A Origem

A Origem

O novo filme de Christopher Nolan, o incensado diretor de Batman – O Cavaleiro das Trevas, chega aqui com algo invejável no currículo: o terceiro lugar no Top 250 dos melhores filmes de todos os tempos do imdb. Impressionante, não?

O filme é bom. Mas não achei tudo isso não…

A trama fala de pessoas com a habilidade de entrar no sonho de outras pessoas. Um homem com habilidade de roubar ideias e conhecimentos de dentro de sonhos alheios é contratado para inserir uma ideia – algo que até agora nunca tinha sido feito.

O filme tem um grande mérito: é uma ideia nova, numa Hollywood repleta de refilmagens e releituras. Ok, esse papo de entrar nos sonhos alheios já estava em Dreamscape – Morte nos Sonhos, de 1984. Mesmo assim, não é uma ideia reciclada, são filmes diferentes.

Os efeitos especiais são impressionantes. Ruas que se dobram, brigas em gravidade zero, edifícios desmoronando como castelos de areia… Rola até uma versão “real” da famosa escada infinita de Escher! E o melhor de tudo é que os efeitos não são daqueles que atrapalham a história, como num Transformers, por exemplo.

O elenco estelar é outro destaque. Leonardo Di Caprio, ainda com resquícios de seu papel em Ilha do Medo, lidera um elenco cheio de atores legais: Joseph Gordon-Levitt (500 Dias Com Ela), Ellen Page (Juno), Marion Cotillard (Inimigos Públicos), Ken Watanabe (O Último Samurai), Cillian Murphy (Extermínio), Tom Berenger, Lukas Haas, Tom Hardy, Dileep Rao, e ainda rolam participações especiais de Michael Caine e Pete Postlethwaite.

(Pequeno parênteses para falar do Joseph Gordon-Levitt. Sou fã dele desde a época que ele era o ator adolescente que fazia o Tommy Solomon em 3rd Rock From The Sun. Parece que ele encontrou o caminho para o estrelato. Depois de Killshot, G.I. Joe e 500 Dias com Ela, aqui ele é o principal coadjuvante. Tommy Solomon vai longe!)

E aí a gente chega no ponto que falei lá em cima. Uma super produção destas merecia um roteiro melhor! O roteiro de A Origem tem um monte de pequenas inconsistências. Por exemplo: quem está sonhando acorda ao sentir que está caindo – mas quando a van capota, ninguém acorda. Ou então o lance de morrer no sonho e, às vezes acordar, às vezes ir pro limbo. Ou ainda a gravidade zero, que rola em um nível, mas não no nível seguinte. Algumas destas falhas são explicadas, mas as explicações são tão forçadas…

(Também tem a péssima mira dos vilões armados, mas isso infelizmente é uma constante nos filmes de ação em Hollywood…)

Christopher Nolan é um cara talentoso. Este é o seu sexto filme nos últimos 10 anos, todos bons (Amnésia, Insônia, O Grande Truque e os dois novos Batman). Com o crescente sucesso de público e crítica, ele escreveu e dirigiu este A Origem, e aredito que ele achava que ia ser a sua obra prima. E o pior é que tem muita gente que concorda com ele, vide a lista do imdb!

Como disse lá em cima, o filme é bom, melhor que a média. Só não espere por uma obra prima, como os outros que estão na lista do imdb.

Plaguers

Plaguers

Trash bem trash mesmo, Plaguers é daqueles filmes com roteiro fraco, atores péssimos e efeitos especiais toscos.

A trama mostra uma nave espacial que carrega um vírus alienígena, que cai numa armadilha feita por piratas-mulheres-gostosas, e logo depois o vírus é espalhado, transformando as pessoas em monstros. Mais ou menos isso.

Alguns vão se perguntar “por que esse cara insiste em ver filmes tão ruins?” – principalmente quem leu minhas críticas de filmes como The Blackout, The Crypt ou Edges of Darkness. Bem, Plaguers é ruim, mas pelo menos é um trash assumido. E gosto da mistura terror + ficção científica.

Tem mais: no meio do elenco de péssimos atores, está Steve Railback. O cara pode não ser bom ator, mas ele tinha o papel principal em Força Sinistra! 😉

(A bola fora do elenco é nenhuma das atrizes tirar a roupa… Pô, um monte de piratas mulheres com roupas de cheerleader e todas vestidas o tempo todo?)

Enfim, só pra quem curte um bom trash…

Cadillac Records

Cadillac Records

Uma cinebiografia da Chess Records, a gravadora que lançou nomes como Muddy Waters, Chuck Berry, Etta James e Howlin’ Wolf? Tem tudo pra dar certo!

Em 1947, Leonard Chess (Adrien Brody) abre um estúdio de gravação só para artistas negros, como Muddy Waters (Jeffrey Wright) e Little Walter (Columbus Short), e cuida deles como se fossem uma grande família. Pouco depois, Chuck Berry (Mos Def) praticamente inventa o rock’n’roll dentro de seu estúdio.

Infelizmente, o desenvolvimento do filme não flui bem. Os eventos são jogados na trama, senti falta de uma linha temporal mais bem definida. Por exemplo, os Rolling Stones aparecem do nada e desaparecem da mesma forma. E o mesmo acontece várias outras vezes ao longo do filme.

Depois descobri outro problema, que não tem a ver exatamente com o filme em si, mas com a História. Li pela internet que vários dos fatos estão incorretos. Leonard não estava sozinho, a gravadora foi fundada ao lado de seu irmão; Muddy Waters já tinha gravado antes da Chess Records; Leonard nunca se envolveu romanticamente com Etta James; etc. Isso sem contar com alguns nomes importantes deixados de lado, como Bo Didley!

Apesar dissol gostei muito das atuações. Adrien Brody, como sempre, manda bem. Jeffrey Wright, eterno coadjuvante, brilha como protagonista no papel de Muddy Waters. Beyoncé Knowles não só interpreta Etta James como ainda regravou suas músicas. Mos Def rouba a cenacom um Chuck Berry perfeito. E Columbus Short também está ótimo como o explosivo Little Walter. E ainda tem Cedric the Entertainer como Willie Dixon e Eamonn Walker como Howlin’ Wolf. O elenco realmente estava inspirado!

Apesar dos problemas, Cadillac Records é um bom programa para os apreciadores de música negra dos anos 50.

Srpski film – A Serbian Movie

Srpski film – A Serbian Movie

De vez em quando aparecem por aí uns filmes realmente chocantes. Srpski Film (ou A Serbian Movie) é um deles.

Srpski Film fala de uma lenda urbana da história do cinema: os snuff movies. Um snuff é um filme de sexo onde aconteceria uma morte real. Só que até agora ninguém provou a existência de um snuff

(Com a popularização da internet, já vi sites que mostram supostas mortes reais. Mas confesso que nunca parei pra prestar atenção se é de verdade ou fake…)

A trama de Srpski Film mostra Milos (Srdjan Todorovic), outrora um dos maiores atores pornôs, agora aposentado e em crise financeira. Ele recebe uma proposta para voltar e fazer apenas um filme e ganhar um bom dinheiro e não se preocupar com o futuro. O problema é que não dizem qual o estilo da sua nova produção.

O filme é casca grossa. Violência, tortura, necrofilia, pedofilia… O diretor Srdjan Spasojevic pega pesado nas cenas chocantes – inclusive, o sexo é quase explícito. E o melhor de tudo é que tudo isso está inserido no contexto do filme, nada é gratuito.

Gostei da narrativa da segunda parte do filme. Milos é drogado e acorda três dias depois, e começa a refazer os seus passos para tentar se lembrar do que aconteceu. E a cada passo, a história fica mais pesada, até chegarmos na parte final do filme, um soco na cara do espectador. Causa um desconforto daqueles que dura por dias. Senti algo parecido depois de ver Saló e Irreversível (ambos no cinema).

Por ser um filme extremamente desconfortável, não recomendo Srpski Film para ninguém. Mas reconheço que é um filme muito bom dentro do que se propõe.

Último comentário: baixei uma versão “screener”, com marca d’água durante todo o filme, e algumas vezes aparece escrito na tela “property of Contra Films”. Normalmente, sou contra ver filmes assim, perfiro esperar por versões melhores, mas, um filme desses, não sei quando aparecerá uma outra versão…

O Segredo da Rua Ormes

O Segredo da Rua Ormes / 5150 Rue des Ormes / 5150 Elm Street

Uêba! Mais um filme francês ultra-violento!

Yannick, um jovem estudante de cinema, se acidenta de bicicleta, e vai procurar ajuda. No lugar errado, na hora errada…

Depois de Haute Tension, A L’Interieur e Martyrs, um filme como 5150 Rue des Ormes não é surpresa para ninguém. O diretor Éric Tessier traz mais um eficiente e tenso filme francês.

Este não tem tanto gore quanto os outros que citei no parágrafo anterior. Mesmo assim, a violência é grande. Yannick presencia o que não deveria, e então é mantido prisioneiro por uma das melhores famílias de desequilibrados da história do cinema!

Jacques Beaulieu, o pai da família, é um ótimo personagem. Completamente pirado, usa um código de ética distorcido, inventado por ele mesmo. E usa o xadrez como catalisador da sua insanidade.

O elenco é desconhecido por aqui. Nenhum nome se destaca, mas todos estão bem.

Boa opção pra quem gosta do estilo! Infelizmente, acho que só através de download – este tipo de filme nunca chega aqui, né?

23/09 Atualização – este filme está na programação do Festival do Rio!

Open House

Open House

Um filme com a Caprica Six (Tricia Helfer), de BSG, e a Sookie Stackhouse (Anna Paquin), de True Blood? Opa! Vamos ver qualé!

Que grande decepção…

A trama, rasa como um pires, fala de um casal de desequilibrados que ocupa casas que estão à venda e assassina quem aparecer no caminho.

Parece pouco, e é. E parece inconsistente, e também é. Então, quer dizer que se pessoas começarem a desaparecer, ninguém vai procurar? E de que o tal casal vive?

Bem, pelo menos a Tricia Helfer aparece durante todo o filme. Porque a Anna Paquin aparece rapidamente em uma cena e não volta…

Vendo os créditos, descobrimos que o filme foi escrito e dirigido por um tal de Andrew Paquin. Segundo o imdb, é irmão da Anna, e aí a gente entende que ela ajudou… Pena que, aparentemente, o talento não é hereditário…

Aliás, é bom falar: o cartaz vende o filme como se fosse estrelado por Paquin e seu namorado Stephen Moyer (ambos protagonistas de True Blood), mas ele aparece pouco e ela quase não aparece. Por outro lado, Rachel Blanchard tem um grande papel e nem está no cartaz…

Recomendado somente aos fãs radicais da Tricia Helfer…

After.Life

After.Life

Uma jovem mulher está no limiar entre a vida e a morte, dentro de uma funerária. O agente funerário aparentemente tem o poder de conversar com os mortos. Ou tem a intenção de enterrá-la viva.

Filme esquisitão, longa de estreia do diretor e roteirista Agnieszka Wojtowicz-Vosloo, After.Life teoriza sobre o que acontece logo após a morte. Ou não…

O elenco está muito bem. Um inspiradíssimo Liam Neeson está perfeito como o sinistro e misterioso agente funerário. E achei genial a escolha de Christina Ricci para o papel principal. É impossível não lembrar da mórbida Vandinha, da Família Addams. Justin Long, menos conhecido que seus colegas, também está ok, assim como o garoto Chandler Canterbury.

Os efeitos de maquiagem estão perfeitos! Christina Ricci, linda, passa boa parte do filme nua, mas como está morta, fica algo entre sexy e assustador. Aliás, Ricci sabe escolher os filmes onde tira a roupa. Ex atriz mirim, ela também apareceu nua em Entre o Céu e o Inferno, onde ela faz uma ninfomaníaca que passa boa parte do filme acorrentada pelo personagem de Samuel L. Jackson. Em ambos os casos, ela está belíssima, mas, em ambos, a nudez é pouco convencional…

Um dos trunfos do roteiro é a ambiguidade. Até o fim do filme, paira no ar a dúvida: Anna está viva ou morta? Deacon é um assassino, ou simplesmente alguém com o poder de conversar com os mortos? O roteiro dá pistas para todas as teorias, e não explica nenhuma delas…

Splice

Splice

Um casal de cientistas trabalha num laboratório genético, tentando sintetizar uma proteína baseada em entrelaçamento de DNAs de espécies diferentes. Enquanto eles lidam com a pressão dos chefes, ignoram limites éticos ao desenvolverem uma experiência secreta – e perigosa.

Escrito e dirigido por Vicenzo Natali (o mesmo do esquisito Cubo), Splice está sendo vendido como um novo Alien, um novo A Experiência. Mas não acho que seja por aí. Splice está mais focado no drama que no suspense. Para falar a verdade, Splice tem um ritmo bem lento, pelo menos até chegarmos à parte final – quando enfim temos um filme de terror na tela.

Lento, mas nunca enfadonho. A história da criatura Dren é fantástica! Um misto de atriz com efeitos especiais, Dren cativa e assusta ao mesmo tempo.

Me questiono se este filme teria a mesma credibilidade se feito em outras épocas pré-cgi. Quando Dren é pequena, seria uma animação tosca em stop motion, e, adulta, seria uma atriz com máscara ou maquiagem. Em vez disso, temos uma Dren “real” – tanto criança quanto adulta. E a criatura é tão bem feita, que fica difícil dizer onde termina a atriz e começa o efeito especial. Acompanhamos vários estágios de seu desenvolvimento, e Dren é sempre convincente.

No elenco, queria poder falar de Delphine Chanéac, que interpreta Dren, mas, como falei, não sei o quanto era ela e o quanto eram os efeitos especiais. Mas podemos falar bem do casal principal, Clive e Elsa, solidamente interpretados por Adrien Brody e Sarah Polley. Ambos estão bem como o casal que testa os limites da ética na ciência genética.

(Curiosidade: os nomes Clive e Elsa são uma homenagem ao filme A Filha de Frankenstein, de 1935, interpretado por Colin Clive e Elsa Lanchester. Ambos os filmes têm semelhanças nos seus argumentos.)

Tem uma coisinha no roteiro que me incomodou, mas, antes, vamos aos tradicionais avisos de spoiler…

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

A cena de sexo foi totalmente incoerente! Não era melhor ter usado outro personagem para isso? Por que não Gavin, o irmão de Clive? Acredito que a reação de Elsa ia ser parecida…

FIM DOS SPOILERS!

Mas isso não torna Splice um filme ruim, longe disso. Aliás, gostei do fim do filme, aberto para uma continuação…

A Ressaca / Hot Tub Time Machine

A Ressaca/ Hot Tub Time Machine

Três amigos, mais o sobrinho de um deles, vão para um resort de esqui onde passaram bons momentos nos anos 80. Inexplicavelmente, depois de uma noite numa jacuzzi, eles vão parar em 1986. E agora eles têm que refazer as mesmas coisas que fizeram na época e descobrir um jeito de voltar para o presente.

A ideia do filme é muito boa. Rever o que fizemos errado, e ter uma nova chance para consertar. Mas achei a trama mal desenvolvida. Em vez de explorar a situação da “volta aos anos 80”, parece que o foco principal do filme são as brigas adolescentes dos protagonistas quarentões.

Problema semelhante acontece com as piadas. As melhores piadas são relativas à década de 80 (como a pergunta para se saber em que ano eles estão: “qual é a cor do Michael Jackson?”). Mas o roteiro insiste em piadas escatológicas, cada uma mais sem graça que a outra…

O elenco principal é formado pelo quarteto John Cusack, Rob Corddry, Craig Robinson e Clark Duke. Mas o melhor do elenco está em dois papéis menores. Chevy Chase é o misterioso técnico da banheira, enquanto Crispin Glover, especialista em fazer “esquisitões”, tem uma participação hilariante.

A Ressaca nem é ruim, quem estiver inspirado pode dar algumas boas risadas. Mas, no fim, fica aquela sensação de que poderia ter sido bem melhor!

P.s.: Ah, os títulos brasileiros! “A Ressaca” (The Hangover) aqui ganhou o título Se Beber Não Case; enquanto “A Banheira Máquina do Tempo” (Hot Tub Time Machine) aqui virou A Ressaca. É mole?

A Sétima Vítima

A Sétima Vítima

Quando vejo um filme bom, guardo o nome do diretor e procuro outras coisas que ele fez. Que tal um outro filme de Jaume Balagueró, diretor de REC, um dos melhores filmes de terror dos últimos anos?

(Na verdade, A Sétima Vítima Darkness no original – é de antes, foi lançado em 2002, e passou aqui no Brasil. Revi agora, mas lembro de ter visto a primeira vez no cinema, muitos anos antes de ouvir falar em REC…)

Uma família – pai, mãe, filha adolescente e filho criança – se muda dos EUA para a Espanha, para morar num velho casarão afastado da cidade, que pertence à família. Mas existe algo de terrível no passado da casa…

Ok, o tema é batido. E o filme também não é nada de inovador. A Sétima Vítima não é tão brilhante quanto REC, mas é um interessante “terror de casa mal assombrada”.

O elenco está ok, temos Anna Paquin já adulta (mesma época dos primeiros X-Men e de Quase Famosos) e Lena Olin, além de Iain Glen, Stephan Enquist e Giancarlo Giannini.

De coisas boas, podemos destacar que Balagueró já sabia usar bem movimentos de câmera. Os efeitos especiais são poucos, o que funciona bem aqui é a câmera procurando ângulos interessantes. E o final “não Hollywood” também é legal.

Mas não vá com muita expectativa…