Alarum é todo errado. O roteiro é um lixo, a história é confusa e mal amarrada, as atuações são péssimas, os efeitos especiais são sofríveis, tudo é ruim. Vou fazer alguns comentários e depois uma lista de coisas que não funcionaram.

O roteiro é péssimo! Fala de uma agência misteriosa, tem personagens que mudam de lado sem justificativa, tem gente que só fica no escritório falando ao telefone, todos os diálogos são ruins… Olhando de longe, parece que a trama é complexa, mas, de perto, acho que foi apenas mal escrita. E normalmente não reclamo de efeitos especiais, mas os tiros de metralhadora em cgi parecem efeito de celular. E celular velho.

Vou falar spoilers. Acho que pra um filme desses, dizer um spoiler é até algo positivo, porque minha recomendação é “NÃO VEJA!”. Mas, vamulá, spoilers liberados. Todos os brasileiros querem ver a Isis Valverde, afinal, alguns atores daqui começam a despontar em Hollywood. Bruna Marquezine teve um papel quase principal em Besouro Azul; Wagner Moura está muito bem como um dos protagonistas de Guerra Civil; Fernanda Torres foi indicada ao Oscar; Selton Mello está escalado para trabalhar com Jack Black e Paul Rudd. Já Isis Valverde, pena. Ela aparece em duas cenas, depois leva um tiro e acabou o filme pra ela. Sério, o papel dela é tão secundário que ela morre antes mesmo do Stallone aparecer em tela.

Sobre o elenco: Scott Eastwood é o protagonista, e é tão expressivo quanto o cenário onde ele atua. Ele tem moral porque é filho do Clint Eastwood, mas precisa melhorar seus filmes pra começar a ser lembrado por ele mesmo e não por ser um “nepo baby” (falei aqui outro dia do Jack Quaid, que aos poucos constrói um currículo maior do que “ser filho do Dennis Quaid e da Meg Ryan). Stallone nunca foi um grande ator, mas tem carisma pra segurar um papel – quando quer. Aqui acho que ele não queria. Inclusive o papel dele é muito mal escrito. Mike Colter, o Luke Cage da Marvel, está caricato. Mas, tenho um elogio no elenco: Willa Fitzgerald, de Reacher e Strange Darling, está bem. Ela convence nas cenas de luta e é de longe a melhor coisa de Código Alarum. Salva o filme? Claro que não. Mas se todos estivessem no nível dela, seria um filme bem menos ruim.

Já que abri os spoilers, vamos à lista de coisas que não fazem sentido?

1- O casal é um dos mais improváveis da história do cinema. O cara está sendo atacado, leva um tiro, mata o oponente. Aí outra pessoa o ataca, eles lutam por alguns segundos – um chute e dois socos no total – e caem pela janela. Aí ele “veste o Joey Tribianni” e manda uma cantada pra ela. “How you doing?” Caraca, eles se apaixonam depois de trocarem golpes por 30 segundos??? Até acredito que inimigos possam se apaixonar, mas precisa ter toda uma construção anterior, outros confrontos, etc.

2- O Mike Colter estava num avião, matou os dois pilotos e pulou de para quedas, pra depois ir no avião caído e procurar um pendrive. Como é que ele sabia que o avião não ia explodir, colocando fogo no pendrive? Não seria melhor roubar o pendrive antes de matar os pilotos e derrubar o avião?

3- Entendo que em filme de ação o mocinho tem uma mira excepcional e todos os seus adversários tenham “mira de stormtrooper”. Mas aqui isso está exagerado. Tem uma cena onde o mocinho está sozinho numa casa, abrem um grande buraco na parede, e vários oponentes estão com metralhadoras atirando nele. E ele simplesmente aparece no meio do buraco da parede, à vista de qualquer um, atira de volta, e mata todos. Sem levar nenhum tiro!

4- Ainda nesse item, a mocinha mata quatro adversários com tiros. Aparecem outros oponentes, e atacam ela – sem armas de fogo! Por que??? Até aceito não terem matado ela na cena seguinte, o cara queria torturá-la. Mas, naquele momento, no meio do tiroteio, os inimigos não iam abrir mão dos revolveres e metralhadoras.

5- O Stallone é contratado pra duas tarefas: recuperar um pendrive e matar o Scott Eastwood. Aí ele envenena o Scott (na verdade não era veneno, mas ele não sabia disso, pra ele, ele realmente tinha envenenado). Logo depois consegue o pendrive. Por que não matou logo? Dava um tiro, pegava o pendrive e acabou a missão, pode voltar pra casa.

6- A aliança entre o Scott Eastwood e o Mike Colter não faz o menor sentido. O Scott mata TODOS os soldados do Mike, e depois ele diz “ok, não vou te matar agora, vamos virar parceiros”. Oi???

7- Os drones usados pra atacar os mocinhos são os piores drones da história. Mesmo com o “target locked”, conseguem errar todos os tiros!

8- No fim a gente descobre que o Scott Eastwood trocou o veneno, e quem está envenenado é o Stallone. Mas, o filme diz que o veneno mata em uma hora. Era de noite, e já está de dia! Calma que fica pior: eles se encontram, e o Stallone fala que “ainda tem alguns minutos”. Ou seja, a parada é realmente cronometrada! E só depois disso que o Stallone começa a passar mal com o veneno – sendo que ele tomou antes do Scott.

9- Por fim, uma coisa besta, mas que também não faz sentido. O cara da agência (sei lá qual agência) com quem eles conversam ao telefone tem um escritório numa sala enorme. E a mesa dele está bem no meio da sala. Se ele tem vários inimigos, qual é o sentido de ter uma mesa bem no meio da sala, onde qualquer um pode se aproximar pelas costas dele?

Better Man – A História de Robbie Williams

Crítica – Better Man – A História de Robbie Williams

Sinopse (imdb): Um perfil singular do astro pop britânico Robbie Williams.

Antes de tudo, preciso falar que não sou fã do Robbie Williams. Digo mais: não conhecia nenhuma música dele. Achei que podia conhecer alguma música e não saber que era dele – lembro que ano passado, durante o show do Charlie Puth no Rock in Rio, reconheci uma das músicas, não sabia que era dele. Mas, durante o filme, só reconheci My Way, do Frank Sinatra, e Land of 1000 Dances, que, pra ser sincero, confundi com Shake a Tail Feather, que o Ray Charles canta com os Blues Brothers. Ou seja, meus comentários são sobre alguém que não conhecia o artista!

Better Man – A História de Robbie Williams (Better Man, no original) estava na minha lista de expectativas pra 2025, porque era o novo filme do Michael Gracey, mesmo diretor de O Rei do Show, mas também, principalmente, porque trazia uma proposta bem diferente: uma cinebiografia musical onde o protagonista foi trocado por um macaco.

Achei a ideia curiosa. E, depois de ver o filme, me toquei que foi uma sacada genial. Até hoje vejo gente reclamando do Rami Malek interpretando o Feddie Mercury. Se tem um macaco interpretando o protagonista, ninguém vai reclamar que não está igual!

O macaco é muito bem feito, tanto que o filme concorreu ao Oscar de melhores efeitos especiais. Vemos o personagem em diversas fases da vida – isso inclui diversos tipos de cabelos diferentes. E sempre está convincente, nenhuma cena me pareceu falsa a interação do macaco com os atores em carne e osso. Ah, esse formato ainda trouxe outra coisa interessante: o próprio Robbie Williams dublou o seu personagem ao longo do filme. Não me lembro de outra cinebiografia onde o biografado está se “auto interpretando”…

Muitas vezes, uma cinebiografia pega leve com o biografado, principalmente quando este está perto da produção. Isso não acontece aqui. Better Man mostra pontos positivos da carreira do cantor, mas também traz vários podres, incluindo muitas drogas – o filme chegou a ser proibido no Catar pelo uso excessivo de drogas. O filme também foi criativo ao retratar os “fantasmas” que assombram a carreira do cantor: sempre que ele sobe ao palco, ele vê flashes de outros macacos na plateia, sempre desaprovando seus atos. E a sequência onde ele enfrenta esses “fantasmas” é muito boa!

(Como falei, não conheço nada do cantor. Depois de ver o filme, catei a sua entrada no show de Knebworth, e aí a gente vê que os efeitos especiais não foram só pro macaco!)

Falando em sequências boas, Better Man tem algumas. Tem uma música, da época que ele fazia parte de uma boy band, que foi filmada em plano sequência pela Regent Street em Londres. Essa sequência sozinha já vale o filme! E ela ainda tem uma curiosa história nos bastidores. Eles demoraram um ano e meio pra conseguir autorização pra filmar no local. E depois de passar uma semana inteira em ensaios, duas noites antes das filmagens a Rainha Elizabeth II faleceu, e as filmagens tiveram que ser adiadas. Todos tinham que ser pagos de qualquer maneira, incluindo os donos das lojas e a equipe, e o seguro de produção não cobria as perdas devido à morte de um monarca. Os produtores tiveram que levantar fundos adicionais para filmar a sequência, que foi feita cinco meses depois.

Todas as sequências musicais são muito bem filmadas (sempre presto atenção nesses detalhes). Mas, posso fazer um mimimi? Senti falta de mais contato com músicos da sua banda, seja em ensaios ou em shows. Nem sei se tem alguém conhecido tocando com ele, mas heu não ia reclamar se tivesse uma sequência num estúdio de ensaio.

Better Man arriscou, e acertou. Curioso ver Emilia Perez concorrendo a vários Oscars e este, que é um musical muito melhor, só lembrado pelos efeitos especiais.

Um Filme Minecraft

Um Filme Minecraft

Sinopse (imdb): Quatro desajustados são transportados para um bizarro país das maravilhas cúbico onde impera a imaginação. Para voltar para casa, eles terão que dominar este mundo enquanto embarcam em uma missão com um experiente construtor imprevisível.

Um Filme Minecraft estava na minha lista de expectativas pra 2025, porque fiquei curioso de como iriam fazer um filme com atores em um mundo quadrado, e além disso o trailer passava uma vibe meio Jumanji. Ok, reconheço que, na parte técnica, Um Filme Minecraft é muito bem feito. Gostei da construção do “mundo quadrado”. Por outro lado, o roteiro… Diferente de uma adaptação bem feita como Super Mario Bros., Um Filme Minecraft é bem bobinho.

Nunca joguei, mas até onde sei, o jogo Minecraft é uma espécie de Lego dentro do computador, você usa blocos pra construir qualquer coisa. Mas por outro lado não tem exatamente uma história sendo contada no jogo. Se por um lado uma adaptação é mais complicada, por outro lado abre espaço pro roteirista viajar. O próprio Lego tem um filme sensacional, Uma Aventura Lego. Se Minecraft seguisse um caminho desses, tinha potencial de ser bem divertido.

Mas, a história é confusa, tem personagens desnecessários, o vilão é ruim, a motivação dos mocinhos é besta, tudo é bagunçado demais. Sem entrar em muitos detalhes, mas, são quatro pessoas que entram no jogo e encontram o Jack Black (que já estava lá – e que, aliás, se ele sempre quis entrar na mina, por que esperou ficar velho pra isso?). O Jason Momoa, ok, é a outra estrela, também precisa estar no rolê. Os dois garotos são muito sem sal, mas tem uma justificativa pra também participarem da aventura. Agora, por que incluir aquela corretora de imóveis? Tire esse personagem e o filme não muda nada! Digo mais: inventaram uma trama paralela, fora do jogo, com a diretora da escola, que é vergonha alheia de ruim. A sensação que fica é “conseguimos uma atriz famosa, vamos criar umas cenas pra aproveitá-la”.

Ainda nos garotos. Era pro menino ser o protagonista, mas ele é tão água de salsicha que nenhum espectador vai se importar com ele. E olha como o roteiro deu mole: o moleque chega e já mostra habilidades construindo coisas, e logo cria uma arma. Caramba, na batalha final ele ainda está com a mesma arma! Num jogo onde as construções são ilimitadas, ele podia ter construído um monte de coisas diferentes pra usar contra os inimigos!

Aliás, colocaram um ator mirim sem sal pra protagonizar um filme ao lado do Jack Black e do Jason Momoa. Aí aconteceu o óbvio: os dois roubaram o protagonismo e o garoto virou coadjuvante. Consequências de um roteiro mal escrito.

Sobre a batalha final, sabe o conceito “deus ex machina”, que é quando aparece uma ajuda externa pra salvar os heróis? Nessa batalha tem duas vezes esse artifício!

Por fim, queria comentar um problema que me pareceu ser da dublagem. Infelizmente vimos o filme dublado, apesar de todos na sessão preferirem legendado. Ok, vamos no dublado. O filme termina com uma música cantada pelo Jack Black. Ele canta, tem uma banda, já tocou até no Rock in Rio, nenhum problema em vê-lo cantando. Mas, durante a estrofe, a voz dele estava muito baixa, quase inaudível, só ouvíamos as vozes nos refrães. O que me parece que aconteceu? Meu palpite é que a voz estava baixa, pra entrar a voz do dublador. Mas não teve dublagem neste momento. Ou seja, a música final ficou bem ruim. Mas calma que ainda piora! Jason Momoa não canta, mas aparece no palco ao lado do Jack Black, com um keytar pendurado no pescoço – keytar é aquele teclado que fica na correia que nem uma guitarra ou baixo. E em nenhum momento Momoa encosta nas teclas! Pra que colocar um instrumento nele se ele não vai tocar?

Um Filme Minecraft tem cenas pós crédito estilo Marvel: uma logo no início dos créditos e outra lááá no finzinho. Se você joga Minecraft, fique até o final! Mas se nunca jogou, pode ir embora.

No fim, não que Um Filme Minecraft seja “ruim”. Mas tinha um potencial enorme, e virou um filme genérico, que vai ser esquecido. Podia ser um novo Super Mario Bros, mas ficou do nível de Emoji – O Filme.

10 Cópias de Caçadores da Arca Perdida

10 Cópias de Caçadores da Arca Perdida

Lançado em 1981, Caçadores da Arca Perdida foi um grande marco para o cinema de aventura. Claro que isso gerou um monte de filmes tentando pegar carona no sucesso. Pensei em fazer uma lista de filmes que copiaram o estilo. Sim, também podemos chamar de plágios.

Durante os anos 81, tivemos três filmes do Indiana Jones: Caçadores da Arca Perdida em 1980; Indiana Jones e o Templo da Perdição em 84; e Indiana Jones e a Última Cruzada em 89 (vou deixar de lado O Reino da Caveira de Cristal (2008) e A Relíquia do Destino (2023), porque estes dois títulos não fazem sentido para a lista que estou fazendo).

Inicialmente pensei em pegar apenas filmes dos anos 80. Fui catar na internet, tem vários bem vagabundos, como O Tesouro das Quatro Coroas (83), Sky Pirates (86), Caçadores de Tesouro (Jungle Raiders) (85) ou The Further Adventures of Tennessee Buck (88). Mas são filmes que quase ninguém viu, e nem me lembro se foram lançados no Brasil. Achei que seria melhor ampliar o período e fazer uma lista com filmes mais conhecidos.

Alguns dos filmes têm continuações, propositalmente deixadas de fora da lista, pra caber mais exemplos de cópias.

(John Rhys-Davis, que fez o Sallah, amigo do Indiana Jones no primeiro e no terceiro filmes, aparece em dois da lista abaixo. Será coincidência? 😉 )

Vamulá?

10- Os Aventureiros do Fogo (1986)
Dois caçadores de recompensas e uma mulher viajam até a América Central e enfrentam mercenários e os perigos da selva em busca de um suposto templo asteca cheio de ouro. Com Chuck Norris, Louis Gossett Jr., Melody Anderson e John Rhys-Davis.

9- Sahara (2005)
Dois aventureiros em busca de emoção cruzam o caminho de uma linda doutora e se deparam com uma caça ao tesouro extrema que requer a busca de todos. Com Matthew McConaughey, Penélope Cruz e Steve Zahn.

8- Jungle Cruise (2021)
Um pequeno barco fluvial leva um grupo de viajantes por uma selva cheia de animais e répteis perigosos, mas com um elemento sobrenatural. Com Dwayne Johnson, Emily Blunt, Edgar Ramírez, Jesse Plemons e Paul Giamatti.
https://www.heuvi.com.br/jungle-cruise/7- A Lenda do Tesouro Perdido (2004)
Ben Gates procurou toda a vida um tesouro muito bem guardado, associado aos Templários e Maçons. Nunca encontrou uma prova, até que descobre que o mapa está codificado na Declaração da Independência dos Estados Unidos. Com Nicolas Cage, Diane Kruger, Sean Bean, Jon Voight e Harvey Keitel.

6- A Múmia (1999)
Um americano trabalhando para a Legião Estrangeira Francesa numa escavação na antiga cidade de Hamunaptra acorda acidentalmente a uma múmia. Com Brendan Fraser, Rachel Weisz e John Hannah. Teve uma continuação em 2001, O Retorno Da Múmia, e um terceiro filme em 2008, A Múmia: Tumba do Imperador Dragão.

5- DuckTales: O Filme – O Tesouro da Lâmpada Perdida (1990)
Huguinho, Zezinho e Luizinho e seu sofrido tio Tio Patinhas estão de volta, lutando contra o malvado feiticeiro metamorfo Merlock pela posse de uma lâmpada mágica.

4- Lara Croft: Tomb Raider (2001)
Lara Croft é filha de Lord Henshingly Croft, um arqueólogo cujo desaparecimento está por explicar. Sem o saber, ela tinha um fragmento do “O Olho Que Tudo Vê”, artefato que, reconstituído, dá ao seu possuidor o poder sobre o Tempo. Com Angelina Jolie, Jon Voight e Daniel Craig. Teve uma continuação em 2003, Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida, e um reboot em 2018, Tomb Raider: A Origem, com Alicia Vikander.

3- As Minas do Rei Salomão (1985)
O caçador de fortunas Allan Quatermain se une a uma mulher engenhosa para ajudá-la a encontrar seu pai perdido no deserto da África do século XX, enquanto era perseguida por tribos hostis e por um explorador alemão rival. Com Richard Chamberlain, Sharon Stone e John Rhys-Davis. Teve uma continuação em 1986, Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido.

2- As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida (1984)
Gwendoline, uma freira fugitiva, chega a Hong Kong em uma missão para encontrar seu pai, que foi visto pela última vez na lendária Terra dos Yik Yak procurando por uma borboleta rara. Ela é guiada em sua perigosa jornada pelo mercenário egoísta Willard. Com Tawny Kitaen e Brent Huff. Também conhecido como As Aventuras de Gwendoline no Paraíso, é uma mistura de Indiana Jones com Barbarella. Era um dos meus maiores guilty pleasures na adolescência.
https://www.heuvi.com.br/as-aventuras-de-gwendoline-na-cidade-perdida/

1- Tudo por uma Esmeralda (1984)
Uma romancista parte para a Colômbia para resgatar sua irmã sequestrada e logo se vê no meio de uma perigosa caça do tesouro com um mercenário. Dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny DeVito. Teve uma continuação em 1985, A Joia do Nilo.
https://www.heuvi.com.br/tudo-por-uma-esmeralda/

Resgate Implacável

Crítica – Resgate Implacável

Sinopse (imdb): Ele quer viver uma vida simples e ser um bom pai para sua filha. Mas quando a filha adolescente de seu chefe, Jenny, desaparece, ele é chamado para reempregar as habilidades que o tornaram uma figura lendária nas operações secretas.

Filme novo do Jason Statham, dirigido por David Ayer – mesma dupla de Beekeeper. Cheirinho de filme ruim, mas vamulá.

Jason Statham é um cara carismático, que tem uma filmografia com vários bons títulos – mas ele também fez várias bombas. Já David Ayer dirigiu aquele Esquadrão Suicida todo errado, então o saldo dele é bem negativo. Ainda tinha um nome bom, o roteiro é de Sylvester Stallone. Respeito o Stallone, tem uma carreira impressionante, décadas de bons serviços prestados ao cinema de ação, mas a gente sabe que nem sempre ele acerta.

Bem, a notícia não é boa. Resgate Implacável é bem fraco. Beekeeper era um filme de ação genérico, mas tinha algumas boas sequências. Resgate Implacável é só genérico.

Outro dia ouvi uma boa definição sobre os filmes do Jason Statham, que se aplica a boa parte de sua filmografia. Em Beekeeper, ele é um apicultor, que também é um assassino. Em Infiltrado, ele é um segurança, que também é um assassino. Em Carga Explosiva, ele é um motorista, que também é um assassino. Bem, aqui em Resgate Implacável, ele trabalha numa empresa de construção, e também é um assassino. Levon Cade (Jason Statham) trabalha numa obra. Quando a filha do seu patrão é sequestrada, ele resolve ir atrás de quem sequestrou.

Mas, sabe qual é o problema? Hoje, em 2025, esse formato do “exército de um homem só” precisa convencer o espectador. Alguns filmes conseguem, tipo a franquia John Wick. Mas aqui tudo parece muito fácil. O cara sai matando e vai galgando entre figurões da máfia russa, sempre mostrando o rosto nas câmeras de segurança, e nenhum dos bandidos procura saber quem é. Além disso, ele nunca se machuca. É daquele tipo de filme onde, quando ele está sem uma arma de fogo, ou o oponente também está sem arma de fogo, ou o oponente tem “mira de stormtrooper”.

Pra piorar, não tem nenhuma cena de ação memorável (Beekeeper não foi um bom filme, mas tinha algumas boas sequências). Como resultado, temos um filme arrastado. São quase duas horas de projeção, mas parece mais longo. E ainda tem cenas que dão raiva. Vou dar um exemplo: determinado momento ele está cercado, tem dois oponentes atirando. Aí ele mostra que consegue usar seu rifle com uma telinha bluetooth e mata um deles com um tiro certeiro. E depois ele joga uma granada em cima do outro. Por que não matar o outro da mesma forma?

Sobre o elenco, Jason Statham faz o de sempre. Quem vai ao cinema pra ver um filme dele não quer uma grande atuação, só quer ver tiro, porrada e bomba. Agora, não entendi as escalações de David Harbour e Michael Peña. São dois bons atores, poderiam agregar valor ao filme, mas têm papéis muito secundários, poderia ser qualquer ator em cada um dos papéis. Principalmente o David Harbour, que parece que só está lá pra se o filme tiver uma continuação.

Sim, continuação. Existe uma série de livros, com doze volumes, com o personagem Levon Cade. Ou seja, provavelmente a proposta é começar uma nova franquia. Tomara que a bilheteria deste primeiro filme seja fraca e desistam da ideia.

A Vingança do Popeye – Popeye’s Revenge

Crítica – A Vingança do Popeye – Popeye’s Revenge

Sinopse (imdb): A lenda do Popeye assombra um grupo de amigos que pretendem abrir um acampamento de verão.

Antes de tudo, preciso confessar que assisti o filme errado. Ouvi falar que este ano teria um filme de terror do Popeye, e gostei do título, porque fizeram um bom trocadilho: em vez de “Popeye the Saylor Man”, o filme se chama “Popeye the Slayer Man”. Ok, tinha tudo pra ser um filme ruim, mas pelo menos era um título criativo.

Mas peguei o filme errado. Em vez de Popeye the Slayer Man, vi Popeye’s Revenge, ou, A Vingança do Popeye. Bem, deve ser a mesma coisa.

Vamos a uma contextualização. Alguns anos atrás descobriram que os diretos do ursinho Puff iam entrar em domínio público, então fizeram um filme de terror com o personagem. Achei a ideia muito boa, gosto de imaginar histórias que a gente conhecia quando criança sendo revisitadas sob outro ponto de vista – meu primeiro curta metragem foi com o boitatá, e um dia ainda hei de voltar a filmar terror com folclore nacional.

O problema é que o filme do Puff é péssimo. É apenas um terror vagabundo, mal escrito e mal filmado, onde um cara coloca uma máscara tosca comprada na shopee e sai matando o resto do elenco. Não tem nada a ver com o ursinho Puff. (E o filme ainda tem a pachorra de ter uma cena onde um personagem fala “não parecem humanos!” Caramba, parecem sim, parecem humanos que compraram máscaras de halloween no Mercadão de Madureira!)

Mas, produção barata, proporcionalmente rendeu bem. Aí abriu a porteira pra outras produções seguindo a mesma ideia (e infelizmente com a mesma indigência artística). O filme do Mickey sofre do mesmo problema: é um slasher vagabundo que não tem nada a ver com o Mickey, só um cara que usa uma máscara do personagem. O resultado chega a ser pior que o do Puff!

Então, claro que as minhas expectativas pra este A Vingança do Popeye eram bem baixas. E olha, posso dizer que me surpreendeu positivamente. Não, não é bom, longe disso. Mas é bem menos ruim do que os dois citados anteriormente.

A Vingança do Popeye começa bem. Tem uma animaçãozinha de uns três minutos contando a história de uma criança que nasceu com problemas: tinha antebraços muito grandes e era muito forte. Na escola, brigou com um coleguinha e acabou esmagando a cabeça do oponente, fazendo os olhos saltarem – “pop eye”, olha que boa sacada! Por causa disso, ele é deixado de castigo no porão da casa. Mas a população local, com raiva, coloca fogo na casa dele, o que acaba matando seus pais. Ele não morre porque estava no porão, mas quando aparece em público, jogam ele no lago e ele morre afogado.

Ok, temos um bom começo. Sei que o primeiro filme do Puff também abre com uma animaçãozinha, mas a historinha contada lá não fazia nenhum sentido, essa daqui foi melhor. Mas sabe aquele desenho do cavalo que começa bem mas vai ficando cada vez mais mal desenhado? A Vingança do Popeye é assim: uma boa introdução, um desenvolvimento capenga e um final bem ruim.

Vamulá. O Popeye morreu criança, e volta pra se vingar depois de anos. Até aí ok. Mas, se ele morreu criança, por que é um adulto que aparece agora? Digo mais: por que ele usa roupa de marinheiro e uma âncora? E de onde veio o cachimbo? Por que o roteiro não desenvolveu algo no personagem pra ligá-lo às características do Popeye original?

Calma que tem uma revelação no final que ainda piora tudo isso. Sim, é um spoiler, mas pra um filme desses acho que ninguém se importa. Quando ele era criança e estava no porão, uma pessoa misteriosa se comunicava com ele com cartas por debaixo da porta. No fim do filme a gente descobre que a pessoa misteriosa é a irmã do Popeye. Seu nome? Olive. Sim, Olívia Palito aqui é irmã do Popeye. Oi???

Ainda tem um momento onde uma lata de espinafre rola pelo chão. Podiam usar isso pra mostrar que o Popeye ficava mais forte, saída muito fácil que o roteiro podia usar. Mas não, só aparece a lata rolando. Pra que?

O roteiro também tem suas tosqueiras, mas isso infelizmente é normal no estilo. Tipo, tem um personagem, morador local, que entra na trama só pra avisar que todos devem tomar cuidado com a névoa. Ele mora lá, conhece a área. Por que diabos ele fica dando mole quando aparece a névoa? Isso porque não vou falar da passagem dos dias, porque tem cenas de dia e cenas à noite que parecem estar misturadas.

Ah, ainda no roteiro, tem um detalhe que queria mencionar. Uma das mortes acontece na piscina. E logo na cena seguinte, a galera já está na mesma piscina. Quem tirou o corpo e limpou o local? Mais uma da mesma cena: prestem atenção, quando o Popeye mata, ele está de costas pra vítima e corta o pescoço. De onde vem aquele esguicho de sangue na cara dele? Não há ângulo pra ele levar aquele jato no rosto!

Sobre o elenco, ninguém merece ser mencionado. Só queria comentar que a atriz Karolina Ugrenyuk aparece com uma camisa do Brasil. Mas procurei pela internet pra saber o motivo e não achei nada. Deve ser uma coincidência, alguém deve ter achado que ela fica bem com aquela camisa.

Dito tudo isso, como falei, achei A Vingança do Popeye menos ruim que os filmes do Mickey e do Puff. Porque aqui é um slasher vagabundo, mas pelo menos tem um vilão coerente com a proposta (mesmo que só parcialmente), e tem algumas mortes graficamente aceitáveis. Não é um filme pra ser recomendado, mas, se visto no espírito certo, pelo menos não dá raiva.

Por fim, só queria lembrar que existe um plano de se fazer um “Poohniverse”, juntando filmes de terror do ursinho Puff, Peter Pan, Bambi e Pinóquio. Mas até onde sei, este filme do Popeye não fará parte desse rolê, apesar de ser da mesma produtora.

Adolescência

Crítica – Adolescência

Sinopse (imdb): Um garoto de 13 anos é acusado de assassinar uma colega de escola, levando a família, a terapeuta e o investigador do caso a se perguntarem o que realmente aconteceu.

Um amigo que sabe que curto plano sequência tinha me indicado essa série. Aí de repente ouvi várias pessoas comentando, mas não falavam sobre o lado técnico, e sim sobre o conteúdo da série. Resolvi encarar logo.

É uma série de quatro episódios, entre cinquenta e um minutos e uma hora e cinco minutos. E cada um deles é um grande plano sequência. Acompanhamos um garoto de treze anos que está sendo preso, acusado de um assassinato de uma menina da mesma idade.

(Tem gente por aí espalhando imagens de um suposto assassino real, mas os roteiristas garantiram que não se inspiraram em um caso específico. Cuidado com fake news!)

Vou começar pela parte técnica. Pra quem não sabe, um plano sequência é quando a câmera começa a gravar, e várias coisas acontecem sem nenhum corte. É uma tarefa complicada e desafiadora, porque exige que os atores saibam de cor todos os diálogos e marcações de cena, e também exige que a equipe técnica planeje bem os posicionamentos, pra ninguém “vazar” na câmera. Tudo exige uma complexa coreografia entre elenco e equipe, que tem que ser seguida até o final do plano – porque se alguém errar, tem que recomeçar tudo do zero. Claro que nos dias de hoje existem opções de se dividir o plano em planos menores e depois fazer emendas digitais (por exemplo, fazer um corte estratégico a cada dez minutos, tipo quando a câmera passa por alguma pessoa ou parede, e depois emendar como se fosse tudo um único take). Mas a produção de Adolescência afirmou que foi realmente um único, sem cortes. Será? Bem, pra mim isso pouco importa, também valorizo os planos sequência que têm cortes, não é fácil você planejar algo deste porte, mesmo com emendas.

O primeiro plano sequência mostra a prisão do garoto e sua entrada na delegacia; o segundo, traz os policiais pela escola tentando conseguir pistas; o terceiro, uma sessão entre o jovem acusado e uma psicóloga; o quarto, o dia a dia da família do garoto sem ele. Na minha humilde opinião, os mais impressionantes são o segundo e o terceiro. O segundo é o mais complexo, a câmera passeia por vários ambientes do colégio, e dezenas de personagens passam pela câmera. E ainda tem uma parte onde a câmera atravessa uma janela e outra parte onde a câmera voa, pendurada num drone. O terceiro é tecnicamente menos complexo, quase o tempo todo fica em um único ambiente, com apenas dois personagens. Mas por outro lado, exige muito mais dos atores, os diálogos são longos e cheios de diferentes camadas.

(Se posso fazer um mimimi, tem uma cena onde um aluno sai correndo e o policial corre atrás dele que me pareceu que ambos estavam correndo meio devagar. Não passou a impressão de uma corrida real. Mas, olhando isso em volta de tudo o que eles conseguiram nos quatro planos sequência, é uma reclamação bem besta.)

Segundo o imdb, cada episódio teve três semanas de produção, com a última semana sendo para filmagem. Assim, cinco dias eram para filmar o produto final, dois por dia. O episódio 1 foi concluído no segundo take; os outros três foram concluídos no último. Inicialmente, eles filmariam cada episódio na íntegra dez vezes, uma vez pela manhã e outra à tarde, ao longo dos cinco dias – mas na realidade algumas tentativas tiveram que ser abandonadas e reiniciadas, então alguns episódios tiveram muito mais do que dez tomadas.

Adolescência foi criada e escrita por Stephen Graham e Jack Thorne – Graham interpreta o pai (e me lembro dele em Snatch, do Guy Ritchie). A direção dos quatro episódios foi de Philip Barantini, diretor com um currículo pequeno – mas que certamente vou ficar de olho daqui pra frente. Ah, tem um tal de Brad Pitt na produção executiva – cargo que normalmente não está ligado a nada íntimo da produção.

O elenco todo está bem. Mas heu queria citar o garoto Owen Cooper, que faz o adolescente acusado do assassinato. É um garoto estreante, e ele está excelente! Digo mais: o primeiro episódio a ser filmado foi o terceiro, ou seja, aquela atuação que o jovem entrega na cena com a psicóloga era sua estreia num set de filmagens! Esse menino vai longe! Por causa de sua atuação, ele já está escalado para o novo filme de Emerald Fennell (Oscar de melhor roteiro em 2021 por Bela Vingança), pra trabalhar ao lado de Margot Robie e Jacob Elordi.

(Uma curiosidade: determinado momento da cena com a psicóloga, o garoto boceja. Isso não estava no script, ele estava realmente cansado. Mas a atriz que faz a psicóloga improvisou e, com naturalidade, perguntou se ela estava deixando ele entediado. Ele responde que não e dá um leve sorriso. Não era pra ser assim, mas ficou ainda melhor do que o previsto!)

Até agora só falei da parte técnica, mas Adolescência também chama a atenção pelo lado comportamental, porque aborda a dificuldade dos pais de entenderem o universo dos adolescentes de hoje em dia, além de entrar em temas como incels e red pills. Ou seja, vai ter um monte de vídeos e textos analisando a parte sociológica. Mas como não entendo muito dessa parte, vou deixar meu texto mais focado na parte cinematográfica.

O fato de serem planos sequência traz algumas características que nem sempre são positivas. Um exemplo: no primeiro episódio, quando o garoto é levado para a delegacia, determinado momento ele precisa tirar a roupa pra ser revistado. Numa narrativa convencional, haveria um corte e a história seguiria. Aqui a câmera foca no pai enquanto a gente ouve o que está acontecendo com o garoto, durante todo o desconfortável tempo da revista (a propósito, grande atuação do pai!)

Mas, pra mim, o pior não foi isso. Não gostei da conclusão da série, porque algumas dúvidas são levantadas no segundo e terceiro episódio, e essas dúvidas não são concluídas. A gente segue o plano sequência com a família, e o estilo de narrativa escolhido não tem espaço pra voltar para aquelas dúvidas. Afinal, o objetivo da série não é investigar o assassinato em si, e sim algo mais profundo e complexo que é a relação familiar e todo o contexto que abrange. Faz seus pais questionarem onde erraram e junto com o detetive, tentar compreender o que motivou tamanha violência cometida pelo filho. Como tudo isso pode gerar tantas camadas e afetar completamente toda a família.

Mas confesso que heu estava esperando uma conclusão sobre as pontas soltas. Ou seja, na minha humilde opinião, o quarto episódio mantém a excelência técnica, mas falha na narrativa. Resumindo: quem estiver esperando por grandes revelações ao final da trama vai se decepcionar. O foco principal da série não é esse.

Mesmo assim, recomendo Adolescência. Tecnicamente impecável, atuações incríveis, além de abordar um tema muito atual. Está em cartaz na Netflix.

Novocaine – À Prova de Dor

Crítica – Novocaine – À Prova de Dor

Sinopse (imdb): Quando a garota dos seus sonhos é sequestrada, um homem incapaz de sentir dor física transforma sua condição rara em uma vantagem inesperada na luta para resgatá-la.

Já falei aqui mais de uma vez: gosto muito do lema da rede Luiz Severiano Ribeiro, “Cinema é a maior diversão”. Se entro na sala de cinema e me divirto, o filme ganha pontos pra mim. E isso aconteceu com este Novocaine – À Prova de Dor (Novocaine, no original).

Em Novocaine, a gente conhece Nate, que tem uma doença rara, e por causa disso não sente dor, nem calor, nem frio. Por causa de sua doença, ele é extremamente cuidadoso em tudo, porque, se ele se acidentar, não vai nem sentir. Aí quando sequestram sua colega de trabalho por quem ele se sente atraído, ele resolve, pela primeira vez na vida, usar seus “super poderes” e vai atrás dela.

Dirigido pela dupla Dan Berk e Robert Olsen, Novocaine tem duas coisas que, pelo menos pra mim, foram essenciais pra trazer alguma veracidade à trama. A primeira é que, diferente de um filme como Anônimo, onde o protagonista tinha um passado ligado a lutas, Nate nunca brigou. Ou seja, claro que ele vai apanhar quando enfrentar os vilões. E a outra coisa é que ele não sente dor, mas os machucados são reais, e trazem consequências ao personagem, consequências que vão escalando ao longo do filme. Uma das coisas que o time de dublês se preocupou era de dar poucos golpes no rosto, sempre que possível o golpe era transferido para o corpo – porque o rosto ia ficar inchado! Seria bem ruim se, do nada, ele virasse um grande lutador e nunca se machucasse. Ia virar um filme tosco de super herói.

Lendo isso, parece que é um filme sério e super violento, né? Bem, é um filme super violento, mas não é exatamente sério. Novocaine tem sequências muito engraçadas. Em várias cenas o filme apresentava situações inusitadas e exageradas que faziam o cinema inteiro dar gargalhadas. Não diria que é um filme de comédia, mas você certamente vai rir!

O protagonista é Jack Quaid, filho do Dennis Quaid e da Meg Ryan (falei dele há pouco em Acompanhante Perfeita) mas que é mais conhecido pelo papel de Hughie na série The Boys. Ele está muito bem aqui, mas preciso reconhecer que o elogio é mais pelo carisma do ator do que pela atuação, porque se a gente parar pra analisar, o Nate é muito parecido com o Hughie. O principal papel feminino é de Amber Midthunder, de O Predador – A Caçada, enquanto o vilão é outro “nepobaby”, Ray Nicholson (Sorria 2), filho do Jack Nicholson. Jacob Batalon, dos filmes recentes do Homem Aranha, faz um papel menor mas bem divertido.

Novocaine – À Prova de Dor estreia nos cinemas quinta da semana que vem!

Consertando Branca de Neve

Consertando Branca de Neve

(COM SPOILERS!)

1- Em primeiro lugar, a história original fala que a personagem tem “a pele branca como a neve, os lábios vermelhos como o sangue e os cabelos pretos como o ébano.” Não sou contra mudar personagens, desde que seja uma mudança bem feita. Mas tem casos onde não dá. Branca de Neve é um desses casos, não dá pra ser uma latina! Solução: Troque a protagonista!

2- Resolveram tirar o príncipe que salva a Branca de Neve. Acho um erro, porque quem gosta da história original, gosta deste detalhe. Mas, ok, adaptaram pros dias de hoje, o personagem existe mas é um “ladrão do bem”. Aí inventaram um grupo que o acompanha, grupo que não estava na história clássica, e tem várias representatividades. Já é uma grande forçação isso, mas calma que piora. O problema é que, tirando um (o anão), essas pessoas do grupo são meros figurantes. Não têm nomes, não têm diálogos, não têm nenhuma importância para a trama. Caramba, se você vai incluir diversidade no seu filme, dê alguma relevância pra esses personagens! Solução: crie uma sequência deles tentando tirar o amigo da prisão!

3- A Rainha manda o caçador levar a Branca de Neve pra floresta e matá-la, e diz pra trazer seu coração numa caixa. No desenho, o caçador diz pra Branca de Neve fugir e leva um coração de um animal. No filme, tem uma maçã dentro da caixa! Como assim a Rainha não abriu a caixa pra conferir? Solução: não altere a história original!

4- A Rainha manda guardas atrás da Branca de Neve, que está com os bandidos. Os guardas os cercam, com bestas apontadas. O mocinho levanta as mãos e se rende, e pede pra não atirarem, e o bando faz o mesmo. Mas, de repente, eles sacam espadas e atacam os guardas. Caramba! Os guardas estavam armados com bestas! Era só atirarem! Solução: tire as bestas e coloque guardas com espadas, cercando os bandidos.

5- Algumas coisas foram atualizadas para os dias de hoje, ok, a gente entende que se passaram quase 90 anos. Mas não entendo como não adaptaram o beijo do príncipe / ladrão no final. O cara encontra a Branca de Neve morta, e dá um beijo na boca dela? Quem beijaria a boca de um cadáver??? Solução: um beijo na cabeça ou na testa, ia ser menos “creepy”.

Branca de Neve

Crítica – Branca de Neve

Sinopse (imdb): Adaptação em live-action do filme de animação da Disney de 1937 “Branca de Neve e os Sete Anões”.

Estreou o filme mais polêmico de todos os tempos da última semana!

Não tem como não falar desta nova versão de Branca de Neve (Snow White, no original) sem lembrar das diversas polêmicas. Teve a escalação de uma atriz latina para um papel que deveria ser “branca como a neve”; teve esta mesma protagonista dando entrevistas falando mal da história original; teve a polêmica entre as duas atrizes principais, uma apoiando Israel e outra apoiando a Palestina; teve o Peter Dinklage reclamando da história desvalorizar os anões, e por isso supostamente os atores foram trocados por cgi… Muitas polêmicas, mas hoje vou falar do filme. (Sobre as polêmicas, procurem outros sites.)

Dirigido por Marc Webb (que fez os filmes do Homem Aranha com o Andrew Garfield), Branca de Neve se propõe a atualizar a história contada no desenho lançado em 1937. Algumas alterações até funcionaram, mas outras não. Mas, no fim, nem é um filme tão ruim. É apenas mais um live action desnecessário – como aliás, quase todos os live actions da Disney (na minha humilde opinião, o único live action bom é Cruella, que não é uma adaptação, é um spin off com uma história independente do desenho original). Ou seja, a gente esperava um grande lixo, mas é apenas mais um filme esquecível. E, claro, inferior à obra original.

Rachel Zegler foi uma escolha errada, porque na história original, a rainha fala “Como eu queria ter uma filha com a pele branca como a neve, lábios vermelhos como sangue e cabelos negros como ébano.” Tiveram que alterar a origem dela, no filme ela se chama Branca de Neve porque nasceu num dia que estava nevando – uma grande forçação de barra. Além disso, ela deu a entender através de entrevistas que não gosta do desenho. Pra que escalar uma atriz assim? Mas, pelo menos ela canta bem. Pena que Branca de Neve não tem nenhuma música empolgante – a única música que fica na cabeça quando acaba o filme é a dos anões, que todo mundo já conhece há décadas: “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…”

Escalar Rachel Zegler e Gal Gadot trazia outro problema, semelhante ao filme de 2012, Branca de Neve e o Caçador, quando Kristen Stewart era a Branca de Neve e Charlize Theron era a Rainha Má. Uma das falas mais famosas da história original é “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” – e, assim como Kristen Stewart nunca vai ser mais bela que Charlize Theron, Rachel Zegler nunca vai ser mais bela que Gal Gadot. Mas, reclamei disso em 2012, não sei se vale reclamar igual agora, treze anos depois. O que posso dizer sobre a Gal Gadot: ela está caricata, talvez um pouco acima do que deveria estar, mas não chega a atrapalhar. E ela canta, até canta bem, mas, nos dias de hoje, não sei se é a voz dela ou não.

Sobre os anões: eles viraram criaturas mágicas que vivem na floresta há centenas de anos, e todos são em cgi. Achei que ficou bom. O cgi dos anões é muito bem feito – assim como o cgi dos animais da floresta. Não sei muito sobre os bastidores da polêmica com o Peter Dinklage, se os anões em cgi foi por causa disso, mas sei que o resultado final, pelo menos pra mim, foi satisfatório.

Agora, o que foi bem ruim foi um núcleo de personagens que acompanha o “mocinho” – agora não pode ser mais príncipe, porque a Branca de Neve, empoderada, não pode ser salva por um príncipe (decisão que a produção tomou, que questiono se foi correta ou não). Enfim, em vez de príncipe, é um ladrão, e esse ladrão tem um bando, que não estava na história clássica, e que tem várias representatividades – e que parece saído de uma faculdade de Humanas na UFRJ. Já é uma grande forçação isso, mas calma que piora. O problema é que, tirando um (logo o anão!), essas pessoas do grupo são meros figurantes. Não têm nomes, não têm diálogos, não têm nenhuma importância para a trama. Caramba, se você vai incluir diversidade no seu filme, dê alguma relevância pra esses personagens!

Algumas coisas foram atualizadas para os dias de hoje, ok, a gente entende que se passaram quase 90 anos. Mas não entendo como não adaptaram o beijo do príncipe / ladrão no final. O cara encontra a Branca de Neve morta, e dá um beijo na boca dela? Quem beijaria a boca de um cadáver??? Não seria melhor um beijo na cabeça?

Enfim, Branca de Neve nem é tão ruim quanto esperado, mas é esquecível. O desenho ainda é muito melhor.