Top 10: Melhores Filmes de 2020

Top 10 – Melhores Filmes de 2020

Arriscaria a dizer que, desde que acompanho cinema, 2020 foi o pior ano pra indústria cinematográfica de um modo geral. Tenho este site há mais de dez anos, e há alguns anos frequento (frequentava) sessões de imprensa quase todas as semanas.

E este ano a gente viu os cinemas fecharem, e vários lançamentos foram alterados. Teve filme adiado pro ano que vem, teve filme lançado no streaming… Fica difícil montar um top 10 assim, mas, vambora!

Antes, queria falar que vou alterar duas regras. Uma delas é que normalmente o filme é do ano, ou foi lançado aqui no ano, se não entra numa menção honrosa. O mesmo quando vejo um filme num festival e ele não está acessível para todos, também entra como menção honrosa. Mas este ano temos menos opções, tem dois filmes nessas condições que entraram.

Vamos aos filmes?

10- A Noite nos Persegue
O top 10 começa com um filme que seria menção honrosa, porque é um filme de 2018, mas que heu só soube este ano que ele existia. Se fosse de 2020, certamente estaria numa posição melhor. Quem me conhece sabe que gosto de uma violência bem filmadas, e que gosto do cinema indonésio de ação porque eles fazem isso muito bem. Se o Gareth Evans tá no ocidente filmando Gangs of London, ficamos com o Timo Tjajanto e sua nova saga do submundo asiático.

9- O Resgate
Se a gente tivesse mais lançamentos, talvez O Resgate não entrasse, mas apareceu uma vaga, vem pra cá! O filme em si não é nada de mais, um mercenário entra em Bangladesh pra resgatar o filho de um traficante indiano, e dá tudo errado. Mas tem uma sequência que me lembrou Atômica, um plano sequência com perseguição de carro, perseguição a pé, tiroteio, porrada – claro que a gente sabe que teve cortes, mas valorizo mesmo assim. Por essa sequência, O Resgate merece o lugar.

8- Run
Em 2018, Aneesh Chaganty nos presenteou com Buscando, um suspense de baixo orçamento, mas com tudo redondinho na tela. Run é seu filme novo, também de baixo orçamento. Não tão brilhante como Buscando, mas ainda um belo filme, com duas atrizes inspiradíssimas, Sarah Paulson e Kiera Allen.

7- Tenet
Ok, Tenet tem seus problemas, mas, admito que adoro um cinemão bem filmado. E ninguém pode dizer que Tenet não é isso. Christopher Nolan sabe apresentar um belo espetáculo visual. E aquelas sequências parcialmente com o tempo invertido são muito muito bem filmadas.
Um dos únicos dois da lista que vi nos cinemas este ano… 🙁

6- Os 7 de Chicago
Filme de tribunal muito bem escrito, roteiro e direção de Aaron Sorkin, com um elenco maravilhoso: Sacha Baron Cohen, Eddie Redmayne, Joseph Gordon Levitt, Frank Langella, Mark Rylance, Michael Keaton, todos bem. A condução da história é muito boa, e todos os personagens são bem escritos, fora a reconstituição de época perfeita. Um pouco cansativo, mas um filmaço.

5- Magnatas do Crime
Gostei de ter visto Guy Ritchie de volta ao submundo do crime cool e moderninho (os dois últimos dele foram Aladdin e Rei Arthur). Violência estilizada, personagens exóticos, bons diálogos, boa edição. Além de ter um elenco ótimo, Matthew McConaughey, Hugh Grant, Charlie Hunnam, Colin Farrell, Jeremy Strong, etc.

4- Soul
Finalmente conseguimos ver o novo Pixar. Se Onward não agradou a todos, Soul trouxe uma trama na onda de Divertidamente, mostrando um mundo paralelo ao nosso, com personagens muito bem construídos, e com a tradicional mistura de momentos engraçados e aqueles outros pra emocionar o espectador. E digo mais: acho que nunca vi um pianista de desenho animado tocar de maneira tão perfeita!

3- A Vastidão da Noite
Uma pequena pérola surgiu no streaming da Amazon, aproveitando que não tínhamos mais salas abertas. A Vastidão da Noite é um projeto de Andrew Patterson – que escreveu, produziu, dirigiu e editou. Um filme enxuto, com orçamento reduzido, poucos personagens, poucas locações, tudo se passa durante um jogo de basquete. E, de quebra, um plano sequência de vários minutos sem cortes aparentes, mostrando toda a cidade.

2- O Cemitério das Almas Perdidas
Este é o outro filme que talvez estivesse numa menção honrosa, porque ele não está disponível para todos, vi num festival online. Mas não posso deixar de lado o novo Rodrigo Aragão, que talvez seja o melhor filme de terror já feito no Brasil. Um terror sério e tenso, com destaque na maquiagem, figurinos e cenários, onde vemos padres jesuítas lutando contra índios no Brasil colonial. Queremos O Cemitério das Almas Perdidas no circuitão em 2021!

1- 1917
E o primeiro lugar vai pra um filme que vi no cinema, antes de tudo fechar! Lembro quando ouvi num programa de rádio que tinha um filme de guerra em plano sequência. Como assim??? Como fazer um filme de guerra sem cortes? E logo marcaram a sessão de imprensa, e saí do cinema embasbacado com o que tinha acabado de ver. Em 6 de abril de 1917, dois soldados saem em uma missão, e tudo acontece em tempo real, sem cortes aparentes. Um espetáculo cinematográfico pra ser visto e revisto!

Fatman / Entre Armas e Brinquedos

Crítica – Fatman / Entre Armas e Brinquedos

Sinopse (imdb): Um Papai Noel nada ortodoxo está lutando para salvar seu negócio em declínio. Enquanto isso, Billy, um garoto de 12 anos, negligenciado e precoce, contrata um assassino para matar o Papai Noel depois de receber um pedaço de carvão em sua meia.

Vamos por partes. Antes de tudo, não é pra levar a sério um filme que coloca um Papai Noel como se fosse um empresário, e um assassino profissional querendo caçá-lo, né? Vou comentar o filme tendo isso em mente.

Entre Armas e Brinquedos (Fatman, no original) é um filme de natal diferente, só isso já é motivo pra gente dar um crédito. Pena que nem tudo funciona.

Gostei do personagem do Papai Noel. Não explica o que ele é – e nem precisa explicar, a gente apenas sabe que ele é “diferente”. O mesmo digo sobre os duendes e suas características peculiares. Todo esse universo da oficina do Papai Noel, adaptado pro mundo de hoje, foi muito bem retratado.

Isso posto, digo que todo aquele plot dos militares foi completamente inútil. Tire os militares, o filme segue igual. Pra que introduzir um elemento que só vai complicar, e não vai agregar nada?

Pra piorar, a trama principal do filme, que é o assassino profissional, é menos interessante que esse universo do Papai Noel no século XXI. Será que dava pra deixar essa trama de lado e focar na outra?

Sobre o elenco, não gostei do garoto, mas gostei dos dois principais. Adorei o Papai Noel do Mel Gibson, um cara sério e sisudo, e ao mesmo tempo com um olhar que transmite segurança e carinho. Walton Goggins (Os Oito Odiados) também está bem, mas o nome do filme é o Mel Gibson.

No fim, fica a sensação de uma boa ideia que se perdeu. Pena.

Mulher-Maravilha 1984

Crítica – Mulher-Maravilha 1984

Sinopse imdb: Fast Forward para a década de 1980, quando a próxima aventura da Mulher Maravilha no cinema a encontra enfrentando dois novos inimigos: Max Lord e Mulher Leopardo.

Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984, no original) é o segundo grande lançamento cinematográfico pós covid – depois de Tenet. E Mulher-Maravilha 1984 vai sofrer com os mesmos problemas. Assim como Tenet, Mulher-Maravilha 1984 é filme pra ser visto nos cinemas, na tela grande. E boa parte do público ainda não voltou pros cinemas. Ou seja, vai ser mais um prejuízo.

Mas, vamos ao filme. Mulher-Maravilha 1984 tem alguns bons momentos, alguns momentos excelentes, mas nem tudo funciona. Achei o final péssimo.

Vamos ao que funciona. A direção é da mesma Patty Jenkins que dirigiu o primeiro, acho isso algo positivo, não tem alguém diferente tentando “consertar” alguma coisa. A reconstituição de época está ótima. Às vezes parece meio caricato, mas, poxa, os anos 80 foram caricatos. Heu sei porque heu vivi aquilo! (Nasci em 71, em 84 tinha 13 anos).

Algumas sequências são ótimas, como a que abre o filme, com a Mulher Maravilha ainda criança, ou a perseguição de carros. Não vou entrar em spoilers, mas tem um elemento que tinha no desenho animado da Liga da Justiça que aparece aqui, e o modo como apresentaram isso foi muito muito legal.

Gal Gadot é bonita, é carismática, e ainda é boa atriz. Vê-la na tela é um prazer. Chris Pine funciona bem ao lado dela, a química é boa. E os dois vilões são interpretados por dois atores inspirados: Kristen Wiig e Pedro Pascal (Hoje um nome hypado por causa de Mandalorian).

Agora… O personagem do Pedro Pascal é bom, mas não gostei nem um pouco da solução que deram pra ele. Tudo ficou exagerado e inverossímil. Mais uma vez não vou entrar em spoilers, mas, se o fim do primeiro filme já não é lá grandes coisas, esse aqui é ainda pior.

Mulher-Maravilha 1984 está nos cinemas. É um filme para ver no telão. Mas, lembrem-se: ainda estamos na pandemia! Se cuidem!

Run

Crítica – Run

Sinopse (imdb): Uma adolescente que estuda em casa começa a suspeitar que sua mãe está escondendo dela um segredo sombrio.

Quando vi quem era o diretor deste novo filme da Hulu, corri pra ver (sem trocadilhos). Run foi escrito e dirigido por Aneesh Chaganty, o mesmo de Buscando…, uma das melhores surpresas cinematográficas de 2018 – um filme de diretor estreante e orçamento modesto, onde tudo se passa através de uma tela de computador, numa variação do estilo found footage (com navegação pela internet, google, youtube, facebook, twitter, interações com aplicativos de chat com imagens ao vivo, além de noticiários de tv e vídeos de câmeras de segurança). E o melhor de tudo: o resultado ficou excelente!

Agora, em Run, Chaganty, mais uma vez com uma produção modesta, com elenco reduzido e poucas locações, consegue fazer um suspense de fazer o espectador se contorcer na poltrona. A trama pode não ser exatamente algo novo (é até um pouco previsível), mas o modo como Chaganty apresenta a história vale o ingresso.

Chaganty não esconde de ninguém a influência / homenagem a Stephen King. Não só a cidade fictícia Derry é citada (cidade onde várias histórias do Stephen King se passam, como It), como a atendente da farmácia se chama Kathy Bates. Se o clima aqui é parecido com Louca Obsessão, nada mais justo que deixar isso explícito e ter um personagem com o nome da atriz principal do outro filme. Assim ninguém reclama que é plágio!

Precisamos falar das duas atrizes principais. A mãe é a Sarah Paulson, atriz reconhecida por vários filmes e séries – o curioso é que ela sempre me lembra a série Studio 60 on the Sunset Strip, que era uma série bem legal, que só teve uma temporada, que mostrava os bastidores de um programa tipo Saturday Night Live, e que acho que ninguém mais viu. Já a filha é a estreante Kiera Allen, e que, assim como sua personagem, também é cadeirante na vida real. Chaganty quis escalar uma atriz com deficiência, afirmando que Hollywood raramente escolhe atores com deficiência para papéis assim. E ambas, tanto Sarah quanto Kiera, estão ótimas. Ambas dão show.

Como falei antes, se Run tem um problema é que não é uma novidade – li por aí que tem uma série que trata de um tema parecido, mas não vou deixar aqui qual série porque seria um spoiler. Mas, mesmo não sendo novidade, curti muito a viagem que Chaganty proporcionou, uma hora e meia de tensão bem filmada. E adorei a última cena! Sr. Chaganty, aguardamos seu terceiro filme!

Freaky – No Corpo de um Assassino

Crítica – Freaky – No Corpo de um Assassino

Sinopse (imdb): Depois de trocar de corpo com um assassino em série louco, uma jovem no colégio descobre que tem menos de 24 horas antes que a mudança se torne permanente.

Quem me acompanha sabe que não acho ruim quando um filme usa uma ideia reciclada, desde que seja um bom filme. E é o que temos aqui, com Freaky – No Corpo de um Assassino.

Freaky – No Corpo de um Assassino (Freaky, no original) é o filme novo do Christopher Landon, que já mostrou que sabe reciclar ideias. Em A Morte Te Dá Parabéns, ele pegou o conceito do Feitiço do Tempo, uma pessoa revivendo o mesmo dia todos os dias, e transformou em filme de terror slasher – e ainda desenvolveu a ideia pra outro caminho na continuação! (Aliás, pra quem curte esse conceito “dia da marmota”, falei de um filme assim outro dia, Palm Springs).

Agora ele pega o conceito de Sexta-Feira Muito Louca, aquela comédia onde a Jamie Lee Curtis e a Lindsay Lohan trocam de corpo, e transforma em um terror slasher. E ele não quer enganar ninguém, afinal o nome original do outro filme é Freaky Friday.

Falei que a ideia era válida desde que o filme fosse bom, né? E Christopher Landon nos entrega um filme divertido, com momentos cheios de gore e também momentos engraçadíssimos, boas atuações, e um monte de referências. Sim, é comédia e também é terror. Ou seja, Freaky é uma ótima pedida.

Não dá pra falar do filme sem falar das atuações. Vince Vaughn é um cara legal, mas até hoje sua atuação não tinha chamado a minha atenção, ele sempre parecia fazer o mesmo personagem. E aqui ele está hilário! Claro que este filme não tem o perfil de prêmios, mas, olha, a atuação dele merece indicações para melhor ator! A menina Kathryn Newton também está ótima – vi no imdb que já vi outros 5 filmes com ela, e ela nunca tinha me chamado a atenção (Pokémon – Detetive Pikachu, Três Anúncios para um Crime, Lady Bird, Atividade Paranormal 4 e Professora Sem Classe). O resto do elenco é de desconhecidos, exceto Alan Ruck, o eterno Cameron de Curtindo a Vida Adoidado, aqui fazendo um professor mal humorado.

Ah, as referências, quem me conhece sabe que gosto disso. O filme originalmente se chamaria “Freaky Friday the 13th” – além da referência ao Freaky Friday, o assassino no início usa uma máscara parecida com o Jason Vorhees em Sexta Feira 13. Mas tem mais: o sobrenome de um dos personagens é Strode, mesmo sobrenome da Jamie Lee Curtis em Halloween. E vi uma cabeça cheia de pregos, igual ao Pinhead. E deve ter mais, vou procurar quando rever.

Claro, vai ter gente reclamando que o filme é cheio de clichês, e que o roteiro é cheio de conveniências. É isso mesmo. Mas, não era esse o propósito do filme? Uma hora e quarenta de diversão, brincando com clichês? Quem não curtir é porque não comprou a ideia.

É comum um “epílogo” em filme de terror, com um novo perigo / susto. Gosto disso, mas aqui ficou forçado. Parece que a produção quis fazer um empoderamento feminino. Gosto de ver cenas com mulheres empoderadas, mas quando são bem feitas. Aqui ficou forçado. Não estraga o filme, mas seria melhor sem esses últimos minutos.

Christopher Landon disse que queria fazer uma franquia “Freaky Death Day”. Taí, quero ver mais!

Jiu Jitsu

Crítica – Jiu Jitsu

Sinopse do imdb: A cada seis anos, uma antiga ordem de lutadores de jiu-jitsu junta forças para combater uma raça feroz de invasores alienígenas. Mas quando um famoso herói de guerra é derrotado, o destino do planeta e da humanidade está em jogo.

Outro dia me mandaram o link de um trailer que parecia um plágio descarado de Predador, e com o Nicolas Cage no elenco. Claro que parecia ser ruim. Mas, olha,vou te falar que o filme me surpreendeu. É ainda pior!

Jiu Jitsu foi escrito, produzido e dirigido por um tal de Dimitri Logothetis, que nunca fez nada relevante na carreira, mas tem uns filmes de Kickboxer no currículo. O filme é tão ruim que nem sei por onde começar. Aliás, sei sim. Que tal a gente começar falando que é um filme que se chama Jiu Jitsu, mas não tem lutas jiu jitsu? Olha, não sou um expert em artes marciais, mas “acho”que jiu jitsu não tem chutes dando cambalhotas, nem usa espadas…

Mas, vamulá, vou citar 10 motivos porque Jiu Jitsu é ruim:

1- Antes de tudo, é um filme chato. Um filme de luta contra alienígenas pode ser ruim, mas não pode ser chato.

2- Como falei, não tem jiu jitsu.

3- Plágio. Galera, não dá. Predador é uma franquia conhecida, já tem pelo menos 4 filmes (além de dois Alien vs Predador). Não dá pra hoje, em 2020, dizer que um guerreiro alienígena vem pra Terra lutar e usa uma camuflagem que fica invisível. Não rola, ficou feio.

4- Roteiro. O roteiro de Jiu Jitsu é um lixo. Nada faz sentido. Quem são essas pessoas que lutam contra o Predador paraguaio? De onde elas são, por que elas estão lá, por que elas lutam? Nem no Globo Repórter teremos resposta!

5- Roteiro de novo. Por que dão importância a uma personagem na primeira metade do filme, e depois ela some? Dão a entender que ela vai ser importante, e do nada a personagem morre como se fosse um extra. Não via algo assim desde o Samuel L Jackson naquele filme (também ruim) de tubarões.

6 – Ainda o roteiro. Qual é o sentido daquele pseudo romance? Do nada o casal tá lá apaixonadão.

7- Efeitos especiais. Aqueles tazos que o Predador da Carreta Furacão joga são dos piores efeitos que vi no cinema nos últimos tempos. Além de não fazer sentido, o efeito é bem ruim.

8- Efeitos especiais de novo. Não é exclusividade de Jiu Jitsu, mas acho muito tosco quando colocam sangue em cgi. Qual é o problema de sujar o elenco com tinta vermelha? Nojinho?

9- Alívio cômico. Cara, o elenco inteiro é muito ruim, mas o personagem que faz o alívio cômico é péssimo!

10- Piano. POR QUE TEM UM PIANO NA “CAVERNA” DO NICOLAS CAGE???

Agora, o Nicolas Cage não me incomodou. Ele tá ruim? Tá. Mas todos estão. Não vou defender a carreira do Nicolas Cage, porque sei que de uns anos pra cá ele fez um monte de porcarias. Mas existe uma modinha de falar mal do Nicolas Cage. E nem tudo o que ele faz é ruim. Mandy, do ano passado, é bem legal, e A Cor que veio do espaço, deste ano, não é ruim.

Pra não dizer que nada se salva, gostei de um plano sequência de luta meio parkour, onde a câmera às vezes fica em POV, meio Hardcore Henry. Tiro porrada e bomba em plano sequência. Essa cena é tão bem filmada que destoa do resto do filme.

Enfim, lixo.

A Maldição da Mansão Bly

Crítica – A Maldição da Mansão Bly

Sinopse do imdb: Após a trágica morte de uma au pair, Henry contrata uma jovem babá americana para cuidar de sua sobrinha e sobrinho órfãos que moram na Mansão Bly com o chef Owen, a zeladora Jamie e a governanta Sra. Grose.

A Maldição da Mansão Bly é a segunda temporada de uma série, mas é uma segunda temporada atípica, porque não tem nada a ver com a primeira, que é A Maldição da Residência Hill. Por isso, antes de falar de Mansão Bly, vou falar um pouco de Residência Hill. E antes de falar da Residência Hill, preciso falar do seu criador, Mike Flanagan.

Vi quase todos os filmes do Mike Flanagan (só falta Ouija a Origem do Mal, preciso consertar isso). Pra ninguém dizer que sou modinha, olhem o que escrevi no heuvi em maio de 2012, quando vi Absentia: “Mike Flanagan, o tal diretor / roteirista / editor, conseguiu um resultado impressionante com o seu Absentia. Fiquemos de olho no nome de Mike Flanagan!”.

Mike Flanagan é um cara legal, talentoso, todos os filmes dele são legais, mas nenhum é “obrigatório”. Doutor Sono, continuação d’O Iluminado, é um filme legal, mas, caramba, não dá pra comparar com o filme do Kubrik! E gosto de Jogo Perigoso, O Espelho e Hush A Morte Ouve, mas são filmes “menores” (de todos os filmes dele, acho que só não gostei de O Sono da Morte). O Mike Flanagan é tipo um aluno que nunca tira 10, mas tá sempre tirando 7 e 8 – você sabe que vai ver algo de qualidade, mas falta um pouco pro cara ser um dos “grandes”.

Até que ele fez a Residência Hill, e finalmente ele tem um “dez”.

A Maldição da Residência Hill é simplesmente fantástico. A ambientação da casa, os personagens, o elenco, a trilha sonora, tudo funciona direitinho. Foi um dos melhores filmes (minissérie?) que vi ano passado. Digo mais: sou burro velho com relação a filmes de terror, e teve um jump scare que me pegou – o do carro. Digo mais de novo – tem um episódio em plano sequência!

Claro que fiquei empolgado com a “continuação”. As aspas são porque sim, é uma nova temporada, mas é uma história completamente diferente.

Residência Hill foi baseado no livro homônimo escrito por Shirley Jackson (que teve uma adaptação meia bomba em 99, chamada A Casa Amaldiçoada, do Jan de Bont e com a Catherine Zeta Jones, Liam Neeson, Lili Taylor e Owen Wilson) (Residência Hill é baseado, mas é uma história diferente da que tá no livro). A história fechou, não tem como continuar. Então, a A Maldição da Mansão Bly é outra adaptação, de outro livro, A Volta do Parafuso, de Henry James (que curiosamente teve outra adaptação, pros cinemas, lançada no início deste ano, o filme Os Orfãos – que é beeem fraco, e tem um final péééssimo).

Mansão Bly é uma história completamente diferente, mas tem pontos em comum com Residência Hill. Não só parte do elenco está de volta, como a produção consegue ter todo um clima parecido, apesar de serem mansões diferentes. Até a trilha sonora se repete!

Assim como Residência Hill, a linha temporal não é linear. E aqui tem um detalhe que achei bem legal – tem um flashback dentro de um flashback que é colocado no ponto certo da trama, e só naquele episódio, não precisa ficar indo e voltando.

O elenco traz 5 dos 8 nomes principais da Residência Hill. Victoria Pedretti, Oliver Jackson-Cohen e Henry Thomas estão entre os personagens principais; Carla Gugino é a narradora; Kate Siegel tem um papel menor, mas importante. (Pra quem não ligou o nome à pessoa, Henry Thomas é o garotinho do ET). De novidade, gostei muito da Amelia Eve, tanto da atriz quanto da personagem. Rahul Kohli, T’Nia Miller e Tahirah Sharif também estão bem. E ainda preciso falar das duas crianças, Amelie Bea Smith e Benjamin Evan Ainsworth. Os dois são muito bons. O garoto tem mudanças na personalidade (que são explicadas no roteiro), e o ator convence. E a menininha… Olha, vou te falar que se tem uma coisa que acho assustadora em filme de terror, é garotinha com sotaque britânico. Perfectly Splendid!

Agora, o fato de Mansão Bly ser continuação de Residência Hill é um problema. Porque achei Residência Hill bem melhor. Mansão Bly tem alguns momentos sonolentos. Li uma crítica que disse que Mansão Bly perde pontos por ser “menos terror”. Não gosto de me fechar em rótulos, pode ser terror, drama, comédia, aventura, desde que seja bom. E parece que o Mike Flanagan voltou pra média 7 ou 8.

Mesmo assim, é uma boa minissérie. E agora aguardemos a terceira temporada. Qual será o livro que vai ser adaptado?

Destruição Final – O Último Refúgio

Crítica – Destruição Final – O Último Refúgio

Sinopse (imdb): Uma família luta pela sobrevivência em face de um desastre natural cataclísmico.

Filmes catástrofe normalmente seguem uma fórmula padrão. Tem uma amostra da catástrofe, em menor escala, pra mostrar o que enfrentaremos. Aí cientistas aparecem com uma solução, que dá errado. Então, um cientista desacreditado traz uma ideia inusitada, que é executada por um herói improvável. E que acabam salvando o mundo – até o próximo filme catástrofe que vai usar a mesma fórmula.

Destruição Final – O Último Refúgio (Greenland, no original) não usa essa fórmula. Os protagonistas são pessoas comuns, que foram escolhidas para uma vaga num abrigo (o filme não explica se foi sorteio, se foi pelas habilidades, ou sei lá por que eles foram chamados, mas isso pouco importa). O fato é: não temos um herói. Os personagens são uma família tentando sobreviver.

Isso diferencia Destruição Final – O Último Refúgio dos outros. Em vez de enfrentar grandes destruições, nossos personagens enfrentam pessoas no limite. Porque, quando é um caso de sobrevivência, pessoas diferentes reagem de maneira diferente. Pode aflorar o seu melhor ou o seu pior.

Destruição Final – O Último Refúgio foi dirigido por Ric Roman Waugh – vi no imdb que ele tem mais créditos como dublê do que como ator. Ele dirigiu Invasão ao Serviço Secreto, terceiro filme da série, depois de Invasão a Casa Branca e Invasão a Londres – deve ter ficado amiguinho do Gerard Butler…

O elenco se concentra no núcleo familiar, pai, mãe e filho. Gerard Butler é um nome conhecido, e pode causar confusão pro espectador menos atento, porque há poucos anos ele estrelou Geostorm, outro filme catástrofe que o nome original é uma palavra que começa em G… Morena Baccarin é um nome em ascensão, ela é a namorada do Deadpool, e, pra quem não sabe, ela é brasileira, carioca, foi criança pros EUA e fez carreira lá. O menino Roger Dale Floyd estava em Doutor Sono, fez o Danny criança. Ainda tem um nome pra citar no elenco, que é o Scott Glenn, que faz o avô, que tem uma filmografia gigantesca, é aquele cara que você vai olhar e pensar “já vi em algum outro filme…”

Ah, preciso falar dos efeitos especiais – quem vai ver um filme catástrofe que ver cenas de destruição! As cenas de catástrofe não são muitas, o maior foco do filme é nas pessoas. Mas essas poucas cenas são boas, ninguém vai sair do cinema reclamando.

Destruição Final – O Último Refúgio não é o melhor filme catástrofe de todos os tempos, mas vai agradar quem se arriscar pra ir ao cinema.

Os Novos Mutantes

Crítica – Os Novos Mutantes

(Não, não vou falar da versão d’Os Mutantes sem a Rita Lee)

Sinopse (imdb): Cinco jovens mutantes, apenas descobrindo suas habilidades enquanto mantidos em uma instalação secreta contra sua vontade, lutam para escapar de seus pecados passados ​​e se salvar.

Finalmente estreou Os Novos Mutantes (The New Mutants, no original). E quando falo “finalmente”, não é porque heu estava aguardando ansiosamente, mas porque esse filme foi adiado diversas vezes. Já até tinha virado piada interna no Podcrastinadores, porque já citamos esse lançamento em alguns episódios de “expectativas pro ano que vem”.

Não fui procurar detalhes da produção, mas sei que a mesma passou vários problemas. Claro que isso refletiu no resultado que vemos na tela, infelizmente. Vamos primeiro ao filme, depois a gente fala um pouco sobre os percalços.

O diretor Josh Boone (A Culpa é das Estrelas) declarou que é o primeiro filme ao mesmo tempo de terror e super heróis. Achei boa a ideia, mas, não, não é a primeira vez. Sem precisar de muito esforço me lembro de Brightburn, que era uma versão terror do Superman.

A proposta era um filme de terror paralelo ao universo dos X-Men (que são citados, mas não mostrados). Gostei da ambientação no hospital / sanatório. Segundo o imdb, a produção se inspirou em Um Estranho no Ninho, Clube dos Cinco e A Hora do Pesadelo 3, a mistura ficou boa. Mas a gente logo vê que é uma produção sem dinheiro – a médica interpretada pela Alice Braga aparentemente trabalha sozinha naquele prédio enorme – ela deve ser médica, segurança, cozinheira, faxineira e responsável por serviços gerais. Será que era tão caro contratar uns dois ou três atores secundários e colocá-los de jaleco branco ao lado dela?

Mas esse não é o pior problema. A protagonista Blu Hunt é uma atriz sem graça interpretando uma personagem sem graça (no imdb, o seu nome é o quinto a ser creditado!). Carisma zero. Se o protagonismo fosse com a Anya Taylor-Joy, talvez o filme fluísse melhor. O poster do filme concorda comigo, a Anya está em destaque, enquanto a Blu está escondida.

E aí a gente vê os problemas da produção. Provavelmente houve mudanças desde o projeto inicial até o resultado nas telas (em um dos pôsteres do filme o cabelo da Maisie Williams está diferente!). E nem todas as mudanças surtiram efeito, e assim coisas ficam soltas no ar. Por exemplo, gostei do “monstro” que assombra a Anya Taylor-Joy, mas ele é pouco explorado pelo roteiro. A ideia inicial era fazer uma trilogia, talvez esse plot fosse desenvolvido. Mas aparentemente não teremos continuação…

O elenco diminuto traz nomes com potencial de criar hype – Anya Taylor-Joy, de A Bruxa e Fragmentado; Maisie Williams, de Game Of Thrones; e Charlie Heaton, de Stranger Things. Mas acho que só Anya se salva. Uma curiosidade pro público brasileiro: o personagem Roberto é brasileiro, e o ator que o interpreta, Henry Zaga, também é – ele solta umas duas frases em português, ia ficar tosco se fosse um gringo. Aliás, não nos esqueçamos de Alice Braga. Produção gringa com dois atores brasileiros, pena que é uma produção que naufragou.

(Já repararam que, aos poucos, Alice Braga constrói uma sólida carreira no cinema fantástico hollywoodiano? Ela também estava em Predadores, Elysium, Eu Sou A Lenda, Repo Men, O Ritual, Ensaio Sobre a Cegueira…)

2020, pandemia, cinemas vazios, Os Novos Mutantes finalmente foi lançado. Não tem como não pensar que foi de propósito. Afinal, “se a bilheteria for ruim, a culpa é da pandemia”.

Borat: Fita de Cinema Seguinte

Crítica – Borat: Fita de Cinema Seguinte

Sinopse (imdb): Continuação da comédia de 2006 centrada nas aventuras da vida real de um jornalista de televisão cazaque fictício chamado Borat.

Borat era o melhor personagem do programa de TV Da Ali G Show (além do Borat, tinha o rapper Ali G e o repórter de moda austríaco gay Bruno, todos interpretados por Sacha Baron Cohen). Tanto que o personagem ganhou um engraçadíssimo longa metragem em 2006.

O primeiro Borat foi genial. Um mockumentary (documentário falso) com um ingênuo repórter do Cazaquistão, e que satirizava o american way of life usando humor politicamente incorreto e muitas vezes grosseiro (uma cena com o Borat e seu assistente, nus, correndo por um hotel, é um dos momentos mais engraçados e ao mesmo tempo mais grotescos que heu já vi). Aquele tipo de cena que a gente ri, mas tem vergonha de admitir que riu.

Nos últimos 14 anos, o mundo mudou, o humor também mudou. Não sei se um filme daquele formato seria aceito hoje. E ainda tinha outra coisa: na época o Borat era pouco conhecido, era mais fácil andar pelas ruas abordando pessoas – hoje muita gente conhece o personagem, fica mais difícil de “enganar” os entrevistados.

Assim, Borat: Fita de Cinema Seguinte (Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan, no original) foi adaptado. Em vez de atacar o american way of life, quase todo o foco do filme é político; e, para driblar a fama do personagem título, temos um Borat fantasiado, ao lado de sua filha, Tutar (Maria Bakalova).

Analisando pelo lado político, Borat: Fita de Cinema Seguinte foi lançado no momento certo, enquanto o mundo vive tensões de extremistas (sobrou até pro Bolsonaro). Sacha Baron Cohen aproveita para cutucar essa galera.

Não vou entrar em detalhes, mas uma das cenas é bem impactante. Rudolph Giuliani, ex prefeito de Nova York, e que trabalha na campanha do Trump, caiu numa armadilha. Não fui procurar a repercussão, mas provavelmente ele deve ter sido “cancelado” por uma galera.

Na inevitável comparação com o primeiro filme, esta continuação perde um pouco na minha humilde opinião. Prefiro o humor em cima dos costumes sociais em vez do humor político; e gosto da ideia de um repórter ingênuo entrevistando desavisados, ideia que não dá mais pra fazer. Mas mesmo assim, Borat: Fita de Cinema Seguinte ainda é bem engraçado, e vale pros fãs deste estilo de comédia.