Festival do Rio 2019

Festival do Rio 2019

Como espectador, acompanho o Festival do Rio desde a primeira edição – na verdade, nos anos anteriores acompanhava os outros festivais semelhantes, como Fest Rio, Rio Cine e Mostra Banco Nacional. E, desde 2007, publico sempre aqui no heuvi sobre os vários filmes que assisto. Nos primeiros anos, como espectador; a partir de um determinado ano, como credenciado pela imprensa.

Mas 2019 será a minha cobertura mais discreta de todas. É uma junção de três motivos:

– O Festival do Rio teve problemas financeiros e fez uma edição reduzida, com menos filmes e menos sessões.
– O Festival do Rio negou o meu credenciamento, apesar de todos os anos que cobri o Festival.
– Tive os meus problemas pessoais que afetaram a frequência dos posts aqui no heuvi.

Assim, este ano só vou falar de 3 filmes. Mas espero que em 2020, tudo volte ao normal, que tenhamos um grande Festival do Rio, com uma grande cobertura do heuvi!

As Golpistas

Crítica – As Golpistas

Sinopse (imdb): Inspirado no artigo da New York Magazine, As Golpistas segue uma equipe de ex-funcionárias de clubes de strip-tease experientes que se unem para virar a mesa em cima de seus ex clientes de Wall Street.

As Golpistas (Hustlers, no original) se baseia numa história real que até é interessante. Mas, sabe quando o filme não engrena? A direção e o roteiro são de Lorene Scafaria (que fez o bom Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo), que faz um filme que até tem seus bons momentos. Mas no fim o resultado é fuén.

Agora, se tem uma coisa que indubitavelmente vale a pena em As Golpistas é a Jennifer Lopez, que entrega uma das melhores atuações de sua carreira (além de mostrar uma invejável forma física). Tinha um boato de indicação para o Oscar (o que seria merecido), mas não rolou, infelizmente. Também no elenco, Constance Wu, Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Reinhart, Mercedes Ruehl, e uma desnecessária participação de Usher.

Vale pela J-Lo. Mas é fraco.

O Juízo

Crítica  – O Juízo

Sinopse (google): Em crise no casamento devido ao alcoolismo e por ter perdido o emprego, Augusto Menezes decide se mudar com esposa e o filho para uma fazenda herdada de seu avô. O que ele não imaginava era que a propriedade fosse assombrada por Couraça e Ana, escravos decididos a se vingar dos antepassados de Augusto.

Oba! Mais filme de gênero nacional!

O Juízo é um “suspense sobrenatural”*. Mas, diferente da maior parte dos filmes nacionais fantásticos feitos com poucos recursos, O Juízo tem pedigree, é uma produção da grande Conspiração Filmes. Digo mais: parece ser um projeto da família Torres Waddington – o filme é dirigido por Andrucha Waddington, roteirizado por sua esposa Fernanda Torres, e tem no no elenco Fernanda Montenegro (mãe da Fernanda Torres) e Joaquim Torres Waddington (o filho mais velho do casal). Curioso que uma família tão ligada ao cinema tradicional tenha um projeto com cinema de gênero…

O Juízo não é um grande filme, não é um “novo clássico do cinema nacional”. Mas tem seus méritos. Gosto muito da câmera do Andrucha Waddington. Os cenários no casarão no meio do mato são ótimos – o detalhe de não ter energia elétrica na casa ajuda no clima. A trama ainda tem plot twists, e adorei a cena do acidente de carro.

O elenco é excelente. O casal principal, Felipe Camargo e Carol Castro, está bem; Joaquim Torres Waddington, em seu primeiro filme, também segura a onda. Fernanda Montenegro e Lima Duarte, monstros da atuação brasileira, são sempre ótimos. Mas, pra mim, o destaque é Criolo, que está assustador.

Agora, uma história pessoal. Meu filho estuda no colégio com o filho caçula do Andrucha. Num evento na escola, comentei que estava ansioso pra ver o filme, e ele me disse “vou te chamar pra pré estreia”. Veio o convite, fui feliz ao cinema, acompanhado do meu amigo Sergio Junior, do podcast Frequência Fantasma – ver um filme de graça, com direito a pipoca e refri, já era um bom programa por si só. Mas, encontrei a Fernanda Torres, e a sessão virou um evento inesquecível. Ela me perguntou qual sala que heu estava. “Vem ver o filme com a gente, na nossa sala”, e a assessora me deu dois convitinhos com um “R” escrito no canto. Entramos na sala, nos informaram “o ‘R’ é de reservado, vocês podem sentar ali, junto com a equipe e o elenco”. Sentamos numa fileira meio vazia, e aos poucos vieram sentar em volta. Na poltrona ao meu lado, Lima Duarte. Ao lado dele, Carol Castro, e logo depois, Felipe Camargo. Fernanda Montenegro e Gilberto Gil se sentaram pouco atrás.

É, amigos. Ver um filme com essa galera em volta foi uma grande noite!

*Lima Duarte, ao meu lado, antes do filme, puxou papo, e disse que esse era um “suspense sobrenatural”. Gostei, vou usar!

Carcereiros – O Filme

Critica – Carcereiros – O Filme

Sinopse (google): Adriano é um carcereiro íntegro e avesso à violência, que tenta garantir a tranquilidade no presídio mesmo sofrendo com grandes dilemas familiares. A chegada de Abdel, um perigoso terrorista internacional, aumenta ainda mais a tensão no presídio, que já vive dias de terror por conta da luta entre duas facções criminosas. Agora, Adriano precisa enfrentar uma rebelião além de controlar todos os passos de Abdel.

Filme nacional de gênero!

Baseado na série da Globo, que por sua vez foi baseada no livro de Dráuzio Varela, Carcereiros – O Filme tem seus prós e contras. Vamulá.

Tecnicamente falando, o filme dirigido por José Eduardo Belmonte é bem feito. O clima claustrofóbico dentro da cadeia é bom, e temos bons efeitos especiais práticos de “tiro porrada e bomba”. O elenco (Rodrigo Lombardi, Milton Gonçalves, Kaysar Dadour, Tony Tornado, Rafael Portugal, Dan Stulbach, Jackson Antunes) também é bom. Por fim, achei que a batucada do Chico Science encaixou perfeitamente no clima tenso da trilha sonora.

Agora… O roteiro pedia um apuro melhor. O filme até começa bem, mas rolam uns plot twists meio forçados e a trama dá umas voltas desnecessárias. A segunda metade do filme é uma bagunça!

Mas… Como já falei aqui no heuvi em outras ocasiões, dou valor para o cinema nacional de gênero. Se os multiplex têm espaço para filmes de ação genéricos gringos, por que não teriam espaço para filmes de ação genéricos nacionais? O cinema nacional precisa ter espaço para filmes como Carcereiros!

Um dia de Chuva em Nova York

Crítica – Um dia de Chuva em Nova York

Sinopse (imdb): Um jovem casal chega a Nova York para um fim de semana em que se depara com o mau tempo e uma série de aventuras.

Uma vez comentei num Podcrastinadores que os filmes do Woody Allen são quase todos parecidos, mas conseguem quase sempre manter um bom padrão de qualidade. Este Um dia de Chuva em Nova York (A Rainy Day in New York, no original) segue este padrão.

Os rabugentos vão argumentar que o filme em si não é nada de mais. Verdade. Mas é uma história envolvente, bem filmada, com bons cenários em Nova York e bons atores. Será que todo filme precisa ser um grande filme?

Um bom elenco é algo que quase sempre acompanha os filmes de Allen. Um dia de Chuva em Nova York não foge à regra, com Timothée Chalamet, Elle Fanning, Liev Schreiber, Selena Gomez, Jude Law, Rebecca Hall e Diego Luna.

Uma boa opção despretensiosa para um dia de chuva em qualquer lugar.

Midway – Batalha em Alto-Mar

Crítica – Midway – Batalha em Alto-Mar

Sinopse (imdb): A história da Batalha de Midway, contada pelos líderes e pelos marinheiros que lutaram ela.

Não costumo ler muito sobre filmes que vou ver. Mas sempre checo quem é o diretor. Claro que sabia que estava indo ver um filme do Roland Emmerich.

Com uma breve análise na carreira de Emmerich (Independence Day, O Dia Depois de Amanhã, 2012) a gente vê que ele gosta de grandiosidade. Midway – Batalha em Alto-Mar (Midway, no original) é coerente com sua filmografia. Tem um tom exageradamente épico, meio forçado até – alguns personagens parecem heróis imaculados.

Pelo menos precisamos admitir que as batalhas (cheias de cgi) são muito bem filmadas. Neste aspecto, o fã de filmes de guerra não vai se decepcionar.

O elenco é bom – Ed Skrein, Patrick Wilson, Woody Harrelson, Luke Evans , Mandy Moore, Dennis Quaid. A narrativa do filme não tem espaço pra um único protagonista, a trama funciona bem entre os núcleos.

No fim, nada de mais. Mas tem o seu público.

As Panteras (2019)

Crítica – As Panteras (2019)

Sinopse (imdb): Quando uma jovem engenheira de sistemas alerta sobre uma tecnologia perigosa, as Panteras são acionadas, colocando suas vidas em risco para proteger todos nós.

Lá se vão vinte anos daquele As Panteras com Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu. Claro que Hollywood tem espaço pra outro reboot.

E uma coisa legal deste reboot é que não ignoraram o passado. As Panteras (Charlie’s Angels, no original) mostra rapidamente fotos da série de TV dos anos 70 e umas montagens (meio toscas) com as três atrizes da versão cinematográfica dos anos 00 (além de uma rápida participação surpresa numa cena durante os créditos). Prefiro assim, a história é nova, mas respeita o que já foi feito.

O filme em si é aquilo que se espera. Correria, confusão, piadinhas aqui e ali, e muito girl power. Nada de novo, mas pelo menos cumpre o seu papel: diverte o espectador. A não ser que seja um espectador esperando uma obra prima – e alguém precisa avisar pra esse cara que ele está procurando o filme no lugar errado.

O elenco é bom. O trio novo (Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska) tem química, Elizabeth Banks (que também é a diretora do filme) funciona como a chefe, e ainda tem Patrick Stewart, Djimon Hounsou e Sam Claflin. Ah, não sei se fui o único, mas o Jonathan Tucker me pareceu uma versão mais letal do personagem do Crispin Glover no filme de 2000.

Enfim, uma bobagem divertida.

Ford vs Ferrari

Crítica – Ford vs Ferrari

Sinopse (imdb): O projetista de carros Carroll Shelby e o piloto Ken Miles lutam contra a interferência corporativa e as leis da física para construir um carro de corrida revolucionário para a Ford, a fim de derrotar a Ferrari nas 24 horas de Le Mans em 1966.

Tudo aqui lembrava Rush: baseado numa história real, carros de corrida, dois grandes atores liderando o elenco… Será que ficou tão bom quanto aquele?

Dirigido por James Mangold (Logan), Ford vs Ferrari (Ford v Ferrari no original) é um filme que segue uma fórmula batida. Por um lado isso é ruim, porque torna o filme previsível. A gente já viu outras histórias que usam este formato. A gente já sabe o que vai acontecer. Cenas de desafios e superações, momentos de redenção, etc.

Mas, por outro lado, a fórmula é bem administrada. Tudo aqui é muito bem feito, tanto que o filme tem duas horas e meia e passa rapidinho. E as cenas de corrida são realmente empolgantes.

A produção é muito boa. Não sei o quanto de cgi foi usado, mas nada parece artificial – todas as pistas, todos os carros, tudo parece “estar lá”. Se tem um ponto negativo que nada tem a ver com a fórmula, são os clichês mal utilizados, tipo tratar os italianos como vilões caricatos. Não precisava.

O elenco é muito bom. Matt Damon faz o Matt Damon de sempre, mas o cara tem star power suficiente pra segurar o filme. Já Christian Bale dá show, como sempre. Ainda no elenco, John Bernthal, Caitriona Balfe e Josh Lucas.

No fim, Ford vs Ferrari vai agradar a maior parte do público. Nem todo filme precisa ser revolucionário pra ser bom.

(p.s.: Ford vs Ferrari concorreu a quatro Oscars, incluindo Melhor Filme; e ganhou dois: Melhor Edição, e Melhor Edição de Som.)

Doutor Sono

Crítica – Doutor Sono

Sinopse (imdb): Anos após os eventos de “O Iluminado”, Dan Torrance, agora adulto, deve proteger uma jovem com poderes semelhantes de um culto conhecido como O Verdadeiro Nó, que ataca crianças com poderes para permanecer imortais.

Ninguém esperava uma continuação do clássico O Iluminado, mas, olha lá a programação dos cinemas…

Heu não sabia, mas existe um livro escrito pelo mesmo Stephen King onde ele conta a vida do Danny Torrance adulto. Coube ao diretor Mike Flanagan (que fez um excelente trabalho com a série A Maldição da Residência Hill) adaptar este livro.

O terreno era perigoso, afinal a comparação com a obra de Kubrik era inevitável. Felizmente o filme acerta mais do que erra.

Um ponto positivo é não querer fazer uma refilmagem. Temos personagens novos que guiam a trama por um caminho completamente diferente do filme anterior. Também gostei da caracterização dos atores escolhidos para interpretarem os personagens do filme anterior (Henry Thomas, o garotinho do ET, que estava em Residência Hill, funciona bem como o “Jack Nicholson”). E, claro que fãs de O Iluminado vão ver um monte de referências ao filme de 1980. Tem bastante fan service!

Algumas coisas do roteiro ficaram um pouco forçadas. Não vou comentar aqui pra evitar spoilers, mas falei tudo no Podcrastinadores, quem quiser, ouve lá!

O elenco é muito bom. Ewan McGregor funciona muito bem como o Danny adulto, e Rebecca Ferguson está excelente como a vilã. Também no elenco, Kyliegh Curran, Cliff Curtis, Zahn McClarnon e Emily Alyn Lind, além de uma ponta de Jacob Tremblay (O Quarto de Jack).

No fim, saldo positivo. O Iluminado não precisava de continuação, mas até que funcionou.

A Familia Addams

Crítica – A Familia Addams

Sinopse (imdb): A excêntrica família macabra se muda para um subúrbio insosso, onde a amizade de Vandinha Addams com a filha de uma hostil apresentadora de um reality show local exacerba o conflito entre as famílias.

Dirigido por Greg Tiernan e Conrad Vernon (sim, os mesmos de Festa da Salsicha), esta nova versão da Família Addams sofre de dois problemas.

O primeiro problema é o de sempre: hoje em dia estamos acostumados com o padrão alto imposto pela Pixar. Uma animação “apenas boa” vai perder na comparação técnica. Problema comum a vários longas de animação dos últimos tempos.

O segundo é um problema mais específico: nos anos 90 tivemos dois filmes muito bons da Família Addams, que encontraram o tom perfeito do humor negro para o público infanto juvenil .

Relevando esses dois pontos, até que A Família Addams (The Addams Family, no original) é divertido. Aliás, algumas das piadas são muito boas.

Ainda queria falar sobre o elenco original (Charlize Theron, Oscar Isaac, Chloë Grace Moretz, Finn Wolfhard, Bette Midler, Allison Janney, Martin Short, Catherine O’Hara e Snoop Dogg, entre outros), mas aqui só passou a versão dublada. Felizmente, a dublagem é muito boa.

Resumindo: nada de mais, mas vai divertir quem estiver sem expectativas.