Lobisomem

Crítica – Lobisomem

Sinopse (imdb): Um homem deve proteger a si mesmo e sua família quando eles são perseguidos, aterrorizados e assombrados por um lobisomem mortal à noite durante a lua cheia. Mas conforme a noite avança, o homem começa a se comportar de forma estranha.

Lobisomem (Wolf Man, no original) é o novo filme dirigido por Leigh Whannell, que fez o bom Homem Invisível em 2020 (lembro que foi um dos últimos filmes que vi antes da pandemia!), e que, nem todos lembram, mas é parceiro de longa data de James Wan – Whannell escreveu o roteiro do primeiro Sobrenatural era um dos roteiristas do primeiro Jogos Mortais, além de estar no elenco principal.

Ouvi rumores de que anos atrás este filme estaria atrelado àquele projeto que deu errado de criar um “monsterverse” usando monstros clássicos da Universal, que teve o filme A Múmia, com o Tom Cruise, e depois desistiram da ideia por causa do flop. Os rumores falavam que Ryan Gosling estaria interessado em protagonizar este filme, e que a direção seria de Derek Cianfrance, que dirigiu Gosling em Namorados Para Sempre (2010) e O Lugar Onde Tudo Termina (2012). Cianfrance se desligou do projeto, e Gosling acabou virando produtor, então Whannell teria assumido a direção. Mas, infelizmente não consegui fontes seguras pra confirmar estes rumores.

Vamos ao filme. Lobisomem não se propõe a ser um grande filme. Poucos personagens, poucas locações, quase toda a trama se passa ao longo de uma única noite. Entrando no cinema com este espírito, o espectador pode se divertir.

James Wan não está presente aqui (achei que ia ler seu nome entre os produtores). Mas vemos que Whannell aprendeu algumas coisas com o amigo. Em alguns momentos a câmera sai do eixo e passeia por caminhos fora do óbvio, como quando acontece o acidente e o caminhão fica de lado, e a câmera mostra isso num travelling “sem chão”. Digo mais: uma coisa bem legal aqui – talvez o melhor do filme – é quando o filme mostra, em alguns momentos, o ponto de vista do monstro. O jeito como o filme abordou isso foi bem legal, a câmera gira e muda toda o som, a iluminação, muda tudo no visual. Inclusive explica por que o monstro não consegue se comunicar. E também preciso dizer que gostei do efeito simples de mostrar a respiração da criatura quando não podemos vê-la.

A maquiagem não segue o tradicional de outros filmes de lobisomem que estamos acostumados. Talvez tenha gente reclamando, mas heu gostei porque não é cgi. Gosto de efeitos práticos! A trilha sonora de Benjamin Wallfisch também é muito boa. Por outro lado, achei o filme muito escuro. No cinema ainda vai, mas em breve este filme estará no streaming, vai ser difícil de acompanhar.

Existe outro problema, mas não é do filme em si. É que a gente lembra que Whannell fez O Homem Invisível, que trazia camadas com diferentes interpretações – era ao mesmo tempo um filme de terror e um filme que abordava relacionamentos abusivos. E a segunda leitura proposta por Lobisomem é de uma doença se espalhando (o filme foi pensado na época da pandemia). Ou seja, quem for procurar subtextos vai se decepcionar. Lobisomem é apenas um simples filme de terror.

No elenco, quase o filme todo se baseia na família composta por Christopher Abbott, Julia Garner e Matilda Firth. Nenhuma grande atuação, mas servem para o que filme pede.

Por fim, um mimimi. O nome brasileiro do filme é “Lobisomem”, mas acho que foi um nome mal traduzido. A criatura do filme é diferente dos lobisomens que conhecemos. Talvez esteja mais próxima do wendigo, figura folclórica que veio dos índios norte americanos. Afinal, lobisomens voltam à forma humana durante o dia! Acho que seria melhor chamar de “Homem Lobo”, tradução literal.

Maria Callas

Crítica – Maria Callas

Sinopse (imdb): Maria Callas, a maior cantora de ópera do mundo, vive os últimos dias de sua vida na Paris dos anos 1970, enquanto se confronta com a sua identidade e vida.

Terceiro filme da trilogia “Lady with Heels”, do diretor chileno Pablo Larraín. Em 2016 ele fez Jackie, com Natalie Portman interpretando Jacqueline Kennedy; em 2021 fez Spencer, com Kristen Stewart interpretando a Lady Di. Agora é a vez de vermos Angelina Jolie fazendo Maria Callas.

Maria Callas (Maria, no original – não sei por que o título nacional não seguiu o padrão dos outros dois filmes de deixar apenas um nome) é um filme bonito, uma produção bem cuidada, com uma reconstituição de época perfeita, figurinos exuberantes, além de ter uma grande atuação da Angelina Jolie. Mas…

Tive dois problemas com este filme. Em primeiro lugar, preciso falar que não gosto de ópera. Respeito, reconheço qualidades, mas acho feio. Sim, o som me incomoda. Prefiro ouvir theremin do que ouvir alguém cantando ópera.

Some a isso o fato da Maria Callas ser uma pessoa insuportável, e temos um filme que, pra mim, foi difícil chegar ao fim. Não conhecia nada da vida da Maria Callas, só sabia que tinha sido uma grande cantora, um dos maiores nomes da história da ópera. Mas não sabia que ela era tão “estrela” no mau sentido – chega a ter uma cena onde ela verbaliza que quer ir a um restaurante e ficar visível para ser bajulada por fãs. Passa a impressão de ser uma mulher rica, fútil e vazia, que se sente superior a todos em volta. Isso fica claro no modo como ela  trata seus dois funcionários. Já vi em outros filmes escravos sendo mais bem tratados.

O roteiro ainda tem um problema. Na verdade não é uma falha do filme, é uma opção escolhida pelo roteirista, mas acho que o filme ganharia pontos se não pegasse este caminho. Durante boa parte do filme, Maria Callas está sendo entrevistada. E o filme joga com a ideia de “será que este entrevistador é real, ou será que é imaginação da personagem?”. Mas, no início do filme, ela toma um remédio chamado Mandrax, e logo na cena seguinte o apresentador aparece e se apresenta como “Mandrax”. Ou seja, o filme já explicita logo de cara que aquele personagem não é real. Na minha humilde opinião, Maria Callas seria um filme melhor se guardasse essa revelação para o final.

Se o roteiro traz esse problema de “plot twist revelado”, pelo menos posso dizer que gostei da  estrutura dos flashbacks. Não só pela parte técnica, que altera texturas de imagem, alternando cor e pb e diferentes formatos de tela; como pela narrativa, que usa os flashbacks pra mostrar Maria Callas no seu auge.

No elenco, Angelina Jolie está realmente muito bem (mas ainda achei que Fernanda Torres está melhor). A personagem é insuportável, mas a atriz está bem – apesar de algumas cenas onde ela falha no “lip sinc” da dublagem. Também no elenco, Pierfrancesco Favino, Alba Rohrwacher, Kodi Smit-McPhee, Haluk Bilginer, e Valeria Golino (em apenas uma cena, interpretando a irmã da protagonista).

Sobre a voz, fiquei vendo os créditos. Aparentemente todas as músicas são cantadas pela Maria Callas, Angelina Jolie só dublou. Mas, li no imdb que Angelina queria cantar por conta própria, então teve sete meses de aulas de ópera para se preparar para seu papel, e que na parte final, a voz seria a da atriz. Só não sei se acredito nisso. Se Angelina cantou, por que não está creditada?

Maria Callas estreia esta semana nos cinemas.

Babygirl

Crítica – Babygirl

Sinopse (imdb): Uma executiva poderosa coloca a carreira e família em risco quando começa um caso tórrido com seu estagiário muito mais jovem.

Novo filme da diretora Halina Reijn (Morte Morte Morte), Babygirl (idem no original) está sendo vendido como um thriller erótico, mas neste aspecto o filme é fraco. Mesmo assim, o filme me deixou pensando, me deixou com reflexões sobre relacionamentos.

Primeiro vamos comentar o filme. Nicole Kidman faz Romy, uma mulher bem sucedida profissionalmente, com um bom casamento, filhos, tem um bom padrão social. Mas, sexualmente falando, é uma mulher infeliz. Até que ela conhece um estagiário na sua empresa e começa com ele um jogo sexual onde o importante não é o sexo em si, e sim o jogo de poder, de saber “quem é o dono da bola”. Romy é uma CEO que tem o controle sobre tudo em volta – e se ela fosse controlada em vez de controlar?

Claro que a divulgação do filme explorou o lado sexual, como se estivéssemos diante de um novo 9 1/2 Semanas de Amor ou Atração Fatal. Pipocaram matérias dizendo que Nicole Kidman estaria cansada de “filmar cenas de orgasmos”. Mas até que o filme é bem comportado neste aspecto. Aliás, quase não tem nudez. O início promete ir por este caminho, mas o resultado final deixa a desejar.

Um dos maiores destaques é o elenco. Gostei das atuações do trio principal. Nicole Kidman está excelente, em cenas difíceis, não à toa ela ganhou prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza e está sendo ventilada como uma provável indicada ao Oscar. Antonio Banderas e Harris Dickinson também estão bem.

Babygirl também tem suas “roteirices”, como o amante aparecer no local onde a protagonista estava reclusa – como ele descobriu que ela estava lá? Mesmo assim, o resultado final é bom. É um filme bonito e bem filmado, e reconheço que a cena usando Father Figure, do George Michael, é muito boa.

Agora, queria comentar o comportamento social. Babygirl, enquanto filme, achei apenas ok. Mas o conceito abordado me deixou pensando por vários dias. Logo na cena inicial, vemos Romy transando com seu marido. Aparentemente ela tem uma vida sexual saudável. Mas logo na cena seguinte vemos que ela, sozinha, vê vídeos eróticos para se masturbar.

Por um lado Romy tem uma vida feliz, ao lado do marido; mas por outro lado ela tem necessidades sexuais que não são saciadas pelo mesmo marido. E pra piorar: determinado momento ela confessa que nunca teve um orgasmo com ele, apesar de estarem juntos há 19 anos. E mesmo assim ele não consegue embarcar nas fantasias da sua esposa. Ou seja, ela está errada pela dificuldade em declarar seus fetiches ao marido, e ele está errado por não entrar nos jogos sexuais propostos por sua esposa.

Aí fiquei pensando neste formato de sociedade onde vivemos. Jovens se conhecem, ficam juntos e constituem famílias – antes de se conhecerem plenamente para saberem o que querem do(a) companheiro(a). Quando o casal dá sorte, ok, podem ser felizes pelo resto da vida. Mas, imagina quanta gente deve estar insatisfeita por aí, sexualmente falando.

Infelizmente somos vítimas do formato usado pela sociedade, dificilmente essas regras e convenções sociais vão mudar. Para você que me lê, torço para você encontrar alguém que lhe satisfaça do jeito que você merece. E recomendo: sempre conversem!

Jurado Nº2

Crítica – Jurado Nº 2

Sinopse (imdb): Enquanto atua como jurado em um julgamento por assassinato, um homem se vê em um dilema moral, podendo influenciar o veredito do júri.

Uma coisa que acho muito legal é quando vejo pessoas idosas trabalhando no que gostam, por prazer. Sim, sei que tem muita gente com condições financeiras precárias, que precisa continuar trabalhando, mas alguns trabalham porque gostam do que fazem. Lembro do show do Deep Purple, ano passado, no Rock in Rio. Quatro membros da banda com mais de 75 anos!

Aí a gente vê que chegou no streaming o novo filme dirigido por Clint Eastwood – que está com 94 anos! Quando crescer, quero ser que nem esses caras!

(Antes de entrar no filme, uma coisa que descobri pesquisando sobre o que ia falar aqui: Clint Eastwood tem fama de ser um diretor muito responsável com prazos e orçamentos. Seus filmes sempre custam menos do que o estimado e sempre são entregues antes do prazo. Legal!)

E vamos ao filme. Vi Jurado Nº 2 (Juror # 2, no original) no finzinho do ano passado, lembro que alguns amigos colocaram o filme em suas listas de melhores do ano, queria ver logo pra ver se ia mudar o meu top 10. Reconheço todos os méritos de Jurado Nº 2, é um filmão, mas não mudou minha lista.

A ideia é muito boa. Um cara é convocado pra fazer parte de um júri. Durante o julgamento, ele descobre que pode ter um envolvimento pessoal com o caso. Aí entra o dilema moral: será que ele deve assumir a sua responsabilidade, ou é melhor deixa outra pessoa pagar por um erro seu?

(Nunca entendi esse sistema que acontece nos EUA onde pessoas são convocadas pra participarem de um júri. O que acontece se a pessoa não pode? Se tem um trabalho que não a deixa sair? Se tem algum problema de saúde? Acho que isso não funcionaria no Brasil…)

Um dos destaques de Jurado Nº 2 é o roteiro, que consegue explorar bem vários tons de cinza no meio do julgamento, e consegue equilibrar um elenco com vários bons personagens. Ok, não tem como aprofundar todos os personagens em um filme de uma hora e cinquenta e quatro minutos, são uns vinte personagens participando da trama. Mas conseguimos ver nuances de vários deles.

Outro destaque é o elenco. Nicholas Hoult (segundo filme que comento este ano, segundo filme com o Nicholas Hoult) está excelente com seus dilemas – ele tem uma esposa em gravidez de risco, ele tem um histórico de alcoolismo, e está vendo um homem que pode ser inocente ser condenado. E Toni Collette, como a promotora, também tem seus dilemas, porque está vendo que talvez precise prejudicar terceiros por motivos pessoais. Duas grandes atuações! E ainda tem outros dois grandes atores em papéis bem menores, J.K. Simmons e Kiefer Sutherland. Papéis importantes, mas com pouco tempo de tela. Também no elenco, Zoey Deutch, Chris Messina e Leslie Bibb. Ah, a vítima do assassinato é Francesca Eastwood, filha do Clint.

Jurado Nº 2 foi muito mal lançado. Um filme desses merecia ir pros cinemas. Mas foi direto pro streaming, e sem nenhuma divulgação. Nosso diretor nonagenário merecia um tratamento melhor!

Nosferatu (2024)

Crítica – Nosferatu

Sinopse (imdb): Um conto gótico de obsessão entre uma jovem assombrada na Alemanha do século XIX e o antigo vampiro da Transilvânia que a persegue, trazendo consigo um horror incalculável.

Comecemos pelo original, de mais de 100 anos atrás. Em 1922, F.W. Murnau resolveu fazer uma adaptação do livro Drácula, de Bram Stoker. Alterou os nomes dos personagens, alterou o país onde se passa a história, alterou quais são os dentes do vampiro (incisivos em vez de caninos). O resto é exatamente igual. Exatamente a mesma história. A viúva de Bram Stoker descobriu o plágio, entrou com um processo, e pediu para que todas as cópias fossem destruídas. Por sorte, alguns colecionadores e cinematecas guardaram cópias, se não hoje não teríamos essa obra icônica.

Heu nunca tinha visto este Nosferatu de 1922. Vi agora, e entendo todos os méritos, mas preciso admitir que não gosto muito do estilo usado na época. Como era cinema mudo, todas as atuações parecem exageradas, isso me incomoda um pouco. Mas reconheço a importância do filme.

(Existe outra versão de Nosferatu, de 1979, dirigida por Werner Herzog e estrelada por Isabelle Adjani e Klaus Kinski. Vi muitos anos atrás, me lembro de pouca coisa desta versão.)

Finalmente chegamos em 2024 (apesar de já estarmos em 2025). Gosto do estilo do Robert Eggers, gostei de A Bruxa, e gostei mais ainda de O Homem do Norte – apesar de não ter gostado nem um pouco de O Farol, achei chato e pretensioso. Mas estava curioso em ver como Eggers ia apresentar sua versão de Nosferatu.

A história todo mundo conhece: o jovem corretor de imóveis Hutter vai até a Transilvânia para fechar um contrato de venda de um imóvel para o misterioso conde Orlok, que vai até a Alemanha atrás da esposa de Hutter.

Se a história é batida, o visual não é. Goste ou não do estilo de Robert Eggers, seus filmes são sempre belíssimos, com várias sequências com visual deslumbrante. E isso acontece aqui, Nosferatu enche os olhos. A trilha sonora também é muito boa. Além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos.

Um parágrafo à parte pra falar da maquiagem. Bill Skarsgård está irreconhecível. A divulgação do filme fez bem em não explorar o visual deste novo Nosferatu, porque quando ele aparece, está assustador, tanto na aparência quanto na voz – ele treinou a voz por semanas pra baixar uma oitava do seu registro natural para seu personagem ter a voz o mais grave possível.

O vampiro de Bill Skarsgård é assustador, e o clima do filme segue a mesma linha. Nosferatu ainda tem alguns jump scares bem bolados (daqueles que a gente não adivinha quando vão chegar). Mas o mais importante aqui não são os jump scares, e sim o clima tenso de terror. Sim, Robert Eggers sabe trabalhar o clima como poucos no cinema contemporâneo.

(Achei estranho o personagem ter bigode. Deve ser porque Vlad Tepes também tinha.)

Bill Skarsgård não é o único destaque do elenco. Lily-Rose Depp também está excelente (parece que o papel seria da Anya Taylor-Joy, mas ela teve que passar adiante por problemas de conflito de agenda quando foi fazer Furiosa). Também no elenco, Nicholas Hoult, Willem Dafoe, Aaron Taylor-Johnson, Emma Corrin e Ralph Ineson.

Gostei muito deste novo Nosferatu, mas reconheço que não é um filme para qualquer um. Aliás, todo o cinema de Eggers tem essa característica, seus filmes são o oposto do pop. Provavelmente vai ter parte do público saindo insatisfeita do cinema. Mesmo assim, recomendo: filmão!

Por fim, um mimimi que não é um problema deste filme, porque na verdade estava na versão de 1922. Na história original do Bram Stoker, Drácula vai de navio até a Inglaterra. É longe, sair da Transilvânia e ir até a Inglaterra, mas tem lógica se a gente pensar que a Inglaterra é uma ilha, então teria alguma lógica ir pelo mar. Na versão “pirata”, a história se passa na Alemanha, e mesmo assim, Orlok vai de navio. Não entendo muito de geografia europeia, mas a Alemanha só tem acesso ao mar pelo norte. O navio nesta versão teve que dar uma volta enorme! Não vejo lógica em ele ir de navio da Romênia até a Alemanha. Fui o único que pensei nisso?

Expectativa 2025

Expectativa 2025

Mais uma vez, vou criar uma lista com expectativas fora do óbvio, como fiz nos anos anteriores. Minha lista não vai ter continuações ou filmes de franquias. Seria uma lista fácil – e óbvia. Por exemplo: em 2025 teremos quatro filmes de super heróis: Superman, da DC, e Quarteto Fantástico, Thunderbolts e Capitão América da Marvel; teremos Bailarina, filme da Ana de Armas no universo de John Wick, e teremos talvez o último Missão Impossível; teremos um novo Extermínio, trazendo de volta Danny Boyle, Alex Garland e Cillian Murphy, e um novo Tron com o Jeff Bridges; e teremos Lilo & Stitch e Como treinar seu Dragão em live action. É uma boa lista, dez filmes que provavelmente todo mundo vai querer ver. Mas, é uma lista óbvia. Prefiro pegar outro caminho.

Claro, como estou falando de alguns filmes que ainda estão em produção, não tenho certeza de que teremos os dez títulos em 2025. Na lista do ano passado, por exemplo, dois dos dez filmes ainda não têm previsão de lançamento, e Mickey 17 deve ser lançado somente este ano. E na lista de 2023 tem dois filmes que ainda não foram lançados, mas devem aparecer agora em 2025: Havoc e The Running Man.

Dois filmes quase entraram na lista deste ano. Bugonia, novo Yorgos Lanthimos, com Emma Stone, Alicia Silverstone e Jesse Plemons, estava na lista, mas descobri que é refilmagem de um filme coreano de 2003. E pensei em colocar Eddington, novo filme do Ari Aster, com Emma Stone, Pedro Pascal e Austin Butler. Gosto muito de Hereditário e Midsommar. Mas Beau tem Medo me deixou com pé atrás. Certamente vou ver Eddington, mas sem expectativas.

Vamos à lista? De novo, não tem uma ordem…

1- Better Man – A História de Robbie Williams
Cinebiografia do cantor Robbie Williams. Não sou fã, pra falar a verdade não me lembro de nenhuma música dele. Mas o fato de ser um macaco no lugar do protagonista me intriga. E ainda é dirigido por Michael Gracey, o mesmo de O Rei do Show. Previsão de estreia em fevereiro.

2- Um Filme Minecraft
No jogo Minecraft tudo é quadrado. Como vão fazer um live action, com atores humanos, num mundo quadrado? Não tenho ideia. Pelo trailer, parece ser numa pegada Jumanji. Tem Jack Black e Jason Momoa no elenco. Previsão de estreia em abril.

3- O Macaco
O novo filme dirigido por Osgood Perkins (Longlegs) é uma adaptação de um conto escrito por Stephen King nos anos 80. Pelo trailer, parece ser bem sanguinolento. Previsão de estreia em fevereiro.

4- Pecadores
Depois de fazer filme de super herói (Pantera Negra) e spin off de Rocky (Creed), o diretor Ryan Coogler entra no terreno do terror. Com Michael B. Jordan e Hailee Steinfeld, Pecadores promete trazer “uma nova visão do medo”. Previsão de estreia em abril.

5- In the Grey
Ok, o Guy Ritchie do ano passado, Guerra sem Regras, não foi lá grandes coisas. Mas o cara ainda tem crédito comigo. Com Henry Cavill, Eiza González, Jake Gyllenhal e Rosamund Pike no elenco. O imdb só coloca “2025” como previsão de estreia, não tem um mês. Mas como o Guy Ritchie tem feito filmes todos os anos, acredito que fique pronto ainda em 2025.

6- Frankenstein
Depois do Oscar por Pinóquio (seu terceiro, ele ganhou dois, filme e diretor, por A Forma da Água), Guillermo Del Toro resolveu adaptar Frankenstein, uma de suas histórias favoritas. Com Mia Goth, Christoph Waltz, Ralph Ineson, Oscar Isaac, Charles Dance e Jacob Elordi no elenco. Outro que o imdb só coloca “2025” como previsão de estreia, sem um mês específico.

7- Nunca Terão Paz
No ano 10000, a humanidade acabou. Vagam pela terra apenas anjos proscritos e espíritos esquecidos. Com desejo de vingança, os anjos Ari e Vic, com a improvável ajuda do espírito de uma atriz, irão em busca da lendária Máquina Zero para tentar sair da Terra.

Esta é uma expectativa realmente fora da caixinha, e preciso de um pouco mais de espaço pra explicar. Paulo Biscaia Filho é um diretor paranaense, autor de alguns filmes alternativos bem legais, como Morgue Story e Nervo Craniano Zero, feitos por sua companhia Vigor Mortis, que faz teatro e cinema e se propõe a ser uma versão brasileira do teatro francês Grand Guignol, com temas ligados ao horror e violência gráfica. E heu gosto porque tem um pé no trash – mas trash bem feito! Recomendo pra quem aprecia um terror menos sério. Biscaia tem alguns projetos para 2025, um deles é este filme, que provavelmente não estará em NENHUMA outra lista de expectativas.

8- Overman
Ainda nas expectativas nacionais, que tal um filme de super herói brasileiro, dirigido por Tomás Portella (Aumenta que é Rock’n’roll), baseado nos quadrinhos da Laerte? Não precisa de mais nada pra me convencer!

9- The Creature from the Black Lagoon
Fecho minha lista com duas produções que ainda temos poucas informações, ou seja, talvez não sejam lançadas em 2025. The Creature from the Black Lagoon é o novo filme de terror dirigido por James Wan, de Jogos Mortais, Sobrenatural, Invocação do Mal – não estou falando de continuações e spin offs, estou falando dos filmes dirigidos pelo próprio, todos muito acima da média. E novo filme vai trazer o clássico monstro da Universal – que habita no Amazonas!

10- The Carnival at the End of the Days
Deus, decepcionado com o que está acontecendo no planeta Terra, quer exterminar a humanidade e o único que quer salvá-la é Satanás. Dirigido por Terry Gilliam, com Jeff Bridges interpretando Deus, Johnny Depp fazendo Satanás, e ainda tem Adam Driver, Jason Momoa e Asa Butterfield no elenco. Previsão de começar a filmar em janeiro de 2025, será que fica pronto este ano?

Top 10: Maiores Decepções de 2024

Top 10: Maiores Decepções de 2024

(texto copiado do ano passado)

Existe uma diferença entre um filme ser ruim e um filme ser uma decepção. A decepção está mais atrelada à expectativa que criamos em torno daquele título. Precisa ser um filme que heu achava que podia ser bom, se heu já achava que ia ser ruim, não existe decepção…

Mas, me esforcei pra encontrar dez filmes que não estavam presentes na lista de piores do ano, afinal ia acabar repetindo informações.

Queria citar Anora, ganhador da Palma de Ouro em Cannes este ano, e que é um filme bem bobinho. Mas como só será lançado comercialmente ano que vem, fica de fora da lista.

Vamos à lista? Não tem ordem específica.

1- Vidas Passadas
Um filme bonito, bem filmado e bem atuado, com personagens bem construídos e fora dos clichês. Mas é um filme apenas ok. Sinceramente não entendo como tem tanta gente que virou fã do filme.
http://www.heuvi.com.br/vidas-passadas/

2- Amigos Imaginários
O trailer prometia uma comédia rasgada no estilo do Ryan Reynolds, mas Amigos Imaginários é um filme infantil bem bobinho.
http://www.heuvi.com.br/amigos-imaginarios/

3- Canina
Quando surgiu o trailer de Canina, surgiram boatos de que seria um filme criativo e com a melhor atuação da carreira da Amy Adams. Mas é apenas mais um filminho fuen.
http://www.heuvi.com.br/canina/

4- Biônicos
Afonso Poyart prometia ser um grande nome no cinema nacional, depois de filmes como 2 Coelhos e Mais Forte que o Mundo. Aí ele apresenta “o filme nacional mais caro da história da Netflix, e é um roteiro preguiçoso, com uma personagem principal muito ruim.
http://www.heuvi.com.br/bionicos/

5- Mad God
Phil Tippett é um dos maiores nomes da história do cinema quando se fala em stop motion. Aí o cara passa mais de 30 anos fazendo um longa. Que é belíssimo, mas chaaato…
http://www.heuvi.com.br/mad-god/

6- Guerra sem Regras
O novo Guy Ritchie começa bem, prometendo ser um novo Bastardos Inglórios. Mas se perde no meio e o resultado final decepciona.
http://www.heuvi.com.br/guerra-sem-regras-the-ministry-of-ungentlemanly-warfare/

7- Uma Natureza Violenta
Era uma ideia diferente: um slasher sob o ponto de vista do vilão. Mas é um filme que passa quase o tempo todo andando pela floresta.
http://www.heuvi.com.br/uma-natureza-violenta-in-a-violent-nature/

8- Megalopolis
Talvez seja o último filme do Francis Ford Coppola. Triste encerramento de uma carreira que teve O Poderoso Chefão, Apocalypse Now e Drácula de Bram Stoker.
http://www.heuvi.com.br/megalopolis/

9- Coringa Delírio a Dois
O primeiro Coringa foi muito bom, esse aqui falhou em quase tudo. Transformaram num musical, e o pior, num musical ruim.
http://www.heuvi.com.br/coringa-delirio-a-dois/

10- Wicked
Super produção, visual legal, algumas boas cenas, algumas boas músicas, mas… O filme dura intermináveis duas horas e quarenta minutos. E só é a primeira parte!
http://www.heuvi.com.br/wicked/

Top 10: Melhores Filmes de 2024

Top 10 Melhores Filmes de 2024

Depois da lista dos piores, vamos aos dez melhores?

(Ainda farei uma lista de decepções e outra de expectativas fora do óbvio!)

Queria fazer uma menção honrosa a Deadstream, filme de 2022 que só vi este ano, e que achei muito bom.

Lembrando que esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10- Aumenta que é Rock’n’roll
A história da rádio Fluminense, rádio que foi fundamental para o início do rock nacional dos anos 80. Filme obrigatório pra quem gosta de rock brasileiro!
http://www.heuvi.com.br/aumenta-que-e-rocknroll/

9- Duna Parte 2
Duna: Parte 2 é um filmão, com tudo de superlativo que isso carrega. Elenco recheado de estrelas, cenários fantásticos, figurinos caprichados, trilha sonora excelente, tudo aqui é grandioso.
http://www.heuvi.com.br/duna-parte-2/

8- Guerra Civil
O melhor filme de Alex Garland até agora, mostra uma guerra pelo lado da imprensa. Cenas tensas e fortes, e uma grande atuação de Wagner Moura, ao lado de Kirsten Dunst e Cailee Spaeny.
http://www.heuvi.com.br/guerra-civil/

7- Strange Darling
Uma das melhores surpresas do ano. Um roteiro fora da ordem cronológica que consegue dar rasteiras na compreensão do espectador. Pena que ainda não foi lançado oficialmente.
http://www.heuvi.com.br/strange-darling/

6- Contra o Mundo
Ritmo de videogame, boas coreografias de luta, bom elenco, excelente timing cômico, é uma pena que este filme ficou pouco tempo em cartaz e pouca gente viu.
http://www.heuvi.com.br/contra-o-mundo/

5- Deadpool e Wolverine
Some toda a galhofa do Deadpool com um Wolverine mal humorado, e adicione um caminhão de referências. A cena do Chris Evans foi a melhor piada do cinema em 2024.
http://www.heuvi.com.br/deadpool-wolverine/

4- Anatomia de uma Queda
Filme de tribunal multi premiado (Cannes, Globo de Ouro, Oscar), que tem um roteiro que beira a perfeição e que traz uma atuação excepcional da Sandra Hüller.
http://www.heuvi.com.br/anatomia-de-uma-queda/

3- Ainda Estou Aqui
Um excelente retrato de um Brasil do tempo do regime militar e uma atuação magistral da Fernanda Torres. Um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos. Estou na torcida pelo Oscar!
http://www.heuvi.com.br/ainda-estou-aqui/

2- Pobres Criaturas
Era pra ter entrado na lista do ano passado, vi no Festival do Rio de 2023. Mas guardei pra este ano, porque agora todos já puderam assistir. Filme diferentão tanto no tema quanto no visual, e que conta com uma atuação fantástica da Emma Stone.
http://www.heuvi.com.br/pobres-criaturas/

1- A Substância
Críticas ao machismo e ao etarismo num visual caprichado, com cores, ângulos de câmera, edição, trilha sonora, efeitos sonoros, tudo num clima hipnotizante. E ainda tem muito gore, e talvez a melhor atuação da carreira da Demi Moore.
http://www.heuvi.com.br/a-substancia/

Top 10: Piores Filmes de 2024

Top 10 Piores Filmes de 2024

Mais um fim de ano, época de fazermos nossas listas de melhores e piores do ano. Vou começar com a de piores, em alguns dias postarei a de melhores, depois uma de decepções, e logo depois vou mandar uma lista de expectativas fora do óbvio para 2025 (como fiz nos últimos anos).

Vejo poucas séries, então não vou fazer uma lista de 10 piores séries. Mas preciso citar Star Wars Acolyte! Duvido que tenha tido alguma série pior este ano!

Dois comentários antes de começar. O primeiro é que deixei propositalmente alguns filmes nacionais de fora. É que gosto de cinema nacional, não me sinto bem falando mal de filmes brasileiros. Então, abri mão de ver e comentar alguns filmes brasileiros de 2024 que pareciam ser muito ruins.

O outro comentário é que esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Lembrando que todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10- Mergulho Noturno
Alguém achou que seria uma boa ideia transformar um curta de 3 minutos em um longa. Mas a adaptação foi muito mal feita, e o resultado é um filme chato, onde nada acontece e a trama se arrasta.
http://www.heuvi.com.br/mergulho-noturno/

9- Borderlands: O Destino do Universo Está em Jogo
Um bom diretor e um bom elenco não salvam essa mistura de Mercenários das Galáxias com Esquadrão Suicida. Um filme trash que parece que tem vergonha de ser trash.
http://www.heuvi.com.br/borderlands-o-destino-do-universo-esta-em-jogo/

8- O Exorcismo
Um filme que passou por refilmagens e apresenta um resultado bagunçado, além de várias coisas mal resolvidas, numa pegada de “não sabemos pra onde estamos indo”.
http://www.heuvi.com.br/o-exorcismo/

7- Alice no País das Trevas
Ok, ninguém esperava que um filme chamado “Alice no País das Trevas” seria bom. Mas podia ser um trash divertido. Nada, é uma produção preguiçosa, com caracterizações péssimas, nada assustador e muito muito chato.
http://www.heuvi.com.br/alice-no-pais-das-trevas/

6- Deep Web: O Show da Morte
Tem tanta coisa ruim que é difícil saber por onde começar. Ideia mal desenvolvida, atores ruins, efeitos pobres, tudo deu errado. E ainda tem poucas cenas de violência gráfica.
http://www.heuvi.com.br/deep-web-o-show-da-morte/

5- Madame Teia
Um filme de super heróis onde pessoas sem super poderes ficam fugindo de um super vilão. E um roteiro cheio de furos, além de um dos piores product placement do cinema recente.
http://www.heuvi.com.br/madame-teia/

4- Turma da Mônica Jovem Reflexos do Medo
Depois de dois longas com a Turma da Mônica “certa”, apareceu esse outro aqui que é tão ruim que parece uma “versão vídeo brinquedo”. Roteiro preguiçoso, edição mal feita, efeitos especiais toscos, atuações ruins, deu tudo errado aqui.
http://www.heuvi.com.br/turma-da-monica-jovem-reflexos-do-medo/

3- Os Estranhos Capítulo 1
Refilmagem meia boca de um filme meia boca de 2008. E o pior é que será uma trilogia, filmaram ao mesmo tempo outros dois “capítulos”. Triste este fim de carreira do diretor Renny Harlin.
http://www.heuvi.com.br/os-estranhos-capitulo-1/

2- Rebel Moon – Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes
Pretensioso filme genérico que quer ser Star Wars mas é um Mercenários das Galáxias piorado. Não tem uma trama cativante, nenhum personagem interessante ou carismático, nenhuma cena memorável, nada.
http://www.heuvi.com.br/rebel-moon-parte-2-a-marcadora-de-cicatrizes/

1- The Mouse Trap
Ursinho Pooh de terror foi muito ruim. Mas acho que o Mickey Mouse de terror chega a ser pior. Não só é um filme péssimo, como não tem nada a ver com o Mickey! Podia ser qualquer máscara! Picaretagem!
http://www.heuvi.com.br/the-mouse-trap/


Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa

Crítica – Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa

Sinopse (imdb): Chico Bento e sua turma precisam se unir para salvar a goiabeira de Nhô Lau quando ela é colocada em risco pelo arrogante coronel Dotô Agripino.

E vamos ao aguardado filme do Chico Bento!

Antes, um breve histórico do universo cinematográfico do Maurício de Souza (MSCU?). Em 2019 tivemos Turma da Mônica Laços, e dois anos depois, Turma da Mônica Lições, ambos dirigidos por Daniel Rezende, e ambos muito bons (gostei do primeiro, adorei o segundo!). Ainda rolou uma minissérie de 8 capítulos com o mesmo elenco em 2022. Três bons produtos, com bons roteiros, bom elenco e boa produção. (Tem uma segunda minissérie lançada este ano, mas ainda não vi). Aí outra produtora fez um filme da turma da Mônica Jovem, que falhou em tudo o que os outros filmes acertaram. Era mais ou menos como em 2018, enquanto a Marvel “certa” lançava Vingadores Guerra Infinita, a Marvel “errada” lançava Venom; ou em 2019, uma lançava Vingadores Ultimato e a outra lançava Novos Mutantes…

A cena pós créditos de Lições mostrava o Chico Bento, e a expectativa, pelo menos pra mim, era enorme. Primeiro por ser mais um filme da “Turma da Mônica certa”, mas também porque o Chico Bento era um dos meus personagens favoritos. Heu li muitos gibis da Turma da Mônica na minha infância e adolescência, e chegou um ponto onde os quatro principais me cansaram, porque os temas se repetiam sempre: histórias da Mônica quase sempre giravam em torno da força dela; do Cascão, do fato dele não tomar banho; da Magali, da sua fome insaciável. Cebolinha repetia menos, mas eram muitas histórias sobre planos infalíveis. Já o Chico Bento não tinha um tema tão repetitivo. Por isso, a partir de um ponto, passei a preferir gibis dele.

E a notícia é boa! Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa é um ótimo filme!

Dirigido por Fernando Fraiha (Daniel Rezende está na produção), Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa é simpático, divertido e, acho que posso dizer, um filme delicioso! Tanto pra crianças quanto para adultos, é daquele tipo de filme que a gente sai da sessão leve e com um sorriso no rosto.

Talvez o maior trunfo de Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa seja seu protagonista, Isaac Amendoim. Nunca tinha ouvido falar dele, e preciso dizer que o moleque é sensacional! O carisma do garoto é tão grande que é impossível ver a sequência inicial e não se apaixonar pelo personagem (sequência onde ele está se arrumando, com ajuda da galinha Giselda, da vaca Malhada e de alguns outros bichos). Logo depois ele quebra a quarta parede, conversa com o público e apresenta o filme. Nesse ponto – logo no início do filme! – heu já estava fisgado.

E não é só o protagonista. Toda a ambientação da cidade, todos os personagens secundários, tudo está perfeitamente retratado (ou quase, já chego lá). Assim como nos gibis, é uma história atemporal. Um mundinho mágico mostrando o interior do Brasil. E ainda tem espaço pra entrar em assuntos ambientais.

Falei do Isaac Amendoim como Chico Bento, mas também preciso citar Pedro Dantas como Zé Lelé. Não consigo imaginar um Zé Lelé live action melhor que este! A trilha sonora também merece elogios.

Gostei muito de Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, mas preciso reconhecer que o filme tem dois problemas. Um deles é na sequência onde a goiabeira ganha vida (Tais Araújo) e conversa com o Chico Bento. É uma sequência que foge completamente do resto do filme, parece que estamos vendo outra coisa. Além disso é uma sequência longa demais. E pra piorar, parte da sequência é live action, mas parte é numa animação de qualidade duvidável (meu filho comparou com o Dollynho!).

O segundo problema é um assunto delicado. Quando Maurício de Souza criou a turma do Chico Bento, não tinha nenhum negro (Rosinha, Zé Lelé, Zé da Roça, Hiro). Hoje, 2024, tudo a ver incluir uma menina negra no rolê. O problema é que é uma menina urbana, com o cabelo roxo, seus pais têm perfil de cidade grande… Eles não parecem caipiras como TODO O RESTO DO FILME. O nome do filme fala da goiabeira “Maraviosa”! Depois da sessão, me disseram que é uma família que veio da cidade grande. Mas não me lembro dessa informação dentro do filme, no filme, Chico apenas fala que ela “se mudou há pouco”. Custava explicar que ela morava na capital? A personagem ficou muito diferente do resto da turma.

Mesmo com esses probleminhas, ainda gostei muito. Torço muito pra fazerem logo um segundo filme, antes do Isaac Amendoim crescer!

Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa estreia agora no início de janeiro. Quero rever!