The Man With The Iron Fists

Crítica – The Man With The Iron Fists

Nova produção de Quentin Tarantino. Motivo de euforia ou de pé atrás?

Atrás de um tesouro em ouro, guerreiros, assassinos e um oficial inglês se enfrentam em uma vila da China feudal. No meio disso tudo, um humilde ferreiro negro tenta se defender.

Explico a dúvida do primeiro parágrafo. Tarantino costuma ser garantia de qualidade quando está no roteiro ou direção. Mas ele já emprestou seu nome para os créditos de produções de qualidade duvidosa, como Hell Ride ou Meu Nome É Modesty Blaise – quer dizer, no caso de Hell Ride, não chega a ser duvidoso, o filme é ruim mesmo.

Pelo menos The Man With The Iron Fists tinha uma vantagem: Eli Roth como co-roteirista. Tá, Roth não é conhecido por ser um grande roteirista, mas pelo menos Cabana do Inferno e O Albergue são filmes divertidos.

The Man With The Iron Fists é a estreia na direção de RZA, rapper e ator bissexto. É o “seu” filme, RZA também co escreveu o roteiro, é um dos autores da trilha sonora e ficou com o papel principal.

O filme prometia. Apadrinhamento de Tarantino, roteiro de Eli Roth é um ar de Grindhouse. Mas… RZA não tem o talento de um Tarantino ou de um Robert Rodriguez. Apesar da boa intenção, o resultado final ficou devendo.

Lembrei da série Californication, do personagem Samurai Apocalipse, interpretado pelo próprio RZA. Na série, Samurai era um músico marrento e de hábitos truculentos que resolveu entrar no mundo do cinema impondo suas regras, independente de isso ser bom para o filme ou não. Sei lá, em algumas cenas, heu conseguia visualizar o Samurai discutindo com o roteirista Hank Moody / Eli Roth…

Outra coisa que não funcionou foi a trilha sonora. Tarantino consegue colocar músicas “diferentes” em suas trilhas, e o resultado fica quase sempre ótimo. Mas aqui existe um excesso de rap e hip hop – que não têm nada a ver com o clima de “faroeste oriental” do filme.

Mais uma coisa que ficou estranha são os “super poderes”. A explicação para os punhos de aço ficou forçada, mas, vá lá, explicaram. Mas, e o cara que vira bronze? Qual é a dele? Será que os roteiristas não se tocaram que os espectadores ia querer saber a história dele? Mais: um cara com aqueles poderes é quase invencível. Colocá-lo contra os outros é mais ou menos como se o Dr. Manhatan resolvesse lutar contra os outros Watchmen – ia ser covardia. Digo mais: me questiono por que alguém com tais poderes seria subordinado de outra pessoa…

E as lutas? Bem, as lutas nem são ruins. Acredito que a falta de gravidade seja proposital, então um lutador que flutua no ar é estilo, e não tosqueira (já vimos isso em filmes bons, né?). Apesar disso, as lutas não são lá grandes coisas.

No elenco, acho que o único que está bem é Russell Crowe. Lucy Liu não está mal, mas seu personagem não ajuda. O destaque negativo é o próprio RZA, inexpressivo em todas as cenas que aparece. Ainda no elenco, Jamie Chung, Rick Yune, Dave Bautista, Cung Le, Byron Mann, Daniel Wu e uma ponta de Pam Grier.

No fim, fica uma sensação de boa ideia desperdiçada. The Man With The Iron Fists parece uma versão pobre e mal feita de Kill Bill. O conceito “grindhouse”, que Robert Rodriguez explorou tão bem em Machete, não foi bem utilizado aqui…

Red Tails

Crítica – Red Tails

Red Tails fala sobre o programa Tuskegee, um esquadrão de aviadores negros que atuou na Itália durante Segunda Guerra Mundial, época que o preconceito racial era muito mais forte do que hoje em dia.

E por que todo nerd deve ver Red Tails? Ora, trata-se do mais recente projeto da Lucasfilm! Mas… Como diz o ditado, “devagar com o andor porque o santo é de barro”. Red Tails está mais próximo da trilogia nova do que da trilogia clássica de Star Wars

Lucas ia dirigir, mas resolveu “passar o bastão” para outro diretor. A princípio, boa notícia, afinal é notória a sua falta de tato no contato com atores – na minha humilde opinião, a nova trilogia seria melhor se Lucas usasse “diretores de aluguel”, como fez com O Império Contra Ataca (dirigido por Irving Kershner) e O Retorno do Jedi (dirigido por Richard Marquand).

Mas em vez de pegar um diretor experiente, Lucas chamou Anthony Hemingway, vindo da tv e estreante no cinema. O problema é que, assim como seu mentor, Hemingway mostrou que aparentemente não tem muito jeito com atores…

Não sei se o problema do filme é ter diálogos mal escritos ou atores mal dirigidos – provavelmente um misto das duas coisas – o fato é que os personagens de Red Tails não convencem. Nenhum personagem tem carisma, a gente não se identifica e não torce por ninguém.

Tem um agravante: não sei como era o esquadrão Tuskegee na vida real, mas aqui eles parecem super pilotos. Os caras na primeira missão detonam um monte de alemães experientes e voltam sem nenhuma baixa. Não conheço a história, não sei se o Tuskegee era tão eficiente. Mas aqui, pareceu filme “maniqueísta de final feliz da Disney”.

(Li no imdb que as provas para negros eram mais difíceis do que para os brancos, para desestimulá-os a virarem pilotos. Se isso for verdade, explica porque lá só tinha piloto acima da média – pra entrar no pelotão, o cara tinha que ser fera. Mas o filme não menciona isso – diferente de Band of Brothers, por exemplo)

Pelo menos as batalhas aéreas são bem feitas. O cgi é top de linha (Lucasfilm, né?), e vemos várias cenas com os aviões em manobra nos ares. Diz a lenda que Lucas se inspirou nessas batalhas da segunda guerra mundial para criar as batalhas espaciais de Star Wars. Bem, os aviões são diferentes, mas o estilo é parecido…

No elenco, nenhum destaque positivo, infelizmente. Todos estão artificiais, mesmo bons atores como Cuba Gooding Jr., Terrence Howard e Bryan Cranston (num pequeno papel). Ainda no elenco, Nate Parker, David Oyelowo, Tristan Wilds e Daniela Ruah.

Enfim, Red Tails vai acabar sendo visto por milhares de fãs de Star Wars, independente das suas qualidades (ou falta delas). Mas que estes fãs mereciam mais, ah, mereciam. Isso sem contar com os fãs do esquadrão Tuskegee…

 

Dredd

Crítica – Dredd

Num futuro pós apocalíptico, a única autoridade está na figura do “juiz”, um misto de policial, juiz, júri e executor. Um juiz veterano e uma novata com poderosas habilidades psíquicas são designados a uma investigação em um local controlado por uma poderosa traficante.

Judge Dredd é um personagem de quadrinhos originário da revista britânica 2000 AD, que já tinha ganhado uma adaptação, O Juiz (Judge Dredd), estrelada por Sylvester Stallone em 1995 – um filme odiado pelos fãs do quadrinho.

A direção desta nova tentativa ficou a cargo de Pete Travis, que fez um bom trabalho em Ponto de Vista. Não me lembro muito do filme anterior, mas lembro que não achei lá grandes coisas – só vi uma vez, na época que foi lançado. Não tenho como comparar as versões, mas arrisco a dizer que este novo filme é bem melhor. Dredd é um bom filme!

A ambientação é um dos trunfos de Dredd. Bons cenários, bons figurinos e efeitos especiais eficientes e bem dosados tornam o filme uma boa opção para os apreciadores de filmes de ação. Além disso, o filme é bem violento. Vemos muitas mortes com detalhes que beiram o gore de filmes de terror. Li no imdb que os quadrinhos são violentos assim…

Dredd tem uma câmera lenta muito bem feita. As cenas que retratam o uso da droga “slo mo” trazem imagens belíssimas, como poucas vezes vistas em filmes violentos de ação.

Dredd é um bom filme, mas teve um azar muito grande: estreou pouco depois de Operação Invasão / The Raid Redemption / Serbuan Maut, filme indonésio que tem uma trama bem parecida (policial quase super humano tem que pegar um chefão de drogas que mora no alto de um prédio onde tem capangas por todos os andares). Li no imdb que a produção do filme americano começou mais cedo, mas o filme indonésio estreou antes e é bem melhor. Acho que a única grande diferença é que o policial americano tem munição quase infinita enquanto o seu paralelo oriental fica sem munição e parte para a luta com artes marciais…

Achei curioso escalarem um ator relativamente famoso para um papel que nunca mostra a cara – achei que em algum momento Karl Urban (RED, Star Trek, A Supremacia Bourne) tiraria a máscara para justificar o provável alto cachê. Além de Urban, Olivia Thirlby (A Hora da Escuridão) e Lena Headey (300) estão bem.

Enfim, boa opção. Principalmente para quem não viu Operação Invasao

Silent Night

Critica – Silent Night

Ah… Nada como um slasherzinho vagabundo com o tema natalino pra gente comemorar o natal… 😛

Na véspera de natal, a polícia de uma cidadezinha dos EUA procura um assassino que age fantasiado de papai Noel. Detalhe: rola um concurso na cidade, com dezenas de pessoas fantasiadas de papai Noel.

Em primeiro lugar, Silent Night NÃO é bom. Claro que não. Releia a sinopse. Se mesmo assim, você quiser ver, já sabe o que vem por aí. Dirigido pelo pouco conhecido Steven C Miller, Silent Night é um remake de Natal Sangrento / Silent Night, Deadly Night, de 1984. Como não vi o filme dos anos 80, não sei se é uma boa refilmagem ou não.

O que Silent Night tem de bom são as mortes, criativas e bem feitas. Tem uma machadada na cabeça com detalhes bem gore, além de uma vítima passada através de um picador de madeira. A gente só precisa não pensar muito, porque senão a gente vai se perguntar onde estão as pessoas que moram na cidade, que somem na hora que tem um papai Noel matando uma mulher semi-nua em céu aberto…

Mas por outro lado, tudo é clichê e previsível demais. E pra piorar, algumas coisas não fazem o menor sentido. Se fosse só o clichê, tudo bem, mas, por exemplo, qual é a função do personagem de Donal Logue, o “papai Noel rebelde”?

No elenco, poucos nomes conhecidos. O grande Malcolm McDowell, de Laranja Mecânica e Calígula, parece que não leva o filme a sério, seu personagem tem umas tiradas no limite da caricatura. Jaime King (Sin City, The Spirit) é bonitinha, mas não tem muito espaço para fugir do óbvio. Ainda no elenco, Donal Logue, Ellen Wong e as gostosas Courtney-Jane White e Courtney Palm.

Enfim, só para os fãs de slasher. Para aqueles que apreciam mortes divertidas e bem filmadas, e alguma nudez gratuita.

E feliz natal pra todos!

 

A Origem dos Guardiões

Crítica – A Origem dos Guardiões

Filme novo da Dreamworks!

O malvado Bicho-Papão pretende iniciar uma era da escuridão, que destruirá o sonho de todas as crianças. Para combatê-lo, os Guardiões Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada dos Dentes e Sandman ganham um reforço: Jack Frost.

Baseado na série de livros ‘The Guardians of Childhood’, de William Joyce, A Origem dos Guardiões é uma espécie de Os Vingadores infantil: vários “herois” de universos diferentes se unem contra um poderoso vilão. E, assim como no filme da Marvel, o melhor aqui é a interação entre os personagens.

Rolou uma modernização para alguns personagens clássicos – Papai Noel tem os braços tatuados e usa espadas; o Coelhinho da Páscoa é chamado de “Coelhão” porque tem 1,85m e luta com bumerangues. Mas o público brasileiro terá um problema: aqui poucos conhecem Jack Frost (que traz a neve) e Sandman (que traz os sonhos). Ok, ninguém vai ficar perdido na trama, mas acho que a criançada vai curtir mais ver os personagens mais conhecidos.

O filme foi dirigido por Peter Ramsey, o mesmo do diverttido Monsters vs Aliens: Mutant Pumpkins from Outer Space (uma continuação para Monstros vs Alienígenas). Aqui o tom é mais ação e menos comédia – mas tem alguns engraçados alívios cômicos com os elfos e ietis.

A parte técnica, como era de se esperar, é deslumbrante. Ornamentos feitos de gelo pelo Jack Frost ou de areia pelo Sandman são ricos em detalhes, como poucas vezes vemos por aí. Rola uma versão em 3D, mas heu optei pelo 2D e não posso falar sobre isso.

Deu pena de ver o filme dublado. Não que a dublagem seja ruim, longe disso. Mas é que, sabendo que fez as vozes, quase dá pra ver Hugh Jackman como o Coelho, Alec Baldwin como Papai Noel e Jude Law como o Bicho Papão… Ainda no elenco original, Chris Pine, Isla Fisher e Dakota Goyo.

A Origem dos Guardiões é um bom filme, mas tenho a impressão de que a Dreamworks já fez coisa melhor. Parece que este ano não foi uma boa “safra” para animações (Valente foi bem abaixo da média da Pixar). Mesmo assim, A Origem dos Guardiões não vai decepcionar ninguém.

A Dreamworks gosta de fazer continuações. Quem será que vai aparecer num provável Origem dos Guardiões 2?

Ponto de Vista

Crítica – Ponto de Vista

Não me lembro exatamente por que, mas perdi o lançamento de Ponto de Vista no cinema. Aproveitei o dvd gringo com legendas em português na promoção de um site…

Uma tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos durante uma visita à Espanha é contada várias vezes, sob diferentes pontos de vista – e cada novo ponto de vista traz uma novidade.

Dirigido pelo estreante Pete Travis (que este ano fez Dredd), Ponto de Vista (Vantage Point, no original) é um daqueles casos de roteiro bem montado, que vai revelando aos poucos os detalhes da trama. O roteiro do também estreante Barry Levy é muito bem escrito – revemos os mesmos acontecimentos várias vezes, mas cada vez sob um novo ângulo. (Curiosamente, só agora estão filmando o segundo roteiro de Levy.)

O clima lembra um pouco a boa série 24 Horas, com conspirações envolvendo ataques terroristas ao presidente dos EUA em ritmo acelerado. Até a trilha sonora lembra o seriado do Jack Bauer.

Claro que a gente precisa de um pouco de suspensão de descrença (até aqui é parecido com 24 Horas) – acredito que não seja tão fácil se alcançar o presidente dos EUA, assim como não deve ser fácil planejar o aparato que foi feito para dar os tiros. Mas nada grave, é só relaxar e deixar o ritmo frenético te levar.

O elenco é bom – apesar da falta de currículo do diretor. Como a trama é fragmentada, alguns bons nomes como Sigourney Weaver, Forest Whitaker e William Hurt têm pouco tempo na tela – acho que só Dennis Quaid (eficiente como sempre) tem um papel maior. Ainda no elenco, Zoe Saldana, Matthew Fox, Eduardo Noriega, Saïd Taghmaoui e James LeGros.

Ponto de Vista foi lançado em 2008, então já tem muita coisa sobre ele por aí pela internet. Curiosamente, li muitas críticas negativas. Acho que esse povo que não gostou deve ter algum preconceito contra filmes de ação bem escritos…

As Aventuras de Pi

Crítica – As Aventuras de Pi

Filme novo do Ang Lee, com cara de Oscar!

Pi Patel é filho do dono de um zoológico na Índia. Quando a família resolve se mudar para o Canadá, o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker. Baseado no best seller de Yann Martel.

Tem uma coisa que gostei muito em A História de Pi: o cartaz nos leva a acreditar em uma história “mágica” onde o garoto será um “amigo” do tigre dentro do barco. Nada disso: o tigre é selvagem e assim continua mesmo depois de se ver sozinho no barco. Pi tem que sobreviver ao naufrágio e ao tigre!

O ritmo do filme é um pouco lento, acho que não precisava ter mais de duas horas. Mesmo assim, não achei cansativo. E gostei da revelação da metáfora no final.

As Aventuras de Pi tem um belíssimo visual. Tanto a parte dos bichos quanto (principalmente) as cenas no mar são fantásticas. O naufrágio é impressionante, e a cena da baleia é belíssima.

Os efeitos especiais são top de linha. Li no imdb que Suraj Sharma, que interpreta Pi no barco, não interagiu nem com o mar nem com o tigre. As cenas foram todas filmadas com ele sozinho no barco, dentro de uma piscina. O mar e o tigre são cgi. Impressionante, não?

(Ah, tem o 3D. É bem feito, e tal, mas cansei de 3D, acho que não precisava disso…)

No elenco, só um nome famoso, Gerard Depardieu, num papel minúsculo. Os menos conhecidos Irfan Khan (O Espetacular Homem Aranha) e Rafe Spall (Prometheus) estão bem como os narradores da história. Mas o destaque sem dúvida é Suraj Sharma, que passa a maior parte do filme sozinho no barco.

Estreia esta semana, e já está concorrendo a três Globos de Ouro…

O Homem da Máfia

Crítica – O Homem da Máfia

Sábado à noite fui com a garotinha ruiva ao shopping, a ideia era vermos Argo – heu já tinha visto, mas ela não. Argo estava lotado, mas tinha ingresso para este O Homem da Máfia, filme com Brad Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins e James Gandolfini. Com um elenco desses, não deve ser ruim, né? Ledo engano…

Baseado no livro homônimo de George Higgins, O Homem da Máfia (Killing Them Softly, no original) acompanha um matador profissional contratado para investigar um assalto a um jogo de pôquer clandestino em Nova Orleans.

O problema aqui é simples: falta história. O filme dá voltas, enche linguiça com um vários personagens contando um monte de “causos” desnecessários e desinteressantes, e nada acontece.

Pra piorar, o filme fica o tempo todo mostrando noticiários políticos sobre a eleição dos EUA de 2008, aquela que colocou o Obama no poder. É um saco, toda cena tem que ter uma TV ou rádio ligados com um falatório que não significa nada para nós brasileiros.

(No fórum do imdb, um mané chama de tolos aqueles que não entenderam que O Homem da Máfia é uma “alegoria política”. Tolo é quem acha que isso interessa a alguém de fora dos EUA…)

E assim o filme segue, sem levar nada a lugar algum. Vi algumas pessoas saindo do cinema, e desta vez não foi por causa de alguma cena ofensiva (como acontece com alguns filmes polêmicos) – foi porque o filme é chato mesmo.

Não vi O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, o filme mais conhecido do diretor e roteirista Andrew Dominik. Mas parece que ele ganhou algum prestígio com o filme, é a única explicação para tantos bons atores se envolverem em um filme tão mal escrito e mal editado como O Homem da Máfia.

O elenco nem está mal. Brad Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins e James Gandolfini, sempre bem, junto com os menos desconhecidos Scoot McNairy e Ben Mendelsohn. Se O Homem da Máfia tivesse história, eles até mereceriam elogios.

Pra não dizer que nada se salva, gostei muito da sequência do assassinato de um dos personagens: tiros em câmera lenta, depois um acidente de carro, também em câmera lenta. Belas imagens. Só não vale ver uma hora e meia de filme por uma cena de poucos minutos.

Dispensável…

O Hobbit – Uma Aventura Inesperada

Crítica – O Hobbit – Uma Aventura Inesperada

O aguardado novo filme da série O Senhor dos Aneis!

O hobbit Bilbo Bolseiro conta as aventuras do seu passado, quando foi levado pelo mago Gandalf, o Cinzento, para à épica missão de retomar a posse do reino dos anões, Erebor, do dragão Smaug, acompanhando os treze anões liderados pelo guerreiro Thorin Escudo-de-Carvalho.

Falar de O Hobbit – Uma Aventura Inesperada não é exatamente uma tarefa fácil, porque trata-se de um filme incompleto. Assim como fez anteriormente, o diretor Peter Jackson dividiu a história em três filmes. Só teremos uma visão exata daqui a dois anos, data prevista para lançarem o terceiro filme.

Inicialmente, Guillermo Del Toro seria o diretor, e seriam apenas dois filmes. Mas, quando a falência da MGM congelou o projeto, Del Toro saiu, depois de dedicar três anos ao filme. Del Toro continua creditado como co-roteirista, mas não se sabe exatamente quais partes cabem a cada um dos dois. E ninguém explicou por que viraram três filmes em vez de dois – se bem que a resposta a essa questão é meio óbvia: dinheiro.

Analisando este primeiro filme: posso chegar a duas rápidas conclusões:

– Peter Jackson mais uma vez fez um belo trabalho;

– Tenho medo da ideia comercial de se esticar um único livro em três filmes.

Vamos por partes, primeiro ao que funciona. Jackson foi muito competente ao retornar ao universo da Terra Média. Tudo aqui remete à outra trilogia: o clima é o mesmo, a trilha sonora lembra os temas de dez anos atrás, vários personagens retornam. Os cenários, que antes já eram muito bem feitos, estão ainda melhores – além de revermos o Condado e Valfenda, ainda conhecemos a fantástica Erebor. Belíssimos cenários naturais neo zelandeses também são usados, nas óbvias cenas de caminhadas – não seria Senhor dos Aneis sem longas caminhadas, né?

Os efeitos especiais, como era de se esperar, são excelentes. O cgi é absurdamente bem feito, tanto ao construir cenários deslumbrantes quanto para criar centenas de personagens que preenchem as várias cenas – não dá pra saber o que é ator e o que é cgi naquelas grandiosas cenas de batalhas com anões e orcs. E ainda tem uma cena com trolls perfeitos!

E a cereja do bolo também já era prevista: o Gollum. Andy Serkis volta ao seu mais famoso personagem por captura de movimento, e aqui ele consegue ser ainda mais “real” do que na outra trilogia. A Academia vai acabar criando uma categoria no Oscar pra conseguir premiar Serkis…

(Existe uma outra inovação que não pôde ser verificada por este que vos escreve. Desde que o cinema foi inventado, as projeções são a 24 quadros por segundo. O Hobbit – Uma Aventura Inesperada traz uma novidade: Peter Jackson filmou a 48 quadros por segundo, o que – dizem – traz uma imagem em alta definição para a tela do cinema. Mas a sessão de imprensa foi no tradicional 24 quadros por segundo. Também não vi o 3D, mas com relação a isso, nem faço questão.)

Mas… Nem tudo funcionou…

O meu grande receio com esta nova saga é justamente o fato de ser uma trilogia. O Senhor dos Aneis são três livros, que viraram três filmes. Tinha história suficiente para se fazerem três filmes de três horas cada (ou quatro horas cada, no caso das versões estendidas) – e ainda ficou coisa de fora. Mas aqui é um livro só, ou seja, a história terá que ser esticada. E isso já é sentido em alguns momentos deste filme – as cenas em Valfenda são arrastaaadas… Li por aí que Jackson incluirá trechos do Sillmarillion e partes não usadas dos livros O Senhor dos Aneis. Bem, como ele já fez um bom trabalho neste aspecto com os outros filmes, não vou falar mal ainda. Mas confirmo que é algo que me preocupa.

Além disso, O Hobbit – Uma Aventura Inesperada sofre com outro problema. Se a Sociedade do Anel tinha 9 integrantes, entre homens, hobbits, anões e elfos, e a gente já se confundia (nunca sei quem é Merry e quem é Pippin), aqui são 13 anões. Alguns se destacam e são facilmente identificáveis, mas heu me perdi no geral. Um espectador “leigo”, que nunca leu o livro, dificilmente vai conseguir identificar todos os treze.

Outra coisa: sei que o tom deste filme é um pouco mais infantil, mas mesmo assim achei o personagem Radagast bobo e caricato demais, ficou um pouco acima do tom. E não gostei da sequência dos gigantes de pedra, achei uma cena besta e completamente dispensável – mas sei que está no livro, então não vou reclamar.

Sobre o elenco, só tenho elogios. Martin Freeman (O Guia do Mochileiro das Galáxias) parece que nasceu para ser Bilbo Bolseiro – a gente até esquece que o personagem foi muito bem interpretado por Ian Holm. Ian McKellen mais uma vez está ótimo como Gandalf. Richard Armitage também está bem com o seu Thorin Escudo-de-Carvalho – o “Aragorn da vez”. E o elenco ainda traz participações de vários atores da “trilogia clássica”: Cate Blanchett, Hugo Weaving, Elijah Wood, Christopher Lee e Ian Holm, além do já citado Andy Serkis. E, para quem vê a série Sherlock, da BBC: Benedict Cumberbatch faz uma participação sem mostrar o rosto: ele é o Necromancer (pra quem nunca viu Sherlock: Benedict Cumberbatch é o Sherlock; Martin Freeman é o Watson).

Agora é segurar o “gostinho de quero mais” até dezembro do ano que vem, quando estreará O Hobbit: A Desolação de Smaug

p.s.: Durante o filme ninguém fala nada, mas até onde me lembro, o anão Gimli é filho de Gloin. E Gloin é um dos 13 anões… Será que veremos um Gimli criança?

Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado

Crítica – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado

Depois de ver uma montagem da peça musical Spamalot, semana passada, na Uni Rio, Urca, tive vontade de rever mais uma vez o genial Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado, filme no qual a peça se baseou.

Gosto da sinopse que está no imdb: “King Arthur and his knights embark on a low-budget search for the Grail, encountering many very silly obstacles.” (“Rei Arthur e seus cavaleiros embarcam em uma busca de orçamento baixo ao Santo Graal, encontrando vários obstáculos muito bobos.”)

Pra quem não sabe: Monty Python era um grupo inglês de seis comediantes: Graham Chapman, Eric Idle, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam, que tinham um programa de TV (Monty Python Flying Circus) e depois fizeram alguns filmes para o cinema. O estilo de humor deles era de uma genialidade ímpar, sem dúvida um dos marcos mais importantes da história da comédia no cinema.

É complicado falar de Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado, escrito pelo sexteto e dirigido por Terry Gilliam e Terry Jones em 1975. Quem gosta de Monty Python já viu e reviu; quem não curte o estilo do grupo inglês não deu bola antes e não vai dar bola agora. O que posso dizer depois de rever mais uma vez é que, se o visual do filme está um pouco velho, o humor continua afiado. Dei boas gargalhadas, mesmo já conhecendo todas as piadas.

Nem mesmo a produção de recursos escassos escapa. Como era complicado usarem cavalos de verdade, eles usaram cocos para imitar o barulho dos cascos de cavalo – e fizeram piada sobre como os cocos foram parar na Inglaterra na Idade Média. Ou, quando chegam perto de Camelot, o personagem de Terry Gilliam avisa: “mas é só uma maquete!”. Isso sem contar com várias piadas sensacionais, hoje clássicas, como o Cavaleiro Negro, os Cavaleiros que dizem Ni e o terrível coelho assassino…

Monty Python Em Busca Do Cálice Sagrado é o segundo longa do Monty Python, mas na verdade é o primeiro filme com uma história inédita. Antes, em 1971, eles lançaram And Now For Something Completely Different, que era uma compilação de esquetes tiradas do programa de tv. Eles ainda fariam A Vida de Brian (1979), Monty Python – Ao Vivo no Hollywood Bowl (1982) e O Sentido da Vida (1983). Desde então, nunca mais estiveram todos reunidos – e a partir de 89, a tarefa se tornou impossível, com a morte de Graham Chapman. Mas heu ainda espero por uma produção que reúna os outros cinco.

Deu vontade de rever os outros filmes… E amanhã voltarei à Uni Rio para rever Spamalot!

E se por um acaso você gosta de comédia e nunca viu nada do Monty Python, faça um favor a você mesmo e procure este filme. Nem precisa agradecer depois…