Oz: Mágico e Poderoso

Crítica – Oz: Mágico e Poderoso

Sou fã do Sam Raimi desde a época dos Evil Dead. Claro que não ia deixar de ver sua versão para a origem do Mágico de Oz, né?

Fugindo de uma briga, o mágico de circo Oscar Diggs acaba chegando na Terra de Oz. Lá, ele conhece as bruxas Theodora, Evanora e Glinda, e, com a ajuda de um macaco alado e de uma boneca de porcelana, precisa descobrir quem é do bem e quem é do mal.

Sim, é isso mesmo, esqueça a Dorothy, o Totó, o Espantalho, o Leão e o Homem de Lata. Trata-se de um prequel, mostrando como o Mágico chegou em Oz.

Li que a produção deste Oz: Mágico e Poderoso teve problemas com direitos autorais. O livro de L Frank Baum, de onde saiu a história, está em domínio público, mas o filme de 1939 O Mágico de Oz não está, e os donos dos direitos não liberaram. Então, tudo aqui teve que ser minuciosamente pensado. As citações ao filme original não podiam ser diretas. Um exemplo disso é o início do filme em preto e branco – as cores aparecem quando ele chega a Oz, como acontece no filme clássico.

Claro que os saudosistas vão dizer que este Oz: Mágico e Poderoso não chega aos pés do filme de 39. Mas acho que isso já era previsto: qualquer um que for “cutucar” um dos maiores clássicos da história do cinema vai encontrar uma legião de “haters”. Faz parte.

Na minha humilde opinião, o resultado ficou bem interessante, uma fantasia a la Tim Burton – diferente do último filme de Raimi, o bom terror Arraste-me Para o Inferno. Raimi consegue desenvolver bem uma nova fábula no mundo de Oz.

A produção é Disney, o que pode ser uma boa e ao mesmo tempo uma má notícia. Por um lado, a produção é de altíssimo nível – a animação dos coadjuvantes (o macaco alado e a boneca) é de uma qualidade impressionante. Por outro, Raimi está mais discreto que o habitual (é só compararmos com o resto da boa filmografia do diretor). Se Raimi estivesse mais “solto”, o resultado provavelmente seria menos comportado.

Sobre os efeitos especiais, eles ficaram meio artificiais, mas isso me pareceu proposital. Alguns cenários são muito coloridos, algumas maquiagens são muito caricatas – os cenários e caracterizações parecem uma mistura de Alice no País das Maravilhas do Tim Burton com O Grinch do Jim Carrey.

No elenco, não vi nenhum destaque. James Franco está canastrão, mas acho que o personagem pedia isso. Não gostei da atuação de Mila Kunis, ela parece artificial demais. Rachel Weisz se sai um pouco melhor com sua bruxa menos caricata. Ainda no elenco, Michelle Williams, Zach Braff, Bill Cobbs e as tradicionais pontas de Bruce Campbell e Ted Raimi.

Enfim, Oz: Mágico e Poderoso não se tornará um clássico como o filme de 39. Mas é uma boa diversão.

Os Croods

Crítica – Os Croods

Filme novo da Dreamworks!

Após ver sua caverna destruída, uma família de homens das cavernas sai à procura de um novo lar no meio de um estranho mundo novo, com a ajuda de um jovem criativo.

Quando a Dreamworks e a Pixar apareceram, surgiu um novo padrão nos longa metragem em animação. Mas parece que com o passar dos anos a Dreamworks assumiu o posto de segundo lugar. Enquanto a Pixar continua nos surpreendendo quase sempre, a Dreamworks mais uma vez apresenta um filme meia bomba.

Os Croods não é ruim, longe disso. É divertido, com bons personagens, e tecnicamente bem feito. Mas o problema é que hoje em dia estamos mal acostumados, e quando aparece um novo longa de animação, a gente espera ser surpreendido. E Os Croods não surpreende nada. É um bom desenho, e só.

Tem uma outra coisa que me incomodou um pouco: a ambientação do filme no “fim do mundo”. Como é um desenho pra crianças, precisa de um final feliz. Mas aqueles meteoritos caindo pouco antes do fim do filme deixam claro que aquela família não sobreviveria. Além da suspensão de descrença pra ver um bebê correndo rápido como um animal ou pessoas caindo de grandes alturas sem se machucar, precisamos de mais suspensão de descrença pra acreditar que o mundo só acabou pela metade.

Mesmo assim, o filme é bem divertido. Algumas situações são hilárias – a preguiça “Braço” é um excelente alívio cômico. E a parte técnica é de cair o queixo, tanto em cenas de ação (como a perseguição no “café da manhã”), quanto em cenários e bichos estranhos e coloridos. E o 3D é muito bem feito.

(O elenco original é estelar – Nicolas Cage, Emma Stone, Ryan Reynolds, Cloris Leachman, Catherine Keener e Clark Duke. Mas vi a versão dublada, então não posso palpitar aqui.)

Pena que ao fim da projeção fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Espero que Monsters University e Meu Malvado Favorito 2 nos surpreendam!

p.s.: No fim dos créditos rola uma piadinha rápida, mas nada demais.

Linha de Ação

Crítica – Linha de Ação

Desconfiado da traição de sua mulher, o prefeito de Nova York, às vésperas da eleição, contrata um ex-policial para investigá-la. Mas logo o suposto amante é assassinado, e todas as provas apontam para o prefeito, candidato à reeleição.

Dirigido por Allen Hughes (O Livro de Eli, Do Inferno), Linha de Ação é um filme “correto”. Não chega a ser ruim, mas também está longe de ser um bom filme.

Não sei exatamente qual foi o problema, o fato é que o filme não “engrena”. Talvez seja porque Linha de Ação não tem nenhum personagem com quem a gente possa se identificar; talvez seja porque hoje temos várias opções muito boas – já vi episódios de séries policiais de tv melhores do que este filme.

O roteiro tem falhas. Temos personagens mal construídos e situações previsíveis. E teve uma coisa que me incomodou: o debate entre os candidatos a prefeito. Vem cá, lá nos EUA os debates são bagunçados assim, com um interrompendo o outro o tempo todo? Outra coisa: qual o propósito da personagem Natalie? Pode tirar o personagem que o filme não perde nada.

O elenco nem é ruim. Gosto do Mark Wahlberg – apesar de saber das suas limitações, ele funciona em papeis assim. Russell Crowe faz o feijão com arroz de sempre; Catherine Zeta-Jones pouco aparece, e também faz o básico. Ainda no elenco, Jeffrey Wright, Barry Pepper, Alona Tal e Natalie Martinez.

Enfim, Linha de Ação não é nem bom nem ruim. Se fosse lançado uns 15 anos atrás, seria um caso de “filme de apoio”, filmes que eram lançados em vendas casadas com os “filmes de ponta”…

O Dobro Ou Nada

Crítica – O Dobro Ou Nada

Filme novo do Stephen Frears, estrelado por Bruce Willis, Rebeca Hall e Catherine Zeta-Jones? Pode ser legal.

Beth trabalha como stripper, mas ao ter contato com um cliente perigoso, resolve ir para Las Vegas. Lá, começa a trabalhar com apostas, na empresa Dink Inc. Boa com números, tem problemas ao se apaixonar pelo patrão.

Pode ser legal? Podia, mas não é. O Dobro Ou Nada (Lay the Favorite, no original) é uma grande decepção. O filme é sem graça e não leva a lugar algum. Mas o pior é a grande quantidade de personagens mal construídos.

Os personagens são péssimos! Beth, a protagonista, interpretada por Rebecca Hall, passa o filme inteiro andando de shortinho e enrolando o cacho do cabelo, como se fosse uma adolescente, algo incoerente com sua postura profissional. Tulip, a personagem de Catherine Zeta-Jones, primeiro posa de esposa ciumenta, pra depois ficar amiguinha da mulher que tentou seu marido. Vince Vaughn nem é uma das piores coisas aqui, mas o seu exagerado Rosie chega a irritar, sorte que pouco aparece. Joshua Jackson parece perdido com o seu sub aproveitado Jeremy. Acho que o único que se salva é Bruce Willis, seu Dink não é um grande personagem, mas pelo menos não está mal.

E o pior de tudo é constatar que o roteirista é D.V. DeVincentis, o mesmo do excelente Alta Fidelidade, também dirigido por Frears. Ambos os roteiros são baseados em livros, desconfio que um dos livros deve ser bem melhor que o outro…

Enfim, desnecessário…

 

Dogma do Amor

Crítica – Dogma do Amor

Outro dia, uma amiga mandou um e-mail me perguntando sobre um filme com a seguinte descrição: “O plot é mais ou menos assim: tem duas patinadoras no gelo, gêmeas. As pessoas começam a morrer do nada. Desfalecem na rua, mas aquilo vira normal e as outras passam por cima, como se nada tivesse acontecido. Lá pelas tantas o planeta começa a congelar. E o protagonista tá num avião que não pousa e vai ficar voando até… Que filme é esse?“. Caramba, não conhecia, mas precisava ver um filme assim!

Na verdade, Dogma do Amor (It’s All About Love, no original), lançado em 2003, fala sobre um casal e suas tentativas para salvar seu relacionamento num futuro próximo onde o planeta está à beira de um colapso cósmico. E as dicas dadas pela minha amiga estavam parcialmente incorretas. Não são patinadoras gêmeas, mas aparecem quatro patinadoras iguais; e não é o protagonista quem está no avião que não pode pousar. Mesmo assim, ainda parecia ser um filme interessante.

Gosto de filmes com sinopses bizarras – fiz até um Top 10 sobre isso. Não acho que tudo tem que ser explicado, fico satisfeito mesmo quando coisas são deixadas no ar sem explicação. Mas o filme precisa ser bom. E isso não acontece com Dogma do Amor.

Aparentemente, as situações bizarras só estão na trama pra chamar a atenção. São subtramas que não tem nenhuma importância na história, e que são muito pouco exploradas – tem um lance de pessoas sem gravidade em Uganda, que só aparece na última cena, solto, sem nenhuma relação com o resto do filme.

O diretor é Thomas Vinterberg, que ficou famoso com Festa de Família, o menos ruim dentre os filmes do Dogma 95, movimento picareta inventado por ele mesmo ao lado de Lars Von Trier pra chamar a atenção, e que não trouxe nada de qualidade para o cinema. Mas, se o Dogma 95 pregava uma produção cinematográfica espartana (câmera na mão, sem trilha sonora nem iluminação artificial, atores não profissionais, etc.), aqui Vinterberg deixou tudo isso de lado e resolveu abusar dos efeitos especiais – tem até efeito onde não precisa, como a cena desnecessária dos africanos sem gravidade.

(Aliás, o nome brasileiro do filme tenta pegar carona no movimento. “É Tudo Sobre o Amor” virou “Dogma do Amor“…)

O problema é que se você tirar as bizarrices do roteiro, o filme fica vazio e sem graça. Os personagens não são interessantes, a trama não é envolvente, o roteiro tem um monte de furos (por que eles foram parar na neve, no meio do nada, perto do fim do filme?), e tudo fica enfadonho e arrastado.

No elenco, Joaquin Phoenix parece perdido. Claire Danes está um pouco melhor, seu personagem é o único interessante no filme (e tem o lance das cópias). E Sean Penn deve ter ganhado o cachê mais fácil de sua vida: aparece por alguns segundos, falando sozinho ao celular, dentro de um avião. Mais ninguém interessante no elenco.

Enfim, boa sinopse, desperdiçada num filme mal desenvolvido.

Duro de Matar 5: Um Bom Dia para Morrer

Crítica – Duro de Matar 5: Um Bom Dia para Morrer

John McClane está de volta! Será uma boa notícia?

John McClane viaja até a Rússia para tentar ajudar seu filho, Jack, que está preso acusado de assassinato. Lá, descobre que seu filho é da CIA, e pai e filho precisam deixar de lado velhos problemas familiares para se unirem em uma missão contra o terrorismo.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo: não é uma boa notícia. Este quinto filme é de longe o mais fraco da série.

John McClane é um personagem ótimo. O primeiro Duro de Matar (1988) é um dos melhores filmes de ação da década de 80. As partes 2 (90) e 3 (95) também são muito boas. E doze anos depois veio o divertido 4.0, que parecia uma grande e engraçada galhofa em cima da trilogia.

Mas agora, amigos, acho que John McClane já era…

Acho que foi um erro apostarem num diretor semi desconhecido – dele, só vi o fraco Max Payne. Mas acredito que o pior de Duro de Matar 5 seja o roteiro do também pouco conhecido Skip Woods (se bem que gostei do seu trabalho Esquadrão Classe A).

O roteiro deste quinto filme é bem fraco. Mas acho que o pior de tudo foi ver que o John McClane foi desperdiçado. No primeiro filme, ele era um cara “real” – a cena com seus pés cortados pelos cacos de vidro é um marco no cinema de ação. Agora ele pula do alto de um prédio, arrebenta um monte de andaimes e sai inteirão, apesar de estar 25 anos mais velho. E isso porque não citei que ele está muito menos irônico e sarcástico do que nos outros filmes.

Outra grande falha do roteiro é a ausência de um bom vilão. O vilão aqui é fraaaco… E pensar que Alan Rickman e Jeremy Irons já foram antagonistas de McClane…

Ainda no roteiro: são tantos furos, que a gente se questiona se alguém leu o que estava escrito antes de começar a filmar. Vamos lá, sem spoilers. Como McClane soltou as mãos logo após o momento do “vilão dançarino”? Onde estava a polícia russa durante tiroteios nas ruas da cidade, e, principalmente, durante o pesado ataque de um helicóptero? Como eles chegaram tão rápido e entraram tão fácil em Chernobyl? Por que todos pararam de usar proteção contra radiação? E o mais importante: por que a sub trama desnecessária com o plano do vilão, logo antes do “plot twist” sem sentido? Tem mais, mas vou parar por aqui.

O lado bom é que a perseguição de carros no início do filme é bem legal, apesar da mentirada sem tamanho – dei gargalhadas enquanto o carro de McClane “descia os degraus” em cima dos carros. Mas é pouco, muito pouco.

No elenco, Bruce Willis mostra que ainda tem pique, apesar de já estar com 57 anos. Jai Courtney (o Varro da primeira temporada de Spartacus) tenta, mas não tem um décimo do carisma de Willis. Mary Elisabeth Winstead aparece numa ponta reprisando o papel do quarto filme. E o resto nem merece ser citado.

Enfim, dispensável. Triste constatação, mas era melhor termos ficado só com quatro filmes. Se resolverem fazer um sexto, que contratem um bom diretor e, principalmente, um bom roteirista.

Os Miseráveis

Crítica – Os Miseráveis

Na França do século 19, Jean Valjean, ex prisioneiro, perseguido pelo policial Javert depois que quebrou a condicional, concorda em cuidar de Cosette, filha de sua funcionária Fantine. Esta decisão mudará sua vida para sempre.

Filme novo de Tom Hooper, elevado ao primeiro escalão pelos Oscars de O Discurso do Rei – bom filme, mas supervalorizado, não merecia as estatuetas de melhor filme e melhor diretor. Agora Hooper encarou o desafio de fazer mais uma versão do livro de Victor Hugo – são inúmeras versões por aí, acho que a mais recente para o cinema foi em 1998, dirigida por Billie August e com Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman e Claire Danes no elenco. Só que Hooper trouxe para os cinemas a versão musical, que funciona bem na Broadway, mas não necessariamente vai funcionar no cinema.

Este Os Miseráveis tem um problema básico: é um filme chato. São duas horas e trinta e oito minutos de música quase ininterrupta, fica cansativo demais. A parte musical aqui é diferente dos musicais convencionais, onde canções são cantadas ao longo de cenas onde acontecem diálogos. Aqui é quase tudo cantado, até quando não precisa, o ator emposta a voz e estica as sílabas, deixaaando tuuudo assiiim. Sei lá, na minha humilde opinião, acho que seria melhor ficarmos só com as canções e deixar estes diálogos falados.

Tem outro problema, pelo menos pra quem não conhece a história: tudo acontece meio sem explicação. Jean Valjean está foragido, sem dinheiro e sem documentos, e na cena seguinte, depois de um intertítulo “8 anos depois”, não só ele já é um próspero empresário, como também é o prefeito da cidade! Outro exemplo: Cosette e Marius se encontram uma única vez, por alguns minutos, mas é uma paixão tão avassaladora que os dois viram apaixonados para sempre. Bem, até aí, tudo bem, a gente já viu exageros semelhantes em outras histórias. A diferença aqui é que a paixão é tão hardcore que o pai da menina entra na guerra para proteger o garoto – sem contar pra ele quem é sua filha!

A parte musical tem outra peculiaridade, mas esta foi uma ideia interessante. Normalmente, as músicas são gravadas antes, e os atores dublam na hora de filmar. Aqui, os atores usavam pontos nos ouvidos, e a voz foi captada na hora. Se por um lado temos algumas pequenas imperfeições nas músicas, por outro lado isso ajudou a interpretação.

Apesar dos pontos negativos, Os Miseráveis tem seus bons momentos, como a cena onde Jean Valjean e Cosette fogem, e vemos quase todo o elenco cantando juntos, mas em lugares diferentes. E o “momento solo” de Fantine é belíssimo, se a Anne Hathaway ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante no próximo domingo, podemos dizer que está cena ajudou muito.

O elenco está muito bem. Além de Hathaway, Hugh Jackman também concorre ao Oscar (mas não deve ganhar, dificilmente alguém tira a estatueta de Daniel Day-Lewis e seu perfeito Abraham Lincoln). Li críticas negativas relativas ao Russell Crowe, mas não achei ele ruim. Não gostei da voz de Amanda Seyfried, achei aguda demais; gostei da voz da desconhecida Samantha Barks (a Eponine adulta). E Sacha Baron Cohen e Helena Bonham-Carter estão mais uma vez juntos num musical fora dos padrões convencionais (eles fizeram Sweeney Todd), desta vez como o alívio cômico.

Enfim, mesmo com suas qualidades, ainda acho que Os Miseráveis não é pra qualquer público. Muitos vão achar cansativo. E alguns vão dormir…

Matrix Revolutions

Crítica – Matrix Revolutions

Tomei coragem e revi o terceiro Matrix.

Zion, a cidade de humanos, se defende de um grande ataque das máquinas, enquanto Neo luta em outra frente e também contra o agora rebelde Agente Smith.

Na época que passou no cinema, fiquei tão decepcionado com este terceiro filme da saga que quase o apaguei da minha memória. O primeiro Matrix é excepcional, uma das melhores ficções científicas dos últimos tempos; o segundo, Matrix Reloaded, é um pouco inferior, mas ainda é muito bom. Já este terceiro ficou devendo.

Agora, revendo o filme, mudei um pouco de opinião. Continua bem inferior aos outros dois, mas não é que tem coisa que se salva? O meio do filme, quando os robôs sentinelas estão atacando, é muito bom, tanto no ritmo quanto na parte técnica (efeitos especiais).

Os efeitos especiais são um “problema” para um filme destes. O primeiro Matrix foi um marco na história dos efeitos especiais, com o seu então inovador efeito bullet time. O segundo não foi uma revolução como o primeiro, mas pelo menos tivemos uma evolução do que foi apresentado. Este terceiro, por incrível que pareça, é o mais fraco da trilogia. Mas mesmo assim, traz cenas muito bem feitas, como este ataque de milhares de sentinelas citado no parágrafo anterior, ou a bela cena do soco cortando a água, na luta final.

Mas… Algumas boas cenas não salvam o filme, que também é escrito e dirigido pelos irmãos Wachowski e também é estrelado por Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Laurence Fishburne e Hugo Weaving.

Parece que o sucesso subiu à cabeça dos irmãos Wachowski e eles se esqueceram que o primeiro Matrix não era só efeitos especiais. Aquele lance das pílulas azul e vermelha, de se continuar na zona de conforto ou acordar para o mundo real, isso tudo funcionaria num filme sem efeitos especiais de ponta. Mas agora, toda a nova filosofia “matrixiana” foi jogada fora, e ficamos só com os efeitos, que já não eram mais novidade. E, pra piorar, resolveram dividir a continuação em duas partes, mesmo sem ter história para dois novos filmes. E, a cereja do bolo: não sabiam como terminar o filme.

Se um dia heu fizer um Top 10 de piores finais, Matrix Revolutions tem boas chances de figurar entre os primeiros. A jornada final de Neo não faz sentido, o adversário que ele encontra é mal construído, a proposta de paz é completamente ilógica, e a luta final é uma das mais sem graça da história. E, pra piorar, não explica como o vencedor conseguiu terminar a luta. Sobre este fim, o melhor é torcer para o seu dvd / blu-ray arranhar no meio do filme, logo depois do fim da sequência dos sentinelas. É mais ou menos que nem o fim de Lost, era melhor que a gente imaginasse um fim, por pior que fosse, certamente seria menos ruim do que o que ficou no filme.

Resumindo: Matrix Revolutions só vale para os fãs hardcore do primeiro filme. E dentre estes, só para os pouco exigentes.

 

João e Maria: Caçadores de Bruxas

Crítica – João e Maria: Caçadores de Bruxas

Vocês se lembram do conto de fadas dos irmãos João e Maria, crianças que foram atraídas para uma casa feita de doces e foram capturadas por uma bruxa? E se os irmãos crescessem e virassem caçadores de bruxas?

Depois de matar a bruxa da historinha clássica, os irmãos João e Maria viram caçadores profissionais de bruxas. São contratados por uma pequena cidade onde crianças estão desaparecendo, e se deparam com uma bruxa mais poderosa do que a média.

Dirigido pelo norueguês Tommy Wirkola (Dead Snow), João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, no original) segue a nova onda de adaptações de histórias infantis sob uma nova ótica. Já tivemos bons (Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e o Caçador) e maus (A Garota da Capa Vermelha, Espelho, Espelho Meu) exemplares do estilo.

Se você acha que uma história ambientada em uma vila medieval não combina com roupas de couro e armas de fogo de grosso calibre, então você não vai gostar do filme. Mas se você se deixar levar pelas “liberdades poéticas”, vai se divertir. João e Maria: Caçadores de Bruxas não se leva a sério em nenhum momento. Além das armas de fogo e das roupas de couro, temos um “taser” que dá choques, injeções para tratar diabetes, e aparece até uma vitrola!

A ambientação e os efeitos especiais têm um “pé” no filme B, tornando tudo ainda mais divertido, pelo menos para aqueles no clima certo (não sei por que, me lembrei do Sam Raimi – é ele quem está dirigindo o novo Mágico de Oz, tomara que não nos decepcione). Tudo é meio tosco, e o gore é abundante – não se esqueçam que o filme mais famoso de Wirkola é um terror com zumbis nazistas. O 3D também ajuda o clima B: são várias coisas atiradas na direção da câmera, como um bom 3D de parque de diversões.

A quantidade de gore e de pedaços de corpos arrancados é um problema para a faixa etária do filme – os mais novos podem achar o filme um pouco forte, enquanto os “adultos” não vão se interessar pelo tema. Isso deve ser uma das causas da bilheteria fraca.

O elenco é acima da média para um filme B. Gemma Arterton (Fúria de Titãs, O Príncipe da Pérsia) e Jeremy Renner (Os Vingadores, O Legado Bourne) estão muito bem como os irmãos Hansel e Gretel (por que será que a geração dos nossos pais traduziu para “João e Maria”?). Famke Janssen e Peter Stormare também estão bem como os coadjuvantes.

Enfim, João e Maria: Caçadores de Bruxas não é para todos os gostos. Mas quem curtir uma aventura / terror / fantasia com ar de filme B vai se divertir, e muito.

A Hora Mais Escura

Crítica – A Hora Mais Escura

Durante anos, uma obsessiva agente da CIA usa todos os meios para conseguir seu objetivo: achar e capturar Osama Bin Laden.

Já era previsto que Hollywood iria fazer filmes ligados a Osama Bin Laden. Mas, pelo que li, A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, no original), foi pensado inicialmente como um filme sobre o fracasso dos EUA na tentativa de achar Bin Laden. Só que, com a notícia que ele tinha sido capturado e morto pelo exército americano, o roteiro escrito por Mark Boal foi mudado. Se isso é verdade, não sei. Mas a história contada no filme funciona muito bem.

A Hora Mais Escura é um Guerra Ao Terror melhorado. Ironicamente, Kathryn Bigelow ganhou o Oscar de melhor diretora (além de melhor filme) por Guerra Ao Terror, mas desta vez nem foi indicada.

(Respeito a atual fase de Bigelow, mas confesso que prefiro o trabalho dela nos anos 80 e 90, com filmes como Caçadores de Emoção, Estranhos Prazeres e Quando Chega a Escuridão. Gosto mais dela fazendo filmes pop…)

A Hora Mais Escura chega envolto em polêmicas. Parece que os conservadores tiveram problemas com as cenas de tortura. Ora, a tortura não aconteceu? Qual o problema de mostrar algo real? Só porque não é politicamente correto? Enfim, as cenas de tortura nem são nada demais…

O filme é longo demais – não precisava de duas horas e trinta e sete minutos para contar a história. Alguns trechos são arrastados; outros são previsíveis – por exemplo, a cena do atentado que envolve a personagem de Jennifer Ehle. Pelo menos a parte final do filme é muito boa. Os 40 minutos finais, que mostram a operação da captura de Bin Laden, tem um ritmo excelente – apesar de ter uma fotografia muito escura (às vezes a gente não vê nada…).

Sobre o elenco, o grande nome é Jessica Chastain, uma das mais fortes candidatas para levar o Oscar de melhor atriz daqui a duas semanas (acho que fica entre ela e Jennifer Lawrence). Jessica está excelente. Ainda no elenco, Kyle Chandler, Jennifer Ehle, Jeremy Strong, Harold Perrineau, Mark Strong, Edgar Ramirez e uma ponta de James Gandolfini.

Apesar da duração excessiva, A Hora Mais Escura é um dos melhores filmes dentre os candidatos ao Oscar 2013.