Tenet

Crítica – Tenet

Sinopse (imdb) – Armado com apenas uma palavra, Tenet, e lutando pela sobrevivência do mundo inteiro, um Protagonista viaja por um mundo crepuscular de espionagem internacional em uma missão que se desdobrará em algo além do tempo real.

O filme mais aguardado do ano!

Calma, explico. Tenet pode tranquilamente usar o apelido “o lançamento mais aguardado do ano”. Dos grandes lançamentos previstos para 2020 – todos adiados por causa da pandemia – foi o único que até agora resolveu encarar as salas de cinema. Então, de um modo geral, é o filme que simboliza a volta das salas de cinema, depois de sete meses fechados.

Tenet (idem, no original) é o novo projeto de Christopher Nolan. E quem conhece a sua filmografia sabe que um filme desses perde muito se visto numa tela de tv, dentro de um streaming. Tenet é cinemão, pra ser visto numa tela enorme. Por mais que isso seja perigoso nos dias de hoje. Vou voltar a esse assunto mais abaixo, agora vamos ao filme.

Vamos primeiro ao que funcionou. O cinema precisa de gente que nem Christopher Nolan. Tem uma cena onde um avião explode num hangar. O avião era real, a produção comprou um avião para ser destruído! Quase todos os efeitos especiais são efeitos práticos, Nolan não gosta de usar CGI. Outro dia comentei como as cenas de carros eram fracas em Invasão Zumbi 2, aqui é o oposto. Carros reais sendo filmados aparecem muito melhor na tela (e a cena de perseguição de carros de Tenet é de tirar o fôlego!). E isso funciona muito melhor numa tela grande. A sessão de imprensa foi na sala Imax, e Tenet ocupa toda a tela!

Tenet trabalha com viagem no tempo, mas diferente do que o cinema costuma apresentar. Vemos um “tempo reverso” – a pessoa anda pra frente enquanto tudo em volta anda ao contrário. Coerente com as ideias malucas de Nolan: Amnésia tem uma história que vai de trás pra frente; Interestelar,  Inception e Dunkirk têm linhas temporais paralelas que se desenvolvem em tempos diferentes.

Esse novo conceito traz cenas onde temos ao mesmo tempo alguns personagens no “tempo normal” e outros no “tempo reverso”. E algumas cenas assim são muito boas! Ok, fica confuso, é difícil de entender tudo, mas… Dá vontade de rever!

Ah, claro, esqueci de dizer: a fotografia é fantástica, e as locações idem. Tenet é um espetáculo visual sob todos os aspectos.

Agora, não gostei de vários pontos do roteiro. Várias coisas são explicadas (coisa comum em se falando de Nolan), mas coisas básicas ficam no ar – tipo quem são essas pessoas, o que é um “tenet”? Não seria legal a gente conhecer uma agência que recrutasse “agentes temporais”? Porque vemos personagens que não sabemos quem são e de onde vem, e, principalmente, quem está bancando financeiramente.

Além disso, a motivação de alguns personagens não convenceu ninguém. Por exemplo, por que o Protagonista (sim, esse é o nome do personagem) tinha tanto interesse na Kat? Isso dentre outros casos que não vou falar por causa de spoilers. O fato é: temos uma história confusa, com personagens que não convencem.

Tem um outro detalhe, mas isso é algo pessoal, que já me incomodou em outros filmes do Nolan. Em Inception, é estabelecida uma rígida regra de tempo – dentro do sonho, o tempo se passa x mais devagar, então se é sonho dentro do sonho, fica 2x mais devagar. Isso me incomodou porque um sonho não é algo “matemático”, não tem como controlar o tempo assim. E isso acontece aqui, as regras propostas pelo filme me soaram forçadas.

No elenco, acho que só se salva o Robert Pattinson (por incrível que pareça). John David Washington, que estava bem em Infiltrado na Klan, tem um Protagonista com falta de carisma. Kenneth Branagh faz um vilão russo caricato, que lembrou o vilão russo caricato que ele fez em Operação Sombra – Jack Ryan. Elizabeth Debicki não está mal, mas o seu personagem é outro ponto forçado no roteiro – por que ela é tão importante? Ainda no elenco, Clémence Poésy, Dimple Kapadia, Aaron Taylor-Johnson, Himesh Patel, Martin Donovan, e uma ponta de Michael Caine, figurinha recorrente nos filmes do Nolan.

Mas, mesmo com esses pontos negativos, achei o saldo positivo. É sempre bom ver um “filmão” como esses, e foi bem agradável voltar a uma sala de cinema sete meses depois, mesmo com todas as restrições.

Antes de acabar meu texto, preciso falar do “novo normal no cinema”. A cada três poltronas, duas estão bloqueadas. Todos ficam de máscara durante toda a permanência dentro da sala. O UCI anunciou antes de começar a sessão um sistema de ionização dos dutos de ar condicionado, um processo que ajuda a eliminar boa parte dos microorganismos dos ambientes climatizados (tecnologia usada na área de saúde – como em ambulatórios e centros cirúrgicos).

Ir ao cinema é um programa 100% seguro? Não, não é. Mas me pareceu mais seguro do que boa parte das coisas que já estão liberadas há meses.

Cuidem-se!

Enola Holmes

Crítica – Enola Holmes

Sinopse (imdb): Quando Enola Holmes – a irmã adolescente de Sherlock – descobre que sua mãe está desaparecida, ela sai para encontrá-la, tornando-se uma super-detetive por conta própria enquanto supera seu famoso irmão e desvenda uma perigosa conspiração em torno de um misterioso jovem lorde.

Produção da Netflix, Enola Holmes (idem no original) é a adaptação do livro Os Mistérios de Enola Holmes – O Caso do Marquês Desaparecido, primeiro volume de uma série de seis livros (até agora), escritos por Nancy Springer. Com a Millie Bobby Brown (a Eleven de Stranger Things) no papel título (e também na produção), a Netflix tenta emplacar uma nova franquia infanto juvenil.

Vamos primeiro ao que funcionou no filme dirigido por Harry Bradbeer, que tem um monte de séries de TV mas poucos filmes no currículo. Enola Holmes tem um bom ritmo, e cumpre o que se propõe: é um filme divertido. A reconstituição de época também está boa (mesmo abusando dos efeitos digitais), e o filme traz questões sociais importantes sem soar didático.

E precisamos falar de Millie Bobby Brown: ela é jovem, bonita, talentosa e carismática. É agradável vê-la na tela, e ela aparenta estar bem à vontade com a personagem. Henry Cavill, um dos dois maiores nomes do elenco, aparece bem como um Sherlock coadjuvante. Não gostei muito do outro grande nome, Helena Bonham Carter, mas não pela atriz e sim pela personagem – as motivações para o sumiço dela não me convenceram. Sam Claflin e Louis Partridge também estão bem.

Mas, vamos ao que me incomodou. O filme é da Enola “Holmes”, que é irmã do Sherlock. Quem vai ver uma história do Sherlock quer ver mais dedução. Tive a impressão que, se a protagonista tivesse outro sobrenome, o filme poderia ser o mesmo.

Outra coisa: o recurso da quebra da quarta parede me cansou. Ok, isso ajuda a aproximar a personagem do público, e cai bem numa produção infanto-juvenil. Mas aqui é o tempo todo! Na minha humilde opinião, podiam ter cortado algumas dessas cenas.

Mas o pior de tudo é que Enola Holmes é um filme esquecível. Conversei com amigos que tiveram a mesma impressão. Acaba o filme, e a gente esqueceu do que viu. Ok, existe espaço para diversões leves, mas o filme poderia ser mais memorável.

Mas parece que a recepção geral está boa. Então aguardem, devemos ter em breve mais um filme da Holmes adolescente.

Operação Zumbi 2

Crítica – Invasão Zumbi 2

Sinopse (imdb): Um vírus zumbi se espalhou nos últimos 4 anos por toda a Coreia do Sul. 4 coreanos em HK navegam através do bloqueio para Incheon por US $ 20 milhões em um caminhão.

Lançado em 2016, o primeiro Invasão Zumbi foi talvez a única obra audiovisual de qualidade nesse saturado subgênero “zumbi” na última década. Isso era o suficiente pra arriscar essa continuação.

Dirigido pelo mesmo Yeon Sang-ho que dirigiu o primeiro, Invasão Zumbi 2 (Train to Busan 2, no original) não chega a ser ruim. Mas é bem inferior ao primeiro. Este segundo “trem pro busão” é apenas mais um filme de zumbis.

Algumas coisas funcionam. Gostei da história ter seguido em frente e da ideia do “vírus zumbi” estar fechado dentro das fronteiras da Coreia do Sul – a geografia do país ajudou nesse “plot”, a Coreia do Sul é uma península que só tem fronteira com a Coreia do Norte, que é um dos países mais fechados do mundo. Assim temos um mundo que seguiu na normalidade enquanto (aparentemente) apenas um país está arruinado pelo seu “apocalipse zumbi particular”.

Mas tem umas coisas toscas demais. Aquelas perseguições de carro são péssimas, tanto pelo lado técnico (o cgi parece um videogame antigo), quanto pela história em si (se está tudo detonado em volta, como as ruas estão tão limpas?). E aquele final parece uma versão barata de Mad Max.

Vale pros fãs. Mas o primeiro é bem melhor.

Palm Springs

Crítica – Palm Springs

Sinopse (imdb): Quando o despreocupado Nyles e a relutante dama de honra Sarah têm um encontro casual em um casamento em Palm Springs, as coisas ficam complicadas, pois eles não conseguem escapar do local, de si mesmos ou um do outro.

Ok, a gente já viu algumas vezes esse formato “Feitiço do Tempo”, onde os personagens ficam presos num loop temporal e vivem de novo o mesmo dia várias vezes. Não é novidade, mas já gerou bons filmes – A Morte te Dá Parabéns, No Limite do Amanhã, lembro até de um episódio de Supernatural. Será que tem fôlego pra mais uma versão, agora voltando à comédia romântica?

Estreia em longas do diretor Max Barbakow, Palm Springs (idem no original) é isso: uma ideia requentada, mas mesmo assim um filme bem divertido. O filme sabe que não é novidade e não engana o espectador, o roteiro brinca com os clichês do estilo. Diversão leve e despretensiosa por uma hora e meia de projeção.

O elenco ajuda, Andy Samberg e Cristin Milioti mostram boa química e parecem se divertir junto com a gente. E ainda tem J.K. Simmons e Peter Gallagher como coadjuvantes de luxo!

Ontem falei aqui de A Vastidão da Noite, um filme distribuído pela Amazon; Palm Springs foi distribuído pela Hulu. Ainda sem cinemas, vamos de streaming!

A Vastidão da Noite

Crítica – A Vastidão da Noite

Sinopse (imdb): Uma noite no Novo México, no final dos anos 1950, uma operadora de mesa telefônica e um DJ de rádio descobrem uma estranha frequência de áudio que pode mudar o futuro para sempre.

Como quem não quer nada, surge um provável futuro clássico da ficção científica.

A Vastidão da Noite (The Vast Of Night, no original) é um projeto de Andrew Patterson – que escreveu, produziu, dirigiu e editou (e pelo que li por aí, fez ainda mais coisas, sob pseudônimos). Com pouco orçamento em mãos, Patterson entregou um filme enxuto, poucos personagens, poucas locações, tudo se passa durante um jogo de basquete. E, principalmente, um filme onde quase tudo funciona direitinho.

Ok, tem gente que reclamou que o diálogo inicial é muito longo. Concordo, podia ser um pouco menor. E tem gente que reclama que parece um episódio esticado de Twilight Zone, mas aí acho que foi proposital, a influência é clara desde o início do filme. A Vastidão da Noite não é unanimidade, mas, na minha humilde opinião, é bem acima da média.

Preciso falar do plano sequência! Tem um take que começa com a telefonista, passeia pela cidade inteira, anda por dentro do jogo de basquete e depois vai até o rádio. São vários minutos sem cortes aparentes (deve ter, mas emendado digitalmente). e isso num filme com pouco orçamento! Só esse plano já vale o filme!

O elenco se baseia basicamente em dois personagens, interpretados pelos desconhecidos Sierra McCormick e Jake Horowitz. Ambos mostram boa química e bom domínio dos personagens, com longos diálogos em takes com poucos cortes.

A Vastidão da Noite tem distribuição pela Amazon. Em tempos sem salas de cinema abertas, o cinema se reinventa!

Sky Sharks

Crítica – Sky Sharks

Sinopse (Cinefantasy): Nas profundezas da Antártida, uma equipe de geólogos descobre um antigo laboratório nazista que, surpreendentemente, permanece intacto. Nesse local, os alemães realizaram experimentos bizarros para conquistar o mundo, tendo criado tubarões mutantes com a capacidade de voar. Para montá-los, um grupo de nazistas também foram modificados geneticamente – ganhando uma aparência intimidadora. Pois esta terrível ameaça está de volta, e, para combatê-la, uma força-tarefa muito especial também será posta em ação: a “Dead Flesh Four”, equipe de soldados norte-americanos do Vietnã reanimados para defender o mundo da nova investida nazista. Nessa batalha, qual exército zumbi sairá vencedor?

Esqueça essa sinopse enorme aí em cima. É um filme sobre zumbis nazistas em tubarões voadores. Não tem muito mais o que falar. Porque, afinal, é um filme sobre zumbis nazistas em tubarões voadores!

Escrito, dirigido e produzido por Marc Fehse, Sky Sharks é uma ideia maluca que foi lançada num site de financiamento coletivo. Claro que a ideia era ser tudo absurdo. Os efeitos são toscos? São. As atuações são caricatas? São. Mas, devemos criticar um filme porque ele é o que se propõe a ser?

Pelo menos é divertido. Dispensável, esquecível, mas… divertido. Podia ter meia hora a menos, mas nada grave.

Se posso ser chato em uma única coisa, vou reclamar de um filme que se passa em 2020 e usa nazistas de oito décadas atrás. Por que não fazer um filme ambientado nos anos 70? Sei que a produção seria um pouco mais complicada, mas era só entrar no clima. Tosco por tosco, acho que ia ficar menos.

No elenco, duas curiosidades: Tony Todd (Candyman) e Amanda Bearse (A Hora do Espanto) têm papéis pequenos, através de telas de videoconferência. Aliás, tem outros nomes lado B de filmes de terror lado B, quem vê muitos filmes assim vai reconhecer um rosto aqui, outro ali. O trio principal é interpretado por Thomas Morris, Eva Habermann (Lexx) e Barbara Nedeljakova (O Albergue)

Mais um filme do Cinefantasy. Em breve deve aparecer junto com os Sharknados da vida.

p.s.: O nome do filme no festival era “Tubarões Voadores”. Bem que podia ter Arrigo Barnabé na trilha sonora. 😉

Na Pedreira / En El Pozo

Crítica – Na Pedreira / En El Pozo

Sinopse (Cinefantasy): Uma tarde de verão, uma pedreira abandonada, quatro amigos. Um thriller interpelante sobre violência de gênero.

Escrito e dirigido pelos irmãos Bernardo e Rafael Antonaccio, o uruguaio Na Pedreira (En El Pozo no original; In The Quarry em inglês) é um exemplo de que se pode fazer um bom filme com orçamento reduzido. Apenas quatro atores (Rafael Beltrán, Augusto Gordillo, Luis Pazos e Paula Silva), apenas um cenário, toda a trama se passa em um dia. E tudo funciona bem.

A trama é construída em cima da tensão entre os personagens por causa do ciúme de um deles – a namorada dele é amiga de infância dos outros dois. Na minha humilde opinião, seria ainda melhor se algumas coisas ficassem subentendidas no relacionamento do triângulo, mas mesmo assim gostei do desenvolvimento do roteiro. Curtinho, uma hora e vinte e dois minutos onde a gente nem tem vontade de ver o relógio.

Na Pedreira estava na programação do Cinefantasy. Não sei quando será lançado, nem por onde. Mas sugiro ficar de olho pra assistir quando estiver disponível!

O Cemitério das Almas Perdidas

Crítica – O Cemitério das Almas Perdidas

Sinopse (Cinefantasy): Corrompido pelo poder do livro negro de Cipriano, um jesuíta e seus seguidores iniciam um reinado de terror no Brasil colonial, até serem amaldiçoados a viver eternamente presos sob os túmulos de um cemitério.

Bora de filme novo do Rodrigo Aragão?

Quem me acompanha aqui no heuvi sabe que sou fã do Rodrigo Aragão, e consegui ver todos os seus filmes nos cinemas, em festivais (Mangue Negro numa mostra de terror nacional no CCBB; A Noite do Chupacabras no RioFan; Mar Negro no Festival do Rio; Fábulas Negras no Grotesc-O-Vision; e Mata Negra no Rio Fantastik). Mas, 2020, pandemia, agora os festivais são diferentes. O Cemitério das Almas Perdidas estava na programação do Cinefantasy. Por um lado, notícia ruim, não vi num cinema. Por outro lado, notícia boa: assinei um serviço de streaming que tinha o Cinefantasy na grade. Consegui ver o filme, mesmo não morando na mesma cidade onde o festival foi sediado!

Vamos ao filme. O Cemitério das Almas Perdidas é o projeto mais ambicioso da carreira de Aragão – e seu maior orçamento até hoje. O filme corre em duas linhas temporais diferentes, e uma delas traz padres jesuítas lutando contra índios no Brasil colonial – e tudo flui muito bem. Se os filmes citados anteriormente têm um pé fortemente fincado no trash, isso não acontece aqui. O Cemitério das Almas Perdidas é um filme sério e tenso.

Não me lembro de nenhum filme fantástico nacional com essa qualidade. A maquiagem sempre foi um dos destaques nos filmes do Rodrigo Aragão, mas aqui, além da maquiagem, também temos destaques nos cenários e figurinos. A direção de arte e a fotografia são excelentes. Se O Cemitério das Almas Perdidas fosse um filme europeu, ou se fosse uma produção da A24 (Hereditário, A Bruxa), seria um filme cultuado e premiado mundo afora.

A ideia era lançar o filme no circuito no segundo semestre deste ano. Mas, com a pandemia, não existem mais lançamentos no cinema. Pena. Que O Cemitério das Almas Perdidas ganhe uma oportunidade nas telas grandes no futuro próximo. O cinema nacional de terror agradeceria!

The Old Guard

Crítica – The Old Guard

Sinopse (imdb): Uma equipe secreta de mercenários imortais é subitamente exposta e agora deve lutar para manter sua identidade em segredo, assim como um novo membro inesperado é descoberto.

Oba! Charlize Theron de volta aos filmes de ação!

Atômica foi um grande filme. Boa ambientação, boa trilha sonora, boa fotografia – e o melhor: Charlize Theron, linda linda linda, saindo na porrada de maneira poucos vezes vista nas telas do cinema.

Mas Charlize é uma grande atriz, uma das melhores de sua geração. Sua carreira não se resumiria a filmes de ação a partir daquele momento. Ela engordou 22 kg e foi fazer uma mãe frustrada em Tully. Trabalho físico impressionante, pena que o filme é fraco.

Mostrando que realmente tem domínio do corpo (como fez Christian Bale na época dos Batman e O Operário e O Vencedor), Charlize volta mostrar que está em forma. E que forma!

Mas vamos ao filme. Dirigido por Gina Prince-Bythewood, The Old Guard (sem título em português) é uma adaptação dos quadrinhos homônimos de Greg Rucka. Não li os quadrinhos, mas, pelo filme, parece uma atualização do tema Highlander – “guerreiros imortais nos dias de hoje”. Porque hoje em dia aquela trama do Highlander não convence muito, né? Imortais que precisam se encontrar no mundo novo e duelar até sobrar um… Aqui temos “highlanders” que lutam para salvar a humanidade. Mais coerente com o século XXI.

A Netflix não costuma ter boas produções próprias, me parece que o foco é mais na quantidade que na qualidade. Mas, para sorte do espectador, acertaram desta vez (como também acertaram com o indonésio A Noite Nos Persegue). The Old Guard é bem acima da média das produções Netflix.

Nem tudo é perfeito. Achei o vilão caricatural demais, e algumas mudanças de comportamento de certos personagens não me convenceram, pareceram mais tentativas forçadas de plot twists. Por outro lado, algumas das lutas são muito boas. Na parte final, temos uma sequência onde todo o time de imortais luta quase como se coreografados (o que seria coerente com a experiência do grupo).

Além da Charlize, o elenco conta com KiKi Layne, Matthias Schoenaerts, Chiwetel Ejiofor, Marwan Kenzari e Luca Marinelli. Harry Melling faz o vilão caricato.

No fim, a trama abre pra uma série. Por um lado, legal, porque temos vontade de ver mais desse grupo, principalmente em outras épocas. Por outro lado, a chance de desgaste é grande (olha o fantasma do Highlander assombrando…).

Becky

Crítica – Becky

Sinopse (imdb): O fim de semana de uma adolescente em uma casa no lago com seu pai piora quando um grupo de condenados causa estragos em suas vidas.

Filme de vingança protagonizado por mulher não é novidade. Mas protagonizado por mulher adolescente, taí, não me lembro de nenhum outro.

Ok, Becky não é exatamente um exemplo de criatividade. O roteiro é previsível e traz os clichês de sempre. Mas a forma como o filme é contado vale o ingresso. Os diretores Jonathan Milott e Cary Murnion mostram boas ideias, como os raccords no início do filme comparando a escola com a prisão. E a violência é crível, apesar de estarmos falando de uma adolescente contra adultos grandes e fortes. Aliás, é bom avisar: Becky é bem violento.

O elenco é um dos chamarizes do filme. A protagonista é Lulu Wilson, que apesar da pouca idade, já tem alguma carreira no cinema fantástico (além da série A Maldição da Residência Hill, ela teve papéis em filmes com subtítulos coincidentemente parecidos, Livrai-nos do Mal, Ouija: Origem do Mal e Annabelle 2: A Criação do Mal). Kevin James, famoso por comédias bobonas ao lado do Adam Sandler, faz um vilão pela primeira vez, e, olha, não é que o cara manda bem? Ainda no elenco, Joel McHale, Robert Maillet e Amanda Brugel.

Becky não é um filme “obrigatório”, mas vai agradar os fãs do estilo.