Suburbicon: Bem Vindos ao Paraíso

Crítica – Suburbicon: Bem Vindos ao Paraíso

Sinopse (imdb): Enquanto uma comunidade suburbana dos anos 1950 se autodestrói, uma invasão domiciliar tem consequências sinistras para uma família aparentemente normal.

Imagine um filme dos irmãos Coen, mas dirigido por outra pessoa?

Suburbicon: Bem Vindos ao Paraíso (Suburbicon, no original) é o novo filme dirigido por George Clooney. Desta vez, Clooney e seu roteirista habitual Grant Heslov reaproveitaram um roteiro não usado, escrito por Ethan e Joel Coen nos anos 80. E, não sei se foi intencional ou não, mas o resultado ficou muito parecido com o trabalho dos irmãos.

Suburbicon é uma comédia de humor negro com personagens de moral duvidosa, em cenários pra lá de estilizados. “Festa estranha, com gente esquisita” – não é a cara dos Coen?

Gostei muito da ambientação “Mulheres Perfeitas” dos anos 50, assim como a construção dos personagens, que se enrolam cada vez mais nos seus problemas. O filme se divide em dois núcleos que se desenvolvem paralelamente – se a crítica ao racismo parece meio linear demais, a trama da casa vizinha traz boas reviravoltas.

O elenco é outro destaque. Julianne Moore (fazendo dois papéis), Matt Damon, Oscar Isaac, Noah Jupe, Karimah Westbrook e Tony Espinosa. Os “vilões” me lembraram Crimewave, filme do Sam Raimi – coincidência ou não, roteirizado pelos irmãos Coen. Ah, desta vez Clooney fica só atrás das câmeras.

Li umas críticas negativas, dizendo que Clooney não tem o talento dos Coen. É, pode ser. Mas Suburbicon ainda me pareceu melhor que um “Coen menor”, tipo O Amor Custa Caro ou Um Homem Sério.

O Mistério do Relógio na Parede

Crítica – O Mistério do Relógio na Parede

Sinopse (imdb): Um jovem órfão chamado Lewis Barnavelt ajuda seu tio mágico a localizar um relógio com o poder de trazer o fim do mundo.

Filme de fantasia infanto-juvenil, escrito por Eric Kripke (criador da série Supernatural) e dirigido por Eli Roth. Será que funciona?

Baseado no livro homônimo de John Bellairs, O Mistério do Relógio na Parede (The House with a Clock in Its Walls, no original) traz uma boa ambientação e um bom elenco, numa história um pouco sem sal. E a direção de Eli Roth traz algumas cenas um pouco mais fortes na parte final, mas nada que atrapalhe a diversão da criançada.

(Eli Roth surgiu para o cinema com filmes de terror caprichados no gore, com Cabana do Inferno (2002) e O Albergue (05). Mas não sei por que, ele tem mudado de estilo. Em 2015, lançou Bata Antes de Entrar, suspense com zero gore, e este ano este é seu segundo filme, depois do policial Desejo de Matar.)

Vamos ao que funciona. Cate Blanchett está maravilhosa, como sempre, e mostra boa química com Jack Black, interpretando o mesmo Jack Black de sempre, mas que funciona para o que o filme pede. Os diálogos entre os dois são ótimos! O garoto Owen Vaccaro era pra ser o personagem principal, mas o roteiro espertamente divide o tempo de tela com Blanchett e Black (o que foi uma boa escolha). Também no elenco, Kyle MacLachlan, Renée Elise Goldsberry, Sunny Suljic e Lorenza Izzo.

Agora, O Mistério do Relógio na Parede sofre pela impressão de “já vi isso antes”. Não só tem cheiro de Harry Potter ao longo de todo o filme (garoto órfão aprendendo a ser bruxo), como parece uma versão de Desventuras em Série dirigida pelo Tim Burton.

Parece que John Bellairs escreveu uma trilogia. Ou seja, aguardem as continuações…

22 Milhas

Crítica – 22 Milhas

Sinopse (imdb): Um oficial da inteligência americana de elite, auxiliado por uma unidade de comando tático ultrassecreta, tenta transportar um misterioso policial com informações sigilosas para fora do país.

Filme novo do Mark Wahlberg dirigido pelo Peter Berg? Fuen. Filme hollywoodiano com o Iko Uwais? Opa, quero ver!

Esta é a quarta parceria entre Berg e Wahlberg. O primeiro, O Grande Herói, é tecnicamente bem feito, mas o maniqueísmo excessivo me incomodou. O segundo, Horizonte Profundo: Desastre no Golfo, é bonzinho, mas é só mais um filme de ação genérico. O terceiro, O Dia do Atentado, nem vi, só o trailer bastou. Este quarto, 22 Milhas (Mile 22 no original) parecia ser mais um genérico. Mas a presença do astro de ação indonésio me chamou a atenção.

Pra quem não conhece Uwais: ele é o ator principal dos dois The Raid, filmes indonésios que constam em qualquer lista seria dos melhores filmes de ação feitos nos últimos dez anos. Quem gosta do estilo, pode ir lá procurar os dois filmes, e depois volta aqui pra me agradecer. 😉

(Também vi Merantau e Headshot, outros dois filmes estrelados por Uwais, mas são inferiores aos dois The Raid)

Mas o problema é que 22 Milhas tem muito falatório e pouca coisa acontece. As narrações em paralelo chegam a ficar cansativas – sem contar que o filme fica bem confuso com tanto bla bla bla. E o roteiro ainda traz algumas coisas desnecessárias – pra que o avião russo, se tudo podia ser feito dentro de um escritório? Pra piorar, Wahlberg construiu um personagem mal humorado e com manias irritantes. Fica difícil nutrir alguma simpatia por um cara assim.

Sobram as cenas de ação. Diferente dos outros filmes da parceria Berg Wahlberg, teoricamente baseados em histórias reais, 22 Milhas é assumidamente ficção sem se preocupar com a realidade. Assim, entre um falatório aqui e outro ali, temos algumas boas sequências de “tiro porrada e bomba”. Claro, não são sequências top, mas funcionam pro que o filme pede.

No elenco, além de Wahlberg e Uwais, o filme conta com Lauren Cohan, Ronda Rousey, John Malkovich e Carlo Alban. E o curioso é que Ronda não briga nenhuma vez!

No fim rola um gancho pra uma possível continuação. Será que precisa?

Thoroughbreds

Crítica – Thoroughbreds

Sinopse (imdb): Duas adolescentes de classe alta no subúrbio de Connecticut reavivam sua improvável amizade depois de anos de distanciamento. Juntas, elas arquitetam um plano para resolver os problemas de ambas – não importando o custo.

Me recomendaram este Thoroughbreds. O trailer prometia. E o elenco era bom. Vamulá então.

Thoroughbreds (sem título em português) foi escrito e dirigido pelo estreante Cory Finley. Seu filme não é perfeito, mas ele mostra que sabe usar os silêncios para construir um bom clima e extrair um bom trabalho do elenco.

Gostei muito das duas protagonistas. Anya Taylor-Joy (A Bruxa, Fragmentado) e Olivia Cooke (Jogador Nº 1) estão ótimas em suas personagens esquisitas. Arrisco a dizer que elas são o suficiente para o filme valer a pena. Mas ainda tem um bônus: é o último filme do Anton Yelchin.

O clima é legal, o elenco está bem. Mas o ritmo não é bom, parece que o filme não engata. E não gostei do final. Mesmo assim, ainda vale ser visto.

O Predador (2018)

Crítica – O Predador (2018)

Sinopse (imdb): Quando um menino acidentalmente aciona os caçadores mais letais do universo para retornar à Terra, apenas uma tripulação desorganizada de ex-soldados e uma professora de ciências descontente pode impedir o fim da raça humana.

No meio de tantos reboots e releituras, por que não voltar com a franquia Predador?

Em primeiro lugar aviso logo que não sou contra continuações. Mas não gosto da ideia de chamar o quarto (ou sexto) filme de uma saga do mesmo nome do primeiro filme. Gente, qual é o problema de ter um título novo? Mesmo erro de The Thing – o prequel de 2010 tem o mesmo nome do original de 1982.

Dito isso, vamos ao filme. O Predador (The Predator, no original) é uma boa continuação. Boas cenas de ação, humor na dose certa, efeitos especiais top de linha, referências ao filme original, e toda a violência gráfica que um filme desses pede.

O diretor Shane Black tem uma história curiosa com a franquia. Ele estava no primeiro filme, como ator – ele é o magrelo de óculos, o primeiro a morrer. Recentemente, ele disse numa entrevista que foi contratado apenas como ator, e quando chegou ao set, pediram pra ele rever o roteiro (ele tinha escrito o roteiro de Máquina Mortífera pouco antes). Ele se recusou, porque tinha sido contratado como ator e não como roteirista. Segundo ele, esse seria o motivo de seu personagem ser o primeiro a morrer. E ele disse que teria aprendido uma lição: nunca discutir com os produtores!

Black tem um currículo maior como roteirista, mas também tem alguns filmes como diretor. Seu estilo frequentemente mistura ação com humor (Beijos e Tiros, Dois Caras Legais). E o roteiro aqui foi escrito por Black e por Fred Dekker, que escreveu e dirigiu o divertido Noite dos Arrepios, de 1986. A parceria vem de longa data, a dupla escreveu o roteiro de Deu a Louca nos Monstros, de 87. Claro que O Predador não seria um filme sério. O filme é quase uma paródia do filme original.

O fato de ter um diretor e roteirista ligado à saga faz de O Predador um filme cheio de referências. Além da trilha sonora trazer o mesmo tema, o roteiro tem algumas citações aqui e ali. Get to the choppa!

O elenco é bom. O papel principal é do pouco conhecido Boyd Holbrook, vilão de Logan, mas o filme é bem equilibrado entre vários personagens – os melhores estão em um núcleo de loucos, que conta com Trevante Rhodes, Keegan-Michael Key, Thomas Jane, Alfie Allen e Augusto Aguilera. Sterling K Brown (em cartaz também no Hotel Artemis) também manda bem. Os papéis de Jacob Trembley e Olivia Munn às vezes soam forçados, mas não chegam a atrapalhar o filme. Ainda no elenco, Yvonne Strahovski e Jake Busey.

No fim tem uma desnecessária cena curta com um gancho para uma provável continuação. Achei que podia ser uma cena pós créditos à lá Marvel, daquelas que, se não tiver filme novo, deixa pra lá…

Tem gente por aí que odiou O Predador. Sinceramente não entendo por que. Achei divertido. Que venha o quinto (ou sétimo)!

p.s.: Na verdade é a sexta vez que temos Predadores nas telas, mas, na minha humilde opinião, os dois Alien Vs Predador não fazem parte da saga. Por isso pra mim este é o quarto filme.

Hotel Artemis

Crítica – Hotel Artemis

Sinopse (imdb): No Hotel Artemis, localizado em uma Los Angeles devastada por distúrbios, trabalha a Enfermeira, que dirige um hospital secreto de emergência para criminosos.

Heu queria gostar de Hotel Artemis. Afinal, não é todo dia que temos uma trama de ação com toques de ficção científica, estrelada por Jodie Foster, Jeff Goldblum, Sofia Boutella, Dave Bautista, Sterling K. Brown, Charlie Day e Zachary Quinto.

Mas, sabe quando um filme simplesmente não decola? É o caso. O elenco é acima da média, a premissa é muito boa, e a ambientação do hotel é ótima. Mas o tempo vai passando, e parece que o filme não começa nunca.

Um bom exemplo (sem spoliers) de que as coisas simplesmente não funcionam aqui é o personagem da policial. Tire o personagem, nada muda. E quase todo o filme é assim, tudo parece sem propósito.

Hotel Artemis é a estreia na direção de Drew Pearce, roteirista de Missão Impossível Nação Secreta. Só que aqui o roteiro também é dele, então acho que temos um culpado. De que adianta ter bons atores e uma boa ideia, se os personagens são rasos e o filme tem sérios problemas de ritmo?

Será que é cedo pra pedir uma refilmagem? 😉

O Predador (1987)

Crítica – O Predador (1987)

Sinopse (imdb): Uma equipe de comandos em uma missão na selva da América Central é caçada por um guerreiro extraterrestre.

Tem filme novo do Predador chegando por aí, que tal rever o primeirão?

Antes de falar do O Predador (Predator, no original), vamos contextualizar. Em 1987, Arnold Schwarzenegger era um dos maiores nomes do cinema de ação, com filmes como O Exterminador do Futuro (1984), Comando Para Matar (85) e Jogo Duro (86) no currículo. O Predador tinha um pé na ficção científica mas está muito mais próximo de Comando Para Matar do que Vingador do Futuro. A trama traz um alienígena assassino, mas tudo no filme parece desculpa para mostrar músculos e armamentos pesados.

A direção é de John McTiernan, que depois ainda faria outros filmes importantes no cinema de ação dos anos 80 / 90,como Duro de Matar (88), Caçada ao Outubro Vermelho (90) e O Último Grande Herói (93). O elenco ainda tinha Carl Weathers, o Apollo Creed da saga Rocky. O resto do elenco era desconhecido e assim continuou.

Claro que os efeitos especiais venceram – já se passaram mais de 30 anos! Mesmo assim, como o foco do filme é a ação, os efeitos toscos atrapalham pouco. Outra coisa que “perdeu o prazo de validade” são os clichês oitentistas, mas foi por isso que disse que precisávamos contextualizar – um filme desses, nessa época, tinha que ter esses clichês.

Nos anos seguintes, Schwarzenegger continuou sua carreira de action hero e se firmou como um dos maiores nomes de Hollywood (tanto que, anos depois, chegou a ser eleito governador da Califórnia). O Predador fica como um bom exemplo de sua carreira nos anos 80.

Aguardem, que em breve posto o texto sobre o novo Predador.

Tully

Crítica – Tully

Sinopse (imdb): Uma mãe de três filhos contrata uma babá para ajudar com o recém-nascido.

Nova parceria entre o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody, que já rendeu Juno (2009) e Jovens Adultos (2011). Vamos ver qual é.

Juno mostrava problemas de uma mulher jovem que engravidava prematuramente; Jovens Adultos, uma mulher adulta recém separada que procura um ex-namorado. Vendo por este ângulo, Tully poderia formar uma trilogia com os dois – agora temos problemas de uma mulher em crise, que engravida pela terceira vez depois dos 40.

Tully (idem, no original) segue o mesmo estilo de “dramédia” dos outros filmes da dupla. Uma trama envolvente e bem conduzida, com alguns leves toques de humor.

Logo de cara uma coisa chama a atenção: Charlize Theron, que estava em forma “anteontem” quando fez Atômica, engordou 25 quilos pra interpretar a mãe castigada pela vida. Ela é, sem dúvida, o ponto alto do filme. Não me surpreenderei com indicações a prêmios. Mackenzie Davis também brilha, e mostra boa química com Charlize. Também no elenco, Ron Livingston, Mark Duplass, Elaine Tan, Asher Miles Fallica e Lia Frankland.

Agora, Tully tem um problema grave: um “plot twist” tão óbvio e tão repetido que, quando aconteceu, fiquei pensando “sério mesmo?” Só não falo mais por causa de spoilers, mas, gente, o espectador já viu isso, várias vezes!

Vale pela Charlize Theron. Será que vem outro Oscar?

A Freira

Crítica – A Freira

Sinopse (imdb): Um padre com um passado assombrado e uma noviça no limiar de seus votos finais são enviados pelo Vaticano para investigar a morte de uma jovem freira na Romênia e confrontar uma força malévola na forma de uma freira demoníaca.

E continua a expansão do “Waniverse”!

Pra quem não está ligado: James Wan é um dos nomes mais importantes do terror contemporâneo, por ter dirigido os dois Sobrenatural e os dois Invocação do Mal (além de Jogos Mortais alguns anos antes). Talentoso, o cara foi chamado pra dirigir outros estilos de filme (Velozes e Furiosos 7, Aquaman). Mas, mesmo sem Wan, o universo dos seus filmes continua sendo expandido com spin-offs. Já tivemos dois Annabelle, e agora este A Freira – todos os três são derivados do Invocação do Mal.

A Freira (The Nun, no original) foi dirigido por Corin Hardy (A Maldição da Floresta) – James Wan aqui está creditado na produção e na história. Isso é um problema, claro. Com um diretor genérico, o filme é até divertido, mas está longe de ser memorável.

Pelo menos o filme é divertido. Diferente da onda “pós terror” de Hereditário, A Freira é terror pop. O público fã do estilo vai se divertir com vários jump scares. Além disso, a ambientação é legal, os cenários de um castelo na Romênia ajudam a criar um bom clima. Cronologicamente, A Freira é o primeiro filme da série, já que se passa antes de Annabelle 2: A Criação do Mal. Mas é claro que é melhor ver na ordem que foram filmados.

Uma coisa curiosa no elenco: a protagonista é Taissa Farmiga, irmã mais nova (21 anos de diferença!) da Vera Farmiga, protagonista de Invocação do Mal. As duas são muito parecidas, mas suas personagens não são parentes. Também no elenco, Demián Bichir, Jonas Bloquet e Bonnie Aarons.

Parece que o próximo filme do “Waniverse” vai ser sobre The Crooked Man, sobre o Homem Torto, que aparece no segundo Invocação do Mal. Aguardemos.

In Darkness

Crítica – In Darkness

Sinopse (imdb): Uma música cega ouve um assassinato cometido no apartamento no andar de cima do dela, que a leva a um caminho sombrio para o submundo criminoso de Londres.

Pelo trailer, a premissa parecia ser boa – uma cega “testemunhando” um assassinato. Pena que não era bem isso.

In Darkness tem seus bons momentos. Mas o roteiro tem alguns detalhes tão mal escritos que dão raiva!

Um bom exemplo do que estou falando é a cena da van. Um plano sequência complexo, envolvendo acidente de carro, atropelamento, tiro… Tecnicamente, a cena é ótima! Mas… Quebram dois dedos da personagem, e logo depois ela está usando a mão como se nada tivesse acontecido! Gente, na boa, qual é o problema de se ter coerência?

O roteiro co-escrito pelo diretor Anthony Byrne e pela protagonista Natalie Dormer ainda traz outros exemplos desses altos (gostei da cena onde ela é atacada e só vemos as sombras na parede) e baixos (dá pra adivinhar o “segredo” da infância dela com alguns minutos de filme).

No elenco além da já citada Natalie Dormer, Emily Ratajkowski, Ed Skrein, Joely Richardson e Neil Maskell.

Resumindo: até dá pra curtir o filme, mas se você tiver raiva no meio do caminho, faz parte.