Meu Nome É Modesty Blaise

Meu Nome É Modesty Blaise

Quem não se lembra de John Travolta no banheiro do restaurante, em Pulp Fiction, lendo uma revista em quadrinhos da Modesty Blaise? Aí, anos depois, aparece um dvd com “Quentin Tarantino apresenta Meu nome é Modesty Blaise” escrito na capa. Animador, né?

Nada. Mais uma decepção.

Em primeiro lugar, preciso falar que não conheço os quadrinhos. Então não posso julgar o quanto está fiel ou não. Mas sei que Modesty Blaise é uma espiã, uma espécie de versão feminina do agente secreto 007. Então esperamos um filme nesta linha, certo? Meio Missão Impossível, meio 007, com um toque de Lara Croft…

Nada disso. Na verdade, o filme é um grande prólogo. Modesty Blaise trabalha num cassino, que é assaltado. O líder dos bandidos passa quase o filme todo conversando com Modesty. Conhecemos o seu passado, quem é ela e como chegou onde está. E só. Ou seja, vemos um prólogo, para uma série de filmes ou de tv que aparentemente nunca virá…

Tarantino? Está como produtor executivo, só colocaram o nome dele pra vender o filme. Mais ou menos como em O Albergue.

A única coisa boa do filme é a duração, menos de uma hora e 20. Pelo menos não é longo demais. Mas, mesmo assim, pode ser sonolento. Deve agradar aos fãs de Modesty Blaise, e só.

Zombie Strippers

Zombie Strippers

Ok, um filme chamado “Zombie Strippers” não pode ser bom, concordo.

Dançarinas de um clube de strip-tease viram zumbis e atacam seus clientes. E ainda tem no elenco a atriz pornô Jenna Jameson e Robert Englund, o Freddy Kruger? A idéia, de tão tosca, poderia render um filme trash divertido. Mas não, é fraaaco…

Existem os filmes trash com algum talento por trás. Peter Jakcson, antes da fama e dos Oscars da trilogia O Senhor dos Anéis, fez dois trash maravilhosos! Sim, é tudo tosco, mas é um tosco “cool” e engraçado. E existem filmes como Zombie Strippers, que são simplesmente toscos. Não se vê nada além da nudez e do gore…

O elenco, claro, é péssimo. Todos são caricatos ao extremo. Sim, é o tom que se pede num filme desses, mas talvez esteja caricato demais. Mr Englund, volte para debaixo da maquiagem do Freddy! Por sua vez, o roteiro tenta colocar piadas políticas no meio da trama, mas é um roteiro tão fraquinho que dá até pena…

Concordo numa coisa: pelo menos temos muita nudez gratuita, violência desnecessária, cabeças explodindo, muito gore, tudo o que se espera num filme desses. A cena do pompoarismo é genial! Mas, pergunto, isso é suficiente?

Anyway. serve pra ser visto com galera, no meio da farra…

Hellboy

Hellboy

Hellboy 2 tá vindo aí, já rolam traileres bem legais, já estreou lá fora… Inclusive, dá uma coceira de ir ao torrent pra baixar! Mas não, esse filme vale esperar pra ver na tela grande!

Enquanto o 2 não vem, aproveitei pra rever o primeiro…

Este poderia ser “mais um filme baseado em quadrinhos”, e desta vez um quadrinho menos conhecido… Mas não, o projeto foi tocado pelo sempre eficiente Guillermo del Toro (que depois desse fez O Labirinto do Fauno). Gosto de diretores estrangeiros trabalhando em Hollywood: eles têm o dinheiro necessário para uma grande produção mas às vezes não caem no óbvio…

É o caso aqui. Ron Perlman faz um herói diferente: na verdade ele é uma espécie de diabo que veio de outra dimensão, ainda filhote, e cresceu escondido num laboratório do FBI, criado como filho adotivo pelo cientista que o descobriu, Trevor Broom (John Hurt).

O que é diferente do óbvio? Hellboy é politicamente incorreto! Fuma charuto, come quantidades absurdas de comida, desrespeita ordens – chega a quebrar as paredes do laboratório para ir atrás de sua amada Liz (Selma Blair)!

Boa “diversão descerebrada com um pouco de cérebro”!

Viagem ao Centro da Terra

Viagem ao Centro da Terra

Viagem ao Centro da Terra

Considerado um dos melhores discos do tecladista Rick Wakeman… Opa, “Viagem” errada! 😛

Viagem ao Centro da Terra – 3D vale como um eficiente brinquedo num parque temático. O roteiro tem furos? Sim, mas os efeitos em 3D são tão legais que a gente deixa pra lá e se diverte à beça!

Vamos à história. Em vez de filmar a história original de Julio Verne, temos uma história atual: o irmão de um geólogo, Trevor (Brendan Fraser), desaparece procurando o centro da terra, baseando-se no livro de Verne. 10 anos depois, as mesmas condições geológicas fazem Trevor ir numa viagem para tentar reecontrar o irmão.

Talvez fosse melhor criar um roteiro baseado no próprio livro, provavelmente teria menos furos. Uma mina abandonada tem uma verdadeira montanha russa dentro; quedas de centenas ou milhares de metros de altura não machucam; o celular pega no centro da Terra; a temperatura é altíssima mas não mata a flora e fauna local; enormes dinossauros sobrevivem não se sabe de que; e por aí vai, a lista pode ser grande…

Mas, se você conseguir ignorar este tipo de “detalhe” e for ao cinema pensando no fator “parque temático”, a diversão é garantida! O que falta no roteiro sobra nos ótimos efeitos especiais em 3D!

Nome Próprio

Nome Próprio

Nome Próprio

Um filme pode ao mesmo tempo ser atraente e repulsivo? Nome Próprio é assim. Por um lado temos curiosidade de acompanhar a vida da blogueira Camila; por outro, a personalidade de Camila a torna uma pessoa insuportável, e nos vemos torcendo contra ela…

Camila (Leandra Leal), a nossa “anti-heroína”, aparentemente veio de Brasília para São Paulo para ser escritora. Mas, em vez de ralar pra conseguir os seus objetivos, Camila fica trocando de namorados e expondo suas intimidades num blog. Não trabalha, dá pra qualquer um (inclusive namorado de amiga), e ainda por cima reclama o tempo todo. Arrogante, mimada e infantil. Realmente, é difícil de aturá-la…

Além disso, Camila é incoerente: diz que não escreve para ser lida. Mas então por que publica os textos num blog? Se não pra outra pessoa ler, guarde seu diário no bolso!

Pior é que se a gente pensar, conhecemos pessoas assim à nossa volta…

A interpretação de Leandra Leal é o que o filme tem de melhor. Ela está realmente impressionante: mostrando todas as fraquezas de Camila, se despindo física e psicologicamente para as lentes do diretor Murilo Salles.

Pela sua temática, é um filme atual, com essa onda de superexposição de pessoas sem nada a dizer, bem “Big Brother”. Veja o filme pela Leandra, e esqueça a Camila…

Quem sou heu!

Desde que me entendo por gente, sou fã de cinema. No início dos anos 80, quando ainda era criança (dos 8 aos 14 anos), morei em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Eram só dois cinemas na cidade! E me lembro que, diferente do Rio, eram duas vezes por semana os dias de novas estréias – me lembro que tive que correr pra ver No Limite da Realidade (Twilight Zone), porque ficou apenas 3 dias em cartaz!

No fim de 85, me mudei pra Botafogo, no Rio. E tinha um cinema fechado, em obras, ao lado da minha casa. Que reinaugurou logo depois, e que, ao longo dos anos, mudou a história do cinema no Brasil. O nome do novo cinema? Cineclube Estação Botafogo.

Um pequeno parênteses pra quem não é do Rio. Quem for carioca e cinéfilo, pule pro próximo parágrafo. Quando o Estação Botafogo abriu, era um cinema com perfil cineclubista. Filmes alternativos, mostras, filmes fora de cartaz… E o negócio deu certo, e aos poucos eles começaram a administrar outras salas de projeção na cidade, e crescer pela cidade. Me lembro que, nos anos 90, o grupo Estação tinha 3 salas, cada uma ícone cinematográfico de uma década: era o Estação Cinema 1, ocupando o Cinema 1, em Copacabana, símbolo dos anos 60; Estação Paissandu, no Flamengo, onde fora o Paissandu, símbolo dos anos 70; e o próprio Estação Botafogo, dos anos 80… Hoje o Estação é um símbolo cultural no Rio.

Vivi muita coisa importante dentro do Estação. Lembro de mostras que duravam uma semana, passando sessões duplas, com dois filmes diferentes por dia. Era Isabelle Adjani numa semana, Copolla na semana seguinte… Vi no cinema muita coisa que a maioria das pessoas da minha idade não viu em tela grande (nasci em 71, tenho 37 anos), como O Fundo do Coração (Copolla); Dublê de Corpo (Brian DePalma); Blade Runner (Ridley Scott); Fome de Viver (Tony Scott); Barry Lyndon (Kubrick); Veludo Azul (David Lynch); vi uma das históricas sessões à meia noite de The Rocky Horror Picture Show; vi muita coisa de Irmãos Marx, Buñuel, conheci Goddard, Bergman, Fassbinder, Herzog, etc.; inclusive criei senso crítico pra conhecer o trabalho e não gostar de certos ícones, como Wim Wenders e Peter Greenaway…

Como acompanhei de perto tudo o que acontecia nas telas, me lembro claramente de momentos ainda desconhecidos de diretores hoje consagrados. Vi Cães de Aluguel antes do mundo saber quem era Tarantino; ri vendo El Mariachi, sem saber que o Robert Rodriguez se tornaria um gênio; via filmes chineses como The Killer, e guardando os nomes de gente como John Woo e Chow Yun Fat; achei genial Delicatessen, e acho graça hoje quando vejo o frisson em volta de Amèlie Poulan; vi num festival um filme novo de um promissor diretor neo zelandês, um tal de Brain Dead, de um tal de Peter Jackson; vi em espanhol, sem legendas, Ação Mutante, trash de Alex de la Iglesia; curti Subway, do “novo cinema francês” nos anos 80; curti o visual despojado de O Balconista, de um ainda desconhecido Kevin Smith…

Além do cinema Estação, ainda rolavam os festivais! Antes, havia o Fest Rio. Quando o Fest Rio acabou, a galera do Estação criou um festival no mesmo molde, que funcionou ainda melhor. Ainda rola até hoje, é chamado Festival do Rio, acho que, ao lado da Mostra Internacional de São Paulo, é um dos maiores eventos cinematográficos do Brasil… Nos festivais, vi muita coisa legal, como esbarrar com o Roger Corman durante um festival trash; ou ver uma sessão de Flesh com o Paul Morrissey presente (aliás, que filme ruim!).

Outra coisa importante foi o VHS. Com o aquecimento de mercado de videocassete, na segunda metade dos anos 80, vi muita coisa legal que antes só era possível através de cópias “alternativas”. E aproveitei pra acompanhar um estilo que eu particularmente gosto muito: terror! John Carpenter, Sam Raimi, George Romero, Cronemberg, tinha muita gente boa… E hoje me divirto vendo o Bruce Campbell fazendo pontas nos filmes do Homem Aranha – e quase ninguém entende porque me divirto…

De 91 a 96, estudei na Escola de Comunicação da UFRJ. Nesta época, eu já tinha uma cultura cinematográfica bem variada, curtindo de filmes trash a filmes cabeça; de clássicos a blockbusters. E, em 96, terminada a faculdade, realizei um sonho: abri uma vídeolocadora!

Tentei segmentar a locadora para um público alternativo. Inclusive no nome da locadora: Pulp Vídeo. Foi uma época curiosa, entrava um cliente novo, comentava “legal, você tem Um dia, um gato”, pra depois perguntar se tinha chegado o novo do Schwarzenegger … Pena que a época era ruim, a TV a cabo estava chegando no Rio, e o movimento de aluguel de filmes caiu drasticamente… Só consegui ficar dois anos, depois fui obrigado a fechar as portas…

Desde a época da locadora, peguei a mania de colecionar filmes. Ainda tenho um monte de fitas VHS originais em casa, filmes que nunca foram lançados no mercado brasileiro. E, com os recentes preços de DVDs, tenho comprado muita coisa… Já devo ter mais de 800 DVDs originais!

Quem leu até agora deve pensar que minha vida é só cinema… Mas, na verdade, sou músico, toco piano e teclado. Gosto muito de rock’n’roll anos 70 e, como vivi a época, conheço e curto muito os anos 80. Aliás, gosto bastante de rock nacional anos 80. Sou um dos fundadores da banda Perdidos na Selva, cover de rock nacional. E. ultimamente, acho que estou virando um colecionador de teclados…

E, além de cinema e música, ainda jogo no mesmo liquidificador séries de TV, algo de quadrinhos (sou fã de Bill Waterson, Goscinny & Uderzo, Carl Barks, além dos Piratas do Tietê do Laerte), resquícios da “infância 80”; e tudo mais o que conseguir como referências culturais. Bonecos de Asterix & Obelix, Animaniacs, Cartman e Kenny, não me fazem um colecionador de “action figures”, mas enfeitam a minha sala, juntamente com um Darth Vader de 12”, acompanhado por Palpatine e Bobba Fett!

Esse sou heu!