Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas

Crítica – Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas

Sinopse (imdb): O plano maníaco de um vilão para dominar o mundo atrapalha cinco super-heróis adolescentes que sonham com o estrelato de Hollywood.

A DC normalmente segue uma linha mais sóbria que a concorrente Marvel. Mas, com esse Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas, resolveu abraçar a galhofa. E o resultado é um dos desenhos mais divertidos do ano!

Baseado no desenho homônimo do Cartoon Network, Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! To the Movies, no original) não se leva a sério em momento algum, e traz inúmeras referências, tanto para leitores da DC, quanto para cinéfilos de um modo geral. O resultado é uma mistura de Aventura Lego com Deadpool – uma avalanche de piadas referenciais, usando o universo dos super heróis (incluindo várias citações à Marvel). O humor é quase sempre direcionado ao público infantil, mas os adultos que se aventurarem nos cinemas certamente vão se divertir.

O traço do desenho dirigido pela dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic é simples, não é uma animação com gráficos perfeitos “padrão Disney / Pixar”, mas isso não deve incomodar ninguém, a proposta aqui nunca foi fazer um desenho realista. O ritmo às vezes dá uma bambeada, mas não é nada grave.

Vi a versão dublada (ótima dublagem, aliás), mas, vendo os créditos, fiquei curioso com o elenco original. Os cinco principais repetem as vozes do desenho do Cartoon, mas temos, entre as vozes novas, Kristen Bell, Will Arnett e Nicolas Cage (fazendo o Superman!).

Não sei como o fã sisudo de DC vai encarar este filme. Mas digo que o espectador que entrar na brincadeira vai se divertir como poucas vezes em um longa da DC.

p.s.: É DC, mas tem participação do Stan Lee! Dublado pelo próprio! Muito boa sacada. Mas, achei excessivo ele aparecer duas vezes…

p.s.2: Por uma feliz coincidência, coloquei meus filhos para verem De Volta Para o Futuro no último fim de semana. Legal, eles entenderam a referência – a citação é tão grande que chega a ter o tema do Alan Silvestri!

Te Peguei!

Crítica – Te Peguei!

Sinopse (imdb): Um pequeno grupo de ex-colegas de turma organiza um elaborado jogo anual de tag que exige que alguns percorram todo o país.

À primeira vista, Te Peguei! (Tag, no original) parece mais uma comédia besta igual a várias outras por aí. A boa notícia é que, assim como aconteceu em A Noite do Jogo, o nível aqui é um degrau acima.

Vejam bem, não estou falando que Te Peguei! é um novo clássico da comédia. Mas o elenco está bem, o filme é divertido, e – importante – quase não usa humor de baixo calão (na minha humilde opinião, isso conta pontos).

Te Peguei! ainda usa uns divertidos efeitos de câmera lenta em algumas cenas. E apesar de algumas sequências exageradas, o diretor Jeff Tomsic acerta o tom em quase todo o filme, inclusive nos momentos de drama.

O elenco mostra bom entrosamento, coisa essencial para a proposta. Jeremy Renner (que às vezes lembra o Gavião Arqueiro), Ed Helms, Jon Hamm, Jake Johnson e Hannibal Bures funcionam bem como o grupo de velhos amigos. Não gostei muito da personagem da Annabelle Wallis, ela não me convenceu nas suas intenções. Isla Fisher, Leslie Bibb e Rashida Jones completam o elenco.

Como falei lá em cima, Te Peguei! não vai mudar a vida de ninguém. Mas vai divertir os menos exigentes.

p.s.: O filme foi baseado numa história supostamente real. E no fim do filme vemos filmagens do que seria o grupo real que brinca de tag ao longo da vida adulta.

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Crítica – Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Sinopse (imdb): Em uma pequena cidade em Massachusetts, um grupo de amigas, fascinadas pelo folclore da internet do Slender Man, tenta provar que ele realmente não existe – até que uma delas desaparece misteriosamente.

É, a safra não está boa para o cinema de terror. Em menos de 3 meses falei aqui de Vende-se Esta Casa, Selfie Para o Inferno e Verdade ou Desafio. Agora temos mais um forte concorrente ao prêmio de pior terror de 2018: Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man, no original).

Dirigido pelo pouco conhecido Sylvain White, com um grande currículo na tv mas quase nada de cinema, Slender Man: Pesadelo Sem Rosto falha em quase tudo o que se propõe. Pra começar, o filme não tem sustos – algo grave se estamos falando de um filme de terror. Além disso, temos personagens rasos e um “monstro” que não mete medo.

A mitologia do Slender Man, criada num fórum de Internet, talvez até gerasse um filme bom, mas o roteiro precisaria desenvolver essa mitologia. E isso não aconteceu.

O elenco tem algumas jovens que até podem ter futuro, mas antes precisam escolher melhor seus próximos filmes: Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair e Annalise Basso (esta última estava em Capitão fantástico!). Ah, tem um nome que os leitores do heuvi vão reconhecer: Javier Botet, o espanhol esquisito que sempre chamam quando precisam de um personagem magro e comprido em filmes de terror (ele foi a Menina Medeiros de REC, o personagem título de Mama, o Homem Torto de Invocação do Mal e Demônio das Chaves do último Sobrenatural).

Claro que existem ganchos para uma continuação. Que espero que nunca seja feita.

Anon

Crítica – Anon

Sinopse (Netflix): Em um futuro em que a tecnologia tornou a privacidade uma ideia obsoleta, um detetive investiga uma serial killer que foi deletada de todas as imagens de arquivo.

Andrew Niccol tem uma carreira muito irregular, mas ele sempre vai ter o meu respeito por ter escrito e dirigido Gattaca, uma das melhores visões de futuro que já vi nas telas dos cinemas.

Claro que fiquei pilhado pra ver Anon, ainda mais depois do empolgante trailer. Mas sabe quando o resultado final é maomeno? Anon parece um episódio de Black Mirror. E um episódio meia boca.

Vamos ao que funciona. Mais uma vez, Niccol mostra uma visão de futuro intrigante (e possível) – um futuro onde todos podem ter seus segredos expostos, e onde o trabalho dos hackers é justamente modificar essa exposição. Além disso, o visual retrô-futurista é bem legal.

Mas, por outro lado, tudo é muito raso. O roteiro pouco se aprofunda nesses personagens hackers (e nem explica como eles conseguem andar abertamente numa rua onde tudo é vigiado o tempo todo). Pra piorar, o filme se arrasta em alguns momentos.

No elenco, Clive Owen e Amanda Seyfried fazem cara de paisagem o filme inteiro – acho que o propósito era que eles parecessem cool… Também no elenco, Colm Feore e Sonya Walger.

No fim, fica a impressão de uma boa ideia, mal desenvolvida. Mas, pra quem gosta de Black Mirror, é uma opção.

O Protetor 2

Crítica – O Protetor 2

Sinopse (imdb): Robert McCall pratica uma justiça inabalável para os explorados e oprimidos, mas até onde ele vai quando é alguém que ama?

O Protetor foi uma tentativa de liamneesonizar o Denzel Washington – um ator consagrado que vira action hero depois de “velho”. E foi um bom filme. E como foi bem na bilheteria, a regra de Hollywood é clara: é a hora da continuação.

A direção ficou com o mesmo Antoine Fuqua do primeiro filme, diretor sempre competente. E o carisma de Denzel Washington vale qualquer filme. Mas, mesmo assim, O Protetor 2 (The Equalizer 2, no original) é bem mais fraco que o filme anterior.

O roteiro de Richard Wenk perde muito tempo construindo histórias paralelas para McCall. Acho que isso foi pra termos mais empatia com o personagem, mas isso acabou causando sérios problemas de ritmo. Além disso, o espectador acostumado com filmes de ação vai achar tudo muito previsível.

Tem outra coisa que me incomodou. McCall pode ser excelente em brigas, mas se ele cutuca gente graúda, haveria alguma retaliação. Quando ele bate nos playboys estupradores ricos, estes sabem onde encontrá-lo depois. O mesmo com os traficantes do prédio.

Mas como falei lá em cima, a dupla Fuqua / Denzel sempre vale o ingresso. É só não ter muita expectativa.

Perfeita é a Mãe

Crítica – Perfeita é a Mãe

Sinopse (imdb): Quando três mães sobrecarregadas e subestimadas são pressionadas além de seus limites, elas abandonam suas responsabilidades convencionais por uma sacudida de liberdade, diversão e auto-indulgência.

Que tal uma comédia estilo Se Beber Não Case, mas com todo o foco voltado para personagens femininas e seus problemas com o mundo moderno?

A comparação com Se Beber Não Case foi proposital. A direção de Perfeita é a Mãe (Bad Moms, no original) é de Jon Lucas e Scott Moore, roteiristas de Eu Queria Ter a Sua Vida, A Última Ressaca do Ano e o citado Se Beber Não Case. O roteiro aqui também é da dupla.

Como era previsto, Perfeita é a Mãe é uma divertida bobagem. Claro que é superficial. Mas, ué, se temos comédias assim pelo ângulo masculino por que não pelo feminino?

O problema é que Perfeita é a Mãe abusa dos clichês e tudo é muito previsível (como também acontece frequentemente nas “comédias masculinas”, é bom deixar claro). Isso fora algumas inconsistências, como por exemplo a personagem da Kristen Bell, que se mostra submissa ao marido, mas esquece disso quando continua nas aventuras com as amigas. Ou as crianças, que convenientemente somem quando as mães fazem festas.

O elenco conta com boas atrizes. Mila Kunis, Christina Applegate e Kathryn Han estão bem; acho que a Kristen Bell foi pouco aproveitada. Ainda no elenco, Jada Pinkett Smith, Clark Duke e Jay Hernandez.

Existe uma continuação, de 2017, mas rola preguiça de ver…

Ah, durante os créditos, rola uma divertida sequência de trechos de entrevistas com as mães das atrizes.

Virgens Acorrentadas

Crítica – Virgens Acorrentadas

Sinopse (imdb): Uma jovem equipe de filmagem, filmando um filme de terror de baixo orçamento em um orfanato abandonado, descobre que uma família de assassinos sádicos reescreveu seu roteiro.

Ficou pronto o projeto internacional do curitibano Paulo Biscaia Filho!

Sou fã do Paulo Biscaia desde que vi Morgue Story no Festival do Rio de 2009. Participei do crowdfunding do dvd autografado do seu filme seguinte, Nervo Craniano Zero. E claro que fiquei empolgado quando vi a campanha para o seu filme gringo, este Virgin Cheerleaders in Chains – que aqui ganhou o nome Virgens Acorrentadas.

Demorou, mas saiu. E a boa notícia: com lançamento (reduzido) no circuito!

Vamos ao filme? Quem conhece o trabalho do Paulo Biscaia Filho sabe que ele tem um pé fortemente fincado no trash e sabe dosar o gore e a galhofa como poucos no Brasil.

Mas Virgens Acorrentadas tem um problema que não acontece nos outros filmes do Biscaia. Pela primeira vez o roteirista era outro. E, pra piorar, o roteirista Gary McClain Gannaway também era o produtor. Ou seja, em alguns momentos, sentimos que o filme tem umas baqueadas no ritmo. Outro problema é que às vezes parece que o filme não se decide entre assumir ou não a zoeira.

Mesmo assim, o resultado ainda é bem divertido. Biscaia trabalha bem a metalinguagem, às vezes não temos certeza se o que estamos vendo faz parte da história ou da história dentro da história. Além disso, o roteiro tem umas soluções criativas na hora de explorar os clichês, além de fugir do formato “sydfieldiano”.

Infelizmente, como aconteceu com Morgue e Nervo, Virgens Acorrentadas será consumido apenas no “gueto”. Ainda não temos mercado aqui no Brasil para filmes assim. Quem sabe um dia o cinema brasileiro evolui? Paulo Biscaia Filho está fazendo a parte dele!

p.s.: Falei que apoiei filme lá atrás, em 2014, né? Meu nome está nos agradecimentos! Pena que escreveram errado, esta “Helvicio C Parente”…

Megatubarão

Crítica – Megatubarão

Sinopse (imdb): Depois de escapar de um ataque do que ele afirma ser um tubarão de 70 pés, Jonas Taylor precisa enfrentar seus medos para salvar os que estão presos em um submersível afundado.

Admito que fiquei intrigado com um filme B de tubarão estrelado pelo Jason Statham e com lançamento no circuitão, em vez de ser exibido no canal Syfy. Claro que deveria ser ruim, mas será que seria tão ruim quanto os filmes de tubarão que infestam a grade do canal? Vamos ver qualé.

Pra começar, muita gente reclamou deste Megatubarão (The Meg, no original), por ser um filme vagabundo. Heu digo o contrário: é um filme honesto. Ninguém vai ver um filme chamado “Megatubarão” esperando um grande filme.

Outra coisa em defesa do filme dirigido por Jon Turteltaub: é tecnicamente bem feito. Boas imagens submarinas, o tubarão em cgi funciona, e as cenas de tensão, apesar de absurdas, são bem construídas. Está longe da indigência técnica da série Sharknado. Sim, o roteiro é péssimo, mas se o espectador ignorar a lógica, pode até se divertir.

Agora, temos que reconhecer que o roteiro é repleto de coisas sem o menor sentido. Senti falta do fórum de discussão do imdb, que sempre tinha um tópico “100 coisas que aprendi com o filme tal”. Neste Megatubarão ia ser divertido, o filme inteiro é cheio de coisas absurdas, começando pela introdução do filme – se o megalodonte só foi liberado anos depois, como é que atacou o submarino no início do filme?

No elenco, além de Statham, temos Cliff Curtis, Winston Chao, Shuya Sophia Cai, Ruby Rose, Page Kennedy, Robert Taylor, Ólafur Darri Ólafsson, Jessica McNamee e Masi Oka (sim, o Hiro de Heroes).

Enfim, Megatubarão é ruim, ninguém está questionando isso. Mas vai divertir quem estiver na pilha certa.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

Crítica – Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

Sinopse (imdb): Cinco anos depois dos eventos de Mamma Mia! O Filme, Sophie aprende sobre o passado de sua mãe durante a gravidez.

O primeiro Mamma Mia foi um grande sucesso. Claro que uma continuação era prevista, afinal, estamos falando de Hollywood. A dúvida era como eles fariam, já que quase todas as músicas famosas do ABBA estavam no primeiro filme. E, se o filme só tivesse “lados B”, não venderia tanto.

A solução foi repetir músicas, mas em outros contextos (com exceção da mais famosa de todas, Dancing Queen, que repete o mesmo cenário e as mesmas coreografias do primeiro filme). Além de Dancing Queen, temos novamente Thank You For The Music, Waterloo, S.O.S., I Have A Dream, Mamma Mia (claro) e Super Trouper (essa como encerramento, com todo o elenco cantando). Não me lembro de como foi Mamma Mia no filme anterior, mas aqui ficou bem legal.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again, no original) resolve usar flashbacks pra contar o passado da personagem. Assim, Meryl Streep dá lugar a Lily James, que vira a protagonista do filme e conta a história dos três pais e da chegada à Grécia, vinte anos antes do filme anterior.

(Uma crítica que fiz sobre o filme anterior é que não sabíamos quando se passava. Agora dá pra saber: Donna chegou na Grécia em 1979, então o filme anterior se passa em 1999, e este aqui seria em 2004. Custava eles dizerem que era um filme “de época”?)

A direção é do desconhecido Ol Parker, que não inventa novidades e deixa o filme fluir de acordo com as músicas. Afinal, o que mais funcionou no primeiro filme foram os belos cenários gregos e as boas músicas do ABBA. Então, o negócio é repetir, e todo mundo sai do cinema feliz.

Sobre o elenco: Meryl Streep deveria estar com a agenda cheia, então seu papel é reduzido (ela só filmou por uma semana). Estão de volta Amanda Seyfried, Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgård, Dominic Cooper, Christine Baranski e Julie Walters; de novidades, temos Lily James, Andy Garcia, Cher, Alexa Davies, Jessica Keenan Wynn, Hugh Skinner, Josh Dylan e Jeremy Irvine. E, para os fãs, temos cameos dos dois “B” do ABBA, Benny Andersson e Björn Ulvaeus.

O segundo filme está sendo um grande sucesso de bilheteria, assim como foi o primeiro. Claro que estão pensando num terceiro filme. O ABBA tem música pra três filmes? Ou vão ter que pegar emprestadas músicas de outra banda sueca? O Roxette ia gostar… 😉

Perfetti Sconosciuti

Crítica – Perfetti Sconosciuti

Sinopse (imdb): Sete amigos de longa data se reúnem para um jantar. Quando eles decidem compartilhar um com o outro o conteúdo de cada mensagem de texto, e-mail e telefonema que recebem, muitos segredos começam a se revelar e o equilíbrio treme.

Viagem de avião, vamos ver as opções de filmes? Opa, tem a versão original italiana do Perfectos Desconocidos!

Os dois filmes são praticamente iguais. Só o fim muda um pouco. A solução final desta versão, dirigida por Paolo Genovese, (que desagradou algumas pessoas) também acontece aqui, só é mais sutil.

Fica difícil de comparar qual dos dois é o melhor. Gosto do estilo do diretor espanhol Álex de la Iglesia, e acho o som da língua espanhola mais agradável que a italiana (será que ainda posso falar isso nos dias de hoje?). Mas reconheço que gostei mais do espanhol porque vi primeiro. Se tivesse visto o italiano antes, provavelmente ia preferir o italiano.

Resumindo: boa opção, independente da versão.