Karatê Kid: Lendas

Crítica – Karatê Kid: Lendas

Sinopse (google): Li Fong, um prodígio do kung fu, se muda para Nova York com a mãe. Ele tenta ficar longe de brigas enquanto se adapta ao novo país, mas sua paixão pelo combate o leva a se inscrever em um torneio de artes marciais. Para treinar para o desafio, ele conta com a ajuda dos mestres Han e Daniel LaRusso, unindo dois estilos em um para o confronto definitivo.

Existem alguns meios de se ganhar dinheiro com cinema. Um deles é apelar para o saudosismo e o fan service e espremer até o fim uma franquia de sucesso. Karatê Kid, grande sucesso das reprises da TV nos anos 80, teve recentemente uma continuação com a série Cobra Kai. Como extrair mais da franquia? Que tal um filme juntando os atores principais do filme original e do reboot?

Dirigido por Jonathan Entwistle (que apesar de ter o mesmo nome do baixista do The Who, acho que não é parente), Karatê Kid: Lendas (Karate Kid Legends, no original) é isso: um filme clichê e previsível, mas cheio de fan service pra agradar os fãs. E sendo que são cinco longas e mais seis temporadas de Cobra Kai, tem muito fã por aí.

(Curioso ignorarem o quarto filme, estrelado pela Hilary Swank, lançado em 1994. Ninguém lembra dele quando falam de Karatê Kid!)

Neste novo filme a gente acompanha um jovem que chegou da China, arranja inimizade com o vilãozinho genérico da vez, e precisa entrar num torneio de caratê para enfrentá-lo. No meio do filme, Han (Jackie Chan) aparece para treiná-lo, e Han convida Daniel LaRusso (Ralph Macchio) para formarem um time de treinadores.

Ok, entendo que dentro do universo ficcional do Karatê Kid, Daniel LaRusso e Han têm a mesma importância. Mas, fica difícil de aceitar isso quando a gente vê os atores, porque Jackie Chan é melhor que Ralph Macchio em qualquer parâmetro de comparação. Bem, pelo menos os dois juntos geram algumas boas cenas durante o treinamento do menino.

O roteiro tem algumas coisas que não fazem sentido. Uma delas me incomodou. O dono da pizzaria está com problemas financeiros e resolve entrar numa luta de boxe pra levantar dinheiro. É uma luta organizada, tem até juiz. O oponente usa golpes fora das regras, é advertido pelo juiz, mas continua aplicando os golpes ilegais, e o dono da pizzaria acaba sendo levado para o hospital. Caramba, se ele não cumpriu as regras, ele não pode ganhar o jogo! O dono da pizzaria iria para o hospital, mas sem os problemas financeiros, porque certamente iria receber uma indenização!

Um comentário sobre as lutas. A primeira cena onde o garoto luta é muito boa, heu diria que é a melhor cena de luta do filme. O estilo do garoto me lembrou os filmes antigos do Jackie Chan, que era flexível e usava objetos em volta no meio dos golpes, o que tornava suas lutas em momentos divertidos dos filmes. Mas, depois disso vemos treinamentos e treinamentos, e quando chegam as lutas finais, parece que o diretor quis brincar de fazer acrobacias com a câmera, e perdemos toda a coreografia das lutas. Pra piorar, ainda tem elementos gráficos na tela, aparentemente pra parecer videogame. Ou seja, as lutas finais, que deveriam ser o ponto alto do filme, são bem ruins.

No elenco, Ben Wang manda bem, ele funciona nas cenas de luta, e diferente de outros jovens atores, não sumiu quando estava ao lado dos dois nomes maiores (Jackie Chan e Ralph Macchio). Ming-Na Wen faz uma personagem completamente sem consistência, porque ela é contra o filho lutar, mas de repente, do nada, apoia o filho lutando. Sadie Stanley faz a “mocinha”, e não sei se sou o único, mas achei ela muito igual à Jennifer Lawrence; Joshua Jackson, de Dawson’s Creek, faz o dono da pizzaria. O vilãozinho genérico é tão genérico que seu personagem não tem nem nome no imdb.

O filme acaba dentro de todos os clichês previsíveis (não vou listar aqui por ser spoiler, mas, pense num clichê, ele vai estar lá). E no fim, quando a história fecha, tem um epílogo com uma curta cena bem divertida com ainda mais fan service. Mas achei isso positivo, o espectador sai feliz do cinema.

O Contador 2

Crítica – O Contador 2

Sinopse (imdb): Christian Wolff aplica sua mente brilhante e métodos não tão legais para montar o quebra-cabeça não resolvido do assassinato de um chefe do tesouro.

O primeiro O Contador foi lançado em 2016, nove anos atrás. Lembro que vi, lembro que gostei, mas não lembro de nada do filme. Ou seja, os comentários serão como se heu não tivesse visto.

Dirigido por Gavin O’Connor (o mesmo do primeiro filme), O Contador 2 (The Accountant 2, no original) é mais um filme genérico de ação. Tecnicamente bem feito, mas teve um detalhe que me incomodou: o protagonista Christian, interpretado por Ben Affleck, é um cara super inteligente, muito rico, bonito, forte, sabe lutar e ainda sabe usar armas de fogo de alto calibre. Caramba, o cara não tem nenhum ponto fraco?

Ou será que Affleck ainda quer ser o Batman?

Aí a gente lembra da situação curiosa vivida pelo ator. Affleck é quem mais interpretou o Batman no cinema, foram quatro filmes (Batman vs Superman, Liga da Justiça, e pequenas participações em Esquadrão Suicida e The Flash). E, ironicamente, é o único que não teve um filme “solo” – Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney, Christian Bale e Robert Pattinson foram estrelas dos seus filmes.

Vendo este histórico, não parece que Affleck quer transformar O Contador 2 no seu filme do Batman? Afinal, o Batman é um cara muito inteligente, muito rico e que luta muito bem…

Piadas à parte, esse lado “super herói” me incomodou um pouco. Talvez funcionasse melhor nos anos 80 ou 90, mas, hoje em dia, fica difícil ver um personagem sem nenhuma vulnerabilidade e levar o filme a sério.

(E ainda tem uma escola para super dotados que ajuda remotamente o personagem, e é impossível não lembrar de X-Men e a escola do professor Xavier. Mais um “super poder”!)

O elenco é bom. Tem crítico que não gosta do Ben Affleck, mas heu não tenho nada contra, acho que ele funciona bem neste tipo de papel. Jon Bernthal também está bem e tem boa química com Affleck. J.K. Simmons aparece muito pouco, pena, gosto dele. Também no elenco, Cynthia Addai-Robinson e Daniella Pineda

O Contador 2 não é ruim, como falei, tecnicamente é bem feito e tem algumas boas sequências de ação. E a dinâmica entre os irmãos é bem construída. Mas acho que funcionaria melhor se os irmãos tivessem uma dinâmica diferente, um sendo “o cérebro”, outro sendo “os músculos”.

Caos e Destruição

Crítica – Caos e Destruição

Sinopse (imdb): Um roubo de drogas sai do controle, levando um policial a encarar o submundo de uma cidade corrupta para salvar o filho de um político importante.

Finalmente estreou Havoc! Pra ninguém dizer que é mentira, aqui está o link das expectativas para 2023, quando comentei que queria ver este filme!

Antes do filme, quero falar do diretor, e de onde vinha essa expectativa. Festival do Rio de 2011. Heu estava lendo a programação, pra escolher quais filmes iria ver, tinha um filme indonésio na mostra Midnight Movies, chamado The Raid. Normalmente, filmes de países assim vão pra mostra Panorama do Cinema Mundial, e se estava na Midnight Movies é porque tinha algo de diferente. E realmente tinha, acabei em uma sessão onde vi um dos melhores filmes de ação daquela década. Um filme onde literalmente me senti sem fôlego no meio da sessão.

Em 2014 estive em Londres e dei sorte de ver The Raid 2 num cinema (este segundo filme não passou nos cinemas brasileiros). Vou copiar parte do meu texto escrito naquela época: “Se o primeiro filme é um diamante bruto de testosterona, este segundo filme é um diamante do mesmo quilate, só que lapidado. Se em The Raid a ação é toda em uma trama linear, e tudo acontece dentro do prédio; agora temos vários climas, vários cenários, vários personagens. E a violência extrema continua lá. E ainda melhorada. Olha, vou contar para vocês: a violência nunca foi mostrada assim antes na história do cinema. Nunca antes o sangue jorrou de maneira tão bela! Estamos acostumados com o “padrão Marvel de violência” – sem sangue, sem gore. A violência aqui é crua, bem longe de Hollywood. A quantidade de sangue derramado e de ossos quebrados é muito grande, com detalhes visuais que chamam a atenção”.

De lá pra cá, Gareth Evans dirigiu um filme de terror (Apóstolo) e alguns episódios da série Gangs Of London, que trazem essa violência crua, mas que é uma série irregular (mesmo assim, recomendo o episódio 5 da primeira temporada, acho que deve ser o produto audiovisual televisivo mais violento da história). Até que li sobre Havoc, seu novo longa metragem – que aqui ganhou o nome genérico “Caos e Destruição“.

Segundo o imdb, Caos e Destruição terminou de ser filmado em 2021, mas passou por refilmagens de lá pra cá. Deve ter tido outros problemas também, afinal o filme só foi lançado quatro anos depois – e sem nenhum alarde.

Caos e Destruição não é tão bom quanto os dois The Raid. Os filmes indonésios têm muito mais lutas corporais, algumas delas antológicas – só pra citar dois exemplos, no primeiro tem uma cena onde o protagonista enfrenta dezenas de oponentes num corredor; no segundo tem uma das minhas cenas favoritas de todos os tempos, quando uma mulher, com um martelo em cada mão, ataca sete adversários armados com facas. Caos e Destruição também tem lutas, mas nenhuma memorável como as citadas anteriormente.

Mesmo assim, algumas sequências não deixam nada a desejar. Heu adoro o estilo de como o Gareth Evans filma as cenas de ação. O filme abre com uma tensa perseguição de carro onde a câmera se posiciona diferente do óbvio. E no meio do filme tem uma longa sequência numa boate onde temos lutas e tiros por quase dez minutos ininterruptos. E tem uma sequência que lembra Gangs Of London, onde pessoas sitiadas em uma casa enfrentam vários inimigos que chegam atirando.

Agora, precisamos reconhecer que a trama é meio clichê. Policial corrupto em busca de redenção, compra briga com outros policiais corruptos e também com bandidos. Parte técnica excelente, mas história com pouca originalidade.

Se o roteiro é fraco, por outro lado o elenco é melhor que os filmes anteriores do diretor. Tom Hardy está bem como o policial anti-herói (ele funciona bem neste tipo de papel). Já Forest Whitaker está caricato, não gostei do seu personagem. Caos e Destruição ainda conta com Timothy Oliphant e Luiz Guzmán.

Por fim, um mimimi de fã do Gareth Evans. A atriz Narges Rashidi está em Gangs Of London, e tem uma cena excelente com ela lutando. A mesma atriz aqui aparece como a esposa do protagonista, uma personagem que não entra na luta. Ok, head canon meu, mas queria vê-la lutando…

Thunderbolts*

Crítica – Thunderbolts*

Sinopse (imdb): Depois de se verem presos em uma armadilha mortal, uma equipe não convencional de anti-heróis deve embarcar em uma missão perigosa que os forçará a confrontar os cantos mais sombrios de seus passados.

(Antes de tudo, aquele aviso pra quem não me conhece: não leio HQs de super heróis, nem sei se existe uma HQ dos Thunderbolts. Meus comentários serão sobre o filme e o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU)).

Já comentei antes. Entre 2008 e 2019, a Marvel fez um trabalho excepcional nos cinemas. Lançamentos da Marvel eram quase sempre garantia de um bom filme. Mas, de lá pra cá, a situação mudou, e muitos dos títulos decepcionaram.

Este ano a previsão era de três longas da Marvel: Capitão América 4, que foi mais do mesmo. Antes do fim do ano teremos Quarteto Fantástico, que promete ser uma grande revolução no MCU. E tinha esse Thunderbolts*, uma grande incógnita. O que esperar de um filme que só tem personagens secundários?

Não sei se é porque heu não tinha nenhuma expectativa, mas, não é que curti Thunderbolts*? Não é um grande filme, não vai mudar a vida de ninguém, mas posso dizer que me diverti no cinema. Curti bem mais do que Capitão 4.

Dirigido pelo pouco conhecido Jake Schreier, Thunderbolts* traz um time de personagens que parecem refugo de outros filmes. O único que tem alguma relevância no MCU é o Bucky (Sebastian Stan), parceiro do Capitão América original e que esteve em oito filmes e na série Falcão e o Soldado Invernal. O resto é tudo “lado B”: Yelena Belova (Florence Pugh), irmã adotiva da Natasha Romanoff e que também tem treinamento de Viúva Negra e que estava no filme Viúva Negra e na série Gavião Arqueiro; o Guardião Vermelho (David Harbour), pai adotivo da Natasha e da Yelena, e que estava no filme Viúva Negra; Antonia Dreykov (Olga Kurylenko), a Treinadora, também do filme Viúva Negra; John Walker (Wyatt Russell), o “Capitão América da Shopee”, da série Falcão e o Soldado Invernal; Ghost (Hannah John-Kamen), vilã de Homem Formiga 2; e o Bob (Lewis Pullman), personagem novo. Sim, apenas Bob, isso será explicado no filme. Ah, também tem a Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus), que faz uma espécie de Nick Fury aternativa, e que esteve em Falcão e o Soldado Invernal, Viúva Negra e Pantera Negra 2.

(Em tempos de “nepo babies”, temos o filho do Kurt Russell e o filho do Bill Pullman…)

Parecia que o protagonismo ia ser do Sebastian Stan, né? Não, na verdade é a Florence Pugh quem lidera o filme. E faz um excelente trabalho – ela inclusive saltou do segundo prédio mais alto do mundo sem usar dublês! Aliás, o filme sabe equilibrar bem a quantidade de personagens, não tem nenhum personagem que parece que está só pra ser “mais um”. E apesar de todos parecerem secundários demais, o time “deu liga”.

(Só não entendi por que um dos personagens sai logo no início do filme. Me parece que o ator/atriz estava com algum problema pessoal ou contratual e não podia seguir no filme. Ficou estranho usar um personagem em toda a divulgação e não usá-lo ao longo do filme.)

As cenas de ação são boas, e, claro, é Marvel, tem muito humor – achei o personagem do Guardião Vermelho um alívio cômico perfeito. E tem uma sequência muito boa no meio do filme que, não sei se foi proposital ou não, mas lembrou muito O Exterminador do Futuro.

Thunderbolts* ainda entra no delicado assunto da depressão, tanto nos protagonistas quanto no antagonista. Agora, não vou entrar em spoilers, mas a parte final atinge parte da população “civil”. Quando o Thanos estalou os dedos, isso afetou o mundo e isso foi tratado em outros filmes; será que os próximos filmes vão lidar com o que aconteceu com as pessoas afetadas?

Ainda sobre a sequência final, Thunderbolts* ser um filme dentro do MCU traz outro problema recorrente: onde estavam outros heróis? O Doutor Estranho não mora na mesma cidade onde se passa o filme? O Sam Wilson não estava por aí “anteontem” como o novo Capitão América? Por que Thunderbolts* nem sequer menciona os outros heróis? (Um evento de Capitão América 4 é citado, ou seja, eles confirmam que estão no mesmo universo!).

Mesmo assim, achei o resultado de Thunderbolts* muito positivo. Não é o melhor filme da Marvel, mas acho que podemos dizer que é o melhor desde Guardiões da Galáxia 3. Agora aguardemos Quarteto Fantástico pra saber se Thunderbolts* foi um caso isolado ou se estamos numa curva ascendente.

Por fim, o tradicional da Marvel: duas cenas pós créditos, uma piadinha no meio dos créditos, e um gancho pro próximo filme lá no fim de tudo. Achei um gancho meio previsível, mas, ok.

Ah, o asterisco no título do filme tem sentido. Assim como o Bob, é explicado no filme.

Screamboat

Crítica – Screamboat

Sinopse (imdb): Um passeio noturno de barco se transforma em uma luta desesperada pela sobrevivência em Nova York quando um rato se torna uma realidade monstruosa.

Confesso que a expectativa pra um novo “terror do Mickey Mouse” era a menor possível. Mas não é que Screamboat não é tão ruim assim?

Bem, vamos com calma, o filme é ruim, muito ruim. Mas, comparado com os semelhantes, Ursinho Puf, Alice, Popeye, e, principalmente, The Mouse Trap – o outro terror do Mickey – Screamboat é menos ruim.

O que mais me incomodou em The Mouse Trap é que era um slasher tosco e vagabundo que não tinha nada a ver com o Mickey. O cara colocava uma máscara e ganhava poderes de teletransporte – quando teve uma história do Mickey com teletransporte?

Screamboat é um slasher tosco e vagabundo, mas que tem várias referências ao Mickey e ao universo Disney, tipo, o rato se chama Willie e vivia num barco a vapor – ele era o “steamboat Willie”. Seu dono era Walter, mas o chamavam de Walt. Além disso tem referências em personagens, tipo um grupo de mulheres vestidas como as princesas; e referências em alguns diálogos, como alguém que fala “it’s a small world”. (No banheiro tem uma frase que faz um trocadilho entre “ferry” e “fairy” e fala “ferry tale”, achei uma boa sacada.)

A direção aqui é de Steven Lamorte, que fez algo parecido em seu filme anterior, O Malvado Horror no Natal (o filme de terror do Grinch), que era um slasher tosco e vagabundo, mas que trazia referências às histórias do Grinch. Isso deveria ser algo básico nesses filmes do Poohniverse e afins, mas a galera que faz esses filmes não se preocupa nem com o básico!

Outro ponto positivo de Screamboat é o ator David Howard Thornton, mais conhecido por fazer o palhaço Art nos filmes Terrifier. Thornton interpreta o personagem principal, o rato Willie. Ok, reconheço que o Willie é quase igual ao Art: é um personagem que não fala, interage muito pouco com o resto do elenco, e fica fazendo caras e bocas o tempo todo. É um personagem reciclado, mas funciona dentro da proposta.

Agora, apesar desses elogios, a gente precisa reconhecer que Screamboat é bem fraco. Todas as atuações são péééssimas, e o roteiro é cheio de coisas sem sentido – tipo um personagem cair na água e, vários minutos depois, ainda estar ao lado do barco. E isso porque nem vou falar da cena onde um rato de menos de 50 centímetros de altura pega uma mangueira e molha algumas dezenas de pessoas, e ninguém vai até o rato pra tentar impedir.

Os efeitos de maquiagem são ok. Algumas mortes são criativas, e admito que ri na “cena de sexo”. Agora, os efeitos para o Willie ser pequeno às vezes lembram programas infantis antigos como Castelo Rá Tim Bum e Sítio do Pica Pau Amarelo. Não é uma boa referência…

Teve um outro problema. A sessão de imprensa ia acontecer num cinema, mas houve uma falha técnica e a sessão teve que ser cancelada. A assessoria então nos enviou um link para uma cabine online, uma boa solução. Mas, parte do filme é muito escura, e ver um filme muito escuro na tela do computador nem sempre é tarefa fácil. Resultado: algumas cenas nem consegui ver direito o que estava acontecendo.

Enfim, Screamboat não é bom. Mas, num mar de lixo como Mouse Trap e Ursinho Pooh Sangue e Mel, o resultado é bem mais positivo.

Becoming Led Zeppelin

Crítica – Becoming Led Zeppelin

Sinopse (imdb): As origens do grupo icônico Led Zeppelin e sua ascensão meteórica em apenas um ano contra todas as probabilidades.

Antes de tudo, preciso falar que não sou muito fã de documentários. Pra mim, um documentário só serve se heu me interesso sobre o assunto que está sendo documentado. Ou seja, quem vê é porque normalmente já nutre alguma simpatia pelo assunto.

Curto rock’n’roll dos anos 70, claro que curto Led Zeppelin. Então fui ver o documentário que fala sobre a formação da banda e vai até a gravação do segundo Lp. Mas, achei alguns problemas no filme. Problemas de direcionamento do roteiro, e também problemas técnicos.

Mas antes, queria falar um pouco sobre a minha relação com o Led Zeppelin. Como falei, curto muito rock’n’roll dos anos 70, então claro que curto a “santíssima trindade do rock”: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple – três bandas inglesas que surgiram no fim dos anos 60 e que lançaram alguns discos fundamentais em toda a discoteca básica de fãs de rock.

Dito isso, preciso confessar que gosto muito mais de Deep Purple do que das outras duas. Principalmente por um nome: Jon Lord. No Led, era o baixista John Paul Jones quem tocava teclado; no Sabbath, quando tinha teclado, ficava escondido*. Já no Purple, o teclado tinha protagonismo. Jon Lord era um excelente tecladista, e o que ele fazia com o órgão Hammond era sensacional. Também sou fã do Keith Emerson e do Rick Wakeman, e conheço pessoas que não curtem o estilo dos dois. Mas nunca conheci quem não gostasse do Jon Lord.

*(Em 1992, vi a montagem do palco do Black Sabbath no Canecão. Vi quando montaram um teclado e colocaram uma cortina preta na frente, pra “esconder” o tecladista. Lamentável…)

Enfim, sou mais fã do Purple, mas também gosto muito do Led. Inclusive posso dizer que vi metade da banda, fui ao Hollywood Rock em 1996 pra ver o sensacional show do Robert Plant e Jimmy Page. Foi uma noite inesquecível: Black Crowes, depois “quase Led Zeppelin”.

Vamos ao filme? Vemos entrevistas recentes com os três membros vivos da banda (John Bonham morreu em 1980). Não sei há quanto tempo as entrevistas foram feitas, hoje Robert Plant tem 76 anos, John Paul Jones tem 79, Jimmy Page tem 81. O documentário traz a voz do John Bonham em uma entrevista que, segundo o que disseram, era inédita, e isso traz um bom equilíbrio aos depoimentos. Os quatro contam como começaram na música, e também comentam sobre algumas coisas bem legais que heu não sabia, tipo, Page e Jones eram músicos de estúdio e tocaram com um monte de gente, inclusive estiveram juntos na orquestra que gravou o famoso tema de Goldfinger, do 007.

Segundo o filme, Plant e Bonham se conheciam por um lado, e Page e Jones por outro, e se encontraram pela primeira vez já para levar um som e começaram a banda direto. Não digo que isso é mentira, mas achei impressionante já rolar química logo de cara, a ponto de criarem uma das mais importantes bandas da história do rock. Se isso for verdade, é bem legal!

Acompanhamos depoimentos e imagens de arquivo falando sobre shows, turnês e gravações dos dois primeiros discos. Algumas das imagens de arquivo são curiosas, como aquela onde eles fazem um show e algumas pessoas na plateia tapam os ouvidos.

Agora, achei que faltou abordarem alguns temas. O Led Zeppelin é famoso por exageros, e não vemos nada sobre consumo de álcool ou drogas. Digo mais, segundo o filme, todos eram pessoas caseiras e com comportamento família. Outra coisa que podia engrandecer o filme era trazer depoimentos de outras pessoas, como músicos de outras bandas – tanto galera da mesma época, que viveu aquele momento; quanto músicos mais novos, que foram influenciados.

Agora, o que mais me incomodou foram algumas decisões técnicas da edição. Vou citar alguns exemplos. Determinado momento, Robert Plant fala que estava sem casa, sem dinheiro, entrou pra uma banda, mas deixa essa história no ar, não conclui. Em outro momento, rola um show em Los Angeles, e as pessoas dançando não combinam nada com a música que está sendo tocada. Ou então quando o filme fala da viagem do Jimmy Page para os EUA, vemos dois produtores, ambos aparecem falando, mas não ouvimos suas vozes, isso confunde o espectador, ficou esquisito. Fora alguns momentos de tela preta que foram um pouco mais longos do que deveriam ser.

Tem outra coisa, mas não sei se é exatamente um problema. Algumas músicas estão completas, em imagens da época. Legal, mas não são músicas famosas e empolgantes, como Black Dog, Stairway to Heaven ou Kashmir (todas essas vieram depois do período retratado no filme). A gente vê longas versões de Dazed and Confused e What is and What Should Never Be. Os fãs radicais devem ter curtido, mas, para o público geral, ficou cansativo.

Resumindo: a banda é nota 10. Já o documentário, esse ficou devendo.

Operação Vingança

Crítica – Operação Vingança

Sinopse (imdb): Quando seus supervisores na CIA se recusam a tomar providências depois que sua esposa é assassinada em um ataque terrorista em Londres, um decodificador decide resolver o problema com as próprias mãos.

Alguns filmes são bons e disputam espaço em listas de melhores do ano, como o recente Pecadores. Outros são ruins e disputam espaço em listas de piores, como o igualmente recente Nas Terras Perdidas. Já outros estão aí só pra “cumprir tabela”. Operação Vingança é um desses. Um filme ok, mas esquecível.

Dirigido pelo pouco conhecido James Hawes, que tem um currículo razoável na TV mas pouca coisa para cinema, Operação Vingança (The Amateur, no original) é baseado no livro “The Amateur”, de Robert Littell, que já tinha virado filme em 1981, estrelado por John Savage e Christopher Plummer. Ou seja, o péssimo nome “Operação Vingança” não é novidade.

Conhecemos Charles Heller, que trabalha nos computadores da CIA. Perfil de nerd que sofre bullying no formato de trabalhar de graça pros colegas. Quando sua esposa morre, vítima de um ataque terrorista, ele chantageia seus chefes para ganhar treinamento para fazer vingança com as próprias mãos.

O melhor de Operação Vingança é que o protagonista Charles Heller não tem o perfil de agente de campo, e não consegue aprender isso no seu rápido treinamento. Ele vai atrás dos vilões, mas continua sendo um “nerd de computador”. E pra piorar, a CIA começa a persegui-lo. Ou seja, ele está atrás de perigosos terroristas enquanto precisa fugir da CIA.

Claro que precisamos de muita suspensão de descrença, porque algumas coisas feitas por Heller são bem difíceis de se aceitar. Mas, faz parte do pacote “filme de espionagem”.

O problema é que Operação Vingança é “correto”, mas em nenhum momento chega a empolgar. Na verdade, parece um produto de streaming, aquele tipo de filme que serve pra entreter por duas horas, e que na semana seguinte você nem se lembra mais.

No elenco, ouvi críticas à atuação de Rami Malek, mas confesso que achei ele bom pro papel (sei que ele fez Mr Robot, mas nunca vi). Rachel Brosnahan, a nova Lois Lane, morre logo no início do filme, mas continua aparecendo por causa de uma boa sacada de roteiro. Também no elenco, Laurence Fishburne, Jon Bernthal, Holt McCallany, Julianne Nicholson e Caitríona Balfe.

Operação Vingança não vai mudar a vida de ninguém, mas pelo menos não vai deixar nenhum espectador com raiva de ter perdido tempo.

Pecadores

Crítica – Pecadores

Sinopse (imdb): Dispostos a deixar suas vidas conturbadas para trás, irmãos gêmeos retornam à cidade natal para recomeçar suas vidas do zero, quando descobrem que um mal ainda maior está à espera deles para recebê-los de volta.

Heu ia falar sobre Pecadores antes de Nas Terras Perdidas. Mas tenho tanta coisa pra falar de Pecadores que preferi atrasar o texto pra poder falar com mais calma.

Vi Pecadores ao lado do meu amigo André Gordirro. Ao fim da sessão, ele fez um comentário que faço questão de repetir aqui: “a gente, como crítico de cinema, vê tanta porcaria, é muito bom quando finalmente vemos um filmão como este”.

Pecadores é um filmão. Daqueles que dá vontade de rever assim que acaba a sessão.

Escrito e dirigido por Ryan Coogler (Pantera Negra, Creed), Pecadores (Sinners, no original) estava na minha lista de expectativas para 2025. Mas posso tranquilamente dizer que superou as expectativas. É daquele tipo de filme onde tudo está no lugar. A história é boa, o elenco está ótimo, a ambientação de época é perfeita, os efeitos especiais são excelentes, e a trilha sonora… A trilha sonora me pegou como há muito tempo uma trilha não me pegava.

Mas, antes de entrar no filme, preciso falar sobre spoilers. Tem uma coisa que acontece bem no meio do filme que muda completamente o rumo da narrativa. E tem muita gente comentando o que acontece, afinal isso aparece no segundo trailer (não aparece no primeiro). Mas… Acredito que o melhor seja ver o filme sem saber, então não vou comentar aqui! Este é um texto spoiler free!

Vamulá. Pecadores começa com um rápido prólogo, e a história volta para o dia anterior. Anos 30, conhecemos os gêmeos Fumaça e Fuligem, que trabalharam em Chicago com Al Capone e agora querem abrir um clube de blues só para negros. Esta primeira metade do filme é mais lenta, pra conhecermos os vários personagens e a relação entre eles, e o roteiro de Coogler é muito bem estruturado neste aspecto. Quando o filme muda de rumo na segunda metade, sabemos quem são aquelas pessoas, temos motivo para nos importarmos por elas!

Preciso falar da trilha sonora. Há muito tempo uma trilha de um filme “não musical” não me impactava assim. Adorei a trilha composta por Ludwig Göransson – se fosse anos atrás, ia correr atrás do disco pra minha coleção. Göransson consegue cria um clima perfeito de tensão usando o violão do blues. Göransson já tem dois Oscars (Pantera Negra e Oppenheimer), não será surpresa se for indicado de novo.

Heu diria que a trilha sonora aqui é tão importante quanto em um filme musical. A última vez que vi algo parecido foi em Baby Driver, que tinha cenas editadas coreografando com a música da trilha, como o tiroteio no ritmo de Hocus Pocus do Focus, ou o sensacional plano sequência inicial ao som de Harlem Shuffle. A diferença é que em Baby Driver eram músicas pop, e aqui Pecadores é uma trilha original (pelo menos heu não conhecia nenhuma das músicas). Mas a trilha é quase um “personagem” do filme. Quase tudo é blues, mas abre um pequeno espaço pra outros estilos, como uma boa cena usando música irlandesa.

Ainda nesse tema, tem uma cena sensacional no meio do filme, uma cena que vai dividir opiniões porque é bem fora da caixinha, mas que se você entrar na onda, vai curtir. Tem uma frase no filme que fala que a música pode invocar espíritos do passado e do futuro, e que pode romper o limite entre a vida e a morte. Então vemos um plano sequência que começa com o personagem Sammie cantando e tocando violão, e a música cresce e toma rumos inesperados, e a câmera começa a passear por caminhos igualmente inesperados. É daquelas sequências pra aplaudir de pé!

E, já que falei do som, tem alguns detalhes geniais que merecem uma ida ao cinema. Vou citar dois exemplos. Um acontece quando uma personagem está mexendo com feitiços e sua voz aparece mais encorpada. É só ela falando, mas a gente sente que ela não está sozinha. Outra é quando ouvimos um personagem contando uma história, e que numa narrativa convencional, a gente veria um flashback. Só que aqui a gente não vê nada – mas ouve tudo!

Os efeitos especiais são muito bons. Já é o quarto filme que vi em poucas semanas onde um ator interpreta dois papéis (os outros são Mickey 17, O Macaco e Alto Knights). Pecadores não tem muitas cenas com os dois personagens interagindo (neste aspecto, Mickey 17 é mais impressionante), mas todas as cenas onde vemos Fumaça e Fuligem juntos são perfeitas. E, quando o filme se assume terror, temos bons efeitos de maquiagem. Não sei o que é efeito prático e o que é digital, mas acho que isso pode ser positivo…

Até agora só falei da parte técnica. Mas Pecadores também tem seu lado político. O diretor sabe abordar o tema do racismo de maneira que fica natural e não panfletária. O modo como ele apresenta as questões raciais não tem nada da lacração que vemos de vez em quando por aí.

No elenco, Michael B Jordan (protagonista de todos os filmes do diretor) está ótimo. Os dois irmãos são muito parecidos fisicamente (em O Macaco os irmãos usam cortes de cabelo diferentes), mas têm personalidades bem distintas. E gostei muito do estreante Miles Caton. Segundo os créditos, ele realmente toca e canta. Também no elenco, Hailee Steinfeld, Delroy Lindo e Jack O’Connell, e uma ponta do músico veterano do blues Buddy Guy.

Pecadores tem cenas pós créditos. Mas não é o mesmo padrão de sempre. Logo no início dos créditos, volta o filme para uma sequência enooorme – heu diria que nunca vi uma cena pós créditos tão longa! É um epílogo, podia facilmente fazer parte do filme. E, lá no finzinho de tudo, aí sim, uma cena pós créditos com cara de pós créditos.

Por fim, uma coisa que heu não entendi o motivo. Parte de Pecadores foi filmado em Imax, então algumas cenas têm o formato de tela diferente, e o filme fica mudando entre os dois formatos. Deve ter algum motivo pra essas mudanças, mas não sei qual foi.

Nas Terras Perdidas

Crítica – Nas Terras Perdidas

Sinopse (imdb): Uma feiticeira viaja para as Terras Perdidas em busca de um poder mágico que permite que uma pessoa se transforme em um lobisomem.

Algumas pessoas encontram um nicho e seguem nessa zona de conforto. Sempre lembro do Adam Sandler, que junta uns amigos, viaja, se diverte, filma um fiapo de história, e vende isso como o seu novo filme. São filmes bem ruins, mas, ora, se tem gente comprando, ele está certo de continuar fazendo.

Paul W.S. Anderson também encontrou um nicho: filmes fantásticos com roteiro fraco e cara de videogame, sempre estrelados por sua esposa Milla Jovovich. Foi assim com Resident Evil, foi assim com Monster Hunter. Por que Nas Terras Perdidas ia ser diferente?

Nas Terras Perdidas (In The Lost Lands, no original), tem uma diferença, que poderia ser algo relevante: é adaptação de um conto de George R R Martin. Não li o conto, mas, pelo roteiro, realmente parece videogame.

Num mundo pós apocalíptico, conhecemos uma bruxa que contrata um mercenário pra encontrar o covil de um lobisomem, para atender os desejos de uma rainha. E o filme segue essa jornada, em etapas que parecem justamente fases de um jogo.

(Aliás, algumas das fases não fazem muito sentido, tipo aquela onde ela encontra seres que parecem uma versão zumbi do Groot.)

Nas Terras Perdidas não chega a ser exatamente ruim. Na verdade, encontrei exatamente o que estava esperando: uma trama rasa em um ambiente fantástico, com efeitos especiais de segunda linha, e um roteiro bem fraco.

Assim como em Monster Hunter, o roteiro é o pior do filme. Parece que ninguém releu e revisou, algumas soluções são bem toscas. Heu poderia listar várias inconsistências, mas ia ser um texto meio chato. Mas só vou dizer uma coisa que chegou a me incomodar. Eles demoram alguns dias para chegarem no destino, e isso porque cortam caminho. Aí depois ela consegue voltar no mesmo dia. Ué, são caminhos diferentes?

(Depois da sessão, comentei isso com um amigo, que fez a piada “é que na ida eles foram tirando fotos e postando no Instagram, não fizeram isso na volta”.)

O visual lembra Mad Max, mas cheio de câmera lenta e imagens estilosas – parecia que Paul W.S. Anderson queria emular o estilo do Zack Snyder. Não vou reclamar dos efeitos especiais. Não são muito bons, mas servem pro estilo proposto pelo diretor. Falo o mesmo sobre as atuações de Milla Jovovich e Dave Bautista. O problema aqui é roteiro!

Agora é aguardar a bilheteria, pra saber se o casal Anderson & Jovovich vai fazer uma continuação, ou se vão adaptar outro videogame. Ainda não sabemos. Só sabemos como o resultado vai ficar.

p.s.: A personagem da Milla Jovovich em Resident Evil é Alice. Aqui é Gray Alys. Ninguém reparou que soa igual?

Drop: Ameaça Anônima

Crítica – Drop: Ameaça Anônima 14/4

Sinopse (imdb): Uma mãe viúva em seu primeiro encontro em anos, seu par é mais charmoso e bonito do que ela esperava. Mas a química deles começa a estragar quando Violet começa a ficar aterrorizada por uma série de mensagens anônimas em seu telefone.

Alguns diretores sempre que fazem um filme novo a gente logo quer ver, grandes nomes como Spielberg, Scorsese, Tarantino, etc. Outros ainda não são do primeiro time, mas mesmo assim fico de olho, porque já realizaram algumas obras que fogem do óbvio. Christopher Landon é um desses nomes.

No início da carreira, Christopher Landon estava ligado aos filmes Atividade Paranormal – franquia pela qual não nutro nenhuma simpatia. Ele roteirizou cinco e dirigiu um dos filmes. Aí ele largou o estilo e em 2015 lançou Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, comédia meio boba mas que trazia algumas ideias fora do óbvio. Em 2017, dirigiu A Morte te Dá Parabéns, uma mistura de Pânico com Feitiço no Tempo, outra ideia que não era revolucionária mas teve um resultado bem divertido. Dois anos depois, escreveu e dirigiu A Morte te Dá Parabéns 2, que, diferente da maioria das continuações, não é apenas uma cópia do primeiro filme, e segue um caminho bem diferente. E em 2020, escreveu e dirigiu Freaky, uma versão slasher de Sexta Feira Muito Louca / Freaky Friday. Não são filmes que o elevam ao nível de grandes diretores, mas, poxa, quero ver sempre quando esse cara fizer algo novo!

(Vi agora no imdb que em 2023 ele escreveu e dirigiu Fantasma e Cia, com David Harbour e Anthony Mackie. Aparentemente é filme da Netflix. Confesso que nunca tinha ouvido falar desse filme!)

Drop: Ameaça Anônima (Drop, no original) é o novo longa dirigido por Landon. E podemos dizer que ele mantém sua média: não é um grande filme, mas tem várias boas sacadas.

Drop parte do princípio de que todos têm um certo aplicativo de celular que recebe mensagens de qualquer um que esteja próximo, mesmo que um não tenha o contato do outro. Nem sei se existe este tipo de app, mas no filme isso é algo comum e todos usam. Ok, sem problemas, afinal vivemos tempos de Black Mirror com novidades tecnológicas no dia a dia dos personagens.

A protagonista Violet começa a receber mensagens anônimas a ameaçando e também o seu filho, que está em casa, e o filme entra numa espécie de whodunit. Se o app precisa de proximidade, precisa ser alguém que está no mesmo restaurante. Quem em volta é o vilão?

Ok, já vimos este formato outras vezes. Mas, ora, os filmes anteriores do diretor também partiam de ideias recicladas. O lance é que o cara sabe como pegar uma ideia batida e dar uma nova roupagem, trazendo um certo frescor. Além disso, o roteiro consegue convencer em boa parte das ameaças que ela sofre.

Drop ainda traz algumas soluções visuais bem sacadas, como colocar as mensagens de texto escritas na tela, pra gente não precisar ficar vendo o celular da protagonista. O filme ainda traz alguns usos criativos da iluminação pra destacar alguns elementos do cenário, e alguns ângulos de câmera fora do óbvio aqui e ali.

No elenco, heu não conhecia ninguém. O casal principal é Meghann Fahy (de White Lotus, série que ainda não vi) e Brandon Sklenar. Ambos estão bem, mas este é aquele formato de filme que não exige muito dos atores. Mas se heu puder reclamar de alguém, não gostei do menino que faz o filho.

Achei que Drop: Ameaça Anônima cai bastante na parte final. Mas pra comentar isso, preciso entrar nos spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Pra mim, o filme terminava no restaurante. A sequência onde ela volta pra casa pra tentar impedir o assassino e salvar seu filho e sua irmã é cheia de inconsistências, a começar pelo fato de que ela NUNCA chegaria a tempo. Não chega a ser uma sequência ruim, mas achei bem inferior ao resto do filme.

FIM DOS SPOILERS!

Continue com o bom trabalho, sr. Landon! Continuarei acompanhando!